Capítulo 5 – A Revelação
No dia seguinte, Remo acordou na cama de Thais, mas ao olhar para o lado, percebeu que ela não estava lá. Saiu do quarto e desceu as escadas para o primeiro andar, encontrando Perla tomando café da manhã na cozinha.
Ele sentou na cadeira ao lado dela, esperando que ela explicasse o que estava acontecendo. Mas contrariando todas as suas expectativas, Perla apenas sorriu e lhe desejou "bom dia".
− Onde ela está? – ele perguntou, aparentando um pouco de irritação.
− Bom dia pra você também – respondeu Perla de bom humor.
− Você a viu hoje? – perguntou Remo novamente. Mas Perla não se irritou com a pergunta.
− Ela quem? - Remo ficou irritado com a resposta – Não nasci colada com a Thais para saber de todos os passos que ela dá. Se você quer mesmo saber devia se transformar numa peça íntima feminina. Estaria sempre colado com ela.
− Muito engraçado, Perla – respondeu Remo, um pouco envergonhado.
− Fico feliz que tenha gostado, Aluado!
− Sabe, parece que eu estou conversando com o Sirius – Ele disse, um pouco surpreso com o modo que Perla estava agindo.
− Vou entender isso como um elogio! – ela respondeu, bastante feliz.
− Acho que o seu encontro com o passado ontem a noite te fez muito bem! – ele disse de modo irônico, curioso para saber o que ela tinha feito na noite anterior.
− Digamos que... foi um encontro feliz com o meu passado.
− Eu não te entendo. Num dia você está triste e deprimida e no dia seguinte parece a pessoa mais feliz do mundo.
− Acho que essa é a maior característica que eu herdei do Sirius – Ela respondeu, se levantando, deixando Remo ainda mais surpreso. Ela evitara falar o nome de Sirius o tempo todo no dia anterior. E agora agia como se ele estivesse dormindo no quarto.
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Harry e Rony desceram apressados para o campo de quadribol. Haveria testes para a escolha dos novos jogadores do time da Grifinória e eles deveriam estar presentes já que além de Katie Bell, eram os únicos que tinham sobrado do time. Angelina, Alícia, Fred e Jorge haviam se formado no ano anterior (os gêmeos Weasley abandonaram a escola no episódio que nunca foi esquecido), os antigos batedores, que substituíram os gêmeos haviam saído do time e Gina tentava a vaga de artilheira, já que Harry voltara a ocupar o posto de apanhador.
Muitos grifinórios fizeram o teste, mas no final, a decisão de Katie, Harry e Rony foi a mesma. Dino Thomas e Simas Finnigan foram escolhidos como batedores e Gina Weasley e uma garota do terceiro ano, Brenda Johnson (irmã da ex-artilheira Angelina Johnson) foram escolhidas para artilheiras.
− Muito bem, acho que finalmente conseguimos montar um time – disse Katie, depois de dizer quem seriam os novos jogadores – Só precisamos escolher o novo capitão.
− Que tal você? – sugeriu Rony – Afinal é quem está a mais tempo no time.
− Fico honrada com a indicação, mas não acho que estou qualificada para assumir essa posição.
− Eu tenho uma idéia – disse Hary, depois de Gina cochichar algo em seu ouvido – Por que não o Rony?
− Eu? – perguntou o ruivo, com as orelhas vermelhas.
− É Rony... – continuou Harry – Afinal você foi o grande responsável pela nossa vitória no ano passado.
− Eu concordo com isso – disse Katie, olhando para o restante do time. Gina e Brenda acenaram afirmativamente.
− E quanto a vocês dois? – Harry perguntou para Dino e Simas.
− Por mim, está beleza – respondeu Simas.
− Eu não sei se ele seria um bom capitão... – provocou Dino. Ele sabia que o ruivo não aprovava seu namoro com Gina – Mas como não tem outro jeito! Eu concordo!
− Ótimo. Então capitão, quando será o nosso primeiro treino? – Katie perguntou para Rony, que ficou ainda mais vermelho.
− Eu... – Rony olhou para Harry que murmurou um "agora" – IMEDIATAMENTE! – ele gritou assustando todos – Quero ver como os novos jogadores vão se adaptar ao time.
− Sim senhor, capitão – respondeu Gina ironicamente, saindo junto com o restante para pegar sua vassoura.
− Eu estou perdido – Rony murmurou para Harry.
− Relaxa. Não vai ser tão difícil como parece! – Harry respondeu, pegando sua Firebolt. O treino iria começar.
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Depois de um tempo, Rony achou melhor encerrar o treino. Ele e Harry voltaram rapidamente para o castelo, ansiosos por contar as novidades para Hermione, não dando a menor importância para o fato de que estavam sujando todo o castelo de terra por onde passavam.
− Esse ano a taça está nas nossas mãos – comentou Rony eufórico – Não tem como não conseguirmos ganhar o campeonato.
− Espero que não haja nenhum imprevisto – Harry respondeu, se lembrando de alguns incidentes dos anos anteriores.
− Não vai acontecer nada, Harry. Sem a insuportável da Umbridge por perto não temos com o que nos preocupar.
− Eu sei. Só espero que... – Harry parou de falar ao ver que a professora Stoller estava vindo pelo corredor na direção deles.
Elizabeth andava entretida em uns pergaminhos quando sentiu uma mão fechar sobre o seu braço. Sem se alterar, ela apenas levantou a cabeça para ver quem a estava impedindo de prosseguir.
− Algum problema, professor Snape? – Ela perguntou num tom de voz bastante calmo, que contrastava com a aparência do professor de Poções.
− Por que você foge de mim, Elizabeth? – ele perguntou, fazendo questão de frisar o nome da professora.
− Eu teria motivos para isso? – ela falou sem se alterar.
− É justamente o que eu gostaria de saber!
− Me responda você, Severo! Eu teria algum motivo pra fugir de você? – ela perguntou com ironia, deixando Severo Snape ainda mais irritado.
Ele a encarou com frieza, porém Elizabeth não demonstrou a menor reação de se intimidar por ele.
Rony fez sinal para Harry, para que eles saíssem dali antes que algum dos professores percebessem a presença deles, mas Harry não quis. Ele ficou curioso com a conversa entre Severo e Elizabeth e queria saber o que mais eles iriam falar um com o outro.
− Algum problema? – perguntou Dumbledore, que chegou no corredor, acompanhado da professora Mc Gonagall.
− Nenhum, diretor – respondeu Severo, com os olhos fixos em Elizabeth.
− Então se não se importa, Severo, eu gostaria de falar com a professora Stoller – pediu Dumbledore apontando para a mão de Snape que ainda segurava o braço da professora de Defesa Contra a Arte das Trevas.
Elizabeth sorriu para Severo, enquanto ele soltava o seu braço. Ela se aproximou dele e falou bem perto de seu ouvido de modo que só ele escutou o que ela disse.
− Você pode ser muito bom em oclumência. Mas eu sou muito melhor em legilimência.
Harry viu a professora se afastar com Dumbledore e ficou ainda mais curioso para saber o que ela havia dito para Snape, a ponto de deixá-lo branco como um fantasma.
− POTTER! WEASLEY! O que vocês pensam que estão fazendo parados aí? Menos 20 pontos para Grifinória.
Rony olhou para Harry com uma cara de "Eu não te disse" depois que Snape retirou pontos dos garotos e saiu na direção oposta a que eles estavam indo.
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Harry e Rony estavam tentando fazer seus deveres de Poções na sala comunal, mas além de não terem silêncio para se concentrarem, pois os alunos dos primeiros períodos estavam fazendo bastante barulho, eles não contavam com a ajuda de Hermione, que sumira sem deixar explicações.
− Nós não fazíamos tanto barulho quando estávamos no período deles – reclamou Rony, deixando a pena de lado.
− Você é monitor, Rony. Vá até lá e peça pra eles pararem – brincou Harry. As orelhas de Rony ficaram vermelhas.
− Você parece o Fred e o Jorge falando assim – Rony disse. Harry riu - Não sei por que você insiste em fazer essa redação. A Mione não está aqui para nos ajudar.
− Não podemos depender dela para o resto da vida – disse Harry para espanto de Rony – Falando nela, onde é que a Hermione se meteu?
− Onde você acha? Provavelmente está na biblioteca, devorando mais algum livro. Eu diria que com certeza ela está lá.
− Nesse caso... – Harry também largou a pena e colocou a redação de lado – Ela não está aqui para brigar com a gente por não estarmos fazendo nossos deveres. O que você achou do treino de quadribol?
− Acho que vamos conseguir montar um bom time. Gina e Brenda não estão no nível de Angelina e Alicia, mas acho que com um pouco de treino elas vão melhorar muito. E quanto ao Dino e Simas... tenho até medo de pensar no que eles vão aprontar!
− Eles parecem ser bons jogadores – respondeu Harry, ficando pensativo – Sabe, tem uma coisa que não sai da minha cabeça.
− O que?
− Aquela conversa da Stoller com o Snape. Por que será que ele perguntou aquilo pra ela?
− Vai ver que ele acha que ela está afim dele... eu não disse que eles formavam o casal perfeito?
− Não acho que seja isso – respondeu Harry – Eu não sei. Ela é muito estranha. Parece que temos aula com um robô e não com uma pessoa. Ela nunca sorri, nunca diz nada agradável. Sempre trata os alunos com frieza...
− E o ar de superioridade? Bom, não podemos negar que ela seja uma boa professora. Talvez a melhor que já tivemos em Defesa Contra a Arte das Trevas. Mas ela adora mostrar que é melhor do que todo mundo. E nisso ela ganha até do Snape.
− É verdade. Mas parece que por toda aquela máscara de frieza, ela esconde algum segredo. Assim como o Snape.
Rony nem teve tempo de perguntar o que Harry quis dizer com aquela frase, pois Hermione apareceu na sala comunal e correu para perto dos garotos, com um livro nas mãos.
− Vocês não fazem a menor idéia do que eu descobri – ela disse, um tanto afobada, sentando ao lado dos garotos.
− Onde você estava, Hermione? – perguntou Harry.
− Na biblioteca.
− Eu não te disse? – provocou Rony.
− Eu estava procurando uma coisa para ajudar o Harry – Hermione se explicou – E olhem o que eu encontrei – ela mostrou o livro que estava em sua mão para os garotos.
− Anuário de Hogwarts? Desde quando Hogwarts tem um anuário? – perguntou Rony, recebendo um olhar de indignação de Hermione.
− Mas no que isso pode me ajudar? – perguntou Harry surpreso.
− Vocês dois são bem lerdos – respondeu Hermione – Este anuário é do ano que seus pais formaram, Harry.
− Quer dizer que...
− Que aqui podemos encontrar informações sobre Perla. Quem era do mesmo ano que ela. Quem pode tê-la conhecido.
O coração de Harry acelerou tamanha era a sua emoção. Ele mal conseguia se conter quando abriu o anuário e começou a olhar as fotos. Logo de cara, o trio viu a foto de Sirius Black, que mostrava um grande sorriso. Ele ainda era bonito e seus olhos tinham um brilho especial. A seguir, o coração de Harry deu um salto. Lá estava ela. Bonita com seus cachos ruivos. E os olhos, verdes como os de Harry. Não havia como negar que Harry herdara os olhos de sua mãe, Lílian Evans (a futura Sra Potter). Mais adiante, eles viram as fotos de Remo Lupin e Frank Longbottom, o pai de Neville, que não se parecia nem um pouco com o filho.
Foi então que eles encontraram. Perla Montanes. A bonita garota de cabelos loiros e olhos cor de mel, cuja foto estava ao lado da de Lúcio Malfoy. "Sirius tinha um bom gosto", pensou Harry ao analisar a foto da garota, que assim como o padrinho, sorria e tinha um grande brilho nos olhos.
Eles continuaram vendo o anuário e encontraram mais pessoas conhecidas. Pedro Pettigrew tinha um rosto de bobo, mas eles sabiam que de bobo ele não tinha nada. Alice Satins (futura Sra Longbottom) era a cópia perfeita do filho, com a exceção de que era mulher. E Tiago Potter. Harry sorriu ao ver a foto do pai, vestido com o uniforme de quadribol, segurando em uma das mãos o pomo de ouro e com a outra tentando inutilmente pentear os cabelos.
− O que acharam? – perguntou Hermione, quando viram a última foto do anuário.
− Muito bonito, mas em que isso pode nos ajudar? – falou Rony. Hermione o olhou com cara de quem não podia acreditar que ele estivesse perguntando aquilo.
− Você não vê? Perla Montanes era da Grifinória. E se olharmos atentamente o anuário, veremos quem foram os seus colegas de casa – explicou a menina – Bom, Lílian, Tiago e Sirius estão descartados, já que estão ... – ela não disse a palavra ao ver a expressão que se formara no rosto de Harry – Quanto a Alice e Frank, duvido que eles estejam em condições de nos dizer alguma coisa. Das meninas sobram duas: Kelly Bagman e Penélope Patil – ela disse, mostrando a foto das duas garotas.
− Bagman? – perguntou Harry surpreso.
− Patil? – perguntou Rony surpreso.
− Ela seria parente de Ludo Bagman?
− Das gêmeas?
− Kelly Bagman. Sim, ela pode ser parente de Ludo Bagman, mas eu não posso afirmar com certeza. Já Penélope Patil... tenho quase certeza de que é a mãe das gêmeas. Se vocês repararem bem na foto, elas se parecem muito.
− E dos meninos, sobrou alguém? – perguntou Rony curioso. Hermione respirou fundo antes de responder.
− Apenas um... Remo Lupin.
− Ele não deve saber nada sobre ela. Senão teria me contado.
− Harry, alguma vez ele te contou alguma coisa sobre a namorada de Sirius? Se ele sabe, não vai te dizer.
− O jeito vai ser perguntar a ele – propôs Rony.
− Podemos aproveitar que vai ter visita a Hogsmeade no dia das Bruxas e marcar um encontro com ele. O que acha Harry?
− É o único jeito de tentarmos descobrir alguma coisa – Harry respondeu e os três encerraram aquele assunto. Ainda tinham muito o que fazer.
Mas Harry não conseguiu se concentrar em mais nada naquele dia. Sua cabeça dava muitas voltas. Ele não conseguia entender o motivo de tanto segredo, tanto mistério. E como e por que, Perla Montanes parecia simplesmente ter se evaporado sem deixar nenhum rastro.
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O Dia das Bruxas era uma das datas mais animadas em Hogwarts. O Castelo era todo decorado com abóboras esculpidas e morcegos vivos. E mais do que a proximidade do maravilhoso banquete que os alunos sempre ganhavam na data, também era o primeiro dia da primeira visita a Hogsmeade.
Harry, mais do que qualquer outro aluno, estava muito ansioso para chegar ao povoado. Não que ele ainda tivesse muito o que ver em Hogsmeade. Antes de qualquer doce da Dedosdemel ou qualquer cerveja amanteigada no Três Vassouras, ele queria encontrar com seu ex-professor de Defesa Contra a Arte das Trevas, para tentar descobrir alguma coisa sobre Perla.
Remo aceitara o convite que Harry lhe fez. Para ele, o menino queria conversar com ele sobre o padrinho e ele sabia que não havia nenhuma outra pessoa que pudesse conversar sobre isso com ele.
Ele ficou esperando que Harry chegasse no lugar combinado em Hogsmeade. E não se assustou ao ver o garoto na companhia de seus amigos inseparáveis, Rony e Hermione.
− Bom ver vocês! – ele disse para os recém chegados.
− Como tem passado, professor Lupin? – perguntou Hermione, ao notar que Remo estava muito abatido. Ela continuava chamando-o de professor mesmo ele tendo parado de lecionar a algum tempo.
− Indo... lua cheia está próxima – ele respondeu chateado.
− Sabemos como é – disse Hermione, tentando consola-lo.
− Lupin, eu pedi pra você vir aqui por que queria te perguntar uma coisa – Harry falou, querendo ir direto ao assunto.
− Pode perguntar, Harry.
− Quem é Perla Montanes?
Harry viu Remo ficar ainda mais pálido. Ele ficou em silêncio por um tempo, analisando os garotos e esperando que um deles pudesse explicar o que estava acontecendo. Mas os três continuaram o encarando, esperando que ele explicasse.
− Eu não entendi, Harry – falou Remo, sentindo-se bastante confuso.
− Quem é Perla Montanes? – Harry repetiu.
− Olha, eu não sei o que...
− Eu sei sobre ela – Harry respondeu, deixando Remo ainda mais surpreso. Ele tentou parecer calmo, mas era visível em seu rosto que ele ficara preocupado.
− Sabe?
− Sei. Sei que ela foi namorada do Sirius. Sei que eles ficaram juntos por muito tempo. Eu só quero que você me diga quem é ela, onde ela está e... se ela é minha madrinha.
− É melhor não tocar nesse assunto. Não trazer lembranças dolorosas de um passado que foi esquecido, Harry.
− Você pode ter esquecido – respondeu Harry, ficando alterado - Mas eu nunca soube. E a cada dia eu descubro mais coisas que eu não imaginava. Coisas boas. Coisas ruins. A cada dia eu ganho e perco mais um pouco. Você pode me ajudar, Lupin!
− Te ajudar? Saber sobre ela não vai trazer Sirius de volta.
− Mas vai me ajudar a conhecê-lo.
Remo refletiu por uns segundos. Ele não queria falar. Queria que Harry se mantivesse alheio a tudo aquilo que aconteceu. E que ainda acontecia. Mas sabia que não havia mais saída. Que ele não desistiria enquanto não soubesse de tudo. Ou quase tudo.
− O que você quer saber?
− Quem é ela.
− Eu conheci Perla antes de ir pra Hogwarts. Ela e Lílian, sua mãe, eram melhores amigas. Eu as conheci um dia em Hogsmeade quando elas estavam comprando o material escolar. As duas eram trouxas. Eu acabei ficando muito amigo da Perla.
− E da minha mãe?
− Também éramos amigos. Mas eu tinha uma amizade maior com a Perla. Principalmente por que ela foi a primeira a saber o que eu era, depois dos meninos.
− E o relacionamento dela com Sirius? – Remo respirou fundo antes de continuar.
− Perla gostou de Sirius desde o primeiro momento. Ela era o tipo de garota que só se apaixona uma vez. E foi cair de amores justamente por alguém que a última coisa que queria era se prender em outro alguém.
− Ela sofreu muito por ele?
− Sofrer? Perdi a conta de quantas vezes a vi chorando. Mas ela era uma guerreira. Nunca desistiu dele. Nem mesmo quando namorou outro garoto. Mas depois de muito tempo, mais precisamente, quando estávamos no sexto ano, ela finalmente conseguiu o que tanto queria.
− E como ela conseguiu fazer ele gostar dela?
− Eu acho que no fundo, Sirius sempre gostou dela. Mas era orgulhoso demais para admitir. Depois de muitas brigas e confusões, eles acabaram se acertando. O que foi um alívio pra todo mundo.
− E desde então eles ficaram juntos?
− Sim... desde então eles ficaram juntos – Remo respondeu ficando ainda mais pálido.
− E como era o relacionamento deles?
Remo sorriu. O primeiro sorriso desde que encontrara os garotos. Ele se sentia muito feliz quando se lembrava dos tempos de escola. Onde ele vivia em companhia de seus melhores amigos. E de um de seus grandes amores.
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(Hogwarts – 7º ano dos marotos – Dia das Bruxas)
Perla, Alice e Lílian estavam sentadas em uma das mesas do Três Vassouras quando a porta do bar se abriu dando passagem ao quarteto mais famoso da escola, acompanhados de Frank Longbottom.
Os garotos avistaram as meninas e com um pouco de dificuldade devido a enorme quantidade de sacolas que carregavam e do número de pessoas que estavam lá, eles conseguiram chegar na mesa delas.
Tiago sentou ao lado de Lílian, Sirius ao lado de Perla, Frank ao lado de Alice, Remo também ao lado de Perla e Pedro do lado de Remo. Porém, as garotas não demonstraram ter reparado na chegada deles e continuaram encarando suas bebidas. Sirius tentou beijar Perla e Tiago tentou fazer o mesmo com Lílian, mas as garotas viraram o rosto na hora. Os dois se olharam tentando entender o que estava acontecendo e perceberam que Frank passava pela mesma situação.
− O que foi que houve? – Tiago perguntou com a cara mais inocente do mundo pra Lílian. Esta encarou Perla e Alice, e as três fuzilaram com os olhos seus respectivos namorados.
− Será que a gente pode saber o que está acontecendo? – perguntou Sirius, começando a se preocupar.
− O que está acontecendo? Você tem a coragem de perguntar o que está acontecendo? – perguntou Perla com raiva, encarando Sirius – Nada. Não está acontecendo nada. Vocês só deviam estar aqui há uma hora atrás.
− Ah, é por causa desse detalhe sem importância? – perguntou Tiago. Lílian ficou com mais raiva. Levantou e saiu do bar – O que deu nela?
− Remo, por favor, refresque a minha memória – falou Perla com ironia – Se lembra de uma vez que um certo alguém combinou de encontrar com uma certa ex namorada sua e que esse certo alguém a deixou esperando? – ela encarou Tiago – Se lembra de como a Lily ficou? Agora, imagina como ela ficaria se ela é quem tivesse ficado esperando?
− Mas isso não tem nada demais – falou Sirius, fazendo cara de "Ainda não entendi pra que tanto escândalo!".
− Isso serve pra você também, Black! – respondeu Perla, se levantando e saindo atrás de Lílian.
− Maluca! – respondeu Sirius, olhando para a porta do bar – Ela é completamente maluca. Só porque nós nos atrasamos um pouco é motivo pra tanto escândalo?
− Eu também não vejo motivo pra tanto... - disse Frank, recebendo um olhar pior do que o anterior de Alice – Quer dizer, foi apenas um atraso.
Frank só teve tempo de escutar a namorada resmungar "Homens" antes de seguir o mesmo caminho das amigas.
− Vocês não vão atrás delas? – perguntou Remo. Tiago, Sirius e Frank se encaram antes de responder.
− Não – Eles disseram ao mesmo tempo para em seguida pedirem uma cerveja amanteigada.
Já começava a escurecer quando os cinco saíram do Três Vassouras. Sirius e Tiago continuavam animados, elaborando as brincadeiras que fariam quando chegassem ao castelo. Frank começava a se preocupar com a reação de Alice. Eram raras as vezes que ele brigava com a namorada e ele nunca sabia direito o que fazer para consertar as coisas. Já Remo estava preocupado por Sirius e Tiago. Ele conhecia muito bem o gênio de Perla e Lílian para saber que as garotas não os perdoariam tão facilmente. E quanto a Pedro, este estava preocupado pensando no que comeria no jantar de Dia das Bruxas que não conseguia pensar em mais nada.
− Eu acho que vocês deviam conversar com as meninas. Sabe... pedir desculpas – sugeriu Remo para os garotos quando eles chegaram no castelo.
− Aluado, você ainda tem muito o que aprender sobre as mulheres – disse Sirius – Perla me ama e não vive sem mim. Eu dou um dia pra ela me pedir desculpas e voltar correndo para os braços do papai aqui.
− Eu digo o mesmo da Lily... apesar de eu não conseguiria ficar um dia longe dela.
− Já eu não posso dizer o mesmo da Alice. É muito raro a gente brigar, mas quando isso acontece... é difícil convence-la a voltar as boas.
− Não tenho tanta certeza de que as meninas vão perdoá-los tão facilmente – insistiu Remo.
− Eu queria saber o que a Thais viu nesse cara – provocou Sirius – Remo, eu acho bom você cruzar o oceano pra ver a sua garota na Argentina ou vai ter um colapso de tanta saudade.
− Brasil... ela mora no Brasil.
− Dá no mesmo.
− E eu posso saber o que a saudade da minha namorada tem a ver com a briga de vocês com as meninas?
− Exatamente isso! – continuou Tiago – Nós não tivemos uma briga. Foi apenas uma discussão.
− Mas convenhamos que o Remo tem razão de estar assim tão sensível. Afinal, a namorada dele não é de se jogar fora!
− Perla vai adorar escutar você falando isso!
− É um fato... o que eu posso fazer se a sua namorada é bonita? – Sirius continuou com a provocação. Ele disse a senha para o Retrato da Mulher Gorda que deixou os garotos entrarem.
− Tem pelas pernas... – provocou Tiago.
− E além do mais... – Continuou Sirius.
− Sua namorada está adorando escutar isso – disse Lílian que estava sentada no sofá com Perla e Alice.
− Lily, meu amor – disse Tiago, correndo para perto da namorada – Você sabe que é única na minha vida!
− Ai ai ai coisinha feia, Tiago. Olha a postura! Um maroto se humilhando desse jeito – disse Sirius rindo. Porém Perla continuava encarando-o com a cara fechada – como está a minha pequena?
− Perla! – Lílian censurou a amiga depois dela ter xingado Sirius.
− Alice, me desculpe pelo atraso! Eu juro que não foi de propósito! – pediu Frank para Alice, que não alterou sua expressão.
− É Lily, nós não fizemos por mal. Só perdemos a hora. Você sabe que a gente perde a noção do tempo quando estamos na Zonko´s.
− Além do mais, vocês são as pessoas mais importantes do mundo pra gente – falou Sirius, deixando todos surpresos.
As três se levantaram sem dar a menor atenção para os garotos.
− Não existe nada que a gente possa fazer pra vocês nos perdoarem? – perguntou Tiago quando elas estavam subindo as escadas do dormitório.
Remo viu um sorriso maquiavélico surgir no rosto das três garotas. Perla desceu os degraus que já tinha subido e o chamou. Cochichou algo em seu ouvido, e depois ela, Lílian e Alice foram para o dormitório.
− Vocês não vão acreditar – falou Remo, deixando os outros garotos curiosos.
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− Não acham que pegaram pesado demais? – perguntou Remo na mesa da Grifinória no Salão Principal.
− Eles não queriam ser desculpados? – falou Perla, com um sorriso estampado no rosto – Nós não pedimos nada demais.
− Eu acho que a gente exagerou um pouco – falou Alice, ficando um pouco preocupada.
− Exagerar? Fomos até gentil demais com eles – respondeu Lílian – Perla queria vê-los dançando de minissaia de novo!
− Eu não acredito que eles vão fazer isso – falou Alice, ficando surpresa de repente – Ou melhor, não acreditava.
Todos os burburinhos de conversa que haviam no Salão Principal cessaram com a chegada de três garotos. Em seguida, um mar de gargalhadas surgiu por todo o salão.
Tiago, Sirius e Frank caminharam para a mesa da Grifinória, os dois primeiros adorando a atenção que estavam recebendo e o último morrendo de vergonha.
Assim que Frank sentou ao lado de Alice, esta o recebeu com beijos e abraços. Já Tiago sentou ao lado de Lílian que o encarava num misto de surpresa e admiração.
− E então Lily, o que achou? – perguntou Tiago apontando para o seu cabelo, que estava cor de laranja – Ficou bem parecido com o seu!
− Ai meu Merlim, o que foi que eu fiz? – falou Lílian olhando para o maroto e não conseguindo acreditar que ele pudesse estar gostando da idéia de estar "ruivo".
− Eu até estou pensando em deixá-lo assim só pra ficar parecido com o seu – Tiago disse para Lílian.
− Não pense em fazer isso! – ela respondeu.
− Não ficou tão mal! Ficou melhor que o cabelo roxo do Frank!
− Qualquer cabelo está melhor do que o meu – respondeu Frank, que tinha a face vermelha de tanta vergonha – Ótima maneira que vocês arrumaram pra comemorar o dia das bruxas.
− Eu posso saber o que o meu cabelo tem a ver com o dia das bruxas, Pê? – perguntou Sirius para a namorada que não conseguia parar de rir.
− Eu adoro rosa. E ficou muito bem em você!
Depois de um tempo, Lílian acabou aceitando as desculpas de Tiago desde que ele voltasse com a cor natural de seu cabelo ( O maroto gostara tanto da idéia do cabelo cor de laranja que não queria mais mudar). Já Sirius teve mais dificuldades com Perla. Quando eles acabaram o jantar e voltaram para a sala comunal, a garota continuava não querendo desculpa-lo.
− Pê, eu já pintei meu cabelo de rosa, já te pedi desculpas, já disse que te amo... o que mais você quer que eu faça pra me desculpas?
− Quero que você aprenda a nunca mais me deixar esperando.
− Como eu vou aprender se você não me dá uma chance? – ele perguntou fazendo cara de "cachorro sem dono" – Pequena, você sabe que eu te adoro e que não vivo sem você – ele tentou beijar Perla, mas esta impediu.
− Ta legal. Se você não quer, tem quem queira – falou Sirius com raiva, provocando Perla.
Perla olhou para Remo pedindo uma explicação para o que Sirius queria dizer com aquilo. Remo apenas riu e apontou com a cabeça o que Sirius estava fazendo.
No outro lado da sala, Sirius conversava animadamente com uma garota do quinto ano, além de estar com as mãos na cintura da garota.
− SEU CACHORRO, SAFADO, SEM VERGONHA – gritou Perla, avançando para cima dele, dando tapas em seu peito e o afastando da garota.
− Pê... – ele chamou, rindo da atitude da garota.
− Eu não sei como posso gostar de você, como posso namorar com você...
− Pê – ele chamou novamente, segurando os braços da namorada e forçando-a a encará-lo. Perla se acalmou um pouco e ele aproveitou para beija-la – Ta vendo como é melhor me beijar do que me bater?
− Você é um cachorro. Em todos os sentidos – ela falou, deixando que ele a beijasse novamente.
− Eu sou o seu cachorro – ele disse de modo carinhoso colocando as mãos na cintura de Perla – Um cachorro de Cabelo cor de rosa. Um cachorro só seu.
Perla sorriu e o puxou para beijá-lo de um jeito que só ela sabia fazer.
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Remo sorriu ao ter se lembrado dos amigos. Harry também sentia-se feliz por finalmente estar escutando algo sobre seus pais e sobre Sirius.
− Eles eram sempre assim?
− Sempre – respondeu Remo, ainda sorrindo – Acho que era isso que os atraia. Seus pais também tinham muitas brigas, mas nada comparado com as de Sirius e Perla. Até mesmo porque Tiago foi tomando juízo depois que começou a namorar com Lílian.
− Eles se casaram? – Harry perguntou curioso.
− Não... quer dizer, do jeito deles eles se casaram pois moravam juntos. Mas nada oficial.
− Lupin... por acaso ela... ela seria minha madrinha? – perguntou Harry com o coração batendo rapidamente.
Remo respirou fundo antes de responder. Ele sabia que cedo ou tarde, Harry descobriria a verdade. Seria melhor conta-la de uma vez.
− Sim, Harry. Ela era – ele respondeu sem encarar o garoto.
Harry sentiu uma grande euforia invadir seu corpo. Ele sentiu que apesar da recente perda do padrinho, ele não estava sozinho. Que ainda havia uma luz no final do túnel. Uma esperança para os dias de trevas.
− Como eu posso falar com ela? – ele perguntou esperançoso – quer dizer, onde ela está?
− Você não vai conseguir falar com ela – Remo respondeu de modo bem seco, deixando os três garotos bastante intrigados.
− E por que não? – Harry perguntou aflito com a resposta – Eu preciso falar com ela. Tenho certeza de que ela vai gostar de falar comigo, de me ver...
− Harry...
− Você tem que me dizer onde ela está!
− Você não pode falar com ela... simplesmente por que... Perla está morta!
Harry teve que ser amparado por Rony e Hermione para não cair no chão. No final das contas, tudo estava perdido.
N/A: Olá Pessoal! Espero que me perdoem pela demora. Eu não gosto de demorar tanto assim para atualizar, mas não tive outro jeito. Meu tempo está escasso, o que significa que as atualizações vão continuar demorando, pelo menos até eu entrar de férias. Obrigada por todos os comentários e todo apoio que vcs tem me dado. Espero sinceramente que gostem do capítulo.
Agradecimentos e Dedicatória para: (No próximo capítulo eu respondo os comentários individualmente!)
Bruna Lupin Black, Miss Leandra Friendship Black, Thaisinha, Juliana Montez, Krol, Je Black (Obrigada pela ajuda!), Anaisa, Lele (pelas duas reviews desse capítulo, mais as mil de Correndo Atrás!), Srta Wheezy e Luci Potter.
E em breve (quer dizer, não tão breve assim), o capítulo 6 : "Lembranças de Natal" .
