Capítulo 11 – O Segredo de Perla Elizabeth


− Você é ... Perla Montanes?

Elizabeth entrou na sala sem tirar os olhos de Harry. Sua expressão continuava a mesma, não sofrendo nenhuma alteração com a insinuação do garoto.

Harry esperava uma explicação para tudo aquilo. Uma explicação que a professora parecia não estar disposta a dar. Ela aproximou do garoto, retirando as fotografias de suas mãos, colocando-as novamente dentro da caixa, que ela tornou a guardar no mesmo lugar que estava antes.

Ela sentou em sua cadeira sem dizer uma palavra. Harry sentou novamente onde estivera sentado antes, de frente para a professora.

− E então? – ele a presionou.

− Então o que?

− Você é ou não é Perla Montanes? – perguntou Harry, aumentando o seu tom de voz. Porém a expressão no rosto da professora continuou a mesma.

− Que diferença isso faz?

− Como que diferença isso faz? – gritou Harry, perdendo a paciência – Perla é minha madrinha!

− Isso não muda nada, Harry – disse Elizabeth de modo bem calmo.

− Isso muda tudo. Porque se você é Perla, isso significa que ela está viva e não morta como todos dizem – Elizabeth mudou sua expressão para uma que dizia "E daí?". Harry sentiu-se confuso, mas sabia que se não a pressionasse, não conseguiria respostas para as suas perguntas – Se você é Perla e está viva durante todo esse tempo, tudo muda. Você nunca deu a mínima pra mim, nunca quis saber se eu estava vivo, se estava sendo bem tratado pelos Dursley... não se importou com tudo que aconteceu comigo nos últimos anos... Não se importou se eu estava ou não sofrendo pela morte do Sirius.

Você não tem a menor idéia do que é sofrer, Harry – Ela respondeu perdendo a frieza e a calma.

Harry ia responder, mas não conseguiu. A professora se levantou, dando as costas para ele. Quando ela tornou a encará-lo, estava totalmente diferente. O rosto era mais angelical, a expressão mais carinhosa. Os cabelos tinham clareado até se tornarem loiros. Os olhos verdes escurecidos para castanhos, cor de mel.

Ele não estava mais diante de Elizabeth Stoller. Estava diante de Perla Montanes.

− Perla?

− Agora você tem certeza – respondeu a mulher a sua frente. Até a voz era diferente.

− Você é uma metamorfomaga?

− Metamorfomaga?

− É... como Tonks. Sabe, ela consegue mudar a cor do cabelo quando quer e...

− Eu sei o que uma metamorfomaga consegue fazer. Mas o que acontece comigo é bem diferente de metamorfomagia.

− Diferente?

− Eu sofro de uma doença, Harry. Desvio Psíquico Emocional.

− O que?

− Dupla Personalidade – completou Perla.

− Você tem Dupla Personalidade?

− Quando uma pessoa sofre um grande abalo emocional ela tende a duas coisas. Ou sofre eternamente pelo que aconteceu o que a leva a total degradação ou cria um novo mundo, uma nova personalidade para escapar do que aconteceu, para não ter que enfrentar os problemas pelos quais passou.

− Mas...

− Quando Sirius foi preso, eu fiquei muito tempo internada no St. Mungus. Todos achavam que eu não fosse me recuperar. E de fato, eu não me recuperei – Perla disse, sentando novamente na cadeira – Minha vida tinha acabado. Eu não tinha forças para continuar. E foi aí que eu comecei a criar a Elizabeth.

− Sua segunda personalidade?

− Ela foi uma válvula de escape pra mim. E eu me apeguei tanto a ela que não desenvolvi apenas uma personalidade. Eu criei uma nova imagem, uma nova vida. De fato, eu virei Elizabeth.

− Mas como você pode... mudar de uma pra outra, se não é metamorfomaga.

− Uma metamorfomaga pode mudar apenas a sua aparência de acordo com a sua vontade. Tenho certeza de que a personalidade de Tonks continua a mesma ela estando de cabelo rosa ou roxo – Perla encarava Harry, tentando a todo custo manter a calma – Por causa desse meu distúrbio eu consegui mudar minha aparência... mas apenas para ser Elizabeth. Eu não consigo mudar apenas o meu cabelo ou o formato de meu nariz. Ou eu sou Perla. Ou sou Elizabeth. Duas pessoas vivendo no mesmo corpo.

− Por que não me contou?

− Existem coisas que você não deve saber.

− Coisas que não me contam – respondeu Harry, levantando da cadeira – Coisas que não me contam porque insistem em me tratar como criança.

− Harry...

Como pode mentir pra mim durante todo esse tempo? Como pode mentir para todos... para Remo, para Sirius...

− Remo sabia que eu estava viva – Harry ficou ainda mais revoltado ao saber que Remo mentira para ele.

− Ele sabia?

− Não o culpe. Eu pedi a ele para não te contar. Queria apenas te proteger. Sabia que se você descobrisse que eu estava viva, viria atrás de mim.

− Aposto como vocês devem ter rido bastante aqui na escola por me enganarem!

− Remo só soube hoje que Elizabeth e eu éramos a mesma pessoa – respondeu Perla deixando Harry surpreso.

− Ele não sabia?

− Como vê, você não foi o único a ser enganado.

− Você era a namorada de Sirius... por que nunca soube nada de você? Aposto como ele também acreditava que você estava morta. Aposto como foi mais um que você enganou. E você era a namorada dele.

Nós não éramos apenas namorados... éramos noivos. Quando tudo aconteceu, ele tinha acabado de me pedir em casamento.

− E mesmo assim, você não contou pra ele que estava viva. Deixou ele sofrer a sua morte – Harry estava irritado com tantas mentiras – Sabe o quanto ele ficaria feliz se soubesse que você estava viva?

− Ele sabia que eu estava viva.

− Sabia?

− Como eu disse, tem muita coisa que você não sabe!

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(Um Ano e Meio Atrás)

Elizabeth examinou mais uma vez o jornal a sua frente, pensando nas conseqüências que aquela notícia poderia trazer. A cada dia que passava o rompimento das relações entre Fudge e Dumbledore aumentavam, o que dificultava ainda mais a sua vida dentro do Ministério da Magia.

Como chefe dos aurores, ela sempre tinha que estar presente em todos os assuntos do quartel, sem contar que Fudge a mantinha como uma prisioneira, vigiando todos os seus passos, controlando suas correspondências, na expectativa de que Sirius viria atrás dela.

"Maldita a hora que aceitei voltar" – ela pensou. Apesar de quase ter se encontrado com Sirius dois anos antes, quando ele havia sido preso em Hogwarts depois de fugir de Azkaban (ocasião em Fudge a obrigara a ir até a escola, para colocar ela e Sirius frente a frente. Mas ele acabou fugindo antes que eles se encontrassem) ela não sabia nenhuma outra notícia do maroto a não ser que ele estava a salvo em algum lugar que Dumbledore não queria lhe dizer, principalmente por que para todos, Perla estava morta e Elizabeth do lado do Ministro.

Como ela odiava toda aquela encenação. Quando simulara a própria morte, fugindo com Thais para o Brasil e depois para os Estados Unidos, ela esperava enterrar de vez todo o passado de sofrimento e perdas. É claro, ela nunca perdera a esperança de que um dia Sirius fosse considerado inocente. E era por isso que ela escolheu aquele nome que somente ele identificaria. A falha no seu plano foi que, além de Dumbledore, Amélia e Thaís, Fudge também sabia sua verdadeira identidade.

Ela largou o jornal em cima da mesa e saiu de sua sala. Sentia que sufocaria se continuasse lá dentro. No caminho, acabou trombando com Tonks, que vinha carregada de livros e acabou deixando-os cair com a colisão.

− Presta atenção por onde anda, Tonks – ela disse com sua habitual voz seca e fria.

− Eu sinto muito, Stoller – desculpou-se a metamorfomaga, que estava com os cabelos na cor roxo berrante.

Elizabeth a ajudou pegar os livros que estavam caídos no chão. Mas quando pegou o primeiro exemplar, algo chamou sua atenção. O livro estava com marcas de tinta nas páginas e na capa havia duas iniciais escritas com canivete.

− Sirius, nós temos que estudar. Os NIEM´s são na semana que vem – disse Perla, que estava sentada com um livro aberto a sua frente e tentava conter o namorado, que insistia em beijá-la a todo custo.

− Eu não dou a mínima pra esses exames – ele respondeu, beijando-a e sem querer derrubou o vidro de tinteiro em cima do livro aberto.

− Agora é que não vamos poder estudar mesmo – reclamou Perla.

− Quem se importa? – Sirius sorriu. Perla levantou da cadeira e procurou pela sua mochila.

Sirius sentou na cadeira desocupada pela namorada e fechou bruscamente o livro manchado de tinta, atraindo a atenção de Perla, que procurava o seu exemplar na mochila.

− O que você vai fazer? – ela perguntou assustada ao ver o namorado com um canivete na mão.

− Registrar esse momento – ele respondeu, riscando na capa do livro as iniciais "S" e "P" – Afinal, não é todo dia que eu consigo fazer você parar de estudar para os NIEM´s e você não briga comigo, não tenta me bater ou coisa do tipo – Perla riu.

− Como você me disse uma vez, te beijar é melhor que te bater!

− Algum problema? – perguntou Tonks encarando a chefe dos aurores que retinha o seu livro.

− Na minha sala, Tonks. Agora.

Nymphadora Tonks acompanhou Elizabeth, intrigada para saber o que sua chefe poderia querer com ela. E ficou ainda mais intrigada quando entraram na sala e Elizabeth trancou a porta.

− Onde conseguiu esse livro? – Ela perguntou para Tonks, com o livro da mesma na mão.

− Eu?...é, é meu!

− Mesmo? Onde o conseguiu?

− Eu... – Tonks sentia-se extremamente desconfortável. Elizabeth parecia tentar ler sua mente.

− Eu comprei na Floreios e Borrões!

− Comprou? – Elizabeth perguntou com ironia – Onde ele está?

− Ele? – Tonks estranhou a pergunta.

− Sirius Black.

− Eu não sei...

− Esse livro é dele – falou Elizabeth, apontando para as iniciais marcadas na capa do livro – Onde ele está? Na sede da Ordem?

Tonks não respondeu. Ela não sabia como a chefe dos aurores, que estava apoiando o Ministério contra as declarações de Dumbledore sobre a volta de Voldemort, poderia saber da existência da Ordem de Fênix.

Elizabeth entendeu o que o silêncio de Tonks queria dizer. Ela apontou sua varinha para a auror, mas o que saiu dela não foi um feitiço e sim um patrono.

− Vamos ver o que Dumbledore tem a me dizer sobre isso – ela falou, abaixando a varinha.

Nymphadora sabia o que ela tinha feito. Sabia por que era exatamente dessa maneira que os membros da Ordem se comunicavam. Mas isso só poderia significar que Elizabeth pertencia a Ordem.

"Seria possível que a chefe dos aurores, o braço direito de Cornélio Fudge, estivesse na verdade trabalhando secretamente para a Ordem?" pensou Tonks.

As duas mulheres ficaram em silêncio por alguns minutos. Até que de repente, um patrono em forma de fênix apareceu na sala e entregou um pedaço de papel para Elizabeth, antes de desaparecer. O papel pegou fogo assim que ela terminou de ler.

− Você vai me levar a sede da Ordem.

A metamorfomaga não viu alternativa a não ser fazer o que sua chefe pedia. Sabia que ela só poderia entrar na sede se Dumbledore tivesse lhe contado como. Só não entendia porque ele faria isso.

Na saída do Ministério, elas encontraram Cornélio Fudge, que logo quis saber aonde elas iriam e pareceu convencido quando Elizabeth disse que levaria Tonks para um treinamento, pois ela havia recebido uma denúncia de um provável ataque de comensais. Mas a chefe dos aurores sabia que ele mandaria alguém segui-las, ainda mais por que ele sabia que Tonks era prima de Sirius.

As duas mulheres tomaram o metrô trouxa, que estava lotado aquela hora do dia. Elizabeth levou Tonks para o primeiro vagão e quando a metamorfomaga se deu conta, era outra mulher quem estava a sua frente. Ela era loira, um pouco mais baixa e a expressão no rosto mais cansada. Ela estava diante de Perla. Esta, disse para Tonks mudar sua aparência e trocou a roupa das duas. Nenhum dos trouxas percebeu a mudança nas duas mulheres, pois Perla tinha feito um feitiço para eles não notarem a presença delas.

Quando elas saíram do metrô, Perla sorriu satisfeita ao perceber que o bruxo que as seguia havia ficado para trás.

− Eles são mais fáceis de serem enganados que os trouxas – disse Perla para Tonks, quando estavam próximas ao Largo Grimmauld.

− Como você...?

− Sem perguntas, Tonks – Perla respondeu dando o assunto por encerrado.

Elas pararam entre as casas número 11 e número 13. Perla mentalizou o conteúdo do bilhete que Dumbledore lhe mandara.

− "A Sede da Ordem de Fênix encontra-se no Largo Grimmauld, número 12, Londres".

Uma porta se materializou a frente delas. A tinta preta estava desbotada e ela tinha vários arranhões. A maçaneta de prata tinha a forma de uma serpente enroscada. Na havia buraco de fechadura, nem caixa de correio.

Tonks puxou a varinha e deu uma batida na porta. Perla ouviu uma sucessão de ruídos metálicos que lembravam correntes retinindo. A porta abriu rangendo.

− Tonks? – estranhou a Sra Weasley, quando as mulheres cruzaram a soleira da porta – Não te esperávamos até o jantar... mas quem é ela?

− Não me faça perguntas. Estou cumprindo ordens de Dumbledore – respondeu Tonks. Perla a encarava impacientemente – Onde está Sirius?

− Lá em cima. Mas o que...

Tonks fez sinal para a Sra. Weasley não continuar a pergunta. Perla não esperou que ela dissesse mais nada e correu para a escada, não dando a mínima para as diversas cabeças de elfos penduradas na parede. Quando chegou ao último andar da casa, ela atravessou o patamar encardido, parando em frente a última porta do corredor. Ela respirou fundo antes de girar a maçaneta em forma de serpente bem devagar.

Logo as costas de Sirius ficaram visíveis. Ele estava agachado no chão, alimentando o hipogrifo Bicuço, que se inquietou com a nova presença.

− Calma, garotão – disse Sirius, passando a mão na cabeça do animal – Eu sei que não tenho muito jeito com você. Mas também não precisa ficar nervoso.

Perla olhou fixamente para o hipogrifo e fez uma reverência. Bicuço a encarou por alguns segundos antes de dobrar os joelhos retribuindo o gesto, o que deixou Sirius intrigado.

− Eu desisto de tentar te entender, sabia? Se fosse a minha pequena... ela saberia exatamente como cuidar de você. Ela tinha um jeito muito especial com os animais.

E eu desistiria da eternidade para te tocar

O coração de Perla começou a bater ainda mais forte à escuta-lo falando sobre sua "Pequena".

− Ela foi a garota mais linda que eu já conheci – continuou o moreno, colocando a mão no cordão que estava em seu pescoço – Eu sinto a presença dela o tempo todo. É como se ela sempre estivesse aqui comigo. Perla... minha Perla.

− Sirius... – a loira disse baixo, se aproximando dele.

− Eu ainda consigo escutar a voz dela me chamando...

− Sirius... – Perla chamou novamente fazendo Sirius se levantar.

Pois eu sei que de alguma maneira você pode me sentir

Sirius sentiu uma delicada mão pousar em seu ombro. Ele não precisava se virar para saber a quem ela pertencia. Seu coração batia cada vez mais forte, fazendo todo o seu corpo tremer com aquele toque.

Perla sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, mas não as deixou escorrer pelo rosto. Quartoze anos de separação. E ele ainda conseguia despertar nela os mesmos sentimentos de antes. A chama da paixão entre eles ainda estava acesa, apesar da distância e do tempo.

O tempo que Sirius demorou para virar pareceu uma eternidade para os dois. O encontro esperado por tantos anos... o reencontro tão desejado.

Você é o mais próximo do paraíso em que eu jamais estarei

Os orbes azuis logo encontraram os cor de mel. As lágrimas caiam por ambos os rostos. Os lábios tremiam. A distância entre os corpos parecia pequena, mas para eles era de uma imensidão incalculável.

Sirius fez questão de acabar com aquele espaço mínimo que os separava. Colocou a mão no pescoço de Perla, trazendo-a para junto de seu corpo. Os narizes se encostaram. Os lábios se entreabriram de modo a permitir o contato. Os lábios quentes e úmidos se tocaram, de modo calmo, para em seguida se transformar em um beijo voraz.

As mãos dele percorreram todo o corpo dela, tentando sentir que ela realmente estava ali. Ele tirou a capa de viagem que ela usava e continuou o seu passeio por cada região do corpo dela. Perla levantou a blusa dele, que a ajudou a se livrar da incomoda peça de roupa. Suas mãos percorreram o dorso nu dele, fazendo seus olhos brilharem como se estivessem em chamas. Chamas de Desejo. Chamas de Paixão.

Ele a levou em direção a cama, deitando-a em cima da mesma e deitando por cima dela. Se olharam sentindo toda emoção daquele momento. Sirius começou a desabotoar a blusa de Perla. Ela não o impediu.

E eu não quero ir para casa agora

Nenhum dos dois precisava de palavras naquele momento. O desejo que um sentia pelo outro era a prova de que ainda se amavam, mesmo depois de terem ficado separados por tanto tempo. E era apenas isso que importava.

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Perla desejou nunca mais sair de onde estava. Sentir novamente o corpo de Sirius junto ao seu era a melhor sensação que ela poderia sentir naquele momento. Quando abriu os olhos, visualizou os orbes azuis que a examinavam, que a tocavam, para ter certeza de que ela era real.

E tudo que vejo é este momento

E tudo que respiro é sua vida

− Eu esperei tanto tempo por esse momento – disse Sirius, fazendo Perla sorrir – Tive medo de nunca mais te ter em meus braços. Tive medo que tudo estivesse perdido... para sempre.

− Não é tão fácil assim se livrar de mim – respondeu Perla, deitando por cima do moreno – Achou mesmo que eu deixaria você escapar.

Porque mais cedo ou mais tarde isso irá acabar

Eu só não quero sentir sua falta esta noite

− Eu não sou o mesmo Sirius por que você se apaixonou.

− Só porque você não é mais o garoto mais bonito de Hogwarts, não significa que eu não continue te amando do mesmo jeito – respondeu Perla, tocando o rosto dele – Azkaban pode ter tirado muito de você. Mas o que eu sinto, ninguém jamais vai conseguir tirar.

− Você continua linda...

− Continuo sendo a "sua Pequena" – ela completou, tocando de leva os lábios dele, que aproveitou para inverter as posições.

− Eu quase enlouqueci em Azkaban achando que você estava morta!

− De fato, aquela Perla morreu no dia que você foi preso. Eu não sou a mesma de antes.

− Mas seu amor continua – Perla balançou a cabeça negativamente, assustando-o.

− Ele só aumentou. Eu sempre acreditei em sua inocência. E isso só me fez te amar cada vez mais.

E não quero que o mundo me veja Pois não acho que eles compreenderiam

− As vezes, eu sentia que você estava viva.

− E quando teve certeza? – Sirius levantou da cama e foi até o armário, onde pegou uma caixa marfim de veludo que tinha as suas iniciais.

− Lembra dela?

− Como poderia esquecê-la se tenho uma igual? E se fui eu quem dei essa para você, depois que você me deu uma no meu aniversário.

Sirius sorriu e abriu a caixa, tirando um pequeno recorte de jornal. Ele o entregou a Perla, que mesmo sem entender o que ele queria com aquilo, aceitou-o e o leu.

O recorte trazia uma notícia de dois anos antes, onde o Ministério da Magia tentava acalmar a comunidade mágica dizendo que eles estavam tomando todas as medidas necessárias para recapturar o fugitivo de Azkaban, Sirius Black. Entre essas medidas, estava a chegada da chefe dos aurores do Ministério da Magia americano, Elizabeth Stoller, que reforçaria o quartel dos aurores do Ministério Britânico.

− Achei esse jornal uns dias depois da minha fuga. Elizabeth Stoller? Você poderia enganar a todos. Menos a mim. Como eu poderia esquecer que Stoller era o sobrenome da família da sua mãe? Somente nossos amigos mais próximos sabiam disso. E mesmo que alguém se lembrasse desse detalhe, jamais associariam você a Elizabeth. Eu duvido que até mesmo Lily soubesse que esse era o seu nome de batismo. Mas como eu poderia esquecer? Se lembra como eu te chamava em nossos momentos íntimos?

− Lizzie.

− Nem mesmo quando eu te dei aquela caixa igual a essa, nem mesmo naquele dia, ninguém se perguntou o que significaria a letra E do P.E.M.

Quando tudo é feito pra não durar

Eu quero apenas que você saiba quem sou eu

− Depois de tudo que aconteceu, eu queria ir embora. Eu queria sumir para sempre. Eu não agüentaria a pressão. Eu não suportaria viver aqui lembrando a cada dia do que tinha acontecido. Mas eu sempre acreditei que um dia você sairia de lá. E se isso acontecesse, como você me encontraria? Eu precisava de um nome que só você pudesse associar.

− E foi por isso que você veio para a Inglaterra quando eu fugi?

− Não... eu não queria voltar pra cá. Queria que você chegasse a mim. Por isso eu me tornei a chefe dos aurores do Ministério Americano. Alguém que sempre apareceria na mídia. E que ficaria visível pra você – ela respondeu, deitando a cabeça no ombro dele – Mas Fudge sabia. Eu precisei contar a ele quando fugi. E ele desconfiava que eu usaria esse nome pra te atrair. E foi o que ele fez. Me chantageou pra voltar de modo que eu atraísse você. Fez de tudo para o meu nome aparecer nos jornais, revistas... me vigia o tempo todo, controla minhas correspondências... tudo na esperança que você apareça.

− Eu sinto tanto por você ter que passar por isso.

− Quando você foi recapturado em Hogwarts, ele me pediu para ir lá. Mas quando eu cheguei, você já tinha fugido. Ele queria um confronto entre nós dois, antes dos dementadores... – Perla parou de falar ao perceber o que ia dizer.

− Eu não vou deixar ninguém te fazer sofrer mais – Sirius forçou-a a encará-lo – Eu vou cuidar de você. Ninguém vai conseguir nos separar novamente.

− Eu tenho tanto medo – respondeu Perla o abraçando.

E você não pode enfrentar as lágrimas que não vem

Ou o momento de verdade em suas mentiras

− Aqui você estará protegida. Ninguém poderá encontrá-la ou obriga-la a fazer qualquer coisa.

− O que? – ela perguntou voltando a encará-lo.

− Com você aqui, tudo fica mais fácil. Eu não vou me importar de ter que ficar trancado aqui o tempo todo com você do meu lado.

− Sirius... eu não...

− Você não precisa mais se passar por Elizabeth. Não precisa mais fingir que está do lado do Fudge.

− Eu... eu não posso ficar aqui – respondeu Perla para a surpresa de Sirius – Eu faço parte da Ordem agora. Sou a principal informante de Dumbledore no Ministério. Ninguém, além dele, sabe que eu não estou do lado de Fudge.

− Você não precisa ficar lá.

− Dumbledore precisa de mim, Sirius. Precisa que eu continue com essa farsa.

− Nós podemos fugir...

− E quanto ao Harry?

− Ele pode ir com a gente.

− Você não entende, não é? – falou Perla, se levantando – Lembra que uma vez eu te pedi pra largar essa Ordem e fugir comigo e você disse que na podia? Pois eu não posso agora. Preciso continuar com isso. Faço isso por você. Faço isso por Harry.

− Isso é uma vingança então?

− Não estou me vingando Sirius. Nada no mundo me faria mais feliz do que ficar com você. Mas eu não posso. Não agora – ela respondeu, se aproximando do moreno, que se esquivou.

Quando tudo parece como nos filmes

Sim, você sangra apenas pra saber que está viva

− Você já fez a sua escolha.

− Sirius...

− Vá embora! – respondeu Sirius, ficando de costas para ela.

− Se eu pudesse...

− SE VOCÊ QUISESSE! – ele gritou, assustando Bicuço que dormia. Perla sentiu as lágrimas escorrerem pelo rosto – VÁ EMBORA. E LEVE ISSO COM VOCÊ.

E não quero que o mundo me veja

Pois não acho que eles compreenderiam

Perla viu Sirius retirar o cordão que estava em seu pescoço e o atirar contra a porta. O cordão que ela dera a ele, quando começaram a namorar, e que tinha pertencido a sua verdadeira mãe.

− Eu não quero nada que me lembre você – ele disse, rasgando o recorte de jornal que estava em cima da cama.

Perla caminhou até a porta, onde pegou o cordão que Sirius havia arremessado. Ela estava com a mão na maçaneta quando um anel em seu dedo chamou sua atenção. Ela olhou uma última vez para Sirius, que continuava de costas para ela.

− Acho que também não preciso ficar com isso - ela disse, retirando o anel de seu dedo e o colocando na cama.

Quando tudo é feito para não durar

Eu apenas quero que você saiba quem sou eu

Sirius se virou para ver o que era. E ficou surpreso quando viu o anel que ele dera a ela no dia que a pedira em casamento. Seus olhares se cruzaram uma última vez antes de Perla abrir a porta e sair.

Eu apenas quero que você saiba quem sou eu

Assim que a porta se fechou, era Elizabeth quem estava do lado de fora. Ela rapidamente enxugou as lágrimas e desceu as escadas tão rápido como tinha subido, saindo da casa sem ver, nem falar com ninguém.

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− Sirius nunca me falou nada sobre você.

− Ele não deve ter mencionado esse encontro com ninguém – respondeu Elizabeth, que deixara de ser Perla após o relato – Remo só ficou sabendo que eu estava viva no dia que... você sabe.

− Você estava lá? – perguntou Harry – Eu tenho visto você quando sonho com aquele dia.

− Não, eu não estava lá. Não fisicamente. De fato você deve ter me visto bastante em seus sonhos. Tenho sonhado com aquele dia todas as noites desde que aconteceu.

− Então eu meio que, estava entrando na sua mente.

− De certa forma.

− Eu não consigo entender o porquê você fez tudo isso.

− Ninguém nunca vai entender as minhas razões.

− Eu não entendo mesmo – respondeu Harry, levantando novamente – Você podia ao menos ter contado a verdade pra mim. Podia ter me tirado da casa dos Dursley quando saiu do St. Mungus. Podia muito bem ter ficado comigo.

Como você esperava que eu ficasse com você? Eu perdi em um dia muito mais que uma pessoa perde a vida toda – respondeu Elizabeth – Eu saí daqui tão transtornada que duvido que conseguisse cuidar de você quando eu não podia cuidar de mim mesma.

− Você fez a sua escolha. Agora eu faço a minha.

− Harry...

− Eu não preciso de uma madrinha que esteve ausente por tantos anos. Eu não preciso de você – ele respondeu, saindo da sala.

No corredor, Harry acabou trombando com Remo, que ficou assustado ao ver a expressão no rosto do garoto.

− Algum problema, Harry?

− Você e ela... vocês se merecem... – ele respondeu antes de dar as costas para Remo.

Remo viu Harry se afastar e achou melhor ir falar com Elizabeth. Ele podia imaginar o que tinha acontecido. Ao entrar na sala da professora, ele encontrou Perla, banhada em lágrimas.

A loira correu para ele e o abraçou com todas as forças. Apesar de tudo, Remo não conseguia odiá-la. E abraçou tão forte como nunca tinha feito antes.


N/A: Demorei um pouco, eu confesso. Mas publicar esse capítulo não é fácil não. Eu tô morrendo de medo de ninguém gostar. Desde que eu comecei essa saga que esse é um dos capítulos que já estava na minha cabeça. E se ninguém gostar e vou me sentir um derrotada (olha o drama). Enfim, espero que vocês gostem. Os próximos dois capítulos vão ter acontecimentos que não vão ser muito agradáveis. Mas depois sso melhora. A Música que eu usei no capítulo é a Iris do Goo Goo Dolls.

Agradecimentos e Dedicatória para:

Estrelinha W.M: Acho que suas perguntas foram respondidas nao? Bom, ainda tem muita coisa pra ser explicada. Mas isso vai ser aos poucos. E eu espero que goste. Beijos.

Luci Potter: Amou? Espero que ame esse também, apesar de que tenho minhas dúvidas. Pode deixar que eu não vou abandonar essa fic não. Eu falo isso só pra fazer terrorismo (risos). Mas muita coisa ainda vai acontecer, afinal ainda existem muitos mistérios pra serem desvendados. Espero que goste. Beijos.

Friendship Black: Agora você já sabe quem é a Elizabeth e se quiser matá-la tudo bem. MAs sem ela não veremos nosso querido Sirius novamente. Beijos.

Srta. Wheezy: Ei. Agora eu sei quem é você! Minha sobrinha-neta(vamos esquecer o neta e deixar só o sobrinha!), Espero que goste do capítulo. Vou ver se termino sua fic hoje. Te adoro. Beijos.

Lele Potter Black: Engraçado, vc foi a primeira a perceber que seria a Perla e tem gente que nem eu contando acredita. Espero que goste do capítulo. Beijos.

Thaisinha: Eu espero que você goste desse capítulo. Ele é meio que a minha vida sabe. A origem de tudo. Se ninguém gostar eu nunca mais escrevo. E nós ainda temos que conspirar muito (Segredo), viu afilhada! Beijos.

Krol: Respondo uma ou duas vezes? Afinal vc merece duas respostas, já que mandou 2 reviews. Vejamos, o que será que você vai achar desse capítulo? Bom? Não sei, acho que não. Como eu te disse, Sarah é a mãe da Perla, mas fica meio ruim de lembrar disso por que o nome dela só aparece no primeiro capítulo de Perla e os Marotos. Bom, eu espero que você goste desse capítulo. preciso que alguém goste dele. Beijos.

Anninha: O que seria de mim sem você? Foi você quem me deu forças para publicar esse capítulo. Tô morrendo de medo de ninguém gostar. Já estou me vendo rasgando todos os meus rascunhos. Não liga pro drama não. Só de vc ter me falado que gostou, já me deixou feliz. Brigado amiga. Beijos.

Anaisa: Já te disse que vc é muito boazinha? Perfeito, que nada. Eu espero mesmo que você goste desse capítulo. Vc deve estar tentando entender como Perla pode ser Elizabeth né? Daqui a alguns capítulos acho q isso vai ficar mais claro. Beijos.