Parte I – We Are Broken (Paramore)

Tinha acabado.

Para sempre.

Não tinha sido minha decisão. A decisão tinha partido de Finn. E aquilo, mais do que nunca, me machucou mais do que quando eu achara que, se ficássemos um tempo separados, poderíamos encontrar nosso caminho de volta um para o outro.

Nosso relacionamento já estava fadado ao inferno que se provou desde o início. Com Quinn por perto eu nunca tinha uma garantia concreta. E o mundo, eu bem sabia, torcia contra nós. Porque eu não era bonita o suficiente para Finn; porque Finn era burro demais para mim, ou sei lá. O mundo sempre conseguia encontrar em motivo para que nós não ficássemos juntos. Mas eu enfrentei aquilo. Enfrentei por nós dois. Porque eu sabia que Finn era o lado mais fraco. É claro que, de início, acreditei em toda aquela bolha de amor. Achei mesmo que ele fosse capaz de enfrentar tudo por mim. Qualquer coisa. Mas, no fundo, eu sabia que eu era a que estava se esforçando mais para tê-lo. Para nos manter.

Eu sabia que lhe dar aquele espaço – ter reivindicado um tempo para ambos – era o final da linha. De certo modo, ele nunca se esforçara de verdade para estar ao meu lado quando sabia que Quinn estava brincando com ele. Ele estava comigo, mas ao mesmo tempo não estava.

E eu tinha decidido dar um tempo para que ele, finalmente, entendesse por que queria estar comigo. Para que ele escolhesse sua felicidade. E ele tinha escolhido a Quinn.

Ele o tinha libertado para que buscasse a Quinn.

E, para minha decepção, ele tinha conseguido.

Ele e Quinn tinham vencido.

Não sabia se estava com raiva, ou somente decepcionada. Durante aquela semana que se passou precedente à nossa viagem rumo às Nationals, eu me vi entre esses dois sentimentos em momentos diferentes. A raiva sempre aparecia quando eu estava na escola, quando eu via um dos dois. Não sabia se sentia mais raiva dele ou dela. Mas a decepção sempre dava as caras quando eu estava solitária, quando estava cantando para mim mesmo músicas como tristes, ou quando olhava aquele colar que Finn tinha comprado para mim num dos nossos aniversários de namoro. Aquele floco de neve representava tudo o que eu sentia por ele. Meu amor por Finn estava derretendo, se dissolvendo, indo embora.

E eu tinha achado que aquilo nunca fosse acontecer.

Achava que o amaria para sempre, mas uma decepção sempre consegue fazer com que qualquer amor do mundo se desfaleça em pouco tempo. Porque, depois de uma decepção, a confiança nunca é a mesma. A confiança é quebrada.

Eu me relembrava constantemente de todas os nossos momentos mais perfeitos – o meu primeiro beijo, o nosso primeiro jantar, as melhores tardes, o show do Journey – e me perguntava se tudo aquilo não passara de uma ilusão.

Não sabia com certeza se Finn tinha realmente me amado. Não do mesmo modo como eu o tinha amado. Como supracitado, eu era o lado mais forte. E não era porque eu era mulher, como todo mundo tem a mania de pensar. Afinal, as mulheres também decepcionam muitos homens. Mas a questão era que eu simplesmente sabia que Finn era a parte distraída. Aqueles momentos perfeitos tinham sido perfeitos porque eu ainda acreditava naquilo. Mas, depois da decepção, estava deixando de acreditar.

Nosso namoro tinha sido, talvez, uma farsa.

Porque o tempo todo ele fora apaixonada por Quinn. E conseguiu tê-la em sua cama como, muito provavelmente, quis o tempo inteiro que estiveram juntos, mas não teve oportunidades suficientes. E como comigo aquilo também nunca chegou a se concretizar, e Quinn estava livre, por que não tentar com ela? Afinal, ele estava livre para escolher.

E ele tinha escolhido.

Tinha escolhido me machucar.

E nada do que ele fizesse ou dissesse consertaria aquilo.

É claro que ele me abordou diversas vezes nos intervalos, mas eu só conseguia pensar nele e na Quinn na cama, mandando ver. Por isso, eu sempre dispensava suas desculpas o mais rápido possível – antes que ele me visse chorando. Não queria que ele me visse chorando, porque não queria que ele achasse que eu estava um caco por dentro. E eu estava um caco por dentro. Mas eu tinha resolvido me resguardar um pouco. Não permitiria que ninguém, nem mesmo Kurt e Jesse, me vissem chorando por causa de Finn.

Ele dizia que sabia o quanto eu estava magoada com ele e que sentia muito. Eu queria acreditar nele, mas como minhas expectativas de esperanças já tinham se esvaído nada surtia efeito. Eu simplesmente relevava suas palavras. Porque, de certo modo, eu acreditava que seriam apenas outras mentiras contadas. Tal como todas as palavras de amor que ele já dissera a mim. Por que acreditar naquilo tudo se ele nunca tinha dado importância às nossas crises? Ele nunca tinha tomado uma atitude para fazer com que Quinn parasse de ficar ao seu encalço. Nunca tinha me garantido que preferia estar comigo, não com ela. Nunca tinha me dado uma prova de que eu não precisava me preocupar quanto a traições.

Em suma, ele não cuidou do nosso amor tanto quanto deveria.

Simplesmente deixou que o futuro cuidasse de tudo, e foi bem assim que tudo aconteceu. O futuro deu-se conta que não éramos perfeitos um para o outro e que tínhamos de nos separar.

E, agora, estávamos tão separados que aquilo tudo doía mais ainda.

Mais do que saber que ele havia me traído com uma cheerio, com a minha inimiga.

A separação era ainda pior, porque ela concretizava tudo o que eu sentia.

Todo o medo de não ser capaz de me reerguer depois daquilo.

Toda a decepção.

Toda a raiva.

Todas as noites em claro.

Eu nunca tinha me sentido tão inútil antes.

Era como se Finn tivesse me jogado fora. Toda a confiança tinha sido perdida, também. Eu nunca confiara tanto em alguém, mesmo quando a Quinn começou aquele terrorismo interminável em cima de nós e, de repente... Era difícil suportar a decepção. Eu me sentia sem esperanças até mesmo para brilhar nas Nationals. Era horrível aceitar que aquilo estava, sim, me afetando mais do que eu gostaria. Tudo que queria fazer era permanecer na cama dia após dia. Mas tinha o Glee, e eu tinha o meu lugar lá dentro. Mas eu sabia que seria um fracasso. Porque eu e Finn não tínhamos ensaiado nem uma vez. A única vez que eu tinha me proposto a fazê-lo, tinha sido uma decisão idiota. E, agora, sabendo da traição – eu sabia que estávamos separados, mas não conseguia afastar de minha mente que, juntos ou separados, ainda era uma traição – a possibilidade de ensaiarmos se fez nula. Eu não gostaria de vê-lo, muito menos de cantar uma canção que dizia tudo o que nunca fôramos. Porque eu nunca tinha sido dele, e ele nunca tinha sido meu.

Eu tinha vivido numa ilusão o tempo todo.


No dia em que fomos para as Nationals de ônibus, Finn sentou-se bem atrás de mim e de Kurt. "Não acho que seja uma boa ideia, cara", Jesse tinha dito para ele. Mas Finn não se importou, sentou-se ao lado de Jesse do mesmo modo, mesmo que eu tivesse soltado um muxoxo de incredulidade. Depois de uma semana inteira de pedidos de desculpas, aquilo já estava ficando chato. Não suportava mais vê-lo perto de mim para me sussurrar quaisquer palavras, fossem de amizade, ou de amor.

Eu estava tentando me recuperar um pouco.

Ainda assim, ele sempre conseguia uma forma de me atazanar. E não parava por aí. Quem disse que Quinn tinha sossegado depois daquilo? Negativo. Sempre que possível ela me abordava, ou somente me dizia coisas horríveis. Basicamente sobre como tinham sido ótimas as noites com Finn. É claro que eu fingia que aquilo não me afetava, mas a verdade era que eu ficava ainda pior. Porque eu ficava pensando em todas as vezes que eu e Finn quase tínhamos ido pra cama e o quanto eu gostaria que fosse perfeito. Mas nunca mais seria. Porque as possibilidades de eu enfrentar qualquer coisa íntima com ele tinha se acabado. E a culpa era dele. Se ele não tivesse me parado naquela tarde, eu não precisaria ter terminado com ele – não que o fato de eu ir pra cama com ele anulasse com o fato de ele querer a Quinn. Mas, talvez, as coisas poderiam ter sido diferentes.

Eu queria que tivesse sido diferente. Porque, apesar de o amor ter diminuído, não queria dizer que não o sentia.

Porque eu sentia.

E eu sentia falta de Finn.

Passei a maior parte da viagem conversando com Jesse e Kurt (e ignorando Finn) sobre os outros corais e as nossas chances de vencer. Concluí que, mesmo que Journey fosse uma banda antiga, ainda tínhamos chance. "De qualquer forma, temos você", Jesse disse. Eu sabia que ele estava tentando me animar. Na verdade, ele e Kurt estavam falando coisas sem sentido sobre aquilo durante a semana toda. É claro que eu sabia que era ótima, afinal eu era a que mais tinha prática e coerência no canto. Eu sabia que era a melhor, porque tinha nascido para fazer aquilo. Meu destino era em cima de um palco, na Broadway. E nada mais justo do que ir treinando no Glee. Apesar de as canções serem ótimas, eu não tinha um solo. Haveria um dueto, o meu com o Finn. E eu sabia que seria uma catástrofe, já que eu mal conseguia cantar aquela canção sem me lembrar dele e sem chorar. Na verdade, eu meio que bloqueei aquela canção da minha vida, porque era mais fácil viver daquele jeito. Eu ficava meio que com remorso por não me forçar a cantar aquela música, mas era melhor daquele modo. "Você sempre foi a melhor", Finn se meteu na conversa e disse.

Ele estava fazendo aquilo com frequência: tentando se inserir nas situações que eram sobre mim. Ele pontuava suas opiniões como se, daquele modo, meu coração fosse parar de doer e eu fosse perdoá-lo. E, certamente, eu não iria conseguir me esquecer daquela traição, nem mesmo se reatássemos algum dia. Porque digamos que você nunca esquece uma traição.

"Poderia fazer o favor de parar de falar comigo quando, muito claramente, não estou falando com você?", eu perguntei, maneando meu pescoço em direção à Finn. Meu tom estava irritado, e eu não podia evitar aquilo. Só de ouvir sua voz já me fazia ficar com raiva. Finn não ficou surpreso, entretanto. Ele sorriu para mim meio sarcástico, em seguida. "O quê, agora eu não posso expressar a minha opinião?", ele quis saber. "Preferia que não", respondi. Nem sei por que eu me dava ao trabalho de dar atenção a ele. Era ridículo e somente dava a impressão de que eu me importava com ele. Não que eu não me importasse, mas não era mais do mesmo modo.

"Finn, honestamente...", Kurt começou num tom veemente. Não estava acreditando que, agora, Kurt falava com Finn. Não sabia se Kurt tinha se compadecido pela minha situação, ou se eles estavam mesmo se dando bem. E olhe só como era a vida. Eu tentara por muito tempo que eles se entendessem – lembrava-me de todas as vezes que ralhara com Finn sobre aquilo –, mas agora parecia que aquilo não tinha importância. Pior: eu não queria que Kurt fizesse amizade com Finn, porque eu sabia que Kurt poderia ser influenciado a me convencer de reatar com Finn. E antes um amigo que não se desse bem com meu ex a um amigo traidor (porque se Kurt entrasse no jogo dele e tentasse mudar a minha decisão sobre nunca mais voltar para Finn, com certeza, deveria se encaixar numa traição).

"Não fale com ele!", agarrei a blusa de Kurt, para que ele virasse para frente. Tudo bem, confesso que fiz isso com um pouco de força, o que ocasionou um olhar irritado dele. Provavelmente eu tinha amarrotado a blusa dele, e Kurt era super detalhista com relação a essas coisas. "Não faça amizade com o inimigo!", falei para ele num tom alto demais, irritada. Ouvi, imediatamente, Finn rir atrás de nós. Lancei a ele um olhar enviesado que dizia muito claramente para que parasse de fazer aquilo, mas ele meramente continuou. "Desculpe, mas essa situação está ridícula, Rachel", Kurt disse para mim. "Eu não sou de exclusividade sua, e Finn é meu meio-irmão", ele continuou, me olhando severo.

Não dava pra acreditar!

Kurt estava contra mim, também?!

Então quer dizer que, quando seu ex-namorado trai você, você tem que suportar toda uma situação horrorosa enquanto ouve seu melhor amigo dizendo que tudo isso é ridículo? Kurt não sabia nada sobre a vida mesmo! E, com certeza, não se colocava no meu lugar! Em suma, um péssimo amigo. Ele deveria me levar em boates para eu dançar até o dia começar e achar outro amor, ou qualquer coisa parecida. Não é isso que os amigos fazem quando um deles está na fossa? Pelo jeito, Kurt não tinha recebido o seu Manual do Melhor Amigo.

"Desde quando você o aceita como meio-irmão, posso saber? Desde sempre vocês nunca se deram bem! E, olha que coincidência, justamente quando mais preciso de você, você está confraternizando com o inimigo!", falei, irritada.

"Confr... Rachel, dá licença, ok?", Kurt rolou os olhos numa atitude tão irritada quanto a minha. "Não era você que sempre quis que fôssemos amigos?", ele quis saber. Balancei a cabeça, furiosa. "Não agora!", respondi.

"Pelo amor de Deus, Finn ainda continua sendo um idiota", Kurt disse. Por estarmos falando livremente, é claro que Finn estava escutando a conversa e logo refutou: "Hey, estou ouvindo isso!". Kurt, no entanto, não se importou, pois deu continuidade a sua fala: "Ele fez uma burrada, e acredito que traição é uma coisa dolorosa. Mas ele não estava com você mais quando tudo aconteceu. Deu pra perceber a diferença? Você está sendo infantil levando toda essa história adiante". Comprimi os lábios, teimosa. Então era aquilo, Finn já tinha feito a cabeça de Kurt. E Kurt iria me convencer a voltar atrás. Só que nada do que eles me dissessem iria me fazer voltar atrás. Eu tinha decidido arrancar Finn da minha vida, pois acreditava que, sem ele, o sentimento de decepção iria embora, também.

"Se eu fosse você...", Finn começou a dizer, mas eu logo o cortei. "Cala a boca".

Eu nunca tinha dito aquilo para ele, não tão séria. Mas eu simplesmente precisava dizer. Embora eu quisesse afetá-lo tanto quanto um tapa na cara, parecia que meu objetivo tinha sido em vão, já que ele riu de novo. E aquilo, mais do que qualquer palavra, me afligia. Porque não me conformava com ele rindo, sendo que o que eu mais tinha feito naquela semana tinha sido chorar. Queria que ele chorasse, também, numa forma de tentar fazê-lo provar o que tinha feito comigo.

"Eu disse que seria difícil", Jesse disse. Entendi que ele estava falando isso para Finn. Olhei para ambos, em expectativa. "Você é minha, Rachel. Não importa o que diga, ou quanta raiva sinta, porque eu sei que ficaremos juntos. Esse não é o final da nossa história", Finn disse, olhando para mim. Agora, ele não ria mais, estava sério. E eu quase acreditei nele. Queria pensar que ainda era dele – se é que fora algum dia.

Kurt e Jesse ficaram me olhando, notando se eu reagiria. Mas como reagir?

A única reação que eu gostaria de exibir seria o meu choro – porque, verdade fosse dita, as palavras de Finn ainda me afetavam. Achava que, com o tempo, as borboletas no estômago iriam se abrandar, mas a separação definitiva apenas me fez perceber que o efeito produzido era o contrário. Quanto mais separados, mais eu sentia borboletas no estômago, mais eu o queria perto de mim, proferindo aquelas palavras tão bonitas.

Mas era tarde demais, agora.

Eu tinha de ignorá-las.

Por isso, a única coisa que fiz foi me virar novamente para frente, renegando qualquer coisa que viesse dele. Fiz isso, é claro, meio que a contragosto. Queria poder agradecer por ele ter tanta certeza sobre o que falava, mas não podia. Queria dizer que agradecia por ele acreditar por nós dois, já que a minha certeza quanto a nós dois juntos tinha se dissipado tanto quanto possível, mas também não podia.

Tinha de ficar calada, remoendo tudo aquilo.

Fez-se um silêncio longo entre nós quatro. Achei que seguiríamos viagem daquele modo, mas me surpreendi quando ouvi Jesse dizer: "Nem todos os finais são infelizes, Rachel". Fiquei sem reação. Abri a boca e me virei para ele. Ele estava falando a sério.

"Você não sabe o que diz", foi a única resposta sensata que encontrei.

"Sabe quando você vê duas pessoas juntas e tem a completa certeza de que, embora muitas coisas os separem, eles foram feitos um para o outro?", ele perguntou num tom tão casual como se estivesse me avisando que começara a chover.

As borboletas aumentaram, juro.

Porque eu tinha aquela mesma certeza sobre mim e Finn. Só que eu tinha errado. Não haveria final feliz para nós. Talvez fôssemos, sim, perfeitos um para o outro, mas, exatamente como naquele filme, não estávamos destinados a ficarmos juntos.

Nem todos os finais eram infelizes, mas o nosso seria. Estava na cara.

"Isso não diz nada. Elas podem ser perfeitas juntas, mas alguém sempre vai estragar tudo", falei, esquadrinhando os olhos para Finn. "Eu já disse que não significou nada", Finn pontuou.

"Não acredito em você", eu disse.

Eu queria acreditar, mas não conseguia.

"O que você quer que eu faça ou diga, Rachel? Sinceramente?", Finn me perguntou.

"Agora não adianta nada, não dá pra perceber? Você estragou tudo".

"Eu, sozinho, não é? Como se você tivesse confiado muito em mim quando estávamos juntos, não é? E foi justamente por confiar tanto em mim que resolveu se separar de mim, é claro", havia uma ironia na voz de Finn que nunca tinha aparecido antes. E dava para perceber que ele estava meio furioso, também. "Você me traiu, e a culpa é minha?!", revidei, olhando-o com ódio. Meu Deus, como eu sentia ódio dele! "Eu confiei em você quando o Jesse apareceu, lembra? Porque eu acreditava que você me amava, mas você não fez isso por mim", ele retribuiu. "O fato de eu ter ido pra cama com a Quinn não anula o amor que sinto por você, porque não significou nada, repito. Estar com ela somente me fez entender que é com você que quero ficar", Finn concluiu, agora soando mais calmo.

Não tinha nada a dizer. Apenas sentia raiva e um incômodo profundo. Queria sumir dali. Fazer com que o ônibus parasse e eu voltasse para casa, para a segurança do meu quarto, para as minhas coisas. Porque as Nationals significavam também um ciclo que se completava, assim como o amor que sentia por Finn. Nunca iria deixar de amá-lo, mas não poderia assegurar que o amor continuava o mesmo. Muita coisa tinha mudado e nossos próprios futuros nos levavam para lugares diferentes. Ainda teríamos dois anos juntos, caso vencêssemos as Nationals, mas depois do ensino médio não seríamos mais amigos, ou colegas. Eu iria para Nova York, e Finn procuraria um caminho para ele. De qualquer modo, nosso amor não resistiria. Eu não seria capaz de sustentar aquele amor, sozinha, como tinha acontecido na maior parte do tempo enquanto namoramos.

A verdade era que finais infelizes existiam, e meu namoro com Finn era uma prova daquilo.

Eu o amava, mas aquilo não o fazia meu.

Eu tinha uma vida e tudo que precisava fazer era esquecê-lo para não me perder durante o caminho em direção à Broadway. Porque os palcos eram meu amor verdadeiro. E não seriam as decepções com Finn que fariam com que meu sonho profissional se acabasse. Afinal, eu estava viva e era a melhor do Glee.

Era hora de seguir em frente.

Talvez, um dia eu fosse perdoá-lo só pra tirar aquilo da cabeça. Só para deixá-lo livre daquele peso. Mas perdoar não é sinônimo de esquecer. Eu nunca me desvencilharia daquele episódio, porque ser traída é uma das piores coisas que uma garota pode sentir. E, certo, não estávamos juntos quando aconteceu, mas ele me jurara amor eterno, ou algo assim. Quem jura coisas assim não traem. Pelo menos, não deveriam fazê-lo.

Suspirei e balancei a cabeça.

Finn nunca iria entender. Ninguém poderia entender a menos que estivesse no meu lugar, sofrendo tanto quanto eu.

Apanhei meus fones de ouvido. Eu realmente precisava de um pouco de música para fugir daquela minha realidade...

"Não sou qualquer uma para quem você mente e depois pede desculpas, ok? Eu costumava ser a sua namorada, a pessoa em quem você dizia confiar. Agora, por favor, pare de falar antes que eu tenha de mudar de lugar", eu disse a Finn num tom frustrado, antes de encaixar os fones nos meus ouvidos e apertar o play.

De repente, o mundo ficou silencioso enquanto a Celine cantava Taking Chances.


Ter chegado ao hotel foi o melhor acontecimento do dia. Eu pretendia ficar trancada no quarto tempo suficiente para conseguir pedir todos os chocolates do mundo enquanto a fossa não me largava.

Eu achava que merecia.

Mas eu estava errada. Porque Kurt e Jesse não entenderam que 'eu quero ficar sozinha' significava 'EU TÔ MORRENDO PRA FICAR SOZINHA, DÁ LICENÇA'?

Eu realmente achava que eles fossem para a área de lazer, ou para a piscina. Mas assim que Kurt se estabeleceu no quarto (eu iria dividi-lo com ele por motivos de: ninguém estava a fim de ouvir meus lamentos pós-traição) eu entendi que ele não tinha a menor pretensão de sair dali. E logo Jesse entrou e quis saber: "E aí, vamos fazer o que primeiro?".

Como se eu quisesse fazer alguma coisa!

"Hm. Vou ficar por aqui", eu disse.

"O quê? Negativo! Sabia que tem uma sala de jogos? Vamos para lá", Jesse me falou, parecendo ter uns três anos. Certo. Seria legal ir jogar e esquecer-me de todos os problemas, mas eu realmente precisava ficar sozinha. Digamos que quando você convive com as mesmas pessoas todos os dias tem hora que seu cérebro entra em colapso e você pre-ci-sa de um tempo somente para si, num quarto de hotel com a sua música preferida lendo uma revista sobre música, ou qualquer coisa assim. "Não, sério. Eu quero ficar aqui", eu neguei com a cabeça, fazendo um esforço para não sair gritando – porque era a minha vontade. "Você precisa respirar, Rachel", Kurt disse. "E não pode ficar achando que a sua vida acabou só porque o Finn fez o que fez", Jesse adicionou, ganhando um olhar de aprovação de Kurt. Rolei os olhos. "Não estou desistindo de viver, está bem? Apenas quero ficar sozinha, meu Deus. É difícil de entender que não quero ir para a sala de jogos para a Quinn ficar jogando na minha cara os momentos dela com Finn? Não suporto vê-la na minha frente do mesmo modo como não quero vê-lo. Ficando aqui, estarei me privando disso", respondi, me sentando no colchão e me arrastando por ele até estar numa posição confortável. A cama era ótima, por isso pretendia dormir um pouco, também.

Eles se entreolharam.

"Jura que não vai ir atrás dele?", Jesse perguntou. É, como se eu fosse mesmo atrás de Finn. Ele não tinha acabado de ouvir que não queria ver Finn na minha frente? Alô, alguém ali precisava de um otorrino. "Juro", eu disse só para que eles saíssem do meu quarto. Talvez fosse uma tática boa; eles sairiam dali naquele mesmo minuto.

E eles realmente foram embora.

Finalmente, depois de tantas horas em companhia do Glee, eu estava sozinha.

Eu estava pronta para retirar as revistas sobre música que meus pais tinham me dado quando escutei um toc toc na porta. Achei que Kurt não tivesse levado o cartão do quarto, por isso, na maior ingenuidade, abri a porta.

Só que eu deveria ter pensado melhor. Porque Kurt teria gritado alguma coisa lá de fora, e não teria ficado quieto esperando que eu abrisse a porta na maior calma.

Gemi por dentro.

"Oi", Finn me disse. Não estava sorrindo. Estava sério. E aquilo era meio que inusitado. Achava que, se ele iria ir ao meu quarto para me convencer a aceitá-lo de volta, pelo menos iria me oferecer um sorriso. Mas ou ele não estava no clima, ou eu não merecia. Meu coração começou a se acelerar, porque passar meus dias separada dele estava me dando taquicardia, ou algo assim. "Então. Será que agora você vai me ouvir?", ele me perguntou, numa voz totalmente nova. Era mais madura do que o habitual. Ele estava se esforçando, ninguém poderia negar.

Mas eu dei as costas para ele, deixando-o lá na porta, e seguindo para dentro do quarto mais uma vez. "Não, ainda não quero falar com você", respondi. Finn deu alguns passos em minha direção, quando me virei para encará-lo a alguns metros dele, com os braços cruzados. "Dá pra parar e me escutar? Porque eu já tentei explicar e você...", ele começou. Só que eu não estava preparada para estar ali, sozinha com ele, enquanto todo mundo estava sei lá onde. Ele estava me aproveitando do fato de estarmos sozinhos, e aquilo era péssimo.

"Não gaste suas palavras, por favor. É inútil", eu cortei seu começo de discurso. Não estava a fim de ouvir sua voz. É claro que eu adorava o timbre da voz dele, além de seu sorriso, mas nada daquilo iria funcionar comigo. "Me interrompeu. Como agora", ele observou com criticismo. "Por que será?", desdenhei na mesma hora, elevando minhas sobrancelhas. "Eu não queria magoá-la, e foi por isso que não lhe contei quando aconteceu: sabia que você surtaria", Finn me disse. "Não estou surtada, estou chocada com a sua falta de confiança. O Finn que me amava não faria o que você fez, porque aquele Finn me disse que, se algum dia o amor que sentia por mim acabasse, era porque estava ficando louco. Eu me lembro disso até hoje, entendeu? E é por isso que dói tanto. Você meio que fez uma promessa a mim, e olhe só! Você a quebrou no instante que cogitou ir pra cama com a Quinn! Porque pensar em ir pra cama com uma garota que não é sua namorada é traição do mesmo modo, entendeu?", não consegui refrear as palavras que pulavam da minha boca. Era como se, finalmente, eu pudesse falar sobre aquele assunto.

"NÃO EXISTIU SENTIMENTO NENHUM, RACHEL! DÁ PRA ENTENDER ISSO?", ele gritou. Sim, ele gritou comigo. E aquilo foi meio assustador, mesmo que ele estivesse do outro lado do quarto. "E eu confio em você. Eu lhe disse que mesmo quando não deveria confiar em você confiei mesmo assim, porque eu te amava. E ainda amo", ele emendou, abaixando a voz. Mas ele parecia mesmo, de verdade, furioso.

Ainda podia escutar sua voz gritada na minha cabeça, e aquilo me fez querer chorar. Ele nunca tinha agido daquele modo comigo, nunca tinha gritado comigo e nunca tinha expressado tanta fúria. Porque a parte surtada do nosso relacionamento era sempre eu. Podia sentir as lágrimas pedindo passagem, porque aquele momento estava se tornando insuportável. Quando falei, tentei manter meu tom o mais controlado possível: "Não confia", aleguei baixo. "Confiança é dividir com uma pessoa os seus melhores e piores momentos. É não ter receio de contar algo que sabe que tem vergonha, e você sabe quantas vezes eu já fiz isso. Mas você? Você nunca retribuiu a recíproca! E nem estou falando sobre Quinn ou Santana. Por exemplo, você nunca fala do seu pai. Não que eu esteja pressionando você a falar sobre isso, pois sei que leva tempo, mas você ainda é um garotinho emocionalmente falando quando tem de lidar com esse assunto. Eu já compartilhei com você tudo sobre mim. Você conhece todos os meus lados, todos os meus sentimentos, todas as minhas sombras", sentei-me na cama, ainda fazendo um esforço para que ele não me visse chorando.

Finn permaneceu no mesmo lugar, me olhando.

"Isso é confiança, Finn. Não é o que você tem feito: se escondido e escondido coisas de mim. Então, não me fale que confia em mim, porque sei que está mentindo", terminei com um pesar na voz.

Ele andou em minha direção e, sem pedir licença, sentou-se ao meu lado na cama.

"Não estou", ele disse. "É melhor você ir embora", eu disse. Eu realmente precisava chorar em paz. "Rachel, você continua não me escutando", ele garantiu. Só que não importava. Eu tinha perdido o interesse de escutá-lo, essa era a verdade.

"Você não tem ideia do que é compartilhar uma vida, ou estar presente na vida de alguém", falei e me levantei. Se ele não sairia do quarto, então eu sairia. "Agora, se me der licença, a menos que esteja se esforçando para que percamos as Nationals me fazendo perder tempo com você, eu realmente preciso dar um jeito na minha vida", eu não olhei para trás, somente fui embora.

Era mais fácil daquele jeito.


Parte II – I Won't Give Up (Jason Mraz)

Ao contrário de Rachel, eu acreditava que nosso destino era ficarmos juntos e que ainda restava um final feliz para nós.

Eu acreditava naquilo, porque não tinha mais nada a perder.

Entretanto, nada do que eu estava planejando estava dando certo. Ela não estava me escutando, especialmente. Quer dizer, até estava, mas ignorava constantemente o que eu dizia. Não entendia por quê.

Tudo bem, eu não esperava que ela relevasse tudo o que eu tinha feito. Porque eu sabia que a Rachel nunca seria capaz de simplesmente esquecer-se de uma burrada minha, ou algo assim. Ela manteria aquilo pelo resto da vida. Mas achei que ela fosse me perdoar, afinal ela nunca tinha sido rancorosa. E ela sempre acreditava em mim – por isso não parava de repetir aquela coisa que eu já dissera um dia, sobre estar ficando louco caso o meu amor por ela diminuísse. Nesse ponto, eu sabia que ela estava certa. Ela estava certa por cobrar aquilo de mim. É claro que eu tinha dito aquilo numa época completamente diferente – eu acreditava piamente que nada nos separaria. Mas ali estávamos nós, cada um em um quarto, cada um guardando raiva um do outro. Porque, sim, eu sentia raiva dela – muito pouca, mas estava lá. Sentia aquilo, porque achava que o mundo girava em torno de mim, achava que a única opção de Rachel era me perdoar.

Mas ela não suportava nem mesmo ficar perto de mim.

Que diria me perdoar.

Esquecer, então, até parece.

Eu sabia que, a menos que acontecesse um milagre, eu nunca mais a teria. E, apesar de tudo, concordava com aquilo. Ela estava certa por não querer me aceitar.

Mesmo que aquela 'traição' tivesse ocorrido fora de nosso namoro – e por isso mesmo eu acreditava que não merecia tanta hostilidade – uma parte grande de mim tinha entendido a proporção do que tinha causado. Eu tinha destruído com qualquer chance de tê-la de volta.

Quando Rachel decidiu aquela separação, eu sabia que era questão de tempo até reatarmos. Mais cedo, ou mais tarde, ela daria conta que aquilo era uma bobagem, que não precisava se sentir ameaçada por Quinn. Mas então eu tinha feito aquilo. Em outras palavras, eu tinha dado à Rachel a certeza de que, sim, ela estava certa em se sentir ameaçada por Quinn.

E aquilo, com certeza, desmantelou todas as sua confiança em mim.

Por que deveria acreditar em mim? Eu não merecia.

E eu concordava.

Ainda assim, eu precisava dela.

Porque Rachel era uma espécie de estrela-guia para mim. Ela tinha aquele sonho dela, que era quase impossível. E justamente por tê-lo, era capaz de me ajudar. Ela era tão autoconfiante quanto àquilo! E eu, que sempre fora um perdido, começara a acreditar nela. Em todas as coisas que ela dizia – em especial sobre o meu futuro. Eu não tinha a mínima certeza, mas ela dizia que o encontraríamos juntos e, até certo ponto, tinha sido ela a que mais me ajudara. Exatamente como acreditava em seu próprio sonho, começou a acreditar no meu, que nem tinha se formado.

Sem Rachel, eu não sabia ser muita coisa além do conhecido Quarterback. E de que adiantava eu ser o quarterback? Talvez conseguisse uma bolsa esportiva, mas e daí? E se não conseguisse? O que eu faria?

Por isso, estar com Quinn era tão taxativo.

Eu não queria ser apenas o Quarterback.

E com Rachel, eu via uma necessidade de ser mais do que era. Não somente por causa de mim, mas por causa dela. Queria que ela tivesse orgulho de mim. Que, quando ela fosse famosa, não tivesse que mentir pras pessoas. Que, quando tivesse de falar de mim, soubesse o porquê sentia orgulho.

E eu por isso que eu estava com ela.

Para que ela sentisse orgulho de mim.

Mas, depois daquilo, por que sentiria?

Ela estava certa.

Ela estava certa.

Ela estava certa.

Mas eu não podia desistir.


Quando a vi sair do quarto, eu sabia que tinha de ir atrás dela. Mas estava tão cansado de tudo aquilo.

Entretanto, eu sabia que não havia muitos locais para ela ir.

Fiquei ali respirando, olhando todas aquelas coisas familiares dela – as revistas, os cadernos de música, as malas – e tentei me desconectar do problema.

Eu poderia ir atrás dela quantas vezes fossem necessárias. Não mudaria nada. Não seria eu que mudaria algo, a menos que ela estivesse disposta a mudar também.

Rachel não era perfeita.

Falava demais, sobretudo sobre si mesa; os musicais irritavam vez ou outra, a Broadway também. Mas sua insegurança era o que mais me irritava. Era o que me fazia entender que, querendo ou não, ela não estava quanto assim comigo quanto gostaria de estar. Não se pensava constantemente que eu a traía.

E, certo, no fim aquilo acabou acontecendo. Mas digamos que eu não tinha provocado tudo aquilo sozinho. Se tivesse havido mais confiança, ela ainda estaria comigo.

Comecei a pensar que era justamente isso que necessitava mostrar: que confiava nela. Por isso, levantei-me da cama e segui para o corredor. Ele estava vazio. Chamei o elevador e desci até o térreo. Havia uma área de lazer perto da piscina, um salão comunitário. O primeiro que vi foi Puck. "Ei, estava procurando você", ele disse. Assenti distraído. "Você viu a Rachel?", perguntei.

"Ela não parece a fim de conversar contigo", ele observou.

"Você falou com ela?", eu estava incrédulo. Puck e Rachel nunca tinham se dado muito bem, mas eu sabia que se aceitavam mais pelo fato de compormos um mesmo grupo. "Bem, não. Eu ouvi uma conversa dela com o Sorriso Feliz", Puck respondeu. "Você gritou com ela, ou algo assim. Enfim, não grite mais com ela, cara. Isso não é legal. Ela parece chateada", ele continuou.

E daí?

Desde quando Puck se importava?

Ele só queria ir pra cama com todas as garotas, não se importava com nenhuma delas.

"Sei. Tanto faz", falei.

"Estou falando sério, meu irmão. Você não vai sair dessa se não parar de querer atenção. Sabe o que tem que fazer? Afastar-se. Assim, ela vai perceber que quer estar contigo de novo. E faça o favor de não transar mais com a Quinn".

Certo, pensei.

Certo.

Puck estava me aconselhando! A que ponto eu tinha chegado?!

"Hmm", disse. E daí, fui procurar a Rachel. Ela estava sentada numa mesa com Kurt e Mercedes. Os três me olharam com repreensão no olhar.

"Vim em missão de paz", ergui as palmas para fora.

"Não vou conversar com você", Rachel logo falou. Uau, pelo jeito ela não iria mesmo desistir. "Não precisa conversar, posso fazer um monólogo".

"Finn, por favor", ela pediu.

"Não vai levar dois minutos".

Rachel comprimiu os lábios e depois olhou para Mercedes e Kurt.

"Bem, eu acho que você deveria ir. Não quero tomar partido, e você sabe que eu nunca tomaria, mas você nunca vai entender o que se passa contigo sobre tudo isso se não ouvir a outra parte. E ouça de verdade, Rachel", Kurt falou, olhando para ela. Não sabia quando é que a nossa relação tinha mudado, mas Kurt parecia bem mais tolerante com relação a mim. E, por Deus, ele estava tentando colocar um pouco de razão na cabeça de Rachel.

"Quer parar de mandar em mim?", Rachel revidou com uma espécie de irritação para Kurt. "Estou meramente ajudando você", Kurt respondeu. "Você está me jogando de novo para ele! Isso não é justo! Não depois de tudo o que ele causou!", Rachel refutou, alternando seus olhos entre mim e Kurt. Seu tom estava acalorado e inflexível.

"Apenas queria que você soubesse que, embora você tenha razão, eu não vou desistir. Porque nós sabemos como isso acaba. Não sei como nem onde, nem me importo com a sua raiva, porque sei que você nunca foi de guardar rancor, mas você é minha namorada. Ficaremos juntos no final. Eu sei disso, e você também".

Rachel ficou olhando para mim. Mercedes e Kurt, entretanto, olhavam para ela, esperando alguma reação. A reação que recebi foi esta: Rachel me olhando, parecendo impassível.

É claro que eu esperava mais do que isso.

"Eu não sei de nada. Porque você estragou tudo, está lembrado? Agora, por favor, me deixe em paz", ela retrucou. Kurt me olhou parecendo me pedir desculpas pela atitude dela. "Garota, pare com isso!", Mercedes apelou. "Ele está, praticamente, implorando o seu perdão. Quantos garotos fariam isso por você?".

Rachel preferiu ignorar aquilo.

"Eu tenho a minha convicção, ok? Pare de tentar burlá-la com essas frases", Rachel me disse, sendo bastante direta.

"Confie em mim, Rachel", eu falei. Não, desculpe. Eu implorei.

"Já fiz isso e...", ela falou. Mas eu a cortei, irritado. Agora eu entendia o porquê aqueles diálogos não estavam surtindo efeito: eu não a escutava, e ela não me escutava. Assim, ninguém se entendia. "Não, você fingiu confiar em mim. Eu confiei a você tudo, eu estava com você porque queria. Você, por outro lado, nunca entendeu direito por que estava comigo. Não sei se é porque você fez aquela promessa a si mesma sobre estar comigo, ou simplesmente...", franzi a testa quando Rachel modificou sua expressão. Aparentava estar indignada. "Eu não fiz promessa alguma! Eu cresci apaixonada por você, foi isso que aconteceu", ela explicou.

Fiquei em silêncio.

"Você é popular, Finn. Como quer que eu me sinta com todas dando em cima de você?", ela quis saber.

Ela estava certa. Mais uma vez.

Mas eu a tinha escolhido, certo? Aquilo não valia de nada?

"Você deveria confiar em mim".

Rachel mordeu o lábio e balançou a cabeça. Parecia meio cheia daquilo.

"Agora é tarde demais", ela falou.

"Será mesmo?", perguntei.

Ela intensificou seu olhar crítico sobre mim, o que dizia claramente para não contestá-la. Mas quem se importava? Com certeza, eu que não.


Oi, cherries!

Como vocês podem perceber, esse capítulo tá um pouco mais curto porque a inspiração mandou lembranças especialmente na parte do Finn. Sem falar que é difícil ter inspiração pra escrever esses momentos de separação deles.

E desculpem os erros, tenho um monte de trabalho da faculdade pra terminar, ou seja, sem tempo para revisar.

Mas não se preocupem que o sofrimento tá acabando o/

Não esqueçam de comentar, POR FAVOR. Os comentários de vocês são a melhor parte da minha semana!

Love, Nina.