Capítulo 10 – A Verdadeira História da Família Stoller


− O que foi que aconteceu?

− Harry sabe que eu estou viva – disse Perla nervosa apertando seus dedos da mão.

− Como ele poderia saber? – perguntou Thais, achando que a amiga estava delirando – Você mesma disse que Remo disse pra ele que você estava morta – Perla a encarou seriamente antes de responder.

− Ele acabou de entrar na minha mente.

− O que? Do que você está falando?

− Ele entrou em minha mente – insistiu Perla. Thais sentou no sofá, olhando com preocupação para a loira.

− Tem certeza de que você está bem?

− Não acredita, não é? – Perla perguntou recebendo uma resposta afirmativa de Thais – Então como você explica o fato de que eu estava pensando no dia que Sirius caiu atrás daquele maldito véu e Harry pára ao meu lado e fica me encarando?

− Perla, você está achando que Harry sabe que você está viva porque você o viu em seu sonho?

− NÃO FOI UM SONHO – gritou Perla – Eu não estou ficando maluca. Sei que não estava sonhando. Eu estava acordada.

− Como pode ter tanta certeza disso? – Thais questionou. Ela achava tudo aquilo uma grande loucura.

− Eu não estava dormindo. Eu não dormi a noite inteira por causa de mais uma crise de insônia – Thaís olhou para ela – Nem adianta me olhar com essa cara. Eu não dormi. Quando tenho essas crises de insônia, eu perco o sono. Você sabe muito bem disso. Já cheguei a ficar dias e mais dias sem dormir por causa dela.

− Perla...

− Ele entrou na minha mente – insistiu Perla – Quantas vezes eu já fiquei pensando naquele maldito dia? Eu sempre via Sirius, sempre via o Harry... mas ele nunca me via. Por que eu não estava lá.

− Você só imaginou a coisa toda de um jeito diferente.

− Se eu estou te dizendo que ele entrou na minha mente é porque ele fez isso. Eu sei Oclumência o suficiente para saber quando alguém entra na minha mente.

− Como Harry poderia fazer isso? – Perguntou Thais, mas Perla não respondeu – Eu duvido que ele saiba Legilimência.

− Ele está aprendendo Oclumência. E você sabe que toda pessoa que aprende como fechar a mente acaba aprendendo também como entrar em uma.

− Suponhamos que ele saiba Legilimência. Como ele poderia invadir a sua mente se vocês estão a quilômetros de distância? Eu pensei que fosse necessário um contato visual.

− Nem sempre é necessário – respondeu Perla, sentando ao lado de Thais.

− Mesmo que ele tenha entrado na sua mente, isso não significa que ele saiba que você está viva.

− Ele sabe, Thais. Ele me viu como uma adulta. Harry sabe que jamais sonharia comigo na idade adulta.

− E se isso realmente aconteceu... o que você vai fazer a respeito?

− Preciso conversar com Remo – Perla respondeu, deixando Thais surpresa – Ele precisa saber da verdade.

− Você não pode contar a verdade para ele, Perla.

− E se ele descobrir depois? Ele vai se sentir usado. Ele já está péssimo por ter mentido para o Harry por minha causa.

− Você sabe quais são as conseqüências dele saber a verdade? – a morena perguntou – Não digo só por mim. Mas você sabe que isso muda tudo.

− Eu não vou contar toda a verdade, Thaís. Apenas uma parte dela.

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Ele andava pelas ruas da pequena cidade a procura de uma pista. Qualquer coisa que pudesse explicar o porquê dos recentes acontecimentos. Qualquer coisa que desse um sentido para tudo aquilo que ele estava sentindo.

O lugar estava vazio, exceto por algumas poucas pessoas que andavam na rua. Com o feriado da páscoa, era de se esperar que não houvesse muita gente naquele fim de mundo.

"Melhor assim", ele pensou. Não queria ser visto por muitas pessoas. Um estranho numa cidade pequena sempre chama a atenção. Sentiu-se satisfeito por ter escolhido aquela época para fazer sua investigação.

Severo olhou a sua volta, pensando no que iria fazer. Ele não poderia se demorar naquele lugar. Tinha que estar de volta a Hogwarts em dois dias. Precisa descobrir qualquer coisa e sair de Woodham o mais rápido possível.

Ele continuou andando pelas ruas da cidade, mas não encontrou nada que o ajudasse. Pensou em entrar em uma das poucas lojas abertas e perguntar se alguém por lá sabia onde ele poderia encontrar o que tanto procurava.

Foi no final de uma rua sem saída que ele encontrou o que tanto queria. Não soube o motivo que o levou a entrar naquela rua. O fato é que tivera muita sorte. A última loja era um pequeno bazar de peças antigas. O nome da loja: Antiguidades Stoller. Sorriu satisfeito ao ver o letreiro com o nome da loja. Sem pestanejar, ele abriu a porta e entrou.

Uma bela garota estava parada no balcão. Ela estava com fone no ouvido, ligados em um disckman, aparentemente distraída demais com a música para prestar atenção no cliente que acabara de entrar.

Mas Severo não era um cliente comum e a garota logo percebeu sua presença. Não era todo dia que um sujeito vestindo uma roupa preta, com uma capa de viagem e uma aparência de estrangeiro, entrava em sua loja. Rapidamente ela tirou o fone do ouvido e perguntou se ele queria alguma coisa.

− Esta loja... quem é o dono dela? – Severo perguntou com o sotaque totalmente britânico, quebrando as teorias da jovem de que ele seria estrangeiro. Porém, a pergunta dele não foi nada comum.

− É dos meus pais – Ela respondeu prestando muita atenção nele, enquanto ele continuava observando os objetos da loja.

− Seus pais são os Stoller?

− O que você acha? – ela respondeu com ironia – Que colocamos esse nome por que gostamos dele?

Severo não gostou do modo como a garota o tratava. Mas, notou certas semelhanças de comportamento com uma professora de Hogwarts.

− Seus pais estão em casa? – ele perguntou, deixando a menina ainda mais confusa. Ele percebeu que ela não devia ter mais que dezesseis anos.

− Afinal de contas, o que você deseja? – perguntou a garota de cabelos castanhos claros.

− Eu gostaria de falar com seus pais.

− E por que?

− É um assunto particular – Severo respondeu deixando a garota irritada. Ela não estava nem um pouco com vontade de deixar ele falar com os pais sem saber do que se tratava.

− Olha se você não me falar o que é, eu não posso chamá-los...

− Algum problema, Susan? – uma mulher apareceu atrás da garota. Severo não teve muita dificuldade para imaginar quem seria. As semelhanças com a jovem eram marcantes.

− É a mãe dela?

− Sim. Em que posso ajudá-lo?

− Eu gostaria de conversar com você e seu marido.

− Sobre o que? – perguntou a mulher, fazendo a garota sorrir.

− Sobre sua família. Gostaria que me dessem informações sobre uma pessoa de sua família. Elizabeth Stoller.

− Quem? – a mulher pareceu confusa.

− Elizabeth Stoller – repetiu Severo, aproveitando para ler os pensamentos dela.

− Eu não sei quem é ela – Ela não estava mentindo.

− Provavelmente ela se casou com alguém de sua família. Ela tem uma filha chamada Sarah. Sarah Stoller.

Severo viu um brilho diferente passar nos olhos da mulher a sua frente. E lendo a sua mente ele percebeu que aquele nome mexera com ela. A pergunta "será que ela é?" não parava de se repetir na mente dela.

− Venha comigo – ela levantou a tampa do balcão e fez sinal para que ele o seguisse. Susan o olhou irritada, quando ele passou por ela.

− A senhora conhece Sarah Stoller? – ele perguntou enquanto ela o guiava por uma escada.

− Eu não sou a pessoa certa para suas perguntas – ela respondeu e continuou subindo até chegar a uma sala – Mas existe alguém que talvez saiba responder a elas.

Ela pediu que ele esperasse na sala, enquanto saia por um corredor. Severo passou rapidamente os olhos pelo aposento, mas não notou nada que pudesse chamar a sua atenção. O local parecia uma típica sala de estar inglesa.

Foi quando uma mulher apareceu pelo corredor por onde a outra havia passado. Esta, no entanto, era mais velha, uma senhora idosa, com cabelos grisalhos que aparentava uns setenta anos. Ela pediu que ele se sentasse em uma poltrona e sentou-se perto dele.

− Minha filha, Krystine disse que você gostaria de saber alguma coisa sobre alguém de minha família – ela perguntou e antes que Severo respondesse, ela continuou – Meu nome é Karolyne Stoller.

− É um prazer conhece-la, senhora Stoller. Meu nome é Severo Snape.

− O que o traz a Woodham, Senhor Snape?

− Eu gostaria de obter informações sobre uma pessoa. Elizabeth Stoller?

− Não conheço ninguém com esse nome.

− Mas conhece uma Sarah Stoller?

− Por que quer informações sobre essa mulher? – Karolyne perguntou, desviando da pergunta de Severo.

− Ela é professora na escola onde eu leciono.

− É professor?

− Sim...

− Vejo que não vai me dar informações sobre você, não é mesmo? – ela perguntou, mas Severo não respondeu – Conheço muito bem os ingleses. Eles não confiam em ninguém. Porque acha que eu lhe falaria alguma coisa sobre alguém de minha família.

− Eu não sei – ele respondeu, levando a mão ao bolso, pensando se deveria usar a maldição Imperius.

− Na verdade eu não sou uma Stoller. Não mais. – Ela assustou Severo com a resposta, que rapidamente tirou a mão do bolso – Meu atual sobrenome é Spencer. É o sobrenome que eu herdei de meu falecido marido. Stoller é um nome de solteira. A loja só continua com esse nome porque era de meu pai.

− E você teve irmãos ou alguém muito próximo que...

− Quer saber quem é a Sarah Stoller que eu conheço, não quer? – Severo confirmou – Ela era minha irmã.

− Irmã?

− Sim – ela foi até uma gaveta de um móvel e de dentro tirou um porta-retrato e o entregou a Severo – Meus irmãos. Sarah e Kevin.

Severo observou a foto. Apesar de estar um pouco amarelada por causa do tempo, ele ainda conseguia ver nitidamente o rosto de Sarah Stoller. Ela era loira e tinha olhos azuis. O oposto de seu irmão, que tinha cabelos negros e olhos castanhos muito escuros. Karolyne, na época, possuía cabelos castanhos claros e os olhos azuis como os da irmã.

− A Sarah que eu conheço é uma garota...

− Sim. Não poderia ser ela. Se estivesse viva ela seria um pouco mais nova do que eu – Severo estava se sentindo confuso – Deixa eu lhe contar a história.

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Há muito tempo atrás, Michael Stoller tinha três filhos. Karolyne, era a mais velha. Sarah a do meio. E Kevin o mais novo. Apesar de irmãos, eles eram muito diferentes no comportamento.

Karolyne era a filha modelo. Sempre fazia tudo que os pais queriam. E por isso vivia em conflito com Sarah, a chamada "rebelde" da família. Sarah sempre sonhou alto. Detestava a vida em Woodham e tudo o que mais queria era ir embora de lá. Já Kevin era altamente influenciado por qualquer um que agisse de acordo com os seus interesses. Um oportunista, como muitos o chamavam.

Apesar das diferenças, a família Stoller viva junta na pequena casa em cima de uma loja de Antiguidades que pertencia a família. Os filhos de Michael estudavam na única escola que havia na cidade e depois, fariam faculdade em Oxford. Isso era o que ele esperava que acontecesse.

Mas Sarah queria ir mais longe. Ela estava cansada de morar em Woodham e não queria ir pra Oxford. E foi quando ela recebeu a carta de aceitação da Universidade de Londres que a família Stoller se desmembrou.

Sarah foi contra a vontade do pai para Londres, rompendo assim qualquer laço com a sua família, já que não recebeu apoio de ninguém. Alguns anos depois, Mike faleceu e Kevin aproveitou para ir atrás da irmã, que estava bem finaceiramente em Londres. Karol ficou em Woodham para cuidar da loja e da mãe que ficou doente.

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− Você nunca mais teve notícias de sua irmã?

− Como eu disse, ela rompeu todos os vínculos com a família – respondeu a senhora Spencer – Mas é claro, ela acolheu Kevin em sua casa quando ele a procurou. Ele me mandou uma carta no dia que nossa mãe faleceu, dizendo que lamentava muito, mas que não viria para o enterro. Sarah estava perto de dar a luz.

− Ela estava grávida?

− De um menino, segundo Kevin me disse.

− Não teve contato com eles depois disso?

− Não.

− Não saberia nem ao menos me dizer se eles estão vivos?

− Não estão... Saiu no jornal há alguns anos. Os dois morreram já tem um tempo.

− Acha que esse filho que a sua irmã teve poderia ter tido uma filha e colocado seu nome de Sarah?

− É a única explicação que eu encontro – respondeu Karolyne, pegando o porta-retrato da mão de Severo e o guardando novamente – Não sei que informações gostaria de saber sobre essa Elizabeth, mas infelizmente isso é tudo que sei. Mas você pode tentar uma outra coisa.

− Que coisa? – perguntou Severo olhando fixamente para a mulher.

− Kevin morava nesse endereço – Ela lhe entregou um pedaço de papel – talvez você possa descobrir alguma coisa lá.

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Tiago Potter – Lílian Evans (Mortos)
Sirius Black – Perla Montanes (Mortos)
Remo Lupin
Pedro Pettigrew
Edgar Bones – Kelly Bagman (Mortos)
Alice Longbottom – Frank Longbottom (Incapazes)
Penélope Patil

Harry olhou mais uma vez a lista que tinha feito. Não havia mais ninguém que ele soubesse que fosse amigo de sua madrinha e que pudesse lhe dar alguma informação sobre ela.

Sentindo-se derrotado, ele pousou a pena ao lado do pergaminho no mesmo instante em que Hermione entrava na Sala Comunal. A garota foi em sua direção no momento que o viu.

− Não foi a Hogsmeade, Harry? – ela perguntou, sentando ao seu lado.

− Rony está com Lilá, esqueceu? – Ele respondeu, fazendo Hermione fechar a cara – E você, não ia com o McLaggen?

− Eu só disse aquilo para o Rony parar de falar que ia pra Hogsmeade com a Lilá – ela respondeu e um sorriso nasceu nos lábios de Harry – Gina me contou sobre vocês...

− É...??? – respondeu Harry, que percebeu a mudança de assunto.

− Vocês nunca mais se encontraram depois daquele dia no vestiário?

− Gina foge de mim todas as vezes que eu chego perto.

− Ela está com medo que você a rejeite – Harry a encarou com uma expressão que dizia "como você sabe?" – Ela me disse.

− Eu não sei o que faço.

− Dê tempo ao tempo! – respondeu Hermione, que só então notou o pedaço de pergaminho que Harry estava escrevendo – O que é isso?

− Eu só estava anotando algumas coisas – Harry respondeu, mostrando para ela – Não existe mais ninguém que possa falar alguma coisa...

Harry examinou novamente os nomes e uma luz projetou-se dentro de sua cabeça.

− Como não pensei nisso antes...!!!

− Pensou no que? – perguntou Hermione que tinha lido os nomes e não tido nenhuma idéia.

− Lembra daquele dia em Hogsmeade, que o Lupin nos contou sobre a Perla, Sirius e meus pais...?

− Claro que sim... – respondeu Hermione, começando a entender aonde Harry queria chegar – Você está querendo dizer que...

− Naquele dia Lupin falou com todas as letras e nós não percebemos... "E eu posso saber o que a saudade da minha namorada tem a ver com a briga de vocês com as meninas?". Como não reparamos nisso. Ele teve uma namorada. E se ela não estiver morta...

− Se ela não estiver, Harry. Porque é bem provável que ela esteja – completou Hermione.

− Se ela não estiver é mais uma pessoa que pode saber alguma coisa dela – disse Harry, se animando – Precisamos falar com ele.

Harry segurou a mão de Hermione e praticamente a arrastou com ele até a sala que Remo estava ocupando, que era bem próxima a sala da professora Stoller.

− Harry. Hermione. Que surpresa ver vocês. Entrem – ele disse, fazendo os garotos entrarem em sua sala.

Ao contrário do que era a sala dele, há três anos atrás, não havia nenhuma criatura que seria estudada ou qualquer instrumento para estudo de Defesa Contra a Arte das Trevas. Apenas muitos livros espalhados em várias estantes.

− Vocês querem alguma coisa? – ele perguntou e os dois balançaram a cabeça negativamente. Harry achou melhor ir direto ao ponto.

− Na verdade nós só viemos até aqui porque queríamos lhe perguntar uma coisa.

− Que coisa? – Remo perguntou, desconfiando de qual seria o assunto.

− Onde está a sua namorada?

− O QUÊ? – ele levou um susto tão grande, que quase caiu da cadeira onde estava sentado.

− Sua namorada. Você nos disse que tinha uma.

− Eu não posso ter dito isso.

− Mas você disse, professor – respondeu Hermione – Naquele dia em Hogsmeade. Disse que Sirius e o pai de Harry ficaram o provocando, falando coisas de sua namorada.

− Vocês devem ter entendido mal...

− Ok. Eu prometo que não faço mais nenhuma pergunta sobre esse assunto – disse Harry, que estava começando a se irritar – Desde que você me diga se ela está viva.

− Ela... – Remo não sabia o que dizer. Estava totalmente despreparado para aquela pergunta – Está... viva. Mas eu não sei onde ela está.

− Ótimo. Vamos, Mione. Não temos mais nada para fazer aqui – disse Harry puxando Hermione até a porta.

− Pensei que quisesse saber o nome dela... – disse Remo, quando a mão de Harry estava na maçaneta da porta.

− Você vai me dizer? – Remo ficou em silêncio – Então eu vou ter que descobrir sozinho.

Remo viu Harry e Hermione sair da sua sala e sentiu-se ainda pior. Pegou o pedaço de pergaminho que estava dobrado em cima de sua mesa. O bilhete que Perla acabara de mandar dizendo que precisava conversar com ele.

− Realmente estamos precisando conversar, senhorita Montanes.

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Severo olhou duas vezes para a placa que havia no início da rua para confirmar que aquela era realmente a rua que ele procurava. A passagem por Woodham não lhe dera muitas explicações, mas pelo menos ele agora tinha uma pista sobre o passado daquele que ele suponha ser o marido de Elizabeth.

Ele andou pela rua procurando a casa certa. A Escócia apesar de também ficar no Reino Unido era bem diferente da Inglaterra. Tanto as construções, como os costumes. E Dundee era completamente diferente de Woodham.

Parou em frente a uma casa que parecia abandonada. Ela era grande e outrora havia sido muito bonita. Ele olhou para os lados e como não havia ninguém por perto, aparatou dentro dela.

Severo olhou cada cômodo da casa em busca de alguma pista que o levasse até a Elizabeth. Qualquer informação que fosse sobre aquele que teria sido o seu marido. Mas ele não encontrou nada, a não ser foto dos antigos donos da casa, que eram do irmão de Karolyne, Kevin, e de sua esposa.

Ao passar pela sala, ele olhou rapidamente procurando alguma coisa. Num dos cantos do aposento, ele viu uma mesa com diversos porta-retratos. Imaginou se valeria a pena olhar as fotos em busca de alguma pista, pois achava que só encontraria mais fotos dos donos da casa. Mas como estava alí, achou que não custava nada olhar.

Passou os olhos por cada um dos porta-retratos, mas não viu nada de diferente dos que haviam no restante da casa. Quando chegou no último, percebeu que era o único que era diferente dos demais. Nele, uma bela mulher estava abraçada com uma menina. Ele reconheceu a mulher como sendo Sarah Stoller, a irmã de Karolyne, que ele viu na fotografia que ela lhe mostrara.

Ele desviou o olhar do porta-retrato, sentindo-se desanimado, por não ter descoberto mais nada. Estava se preparando para aparatar novamente, quando ele se lembrou de uma coisa. Pegou novamente o último porta retrato que ele tinha olhado. Lá estava Sarah abraçada com uma menina.

− Ela estava grávida?

− De um menino, segundo Kevin me disse.

Olhou novamente para a fotografia tentando entender o que se passava na sua cabeça. Se Sarah Stoller tivera um filho, porque ela estava naquela fotografia com uma menina?

"Pode ser uma garota qualquer" – ele pensou. Mas seu olhar se deteve na menina. E principalmente, no cordão que ela usava.

Severo sorriu. Aquela era a prova que ele precisava.

− Eu descobri o seu segredo, Elizabeth – ele disse em voz alta – Stoller não é o nome da família do seu marido. É da sua família.

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Harry estava na sala da professora de Defesa Contra a Arte das Trevas. Ele e a professora estavam conversando sobre as aulas práticas de Defesa e fazendo anotações sobre quais seriam os próximos tópicos que eles iriam abordar.

− Acho que devíamos passar para alguns feitiços de ataque. Todos já estão indo bem na maioria dos defensivos.

− Quantos de seu grupo já conseguiram produzir um patrono? – Elizabeth perguntou. Ela e Harry vinham praticando o feitiço do patrono durante duas longas semanas com os alunos.

− A maioria... quer dizer, somente alguns conseguiram realmente produzir um patrono. O do restante não passou de uma névoa prateada.

− Então continuaremos com o feitiço do patrono até que todos consigam.

− Mas... não estaremos perdendo tempo demais? – perguntou Harry.

− Você sabe que os dementadores passaram para o lado de Voldemort? – Harry confirmou e ficou surpreso da professora falar o nome dele.

− O Profeta noticia ataques deles o tempo todo.

− E é exatamente por isso que, enquanto todos os alunos não produzirem um patrono, nós continuaremos insistindo.

Harry ia falar alguma coisa para contestar a professora, mas bateram na porta e em seguida o professor Flitwick entrou dizendo que Dumbledore gostaria de falar com Elizabeth. Ela saiu da sala, dando ordem para que Harry continuasse com as anotações.

O garoto largou a pena no momento que a professora saiu. Tudo aquilo o estava aborrecendo. Ela não lhe dava liberdade para ensinar o que ele achava que deveria ser ensinado.

Ela tirou o comando do grupo que eu mesmo criei – ele falou para si mesmo. Em seguida, pegou a pena e ia voltar a escrever, mas desanimou.

Ele olhou a sala pensando na oportunidade única que estava tendo. Ele estava sozinho, dentro da sala da professora mais misteriosa da escola.

Harry levantou e começou a andar pela sala, observando cada objeto. A sala era muito comum, parecida com a da professora Minerva McGonagall. Não havia nada que chamasse a atenção, nem ao menos uma penseira que ele pudesse investigar.

Parou em frente ao único armário do aposento. A porta estava entreaberta. Harry a abriu completamente, mas dentro só haviam livros e alguns objetos que a professora usava nas aulas práticas. Mas, na prateleira mais baixa ele viu um objeto que chamou muito a sua atenção.

Harry o pegou, sem se importar se a professora pudesse voltar. Aquele objeto era mais importante que isso. Era mais importante que tudo.

A Caixa. Uma pequena caixa de veludo marfim. Uma caixa que ele já tinha visto antes, pois tinha uma igual. A caixa de Sirius.

Ele passou a mão pela superfície dela. Era a mesma textura da caixa de Sirius que ele tirara do Largo Grimauld. Não tinha dúvidas disso. Ele se perguntou se a professora teria pegado a caixa que estava com ele, mas ao passar a mão perto da fechadura, ele viu que aquela se tratava de outra caixa. As iniciais eram diferentes de S.B. Eram três letras: P. E. M.

Sua curiosidade só aumentou. Ele precisava saber o que havia dentro daquela caixa de qualquer maneira. Sem se importar novamente, ele pegou a varinha e apontou para a fechadura, abrindo-a com um Alorromora. Para sua surpresa, não havia nenhum outro feitiço selando a caixa.

Por cima de todos os objetos que estavam lá dentro, Harry achou um porta-retrato com a foto de Sarah, o que não era estranho visto que a garota era filha da professora. Mas assim que ele o retirou, tomou um susto que paralizou todo o seu corpo.

Haviam fotos e mais fotos. Fotos de pessoas que ele conhecia. Fotos que ele já tinha visto. Tudo muito familiar. Tudo muito conhecido...

Foi então que ele se deu conta do que tudo aquilo significava. P. E. M. Não havia dúvidas do dono dessas iniciais.

− Harry, vamos ter que terminar nossa aula... – disse a professora Stoller, abrindo a porta e dando de cara com Harry, segurando suas fotos e com a sua caixa aberta.

− Você é...


E Aí? O que acharam? Chato? Insuportável? Nada a ver com nada? Eu confesso que na parte que explica sobre a família Stoller é meio chato, mas como tudo na minha fic tem uma explicação, eu não poderia deixar de dar essa. Quem vocês acham que é a professora Stoller? Ta meio na cara, não acham? Mas vocês não sabem de todas as coisas que estão por trás disso. E isso, vocês só vão descobrir aos poucos. Quanto ao próximo capítulo... estou pensando em demorar bastante com ele. Sabe como é, eu estou planejando duas novas fics e talvez eu deixe essa aqui um pouco de lado pra poder escrever as outras. Isso é claro, depende do quanto vocês forem bonzinhos comigo. Sim , eu virei chantagista. Estou até pensando em mandar um recado para Voldemort dizendo que eu quero virar uma Comensal...afinal, todo mundo diz que eu sou má mesmo...

Agradecimentos e Dedicatória para:

Anaisa: você sabe que eu também adoro o Draco com a Gina, mas não resisti colocá-la com o Harry. Mas com certeza a parte do Snape valeu por todo o capítulo. Eu amo o Snape(o da minha fic). Ele consegue fazer coisas que até eu duvido. Espero que goste desse capítulo também. Bjos.

Friendship Black: Eu pensei, já que o Harry conseguia entrar na mente de Voldemort, porque não entrar na mente da Perla, não é mesmo? Afinal, que outro jeito ele teria pra descobrir que ela está viva. Eu adoro o Snape, de todos os jeitos e de todas as formas. E amo as suas fics. Espero que goste do capítulo. Bjos.

Luci Potter: Eu espero que vc não precise arquitetar nenhum plano mirabolante pra impedir a saída do sexto livro, porque espero ter acabado a fic até lá. Mas se isso não acontecer, vou te pedir uma ajuda! Eu não gosto da Gina dos livros. Ela muda muito o jeito dela de ser do quarto pro quinto livro. Agora você gostou da cena do Snape/ Elizabeth? Ainda vão haver outras que espero que vc tb goste. Bjos

Anninha: Oi amiga. Espero que você esteja menos atolada pra ter tempo de ler o capítulo da minha pobre fic. Eu não consigo escrever sem seus comentários. Amei as fotos que vc me mandou. Quero ir pra aí! Bjos

Krol: Me desculpe pela cena. Eu esqueci de avisar que colocaria ela de novo. Mas prometo que foi a última vez. Afinal, meu querido logo estará de volta. Realmente, Snape se acha o rei da cocada preta. È Perla, Elizabeth, Sarah... ele não quer deixar escapar nenhuma. Pena que não tem o charme do Sirius. Sim, Harry entrou na mente da Perla. Isso ainda vai dar confusão. Sobre virar comensal, estou pensando em me alistar no exército do Voldemort. Quem sabe assim eu não acabo com meus professores e fico com mais tempo pra escrever? Bjos.

Srta. Wheezy: Nem precisa agradecer, pois vc mereceu a homenagem. Sim, é capaz de acontecer realmente H/G, mas isso vai ser aos poucos. E a ação que vem depois do Harry entrar na mente da Perla começa no próximo capítulo. Espero que goste. Bjos.

Lele Potter Black: Fico muito feliz em saber que você gostou e espero que goste desse também, apesar de que eu não gosto muito dele. Mas o próximo será melhor. Bjos.

Estrelinha W.M: Você leu as 3 fics de uma vez? Tô precisando fazer isso. Tem muita coisa que eu não lembro mais. Sobre a Perla ter perdido ou não o bebê, a idéia era realmente deixar em dúvida. Mas você saberá a resposta em alguns capítulos. Bjos.