Capítulo 7 – A Volta do Aluado
Harry, Rony e Hermione tomavam seu café da manhã no Salão Principal, quando o correio-coruja chegou. Harry sabia muito bem que Edwiges não traria nada pra ele e por isso continuou tomando seu café sem se preocupar.
Com o término das férias de Natal, as lembranças de sua conversa com Remo voltaram a fazer parte de seus pensamentos. Por mais que soubesse que a madrinha estava morta, sentia algo que o incomodava e que, mesmo sabendo que jamais a encontraria, ansiava por saber mais coisas sobre ela.
Hermione, que estivera lendo o Profeta Diário, deixou o em cima da mesa ao ver a expressão no rosto de Harry, que estava sentado a sua frente. Ela cutucou Rony que estava ao seu lado e os dois resolveram perguntar o que o estava incomodando.
− Qual o problema? – perguntou Rony para Harry, que demorou a perceber que a pergunta era para ele.
− Nenhum – respondeu Harry, pousando seus olhos em cima do Profeta Diário – Alguma novidade?
− Mais alguns ataques a trouxas – respondeu Hermione tomando um gole de suco – Agora será que você pode nos contar o que está te perturbando tanto?
− Não tem nada me perturbando.
− Pra cima da gente, Harry? – disse Rony – Nós somos seus amigos. Sabemos que você está diferente. É por causa daquela história da sua madrinha, não é?
− Eu não sei o que fazer... por mais que eu saiba que ela está morta, não consigo aceitar o fato.
− Nós sabemos que é difícil, Harry. Mas ficar pensando nisso não vai ajudar muito.
− Eu estive pensando – continuou Harry – E mesmo que ela esteja morta, eu ainda quero saber coisas sobre ela.
− Que coisas?
− Eu não sei, Rony. Mas não consigo simplesmente cruzar meus braços e aceitar que ela não pode falar comigo. Sinto como se eu precisasse saber tudo sobre ela... até mesmo, como ela... vocês sabem.
− Por que você não fala com o Lupin de novo, Harry? Ele pode te contar mais coisas sobre ela.
− Por que eu sinto que ele não vai querer me contar mais nada. Vocês se lembram de como ele relutou em contar alguma coisa!
− E o que você pretende fazer? – perguntou Hermione, que não via saída para o problema dele.
− Precisamos encontrar outra pessoa que tenha convivido com ela. Mas como não sabemos direito quem eram seus amigos eu pensei que...
− Poderíamos recorrer aos seus companheiros de casa – concluiu Hermione.
− Mas precisamente, aos companheiros de quarto – continuou Harry – Até mesmo por que as únicas pessoas que ainda sobraram daquela época foram as tais da Bagman e Patil.
− Mas nós não sabemos como encontra-las! – disse Rony, servindo-se de uma torrada.
− Bagman não... mas Patil sim.
− Exatamente Hermione!
− Você não está pensando em perguntar a Parvati se aquela mulher que estudou no mesmo ano que seus pais é a mãe dela? – perguntou Rony – Está?
− Eu precisaria de um favor seu! – respondeu Harry, sorrindo para Hermione.
− Considere feito! – a garota respondeu, pegando a mochila e saindo do Salão.
− Será que ela vai conseguir? – Harry perguntou para o amigo.
− O que a Mione não consegue?
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Héstia chegou na sede da Ordem aparentando muito cansaço e foi recebida por Tonks, que continuava com uma aparência de doente, apesar de já ter saído do St Mungus há bastante tempo.
Ela entrou na casa do Largo Grimauld e antes de fazer a pergunta que queria a metamorfomaga, viu uma pessoa sentada no sofá.
Andando devagar, ela caminhou até ficar lado a lado com Remo, encarando-o com alegria.
− Tudo bom com você?
− Tudo, Héstia. – ele respondeu sem encarar a mulher.
− Pois não é o que parece – Héstia disse, tentando fazer o maroto falar, não obtendo sucesso – Por que essa tristeza toda?
− Não é nada. Apenas pensando...
− Tonks me disse que você passou o Natal sozinho aqui – ela falou, com um sorriso estampado no rosto – Você podia ter ido passar o Natal comigo na casa dos meus pais.
− Eu preferi passar sozinho – ele respondeu, encarando-a pela primeira vez.
− Você está assim por causa do Sirius, não é? – Remo não respondeu – Tonks está do mesmo jeito que você. Eu sei que deve ser difícil encarar a perda dele, mas vocês têm que superar isso. Tenho certeza de que Sirius não ficaria satisfeito em vê-los tão pra baixo...
− Às vezes eu gostaria de esquecer... infelizmente, não é possível.
− Eu posso te ajudar! – Remo a olhou incrédulo – Sei que não posso fazer você esquecer a dor que sente pela perda de um grande amigo. Mas eu posso te ajudar a superá-la. E você sabe disso...
− Nós já conversamos sobre isso...
− Remo, por que você não me dá uma chance? Você sabe que eu posso te fazer feliz, sabe que eu não me importo que você seja o que é...
− Héstia, as coisas não são tão fáceis assim...
− Não são fáceis por que você não quer! – ela respondeu com raiva – Dumbledore tem razão quando diz que as pessoas têm o dom de escolher o que é pior para elas. Você fica aqui, sofrendo por causa de uma mulher que não está nem aí pra você, quando eu seria capaz de qualquer coisa pra te fazer feliz!
Remo mais uma vez, não respondeu. Ele encarou Héstia tentando absorver o que todas aquelas palavras rudes dela queriam dizer. Em seguida, levantou e saiu da casa.
− Você tinha que tocar na ferida dele? – Tonks perguntou, ocupando o lugar desocupado pelo maroto.
− Eu não agüento ver ele sofrendo por causa dela... se humilhando por causa dela... se ele estivesse com ela e fosse feliz, eu ficaria bem. Mas não suporto vê-lo desse jeito.
− E o que você vai fazer?
− O que eu posso fazer? ESPERAR!
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Remo aparatou no bairro trouxa onde Perla morava com Thaís. Ele andou depressa até a casa de dois andares, abrindo o portão de madeira. Pensou duas vezes antes de continuar a andar.
Respirou fundo e decidiu que estava na hora de fazer aquilo que tinha pensado. Foi até a porta da casa e ia tocar a campainha, quando viu que a mesma estava apenas encostada.
Com medo de que pudesse ter acontecido alguma coisa com alguma das duas mulheres, ele tirou sua varinha do bolso do casaco e abriu a porta bem devagar.
A sala estava em perfeita ordem, isto é, se encontrava exatamente do mesmo jeito desde a última vez que ele estivera ali. Ele pensou em chamar por umas das mulheres, mas parou no meio do chamado.
− Você está com sono? Eu vou te levar lá pra cima pra você dormir.
− Thais?
− Remo?
Era difícil dizer qual dos dois estava mais assustado. Se era Remo, que acabava de dar de cara com a ex-namorada segurando um bebê que não aparentava ter mais de seis meses, ou se era Thaís que levou um susto ao vê-lo na sua frente com o bebê no colo.
− Eu vim falar com a Perla... – Remo disse sem jeito, baixando a varinha sem conseguir tirar os olhos do bebê que segurava o cabelo de Thaís.
− Ela não está – Ela respondeu sem jeito – Talvez mais tarde você a encontre.
− Certo... eu volto mais tarde.
− Se não se importa... – Thais ficou muito vermelha – Eu gostaria de ficar sozinha – Remo fez um aceno afirmativo com a cabeça. Thais começou a subir as escadas quando ele a chamou.
− Quem é o bebê?
− O que? – ela ficou assustada e nervosa com a pergunta.
− Esse bebê não apareceu de uma hora para outra. Quem é ele?
− Ela... é uma menina...e... – a mulher não sabia o que dizer.
− E?
− Ela é minha filha – Thais disse, causando assombro em Remo.
− Sua filha? Como ela pode ser sua filha? – ele perguntou assustado com a resposta.
− Sendo...
− E quem é o pai?
− Remo, acho que já tem bastante tempo que nós terminamos... logo, eu acho que não lhe devo nenhuma satisfação de minha vida.
− Mas... – Remo tentou insistir, mas ela foi irredutível
− Se não se importa, você a está assustado – ela disse já que Remo estava quase gritando – Eu vou subir. Se puder fechar a porta quando sair eu te agradeço.
Remo viu Thais subir as escadas apressadamente e ficou sem saber o que fazer. Ele podia esperar por tudo. Mas a notícia de que ela tinha uma filha, que não podia ser dele, estava bem longe de sua imaginação.
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Harry entrou em seu quarto, pegou um objeto em seu malão e sentou na sua cama, fechando as cortinas. Em seguida, ele pôs se a observar o objeto que tinha trago consigo. A caixa marfim que ele pegara no quarto de Sirius no largo Grimauld. A caixa que o dera esperanças falsas de um dia encontrar sua madrinha.
Ele passou a mão pela superfície da caixa que era totalmente lisa, exceto por uma região perto da fechadura, onde ele encontrou escrito em alto relevo as iniciais S. B., que ele sabia muito bem que devia significar o nome do padrinho, Sirius Black.
Harry abriu a caixa e ficou olhando as fotos que estavam guardadas lá dentro. Ele já perdera a conta de quantas vezes tinha visto aquelas fotos desde que Remo lhe dera a triste notícia. Mesmo assim, sentia que algo estava errado. Sentia que ainda tinha muito o que descobrir.
Pegou a única foto que tinha alguma coisa escrito no verso. Uma foto trouxa de Sirius com Perla que tinha os dizeres "Lembrança de um dos nossos momentos mais felizes".
− Que momento feliz é esse? – Harry se perguntou, observando a foto com atenção.
Apesar da foto ser trouxa, ele notou que tanto Sirius como Perla estavam usando os uniformes de Hogwarts, o que significava que o "tal momento feliz" deveria ter acontecido dentro do castelo.
− Harry? – Harry arrumou as coisas correndo e as colocou de volta na caixa no exato momento que Rony abria a cortina.
− Aconteceu alguma coisa, Rony? – Harry perguntou no exato momento que fechara a caixa.
− Aviso.
− Mais uma visita em Hogsmeade? – Harry perguntou desinteressado.
− Na verdade é sobre as aulas práticas de Defesa Contra a Arte das Trevas.
− O que tem elas?
− Vão começar hoje a noite!
− Hoje a noite? – Harry ficou surpreso com a notícia – Mas a professora Stoller não me disse nada!
− Então acho bom você falar com ela. Porque, segundo o aviso que está lá embaixo, você começa a dar aulas hoje!
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Remo chegou a sede da Ordem numa confusão de sentimentos que ele não poderia explicar. Então sua ex-namorada tinha uma filha, que não podia ser dele, visto que a menina tinha por volta de seis meses e ele reencontrara Thais mais ou menos no mesmo período. Porque ela nunca lhe falara nada? E por que Perla também nunca mencionara o fato?
Ele subiu as escadas, querendo chegar em seu quarto, afundar a cabeça nos travesseiros e esquecer aquela imagem que teimava em aparecer a sua frente. Mas quando chegou no aposento, percebeu que ele não estava vazio.
Apesar de escuro, Remo pode ver de quem era o belo corpo que estava deitado em sua cama, agarrado em um dos travesseiro. Ele puxou uma cadeira e a colocou em frente a cama, de modo que pudesse olhar o rosto da mulher.
− Héstia... – ele a chamou, assustando-a, que quase deu um salto da cama ao vê-lo a sua frente.
− Remo... eu... me desculpa... eu...
− Não é a primeira vez que você vem ao meu quarto – ele respondeu de modo calmo, encarando a mulher – Por que você faz isso?
− Quantas vezes eu vou ter que dizer que eu te amo?
− E quantas vezes eu vou ter que te dizer que eu não posso te fazer feliz?
Remo levantou da cadeira e foi até a janela do quarto, respirando devagar e pausadamente. Héstia o seguiu e ficou ao seu lado, pegando sua mão.
− Porque você insiste em me afastar?
− Por que você merece alguém melhor do que eu.
− O que me importa se a única pessoa que eu quero é você – ela respondeu com um sorriso nos lábios. Remo deu um sorriso fraco, que logo se desfez.
− Eu não quero acordar depois de uma transformação e ver que você passou a noite em claro sofrendo junto comigo.
− Não acha que sou eu quem tem que decidir se quero esse fardo ou não? – ela perguntou, colocando as mãos no rosto dele – Eu quero enfrentar isso.
Remo não resistiu quando ela puxou seu rosto para mais perto do dela e tocou seus lábios de maneira calma e serena. Ele a abraçou e correspondeu ao carinho dela.
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− Onde você esteve?
− Eu acabei de chegar – respondeu Perla com calma – Pra que tanto nervosismo?
− Remo esteve aqui – respondeu Thais nervosa.
− Remo vem aqui quase todos os dias e você nunca se alterou por causa disso – Perla respondeu com naturalidade, sentando no sofá.
− Ele viu o bebê!
− Viu? – Perla perguntou sem se alterar – e daí?
− E daí que ele perguntou quem era!
− E o que você respondeu? – Thais sentiu um tom de preocupação na pergunta de Perla.
− O que você queria que eu respondesse? – Ela perguntou, perdendo a paciência – Eu disse que era minha filha.
− Então por que tanto nervosismo? – Perla perguntou com calma, enquanto Thais bufava de raiva – Agora nossos problemas estão resolvidos. Ele não voltara mais aqui. A menos que você quisesse que ele voltasse...
− Sabe muito bem que não! – Thais respondeu se acalmando e sentando no sofá ao lado da amiga.
− Não sei não. A última vez que eu deixei vocês dois sozinhos ele acabou dormindo na sua cama.
− Você quer parar com isso? Será que não percebe que a situação está saindo de controle?
− Estou vendo você sair de controle... – respondeu Perla tentando acalmar Thais – Por que você não me diz o que está acontecendo?
− Como assim? – Thais perguntou intrigada.
− Eu sei muito bem que o fato de você não perdoar o Remo não é só por minha causa... tem algo a mais. Por que não me conta?
− Por que você não acreditaria.
− Por que não experimenta?
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(Dia da prisão de Sirius)
− Onde você vai? - Remo perguntou ao ver que a namorada estava se arrumando para sair.
− Visitar a Perla.
− Não acredito que você vai ao hospital vê-la depois de tudo! – Remo falou com raiva
− Depois de tudo o que? – Thais perguntou intrigada.
− Depois de tudo que ela e Sirius aprontaram.
− Perla não teve nada a ver com o que aconteceu!
− Ah não? – Remo ficou ainda mais irritado – Ela sabia o tempo todo. Sabia que Sirius era um comensal. Sabia que ele estava traindo os próprios amigos. E ficou do lado dele. Ela deixou que Tiago e Lílian morressem!
− Perla jamais compactuaria com isso – Thais respondeu nervosamente – Jamais deixaria que algo de ruim acontecesse a Lílian. Ela a tinha como uma irmã!
− Então como você explica o que aconteceu?
− Perla não devia saber de nada... se é que Sirius é o responsável por tudo isso.
− Qual parte da história você não escutou? – perguntou Remo, aumentando seu tom de voz – Sirius era o fiel do segredo dos Potter. Ninguém mais poderia entregá-los.
− Ok, Remo. Suponhamos que Sirius fosse um comensal e que tivesse entregado os Potter para Voldemort. Acha mesmo que Perla compactuaria com isso?
− Ela era namorada dele, não era? Perla amava Sirius acima de qualquer coisa...
− Mas ela não deixaria que ele mandasse Lílian pra morte.
− Por que não? Se ela foi capaz de proteger Sirius quando ele matou a Emma.
− Agora eu entendi o seu problema – ela respondeu, também aumentando seu tom de voz - Você não se conforma que alguém tenha matado a sua ex-namoradinha estúpida.
− Não tem nada a ver com ela...
− Tem tudo a ver. Eu não posso acreditar que você, que sempre colocou a amizade acima de qualquer coisa, possa desconfiar de dois dos seus melhores amigos.
− SIRIUS MATOU TIAGO E LÍLIAN – Remo gritou, deixando Thais assustada.
− Pense o que você quiser. Eu acredito na Perla – ela disse com raiva.
− Perla devia ser um deles também. Não é a toa que ela estava com Sirius quando ele matou Pedro. Sirius deve ter se odiado por quase ter matado sua mulher.
− Ele jamais faria mal a ela.
− E por que não? Se ele foi capaz de entregar Tiago, a quem ele jurava que era como um irmão.
− Por que Perla estava esperando um FILHO dele! – Thais explodiu. Só depois ela percebeu o que havia falado.
− O que? – Remo perguntou, surpreso com a notícia.
− É isso que você ouviu!
− E ainda assim você vai visitá-la?
− Não é você quem vive dizendo que a amizade está acima de tudo? Perla foi minha amiga antes de você ser meu namorado – disse Thais com raiva, batendo a porta ao sair.
Thais sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, mas evitou a todo custo chorar. Ela precisava saber como a amiga estava. Precisava ser forte para encarar o que a aguardava.
Ao chegar no St Mungus, ela descobriu que Perla tinha sido levada para a ala de Danos Causados por Feitiços. Ela encontrou com Emmelina Vance no caminho, que a acompanhou até o quarto andar.
Thais primeiro viu Frank e Alice Longbottom deitados em uma cama num dos cantos da enfermaria Jano Thickey. Uma lágrima silenciosa escorregou de seu rosto ao ver o que tinha acontecido com uma de suas melhores amigas, a quem ela aprendera a gostar muito com o passar dos anos.
Em seguida, Emmelina a levou para a cama onde Perla estava. Apesar de inconsciente, Perla ainda mantinha a beleza de sempre. Os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro e o rosto sereno, de quem dormia um sono calmo.
− Ela vai ficar bem? – perguntou para Emmelina, sentindo um grande aperto no coração.
− Não sabemos ainda – a curandeira respondeu, olhando para Perla – Foi uma sorte muito grande ela ter sobrevivido. Quando ela chegou aqui, eu pensei que estivesse morta.
− Vocês não podem fazer nada? Digo, não há nada a ser feito pra ela melhorar?
− Thais, ela foi atingida por um feitiço muito forte e está inconsciente. A única coisa que podemos fazer por ela é esperar pra ver se o corpo dela vai resistir. Qualquer tentativa de reanimação pode ser fatal.
− Eu queria poder fazer alguma coisa.
− Eu sei como se sente – respondeu Emmelina, consolando-a – Dumbledore acha que ela vai se recuperar. Eu tenho minhas dúvidas quanto a isso. Só o tempo nos dirá.
Thais olhou uma última vez para Perla antes de sair da enfermaria. Ela caminhou sem parar até a saída do hospital pensando no fim trágico que a guerra com Voldemort havia causado. Tiago e Lílian estavam mortos e o pequeno Harry entregue nas mãos de Petúnia, que odiava magia acima de qualquer coisa. Alice e Frank torturados até a loucura e o pequeno Neville tendo que ser criado pela avó. Sirius em Azkaban e Perla, a quem ela tinha aprendido a gostar como uma irmã desde a morte de seu pai, estava a beira da morte em uma cama de hospital. E quanto a ela e Remo... não sabia qual seria o destino do relacionamento dos dois.
Ela andou bastante pelas ruas de Londres, pensando no que faria de sua vida a partir daquele momento. Por um momento pensou na hipótese de ir morar com sua mãe no Brasil, mas sabia que Remo não aceitaria.
Uma fina chuva começou a cair, mas ela não se importou e deixou que a água caísse em seu rosto. Sentia como se aquela chuva pudesse aliviar toda a dor que sentia naquele momento.
Quando chegou ao prédio onde morava com Remo, tudo que ela queria, era um bom banho quente e depois, deitar em sua cama e esquecer por um momento de tudo que tinha acontecido.
Como o prédio que morava era trouxa, ela sempre entrava pela porta da frente ao invés de aparatar. Abriu a porta bem devagar, sentindo suas forças abandonando seu corpo. Entrou no aposento, largando as chaves no primeiro lugar que encontrou e caminhando em direção ao quarto.
Foi quando ela teve a visão da coisa que menos esperava. Seu coração se partiu ao meio, como se alguém tivesse pegado uma faca e o cortado. Nem ela mesma soube dizer quanto tempo ficou parada na porta do quarto contemplando a cena. Em seguida, ela enxugou as lágrimas silenciosas que caiam sobre seu rosto, pegou as chaves e saiu novamente.
Remo e outra mulher. Ela podia esperar que o maroto fizesse qualquer coisa com ela. Menos traição. A cena dele deitado em sua cama, onde haviam feito tantas juras de amor, dormindo abraçado com uma mulher, que ela conhecia bem, ficariam se repetindo a sua frente mesmo depois de tantos anos do acontecido. Naquele momento, Héstia Jones havia tirado o único pilar de sustentação que ela tinha. E Thais jamais conseguiria perdoa-los por isso.
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− Sinceramente eu não consigo acreditar que Remo tenha te traído – falou Perla com sinceridade, após o relato de Thaís.
− Que parte você não entendeu, Perla? – perguntou Thais com arrogância - Eu vi os dois juntos. Ninguém me contou.
− Eu o conheço há muito mais tempo que você. Sei que Remo jamais seria capaz de fazer isso com você!
− Será que não? – questionou a morena – Você mesmo me disse que ele uma vez traiu a Emma com você.
− São duas coisas completamente diferentes – respondeu Perla, se levantando – Naquela época Remo era apaixonado por mim. E também não foi uma traição... foi apenas... um beijo.
− Quem me garante que ele não seria capaz de me trair se já traiu alguém uma vez?
− Por que ele te amava – respondeu a loira, perdendo a paciência – Deve haver uma explicação para o que aconteceu.
− Perla, Héstia também fazia parte da Ordem. Não acha estranho que Remo não quisesse que eu fizesse parte? Você não acha isso um tanto suspeito?
− Sirius também nunca me deixou participar.
− Quem sabe ele também não teria um caso – Thais respondeu sem pensar em suas palavras, deixando Perla alterada.
− Thais, você tem sido uma amiga maravilhosa nos últimos anos – respondeu a loira de modo bem frio - Mas se você tentar sujar o nome de Sirius novamente, nós teremos uma briga muito séria e eu não te perdoarei por isso.
− Me desculpe, Perla. Eu falei sem pensar – Thais pediu sem jeito, mas Perla continuou a encará-la com frieza – Tudo que está acontecendo tem me deixado muito confusa.
− Eu entendo o que você está sentindo. Por que eu também me sinto assim.
− Perla, toda essa situação está saindo de controle – Thais levantou, parando em frente a loira – Você não tem mais motivos para continuar aqui. Por que nós não vamos embora?
− Ir embora?
− Você veio pra Inglaterra porque Fudge a chantageou. Ele nem é mais o Ministro da Magia. E Sirius também não está mais aqui... – Thais disse com calma, observando a reação de Perla - Nós podemos ir embora de uma vez e acabar com todo esse sofrimento.
− Sabe muito bem que eu não posso ir embora... – Perla respondeu, ficando nervosa.
− Acha mesmo que Harry vai perdoá-la se souber que está viva?
− Eu não posso ir. Não posso ir embora novamente sem vê-lo, sem lhe dizer tudo o que aconteceu. Devo isso a Lílian. Devo isso a Sirius.
− Então me promete que depois que você contar toda a verdade ao Harry, nós iremos embora definitivamente?
− Eu só preciso fazer uma coisa, além disso...e então poderemos ir embora – Perla respondeu em voz alta, falando mais para si própria do que para Thaís.
− Fazer o que?
− Nada... – Perla respondeu ao perceber que Thais a encarava – Eu estou tão cansada que já estou falando bobagens. Vou subir pra descansar.
Thais viu Perla subir as escadas e sentiu um nó se formando em sua garganta. Sabia muito bem que Perla não estava apenas cansada.
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Muitos alunos aguardavam no salão principal a chegada da professora Stoller para terem sua primeira aula prática de Defesa Contra a Arte das Trevas. Além dos alunos que fariam as aulas, muitos outros estavam no salão, curiosos para saber como essas aulas seriam e quem seria o professor auxiliar de Elizabeth.
− Desde que não seja o Snape pode ser qualquer um – resmungou Rony, olhando ansiosamente para os lados – Será que ela nunca ouviu falar em "pontualiadade britânica"? Já passou da hora marcada.
− Ela não é britânica... – Hermione falou si mesma.
− Isso explica o porquê ela não é pontual – retrucou Rony, que continuava olhando para os lados.
− Como sabe que ela não é britânica? – Harry perguntou com curiosidade para a amiga.
− A professora Vector me contou. Disse que ela estava tendo certos problemas em se adaptar ao clima da Inglaterra.
− Mas, de onde ela veio? Onde ela morava?– Harry perguntou, ainda curioso.
− Provavelmente no inferno – respondeu Rony, se metendo na conversa – Ou junto com o Snape...
− Estados Unidos – respondeu Hermione, sem dar atenção ao comentário de Rony.
− Mas dizem que o clima de lá não é tão diferente do daqui – Harry respondeu. Hermione apenas balançou os ombros.
− Ah por favor... me diga que não é ele quem vai ser o outro professor – choramingou Rony, apontando para a pessoa que entrava no salão.
Severo entrou no Salão Principal olhando atentamente para todos os lados, mas não viu o menor sinal da professora Stoller. Ele deu um sorriso fraco ao ver a cara de desespero de alguns alunos ao vê-lo, que certamente pensavam que ele era o professor que Elizabeth prometera para as aulas. Mas assim como eles, ele também estava curioso para saber quem é.
− Atenção alunos – a voz de Elizabeth atraiu a atenção de todos os alunos que estavam no salão e principalmente, a atenção de Severo – Hoje começaremos nossas aulas práticas. Nós dividiremos os alunos de acordo com o seu nível de conhecimento. Todos serão testados por mim e no final teremos turmas básicas e avançadas. O sr Potter junto comigo, treinará os alunos que tiverem um conhecimento mais avançado. E quanto aos outros alunos, eles serão treinados por um outro professor que eu escolhi. Ele deve estar chegando a qualquer momento.
− Ainda bem que não é o Snape – Rony cochichou no ouvido de Harry, que não pode deixar de sorrir ao pensar que não teria que ouvir as reclamações do professor de Poções.
− Aí vem ele – exclamou Elizabeth, apontando para o homem que entrava no salão.
Ele tinha os cabelos castanhos, que perderam a cor, tornando-se grisalhos. Os olhos também castanhos, com profundas olheiras e aparentando cansaço. E as vestes surradas e remendadas como sempre.
− Eu lhes apresento o professor Remo Lupin.
O queixo de Harry caiu ao ver que era Remo quem daria as aulas. Mas ele não era o único que estava surpreso. Muitos alunos, que também haviam tido aulas com Remo estava surpresos por ver o professor novamente no castelo. Mas ninguém ficou tão surpreso como Severo.
− Nós teremos aula com ele? – Draco perguntou com desdém, fazendo cara de quem estava bastante ofendido.
− Você conhece alguém melhor do que ele para ensinar Defesa Contra a Arte das Trevas? – perguntou Elizabeth com sua habitual frieza – Se tem alguém aqui neste salão que tem algum problema em ter aulas com o professor Lupin, pode abandonar esta aula imediatamente,
− Ninguém se mexeu. Nem mesmo Draco saiu do lugar. Remo era de longe, o professor de DCAT do qual os alunos mais gostaram dentre todos os que assumiram o cargo. E muitos estavam mais do que satisfeitos em vê-lo de volta.
− Sendo assim, está na hora de começar!
Elizabeth testou cada um dos alunos dividindo-os em grupos. Harry foi o único que não foi testado. No final, ele acabou sendo designado a treinar um grupo no qual a maior parte dos membros tinha feito parte da AD.
Ao final da aula, a professora deu as instruções para a próxima aula e em seguida foi falar com Remo, antes de se retirar.
− Foi uma excelente aula, sr Lupin. Estou satisfeita com seu desempenho.
− Eu agradeço a oportunidade, Srta. Stoller – respondeu Remo, observando atentamente a mulher a sua frente.
− Pode me chamar de Elizabeth – ela disse, dando um sorriso – Nós vemos na semana que vem?
− Claro... – ele disse. Elizabeth mencionou se afastar, mas ele lhe fez uma pergunta que o fez ser analisado pela professora, antes de receber a resposta – Por acaso nos já nos conhecemos?
− Eu receio que não – ela respondeu depois de algum tempo - Eu me lembraria se o conhecesse.
Ela se afastou em seguida, caminhando o mais rápido possível. Porém, antes que chegasse ao seu quarto, foi novamente detida.
− Excelente aula, Elizabeth.
− Fico feliz que tenha gostado, Severo – Ela respondeu, tentando voltar a andar, mas ele a segurou.
− Por que você chamou ele pra te ajudar?
− Eu não sei se você sabe, mas não tem muitas pessoas querendo ensinar essa matéria aqui em Hogwarts. Dizem que traz má sorte. Eu examinei os últimos professores e achei que ele era o único qualificado – Ela disse sorrindo cinicamente - E se você pensar bem os últimos professores não foram muito bem... digamos, sucedidos... um morreu, um está tão mal no St Mungus que não lembra o próprio nome, um está mais morto do que vivo em Azkaban, lembrando que ele era um falso professor...ah é claro. Não acredito que possa ter passado pela sua mente que eu pudesse chamar Dolores Umbridge?
− Eu apenas não acho seguro chamar um lobisomem para dar aulas neste castelo.
− E quem você acha que eu deveria ter chamado? Você? – ela perguntou de modo provocante – Por favor, Severo. Nem mesmo Dumbledore confia em você para professor dessa matéria. Acha que eu devo confiar?
Severo não respondeu a provocação. Por um minuto ele ficou encarando a professora sem dizer nem uma palavra. Ele teve a nítida impressão de conhecer aquele olhar de algum lugar. Elizabeth sentiu-se desconfortável ao ser analisada pelo professor de Poções, que percebeu a alteração.
− Está nervosa?
− Por favor! Até o Filch me deixaria mais nervosa que você!
− Você esconde um segredo, Elizabeth... – ele provocou, mas ela voltou a encará-lo com frieza – Um segredo que eu vou descobrir.
− Boa investigação, detetive. Me procure se descobrir alguma coisa – ela respondeu se afastando.
Severo apenas sorriu. Ele sentiu que já havia descoberto o segredo da professora. Só precisava de provas.
N/A: Acho que dessa vez não demorei tanto pra atualizar. Eu gostaria de agradecer a todos os comentários que recebi e a toda força e incentivo que vcs me deram. O resultado disso é esse capítulo em agradecimento a todo esse carinho que vocês têm me dado. Prometo tentar não demorar nos próximos capítulos. Antes que eu me esqueça, a música do capítulo anterior, que eu esqueci de dizer, é The Reason do Hoobastank.
Eu disse que motivo do Remo ter mentido pro Harry ia ser dito nesse capítulo. Na verdade será no próximo. Muita gente já entendeu o porque, então não ficará curioso para saber. A fic está começando a chegar na parte que eu gosto. Espero que vocês também gostem. A propósito, eu não sou malvada por fazer o Remo estar sendo esse cafajeste (Se Ana Luhtor estivesse lendo diria que eu sou partidária de Voldemort). Em breve vcs vão entender tudo o que aconteceu.
Agradecimentos e Dedicatória para:
Anninha:Fico muito feliz que você tenha conseguido comentar. Suas reviews são muito importantes pra mim, pois, como não canso de dizer, você é a responsável por essa fic existir. Bjos.
Gabizinha Black:Você é quem fez meu dia feliz com o seu comentário. Eu já acabei de ler o livro e confesso que as vezes me sinto bloqueada em escrever essa fic. Mas sabendo que conto com o seu apoio me sinot mais motivada. E fico honrada em saber que gosta tanto da Perla/Sirius assim. Bjos
Bruna Lupin Black:Bom, você vai ter que esperar mais um capítulo pra saber porque o Remo mentiu pro Harry. Mas fiquei muito feliz com seu comentário e incentivo. Prometo tentar atualizar a fic mais rápido. E o quanto ao sexto livro...melhor nem falar. Bjos
Bruna Malfoy Black:Feliz dia do amigo super atrasado(hehehe). Pode ficar tranquila que eu não vou desistir da fic não. Ainda mais sabendo que você gosta dela. Como eu disse, vou tentar manter o roteiro original. talvez aconteça algumas mudanças, mas nada parecido com o HP6. Bjos.
Srta Wheezy: Obrigada pelo apoio. Me ajuda bastante receber comentários como os seus. prometo que não vou abandonar a fic. Ela vai continuar do jeito que tinha planejado. E espero que você goste. Bjos.
Thaisinha:O que achou do capítulo? Vc é bem malvada, não acha? Brincadeira. Espero que tenha gostado. Confesso que fui malvada em alguns pontos. Mas depois tudo se explica. Bjos.
Luci Potter: O que dizer quanto a sua pergunta? Isso é um mistério que em breve será revelado. Tudo que posso dizer é que você está indo pelo caminho certo. Obrigada pelo incentivo e por ser minha fã. Não tem idéia de como isso me incentivou. Bjos
Anaisa:Ainda não li o Epílogo da sua fic (Dynha morrendo de vergonha), mas pode ter certeza de que vou ler. E quero ver a Perla tb na outra fic. Ah e vc acertou o motivo da mentira do Remo pro Harry. É a sua opção número 3. Bjos.
Lele:Dessa vez eu não demorei tanto pra postar. Digamos que o Snape já começou a entender o jogo da Elizabeth. E pode ter certeza de que de bobo ele não tem nada e vai investigar essa história direito. Fico feliz que tenha gostado do capítulo. E feliz por me apoiar e incentivar a continuar a fic. Bjos.
Krol:Realmente dá uma pena do Snape no capítulo anterior. Mas era justamente essa a intenção. Espero que vc goste desse capítulo. Como eu acabei de te dizer no MSN, fiquei até as 3 da manhã pra terminar de escrevê-lo. Bjos.
