Capítulo 12 – Dementadores


A carruagem parou em frente ao castelo, permitindo que seu ocupante pudesse descer. Os raios de sol iam sumindo no horizonte, anunciando a chegada da noite.

Ele pegou suas malas e caminhou pelos jardins da escola, deixando sua mente vagar pelos últimos acontecimentos.

− Vejo que está de volta – falou Hagrid, que estava parado na porta do castelo, para o recém chegado que apenas assentiu – Deixe que eu levo isso.

O guarda caça pegou a bagagem que ele trazia. Aproveitou e pediu para Hagrid deixar suas coisas em seu quarto enquanto ele fazia uma coisa que não podia esperar.

As chances de encontrá-la no castelo eram remotas. Mas se ela estivesse lá com certeza estaria em sua sala, o único lugar da escola onde ela ficava.

Seu coração acelerou ao parar em frente a porta da sala de Defesa Contra a Arte das Trevas. Sabia que aquele confronto seria difícil. E sabia que apesar de tudo que acontecera, seus sentimentos por ela ainda continuavam os mesmos.

Abriu a porta sem bater e a encontrou deitada no único sofá do aposento. Elizabeth, que tinha os olhos fechados e o semblante preocupado, percebeu que não estava mais sozinha.

− Você não aprende mesmo. Quantas vezes vou ter que dizer que é falta de educação entrar na sala dos outros sem bater – ela perguntou com a voz fria de sempre.

− Chega de jogos, Perla. Está na hora de você me enfrentar.

− Perla? – ela abriu os olhos – Acho que essa sua viagem para Londres não lhe fez muito bem.

− Eu não fui para Londres – respondeu Severo, tentando provocar alguma alteração na professora, mas ela não pareceu mais surpresa.

− Seja lá para onde você tenha ido então! – Elizabeth respondeu, se levantando.

− Não quer saber para onde eu fui? – ele perguntou ficando frente a frente com ela.

− Sua vida pessoal não me diz respeito! – ela respondeu, sentando em sua mesa.

− Uma cidade perto de Oxford... Woodham, conhece?

− Não espera que eu vá conhecer cada cidade desse país?

− Engraçado você não conhecer, por que foi sua filha quem me falou sobre ela.

− Ao contrário da mim, parece que minha vida te interessa muito, não é?

− Sabe em que lugar eu fui nessa cidade? – Elizabeth não pareceu se importar – Uma loja de Antiguidades.

− Não diga! Está pensando em redecorar sua sala?

− Antiguidades Stoller, conhece? – Elizabeth permaneceu calada – É uma bela loja.

− Onde está querendo chegar?

− Um álibi quase perfeito – Severo respondeu – Eu quase acreditei que aquela era a loja da família de seu "falecido" marido. Mas pra minha sorte, eu não desisti. Por um instante, eu quase acreditei em toda essa mentira que você criou. E quase acreditei que eu estava ficando louco.

Elizabeth sentiu um leve tremor percorrer o seu corpo, mas conseguiu controla-lo por pouco. Severo percebeu que ela começava a dar sinais de preocupação. E que tudo era uma questão de tempo.

− Por que não diz de uma vez o que você quer? – perguntou a professora, perdendo a paciência.

− Eu resolvi dar uma passada em Dundee, Escócia – a respiração dela acelerou – Não acredito que olhei tantas fotos daquele casal e não os reconheci. Como pude esquecer o rosto daqueles que um dia eu ajudei a tirar a vida?

Ela sentiu o sangue ferver. Apertou os dedos contra a palma da mão com tanta força que cortou a pele com as unhas. O ódio em seu olhar era mais do que visível.

Severo retirou uma foto do bolso e a jogou em cima da mesa, mas Elizabeth não desviou o seu olhar. Ela já sabia do que se tratava.

− Uma foto pode mudar tudo, não acha? – ele perguntou, se apoiando na mesa de modo a ficar novamente frente a frente com ela – Não é incrível que todos pensassem que Sarah Stoller tivesse um filho, seu suposto marido, quando na verdade ela tinha uma filha? Reconhece a garota da foto? Eu jamais a reconheceria se não fosse por esse cordão que ela está usando. Como não reconhecê-lo, quando eu fiquei com ele durante cinco anos?

Elizabeth se levantou, mas ele parou a sua frente, impedindo-a de prosseguir.

− Eu jamais esperei que você e Perla tivessem alguma ligação.

− Você está louco – ela respondeu, tentando passar por ele, que a segurou.

− Então é loucura você ter os mesmos olhos que ela?

Ela tentou se manter calma, mas não havia mais jeito. Seus olhos haviam assumido uma tonalidade castanho cor de mel. E o cabelo alternava entre castanho escuro e castanho claro.

− Agora tudo faz sentido – continuou o professor de Poções – Agora eu entendo por que me sentia estranho perto de você. Simplesmente por que você e Perla são a mesma pessoa.

− Não somos.

− Não adianta negar, Elizabeth. Não, quando você já me deu provas de que é.

− Você não vê? Eu e Perla não somos as mesmas pessoas. A Perla que você conheceu morreu no mesmo dia que Sirius foi mandado para Azkaban.

Perla está viva!

Perla está morta, Severo! Pelo menos a Perla que você conheceu sim. Apesar de ainda existir uma parte dela que insiste em se manter viva dentro de mim e que aparece sempre que tenho algum sentimento em excesso, mesmo assim, você jamais reconhecerá em mim a garota por quem um dia você arriscou a sua vida.

− Perla ainda está dentro de você... Você pode fazê-la voltar a ser como sempre foi.

− Nada jamais será como foi um dia – disse Elizabeth, seu cabelo voltando a cor preta – Assim como você não é o mesmo Severo Snape que eu conheci. Apesar de ainda se esconder sob a mesma máscara.

Take a bow (Agradeça)
The night is over (A noite acabou)
This masquerade is getting older (Esta máscara está ficando velha)
Lights are low (As luzes estão baixas)
The curtains are down (As cortinas estão fechadas)
There's no one here (Não tem ninguém aqui)

Severo a soltou, permitindo que ela passasse. O clima de tensão era grande no pequeno aposento. Emoções que vinham a tona a todo momento. Sentimentos esquecidos. Outros nem tanto. Sentimentos confusos e impossíveis de serem definidos.

− Você ainda o ama? – ele perguntou, caminhando em direção a porta.

− Eu posso mudar minha aparência, mudar minha personalidade... mudar minha vida. Mas meu amor por Sirius sempre será eterno – Elizabeth respondeu, sentando no sofá. Seus olhos voltaram a ficar verdes.

− Eu desejo que você sofra eternamente por ele... da mesma forma que me fez chorar a sua morte por todos esses anos.

Ela abaixou a cabeça e deixou uma lágrima escorrer pelo rosto. A primeira e última que Severo Snape veria no rosto de Elizabeth Stoller.

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− Essa é a história mais inacreditável que eu já escutei.

− Se eu não tivesse visto, também acharia isso – respondeu Harry, passando levemente a mão pelo cabelo.

− Eu só não consigo entender o motivo dela ter escondido isso durante tanto tempo – argumentou Hermione e Rony concordou.

− Não me peçam para entender o que se passa na cabeça dela.

− Deve ser legal... sabe, ser afilhado de um dos professores – respondeu Rony. Hermione olhou para o ruivo com seu famoso "olhar mortal" – bom, pelo menos nós a encontramos, não?

− Acho que você devia tentar conversar com ela, Harry – disse a garota – Saber os motivos dela.

− Eu não quero saber de nada, Hermione. Nada do que ela disser vai mudar o fato dela ter me abandonado todos esses anos.

− E Sirius sabia que ela estava viva e nem nos contou.

− Eu não posso discutir essa questão com ele – lembrou Harry.

Os três chegaram ao Salão Principal onde acontecia a aula prática de Defesa Contra a Arte das Trevas. E logo de cara foram abordados pela professora da disciplina, que não parecia nem um pouco satisfeita com a chegada dos garotos.

− POTTER! Você está atrasado!

− Mas... – Harry tentou argumentar, mas ela o impediu.

− O fato de você ser um dos professores dessa disciplina não lhe dá o direito de chegar a hora que quiser. Andem logo.

− Pelo visto o fato de você ter descoberto que ela é sua madrinha não mudou muito para ela – disse Rony de modo que só Harry escutou.

Elizabeth andou por todo o salão, examinando o desempenho de alguns, corrigindo outros. Depois de um tempo, foi conversar com Remo sobre algumas coisas que a estavam preocupando.

− Temos que pegar mais pesado com alguns alunos. Nem a metade conseguiu produzir um feitiço do Patrono.

− Por que tanta preocupação com esse feitiço, Perla?

− Enquanto estivermos dentro do castelo nosso tratamento continua o mesmo – respondeu Elizabeth – O fato de você saber a verdade sobre mim não muda nada.

− Tudo bem.

− Eles precisam aprender o feitiço do patrono. É uma questão de tempo até acontecer um ataque.

− Acha que os dementadores seriam capazes de atacar Hogwarts? – Remo perguntou, incrédulo.

− Eles já estiveram aqui uma vez.

− Sim, mas... Dumbledore havia permitido a presença deles. Não acredito que ele vá permitir isso.

− Mesmo Dumbledore os proibindo de entrar no castelo, eles foram capazes de entrar mais de uma vez.

− Acha que...?

− Eles têm poderes que muitos desconhecem. Estive em Azkaban depois que Sirius fugiu. Eles são capazes de coisas que ninguém possa imaginar – respondeu Elizabeth, sentindo que alguém a observava.

Say your lines but do you feel them (Diga suas falas mas você as sente? )
Do you mean what you say (Você deseja realmente dizer o que disse)
When there's no one around (Quando não tem ninguém em volta)
Watching you, watching me (Te assistindo, me assistindo)
One lonely star (Uma estrela solitária)

Ela examinou o salão, encontrando a pessoa que a examinava no outro lado. Era visível que Severo não interrompia o contato visual com a professora.

− Remo, pode terminar a aula pra mim?

− Claro. Algum problema?

− Tenho uma coisa pra resolver – ela respondeu saindo em seguida, sendo observada não só pelo professor de Poções.

− Eu não posso chegar atrasado, mas ela pode sair mais cedo...

− Você disse alguma coisa, Harry? – perguntou Neville, que praticava o feitiço do patrono com a ajuda de Harry.

− Nada. Vamos continuar.

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Elizabeth entrou em sua sala, fechando a porta em seguida. Correu até a lareira, pegando um saco que havia em cima do console e retirando um pouco do pó que havia em seu interior.

Ela arremessou o pó brilhante dentro da lareira onde emergiram chamas esmeraldas. Ela falou "Casa" antes de sumir pelas chamas.

Quando sentiu uma superfície sólida sobre seus pés, ela abriu os olhos dando de frente com a sala de estar de sua casa. Retirou algumas cinzas que estavam em sua roupa antes de sair da lareira.

− Thais – ela gritou o mais alto que conseguiu.

No minuto seguinte, uma morena descia rapidamente as escadas, com uma expressão de muita preocupação.

− O que foi que aconteceu?

− Preciso que vocês saiam daqui.

− Sair? Mas por que?

− Perguntas depois. Não há tempo para isso agora. Precisam sair daqui o mais rápido possível. Pegue a menina e vá ficar com Sarah.

− De que está com medo, Perla? Se for do Remo, eu lhe garanto que ele não vai aparecer por aqui...

− Remo não é o único que sabe a verdade.

− Não?

− Harry descobriu tudo... e Snape também. É por isso que eu preciso que você vá ficar com a Sarah.

− Você não disse que iríamos embora depois que Harry soubesse a verdade?

− Sei disso. Mas eu não posso ir agora. Não ainda – respondeu Elizabeth, se aproximando de Thais – Por favor. Pode fazer só mais isso por mim?

− Tudo bem – Elizabeth sorriu – é estranho conversar com você sendo ela.

− Um dia você acostuma – Ela respondeu, retirando um saco de seu bolso e arremessando o conteúdo na lareira – Diga a Sarah para ela não sair de lá. Isso é uma ordem e ela será castigada se me desobedecer novamente!

Thais assentiu. Em seguida, Elizabeth desapareceu nas chamas esmeraldas.

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A noite era calma. Ela observava as poucas estrelas que havia no céu. Abriu a janela permitindo que o vento batesse em seu rosto, aliviando as marcas de preocupação que nele se formavam.

Tudo estava saindo fora de controle. Ela não queria que Harry soubesse a verdade do modo como ele a descobriu. E muito menos Snape.

Os longos cabelos loiros balançavam com a brisa que entrava pela janela. Sentiu um leve tremor por todo o corpo, mas não se importou. Aquela sensação de frio era a única coisa que a fazia sentir paz.

Ela puxou o cordão que estava em seu pescoço. O cordão que estivera por tantos anos com Sirius e que ele a devolvera em seu último encontro com ela.

I've always been in love with you (Eu sempre fui apaixonada por você)
I guess you've always known it's true (Eu acho que você sempre soube que é verdade)
You took my love for granted (Você tinha certeza do meu amor)
Why oh why (por quê, oh por quê)
The show is over say good-bye (O show acabou diga adeus)
Say good-bye (diga adeus)

Perla respirou fundo, sentindo o ar gélido da noite encher seus pulmões. Sabia que estava passando por situações que não queria. Mas sua maior preocupação ainda estava por vir.

O vento se intensificou, abrindo a porta levemente. Perla desceu do parapeito da janela e foi em direção a porta, com a intenção de fechá-la novamente. Porém antes que conseguisse realizar o seu intento, alguém a impediu. Severo Snape estava parado a sua frente.

Ela chegou para o lado permitindo que o professor entrasse em seu quarto, fechando a porta em seguida.

− Perla...

− Eu me sinto tão sozinha – ela disse, o abraçando com força.

− Você nunca estará sozinha – Severo respondeu, forçando-a encará-lo.

Make them laugh, it comes so easy (Fazê-los rir é tão fácil)
When you get to the part (Quando você chega na parte)
Where you're breaking my heart (Onde você parte meu coração)
Hide behind your smile (Esconda-se atrás do seu sorriso)
All the world loves a clown (Todo mundo ama um palhaço)

Seus olhos negros fitaram os cor de mel a sua frente. A face angelical de Perla ainda era a mesma que o visitava todas as noites em seus sonhos. Só que dessa vez era real.

Perla permitiu que ele tocasse seu rosto, fechando os olhos a fim de sentir o carinho que Severo ainda sentia por ela, apesar do passar do tempo.

Ele tocou seus lábios de modo bem calmo. Instantaneamente ela passou os braços em torno do pescoço dele, enquanto os dele contornavam sua cintura e a puxava para mais perto de seu corpo.

Severo desceu uma alça da camisola dela e beijou seu ombro. Perla sentiu um calor intenso percorrer seu corpo e se deixou ser levada para a cama.

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− Harry?

− O que? – perguntou Harry, deitando em sua cama após tirar os óculos.

− Você não tem tido mais aquelas visões com Você-Sabe-Quem?

− Não. Dumbledore acha que ele está fechando a mente dele pra me impedir de ver qualquer coisa que seja.

− Acha que algum dia você vai conseguir perdoar sua madrinha? – perguntou Rony, ficando com as orelhas vermelhas.

Harry não respondeu. Sabia que naquele momento não havia resposta para aquela pergunta.

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Perla sentiu o corpo cair em cima da cama. As carícias de Severo se tornavam cada vez maiores. Ele deitou por cima dela, beijando-a com fervor. E ela correspondia a tudo.

Wish you well, I cannot stay (Te desejo tudo de bom, eu não posso ficar )
You deserve an award (Você merece um prêmio)
For the role that you played (Pelo papel que representou)
No more masquerade (Sem mais máscaras)
You're one lonely star (Você é uma estrela solitária)

− Eu te amo, Perla – ele sussurou em seu ouvido.

− Eu te amo, Pequena.

− Eu também te amo, Sirius.

− Não – ela gritou, empurrando Severo, que caiu no chão. Ela levantou o mais rápido que conseguiu e abriu a porta – Vá embora!

− Perla...

− Por favor.

− Black está morto! Ele não vai voltar.

− Ele pode estar morto pra você, para o resto do mundo. Mas nunca estará para mim – ela respondeu encarando Severo – Eu não posso.

I've always been in love with you (Eu sempre fui apaixonado por você)
I guess you've always known it's true (Eu acho que você sempre soube que é verdade)
You took my love for granted (Você tinha certeza do meu amor)
Why oh why (por quê, oh por quê)
The show is over say good-bye (O show acabou diga adeus)
say good-bye (diga adeus)

Severo não disse uma palavra sequer ao sair do quarto. Quando a porta foi fechada, Perla se atirou na cama, o rosto banhado em lágrimas.

− Eu não agüento mais, Sirius. Você vai voltar. Você tem que voltar. Custe o que custar.

Mesmo que isso custe o seu amor? – respondeu uma voz dentro de sua cabeça.

− Ainda assim. Eu sou capaz de tudo pra te trazer de volta.

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No dia seguinte, a euforia no castelo era intensa. Era o dia da grande final do campeonato de quadribol. Grifinória contra Corvinal.

Harry sentia seu estômago embrulhado. Apesar de já ter disputado várias partidas, aquela seria a primeira que sua madrinha veria. Ou melhor, seria a primeira que ele disputaria sabendo que sua madrinha o assistiria. Pelo menos ele sentia que ela estaria lá.

Todos os outros membros do time da Grifinória estavam nervosos a ponto de não conseguirem comer nada. Gina era de longe que, estava pior. Sua face estava bem pálida, contrastando com o vermelho dos cabelos. Nem mesmo um sorriso de Harry a animou.

Minutos depois, todos estavam no campo de quadribol esperando o som do apito de Madame Hooch. Os capitães Rony e Cho apertaram as mãos. Em seguida soou o apito dando início a partida.

− Grifinória tem a posse da goles com Katie Bell. Ela passa para Gina Weasley, que faz um belo drible e arremessa. E é gol para Grifinória.

Harry parou para ver o arremesso de Gina e sorriu quando ela marcou o primeiro gol. Ele sorriu ao ver a garota voando tão levemente em sua vassoura, lembrando uma bailarina que executa todos os seus movimentos com perfeição.

− Harry!

Ele sentiu um balaço passar centímetros de distância da sua cabeça. Olhou para frente e viu Simas voando em sua direção, pedindo desculpas por não ter impedido o balaço de quase atingi-lo.

O momentâneo susto de Harry fez com que ele se lembrasse que estava no meio do jogo. Ele viu Brenda Johnson marcar para a Grifinória aumentando o placar para vinte a zero. Tentou concentrar-se novamente em sua função de procurar o pomo, mas ao ver um relampejo vermelho no meio do campo, sua atenção novamente foi desviada.

Por que Gina estava chamando tanto a sua atenção? Ele a conhecia a tanto tempo e nunca tinha sentido por ela aquela estranha sensação que fazia seu coração bater mais forte e sua respiração ficar mais difícil. E não conseguia entender o porquê estava sentindo tudo aquilo pela ruiva.

All the world is a stage (O mundo é um grande palco)
And everyone has their part (E cada pessoa tem seu papel)
How was I to know (Mas como eu ia saber)
Which way the story goes (Que caminho a história iria seguir)
How was I to know you'd break (Como eu ia saber que você partiria)
You'd break (Partiria)
You'd break my heart (Partiria meu coração)

Balançou a cabeça tentando novamente voltar sua atenção para o jogo. Corvinal tinha marcado uma vez, mas Katie Bell aumentou para o time dos leões.

Harry olhou para Cho Chang que voava perto dele, provavelmente esperando que ele achasse o pomo primeiro, para ela tentar pegar depois. Tentou se lembrar de como se sentia nervoso perto da apanhadora da Corvinal, mas não conseguiu. Era como se um encanto tivesse se desfeito.

Rodou pelo campo a procura do pomo, mas não viu o menor sinal da bolinha alada. Ao passar pela arquibancada dos professores, viu que Elizabeth Stoller estava lá, sentada ao lado de Remo, e aparentemente sorrira para ele quando ele passou.

Foi quando ele viu o pomo. Não muito longe dali. Porém Cho estava mais perto dele.

− Eu não posso perder esse pomo. Não hoje – Harry disse para si mesmo, tentando voar o mais rápido que sua vassoura permitia.

Aos poucos ele foi se aproximando de Cho e do pomo. O jogo estava 50 a 30 para Grifinória. Os apanhadores ficaram lado a lado. Harry estendeu a mão. Cho fez o mesmo.

− E o jogo termina – gritou Ernesto McMillan – Eu só não sei quem conseguiu pegar o pomo!

No gramado, Harry e Cho estavam caídos, a garota por cima dele. Harry abriu um pouco a mão mostrando que ele capturara o pomo e garantira a vitória não só da partida como do campeonato para Grifinória.

A torcida vermelha e dourada vibrou. Cho levantou, permitindo que Harry também pudesse levantar.

− Boa captura, Harry – ela disse para o apanhador.

− Obrigado – ele agradeceu.

Todo o time da Grifinória estava em volta dele lha dando os parabéns. Gina tentou sair do meio da multidão, mas Harry a segurou pelo pulso. Ela olhou para ver quem a impedia de prosseguir e se assustou ao dar de cara com Harry. Ele não disse nada. Apenas a puxou para perto de si e a beijou.

Depois de vários longos minutos – que na verdade foram segundos - eles se separaram. Todos os encaravam surpresos e quietos. Então várias pessoas uivaram, e houve uma erupção de risadas nervosas. Harry olhou sobre o topo da cabeça de Gina a tempo de ver Dino Thomas arremessar a vassoura para um canto e sair furioso do campo. Hermione, que estava do lado de Gina, estava radiante. Mas a maior preocupação de Harry era Rony. Ele o encontrou com a Taça de Quadribol na mão e uma expressão de quem aparentava ter levado um duro golpe na cabeça. Por uma fração de segundos, eles olharam um para o outro, então Rony deu uma acenada minúscula com a cabeça, e Harry entendeu que estava tudo bem.

Harry sorriu para Gina, que fez o mesmo. Tudo finalmente estava indo bem.

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Depois de muito comemorarem no campo, Harry, Gina, Rony, e Hermione decidiram voltar para o castelo. Os dois primeiros abraçados e os outros dois sem jeito.

− Antes você do que aquele idiota do Dino.

− Rony – Gina o censurou.

− Mas ele é um idiota mesmo – insistiu Rony. Hermione riu.

− Agora só falta vocês dois se entenderem – disse Gina, deixando o irmão e a amiga ainda mais sem graça.

Perto do quarteto, Dumbledore também voltava ao castelo acompanhado de Elizabeth e Severo. Os três conversavam normalmente até serem abordados repentinamente por Tonks, que estava muito afobada.

− Tonks, o que foi que aconteceu? – Elizabeth perguntou, seu semblante ficando preocupado.

− Ataque... comensais... dementadores... em Hogsmeade. – ela disse, tentando recuperar o fôlego.

− Severo, peça a Minerva para mandar todos os alunos para suas respectivas casas. Eu não quero ninguém fora do castelo. Elizabeth, você vem comigo. – pediu Dumbledore. Mas Snape não ficou satisfeito.

− Eu vou com você, diretor.

− Não acho que seja uma boa idéia – argumentou Dumbledore.

− Será melhor se ele também for, diretor – argumentou Elizabeth para a surpresa de Severo.

− Que assim seja. Tonks, vá ao castelo e avise Minerva pra mim – Disse Dumbledore apontando a varinha para a cabana de Hagrid e disparando um feitiço prateado – Hagrid estará a caminho. Vamos!

Nenhum dos professores percebeu que os quatro garotos tinham escutado a conversa.

− Eu vou – disse Harry, largando a vassoura no chão.

− Você não pode ir, Harry. È perigoso – Hermione argumentou, mas ele parecia decidido.

− Eu não posso ficar aqui, Hermione. Não posso permitir que mais alguém vá embora – respondeu Harry e ela e Rony entenderam o que ele queria dizer com aquilo.

− Nesse caso, nós vamos com você – respondeu Rony – E nem adianta pedir pra gente ficar. Vamos você querendo ou não.

− Gina você fica – disse Harry para a namorada que tentou argumentar – Eu não posso perder mais ninguém especial. Faça isso por mim.

A ruiva assentiu e sentiu uma grande dor no coração ao ver os três partirem na mesma direção que os professores haviam seguido.

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Em Hogsmeade a confusão era geral. Bruxos corriam para todos os lados. Muitos bruxos do ministério estavam lá tentando conter a confusão. Diversos aurores estavam espalhados pelo povoado, assim como o pessoal da Ordem.

Harry não sabia o que ele iria fazer no povoado. Sua maior preocupação era o que poderia acontecer com sua madrinha. Ele e Rony e Hermione correram por diversos lugares, escapando de alguns comensais que encontraram.

− É impressão minha ou ficou frio de repente? – perguntou Rony, juntando suas mãos.

− Isso só pode ser... – Harry não chegou a completar a frase. Ele sabia muito bem que sensação era aquela.

O frio era intenso, fazendo os garotos tremerem. Diversos dementadores se aproximavam dos garotos. As figuras altas e encapuzadas deslizavam na direção deles, sugando todo o calor que havia em volta.

− Pensem em algo feliz – falou Harry para os amigos. Todos sacaram as varinhas e apontaram para os dementadores murmurando o mesmo feitiço.

Expecto Patronum.

Harry e Hermione conseguiram produzir o patrono, mas da varinha de Rony saiu apenas um vapor prateado. O ruivo tentou novamente, mas não conseguiu. Os patronos dos outros dois afastaram os dementadores de perto deles. Mas Rony não aguentou e acabou desmaiando.

− Rony? – Hermione o segurou antes que ele chegasse ao chão.

Em seguida eles ouviram um grito. Uma voz que Harry sabia a quem pertencia. A cena do dia do Ministério da Magia voltou a sua mente. Ele não podia deixar acontecer de novo.

− Harry?

− Fique com Rony, Mione – o garoto de óculos disse, antes de sair correndo na direção do grito.

Harry correu o mais rápido que suas pernas permitiram. Então ele viu. Caída num canto, estava Elizabeth. Ele pensou em correr até a professora, mas antes que fizesse isso, ela se levantou com dificuldade e murmurou um feitiço. Da sua varinha saíram cordas que amarram um comensal que estava caído perto dele. Em seguida ela pegou a varinha dele. Foi quando viu Harry.

Ela sentiu uma onda de frio invadir o seu corpo. Vozes começaram a falar ao mesmo tempo em sua cabeça. Elizabeth olhou ao seu redor e se viu cercada por demantadores. Levantou a varinha e tentou fazer o feitiço do patrono. Mas dela só saiu um vapor prateado.

Um par de mãos cinzentas, asqueirosas e descascadas tornaram-se visíveis. As vozes em sua cabeça tornaram-se ainda mais fortes. Ela caiu de joelho no chão, tentando se controlar. Os cabelos loiros já eram visíveis para Harry.

Ela tentou novamente o feitiço do patrono, mas não conseguiu. Estava fraca demais. A luta com o comensal arrancara todas as forças que possuía. Sem conseguir mais, ela deixou a varinha escapar dos dedos, os olhos se fecharam e ela perdeu a consciência enquanto a mão do dementador apertava seu pescoço.


N/A: Pois é, esse capítulo demorou. Mas juro que não fiz de propósito. Acontece que estou num grande momento de falta de inspiração e vontade de escrever. Espero que isso passe logo e que eu não demore a postar o próximo capítulo. Eu espero que vocês gostem desse. A música que eu usei é uma antiga da Madonna, "Take a Bow". Eu tava com essa música na cabeça na hora que estava escrevendo o capítulo, ae resolvi acrescenta-la. Como muita gente me perguntou como a Perla poderia estar em Hogwarts e na casa dela se não se pode aparatar em Hogwarts, eu mostrei nesse capítulo como ela fazia pra ir de um lugar para o outro. Afinal, ela é amiga da Ministra da Magia e conseguiu que o departamento de Transportes do Ministério ligasse a lareira de sua sala a lareira de sua casa. Outra coisa que eu tentei explicar nesse capítulo, mas que não ficou muito bom foi o fato de que apesar de poder controlar quando ser Elizabeth e quando ser Perla, sempre que ela ta com algum sentimento em excesso (seja bom ou ruim) ela meio que perde o controle.

Ah, não me matem por terminar desse jeito. Deixem para fazer isso no próximo capítulo!

Queria agradecer todos os comentários que recebi e dedicar esse capítulo para Friendship Black, estrelinha W.M, Brunah, Anninha, Lele Potter Black, Thalita, krol(2x), Luci Potter, Srta. Wheezy, Anaisa, Thaisinha e Lele (Espero não ter esquecido ninguém. Me desculpem por não responder os comentários individualmente. O tempo está curto!), e em especial para minhas sobrinhas queridas Gabi (Bibi) e Cinthia (Cin), que me ajudaram muito num momento que eu tava precisando.