Capítulo 8 – Encontros em Hogsmeade


Hermione abriu a porta do dormitório feminino com dificuldade. Como de costume, a garota vinha tão carregada de livros que mal conseguia andar. Ao entrar, ela viu que Lilá Brown e Parvati Patil estavam sentadas em uma das camas. Deu um sorriso para as garotas e continuou andando.

Porém, antes que conseguisse chegar a sua cama para se livrar do enorme peso que carregava, ela tropeçou em alguma coisa que não conseguiu identificar, e por muito pouco não caiu no chão. O mesmo não aconteceu com os livros.

As outras duas garotas que estavam no quarto, trocaram risadinhas entre si e em seguida, foram ajudar Hermione a pegar todos os livros que tinham caído. Quando Lilá foi entregar o último exemplar, o título do mesmo prendeu sua atenção.

− Anuário de Hogwarts? – ela leu em voz alta – Eu não sabia que Hogwarts tinha um anuário. Você sabia disso, Pat?

− Não – respondeu Parvati, ficando ao lado da amiga. As duas começaram a folhear o anuário, enquanto Hermione, cansada de esperar por ele, foi deixar os outros em sua cama, antes que eles caíssem novamente.

− Olha aqui, Pat. É a sua mãe! – exclamou Lilá. Parvati apenas sorriu.

− Vamos descer? – ela falou e sem esperar a resposta de Lilá, abriu a porta do quarto e saiu.

− O que deu nela? – Hermione perguntou, bastante curiosa.

− Por que você está com esse anuário?

− Eu peguei para mostrar ao Harry – Hermione respondeu, percebendo que Lilá tinha fugido a sua pergunta – Os pais dele estudaram nesse ano. Mas eu não sabia que a mãe da Parvati também.

− Pelo visto eram todos do mesmo ano! – a loira respondeu entregando o anuário aberto para Hermione.

− Quem é a mãe dela? Seria essa aqui? Penélope Patil? – Lilá confirmou - Engraçado, a Parvati ter o mesmo sobrenome da mãe.

− Olha, não deixa ela saber que eu te contei – disse Lilá e Hermione fez uma expressão de que isso nunca tinha passado pela sua cabeça – Quando a mãe dela ficou grávida dela e da Padma, ela não era casada. O pai das meninas era um trouxa, que não quis assumir as filhas. Ela se casou depois, é claro. Mas as meninas foram registradas com o nome dela.

− Nossa! – exclamou Hermione, surpresa com a informação.

− Posso te perguntar uma coisa? – Hermione concordou – Tem alguma coisa entre você e o Rony?

− Amizade? – disse Hermione como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

− Algo mais? – insistiu a loira.

− Entre mim e o Rony? – Hermione começou a rir – Não. De jeito nenhum. Somos só amigos!

− Que bom! – respondeu Lilá, saindo do quarto.

Hermione sorriu. Seu plano dera certo. Ela sabia que Lilá não resistiria e abriria o anuário de Hogwarts. Então seria só perguntar se Penélope era mãe de Parvati, sem que ela desconfiasse de nada. O que ela não esperava era a pergunta de Lilá. Por que ela queria saber se havia alguma coisa entre ela e Rony?

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O trio caminhava lentamente para Hogsmeade. Ainda era cedo para o encontro que eles tinham marcado com Penélope Patil. Harry ficou surpreso que a mãe das gêmeas tivesse aceitado seu convite para uma conversa. Só não sabia direito o que perguntar a ela.

Eles decidiram visitar as lojas do povoado, antes de irem para o lugar onde tinham marcado o encontro. Rony quis ir a Zonko´s, mas Hermione ficou com medo que os meninos acabassem perdendo a hora do encontro com os produtos da loja e então, eles acabaram indo somente a Dedos de Mel.

O relógio de Hermione marcava cinco para as três, quando eles entraram no Madame Puddifoot. Harry sentiu um aperto no estômago ao se lembrar do desastroso encontro que tivera com Cho no ano anterior. Mas Hermione achou que seria melhor se eles conversassem ali ao invés de irem para o Três Vassouras, que estaria bem mais movimentado.

A decoração era a mesma que Harry tinha visto quando estivera no lugar a última vez. Tudo estava decorado com laços e babados, com querubins dourados pairando em cima das mesas. Como sempre, só havia casais no lugar, todos de mãos dadas e alguns se beijando. Entre eles, ele viu Gina e Dino. E sentiu-se estranho ao ver o casal.

Não demorou nem dez minutos e a porta se abriu dando passagem a uma bela mulher. Seus cabelos eram negros, bem escuros, presos em um coque bem firme no alto da cabeça. Os olhos também eram escuros. Ela era alta e bem magra. Uma cópia perfeita das gêmeas, segundo constatou Rony.

Harry acenou para a mulher, que sorriu e foi sentar-se com eles. Ela mal tinha acabado de se sentar na cadeira, quando Madame Puddifoot, veio perguntar se eles queriam alguma coisa. Penélope pediu um chá. Rony, Hermione e Harry pediram água.

− Então você deve ser Harry Potter – Penélope disse, se detendo na cicatriz dele – Já escutei muitas histórias sobre você. Seus amigos...

− Hermione Granger e Rony Weasley.

− Weasley? Sim, eu devia ter imaginado. Conheço seu pai. E também algumas reclamações por parte de minha filha – ela disse com um sorriso, fazendo as orelhas de Rony corarem – E você, Hermione. Parvati já me falou muito sobre você também. Melhor aluna da escola.

− Não chego a tanto – respondeu Hermione, sem graça.

− Então Harry, eu fiquei realmente surpresa com o seu convite. Confesso que me senti tentada a recusar. Porém, você disse que era de vital importância. Por isso estou aqui. Em que posso ajudá-lo?

Harry abriu a mochila que levara consigo e dentro retirou o anuário de Hogwarts do ano que seus pais haviam formado. Ele entregou a mulher a sua frente, que sorriu ao ver do que se tratava.

− Bons tempos aqueles...

− Senhora Patil...

− Pode me chamar de Penélope, Harry – Ela respondeu, folheando o anuário.

− Tudo bem, Penélope. Como você deve saber, você estudou no mesmo ano e era da mesma casa que meus pais...

− Oh sim... você quer que eu te conte coisas sobre eles?

− Na verdade... – Harry sentia-se extremamente desconfortável - Você deve saber que Sirius Black era meu padrinho...

− Eu lamento muito pelo que aconteceu com ele – Penélope respondeu, fechando o livro – Ninguém esperava que ele pudesse passar para o lado de Você-Sabe-Quem...

− Ele não... – começou Harry, mas Hermione o interrompeu.

− Penélope, nós acabamos descobrindo que Harry tinha uma madrinha – Ela abriu o livro novamente e apontou para uma foto – Perla Montanes.

− Se Sirius Black era o seu padrinho era de se esperar que Perla fosse sua madrinha. Ela e Lílian eram amigas inseparáveis.

− Então você a conheceu?

− Nós dormimos durante sete anos no mesmo dormitório, Harry – Ela respondeu e Harry se animou. Porém, ela percebeu a animação dele e tratou de completar – Porém, se quer maiores informações sobre ela, eu não sou a pessoa mais indicada. Apesar de anos de convivência, nós não tínhamos muita amizade. Ela já chegou em Hogwarts conhecendo Lílian e depois as duas fizeram amizade com Alice Satins. As três viviam juntas o tempo todo. Eu era mais amiga de Kelly.

− O que nós queríamos saber – continuou Hermione, ao ver que Harry desanimara – É como ela era, quem eram seus amigos, se ela se casou... qualquer coisa que você possa nos informar.

− Vocês devem saber que ela era namorada do Black – os três confirmaram – eles começaram a namorar no sexto ano. Logo depois foi a vez de Tiago e Lílian começarem a namorar. A partir daí, as duas, mais Alice, só andavam com os marotos... Tiago, Sirius...

− Remo e Pedro – Completou Rony.

− Exato. E Frank Longbottom também. Se querem um relato completo da vida dela, eles são as pessoas mais indicadas.

− Meus pais estão mortos, Sirius está morto, Alice e Frank no Hospital incapazes de reconhecer seu próprio filho e Pedro...

− Perguntem ao Lupin – Ela completou – Ele era o melhor amigo de Perla, antes dela começar a namorar com Sirius. Claro, eu indicaria Edgar Bones, mas infelizmente ele também está na lista dos que não estão mais aqui.

− Sabe onde Perla está? – perguntou Hermione, deixando Rony e Harry intrigados com a pergunta.

− Infelizmente não.

− Não sabe se ela está... morta? – insistiu Hermione.

− Talvez esteja. Talvez não. A última vez que a vi foi no enterro dos Bones. Naquela época minhas filhas tinham acabado de nascer. Eu saí da Europa por uns tempos, com medo de que alguma coisa acontecesse a elas – Penélope disse e eles viram uma lágrima se formar em seu olho – Tudo que sei é que a Perla teve algum acidente ou coisa parecida. Algo relacionado ao dia que o Black foi preso. Mas infelizmente eu não saberia dizer se ela sobreviveu ou não.

Os três ficaram em silêncio. Harry sentia-se ainda mais confuso. Ele viu todas as esperanças que tinha de saber alguma coisa sobre Perla se evaporando. Se Penélope não sabia ao menos se ela estava morta ou não, ele duvidou que ela soubesse de mais alguma coisa que lhe interessasse.

− Vocês querem saber mais alguma coisa? – Ela perguntou, terminando de beber seu chá – Por que eu gostaria de aproveitar que estou aqui e ver minhas filhas.

− Não – respondeu Harry.

− Eu sinto muito por não poder ajudá-lo, Harry - Ela respondeu, se levantando.

− Penélope, uma última pergunta – falou Hermione, antes que a mulher se afastasse – Você sabe como entramos em contato com Kelly Bagman?

− Kelly Bagman?

− É, você e ela são as últimas pessoas que se formaram naquele ano que poderiam nos dar alguma informação.

− Então eu sou a última – respondeu Penélope, deixando uma lágrima escorrer pelo seu rosto – Acho que não fui muito clara. Kelly está morta.

− Morta? – perguntou Harry

− Ela era esposa de Edgar Bones. Morreu no mesmo dia que o marido e as filhas.

Harry sentiu todas as suas esperanças acabarem. Então Kelly Bagman estava morta. Penélope não sabia de nada. E Remo não iria falar mais nada. Ele jamais saberia qualquer coisa que fosse sobre Perla.

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Perla sentiu um arrepio ao entrar na Casa. Sabia muito bem que aquele calafrio não era por causa dos boatos de que aquela casa era mal assombrada. Sempre soube que os uivos que todos escutavam no povoado vinham das dolorosas transformações de Remo.

A sensação que passava por todo o seu corpo era de que estava voltando no tempo. Voltando para a época mais feliz de sua vida. Onde seus amigos ainda estavam com ela. E ele.

Ela subiu os degraus da escada, se lembrando de quantas vezes estivera ali. Não haviam sido muitos, mas em todas elas, tinham sido momentos felizes.

Abriu a porta do quarto, onde havia uma janela recoberta por tábuas, o que dava uma aparência mais sombria e desabitada a casa. Ela correu o dedo rapidamente em cima dos poucos móveis que ainda havia no aposento. Em seguida, sentou-se na cama, lembrando dos bons momentos que vivera em Hogwarts.

Aos poucos ela conseguia ouvir a vozes. Todos estavam ali e todos falavam com ela. Lílian, Alice, Remo, Tiago, Sirius...

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(Sétimo ano dos Marotos em Hogwarts - Aniversário de Perla)

− Eu posso saber pra onde você está me levando? – perguntou a bela garota, que estava com a visão escurecida para não ter idéia para onde estava indo.

− Não até chegarmos lá! – Uma voz sedutora respondeu bem perto de seu ouvido, fazendo ela sentir um calafrio por todo o corpo.

Os dois saíram do castelo. A menina era puxada pelo garoto debaixo de uma capa de invisibilidade. Eles andavam bem juntos, mas como ela não estava enxergando, ele a estava guiando. Uma leve brisa soprou fazendo a capa levantar alguns centímetros, balançando os cabelos da garota.

− Sirius, nós estamos fora do castelo. Se alguém nos pegar, estamos fritos.

− Quantas vezes eu vou ter que te dizer para confiar em mim? – Sirius perguntou, parando de andar quando estavam no meio do jardim.

− É só que... – Perla tentou argumentar, mas o maroto colocou o dedo em seus lábios.

Pequena ... Se você confia em mim, não há o porque se preocupar.

Perla sorriu e deixou que o namorado continuasse levando-a, não se importando qual seria o destino. Como ele mesmo havia dito, se ela estava com ele, não havia com que se preocupar.

Depois de mais alguns passos, Sirius parou novamente. Perla pensou que eles finalmente tinham chegado, mas ficou surpresa quando percebeu onde estavam.

− Rabicho, é a sua vez! – disse Sirius, retirando o pequeno rato branco de seu bolso e o colocando no chão.

Perla escutou um barulho que ela conhecia bem. Era como se houvesse um enorme chicote a sua frente, tentando golpeá-los a todo custo.

− Eu posso saber o porque você me trouxe pro Salgueiro Lutador?

− Você já vai saber! – Sirius respondeu despreocupado, não dando importância a expressão de medo que passou no rosto da namorada.

− Será que você pode me devolver a minha visão? Eu não me sinto bem em estar perto dessa árvore sem poder enxergar!

No mesmo instante que Pedro, em sua forma animaga, apertava o nó do tronco da árvore, fazendo o Salgueiro Lutador parar de se debater, Sirius devolvia a visão de Perla, que sentiu-se um pouco tonta ao ver que conseguia enxergar novamente.

− Como se sente? – ele disse, olhando bem para a garota.

− Bem...

− Bem? Eu esperava que você se sentisse melhor do que isso. Não é qualquer garota que tem a chance de abrir os olhos e dar de cara com esse monumento.

− Eu já estou acostumada com esse belo par de olhos azuis – ela respondeu sorrindo e selando rapidamente os lábios do maroto – Posso saber por que você me trouxe aqui?

− Se esperar mais um pouco, vai saber.

Sirius sorriu e eles continuaram andando em direção ao buraco que havia na raiz. Eles chegaram em um túnel muito baixo e muito longo. Perla desanimou só de pensar no quanto eles teriam que andar. Mesmo assim, ela continuou seguindo atrás de Sirius, que agora mantinha a varinha acessa a sua frente e já havia despido a capa da invisibilidade.

Depois de algum tempo, eles avistaram um espaço mal iluminado por meio de uma pequena abertura. Ao chegarem, Perla viu que se tratava de um quarto muito desarrumado e que não devia ser limpo há muito tempo, visto que a poeira se acumulava por todos os lados. As janelas estavam vedadas com tábuas, o papel de parede estava descascado. O chão estava manchado e os móveis todos quebrados.

− Bem se vê que as transformações do Remo não são fáceis – ela disse, observando bem o aposento. Porém Sirius a puxou e fez sinal para prosseguirem.

Eles passaram por uma porta que havia na direita do quarto, que dava para um corredor ainda mais sombrio. Perla acendeu sua varinha para tentar enxergar alguma coisa a sua frente, já que o feixe de luz que saia da varinha de Sirius não era suficiente. Mas não adiantou muito.

Subiram uma escada, que assim como o quarto, também continha uma camada considerável de poeira. No final da escada, havia somente uma porta e estava fechada.

− Sirius, o que estamos fazendo aqui? – Perla perguntou assustada – Esse lugar me dá arrepios.

Mas o maroto não respondeu e continuou andando. Perla parou no topo da escada e ficou observando-o abrir a porta. Assim que Sirius viu que ela não o tinha acompanhado, fez sinal para ela entrar.

Perla sentiu uma vontade imensa de descer as escadas correndo e sair o mais rápido possível daquele lugar. Mas como Sirius insistia que ela o seguisse, ela achou melhor ver o que ele tanto queria mostrar.

Assim que ela entrou no quarto, sentiu-se petrificada, como se tivesse acabado de ser atingida por um feitiço de pernas presas. Dentro do minúsculo quarto, estavam todos os seus amigos. Lílian, Tiago, Remo, Edgar, Kelly, Alice, Frank e Pedro. Ao seu lado, Sirius. E no alto uma faixa com os dizeres FELIZ ANIVERSÁRIO, PERLA. No fundo do quarto, havia uma mesa, com uma grande diversidade de comida e um belo bolo no meio.

− Eu não acredito nisso – Perla falou emocionada, deixando lágrimas escorrerem pelo seu rosto, quando os amigos, um a um, foram lhe dar os parabéns.

− Feliz Aniversário, Pequena – Sirius foi o último a lhe desejar felicidades.

− Obrigada por tudo! – ela respondeu, puxando o maroto e colando seus lábios em um beijo calmo, que se intensificou de modo sedutor, deixando muitos com inveja.

− Vem, nos temos que cantar o parabéns – Alice a puxou, assim que ela terminou de beijar Sirius.

− Brigadeiro? O meu favorito... como conseguiram? – ela perguntou ao ver o bolo.

− O que os marotos não conseguem? – disse Lílian sorrindo, parando ao lado de Perla e acendendo a vela do bolo.

− Faz um pedido antes – disse Alice, assim que terminaram de cantar o parabéns e Perla mencionou apagar a vela.

− Eu não sei o que pedir – Perla disse sem jeito.

− Como não? Todo mundo quer alguma coisa! – disse Tiago.

− Você pode pedir pra se livrar do Sirius – sugeriu Edgar, fazendo Perla rir e Kelly lhe dar um tapa de leva no ombro – Eu só estava brincando.

− Peça alguma coisa, Pê. Qualquer coisa – Lílian disse, sorrindo para a amiga.

− A única coisa que eu queria, infelizmente eu não posso ter – a loirinha disse, encarando a vela do bolo que marcava dezoito anos. Todos entenderam que ela estava se referindo aos pais – Eu tenho tudo que preciso. Grandes amigos... O melhor namorado.

− Agora eu entendo por que a cada dia que passa o Almofadinhas fica ainda mais convencido – brincou Tiago.

− Tudo que eu queria era ter esse momento pra sempre – Continuou Perla. Alice e Lílian sorriram para ela, que entendeu o que elas queriam dizer. Em seguida, ela respirou fundo e apagou a vela.

Todos se fartaram comendo e bebendo. Perla sentia-se tão feliz que considerou aquele o melhor de todos os seus aniversários. Mas ninguém percebeu que um dos participantes da festa estava afastado, sentado perto de uma das janelas, aparentemente encarando o nada.

− Saudades da namorada, Remo? – Perla perguntou, sentando ao lado do garoto.

− Também... – ele respondeu sem jeito – É esse lugar...

− Não te traz boas recordações, não é?

− Sim e não. Ao mesmo tempo que tudo que eu passei aqui dentro foi difícil, eu vou guardar pra sempre os momentos que passei aqui com os meninos. Não sei o que teria sido sem eles.

− São eles que me fazem amar cada minuto que passo em Hogwarts. Pessoas que eu jamais esquecerei – Remo sorriu e Perla o abraçou – Obrigada.

− Pelo que?

− Por sua amizade. Por tudo que fez por mim nesses anos todos. Eu nunca vou esquecer – ela disse, terminando o abraço e olhando bem para Remo.

− Eu é que nunca vou esquecer, Perla – Remo respondeu, fazendo a menina rir.

− Aluado, você se importa se eu roubar a minha namorada por um instante?

− De jeito nenhum, Sirius – Remo respondeu, indo se juntar a Pedro e Tiago, que faziam guerra de comida, deixando Lílian furiosa.

− Eu queria te dar o meu presente – o moreno disse, entregando um grande pacote para Perla.

− Você é o meu presente.

− Eu sei disso – Sirius respondeu fazendo Perla rir novamente – Mas eu queria te dar algo que realizasse o seu pedido. Que fizesse com que esses momentos fossem eternos.

Perla deu um beijo rápido nele e em seguida abriu o pacote. Ela ficou surpresa ao ver que se tratava de uma bela caixa marfim de veludo do tamanho de uma caixa de sapato. Havia uma chave pendurada na caixa e as suas iniciais estavam gravadas em alto relevo perto da fechadura. Sirius pegou a chave e abriu a caixa.

− Nada de magia? – ela estranhou ao ver que não havia nenhum feitiço lacrando a caixa.

− A magia está no que vai ficar dentro dela – ele respondeu, deixando Perla intrigada – Eu quero que você guarde nessa caixa tudo que te faça lembrar de momentos felizes como hoje. Desse jeito, você fará com que eles sempre sejam eternos. Não precisa de magia para guardar isso. Não é nenhum segredo. Apenas recordações dos bons momentos de nossa vida.

− E a chave?

− Ela é simbólica. Apenas pra mostrar que o que for guardado aí é de extrema importância.

− Eu te amo, sabia?

− Sabia... mas eu não me canso de ouvir você falar isso – respondeu Sirius, que ia beija-la, mas foi interrompido por Alice e Kelly.

− Que tal tirarmos uma foto dos pombinhos? – perguntou Alice. Sirius a olhou frustrado por ela ter interrompido o momento dos dois.

− Lembrança de um dos nossos momentos mais felizes – Perla sussurrou no seu ouvido, fazendo o maroto sorrir e abraça-la, deixando que as meninas tirassem muitas fotos deles juntos.

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− Perla? – Remo chamou pela quinta vez a mulher que estava perdida em seus pensamentos.

− Remo? Eu não tinha te visto chegar.

− Eu percebi. Estava distraída?

− Apenas me lembrando daquele meu aniversário que vocês fizeram aqui. Lembra?

− Como se fosse hoje.

− Me lembro do pedido que eu fiz. Pedi para sempre ter meus amigos ao meu lado. Infelizmente ele não foi atendido – Remo se aproximou dela e a abraçou.

− Ainda somos amigos.

− E sempre seremos – ela respondeu se afastando – O que você queria falar comigo?

− Eu estive na sua casa...

− Eu sei. Thais me falou.

− Ela estava lá com um bebê – continuou Remo, esperando que Perla falasse alguma coisa a respeito. Mas ela ficou calada – Quem é esse bebê?

− É uma menina.

− Sei que é uma menina. Quero saber quem é ela! – Ele disse, começando a perder a paciência.

− O que Thais lhe disse que ela era?

− Filha dela.

− O que mais você quer saber então?

− Quem é o pai!

− Remo, sei como se sente. Mas esse assunto diz respeito a vocês dois. Se ela não quer lhe falar nada, não sou eu quem vai falar alguma coisa – Perla respondeu dando aquele assunto por encerrado – Mas não foi por isso que você me chamou. O que você queria falar comigo?

− Harry sabe sobre você. – Remo respondeu, deixando Perla alterada.

− Sabe? Como assim, sabe?

− Sabe que tem uma madrinha. Sabe o seu nome, seu sobrenome. Tem fotos suas com Sirius. Sabe que você era a melhor amiga da mãe dele...

− Como ele pode saber disso? – Perla perguntou confusa e nervosa.

− Perla, ele está em Hogwarts! Qualquer pessoa que ele perguntasse sobre Sirius ou sobre os pais poderia falar sobre você. E ele deve ter mexido nas coisas de Sirius no Largo Grimmauld e ter achado as fotos.

− Ele sabe que eu estou viva?

− Não. Por que eu fui obrigado a mentir pra ele, pra proteger a mentira que você inventou.

− É para o próprio bem dele, Remo. O que você acha que Harry faria se soubesse que eu estou viva? Não acha que ele viria atrás de mim, mesmo que eu estivesse em perigo? Assim como ele fez com Sirius...

− Você está culpando o Harry pelo que aconteceu?

− Eu sou a maior culpada por tudo que aconteceu – ela respondeu, ficando perto de Remo – Eu só estou tentando protege-lo. Devo isso a Lílian. Devo isso a Sirius.

− Por que você não conta a verdade pra ele? Você não tem idéia do quanto ele estava feliz em saber sobre você. O quanto ele queria conhece-la. Por um minuto eu queria ter dito a verdade. Mas por lealdade a você, Perla, eu não fiz. E me odeio por isso.

− Sei como você se sente...

− Não, você não sabe. Eu estou cansado dessas mentiras. Harry tem o direito de saber a verdade. Assim como Sirius também tinha.

− O que está feito, está feito, Remo – disse Perla, sem encarar o amigo – Não há como voltar atrás.

− Os erros do passado não podem ser consertados, Perla. Mas você tem a chance de mudar o presente e não faz nada.

As últimas palavras de Remo feriram Perla de um jeito que ela não esperava. Ele virou as costas para ela, encarando uma das janelas do quarto. Ela olhou uma última vez para o maroto antes de sair do aposento.

Remo deixou que as lágrimas chegassem ao seu rosto. Tudo estava sendo duro demais nos últimos dias. Ele estava começando a perder o controle. Sabia o quanto devia ter magoado Perla com suas palavras. Ele olhou para trás, mas não viu sinal da loira. Correu até a saída da Casa dos Gritos que dava em Hogsmeade, mas também não a viu. Provavelmente, ela teria desaparatado.

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Severo andava pelas ruas de Hogsmeade, se xingando mentalmente por ter tido a brilhante idéia de ir passear no povoado no mesmo dia de visita para os alunos. Ele não suportava ser quase espremido por eles no Três Vassouras, assim como não se sentia a vontade para fazer nada, pois a todo lugar que ia, encontrava um aluno de Hogwarts.

Foi quando encontrou alguém que ele menos esperava. E aparentemente sozinha. A garota estava parada em frente a uma loja concentrada em algo na vitrine. Severo sorriu. Era a sua chance.

− Senhorita Stoller? – ele disse para a garota loira de belos olhos verdes claros.

− Professor Snape! Que prazer em vê-lo!

− Está sozinha?

− Ah sim – Sarah respondeu com um sorriso – Minha mãe tinha marcado de se encontrar comigo, mas parece que ela teve um problema em Hogwarts e vai se atrasar. Enquanto isso eu estou conhecendo o povoado.

− Nunca tinha estado em Hogsmeade antes? – Severo perguntou com interesse.

− Não. È a primeira vez. Cheguei a Inglaterra há pouco tempo. Não conheço muita coisa.

− Gostaria de tomar alguma coisa? – ele perguntou, deixando Sarah confusa.

− Eu não sei...

− Só até a sua mãe chegar.

− Bom, você é um dos professores de Hogwarts. Logo acho que não tem problema – Severo ficou intrigado com a resposta dela. Ela percebeu a reação dele e completou – Sabe como é, com Você-Sabe-Quem de volta, nunca se sabe em quem podemos confiar. E minha mãe tem medo que aconteça alguma coisa comigo.

− Ela é tão protetora assim? – Severo perguntou, estranhando a colocação da menina.

− Pelo menos comigo, ela é! – ela respondeu – Então, onde podemos tomar alguma coisa?

Severo a guiou até o Três Vassouras. Apesar de saber que o bar estava lotado, seria mais difícil alguém prestar atenção nos dois do que se fossem conversar em um lugar menos movimentado. Os dois sentaram em uma mesa no fundo do bar, de modo que ficaram distante da mira de alunos curiosos. Severo pediu um uísque de fogo e Sarah uma cerveja amanteigada

− E então, você nunca esteve antes na Inglaterra? – Severo perguntou a garota, com bastante interesse.

− Como eu disse, é a minha primeira vez nesse país. Sempre morei nos Estados Unidos. Nasci e vivi lá durante toda a minha vida.

− Mas sua mãe já está a algum tempo na Inglaterra...

− Oh sim – Sarah respondeu, bebendo um pouco da sua cerveja amanteigada – Ela veio para cá há alguns anos atrás. Ela era a chefe dos aurores do Ministério da Magia americano quando recebeu o convite pra vir para cá. Na época eu ainda não tinha terminado a escola, por isso só pude vir agora.

− Você... você já terminou a escola? – Ele perguntou, intrigado com a resposta – Sarah confirmou – Quantos anos você tem?

Dezenove – ela respondeu, apesar de ter estranhado a pergunta.

− Dezenove? – Severo sentiu-se confuso com a resposta.

− Algum problema nisso? – Sarah perguntou espantada ao ver a reação do professor.

− Você parece muito nova para ter dezenove anos – ele respondeu sem jeito. Sarah riu.

− Todos me dizem isso. Já estou acostumada – ela respondeu de um jeito carinhoso. Porém, Severo estava perdido em seus pensamentos e não prestou muita atenção na resposta dela – Leciona a muito tempo em Hogwarts?

− Algum – Ele respondeu sem encarar a garota – Srta. Stoller?

− Sarah... detesto tratamentos formais.

− Sarah... você me disse que sempre viveu nos Estados Unidos. Suponho que a família de seus pais também fosse de lá, não?

− Na verdade não – Sarah respondeu, sem entender muito a pergunta – Onde você quer chegar com essa conversa?

− Curiosidade. Você sabe, sua mãe é um tanto... misteriosa. Todos os professores têm muita curiosidade a respeito dela.

− Se você diz. Mas eu não vejo motivos pra isso.

− Não?

− Minha mãe é uma pessoa normal como qualquer outra. Sem muitos segredos. Sem muita história.

− Você me disse que a família dela não era americana? Ou seria a do seu pai?

− Não sei muita coisa a respeito da família do meu pai, já que não o conheci. Mas sim, eu me referia a família da minha mãe.

− Não conheceu seu pai? Mas por que?

− É um assunto que não gosto de falar muito... principalmente com pessoas que eu não conheço – ela respondeu, fitando a garrafa de cerveja amanteigada a sua frente – A verdade é que parece que eu já o conheço, professor Snape.

− Não precisa falar nada que não queira – Severo respondeu, tentando ganhar a confiança da garota. Ele sabia que ela não falaria nada se ele a pressionasse. A tática deu certo.

− Meus pais eram aurores aqui na Inglaterra – Sarah falou, sentindo lágrimas se formando em seus olhos. Mesmo assim não parou de falar – Na época da guerra contra você-sabe-quem, meu pai foi assassinado por um desses seguidores dele, como é que eles se chamam...

− Comensais da Morte – disse Severo, massageando levemente seu braço esquerdo – Então ele foi mais uma vítima de Voldemort?

− Engraçado você falar o nome dele quando todos o temem – ela respondeu, enxugando discretamente uma lágrima que escorregou de seu olho.

− Você tem medo?

− Minha mãe me ensinou a sempre falar o nome dele. Voldemort. O assassino de meu pai – Sarah tomou mais um pouco de sua bebida antes de continuar – Mas também me disse que muitas pessoas não estão preparadas para ouvi-lo.

− Sua mãe é sábia – Severo respondeu, também tomando um pouco de sua bebida – Então a família dela era inglesa?

− Sim. Eram de uma cidade pequena... como é mesmo o nome da cidade? Fica perto de Oxford...Woodham!

− Woodham? – Sarah confirmou.

− Depois da morte de meu pai, minha mãe fugiu para os Estados Unidos. Ela estava grávida de mim. E essa é a minha história.

− Não tem mais nenhum parente vivo?

− Não que eu saiba – Ela respondeu, consultando o relógio – Você deve estranhar o tratamento que minha mãe tem comigo, já que ela trata todos com extrema frieza. Mas, eu era a única razão dela continuar viva. Por isso a superproteção e o tratamento diferente comigo.

− Completamente fácil de entender.

− É melhor eu ir. Acho que ela já deve estar me procurando.

Severo concordou. Eles levantaram, pagaram as bebidas e na saída do Três vassouras deram de cara com Harry, Rony e Hermione. Sarah cumprimentou os garotos. Mas Severo não fez o mesmo.

Do lado de fora, os dois caminharam por um tempo. Severo achou melhor não fazer perguntas sobre a mãe da garota, para não levantar suspeitas. Eles conversaram sobre o tempo, coisas de Hogwarts. Até encontrarem com Elizabeth.

− Sarah? – a morena chamou a filha. E não gostou de ver quem a estava acompanhando.

− O Professor Snape estava me mostrando o povoado, mamãe – Sarah abraçou a mãe, explicando o motivo de estar acompanhada.

− Muito gentil da sua parte, Severo – Elizabeth disse com frieza para o professor de Poções – Mas se não se importa, eu gostaria de ficar com a minha filha agora.

− Obrigada pela bebida e pela conversa – agradeceu Sarah, antes de ser levada pela mãe.

Severo apenas sorriu. A visita a Hogsmeade não tinha sido tão inútil como ele pensara que seria.


N/A: Atendendo a pedidos, esse capítulo trouxe mais uma lembrança com meu querido Sirius. Espero que vocês tenham gostado. Essa foi a minha lembrança favorita. Eu Estou voltando as aulas, mas espero continuar não demorando pra atualizar, afinal eu quero acabar com essa fic antes do livro 6 em português sair, senão aí é que eu desisto. Se vocês querem capítulos saindo rápido então é só apertar esse botão aí embaixo e deixar um comentário. Eles vão me incentivar muito. Agradecimentos e Dedicatória para:

Thaisinha: pode deixar que não conto pro Diego que você é má! Você chorou com o que o Remo fez? E eu que estousendo quase esquartejada por te feito isso? Logo as coisas se esclarecem. Bjos.

Krol: Depois dele mentir pro Harry, saber que a Thais tem um filho, ter traido ela, ele ainda explode desse jeito com a Pê? Acho que estou mto má com esse lobinho. Mas em breve vc vai saber o porque disso tudo. Quanto ao segredo da Elizaebth...aguarde! Bjos.

Bruna Lupin Black: pode ficar tranquila que as coisas vão dar certo pro Remo.É só uma questão de tempo. Qto ao livro 6...melhor nem falar, pq ainda estou com raiva dele. Mas pode ter certeza de que não vou desanimar da fic não. Ainda mais com uma fã como vc! Bjos.

Gabizinha Black: O Snape não é bobo. Mas se você ainda não descobriu o segredo dela, não fique triste. mais dois capítulos e você vai saber o que é! Sobre dar importância pra Gina, eu não estava querendo não, mas estou começando a mudar de idéia, como vc pode ver nesse capítulo. Bjos

Friendship Black: Espero não ter demorado muito pra atualizar. A propósito, esqueci de dizer, mas é claro que vc pode usar o plano SSQP(Salve-se Quem Puder) em uma fic sua. Vou adorar! Bjos.

Anaisa: Qualquer dia você tem um treco de tantas perguntas que eu coloco na sua cabeça. mas fica tranquila que elas serão respondidas em Breve. Quanto ao Remo ser cafajeste...isso vai ser devidadmente explicado. Bjos.

Srta. Wheezy: Tb fiquei com pena de fazer isso com o Remo. mas foi um mal necessário que em breve será explicado. Espero que tenha ido bem nas suas provas. Bjos.

Luci Potter: Nesse capítulo o Sirius não voltou totalmente, mas já fez uma pequena aparição. Espero não ter demorado pra atualizar. E fique tranquila. Assim como o Snape vc tb vai descobrir logo logo o segredo da Elizabeth. Bjos

Anninha: Fiquei muito feliz com seu comentário. Espero que vc consiga ler esse capítulo, apesar de estar super atolada. Sua opinião é muito importante pra mim. Bjos.