Capítulo 13 - O Confronto


O frio era intenso. A neblina cobria praticamente todo o lugar. Os gritos cessaram. A correria parara. E o silêncio dominava.

No meio de uma das ruas de Hogsmeade, Harry observava o dementador levar uma se suas mãos até a cabeça, puxando seu capuz enquanto a outra continuava segurando com firmeza o pescoço de Perla.

Ele tentou buscar um pensamento feliz, mas anda veio a sua mente. Só conseguia ter pensamentos para a cena que se desenrolava a sua frente.

Expecto Patronum - apenas um vapor prateado saiu da varinha do garoto. Mas foi o suficiente para atrair os dementadores.

Expecto Patronum - ele tentou novamente, mas seu patrono não se formou.

Os dementadores o cercaram. Mas ele ainda conseguia ver o corpo inerte de sua madrinha, segurada pela criatura que se aproximava cada vez mais.

− "Pense, Harry" - Sua mente fazia força. Ele já conseguia escutar os gritos de sua mãe. A cena de Sirius caindo atrás do véu passava lentamente a sua frente.

"Perla é minha madrinha. Você não está sozinho" - Harry olhou mais uma vez para Perla. Ela ainda estava viva. Mas se ele não fizesse alguma coisa a tempo, ela não resistiria.

Expecto Patronum - um cervo prateado irrompeu de sua varinha, galopando contra os dementadores.

Harry sentiu o calor voltar ao seu corpo. Suas pernas perderam as forças e ele caiu de joelhos. Não muito distante dele, o corpo de Perla jazia inerte no chão. Sem forças, Harry fechou os olhos e deixou seu corpo cair.

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Quando Harry abriu os olhos, tudo que ele conseguiu ver foram borrões passando todo o momento perto dele. Tentou se levantar, mas sentiu uma força o impedindo. Tateou a sua volta, a procura dos óculos quando encontrou uma mão que ele não sabia a quem pertencia.

− Harry! - Gina deu um grito de felicidade ao ver que o namorado acordara.

− Srta Weasley! Isso aqui é uma enfermaria.

− Me desculpe, Madame Pomfrey - desculpou-se a ruiva, voltando sua atenção para o namorado - Harry, como você está se sentindo?

− Onde estão os meus óculos? - ele perguntou, ainda tateando as superfícies ao redor.

− Aqui - respondeu a namorada, entregando-os - eu fiquei preocupada com você!

− E o Rony? Ele está bem? - perguntou Harry, colocando os óculos e observando as camas ao seu redor.

− Ele já teve alta. Hermione está cuidando dele na Grifinória. Madame Pomfrey queria que ele ficasse aqui mais um pouco, mas como você pode ver, a enfermaria está um pouco "cheia". Todos os feridos em Hogsmeade estão sendo vindo para cá antes de serem transferidos para o St Mungus.

Harry olhou novamente as camas ao redor, mas não viu o menor sinal da madrinha em nenhum lugar. Provavelmente ela teria sido transferida para o St Mungus. Ou talvez estivesse...

Ele deu um salto da cama, assustando Gina, que tentava faze-lo comer uma barra de chocolate. Harry andou por toda a Ala Hospitalar, procurando em todos os leitos pelos quais passava. Mas não encontrou quem procurava,

− Onde ela está?

− Ela quem? - Gina estranhou a pergunta. Harry ficou sem saber o que responder.

− A ... a ... professora Stoller.

− A professora Stoller?

− Ela estava em Hogsmeade e estava muito ferida. Eu a ajudei.

− Ela está numa ala separada do restante - respondeu Gina apontando uma direção - Mas o que você...

Gina não conseguiu terminar a sua pergunta. Harry saiu em disparada na direção que ela lhe indicara, onde ele encontrou uma cama isolada, envolta por uma grande cortina alta, o que impedia que qualquer pessoa pudesse ver o paciente que ali se encontrava.

− O que você vai fazer? - perguntou a garota para Harry, quando ele levantou a mão, na tentativa de puxar a cortina.

− Senhor Potter, o que pensa que está fazenmdo? - perguntou Madame Pomfrey, se colocando entre ele e a cortina que envolvia a cama - O senhor ainda não teve alta. Volte imediatamente para sua cama.

− Mas eu preciso vê-la - argumentou Harry, deixando a enfermeira supresa.

− Não há ninguém aqui que o senhor precise ver.

− Mas...

− Nem mas, nem nada - Harry tentou argumentar, mas ela esta irredutível. Gina observava a cena sem entender o que estava acontecendo.

− Papoula - Dumbledore entrou na enfermaria naquele instante e ao ver a cena, entendeu o que devia estar acontecendo - Pode deixar Harry comigo. Os outros pacientes estão precisando de você.

Madame Pomfrey abriu a boca, mas não disse nada. Se o diretor a estava pedindo para deixar Harry com ele, quem era ela pra contestar?

− Srta Weasley - falou Dumbledore, dessa vez olhando para Gina - Creio que sua mãe gostaria de saber como Rony está depois do que houve - Gina encarou o diretor com uma expressão que dizia que não pretendia arredar o pé dali.

− Vá Gina - pediu Harry, ao perceber que o diretor queria falar com ele a sós - Eu te explico tudo depois.

A ruiva encarou Harry e concordou. Mas saiu da enfermaria de muito mau humor.

− Devo parabenizá-lo pela sua brilhante atuação em Hogsmeade... apesar de que você não deveria estar lá - disse Dumbledore encarando Harry assim que Gina saiu.

− Eu preciso muito saber como ela está!

− E pelo visto você continua não se deixando distrair - respondeu o diretor, com um sorriso no rosto.

Dumbledore fez sinal para Harry o segui-lo em silêncio. Em seguida ele puxou um pouco a cortina que envolvia a cama, o suficiente para que ele e Harry passassem. Na cama, Perla jazia inconsciente. Os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro e a face muito pálida e com alguns arranhões.

− Ela foi muito corajosa - ele disse, enquanto Harry observava a madrinha - Enfrentou sozinha dois comensais, capturando um e deixando o outro escapar, ferido o suficiente para ser capturado depois por mim.

− O senhor sabe que ela e a professora Stoller...

− Não só sei que são a mesma pessoa, como também sei que você já tem conhecimento sobre esse assunto - Harry o encarou - Eu sei de tudo desde o início. E foi idéia minha traze-la para ensinar em Hogwarts. Assim ela estaria perto de você o suficiente para protegê-lo sem precisar revelar o seu disfarce.

− Não consigo acreditar que ela tenha sido capaz de mentir pra mim.

− A mentira é muito relativa, Harry. Eu não aprovo o que ela fez. Assim como também não desaprovo. Você vê a situação com seus olhos. Vê o abandono dela, mesmo depois do que aconteceu com Sirius. Mas tente ver um pouco o lado dela. Você sente a morte do seu padrinho e, no entanto, há quatro anos atrás nem sabia que tinha um. Imagina como ela deve sentir a perda de alguém que ela conheceu e amou durante muito tempo. Ela não quis criar Elizabeth. Foi o resultado de todo o sofrimento que Perla passou.

Harry ficou em silêncio e tornou a olhar para a madrinha. Sua expressão era bem calma e serena e se ele não tivesse reparado que ela estava respirando, poderia afirmar que ela estava morta.

− Ela vai ficar bem?

− Acredito que sim. Da última vez que ela ficou inconsciente só acordou quatro meses depois. Mas fique tranqüilo - completou Dumbledore ao ver a expressão no rosto do garoto - Não acredito que vá demorar tanto tempo dessa vez.

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No dia seguinte, o único comentário que rolava por toda a escola era sobre o ataque no povoado e em como a professora Stoller quase foi "morta" pelos dementadores, mas acabou sendo salva por Harry.

As aulas teóricas de Defesa Contra a Arte das Trevas foram assumidas pelo professor Remo Lupin, que também passou a comandar a aulas práticas junto com Harry. Remo tentava a todo custo manter o ritmo das aulas, mas a todo momento era bombardeado com perguntas sobre o estado da professora.

Harry era apontado por onde passava. Algumas meninas davam gritos histéricos quando o viam e depois vinham lhe pedir um autógrafo. Para sua sorte, Gina as colocava pra correr, ameaçando-as com um feitiço.

− Ela entendeu toda a história? - perguntou Rony para Harry quando estavam a caminho de uma aula de Poções.

− Gina ficou desconfiada no início. Mas depois que eu jurei pela centésima vez que eu não estava inventando aquilo tudo por estar apaixonado pela professora Stoller, ela acabou acreditando.

− Não é culpa dela ficar tão desconfiada. Tudo isso parece uma grande loucura - argumentou Hermione - eu não acreditaria se você não tivesse me contado, Harry.

− Minha irmã é inteligente.

− Por acaso você está insinuando que eu não sou?

− Se a carapuça serviu... - respondeu Rony, deixando Hermione irritada.

− Olha se não é a Lilá quem está vindo! - provocou a garota. Rony se escondeu atrás dela e de Harry - Com medo dela, pom-pom?

− Muito engraçado, Mione - respondeu Rony ao perceber que ela só estava brincando. Hermione não parava de rir.

− Você não nos disse o que aconteceu naquele dia em Hogsmeade entre você e Lilá pra você estar fugindo desse jeito dela, Rony.

− Acredite em mim, Harry. Não queira saber.

− Ora, ora... vejam só quem chegou. O Santo Potter! - provocou Draco Malfoy, na entrada da masmorra.

Harry não deu a menor importância para o comentário irônico do sonserino. Mas Rony teve que ser segurado para não avançar em cima do loiro.

O professor Snape não demorou a chegar. Ele entrou na sala do mesmo jeito arrogante de sempre, mandando todos ficarem quietos.

− A poção que vocês vão preparar hoje é a mais inútil de todas. Mas o diretor insiste que ela esteja dentro da ementa de nossas aulas - ele fez um gesto com a varinha, fazendo aparecer no quadro negro, os ingredientes e o modo de preparo.

− Poção do Amor? - perguntou Draco, com um sorriso de deboche no rosto.

− Para que precisamos aprender a fazer uma poção do Amor? - perguntou Rony, só se dando conta que tinha falado em voz alta depois que as palavras já tinham saído de sua boca.

− Quem sabe você não consegue dar para alguma garota? - retrucou Snape com ironia - Só assim para você conseguir uma namorada, Weasley. Se bem que, do jeito que você é um fracasso em Poções é capaz de matar a garota antes de conseguir qualquer coisa.

A turma da Sonserina caiu na gargalhada. Rony se escondeu atrás de seu caldeirão, as orelhas mais vermelhas que o cabelo.

− Boa diversão - disse Snape com aspereza, antes de sair da sala.

Harry e Hermione se entreolharam. Aquilo com certeza estava muito longe dos padrões de Snape. O professor de Poções nunca havia abandonado uma aula. Ainda mais uma aula aonde ele tinha a oportunidade de implicar com Harry.

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Severo fechou a porta sem se importar com o burburinho que surgiu na sala com a sua saída. Naquele momento ele tinha coisas mais importantes com que se preocupar. E também não estava com a menor disposição de ficar em uma sala com alunos preparando poções do Amor.

Ele caminhou até a Ala hospitalar da escola, que àquela hora se encontrava vazia. Todos os pacientes haviam sido transferidos. Todos com exceção de um. A cama escondida pelas cortinas continuava com seu ocupante.

O professor se aproximou da cama. Ele sabia muito bem quem era o seu ocupante. E precisava vê-la de qualquer jeito. Precisava saber como ela estava. Assim como fez todos os dias quando ela esteve internada no St Mungus.

− Professor Snape? - chamou Madame Pomfrey antes que ele pudesse abrir as cortinas.

− Como ela está?

− Se recuperando aos poucos - respondeu a enfermeira - Mas Dumbledore proibiu suas visitas.

− Quanto tempo ela ainda vai ficar inconsciente?

− É incerto prever. Mas acredito que dentro de poucos dias, ela acorde. Está reagindo muito bem.

Severo ficou satisfeito com a resposta e achou melhor sair de lá, já que não conseguiria vê-la. Ele ainda tinha bastante tempo até o final da sua aula e nenhuma vontade de voltar as masmorras. Por isso, resolveu dar uma volta pelo castelo.

Tentou colocar seus pensamentos em ordem, mas sua cabeça estava muito confusa. Ele ainda não conseguia definir bem o que sentia por Perla/Elizabeth. Apesar de serem a mesma pessoa, ele tinha sentimentos diferentes por cada uma. Pela primeira era amor. Pela segunda, atração.

− Eu já disse que você não pode entrar. A menos que alguém a esteja esperando - insistiu Hagrid para a garota que tentava a todo custo entrar no castelo.

− Algum problema, Hagrid? - perguntou Severo para o guarda-caça.

− Essa garota está tentando entrar no castelo de qualquer jeito. Mas Dumbledore me proibiu de deixar qualquer pessoa de entrar no castelo, a menos que ela tenha uma autorização.

− Srta Stoller? - Quando se aproximou que o professor de Poções pode ver quem era a garota.

− Professor Snape! Será que pode pedir a esse... senhor... para me deixar entrar?

− Stoller? - Hagrid ficou surpreso ao escutar o sobrenome - Por acaso é parente da professora Stoller?

− É o que eu estou tentando dizer - respondeu a garota, bastante irritada - Eu sou filha dela.

− Filha? Eu não sabia que ela tinha uma filha!

− Tudo bem, Hagrid. Pode deixar que eu cuido disso.

− Mas o professor Dumbledore não quer que ninguém...

− Eu converso com o diretor depois - respondeu Severo. Hagrid concordou e saiu deixando-o com a garota - Sinto muito por isso. Mas são medidas de segurança, Srta Stoller.

− Acho que perdi a conta de quantas vezes eu já te pedi para me chamar de Sarah. Eu detesto esses formalismos.

− Como quiser, Sarah.

− Eu quero ver a minha mãe - pediu a garota, bem mais calma que antes.

− Ela não pode receber visitas.

− Mas ela é minha mãe. Eu tenho o direito de vê-la - insistiu Sarah.

− Eu sinto muito, mas não posso fazer nada quanto a isso. São ordens do diretor.

− Então eu quero falar com ele.

− Receio que talvez isso não seja possível. Ele está no Ministério dando informações sobre o ataque de ontem.

− Não acredito que consegui escapar de minha tia para chegar aqui e não conseguir ver minha mãe.

− Acredite em mim - disse Severo, se aproximando da garota - Ela está bem.

Para a surpresa do professor, a garota o abraçou. Ele não entendeu o que ela queria com aquele gesto, mas o retribuiu.

− Eu tive medo que acontecesse alguma coisa com ela - disse Sarah - Tenho tanto medo de ficar sem ela. De ficar sozinha.

− Você não é a única que tem esse medo - Severo disse baixo, de modo que a garota não conseguiu escutar direito.

− O que foi que você disse? - ela perguntou o encarando.

− Ainda falta muito tempo até terminar o horário da minha aula. Eu pensei que talvez você quisesse tomar um chá comigo na cozinha.

Sarah sorriu e aceitou. Para ela não haveria proposta melhor naquele momento. Severo tinha o dom de acalmá-la. E ela gostava muito da companhia do professor.

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Uma semana havia se passado desde o ataque em Hogsmeade. Harry soube que Elizabeth Stoller havia recebido alta da enfermaria dois dias antes, mas ela não retomara suas aulas. E ele decidiu que já estava na hora de procurá-la.

Quando bateu na porta da sala da professora, achou que ela não estivesse lá, pois demorou a receber uma resposta.

Elizabeth estava sentada em sua mesa e ficou surpresa ao ver quem era sua visita.

− Eu queria conversar com você - disse Harry, tentando escolher as palavras. Ela ficou em silêncio - Como você está?

− Você não veio até aqui saber como eu estou. Mas se isso o consola, eu estou bem.

− Você não voltou a dar as aulas...

− Remo está me substituindo muito bem. Não há necessidade da minha volta. Além disso, você também está se saindo muito bem nas aulas práticas. Não acredito que alguém esteja sentindo minha falta.

Harry ficou observando a professora, mas não conseguiu dizer nenhuma palavra. Ele tinha treinado muitas vezes o que iria dizer naquela hora. Mas agora que o momento do confronto com sua madrinha havia chegado, ele não conseguia dizer absolutamente nada.

− Devo lhe agradecer pelo que fez por mim em Hogsmeade - disse Elizabeth, quebrando o silêncio - Creio que eu não estaria aqui se não fosse por você.

− Não precisa agradecer.

− Tenho certeza de que seus pais se orgulhariam de você.

− Você sabe muitas coisas sobre eles, não é?

− Pode-se dizer que sim. Apesar de que eu sei muito mais coisas sobre sua mãe. Sirius seria a melhor pessoa para falar de seu pai, se ele não... - ela parou de falar ao se dar conta do que iria dizer.

− Sente muito a falta dele? - Elizabeth se levantou e deu as costas para o afilhado - Eu imagino que não esteja sendo fácil pra você. Por que não é fácil pra mim.

Você está apenas começando a aprender como é a dor da perda, Harry. Pior do que perder é continuar... sozinho.

− Hoje eu consigo entender o que aconteceu com você. Mas, enquanto você não parar de se esconder atrás dessa máscara de frieza que criou para escapar do sofrimento, jamais voltará a ser feliz.

− Queria que a prática fosse tão fácil como a teoria - respondeu Elizabeth voltando a encarar o afilhado.

− Sei que dentro dessa personalidade que você criou ainda existe alguma coisa da Perla. Você só precisa deixá-la voltar a viver.

− Sabe, eu sempre soube das suas transgressões de regras, o que sempre me fez acreditar que você tinha herdado o jeito de Tiago. Mas confesso que desconhecia esse seu lado "Lílian" - Harry Sorriu.

− Tem muitas coisas em mim que você ainda não conhece. Assim como há muitas coisas em você que eu não conheço.

− Tudo ao seu tempo.

− Vou tentar entender o seu tempo e esperar. Só quero que saiba que você pode contar comigo.

Elizabeth sorriu. O primeiro sorriso que Harry viu nela como Elizabeth Stoller. A barreira de gelo entre eles havia se quebrado.

− Fico lhe devendo um abraço - ela disse, sentando novamente - Quem sabe num momento mais propício.

Harry concordou e disse que precisava ir e que eles se falariam depois. A professora concordou. Mas antes que o afilhado saísse da sala, ele resolveu lhe fazer uma última pergunta.

− Posso lhe perguntar uma coisa? - ele disse com a mão na maçaneta da porta.

− Prgunte o que quiser. Mas não garanto que lhe darei uma resposta! - Elizabeth respondeu, encarando-o

− Sarah é filha de Sirius? - O semblante de Elizabeth assumiu um tom de preocupação - Quer dizer, ela é sua filha, então eu pensei que, talvez ele fosse o pai.

− Infelizmente você não deu sorte na sua pergunta. Essa é uma pergunta sem resposta, Harry. Pelo menos por enquanto.

Harry achou melhor não insistir. Ele daria a ela o tempo que fosse necessário para que sua madrinha pudesse se abrir com ele.

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O banquete de encerramento do ano letivo aconteceu no Salão Principal decorado com as cores vermelho e dourado já que pelo sexto ano consecutivo, Grifinória havia ganhado o campeonato das casas.

E pela primeira vez no ano letivo, a professora Stoller estava presente. Porém, ela não estava nada satisfeita. E aparentava um grande nervosismo.

− Para que tanta preocupação? - perguntou Remo que estava ao seu lado.

− Detesto participar dessas confraternizações.

− Você costumava gostar, quando era aluna.

− Perla gosta. Não eu. - Remo riu.

− Eu fico impressionado em como você fala da Perla como se não fossem a mesma pessoa.

− Você entendeu o que eu quis dizer.

− Como quiser, Elizabeth – ele respondeu sorrindo.

Elizabeth desviou o olhar de Remo para outra pessoa. E não ficou surpresa ao encontrar o olhar de Severo do outro lado da mesa. Os dois se encararam por um breve instante. Porém, interromperam o contato visual quando Dumbledore levantou de sua cadeira.

− Enfim, chegamos ao final de mais um ano letivo...

O diretor não pode continuar o seu discurso. Um grande entrondo pode ser ouvido por todo o Salão. Algumas garotas gritaram. Muitos se perguntaram o que seria aquele barulho. Mas a expressão no rosto de Dumbledore significava que ele sabia o que era e não ficara nem um pouco satisfeito.

− Monitores, por favor levem os alunos de volta as suas respectivas casas. Não deixem ninguém para trás - ele disse, tentando parecer calmo - E não percam o controle.

Harry buscou o olhar da madrinha no meio da confusão. E quando o encontrou, escutou uma voz dizer dentro de sua cabeça para seguir com os outros alunos e não ir atrás dela.

Elizabeth saiu acompanhada de Remo na direção contrária a que os alunos seguiam. Harry tentou falar com ela, mas não conseguiu.

Quando chegaram ao saguão de entrada, ela e Remo encontraram Gui Weasley, que vinha correndo na direção deles.

− Eles conseguiram entrar. Comensais e Dementadores.

Dumbledore e os outros professores chegaram em seguida. Gui avisou que alguns membros da Ordem estavam lutando no jardim e que o quartel dos aurores já tinha sido avisado e em breve, chegaria mais reforço.

− Temos que impedir de qualquer maneira que eles entrem no castelo - disse Dumbledore saindo e sendo acompanhado pelos demais.

Logo que chegou ao jardim, Remo foi abordado por um dos comensais da Morte. E ficou satisfeito ao ver com quem iria duelar.

− Bellatrix Lestrange.

− Remo Lupin - ela disse, esboçando um sorriso - Pelo visto terei o prazer de me livrar de mais um dos marotos.

− Acho que eu terei o prazer de lutar com você essa noite - disse Elizabeth se colocando entre ele e Bellatrix.

− Elizabeth...

− Essa luta é minha, Remo.

Ele assentiu. Sabia que nada do que dissesse naquele momento a faria mudar de idéia. O desejo de vingança ardia dentro dela. Estava na hora de colocá-lo para fora.

− Ora, vejam se não é Elizabeth Stoller, a chefe dos aurores - disse Bellatrix com ironia - Logo você vai perceber que cometeu um erro ao querer lutar comigo.

− Acho que você é quem vai perceber que cometeu um erro - disse Elizabeth, assumindo a aparência de Perla. Bellatrix se assustou com a mudança de aparência, mas reconheceu imediatamente quem era.

− Perla Montanes... meu prazer de lutar agora é ainda maior - disse a comensal surpresa por reencontrar sua antiga rival.

− Eu não teria tanta certeza disso - respondeu pela sacando a varinha - CRUCIO!

Bellatrix foi arremessada no ar e caiu no chão se contorcendo de dor. Mas logo a morena se recuperou e ficou novamente de pé.

− Não sabia que o aurores usavam maldições imperdoáveis - ela disse, limpando o sangue do corte que abrira em sua boca - Vindo de você é ainda mais surpreendente.

− Não é a toa que sou a chefe dos aurores, Bella. Eu não tenho tempo a perder. Principalmente com você.

− Vejos que finalmente deixou de ser a garota bobinha que se escondia atrás do namorado - provocou Bellatrix, sacando a varinha - Acontece que isso eu também sei fazer. Crucio.

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Os alunos andavam o mais rápido que conseguiam atrás dos monitores. Rony e Hermione tentavam manter a calma entre os alunos do primeiro ano, mas não estavam tendo muito sucesso. Harry seguia atrás dos amigos, tentando inutilmente ajuda-los. Seus pensamentos estavam todos no que poderia estar acontecendo no jardim do castelo.

− Eu preciso voltar - ele disse rapidamente para Rony e Hermione, antes de tomar a direção contrária, trombando com alguns alunos.

− Harry - chamou Hermione, tentando impedí-lo - Rony, precisamos ir atrás dele.

− Não podemos, Mione - respondeu o ruivo olhando para a direção que o amigo tomara - Apesar de querer ir, isso é um assunto que só diz respeito a ele. E além do mais, temos que ajudar os outros alunos.

Hermione concordou a contragosto e juntos eles continuaram guiando os alunos até a sala comunal da Grifinória.

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Os jardins de Hogwarts haviam se transformado em um verdadeiro campo de batalha. Depois de algum tempo, os professores junto com alguns membros da Ordem haviam conseguido expulsar os dementadores com vários feitiços do patrono. Os aurores conseguiram capturar alguns comensais. Alguns comensais fugiram com a chegada de mais bruxos.

Quando Harry chegou ao jardim, somente duas pessoas duelavam: Bellatrix e Perla. A cena do dia do Ministério da Magia passou novamente a sua frente em câmera lenta.

− Nunca pensei que pudesse resistir tanto - disse Belatrix, depois que Perla se levantou novamente após receber mais uma vez a maldição Cruciatus.

− Vamos, você pode fazer melhor que isso.

− Tenho certeza que sim - respondeu a morena após ver o último comensal fugir pelos portões da escola - Diga Olá a Sirius por mim.

− Diga você no meu lugar.

Harry olhou para as duas. Aquilo não poderia estar acontecendo novamente. Ele precisava impedir.

Avada Kedrava - disseram as duas ao mesmo tempo.

− Perla - gritou Harry ao ver dois lampejos verdes seguido pelo corpo das duas mulheres sendo arremessados no ar.


N/A: Esse capítulo não saiu bem do jeito que eu queria por isso demorou. Principalmente a parte do duelo da Perla com a Belltrix. Enfim, como eu prometi no capítulo passado, vocês podem me matar nesse capí perfeito não? A escritora e protagonista morrendo no mesmo dia? (OPS...acho que falei demais!). Ah, e afinal de contas, Sarah é ou não filha do Sirius? Façam suas apostas! No próximo capítulo vocês vão descobrir.

Eu queria responder os comentários desse capítulo e do anterior, mas novamente o tempo está curto e não vai dar. Espero que me desculpem por isso.

Agradecimentos e Dedicatória para Friendship Black, Srta. Wheezy, Thalita, Brunah, Lele Potter Black, Anninha, krol, Anaisa, Sandra Potter e Lele. E também para minha querida amiga Cinthia, que me apoia sempre que eu peciso (Não fique triste. Vc não é inferior a ninguém!)