Capítulo 6 - Lembranças de Natal
Harry não se conformou em saber do destino da madrinha mesmo depois de muitas dias, quando teve a famosa partida de quadribol entre Grifinória e Sonserina. Hermione e Rony fizeram um acordo de ficarem em silêncio sobre o assunto até que Harry se sentisse bem para conversar.
No dia da partida, todos s jogadores do time de quadribol da Girifnória estavam com os nervos a flor da pele. Com exceção de Katie, Harry e Rony, todos os outros teriam sua primeira partida e sentiam a costumeira dor de estômago causada pelo nervosismo.
− Está na hora – Katie chamou Rony e Harry, que apesar de menos tensos que os demais, também estavam nervosos.
− Acha que vai dar tudo certo hoje, Harry? – Rony perguntou bastante preocupado.
− Espero que sim. Nós nunca perdemos pra Sonserina. Espero que não exista uma primeira vez – Harry respondeu, levantando da mesa, junto com o ruivo.
− Bom jogo pra vocês – desejou Hermione, dando um beijo na bochecha de cada garoto. As orelhas de Rony ficaram avermelhadas.
− O jogo vai começar! - narrou Ernesto McMillan, aluna do sexto ano da Lufa-Lufa, que substituiu Lino Jordan - Os times entram em campo. Soa o apito de Madame Hooch e o jogo começa. Grifinória tem a posse da goles com Brenda Johnson, mais nova artilheira do time. Ela passa para Katie Bell, que se aproxima do arco da direita, arremessa e... É GOL! 10 A ZERO PARA GRIFINÓRIA.
O estádio foi à loucura já que Lufa-Lufa e Corvinal estavam torcendo para Grifinória.
− Adriano Pucey tem a posse da goles. Ele dribla Johnson e passa a goles para William McNair, o mais novo artilheiro da Sonserina. McNair recebe um balaço de Simas Finningan, novo batedor dos leões. E a goles agora está com Gina Weasley, a mais nova dos Weasley.
− E Weasley está com a goles. Ela recebe um balaço de Goyle, que a acerta, mas ela consegue passar a goles para Bell que escapa de um balaço de Crabbe. Ela arremessa... mas Bletchley defende.
A torcida protestou. No mesmo momento em que Bletchley defendeu o arremesso de Gina, Crabbe arremessou um balaço em Rony, o acertando no estômago, enquanto Goyle arremessava outro na direção de Harry, não o atingindo por pouco.
Draco sorriu ao ver Harry ser quase atingido. Ele estava de marcação cerrada em cima do apanhador da Grifinória e como sempre, o estava seguindo ao invés de procurar o pomo de ouro.
− McNair tem a posse da goles. Ele dá uma grande pirueta no ar. Escapa de um balaço de Dino Thomas, que recebeu um balaço de Goyle em resposta ao balaço que ele mandou no artilheiro da Sonserina. McNair passa para Warrington, que dribla Brenda Johnson e volta à bola para McNair, que aproveita que Rony estava perto da baliza da direita e arremessa na da esquerda, marcando um gol pra Sonserina.
− Weasley é nosso rei, Sempre deixa a bola entrar...- Pansy Parkison começou agitar a torcida da Sonserina, para cantarem a música que eles fizeram para Rony no ano anterior e que o deixava nervoso.
Harry procurava o pomo por todos os lados, mas não via nenhum sinal da bolinha alada. Como sempre, Draco estava em sua cola, esperando o momento que ele encontrasse o pomo. Ele ficou com medo que Rony perdesse a concentração por causa da cantoria, mas o ruivo defendeu as duas investidas seguintes dos artilheiros sonserinos.
Foi quando ele viu. Brilhando não muito distante dele. Harry olhou um segundo para o pomo e teve uma idéia. Sem tirar os olhos da bolinha, ele mergulhou o mais rápido que conseguiu. Draco percebeu o seu movimento e o seguiu.
Harry fez um rápido sinal para Dino, que entendeu o que ele queria. Draco estava em sua cola, os dois estavam quase lado a lado, porém a Firebolt de Harry estava levando a melhor.
Quando os dois estavam bem perto do pomo, Dino aproveitou um balaço e o arremessou na direção de Draco. No momento que Harry sentiu sua mão se fechar sobre a bola, ele subiu na mesma hora com a vassoura e viu Draco levar um balaço e cair da vassoura.
− E GRIFINÓRIA GANHA! – gritou Ernesto McMillan, junto com as torcidas da Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal. Os alunos da Sonserina protestavam, dizendo que Draco tinha sido atacado injustamente, mas Madame Hooch deu a partida por encerrada.
− Brilhante Harry – disse Rony, aproximando do garoto – Você não só pegou o pomo, como acertou o Malfoy! Acho que o nariz dele não vai ficar empinado por um bom tempo.
Harry apenas sorriu como não fazia há muito tempo e juntos, ele e Rony se reuniram ao restante do time da Grifinória para comemorarem.
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A aula de Defesa Contra a Arte das Trevas continuava a ser uma das favoritas dos alunos, além de ser de longe, a mais trabalhosa, apesar dos esforços constantes de Severo Snape de dar mais trabalhos aos alunos que a professora Stoller.
As aulas práticas ainda não haviam começado. Elizabeth achava que os garotos deveriam aprender muito bem a teoria, antes de partirem pra prática, de modo a evitar "grandes acidentes". Eles tinham testes e trabalhos todos os dias e tinham que se esforçar o máximo para não perderem médias e serem excluídos da classe.
− Professora? – chamou Draco, no meio de um dos testes.
− Estamos no meio de um teste, Sr Malfoy – ela respondeu, sem nem ao menos olhar para o garoto.
− Eu só queria perguntar quando vão começar as aulas práticas. Acho que todo mundo aqui está cansado de só ver teoria.
− Teoria nunca é demais, Sr Malfoy – respondeu Elizabeth, escrevendo em um pergaminho a sua frente. Metade da turma parara de fazer o teste para ver a reação da professora – Mas se quer mesmo saber, as aulas práticas começarão após o feriado do Natal.
− E quem será o professor que nos dará aula junto com você? – perguntou Hermione, fazendo a professora encarar a turma.
− Isso ainda não está definido. Mas até o dia vocês irão saber – Elizabeth respondeu com frieza, encarando os alunos e em seguida voltou para o seu pergaminho – Acho bom vocês voltarem para o teste. Acabam de perder cinco minutos.
Todos os alunos que haviam parado de fazer o teste para ver o que a professora ia fazer, voltaram imediatamente com medo de terem perdido muito tempo. Harry, porém, continuou examinando a professora. Apesar da frieza que ela sempre demonstrava, Harry sentia que ela não era uma pessoa má.
Elizabeth pareceu sentir que o garoto a olhava e levantou a cabeça olhando diretamente na direção de Harry. O garoto observou seus olhos verdes e teve a sensação de que já os tinha visto em algum lugar. Em seguida, ele sentiu uma pontada em sua cicatriz e interrompeu o contato visual. Quando ele voltou a encarar a professora, ela já tinha voltado sua atenção para o pergaminho.
No final da aula, ele dispensou os alunos, mas pediu que Harry ficasse e quando Hermione e Rony mencionaram ficar com o amigo, ela pediu que eles esperassem do lado de fora.
− Aproxime-se – ela disse sem olhar para o garoto. Harry sentiu como se a distância de onde estava até a mesa da professora fosse maior do que qualquer outra que ele já percorrera.
− Algum problema, professora? – ele perguntou meio sem jeito, ao parar em frente a mesa de Elizabeth. Esta o encarou, deixando-o ainda menos a vontade.
− Você se lembra de quando eu disse que queria que você retomasse as aulas de seu grupo de estudo de Defesa? Como é mesmo o nome...
− AD.
− AD?
− Armada de Dumbledore – Elizabeth sorriu.
− Belo nome – ela respondeu, deixando Harry intrigado com sua atitude – Eu conversei com Dumbledore e ele quer que você retome a atividade desse grupo, incluindo todos os que fazem parte dessa sala e não faziam as aulas, assim como todos os outros que desejarem entrar.
− Acho que muitos vão querer participar...
− Sei disso – ela o cortou, antes que ele terminasse de falar – Como alguns estão em um nível mais avançados que outros, iremos fazer uma espécie de nivelamento e formamos turmas básicas e avançadas. Você vai chefiar uma das turmas avançadas. Mas antes disso, eu preciso do nome de cada pessoa que participou de sua aula e de todo o conteúdo que foi dado por você.
− Só isso? – perguntou Harry, que sentia-se extremamente desconfortável.
− Assim que o feriado passar, você vai ter aulas extras comigo onde vamos planejar tudo o que vai ser visto em suas aulas.
− Aulas extras?
− Não há outro jeito, Harry – ela respondeu, voltando sua atenção novamente para o pergaminho.
− Como quiser – ele respondeu - Posso ir?
− Sim... ah, e por favor, avise ao professor Snape para não marcar suas aulas de Oclumência no mesmo horário de nossas aulas extras.
− Minhas aulas de Oclumência?
− Vejo que o professor Snape não lhe avisou sobre isso – respondeu Elizabeth, tornando a encarar Harry – Dumbledore quer que você retome suas aulas.
− Por que ele mesmo não me dá aulas então?
− Pergunte você a ele!
Harry sentiu que era melhor sair da sala, antes que perdesse a paciência com a professora. Apesar da máscara de frieza que ela sempre exibia, ele não pode deixar de notar o quanto ela era bonita.
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− Aulas extras? Ela quer matar você, não é?
− Harry vai chefiar as aulas práticas. Ele precisa estar preparado para isso – defendeu Hermione.
− Sua opinião não conta – retrucou Rony – Não é por que você é bitolada nos estudos que Harry também tem que ser.
− Só por que eu me dou o trabalho de estudar um pouco mais que os outros alunos não significa que eu seja bitolada nos estudos.
− Eu já disse que a sua opinião não conta – respondeu Rony e antes que Hermione pudesse dizer alguma coisa, ele continuou – Não tem como você se livrar dessa? Pelo menos das aulas do Snape?
− Vou conversar com Dumbledore e lhe pedir para não ter mais essas aulas com o Snape, mas duvido que ele me libere.
− Eles estão querendo te matar de estudar, Harry. Já temos um intensivo de aulas de Defesa Contra a Arte das Trevas, agora você vai ter aulas extras com a professora Stoller e o professor Snape. Ninguém merece ter mais aulas com esses dois.
− É para...
− Eu já disse que sua opinião não conta? – falou Rony pela terceira vez para Hermione, que ficou irritada e saiu batendo o pé.
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O Natal chegara em Hogwarts com força total. A neve cobria o castelo do lado de fora e a cabana de Hagrid mais parecia um bolo de glacê. O lago estava congelado, as estufas praticamente haviam desaparecido sob a neve e as lendárias árvores de Natal decoradas pelo professor Flitwick enfeitavam o Salão Principal.
Harry, Rony e Hermione decidiram passar o Natal em Hogwarts, apesar dos inúmeros pedidos da Sra Weasley para passarem na sede da Ordem. Rony e Hermione sabiam muito bem que Harry não queria ir para lá, pois se lembraria de Sirius, além de não querer encontrar com Remo por causa da última conversa deles em Hogsmeade.
Por mais que Harry dissesse a si mesmo que devia ter imaginado que Perla, assim como seus pais, deveria estar morta, ele não conseguia se conformar por também perder a madrinha sem nem ao menos ter tido a oportunidade de conhecê-la. E que sentira uma enorme esperança de poder encontrá-la.
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Harry e Rony estavam no jardim, numa guerra de bolas de neve, enquanto Hermione conversava com Gina, próximo de onde eles estavam. Bichento estava aninhado no colo da dona.
− Vocês querem tomar mais cuidado. Essa quase me acertou – reclamou Hermione, que tinha sido arranhada por Bichento ao ter uma bola de neve passando rente na cabeça do gato.
− Por que você também não participa, Mione? – falou Rony, lançando uma bola diretamente em Hermione e a acertando em cheio no rosto.
− Ah é, então toma isso – ela formou um bolo com a neve e a arremessou em Rony.
Depois de um tempo, Gina também entrou na brincadeira. Os quatro estavam tão entretidos, que não perceberam que uma garota observava a brincadeira. Eles só tomaram conta de sua presença, quando Rony desviou de uma bola de Harry, que acertou a garota.
− Me desculpe – Harry correu na direção da garota que sorria.
− Não tem problema – ela disse, olhando atentamente para os garotos, seu olhar parando na cicatriz de Harry – Você é Harry Potter?
− Sim... sou – respondeu Harry sem jeito. Apesar de estar acostumado em ver as pessoas o olhando com diferença, ele se sentia extremamente desconfortável.
− É um grande prazer conhece-lo – Harry olhou atentamente a garota. Ela tinha cabelos loiros, preso num coque. E os olhos de um verde muito claro. Ele sentiu que já tinha visto aqueles olhos em algum lugar.
− Você não é aluna de Hogwarts...
− Não, eu não sou – a garota respondeu com doçura – Deixa eu me apresentar. Meu nome é Sarah... Sarah Stoller.
− Você disse Stoller? – perguntou Hermione intrigada.
− Sim.
− Você por acaso é parente da professora Stoller? – perguntou Harry. Mas não foi a garota que respondeu.
− Ela é minha filha – disse Elizabeth Stoller, que estava atrás dos garotos e os assustou com sua resposta.
− Sua filha? – Harry a olhou com surpresa.
− Algum problema, Potter? – Ela perguntou, mas Harry não respondeu – Eu não sabia que você estava aqui, Sarah.
− Eu acabei de chegar.
− Vamos entrar – disse Elizabeth, andando em direção ao castelo.
− Foi um prazer conhece-los – Sarah disse aos garotos, antes de sair atrás da mãe.
− A professora Stoller tem uma filha? – perguntou Rony incrédulo – Por essa eu não esperava.
− Bem diferente da mãe – Completou Hermione.
− Totalmente diferente – concordou Harry – Ela foi simpática, coisa que eu nunca vi a professora Stoller ser.
− Deve ser adotada!
− Rony!
− Mione, você acha mesmo que essa mulher teria um marido? Só se ele for um clone do Snape.
Gina riu, mas Harry não achou graça. Apesar das duas agirem de formas diferentes, ele notou a semelhança física que havia entre elas e concluiu que só podiam realmente ser mãe e filha. Porém, não havia sido os olhos da professora que ele havia visto em Sarah.
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Elizabeth caminhou em silêncio até a entrada do castelo, quando parou para esperar a filha que tinha ficado um pouco atrás. Mal as duas entraram no castelo e Sarah se jogou nos braços da mãe.
− Eu estava morrendo de saudades.
− Você não me disse que vinha! – Elizabeth respondeu seca, mas de um jeito carinhoso – Devia ter me avisado.
− Eu queria lhe fazer uma surpresa – respondeu Sarah, soltando a mãe – Você não me mandou mais notícias. Eu fiquei preocupada.
− Sabe que enquanto eu estiver em Hogwarts, estarei incomunicável.
− Sei disso – respondeu Sarah – Mas é Natal. Eu não queria passar essa data sem poder falar com a minha mãe.
Elizabeth sorriu e abraçou a filha novamente. Foi nesse exato instante, que outra pessoa apareceu no local e ficou intrigado ao ver as duas abraçadas. A professora soltou a filha ao ver quem era.
− Algum problema, Severo?
− Eu não sabia que estava com... visitas! – Severo respondeu de modo provocante.
− Ela é minha filha – Elizabeth respondeu com rispidez, deixando o professor de Poções assustado com a resposta.
− Sua... filha? – ele perguntou assustado.
− Minha filha.
− Eu não sabia que era casada.
− Viúva – Elizabeth respondeu, começando a se irritar com a conversa.
− Eu sinto muito – provocou Severo, com um sorriso nos lábios.
− Se me der licença, eu tenho muito que conversar com a minha filha.
Severo abriu espaço para que Elizabeth passasse com Sarah. A professora passou sem nem ao menos encará-lo, mas Sarah deteve seu olhar em Severo e só tirou depois que ele saiu de seu campo de visão.
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Severo Snape observou as pessoas que estavam no banquete do Natal. Muitos alunos tinham ficado e a maioria dos professores estava presentes. Menos ela.
Desde o início das aulas, ele se perguntava por que a professora Stoller nunca era vista nas refeições ou fora dos seus horários de aula. Era um mistério que o intrigava e ele sabia que não se sentiria satisfeito enquanto não descobrisse.
Assim que se deu por satisfeito, ele saiu do Salão Principal e foi para o lugar onde ele passara todos os natais desde que viera trabalhar em Hogwarts. A Torre de Astronomia sempre fora o seu refúgio. Era somente quando está lá, que ele se permitia pensar na única pessoa que um dia ele amou.
Perla.
I'm not a perfect person (Eu não sou uma pessoa perfeita)
Those are many things I wish I didn't do (Existem tantas coisas que eu queria não ter feito)
But I continue learning (Mas eu continuo aprendendo)
I never meant to do those things to you (Eu nunca quis fazer aquelas coisas para você)
And so, I have to say before I go (E então eu tenho que dizer antes de ir)
That I just want you to know (Que eu apenas quero que você saiba)
Não existia outro dia do ano que ele se arrependesse mais de todas as coisas que ele tinha feito. Principalmente, as que tinha feito com ela.
Estava tão imerso em seus pensamentos, que quando se deu conta já estava em frente a sala de Astronomia. Era estranho o porquê ele gostava de pensar nela naquele lugar, já que fora ali que ele uma vez flagrara Perla aos beijos com Sirius Black.
E fora exatamente naquele dia que ele começou a sentir uma coisa diferente pela garota. Foi naquele momento que ele a viu com Sirius, que seus sentimentos se modificaram. E foi onde ele desejou estar no lugar dele.
Severo nunca se perdoou por Sirius ter conquistado o coração de Perla. E desde aquele dia passou a odiá-lo com todas as forças, apesar de não ter se dado conta de que odiava o maroto por ele ter a única coisa que jamais poderia ter: O amor dela.
Ele nunca se sentiu tão feliz como no dia em que viu Sirius sendo preso. Sabia que Perla jamais o perdoaria pela morte de Lílian, que era como uma irmã para ela. Sentiu uma ponta de esperança. Poderia ter o seu amor.
I've found a reason for me (Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be (Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new (Uma razão para começar zero)
And the reason is you (E a razão é você.)
Mas sabia que essa esperança era tola. Perla jamais o amaria como um dia havia amado Sirius. E ele se culpou. Se culpou por ter escolhido a ambição e o poder quando poderia ter tido o amor dela. Mas agora não havia mais volta. Por mais que se arrependesse de sua decisão. Ela estava perdida pra sempre.
− Não sabia que gostava de ver as estrelas? – uma voz feminina o tirou de seus pensamentos, enquanto ele olhava pela janela da sala.
− Eu não a tinha visto – ele respondeu sem jeito ao ver quem era a dona da voz – Eu posso voltar uma outra hora.
− A sala é o bastante grande pra nós dois, Severo – respondeu Elizabeth, frisando o nome dele – A menos que a minha presença te incomode.
− Eu não sabia que você estava no castelo... não apareceu no banquete de Natal – ele disse, encarando-a.
− Eu não gosto desse tipo de confraternização. Prefiro ficar sozinha – ela respondeu, também o encarando.
− Por que você foge tanto das pessoas? Tem medo de que?
− Medo? – ela perguntou, dando uma risada – Não sou eu quem tem medo, Severo. Você é quem deveria superar os seus, antes de tentar me intimidar.
− Acha que eu tenho medo de alguma coisa?
− Eu tenho certeza – ela disse, ficando bem próxima dele – E não é preciso muito para descobrir de que você tem medo.
− Eu adoraria saber... – ele respondeu, não se intimidando – Por que não me diz?
− Você tem medo de amar. Amar e não ser amado. Provavelmente amou alguém que não lhe correspondeu. Deixa eu pensar... você se apaixonou por uma garotinha que te trocou pelo aluno popular da escola?
Severo fechou a cara ao escutar as palavras de Elizabeth. Como ela poderia saber sobre Perla, se ele nunca falava desse assunto com ninguém?
− Acertei? – Elizabeth provocou ao ver a alteração no rosto de Severo.
− Você não sabe de nada – ele respondeu, segurando no pulso dela – Se acha muito esperta, não é? Mas você não tem a menor idéia do que eu fui e o que eu sou.
− Tenho mais idéia do que imagina – ela disse, aproximando seus lábios bem perto dos dele.
Severo sentiu um calafrio percorrer o seu corpo. Ele mirou os olhos de Elizabeth que o encaravam sem medo. Sentiu-se confuso, sem saber o que fazer.
− Minhas suspeitas se confirmam... a cada dia – ela disse, antes de se afastar, deixando-o imerso em seus pensamentos.
Severo se apoiou no parapeito da janela pensando em tudo que acabara de acontecer. Ele queria entender o motivo de ter se sentido daquele jeito perto da professora Stoller.
− Isso não pode estar acontecendo – ele disse, tentando controlar seus pensamentos.
Sem conseguir se conter, ele saiu correndo da sala, o mais rápido que suas pernas permitiram. Passou por alguns alunos em seu caminho, mas nem assim parou ou diminuiu o passo.
Ele chegou até a porta de seu quarto, abrindo a mesma com violência e trancando-a em seguida. Estava confuso, desesperado.
I'm sorry that I hurt you (Eu sinto muito ter te magoado)
It's something I must live with everyday (É algo que eu devo conviver todos os dias)
And all the pain I put you through (E toda a dor que eu te fiz passar)
I wish that I could take it all away (Eu gostaria de poder retirá-la completamente)
And be the one who catches all your tears (E ser aquele que apanha todas as suas lágrimas)
That's why I need you to hear (É por isso que eu preciso que você escute)
Por que ele se sentia alterado perto da professora Stoller? Ela era apenas mais uma professora do corpo docente de Hogwarts. Como tantas outras. Não havia motivo para se preocupar com o motivo que a fazia não estar presente durante as refeições já que Sibila Trelawney fazia a mesma coisa. E tampouco o fato dela ter uma filha devia incomodá-lo.
Por mais que negasse pra si mesmo, ele estava incomodado. De um jeito que não conseguia explicar, sempre se sentia nervoso e inquieto cada vez que encontrava com o belo par de olhos verdes. E desde o primeiro encontro com ela, não a conseguiu tirar mais de sua cabeça.
Ele sentou na cama e cobriu o rosto com as mãos. Queria chorar, mas não conseguiu. As lágrimas já haviam secado há muito tempo.
Severo abriu a gaveta da mesa de cabeceira e tirou de lá uma foto junto com um recorte de um jornal trouxa. A foto era de Perla.
Ele ainda conseguia se lembrar de cada momento da noite em que ele havia furtado aquela foto do porta-retrato na casa de dela. A noite em que ele ajudara Lúcio Malfoy e Emma Williams a matar os tios trouxas de Perla.
Ele colocou a foto em cima da cama e abriu o recorte de jornal amarelado com o passar do tempo. E que continha a pior notícia de sua vida. A única que ele jamais poderia esquecer.
Morre a Herdeira da Montanes & Cia.
Morreu ontem num acidente de carro, a herdeira da maior empresa de Marketing de Londres, Montanes & cia. Perla Montanes, que tinha 25 anos, estava a caminho de sua casa de campo na Escócia, quando perdeu o controle do carro e acabou capotando no mesmo lugar, onde anos antes sua mãe sofrera um acidente semelhante que também lhe tirara a vida. Perla, que tinha passado quatro meses no Brasil tentando se recuperar da trágica perda de sua quase irmã, Lílian Potter, tinha acabado de voltar a Inglaterra para retomar os negócios.
O Enterro será hoje a tarde no cemitério principal de Londres.
Severo fechou o recorte e ficou pensando na notícia que acabara de ler. Ele sabia muito bem que Perla não tinha estado quatro meses no Brasil e sim no Hospital St. Mungus para Acidentes e Doenças Mágicas, por causa do feitiço que Sirius fizera para matar Pedro Pettigrew e que no fim, acabara também tirando a vida dela.
Como ele odiou Sirius ainda mais no dia daquela notícia. No final, o maroto sempre saia vencedor. Conseguira o amor de Perla. E depois conseguira lhe tirar a vida para que ninguém mais tivesse o amor dela.
Desde que soube que Sirius não era um traidor, Severo fez questão de atormentá-lo sempre que podia, dizendo que ele era o responsável pela morte dela. E ele também não podia negar que ficara satisfeito com o que tinha acontecido com o maroto no Ministério.
Severo deitou na cama e tentou se lembrar da última vez que vira Perla com vida, antes dela ir para o St Mungus. Era sua recordação favorita.
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(Último Natal, antes dos Potter morrerem e Sirius ir para Azkaban)
Ele observou a garota sair do prédio trouxa no centro de Londres. Sempre tão bonita e elegante, mesmo quando estava vestida como uma trouxa.
Aproximou-se cautelosamente do local onde a bonita Cherokee vermelha estava estacionada. Sabia muito bem a quem pertencia aquele carro. E não queria que ela o visse, até estar bem próxima.
Perla andou a passos apressados até o carro. Ela sorriu ao se lembrar de que seria muito mais fácil e rápido se aparatasse, mas não podia fazer isso na frente da empresa que um dia fora de sua mãe. Abriu a bolsa a procura das chaves do veículo, encontrando-as rapidamente.
Ela procurou pela chave certa e já estava com mesma posicionada na fechadura da porta, quando sentiu alguém apertar o seu pulso.
− Severo? – Ela ficou pálida ao ver quem estava a sua frente.
I've found a reason for me (Eu encontrei uma razão para mim)
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And the reason is you (E a razão é você...)
− Não esperava me ver? – ele perguntou, ainda segurando o pulso dela.
− Pra falar a verdade, eu esperava nunca mais te ver – Perla respondeu, tentando se recuperar do susto que levou ao ver o ex-sonserino a sua frente – Já tem bastante tempo desde a última vez, não é?
− No Ano-Novo completam dois anos.
− Que precisão! – Perla respondeu meio sem jeito – A quem devo a honra de sua inesperada visita?
− Eu precisava te ver – Severo respondeu, baixando os olhos. Perla o encarou surpresa.
− Me ver?
− Precisava te agradecer pelo que fez comigo.
− Você não precisa me agradecer por nada – ela respondeu friamente – eu estava em dívida com você.
− Você sabe muito bem que não me salvou apenas de Azkaban – ele respondeu, encarando-a – Sabe disso muito bem. Sabe que fez coisas por mim, que eu não mereço que você faça.
I'm not a perfect person (Eu não sou uma pessoa perfeita)
I never meant to do those things to you (Eu nunca quis fazer aquelas coisas para você)
And so I have to say before I go (E então eu tenho que dizer antes de ir)
That I just want you to know (Que eu apenas quero que você saiba)
− Você salvou a minha vida, Severo. Tudo que eu fiz foi uma maneira de retribuir o que você fez.
− Eu segui o seu conselho...
− Me alegra saber que você procurou Dumbledore. Ele já havia me dito – Severo ficou surpreso com o que ela disse – E mais uma vez, eu fiquei em dívida com você.
− Você ainda me chama de Severo, apesar de tudo...
− É o seu nome, não é? Se importa? – ela fez sinal para a mão dele, que ainda segurava o seu pulso.
Severo a soltou na mesma hora. Ela colocou a chave na fechadura da porta e a abriu, mas ele segurou a porta para impedir que ela entrasse.
− Eu nunca vou esquecer o que você fez por mim.
− E eu nunca vou esquecer que não foi somente a minha vida que você salvou – Ela disse, encarando firmemente os olhos negros do homem a sua frente e que já não a intimidavam tanto quanto antes.
− Perla... – ela estranhou ao vê-lo chamando-a pelo seu primeiro nome.
Ele aproveitou o momento de instabilidade que causara em Perla, para puxá-la para mais perto de si, de modo que seus rostos ficaram bastante próximos. Perla sentiu um ligeiro tremor pelo seu corpo e não fez nada ao ver que ele aproximava seus lábios aos dele.
Perla sentiu o toque dos lábios de Severo nos seus, mas não permitiu que ele durasse. Afastou-se dele e sem hesitar, abriu novamente a porta do carro e entrou no veículo.
I've found a reason for me (Eu encontrei uma razão para mim)
To change who I used to be (Para mudar quem eu costumava ser)
A reason to start over new (Uma razão para começar de novo)
And the reason is you (E a razão é você...)
Severo sentiu um grande vazio dentro de si ao vê-la ligar o motor e sair com o carro. Ele sabia que por mais que Perla o perdoasse, ele jamais a teria. Tivera a oportunidade de tirá-la uma vez de Sirius, mas não a aproveitara. Agora era tarde demais.
Perla olhou uma última vez para ele, antes de colocar o carro em movimento. Sabia muito bem do arrependimento que Severo trazia consigo, mas sabia também que não podia fazer nada a respeito. Ela podia perdoá-lo por tudo que ele tinha feito. Mas nunca conseguiria amá-lo como Sirius.
Tentou pensar na festa de Natal que teria a noite, mas não conseguia desviar o seu pensamento do encontro que acabara de ter. Olhou pelo espelho retrovisor, mas não viu sinal de Severo, que provavelmente, teria desaparatado.
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− Perla?
− Sim, Thais? – Perla perguntou, abrindo os olhos.
− Você estava dormindo?
− Não. Estava apenas me lembrando.
− Lembrando... do que?
− Se lembra do último Natal que passamos juntos... todos nós?
− Como eu poderia esquecer? – Thais perguntou, ficando com o semblante triste – Foi o último Natal feliz que tivemos.
− Sirius tinha dado uma vassoura de presente pro Harry.
− Lily quase o estrangulou por isso.
− Bons tempos aqueles...
− Você nunca me disse por que chegou aquele dia tão diferente? – perguntou Thais curiosa.
− Diferente como? – estranhou Perla
− Você estava calada... como se tivesse acontecido alguma coisa.
− Eu devia estar sentindo que alguma coisa estava pra acontecer – respondeu Perla.
Ela não contara a ninguém do encontro com Severo. Aquele era um segredo entre ela e ele.
I've found a reason to show (Eu encontrei uma razão para mostrar)
A side of me you didn't know (Um lado meu que você não conhecia)
A reason for all that I do (Uma razão para tudo que eu faço)
And the reason is you (E a razão é você)
N/A: Olá Pessoal. Mais uma vez (como sempre!) mil desculpas pela demora. Eu estava super empolgada pra escrever e publicar esse capítulo até o dia que o "Harry Potter and half Blood Prince" saiu. Quem já leu o livro, ou está lendo ou sabe o que vai acontecer, acho que tem uma idéia do porque foi mais difícil do que o normal escrever esse capítulo. Juro que pensei "Vou desistir dessa fic!". Minha mente bloqueou e eu simplesmente não tinha mais forças e nem ânimo pra continuar essa história.
Pois é, mas depois de conversar com algumas pessoas (e receber algumas ameaças - brincadeira) eu resolvi que não era justo com quem lê a fic assim como não era justo comigo. Eu estou exatamente há um ano e meio escrevendo essa saga. E desde que o primeiro capítulo da primeira fic saiu que eu já tinha a idéia do que viria a seguir. Não é justo eu largar o trabalho de tanto tempo. Claro que eu sabia que a minha fic não teria nada a ver com o livro. Mas certas coisas ficam difíceis de serem escritas depois q ele saiu.
Enfim, isso tudo é só pra dizer que, eu NÃO vou alterar o meu roteiro em função do novo livro. Encarem essa fic como acharam melhor, seja uma UA, seja uma fic baseada em HP até o quinto livro. O fato é que eu vou continuá-la do jeito que eu planejei. E espero de coração, que aqueles que me acompanharam até aqui, continuem gostando.
No mais, Obrigada pela atenção e por me aguentarem. E espero que gostem do capítulo.
OBS: Muitos quase me "estrangularam" por eu ter feito o Remo mentir pro Harry. No próximo capítulo vcs vão saber o por que ele fez isso. Mas a resposta pra isso está nesse capítulo.
Dedicatória e Agradecimentos para:
Friendship Black, Luci Potter, Anaisa, Lele, Juliana Montez, Bru Malfoy Black, krol, Bruna Lupin Black, Srta. Wheezy & Jé Black
