Capítulo 11

— Não decida ir embora — o protesto na voz dele era mais impressionante que o fato de ter se permitido revelar sua veia primitiva de forma tão espalhafatosa.

— O que fará? — ela perguntou suavemente, tentando ler a expressão dele, mas sem compreender o que via.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos e suspirou.

— Eu a seguirei.

Ela riu, pois era um absurdo. Era mais orgulhoso que seu pai e, se Inutaisho fora incapaz de se curvar para pedir desculpas por um comportamento que ele reconhecia como repreensível, Sesshoumaru nunca deixaria de caçar sua esposa fujona. Além disso, ele não poderia, mesmo se tentasse.

— Seus deveres não permitiriam e você nunca se rebaixaria para ir atrás de mim como um cachorrinho.

— Os cachorrinhos são inofensivos. Eu não. Não duvide... Eu a seguiria.

— Mas os seus deveres...

— Meu primeiro dever é minha esposa... E nosso casamento. Não deixarei que parta.

Ele deixaria... Se ela realmente quisesse. Com veia primitiva ou não... Ele era um homem moderno. Mas o que ele dizia ali era que não facilitaria. Ela não sabia se tinha forças para lutar contra o desejo dos dois para que ficasse. Porém, ela não estava mais certa de que teria forças para permanecer em um casamento em que não era amada.

Doía, tanto quanto a endometriose. Ela havia aprendido algo na noite anterior. Sua dor e sua vulnerabilidade que resultavam de amar sem ser amada fizeram com que ela interpretasse mal as ações dele, provocando mais dor em seu sofrido coração. Sem o amor dele, ela não continuaria a fazer a mesma coisa?

Mesmo que quisesse com todas as suas forças evitar.

Ela colocou sua mão sobre a mão dele.

— Precisa ser razoável. Por favor, Sesshoumaru.

— Você é que não está sendo razoável. É perigoso e tolo esperar para fazer a cirurgia. E é muito limitador da sua parte achar que temos de nos divorciar.

— Sou estéril. Não posso lhe dar um herdeiro.

— Seu médico diz que a fertilização in vitro apresenta taxas de setenta por cento de sucesso em pacientes com endometriose.

— Isso não é garantia.

— Assim como a concepção normal.

— Mas você terá mais chances de ter filhos com uma mulher que não tenha endometriose.

— Não quero outra mulher!

Ela recolheu a mão e se inclinou para trás em um movimento brusco, atordoada diante da veemência dele.

— Isso é apenas sua culpa falando mais alto.

Ele sacudiu a cabeça e seu olhar foi tomado de uma forte raiva.

— Não é culpa. Você é minha esposa. Quero que continue como minha esposa. Se não há outro homem, por que reluta tanto?

— Não há outro homem — ela exclamou. — Não acredito que vamos voltar a esse assunto.

— Então, por quê?

— É pelo bem do país, Sesshoumaru. Você veria isso se pensasse com o cérebro, e não com o orgulho.

— Não — ele olhou para ela de forma ameaçadora. — O bem do país será obtido se você permanecer como minha esposa.

Ela não podia acreditar que ele estivesse sendo tão teimoso.

— Não sei, eu não posso lhe dar filhos.

— Se não pode, tenho irmãos e um sobrinho para assumir o trono.

— Você ouviu seus irmãos ontem à noite. Não querem que um de seus filhos sofra as pressões de crescer para ser o rei.

— Porém — ele falou, sem o menor gesto de desculpa —, eles podem não ter nascido primeiro, mas são filhos do rei. Se eu morrer antes de ter um filho, Inuyasha teria de assumir minha função e seu filho herdaria o trono.

Ela colocou as duas mãos no peito dele, precisando sentir o calor dele sob os seus dedos.

— Não fale sobre morrer.

— Não fale que vai me deixar.

— Não é a mesma coisa.

— Não. É pior, pois um homem não escolhe quando vai morrer, mas está falando em matar conscientemente nosso casamento e sair da minha vida.

— Para o seu próprio bem. Não entende isso? — ela apelava, com a voz trêmula.

— Entendo que acredite que seja para o meu bem, mas está errada.

— Mas...

— Pare de discutir comigo. Você assumiu um compromisso vitalício comigo, princesa Rin Taisho. Não permitirei que o descumpra. Não permitirei que me deixe.

— Não pode me impedir.

— Posso. Mesmo se você fugir, não vou me casar novamente. Não haverá outras chances de herdeiros para mim.

— Quando concluirmos o divórcio, você mudará de idéia — ela falou magoada, pois sabia que seria verdade.

— Não haverá divórcio. Talvez eu não seja tão arcaico a ponto de prendê-la fisicamente contra a sua vontade, mas nenhum de nós vai se casar novamente.

— Não pode impedir isso.

— Posso ser impotente para impedir certas coisas, minha pequena e intransigente esposa, mas estamos falando das leis de divórcio de Isole del Re, e não das dos Estados Unidos. Não pode se divorciar de um membro da família real sem o consentimento dele. Não vou lhe dar o consentimento. Nunca.

— Isso é arcaico.

— Pode ser — ele deu de ombros, obviamente não ofendido com o julgamento. — Mas é a nossa lei. E nos casamos aqui, Rin... E não nos Estados Unidos. Lembre-se disso.

— Mas...

— Nada de mas — ele parecia extremamente contente com a declaração, como se tivesse tirado um forte peso das costas.

Ela não entendia. Certamente, para ela, o casamento era um peso.

— Você quer ser pai.

Ele sorriu e colocou uma das mãos gentilmente sobre o abdome dela.

— Sim, e gostaria muito que você carregasse meu filho, mas podemos adotar um, se não puder conceber. Será uma excelente mãe se tirar essa idéia de divórcio da cabeça.

— Não podemos adotar — ela engasgou. — E quanto ao progenitor?

— Claro que podemos. Quanto à ascensão ao trono, terei de nomear meu sobrinho como sucessor, mas isso pode ser feito. Somos uma realeza moderna, e não meus ancestrais.

— Nem parece o mesmo homem que acabou de me falar sobre uma lei arcaica.

— Já falamos demais sobre esse divórcio. — ele a levantou cuidadosamente do seu colo e colocou-a no banco. Então, ele se levantou e olhou nos olhos dela com censura. — Você é uma das pessoas com mais compaixão que conheço, mas parece não se importar em passar como um trator por cima dos meus sentimentos e ideais. Se tudo o que queria era um doador de esperma quando nos casamos, por que não foi a um banco de esperma?

— O quê? — ele perdera a cabeça? — Não penso em você como um doador de esperma!

— Mas no momento em que descobre que não posso engravidá-la, você quer se divorciar.

— Não é pelo meu bem, mas pelo seu — ela enfatizou, mas começava a duvidar da validade dos próprios argumentos.

Ele claramente não queria o divórcio. Se era culpa, senso de responsabilidade, orgulho ou apenas puro desejo físico, ele queria continuar casado... Com ela. Ela não havia previsto essa reação.

Ele ainda olhava para ela.

— Não será para o meu bem se eu estarei infeliz.

— O divórcio o deixaria infeliz?

— Que diabos pensa que estou falando aqui?

Ela olhou para ele, sem saber o que dizer.

— Diga alguma coisa.

— Estou chocada.

— E isso me irrita. O que fiz para você acreditar que nosso casamento não significa nada para mim?

— Casamos-nos por conveniência. E não por amor. Eu sabia quando me pediu para ser sua esposa. Eu cumpria suas exigências. Todas elas.

— Está certa... Casei com você porque era a mulher ideal para mim. Sendo este o caso, o que a fez pensar que eu não nutria sentimentos por você? Claro que tenho. — mas ele parecia surpreso com as próprias palavras, como se ele tivesse tido algum tipo de revelação interior.

Ela se recusou a especular o que poderia ter sido. Machucara-se muito recentemente para acreditar em ilusões românticas.

— Você é tudo que eu sempre quis em uma mulher e mais, cara — ele falou mais calmamente.

— Mas não me ama.

— O que é o amor, se não é o que temos?

Pelo menos para isso, Rin tinha uma resposta pronta.

— É o que seus irmãos têm pelas esposas deles. Já vi um homem Taisho apaixonado... Não é da mesma forma que você é comigo.

— Então, o que acha que sinto por você?

— Desejo. Acho que gosta de mim... Ou pelo menos gostava. Acho que sente culpa agora... Porque queria ter percebido minha doença antes e mesmo porque foi cruel quando pedi o divórcio sem lhe dar explicação.

— Mas tem certeza de que não a amo?

— Sim.

— Acho que estamos quites — ele falou, suspirando. — Mas as coisas vão mudar aqui.

Com essa declaração, ele virou e saiu.

Com o retorno do rei Inutaisho para casa, a situação ficou muito agitada durante o resto do dia para Rin pensar nas palavras de Sesshoumaru. Porém, à noite, quando estava sozinha nos aposentos deles, enquanto Sesshoumaru trabalhava representando o pai, ela remoia aquilo intensamente.

Ela sugeriu acompanhá-lo ao jantar, mas Sesshoumaru se recusou, e não seria dissuadido por nada. Ela teve de garantir a ele que estava melhor, o que era verdade, antes dele ir. O que foi uma guinada para ele.

Os deveres vinham em primeiro lugar para Sesshoumaru Taisho.

Vinham... Talvez ainda viessem. Ele falou que o dever dele mais importante era o casamento, mas nem sempre fora assim. Ela sabia. Havia muitas evidências contrárias. O que havia mudado? Ou talvez ela estivesse teimando em acreditar que tudo tivesse mudado. Será que a culpa era forte o suficiente para motivar alguém a mudar da forma como Sesshoumaru estava mudando? Parecia um forte esforço, mesmo para um Taisho.

Além disso, o que ele quisera dizer mais cedo?

Ao dizer que estavam quites, ele estava afirmando que concordava com ela e que também achava que não a amava? Ou dizia que não acreditava que ela o amasse? E em qualquer um dos casos... O que queria dizer com "as coisas vão mudar"? Independentemente da forma como ela encarava isso, o amor estava entrando no acordo do casamento... Por decisão de Sesshoumaru.

Embora resistisse, ela acabou contando à família sobre a sua doença no dia seguinte. Também revelou que faria uma cirurgia, e quando. Em um ato que seria totalmente fora de cogitação, Sesshoumaru continuou, contando que, embora a cirurgia fosse cuidar dos sintomas dela, ela já havia sofrido muito com a doença e que, sem uma fertilização in vitro, provavelmente se tornaria estéril.

Os irmãos dele e o pai ficaram claramente atônitos com a abertura dele, mas as outras mulheres trataram da notícia como se fosse algo que toda a família devesse saber. Mas, como Rin pensou, as notícias causaram menos alvoroço na família com Izayoi por perto.

Todos estavam presentes na reunião familiar.

Rin estava sentada no canto, perto da sogra. Sesshoumaru a puxara para perto, em vez de deixá-la pegar uma poltrona, o que era um hábito comum. Então, ele passou o braço sobre os ombros dela com descarada possessão. Era bom, mas estranho.

Os lindos olhos escuros de Izayoi se encheram de emoção.

— Sabia que havia algo errado, mas hesitei em falar. Sinto muito. Deve ter sentido dor muitas vezes, e, ainda por cima, escondeu.

Rin não pôde negar, mas não queria que a sogra se sentisse culpada por isso. Não era culpa de Izayoi que a endometriose causasse tanta dor. Nem de ninguém mais.

— Está tudo bem. Se tivesse dito alguma coisa, não teria mudado nada.

— Ao contrário, se tivéssemos conhecimento antes, você poderia ter começado logo o tratamento.

Ela olhou para Sesshoumaru.

— Não é culpa da sua mãe.

— Não falei que era, mas, se tivesse contado antes, teria sido melhor para nós e muita coisa poderia ter sido evitada.

Ela não acreditava que ele estivesse falando sobre isso na frente da família.

— Não vamos tocar nesse assunto agora — ela sussurrou.

— Se é o que quer, mas é a verdade.

Ela mal conseguiu controlar um suspiro de irritação.

Inuyasha riu do outro lado da sala e Kagome o cutucou.

— O que é tão divertido, fratello mio?

— Rin está irritada com você.

— Acha engraçado? — perguntou Sesshoumaru, sem achar graça.

— Tem de admitir que não é típico dela — falou Miroku, com diversão nos olhos.

Rin olhou para os dois, imaginando o que havia acontecido com eles.

— Acham uma piada o fato de eu estar chateada com meu marido? — ela perguntou, intrigada.

Em geral, eles eram mais sensíveis que isso. Eram Taisho, o que significava que não eram os mais intuitivos quando o assunto era emoção, mas aquilo era estranho.

Sango mordeu o lábio e sorriu, encolhendo os ombros.

— Você precisa admitir que não é do seu temperamento, querida.

— No dia em que seu pai e Sesshoumaru me fritaram, você ficou muito irritada com eles, mas foi bastante sutil. Uma clássica princesa — Kagome sorriu. — Para dizer a verdade, fiquei admirada.

Rin não sabia o que dizer. Eles estavam certos... Quando escondia as emoções, ela não era nada. Mas por que eles achavam isso engraçado?

— Quando você está irritada com meu irmão, não esconde o fato — falou Sesshoumaru a Kagome.

Sesshoumaru olhou para Rin.

— Nosso casamento não é tão diferente dos deles.

Naquele momento, quando ele se comportava com ela da mesma forma como os irmãos agiam com as esposas, ela não sabia o que dizer...

— Não, não acho que seu casamento seja tão diferente — falou Izayoi, com uma expressão implacável. — Mas eu imaginava quando você acordaria para isso, filho.

— Posso assegurar que estou bem acordado agora — respondeu Sesshoumaru, enquanto se permitia piscar para a madrasta, longe de estar ofendido com o comentário.

Era quase como se houvesse outro nível de comunicação silenciosa entre eles. Como se a conversa não fosse totalmente nova para os dois.

Mas Rin engasgou. Estava querendo dizer que a amava?

Ele voltou a atenção para ela e seus olhos estavam totalmente vulneráveis.

— O que foi? Percebeu as similaridades?

— Não... Hum... Não.

Izayoi sacudiu a cabeça.

— Com a sua educação, isso não é surpreendente, mas, querida, precisa parar de olhar para o nosso Sesshoumaru com olhos de filha de diplomata e começar a vê-lo com os olhos de uma mulher que quer acreditar no coração dele e no próprio.

Izayoi tinha toda a sua atenção agora.

— O que quer dizer quando fala da minha educação?

— Você não conheceu o amor incondicional... Acho que, na realidade, conheceu muito pouco do amor. Está acostumada a supor que não há amor, quando, na realidade, há.

Por nenhuma razão que pudesse discernir, Rin sentiu um aperto no peito de emoção.

— Não entendo.

— Todos amamos você, é isso o que digo — Izayoi apertou a mão de Rin.

Inuyasha sorriu.

— Sim e, embora eu fique honrado se meu filho subir ao trono dos Taisho, vou torcer para a fertilização de vocês dar certo.

— Porque não quer que ele sofra as pressões de reinar um país? — perguntou Rin, dolorosamente incerta sobre permanecer casada com Sesshoumaru.

— Porque qualquer criança nascida de você e do meu irmão será abençoada e uma linda contribuição a este mundo.

— Isso foi lindo e muito verdadeiro — Izayoi sorriu em aprovação a Inuyasha e virou-se para ajeitar o cobertor que cobria as pernas do rei.

— Pare de me paparicar, amore. Estou bem. Desde que fique comigo, estarei bem.

— E agora que vão anunciar que vão se casar de novo? — perguntou Sango.

O rei apenas sorriu.

— Sim, meus filhos, é exatamente o que vai acontecer.

— Que maravilha! Quando será o casamento? — perguntou Miroku.

— Em três meses... Quando será seguro fazer uma festa de casamento — respondeu o rei Inutaisho.

Depois disso, seguiram-se beijos e abraços de felicitações. A atenção foi totalmente desviada de Sesshoumaru e Rin, e ela ficou agradecida.

Mais tarde, ela estava acordada no escuro, sua mente rodando sobre o que Izayoi havia falado e a forma estranha como Sesshoumaru vinha se comportando. Mesmo agora, ele dormia de frente para ela, com a cabeça acima da sua no travesseiro, uma das mãos no ombro dela e a outra em seu quadril. Estava presa, como se ele tivesse medo que escapasse.

— Explique como acha que um Taisho apaixonado se comporta — a voz rouca dele vinda da escuridão a assustou.

— Pensei que estivesse dormindo.

— Não estou.

— Aparentemente.

— Então, fale.

— Por quê?

— Por favor, tesoro mio, não jogue comigo.

— Não estou jogando, apenas não entendo que idéia é essa.

— Você me falou que tem certeza de que eu não a amo porque não sou um marido para você como meus irmãos são para as suas esposas. Quero saber especificamente onde falhei.

Ela sentiu-se sem ar.

— Por quê?

— Para poder corrigir.

— Quer que eu acredite que me ama? — ela perguntou suavemente.

— Isso não é óbvio?

— Talvez devesse ser, mas não... Não na realidade.

— É como Izayoi falou... Você está tão desacostumada a receber amor que não o reconhece.

— Quero ser amada — ela admitiu com uma vulnerabilidade que jamais demonstraria antes de todo o acontecimento.

— Eu amo você, Rin, e um dia saberá disso.

Não, não era possível, mas por que ele dizia isso? Culpa podia provocar muitas coisas, mas não uma falsa confissão de amor. Ela achava que não.

— Está dizendo que me ama porque deve fazê-lo... Está tentando se redimir de alguma coisa?

— Não. — e isso foi tudo. Um simples não. Ele não ficou ofendido ou tentou convencê-la com outras palavras.

E havia algo totalmente convincente naquela simplicidade...

— Eu...

— Está incerta. Entendo isso. Eu não percebi que a amava quando nos casamos. Pode ser perdoada por não saber disso também. Izayoi percebeu, mas também notou que eu brigava contra isso. Porca miséria... Eu era tão idiota que sequer notei seu amor por mim, mas notei quando ele se foi.

— Se foi? — ela perguntou, sem forças, mexendo a cabeça para conseguir ver o rosto dele.

Ela podia sentir o olhar dele a fulminando, embora ambos estivessem no escuro.

— Sim. Acha que eu não perceberia? Garanto que não sou tão bobo assim. A forma como você costumava me olhar como se eu fosse tudo o que sempre quis... A forma como ficava excitada quando eu entrava neste quarto. Acabou — a voz dele trazia uma dor que ela conhecia bem. — Só rezo a Deus para que nos ajude, e conto com os conselhos da família. Vou conseguir recuperar o seu amor.

— Pediu conselhos à sua família... Aos seus irmãos... Sobre como conquistar meu amor?

— Sim, embora nenhum deles seja muito esperto nessa área.

— O que disseram?

— Inuyasha sugeriu que eu insistisse na cama, mas essa não é uma opção e eu não quero transar até que seja seguro para você.

— Oh...

— Miroku sugeriu que eu fosse honesto com você, mas tenho feito isso há dias, sem sucesso.

— Comunicação honesta é essencial para uma relação. — mas a pessoa com quem se comunicava deveria acreditar em você, e não em motivos excusos... Como ela vinha fazendo com ele.

Seria verdade? Ele a amava? Ela esteve errada sobre tantas coisas, assim como ele, mas Sesshoumaru aparentemente, queria consertar seus erros. Queria que ela se sentisse amada.

— Foi isso que Izayoi falou, mas o papai acha que você precisa de provas. Novamente, não achei esse conselho muito útil. Não sei que prova posso lhe dar.

Ela sorriu diante do tom desconcertado da voz dele.

— Seus irmãos não tinham uma sugestão para isso?

— Como eu disse, nada que eu pudesse usar.

— A cama não é o único lugar para expressar amor — mas agora ela via que era o local em que ele o fazia com mais conforto.

— Sei disso. Reservei todo o meu afeto e a liberação das minhas emoções para o quarto, mas isso só a convenceu de que só servia na cama para mim. E não é verdade, amore. Por favor, acredite que sempre foi importante para mim de todas as formas que uma mulher pode impressionar um homem. Eu poderia cortar minha própria língua por algumas das coisas que eu falei depois que você pediu o divórcio. Você acreditou em todas elas muito facilmente, mas depois não acreditou quando falei que elas haviam sido geradas por raiva e mágoa. Eu tenho sido muito negligente como marido, e acabei a convencendo da minha falta de sentimentos por você. Não percebi tudo isso antes que fosse tarde demais.

— Tarde demais?

— Acordei para muitas coisas tarde demais — a tristeza na voz dele era muito real e profunda para ser ignorada.

Ele realmente a amava. Ele não havia percebido e, de sua maneira típica, não se deixara levar pelas emoções. Mas ele percebia isso agora e estava magoado.

Assim como ela também ficou magoada.

Ela sentia como se a agonia dele estivesse dentro do seu coração. E se ela perguntasse... Ele diria que também podia sentir a dor provocada pela endometriose em Rin, pois ele a amava e a dor dela também era dele.

A evidência sempre esteve ali, mas ela atribuía a todos os motivos possíveis, menos aos verdadeiros... Ele a amava.

Ela virou de lado para vê-lo completamente e acendeu a luz de cabeceira. Eles ficaram iluminados e ela pôde ver sua face molhada.

Ela o tocou, incapaz de acreditar que ele estava chorando por ela. Homens como Sesshoumaru não choravam. Nunca.

— Não é tarde demais — ela sussurrou.

O forte corpo que se aninhava junto ao dela de repente ficou rígido, e o lindo rosto dele trazia uma esperança cuja visão lhe era dolorosa.

— Não?

— Não.

— O... — ele respirou fundo e continuou. — O que exatamente está tentando dizer?

— Eu imaginava o que fazia de Sango uma moça tão especial... Por que ela podia ser amada pelos pais, por Miroku, mas eu estava destinada a não ser amada pelas pessoas mais importantes para mim.

— Sango é especial, mas Rin... Para mim, você é infinitamente mais preciosa. Amo você e passarei o resto da minha vida provando isso. Seus pais são muito estúpidos.

— Não. Ambos são muito inteligentes.

— Não quando se trata de amor. Você é incrível e a grande bênção da minha vida. O fato de eles não poderem reconhecer isso faz deles idiotas.

— Você não reconheceu inicialmente.

— Reconheci, mas não rotulei os sentimentos que tinha por você como amor, pois não queria ficar vulnerável.

— Como seu pai.

— Si.

— Todos aprendemos com nossos pais.

— Mas podemos desaprender com eles também. Amo você, Rin, e isso não faz de mim um tolo ou fraco. Isso me dá força e me enche de prazer quando penso no dia em que vou compartilhar isso com você. E vamos, Rin. Porque mesmo que você não me fale o que meus irmãos fazem, eu vou descobrir e você saberá que é amada.

— Quer continuar casado comigo mesmo que isso signifique não ter seu próprio filho como herdeiro de Isole del Re?

— Si. É verdade. Finalmente, acredita em mim?

— Oh, acredito... — e a crença a deixava atordoa¬da. — Amo você, Sesshoumaru. Ontem, hoje e sempre.

A mão que repousava sobre o seu quadril apertou-a quase dolorosamente.

— Não pode.

— Posso e amo — ela pegou todo o ar que tinha e saltou em águas desconhecidas. — Acredito que você me ame também. Realmente.

— Amo você, minha preciosa esposa. Amo. Graças a Deus, acredita em mim... Graças a Deus. — ele fechou os olhos como se enviasse esses agradecimentos aos anjos e os reabriu. — De hoje em diante, você nunca mais vai duvidar disso. Palavra de príncipe.

— Acredito em você – ela falou novamente, com o coração borbulhando por um tipo de felicidade que nunca havia experimentado.

Ele se inclinou e a beijou. Foi o encontro mais comovente dos lábios deles, pois afirmou de uma forma totalmente não-sexual que eles eram a metade um do outro. Para sempre.