Capítulo 4 – Encontro com o Passado


− Perla Montanes? – repetiu Harry, tentando absorver o impacto que aquele nome lhe causou.

− Sim. Ela era uma boa menina. Era muito carinhosa. Adorava os animais. Tinham que ver como ela adorava brincar com o Canino, quando ele era filhote – continuou Hagrid, não percebendo o modo como Harry ficara.

− Ela e Sirius ficaram juntos por muito tempo? – Hermione fez a pergunta que Harry gostaria de fazer, mas não conseguiu.

− Ah sim, sim. Depois de muito tempo ela conseguiu dar um jeito nele. Por que vocês já devem ter escutado falar da fama que ele e Tiago tinham – os três balançaram a cabeça negativamente – Os dois eram os maiores conquistadores que Hogwarts já teve. Acho que nem eles mesmos sabiam com quantas garotas saíram.

− Quando meu pai se interessou pela minha mãe? – perguntou Harry, se esquecendo por um instante de Perla.

− Ele a chamou pra sair um dia, não me lembro quando foi. E ela negou. E isso feriu o ego dele. Ele nunca tinha recebido um "não" de uma garota. E então ele continuou insistindo e acabou se apaixonando por ela.

− E ela? – perguntou Harry curioso.

− Lílian odiava Tiago. Não suportava o jeito dele. Principalmente pelo que ele fazia com as garotas. Mas aos poucos ela foi aprendendo a gostar do jeito dele. E depois que ele e Sirius brigaram por causa de um jogo de quadribol, ela e a Perla deram um jeito de fazer os dois voltarem a ser amigos. E depois disso, Lílian acabou namorando Tiago.

− E Sirius e essa tal de Perla? – perguntou Rony.

− Sirius e Perla começaram a namorar no dia que ele brigou com Tiago. Por isso Lílian aceitou ajuda-la a fazer os dois voltarem a se falar.

− E eles namoraram desde então?

− Sirius e Perla? Ah sim. Ela era apaixonada por ele desde o início, mesmo quando namorava Edgar Bones!

− Edgar Bones? – estranhou Harry.

− Sim. Ela namorou com ele, antes de namorar com Sirius.

− Ele é parente de Amélia Bones? – perguntou Hermione.

− Irmão – Harry respondeu pra surpresa de todos.

− Sim. Edgar Bones é irmão de Amélia.

− Será que ele é o pai da Susana Bones? – perguntou Rony curioso.

− Não – Hagrid respondeu ficando muito sério – Ele é tio de Susana. Edgar teve duas filhas. Mas elas foram mortas junto com ele e a esposa no ataque dos comensais.

− Que coisa horrível!

− É sim, Hermione. Mas naquela época isso era muito comum. Os comensais atacavam sem a menor piedade. E muitos morreram pelas mãos deles.

− Mas depois que Sirius começou a namorar essa garota, eles não brigaram?

− Eles brigavam muito, como todo casal. Mas eu não sei muito dos detalhes, por que eu perdi um pouco o contato depois que eles se formaram. E depois eu entrei para a Ordem. Só os via em algumas reuniões. E Perla, eu só a vi depois no casamento dos seus pais.

− Ela não ia as reuniões da Ordem? – foi a vez de Hermione perguntar.

− Não. Ela não fazia parte da Ordem. Eu não sei o motivo, muitos diziam que Sirius não deixara. Mas ela era muito ocupada. Além de trabalhar no ministério da Magia, também trabalhava em alguma coisa que eu não lembro o nome. Uma coisa trouxa que ela herdou da mãe.

− Ela era trouxa?

− Assim como sua mãe, Harry. Pra falar a verdade, as duas se conheciam antes mesmo de virem pra Hogwarts.

− Como assim? – estranhou Harry.

− Eram vizinhas. Além de serem melhores amigas. E por incrível que pareça, as duas foram chamadas pra Hogwarts e acabaram ficando na mesma casa. Aqui elas ficaram muito amigas da Alice. E as três viviam juntas o tempo todo.

− Alice? Alice Longbottom? – lembrou Harry da mãe de Neville.

− Na época ela ainda não era a senhora Longbottom.

− Hagrid, você sabe se ela é minha madrinha? – Harry fez a pergunta que tanto queria – Se ela namorava com Sirius e ele era meu padrinho, talvez ela pudesse ser...

− Isso eu não sei, Harry. A última vez que a vi, foi no casamento dos seus pais. Não. Teve uma vez que eu a vi, num aniversário do Dumbledore. Mas isso foi muito tempo antes de você nascer. É provável que ela seja sua madrinha. Ela e Lílian eram como irmãs. Mas não posso te afirmar com certeza.

− E você sabe o que aconteceu com ela? – Hermione perguntou, ao ver que Harry ficara atormentado.

− Não. Quando ela ainda estava em Hogwarts saiu uma vez no Profeta Diário que ela era filha de uns bruxos que foram mortos por seguidores de Você-Sabe-Quem. Foi aquela Skeeter quem inventou essa história. Muitos diziam que Você-Sabe-Quem queria matar Perla por causa dessa notícia. Mas eu nunca soube se ele conseguiu ou não. Sinceramente, não faço a menor idéia do que aconteceu com ela.

Harry achou melhor terminar aquela conversa. Não estava se sentindo muito bem com todas aquelas informações. E não queria que Hagrid percebesse que ele havia ficado alterado. Hermione e Rony inventaram uma desculpa para saírem de lá.

Os três andaram em silêncio até o castelo. Cada um tinha a mesma pergunta martelando em sua cabeça. O que havia acontecido com Perla Montanes?

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

Thais estava concentrada lendo um livro, quando escutou alguém bater na porta. Perla também escutou o barulho e desceu a escada pra ver quem era, mas a amiga fez sinal para deixá-la atender.

− Você de novo por aqui? – ela perguntou ao ver o homem de cabelos castanhos caindo pelo rosto de maneira jovial parado a sua frente. Os olhos cor de mel demonstravam tristeza.

− Tem algum problema nisso? – Remo perguntou chateado com o tratamento que recebeu da ex-namorada.

Thais se afastou permitindo que ele entrasse na casa. Perla veio ao seu encontro.

− Remo – ela disse, abraçando o maroto.

− Perla – ele falou, surpreso em vê-la.

− Vou deixar vocês dois conversarem a sós. Estou lá em cima se precisar de mim, Perla – disse Thais subindo as escadas para o andar superior.

"Mesmo quando nos mandamos embora,
Por raiva ou por covardia,
Por um amor inconsolável..."

− Ela me odeia – falou Remo, sentando no sofá. Perla sentou ao seu lado.

− Thais não te odeia. Pelo contrário. Te ama muito. Eu diria que ela te ama mais do que te amou um dia. Apenas não quer se dar conta disso.

− Acredita mesmo nisso? – Remo perguntou, bastante incrédulo.

− Moro com ela há muito tempo... acha que não a conheço?

− Eu não vou me iludir com isso. Não quero ter falsas esperanças.

− Quer dizer que ainda a ama? – perguntou Perla, se empolgando. Remo deu um sorriso tímido – Não existe vida sem esperança, Remo.

− Eu sou um insensível – Remo disse ao perceber que Perla ficara triste – Reclamando da maneira como a Thais me trata quando você está passando por uma situação muito pior. Como tem passado?

− Mal... para não dizer péssima.

− Sente muito a falta dele, não é?

"Mesmo quando em casa é o pior lugar pra se viver,
e você chora e não sabe o que quer..."

− O que está me matando é ter esperado quase quinze anos, para acabar perdendo-o novamente. E dessa vez para sempre – Lágrimas começaram a se formar no rosto dela, mas Perla não permitiu que elas caíssem.

− Você não tem culpa do que aconteceu.

− Eu sei que não. Pode parecer egoísmo da minha parte, mas eu preferia não estar passando por isso. Preferia não ter voltado a Inglaterra e ainda estar vivendo a ilusão de que ele está apenas em mais uma missão da ordem. E que voltaria quando eu menos esperasse – Perla ficou em silêncio tentando absorver o que as suas palavras queriam dizer – Não queria voltar para perdê-lo novamente. E desta vez, para sempre.

− Você vai conseguir superar tudo isso – falou Remo, segurando as mãos de Perla – Principalmente porque você não está sozinha.

"Acredite, há uma força dentro de nós, meu amor,
Mais forte do que um relâmpago,
Do que este mundo louco e inútil..."

− Você é um ótimo amigo, Remo. Sempre foi. Não sei o que seria de mim sem você e Thais. E Amélia.

− Ela sabe que você voltou?

− Amélia sabe de muitas coisas. Principalmente porque é a Ministra da Magia – respondeu Perla – Mas ela saberia de qualquer jeito. É uma grande amiga. Uma pessoa em quem confio muito. E ela também sabe o que é passar por isso.

− Ela acreditava na inocência dele.

"É mais forte do que uma morte incompreensível,
E do que esta saudade que nunca nos abandona..."

− Eu sei. Mas acreditar não é o suficiente. Tenho certeza de que se conseguíssemos pegar o Pettigrew, Amélia faria de tudo para limpar o nome de Sirius – Perla respirou fundo ao falar o nome do maroto – E eu seria capaz de fazer qualquer coisa para conseguir pegá-lo. Se ao menos ele tivesse me escutado quando eu dizia que não era pra confiar naquele rato imundo...

− Se Sirius não desconfiasse de mim, talvez me fizesse ser o fiel no lugar do Pedro.

− Eu disse a ele várias vezes que você não era o espião. Mas ele não quis acreditar em mim.

− Se ele soubesse que não havia sido eu quem matara a Emma, talvez ele confiasse em você!

− Você não precisa jogar na minha cara que eu sou a culpada pelo que está acontecendo – respondeu Perla com raiva, se levantando.

− Eu não quis fazer isso – desculpou-se Remo – Perla, já tem muito tempo que tudo isso aconteceu. Por que não me conta quem foi...

− A resposta que eu te dou é a mesma que te dei um dia e que dou a Thais todas as vezes que ela me pergunta. Esse segredo vai comigo para o túmulo. Nunca ninguém saberá quem foi. Não por mim.

Remo ficou em silêncio encarando Perla. Ele sabia que podia insistir, tocar várias vezes no assunto. Mas ela jamais lhe contaria. Perla não o fez quando Sirius estava vivo. Não faria agora que ele estava...

− Você ainda está aí? – perguntou Thais, que descia as escadas – Eu desci pra preparam um chá. Vocês aceitam? – os dois concordaram.

Perla voltou a se sentar no sofá, mas não disse nenhuma palavra. Foi então que Remo percebeu o quanto ela havia mudado. Antes, ela teria chorado só por se lembrar de Sirius. Agora, parecia uma pessoa bem mais forte. E menos emotiva.

− Bons tempos aqueles – Perla quebrou o silêncio. Ela estava com um porta-retrato que tinha uma foto sua com Alice e Lílian – Se lembra de quando eu e as garotas armamos aquela vingança contra o Sirius e o Tiago?

− Como eu poderia esquecer? – falou Remo sorrindo – Tiago amaldiçoou vocês durante muito tempo.

− Foi hilário ver os dois dançando de minissaia na frente de toda a escola.

− Eu adoraria ter visto a cena – falou Thais, trazendo o chá para os dois – Eu fico rindo sozinha só de imaginar.

− Mais engraçado que isso era conviver com Sirius e Tiago – falou Remo, feliz por se lembrar dos tempos de escola – Tiago o tempo todo correndo atrás de Lílian e sempre levando um não como resposta. E Sirius sempre morrendo de ciúmes da Perla, mas era orgulhoso demais pra admitir.

− O Ed que o diga. Sirius quase o matou num jogo de quadribol – falou Perla, rindo – A minha sorte é que eu estava sem falar com ele durante o período que eu namorei o Edgar. Por que ele também era muito ciumento. Almofadinhas era a prova viva disso.

− Sirius quase teve um troço quando você voltou a falar com ele. E quando você e o Edgar terminaram, ele ficou louco de tanta felicidade – Remo falou, bastante entusiasmado – Mas sabe de uma coisa? Eu sempre tive a curiosidade de saber como vocês voltaram a se falar. Ele nunca nos contou.

Perla sorriu ao se lembrar da cena. Cada gesto, cada palavra, cada detalhe. Ela conseguia ver tudo nitidamente a sua frente, como se estivesse acontecendo naquele momento.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

(5º ano dos Marotos em Hogwarts)

Perla terminou o seu teste prático de Transformação dos NOM´s e foi para o jardim do castelo a procura de Lílian e de seu namorado Edgar Bones.

Encontrou o namorado bastante pensativo, encostado em uma árvore em frente ao lago. Andou em sua direção o mais rápido que conseguiu, abraçando-o assim que se aproximou dele.

− Como foi na prova? – perguntou selando os lábios do garoto com um beijo.

− Muito melhor agora – Ele respondeu, retribuindo o beijo da namorada – E você, como foi?

− Acho que bem.

− Ainda bem que acabou – falou Edgar, parecendo bastante aliviado.

− Eu não agüentava mais. Finalmente vou poder descansar.

− Pensei que você quisesse aproveitar essa folga e passar mais tempo comigo – provocou Edgar. Perla sorriu.

− Vamos ter bastante tempo para podermos ficar juntos. Minha mãe vai viajar com o Roberts daqui a algumas semanas. E você pode passar uns dias lá em casa comigo.

− Só eu e você?

− Eu e você, Lílian e Alice, os Evans, Petúnia... ah e é claro. O Almofadinhas – Edgar sentiu um arrepio no corpo ao se lembrar do cachorro que ele dera de presente para Perla.

− Eu vou adorar – Ele disse tentando parecer convincente.

− E ae, como estão os pombinhos? – perguntou Lílian, que se aproximou do casal.

− Algum problema, Lily? – perguntou Perla, bastante desconfiada.

− Por que tem que ter um problema pra eu vir falar com vocês? – perguntou Lílian. Perla a olhou esperando que ela mesma respondesse – Tudo bem. Eu vim chamar o Edgar pra reunião de monitoria. O Remo está esperando a gente – ela apontou para o maroto que esperava um pouco mais a frente, conversando com Emma.

− Eu sabia! – falou Perla.

− Eu volto logo – falou Edgar, tentando dar um selinho na namorada, mas esta se esquivou.

− Essas reuniões costumam ser super demoradas!

− Não vai demorar, Pê. Alguns monitores ainda nem fizeram a prova. Deve ser só pra entregar algum relatório.

− Tudo bem – respondeu Perla desanimada – Não tem outro jeito mesmo.

Edgar lhe deu um beijo, que ela aceitou desta vez. Enquanto o garoto se afastava com Lílian e ia ao encontro de Remo, Perla sentou na grama, encostando a cabeça na árvore. Ela fechou os olhos e se lembrou de que estava livre dos torturantes exames e que finalmente poderia descansar. Lembrou que em breve, ela e Edgar completariam dois anos de namoro. Lembrou também do incessante desejo de sua mãe para que ela ficasse amiga da filha de Devon. As aulas de estudo com Snape, que completavam dois anos também. E dois anos que ela estava brigada com...

"Quando você tocar o fundo com os dedos,
De repente sentirá, a força da vida,
Que o trará consigo..."

Quando Perla abriu os olhos, sua primeira ação foi olhar a sua volta. E não demorou a encontrar o que procurava. Ou melhor, quem procurava. Ele estava sentado não muito distante dela, olhando para o lago. E estava sozinho. Tiago e Pedro ainda não tinham terminado seus exames e Remo acabara se sair com Lílian e Edgar. A oportunidade perfeita.

Ela levantou rapidamente e caminhou na direção que ele estava. Parou em frente ao maroto, que a encarou num misto de surpresa e curiosidade.

− Posso me sentar? – ela perguntou meio sem jeito, evitando encarar Sirius. O garoto acenou afirmativamente – Eu queria conversar com você.

Sirius continuou calado e não olhou para a garota. Continuou mirando o lago a sua frente, pensando no motivo que a teria levado até ali. Perla pensou bem se estava fazendo a coisa certa antes de continuar a falar.

− Eu sei que já tem bastante tempo que a gente não se fala – ela começou timidamente – Mas eu queria que as coisas entre a gente ficasse numa boa. Quer dizer, estamos na mesma casa, somos do mesmo ano, freqüentamos as mesmas aulas... temos amigos em comum. Eu não vejo o porquê de continuarmos nos tratando como se fossemos dois estranhos. Não vejo nenhum motivo que nos impede de voltarmos a ser amigos.

− Foi você quem quis assim – Sirius disse, olhando pela primeira vez para Perla.

− Sei disso... – Perla ficou constrangida ao se lembrar do motivo – Mas também sei que, assim como naquela época eu tinha um motivo para isso, agora eu não tenho mais. Eu estou namorando o Edgar há quase dois anos e não tem um dia que eu não me pergunte o porque estou sem falar com você. Eu queria que voltássemos a ser amigos. Sinto falta de sua amizade.

"Amor, você não sabe,
Você verá que há uma saída"

− Também sinto – respondeu Sirius, surpreendendo todas as expectativas de Perla.

− Acha que consegue fazer de conta que nada disso aconteceu? E voltarmos a ser amigos como éramos?

− Não é isso que você quer? – perguntou Sirius, dessa vez olhando bem dentro dos olhos cor de mel de Perla.

− É...

− Então é o que eu quero... Pê – Perla sorriu ao vê-lo chamando-a novamente daquele jeito.

− Senti falta de você me chamar assim.

− Eu senti falta de te chamar assim – ele disse voltando a olhar para o lago – Eu não gostava nenhum pouco de ficar te chamando de Montanes o tempo todo.

− E eu de ficar te chamando de Black.

− Ainda não escutei você dizer meu primeiro nome – provocou Sirius, voltando a encarar a garota, que por sua vez, se perdeu no brilho dos olhos azuis dele.

− Sirius... – ela disse bem baixo, quase um sussurro.

Os dois se encararam por um tempo. Era difícil dizer qual deles estava mais nervoso e qual deles estava mais feliz por voltarem a se falar. Era como se não tivessem brigado. Como se ainda fossem o mesmo Sirius e a mesma Perla desde o momento que tinham se conhecido.

− Como foram os exames? – perguntou Sirius, voltando a olhar para o lago e quebrando o clima que havia se formado entre eles.

− Bem e você?

− Muito bem... esses exames foram moleza para mim.

− Eu imaginava – respondeu Perla olhando para Sirius, mas desviou o olhar assim que este olhou para ela.

− E o namoro? Edgar parece ser um cara legal.

− Ele é – falou Perla triste ao ver que Sirius não olhava pra ela quando falava – ele é uma ótima pessoa. Já foi a minha casa, conheceu a minha mãe. Eu passei o último Natal com ele e a família.

− Fico feliz em saber que as coisas estão bem pra você – Perla ficou sem graça com o que ele disse e tratou de mudar o foco da conversa.

− E quanto a você? Namorando?

− Você conhece a minha fama.

− É, eu conheço – ela respondeu voltando a encara-lo. Sirius fez o mesmo.

Por mais que tentasse, por mais que negasse para o seu coração, Perla sentiu naquele momento que não tinha esquecido Sirius. Que jamais poderia esquecê-lo. Que poderia passar anos ao lado de Edgar Bones e mesmo assim ainda pensaria no maroto. Ele sempre estaria em seu coração.

− Perla – ela escutou Edgar gritando o seu nome, não muito distante dali.

− Tenho que ir – ela disse, se levantando – A gente se vê por aí.

Perla correu na direção de Edgar com o coração batendo muito rápido. Mas isso não era por causa da corrida e sim por causa do que ela acabara de sentir ao lado de Sirius Black.

− Algum problema? – perguntou Edgar preocupado, quando ela chegou.

− Não, está tudo bem – respondeu Perla, olhando uma última vez para o lugar que Sirius estava – Eu só estava fazendo o que devia ter feito há muito tempo.

− Voltou a falar com o Black? – Edgar disse, morrendo de ciúmes.

− Não precisa ficar assim, Ed – Perla respondeu, bastante carinhosa com o namorado – Eu estou com você, não estou? Voltar a falar com o Black não significa que eu não goste mais de você.

− Mas que ainda gosta dele.

− Eu te amo, Ed – ela respondeu, abraçando o garoto com força – E nada, nem ninguém vai mudar isso.

Edgar sorriu e ele e Perla voltaram abraçados para o castelo. E por mais que parecesse mentira, Perla amava Edgar. De um jeito diferente do modo como ela amava Sirius. Mesmo assim, ela o amava. E nunca ninguém conseguiu acabar com esse sentimento.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

− Então foi assim? – Remo perguntou para Perla que confirmou – Sirius sempre nos deu a entender que ele tinha tomado a iniciativa.

Perla pensou em tudo que acabara de contar e em tudo que estava acontecendo. Olhou para Remo e Thaís que a encaravam bastante surpresos. Sem hesitar, ela se levantou e foi até a porta.

− Você vai sair? – Thais perguntou, bastante preocupada.

− Vou – Perla respondeu com determinação – Assim vocês podem ficar a sós.

− Para onde você vai? – Remo perguntou, também preocupado.

− Digamos que eu tenha um encontro com o passado... e vocês também – ela respondeu abrindo a porta e saindo.

− Você entendeu alguma coisa? – Remo perguntou para Thais que balançou negativamente a cabeça.

− Ela tem sido bastante temperamental. Nunca sei que atitude esperar dela.

− Assim como eu nunca sei que atitude esperar de você – Remo falou, se aproximando da garota.

− Você não devia estar aqui – ela falou, nervosa com a proximidade do maroto.

Remo não respondeu. Apenas colocou suas mãos no pescoço de Thais e a beijou. Esta não resistiu aos encantos do ex-namorado e correspondeu.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

No jantar, Harry ainda tentava absorver todas as informações que descobrira com Hagrid sobre Perla. Rony estava tão preocupado em comer que não percebeu em como o amigo estava pensativo. Hermione, porém, estava preocupada pensando em outra coisa.

− Por que ela nunca está na mesa dos professores? – ela falou em voz alta, atraindo a atenção de Harry e Rony.

− Quem? – perguntou Rony, levando mais uma batata assada a boca.

− A professora Stoller. Ela nunca aparece na mesa na hora das refeições.

− Vai ver que ela é parente da Trelawney – brincou Rony. Mas Harry também ficou intrigado com o fato.

− Nós nunca a vemos a não ser nas aulas – ele falou e Hermione concordou.

− Tudo bem que a Trelawney não sai da torre norte. Mas ela é meio paranóica com essa história de previsões de morte e tudo mais. Mas não acho que esse seja o caso da professora Stoller.

− Vai ver que existe uma explicação em "Hogwarts: Uma História" – brincou Rony novamente. Mione olhou para Rony com irritação, mas não respondeu.

− Mais um mistério – disse Harry olhando para a mesa dos professores, onde Snape parecia muito mais irritado que o normal.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

Ela fez o feitiço e em seguida a porta a sua frente se abriu. Entrou na casa abandonada por tantos anos. E ela estava ali novamente. Sozinha. Disposta a encarar o seu maior medo. E suas piores lembranças. Disposta finalmente a encarar o seu passado.

Andou até parar em frente à porta do único quarto do lugar. Vivera tanta coisa dentro daquele aposento. E fugiu do mesmo durante todos os anos que haviam se passado desde a última vez que estivera ali dentro.

Mas ela havia decidido que já estava na hora de encarar o que aquele lugar lhe reservava. Que não havia mais como fugir do passado. Sem hesitar, ela colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu.

O quarto. O lugar onde passara os melhores momentos de sua vida. Ao lado dele. Ao lado de Sirius.

"Mesmo quando você come com dor,
E no silêncio sente o coração,
Como um barulho insuportável..."

Perla ainda conseguia sentir a presença do maroto dentro do aposento. Sua voz chegava aos seus ouvidos como se ele estivesse ali naquele momento falando com ela. Ela conseguia vê-lo, tão nítido a sua frente, os olhos azuis tão brilhantes. O cabelo preto com um leve brilho azulado. O sorriso maroto que derretia qualquer garota que o visse. A voz doce que lhe dizia que nada de mal ia lhe acontecer.

− Por que Sirius? Por que isso tinha que acontecer com a gente? – Perla perguntou em voz alta, como se Sirius pudesse ouvi-la naquele instante.

"Me dá um filho, Perla. Eu quero ter um filho com você"

Como se sentira feliz no dia que ele lhe pedira um filho. Apesar de ter implorado pra ele ir embora com ela e ele não ter aceitado, ele havia lha pedido a melhor coisa do mundo. O que Perla mais queria, mais desejava. Um filho.

"E não quer se levantar e o mundo está inatingível,
E mesmo quando a esperança já não for suficiente"

Ela se sentou na cama, se lembrando de cada momento que eles haviam passado ali dentro. Cada briga, cada carinho, cada palavra trocada. Sem perceber, ela deitou na cama e fechou os olhos, se perguntando o porquê tudo tinha que ter acontecido daquele jeito. E o porquê ela tinha que voltar para perdê-lo novamente.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

(Três Anos Antes)

Perla desceu do avião e respirou fundo antes de andar até o saguão de desembarque. Voltar a Inglaterra nas condições que ela voltara era a última coisa que ela queria que acontecesse. Mas como não tinha escapatória...

No saguão, ela foi recebida por Amélia Bones, que estava aguardando a sua chegada.

− Como vai, Perla? – Amélia perguntou para a recém-chegada.

− Como espera que eu esteja? – Perla respondeu com tristeza – Mas vim para cumprir o que prometi.

Amélia a conduziu até o estacionamento, onde um motorista as esperava num carro. Este guardou as malas de Perla no porta-malas enquanto as duas entravam no banco de trás do carro. Poucos segundos depois, o carro estava em movimento. Perla evitou olhar pela janela. Não queria se lembrar do lugar que abandonara há tantos anos.

"Há uma vontade que esta morte desafia,
É a nossa dignidade, a força da vida..."

Foi então que um objeto no banco chamou a sua atenção. Amélia percebeu o que Perla olhava e lhe pediu desculpas por ter se esquecido de tirar o exemplar do Profeta de dentro do carro.

− Não tem problema – Perla respondeu indiferente, pegando o jornal.

Black ainda foragido
"Sirius Black, o condenado provavelmente de pior fama já preso na fortaleza de Azkaban, continua a escapar da polícia, confirmou hoje o Ministério da Magia.
Estamos fazendo todo o possível para recapturar Black - disse o Ministro Cornélio Fudge ouvido essa manhã. "E pedimos à comunidade mágica que se mantenha calma".

− Claro que ele está fazendo o possível para capturá-lo. Me usando como cobaia – Perla falou com muita raiva – Mais um dia o Fudge me paga por isso.

"Que não se pergunta nunca o que é a eternidade,
Ainda que haja quem a ofenda,
Ou quem lhe venda o além"

− Me sinto um pouco responsável por tudo que você está tendo que passar – desculpou-se Amélia.

− Não sinta. Você não tem culpa de nada, Amélia. De nada.

− Eu te disse que acham que ele pretende matar o Harry?

− Sabe de uma coisa? Ou eu estou louca, ou então todos enlouqueceram – respondeu Perla. Amélia preferiu não dizer mais nada. Estava sendo tudo muito difícil pra ela também.

-X-X-X-X-

Perla caminhou num passo firme até o portão de entrada do castelo. Sentiu um imenso frio ao passar pelos dementadores, mas não desistiu. Empurrou o pesado portão de ferro, lutando para manter uma lembrança feliz em sua mente.

"Quando você sentir que há segurança entre seus dedos,
Você a reconhecerá, a força da vida,
Que trará consigo"

Ao entrar ela não precisou fazer mais nenhum esforço para se lembrar de coisas boas. Sua mente foi invadida por diversas lembranças. Lembranças boas. Outras nem tanto. Lembranças de um tempo sem guerra, cuja única preocupação era passar nos exames no final do ano letivo.

Ela andou pelos jardins escuros de Hogwarts imersa em suas lembranças. No caminho até o castelo, ela cruzou com McNair, que vinha andando na direção contrária.

− Ora, ora... olha quem resolveu aparecer – ele falou, se esquecendo por um minuto para onde estava indo.

− Recebi um chamado de urgência do ministro. O que foi que aconteceu?

− Pegamos o Black.

− É mesmo? – a mulher perguntou sem se alterar – Onde ele está?

− Quem?

"Não se deixe partir jamais,
Não me deixe sem você..."

− Quem você acha? O prisioneiro, seu idiota – ela respondeu irritada. McNair não gostou de ser insultado, mas não falou nada.

− Está na sala do professor Flitwick – ele respondeu, passando a mão no machado que trazia consigo preso em sua cintura – Fudge me pediu pra chamar os dementadores. Eles vão lhe dar o "beijo". Quer vir comigo?

− Não, muito obrigada. Deixo o prazer de falar com os dementadores pra você – ela respondeu, voltando a andar.

Perla entrou no castelo sabendo exatamente para onde devia ir. Sabia muito bem onde ficava a sala do professor de feitiços.

Quando chegou no sétimo andar, ela parou por uns instantes tentando se lembrar qual era a direção certa. Foi quando ouviu passos de alguém que descia as escadas a sua frente e que davam acesso a torre oeste. Escondeu-se rapidamente atrás de uma armadura que havia no corredor. Não queria ser vista por ninguém.

Porém, ela escutou vozes que vinham pelo corredor e não pertenciam a pessoa que estava descendo as escadas e que, provavelmente, também as escutou, pois parou para esperar os "donos das vozes" passarem.

"Mesmo dentro das prisões,
Da nossa hipocrisia..."

− ... Só espero que Dumbledore não crie dificuldades – dizia Severo Snape – O beijo será executado imediatamente?

− Assim que McNair voltar com os dementadores. Todo esse caso Black tem sido muitíssimo constrangedor. Nem posso lhe dizer como estou ansioso para informar ao Profeta Diário que finalmente o capturamos. Acho provável que queiram entrevista-lo Snape... e quando Harry tiver voltado ao normal, espero que se disponha a contar ao Profeta exatamente como foi que você o salvou.

"Mesmo no fundo dos hospitais,
Na nova doença..."

Perla viu Cornélio Fudge e Severo Snape passarem por ela tão concentrados em sua conversa, que nem ao menos repararam que ela estava ali no corredor.

Assim que os dois passaram, ela olhou para o outro lado para ver quem teria descido as escadas e parado para esperar o professor de Poções e o ministro passarem.

E ela viu. A mesma altura, o mesmo cabelo preto despenteado, os óculos... sentiu que estava vendo Tiago Potter novamente a sua frente. Mas ela sabia que não podia ser Tiago. E que só havia uma pessoa no mundo que pudesse ser tão parecida com ele.

"Há uma força que cuida de você e que você reconhecerá..."

− Harry – ela falou em voz baixa, ao ver o garoto se afastando acompanhado de uma garota de cabelos castanhos.

Seguiu na mesma direção que o ministro havia seguido com Snape, tentando a todo custo esconder um sorriso que teimava em aparecer em seu rosto. Se Harry estava por ali, então isso só poderia significar uma coisa.

De repente, sem saber de onde tinha vindo, Snape apareceu no corredor e passou por ela como um furacão, dizendo palavras de baixo calão e não reparando na sua presença. Ela viu o professor se afastar, sentindo que suas suspeitas estavam se confirmando. Ao continuar a andar, deu de cara com Fudge, que estava lívido como um fantasma.

− O que aconteceu, ministro? – ela perguntou no tom mais inocente que conseguiu.

− Black fugiu.

− Mas como? – ela perguntou, tentando parecer surpresa.

− Você não tem nada a ver com isso, não é? – ele perguntou, ligeiramente desconfiado.

− Eu? Eu acabei de chegar! – ela se defendeu. Fudge resmungou alguma coisa e saiu as pressas atrás de Severo.

"É a força mais teimosa que há em nós,
Que sonha e nunca se rende"

Perla continuou sua caminhada até a sala do professor Flitwick. A porta estava escancarada e não havia nenhuma pessoa lá dentro. Ela entrou na sala e ficou olhando a sua volta. Sabia que ele estivera ali.

Puxou um cordão que estava escondido embaixo de sua blusa e que tinha o formato de uma estrela, que antes, estava sem nenhum brilho, e agora, voltara a emitir o mesmo brilho azulado do dia em que ela ganhara aquele cordão. Segurou com força o pingente e sorriu.

"É a vontade mais frágil e infinita,
A nossa dignidade,
Meu amor é à força da vida..."

− Você está vivo, Sirius. Como não estava há muito tempo – ela disse antes de sair da sala.

-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-

Perla abriu os olhos se sentindo estranha por ter se lembrado de que quase encontrara com Sirius quando ele fugiu de Hogwarts há três anos atrás.

"Que não se pergunta nunca,
O que é a eternidade..."

− Eu seria capaz de fazer qualquer coisa para te trazer de volta – ela disse, segurando para não chorar – Como eu queria te ter agora aqui comigo.

"Você pode fazer, Perla. Você sabe que pode" – ela escutou a voz de Sirius lhe respondendo.

− Eu farei, Sirius. Não vai ser um véu que vai separá-lo de mim. Eu te prometo. Você vai voltar. Custe o que custar.

"Mas que luta todo dia do nosso lado,
Enquanto não terminar"


N/A: Bem pessoal, eu sei que eu demorei pra publicar este capítulo. Mas é que eu tava meio "travada" pra escrever uma das cenas e só consegui escrevê-la depois de ler o "Prisioneiro de Azkaban". Este capítulo foi um dos mais difíceis de escrever e o maior dessa fic até agora. A música que eu coloquei é "La Forza Della Vitta" do Renato Russo. É uma música que diz muito como eu estou no momento e que eu achei que tinha tudo a ver como o capítulo. Espero de coração que vocês gostem e não deixem de me dizerem o que acharam. Isso é realmente muito importante pra mim.

Agradecimentos e Dedicatória para:

Dany Malfoy : O capítulo demorou um pouquinho, mas eu espero que goste. As coisas estão melhorando pra mim, o que significa que eu devo postar mais rápido (assim eu espero). Bjos.

Juliana Montez : Juju e suas reviews gigantes que me deixam com um sorriso de uma orelha a outra. Obrigada pelo super apoio que vc me deu. Eu fico muito feliz que vc tenha gostado da Elizabeth. Eu morro de medo das pessoas não gostarem dos meus personagens. Ah, e FELIZ ANIVERSÁRIO! Bjos.

Krol : Duas reviews no mesmo capítulo (eu não mereço tanto!). Ainda mais porque eu ainda não tomei vergonha na cara. Só li o Prólogo. Mas te juro que até o final do dia de hoje eu leio o resto e te digo o que achei. Sobre a Elizabeth, vejamos, ela não aparece em Perla e os Marotos. Não diretamente. Mas logo vc vai saber quem é ela! Bjos.

Jé Black : Tem tanto tempo que a gente não se fala no MSN...estamos precisando marcar um horário pra conversar. Agora que o Harry descobriu o nome todo dela, ele ainda vai ter um pouco de trabalho pra encontrar a Perla, afinal, ela não está tão perto dele, Mas tb não está tão longe. Tô esperando sua cartinha. Tb te adoro! Bjos.

Srta. Wheezy: Fico muito feliz que vc esteja gostando da fic. E se prepare, porque essas cenas de impacto vão voltar a acontecer. Obrigada pelo apoio. Bjos.

Bruna Lupin Black : Não tem problema não ter mandado review antes. O que importa é que vc tá mandando agora. Espero que vc tenha gostado da aparição da Perla nesse capítulo. E quanto ao Sirius, ele vai aparecer em outros capítulos, assim como apareceu nesse. E aquele diálogo da Perla com o Fudge foi quando o Sirius fugiu de Azkaban. Bjos.