Capítulo 14 – Laços de Família - Parte I
Harry saiu correndo em direção a madrinha, mas quando conseguiu chegar, o corpo dela já estava no gramado. Ele pediu para que o pior não tivesse acontecido com ela.
− Perla - ele gritou, ajoelhando no chão e erguendo o corpo da loira o suficiente para abraça-la – Por favor, esteja viva.
Mas ela não abriu os olhos, deixando Harry em um desespero ainda maior. Remo foi até eles, preocupado com o que pudesse ter acontecido a amiga.
− Sirius... – Harry escutou uma voz bem fraca chamar pelo padrinho próximo ao seu ouvido. Achando que estava imaginando coisas, ele soltou a mulher, forçando-a a ficar frente a frente com ele. E ficou ainda mais surpreso ao ver que ela estava com os olhos abertos.
− Você está viva! – disse emocionado, abraçando-a novamente.
− Sirius... – Perla repetiu novamente, a voz muito fraca, quase um sussuro.
Harry a encarou sem entender o motivo dela estar chamando pelo padrinho, além de estar com o olhar fixo em algum ponto atrás dele. Ele buscou o olhar de Remo, esperando que este pudesse lhe dar alguma explicação. Mas assim como Perla, Remo também mantinha o olhar fixo em algum ponto atrás dele.
Tentando entender o motivo daquela atitude, Harry se virou lentamente. E assim como os outros dois, ficou ainda mais surpreso ao ver o que prendia a atenção deles naquele lugar.
No local onde deveria estar o corpo de Bellatrix Lestrange havia um corpo, mas não era o dela. Era um corpo de homem. Os cabelos negros espalhados pelo chão. As roupas surradas. O corpo magro de quem havia perdido muito peso em pouco tempo. Não havia dúvidas sobre sua identidade.
− Sirius – disse Harry se levantando e ajudando Perla a se levantar, que apoiada por ele e Remo, conseguiu chegar ao lugar onde jazia o corpo.
Ela caiu de joelhos no gramado. Os olhos ficaram úmidos, mas não conseguiu chorar. Sentiu seu corpo ser invadido por uma felicidade que há muito tempo não sentia. Trouxera Sirius Black de volta.
− Sirius – ela disse novamente, tocando o rosto dele, que instantaneamente abriu os olhos, revelando os orbes azuis há muito tempo desaparecidos.
− Pequena... – ele respondeu com a voz bem rouca. Estava com muita dificuldade para falar. Ergueu o corpo o suficiente para abraçá-la.
Perla sorriu e deixou finalmente que as lágrimas escorressem pelo seu rosto. Ele estava ali novamente. Ele estava de volta.
Sirius a abraçou com muita força, sentindo medo que aquilo não fosse real. Ele viu Harry ajoelhar perto deles e o abraçou também.
Os membros da Ordem, os aurores, os professores. Todos pararam para ver a cena. A emoção daquele momento atingiu o coração de todos aqueles que estavam presentes. Não havia como não se emocionar.
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A pedido de Dumbledore, todos os que apresentavam algum ferimento foram encaminhados para a Ala Hospitalar. Isso incluiu Sirius e principalmente Perla, que era quem de longe, estava em pior estado.
Harry sentia-se feliz como nunca havia se sentido. Sua felicidade é claro, devia-se ao fato não só de sua madrinha ter escapado da morte, como também, por seu padrinho ter "voltado" dela.
Na ala hospitalar, ele foi abordado por Rony, Hermione e Gina. E depois de garantir mais de mil vezes que estava bem, foi que os garotos perceberam que Sirius era o homem que estava deitado no leito ao lado de Harry.
Curiosos para saberem como aquilo era possível, eles bombardearam o garoto de perguntas, que apenas riu e disse que sabia tanto quanto eles e que somente sua madrinha, que estava do outro lado da enfermaria, poderia dar alguma explicação sobre tudo que aconteceu.
Para isso, uma reunião havia sido marcada por Dumbledore para o dia seguinte, depois que todos tivessem descansado um pouco e Perla tivesse se recuperado parcialmente dos ferimentos causados por Bellatrix.
Enquanto os garotos conversavam, a porta da enfermaria foi aberta violentamente, dando passagem a uma super preocupada Sarah Stoller e uma muito calma Thais Roberts. Ao vê-las, Harry se questionou sobre quem seria a morena, mas teve uma ligeira desconfiança ao ver a inquietação de Remo com sua chegada.
− Mãeeeeeeee – gritou a garota, se jogando em cima de Perla e atraindo a atenção de todos. Principalmente de Sirius.
− Você não deveria estar aqui – respondeu Perla, olhando da filha para Sirius.
− Eu tentei impedi-la – disse Thaís, sentando na cama ao lado da amiga – Mas você sabe como ela é teimosa. Tal mãe, tal filha.
Perla sorriu enquanto abraçava a filha. Do outro lado da enfermaria, Sirius observava a cena, curioso e bastante intrigado a respeito da identidade da garota.
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No dia seguinte, os alunos foram mandados de volta a Londres pelo Expresso de Hogwarts. Corriam muitos boatos entre eles sobre os acontecimentos da noite anterior, mas ninguém soube o que realmente havia acontecido.
Harry teve permissão para ficar no castelo e assim como Hermione, tanto os Dursley quanto os Granger, foram avisados que os garotos não partiriam da escola naquele dia. Já Rony e Gina puderam ficar sem maiores problemas, pois o casal Weasley estava na escola, visitando seu filho Gui na Ala Hospitalar.
O trio saiu junto da sala comunal da Grifinória, que já estava completamente vazia e abandonada. Eles caminharam em silêncio até o corredor que dava acesso a sala do diretor.
Ao passar por um dos corredores, Harry olhou rapidamente para uma das grandes janelas, que possuia vista para o jardim, exatamente para o mesmo lugar onde no dia anterior havia acontecido o duelo entre Perla e Bellatrix. E foi quando viu. Exatamente lá, no meio do jardim, um arco pontiagudo que possuía um véu preto esfarrapado que esvoaçava levemente.
Harry fechou os olhos e quando os abriu novamente, o véu havia desaparecido. Mas, a menos que estivesse muito enganado, era o mesmo que ele um dia havia visto no departamento dos Mistérios.
− O que foi, Harry? – perguntou Hermione, ao ver que o garoto de óculos havia parado de andar e olhava para a janela, piscando várias vezes e com o cenho franzido.
− Nada. Foi só uma ilusão da minha mente – ele respondeu voltando a andar. Hermione olhou para Rony, que apenas balançou os ombros e seguiu o amigo.
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Quando o silêncio finalmente tomou conta do castelo, Harry, Hermione, Rony, Sirius, Remo, Thaís e Perla, que estava com a aparência de Elizabeth, estavam parados em frente a gárgula que dava acesso a sala de Dumbledore, aguardando a chegada do diretor. Gina tinha ficado na enfermaria com os pais e Sarah foi mandada para o quarto da mãe, depois de muito protestar contra essa decisão.
Sirius e Perla se encaravam, porém não trocavam uma palavra sequer. Harry sentiu um grande clima de tensão entre os padrinhos, mas preferiu não falar nada com nenhum dos dois.
Quando a gárgula se abriu dando passagem a sala do diretor, o clima de tensão foi sendo substituído por um de expectativa. Todos tinham suas perguntas, questionamentos a serem feitos. E aquele seria o momento de obterem respostas. Perla foi a última a entrar. Sabia muito bem que ela era a única que tinha todas as respostas para as perguntas que seriam feitas naquele momento.
Todos sentaram em cadeiras espalhadas ao redor da escrivaninha de Dumbledore. Perla sentou em uma cadeira de modo que ficou frente a frente com o diretor.
− Eu chamei todos aqui para explicar os últimos acontecimentos – disse Dumbledore, olhando para cada um dos presentes na sala – Creio que todos devem ter perguntas que gostariam de fazer. E hoje, farei o possível para tentar responde-las.
Seu olhar recaiu sobre Perla, que abaixou a cabeça, inspirando profundamente.
− Acho que seria melhor se fosse Perla que estivesse aqui, não acha, Elizabeth?
A morena suspirou e deu um sorriso fraco. Em seguida fechou os olhos e quando os abriu novamente, eles eram de outra cor, assim como o cabelo. Somente Harry, Thais e Dumbledore não ficaram surpresos com a transformação.
− Creio que todos aqui estão curiosos para saber como é possível Sirius ter voltado – continuou Dumbledore.
− Antes disso, tem uma outra coisa que eu gostaria de saber – interrompeu Harry, atraindo a atenção de todos – eu nunca entendi muito bem a "morte" de Sirius. Afinal de contas, o que significa aquele véu?
− É uma passagem sem volta – respondeu Remo – Todos os que o atravessam nunca mais são vistos.
− Aquele véu é muito mais que isso – respondeu Dumbledore, olhando novamente para Perla – Acha que poderia nos explicar sobre ele?
− Não é simplesmente um véu em um arco – disse Perla, tentando não encarar nenhuma das pessoas que a olhavam – Na verdade, trata-se de um portal.
− Um portal? – estranhou Rony.
− Um portal – confirmou Perla – Uma passagem para outro mundo... para o mundo dos mortos.
− O mundo dos mortos?
− O inferno, Harry.
Todos ficaram chocados com a revelação.
− É uma brincadeira, não é? – questionou Rony, olhando para Harry que por sua vez, encarou a madrinha.
− Segundo a mitologia grega, o mundo inferior ou o mundo de Hades, era o lugar para onde as pessoas iam depois de sua morte. Lá, elas eram julgadas e condenadas a viver em um das regiões existentes. Somente muito tempo depois, esse mundo foi conceituado como o "inferno" pelas religiões.
− Mas por que você acha que aquele véu, que está no departamento dos Mistérios seja uma passagem para o inferno, Perla? – questionou Remo, bastante intrigado. Todos os presentes na sala encararam a loira.
Ela se levantou e começou a andar pela sala, pensando numa maneira de explicar tudo que tinha descoberto para eles. Seu olhar recaiu sobre Sirius e em seguida sobre Dumbledore. O Diretor meneou a cabeça, fazendo-a ficar ainda mais nervosa.
− Receio que essa seja uma história que somente você pode contar com detalhes – ele argumentou.
− Como todos sabem... ou acredito que saibam, quando tudo aconteceu... – ela parou tentando escolher as palavras que diria a seguir – No dia que Lílian e Tiago morreram, Sirius foi atrás de Pettigrew. Eu acabei encontrando os dois e quando vi que Pedro ia lançar um feitiço, eu me coloquei na frente de Sirius impedindo que ele o recebesse.
− Mas ele acabou matando doze trouxas naquele dia – disse Harry, a raiva subindo a cabeça.
− O Ministério não divulgou que Perla tinha sido acertada pelo mesmo feitiço – disse Sirius - Um desperdício, na minha opinião. "Maníaco mata doze trouxas, um dos seus melhores amigos e a namorada". Seria uma grande manchete.
− O fato é que por causa desse feitiço eu fiquei quase quatro meses inconsciente no St Mungus – respondeu Perla, bastante séria – E quando finalmente sai do hospital, estava tão transtornada que não sabia mais quem eu era. Sabia apenas que não agüentaria mais viver na Inglaterra, onde cada lugar, cada objeto, cada pessoa, me fazia lembrar de tudo que tinha acontecido. Foi quando tomei a decisão de apagar meu passado e começar uma nova vida.
− Perla simulou um acidente de carro, que teria tirado a sua vida – completou Thais, atraindo a atenção de todos para si – Desse modo ela poderia sair do país, se afastar tanto do mundo mágico como do mundo trouxa, sem o menor problema.
− Só que eu tive um pequeno inconveniente. Estava fraca demais para sair do país por algum meio bruxo. Eu precisava de uma nova identidade. Foi então que pedi a ajuda de Amélia e ela acabou recorrendo a Fudge, que estava sendo cotado para o novo Ministro da Magia. Ele providenciou tudo para mim e eu pude sair sem chamar a atenção de ninguém.
− E escolheu o nome de Elizabeth Stoller, um nome que para todos nada significaria, mas que para mim seria como me entregar um cartão de visitas de Perla Montanes.
− Ela acreditava que você pudesse ser inocentado – Thais respondeu Sirius – Você era a única pessoa que conseguiria ligar os nomes.
− Eu fui com Thaís para o Brasil, mas de lá segui para os Estados Unidos, onde consegui uma vaga na Academia dos Aurores por indicação de Fudge e Amélia.
− Mas o que isso tudo tem a ver com o véu? – perguntou Harry impaciente.
− Depois que me formei auror – continuou Perla sem se importar com a interrupção do afilhado - queria de todas as formas me tornar a melhor auror e me vingar por todos aqueles que perderam a vida na guerra contra Voldemort.
Rony se inquietou ao escutar o nome. Os demais não se importaram.
− Eu comecei a estudar Arte das Trevas. Acreditava que para enfrentar o inimigo, precisava ter o mesmo conhecimento que ele – continuou, sentando novamente – Foi quando eu me deparei com um livro.
− Um livro? – perguntou Hermione com interesse.
− Daqui a pouco você vai querer o nome e o autor pra poder ler também – provocou Rony, mas a garota não deu importância.
− Na verdade era um manuscrito – respondeu Perla, encarando Dumbledore – Sobre três irmãos.
− Tisiphone, Megaera e Alecto – disse Dumbledore, deixando todos intrigados.
− Que tipo de pais dariam esses nomes aos filhos? – perguntou Rony só se dando conta de que tinha falado em voz alta depois que todos tinham escutado.
− Pais que eram adoradores de Arte das Trevas – respondeu Perla, um meio sorriso nos lábios - E que deram aos filhos o nome das três fúrias que viviam no mundo de Hades. Eram Monstros responsáveis pela vingança dos deuses, que executavam as sentenças que puniam o crime dos homens. Tisiphone representava o castigo. Megaera, a Rainha ciumenta era a personificação da inveja e do ódio. E Alecto, o interminável, a vingança.
− E esse manuscrito... – questionou Remo – Sobre o que era?
− Os três irmãos tiveram a idéia de criar um portal para o Mundo de Hades. Um portal que só eles conhecessem.
− Por que alguém criaria um portal para o inferno?
− Lembre-se que eles são amantes da Arte das Trevas, Harry. Assim como Voldemort, eles não se importam com a morte – Rony se inquietou novamente - Mas também não gostavam de sujar as mãos. Bastava mandar quem eles queriam através do portal. O mundo de Hades se encarregaria do resto.
− Eu tive a impressão de ver esse portal agora pouco nos jardins do castelo – disse Harry, meio em dúvida se realmente deveria ter dito aquilo.
− E você deve tê-lo visto, Harry. Hades usou o portal para nos mandar de volta.
− Eu ainda não vejo o porquê de acreditar que o véu que está no Ministério da Magia seja esse "portal" – disse Remo, bastante intrigado.
− Sirius está aqui, não está? Se aquele véu não fosse esse portal, não havia como ele ter voltado – respondeu Perla com agressividade – Estudei aquele manuscrito dia após dia. Eu queria entender como era possível eles terem criado um portal para o inferno. Porque eles usaram diversos feitiços, mas isso não era o suficiente.
− No dia da confusão no Ministério, eu observei atentamente aquele véu. E percebi uma coisa que nunca havia percebido antes nas outras vezes que vi aquele objeto – disse Dumbledore, deixando todos ainda mais curiosos.
− Que coisa? – perguntaram Harry e Remo ao mesmo tempo.
− Uma inscrição. Em uma língua que não é usada a muito tempo. Mas que dizia mais ou menos "O sangue aqui derramado por Hades consumado – Em nome de Aeacus, Minos e Rhadamanthys".
− Quem? – perguntou Rony ainda mais confuso.
− Os três juízes – respondeu Hermione, deixando todos surpresos – Todas as almas que iam para o mundo de Hades passavam pelo julgamento deles e só depois iam para a região por eles determinada.
− Como você sabe disso? – questionou Rony. Hermione sorriu.
− Eu sou filha de trouxas, lembra? Estudei mitologia grega antes de vir pra Hogwarts.
− O que ela não estudou? – falou Rony baixo de modo que só Harry o escutou.
− Dumbledore me contou sobre essa inscrição depois do que aconteceu com Sirius. Eu passei dias me perguntando o que ela queria dizer. Reli todo o manuscrito e então algumas partes começaram a ficar claras para mim. Eles pesquisaram muito, até que finalmente descobriram o elemento principal que abriria o portal.
− Tem uma coisa que eu não entendo nessa história toda –Thais a interrompeu calmamente.– Assim como Hermione, eu também estudei mitologia grega. E até onde eu saiba, Hades não permite que nenhuma alma saia de seu domínio. Então, se Sirius realmente foi parar lá, como ele pode ter saído?
Perla encarou Sirius. Estava na hora da verdade e ela não sabia se teria forças suficiente para revelar tudo que sabia. O moreno a olhou com firmeza, tentando lhe passar forças para continuar.
− Quando voltei a Inglaterra depois que Sirius fugiu de Azkaban, estive várias vezes no departamento dos Mistérios, principalmente na Câmara da Morte. Muitos inomináveis tentavam entender o significado daquele véu, mas tudo que sabiam era que jamais tornavam a ver a pessoa que por ele passava. Eu desconfiava que ele fosse o portal que os irmãos construíram. Mas não tinha certeza – respondeu Perla, sentindo uma grande tensão – Acontece que, segundo o manuscrito, os três fizeram um pacto de sangue. Eles derramaram seu próprio sangue sobre o véu e, só assim, conseguiram abrir o portal em nome dos três juízes, oferecendo a Hades todas as almas que por aquele véu passarem.
− Mas, o que eu não entendo, foi como você conseguiu trazer o Sirius de volta se, como a Thaís disse, ninguém sai do mundo de Hades?
− Isso foi algo que, durante anos eu quis descobrir... e a única forma de ir e ter chances de voltar com o Sirius, era falando com Hades... pessoalmente e ainda viva. Ou, pelo menos, entre a vida e a morte. – ela sorriu cinicamente.
− E você descobriu – concluiu Harry – Mas como?
− Arte das Trevas – respondeu Perla com naturalidade, deixando todos chocados.
− Arte das Trevas? – questionou Remo – Como assim, Perla? Como você pode ter descoberto alguma coisa com Arte das Trevas?
− Há muito tempo atrás existia um feitiço. Que foi abandonado com o passar do tempo. Ele poderia ser executado após uma maldição de morte, como o Avada Kedrava. Muitos bruxos costumavam usar esse feitiço para escapar de seus oponentes quando esses usavam o Avada. O único problema é que eles acabavam indo parar no mesmo lugar para onde iriam se fossem acertados pelo feitiço. Por isso pararam de usar.
− Eles iam para o inferno?
− De certa forma - Perla respondeu Harry, que ficou chocado - Ao usar o feitiço eles possuíam o direito de ter uma visita diretamente com Hades. Era uma chance de tentar voltar a vida, apelando para o rei dos mortos. Eu sabia que Bellatrix iria usar esse feitiço se eu usasse o Avada contra ela. Seria uma tentativa de escapar da "morte". E foi o que aconteceu.
− Mas, e se você morresse?
Perla sorriu e encarou Sirius ternamente, que retribuiu com um belo sorriso, os olhos azuis brilhando intensamente.
− Pelo menos, ele não mais estaria sozinho.
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- Nunca pensei que pudesse resistir tanto - disse Belatrix depois que Perla se levantou novamente após receber mais uma vez a maldição Cruciatus.
- Vamos, você pode fazer melhor que isso.
- Tenho certeza que sim - respondeu a morena após ver o último comensal fugir pelos portões da escola - Diga Olá a Sirius por mim.
- Diga você no meu lugar.
As duas se encararam ao mesmo tempo em que levantavam suas varinhas. Um sorriso se formou no rosto de Bellatrix. Perla também sorriu.
- Avada Kedrava - disseram as duas ao mesmo tempo.
(Créditos para Lisa Black )
Um brilho verde iluminou o lugar, os raios se chocaram por breves minutos, e os mesmos voltaram com tudo para a direção de Bellatrix.
Perla pode ver os lábios de Bellatriz formarem as palavras "Separare Vita Unire Morte" ao mesmo tempo em que ela erguia a varinha na sua direção. Ela fechou os olhos e inspirou profundamente, sendo atingida pelo raio de prata.
Ela sentiu o ar faltar dos seus pulmões e abriu os olhos a ponto de ver uma névoa sair do corpo inerte de Bellatriz ao mesmo tempo em que ela sentia um arrepio percorrer todo o seu corpo e o calor dele se transformar em algo gélido.
Sufocou um grito ao olhar para si mesma e perceber o seu próprio corpo caindo no chão inerte ao mesmo tempo em que sua alma se desprendia do seu corpo. A última coisa que vira antes de tudo escurecer foi o afilhado correr ao encontro do seu corpo.
Quando sua consciência retornara, ela se deparou com uma neblina espessa, mas, ao longe, podia divisar o vulto do que parecia ser um barco. Perla não precisou pensar duas vezes para perceber que se encontrava no Estirge, o rio que dava para o mundo de Hades.
Sentia-se flutuando levemente e desprovida de sentimentos. Os olhos constantemente quebravam, como se a atmosfera densa do lugar também a estivesse afetando. Uivos e lamentos de cortar os tímpanos eram ouvidos e ela sentiu um frio percorrer todo o seu corpo a medida que o barco se aproximava. Olhou para os lados e percebeu que estava sozinha. Perguntou-se então, onde estaria Bellatrix Lestrange.
Caronte sorriu cinicamente para ela, enquanto o barco atracava no "porto". Perla ignorou o fato de ver algumas pessoas dentro das águas cinzentas do rio, mordeu o lábio inferior e suspirou profundamente.
Apesar de se sentir morta, sentia um leve puxão na região do umbigo, como se tivesse utilizando uma chave de portal, contudo, não saia do lugar. Podia entreouvir uma voz, chamando-a ao longe... A voz de Harry.
Mostrou-se impassível quando Caronte encarou-a profundamente.
− Não é permitida a passagem de mortais para essa parte do reino. – ele falou com voz etérea.
Perla sentiu seu corpo etéreo endurecer. Era bem verdade que não estava de todo morta... Como então faria para atravessar o rio? Sabia muito bem que Hades não permitia vivos em seu reino. O que ela iria dizer?
− Vai ficar aí? Eu não tenho o dia todo.
− Podemos negociar, o que acha? – ela perguntou num sussurro, procurando ganhar tempo. Seu cérebro fervilhava a procura de uma alternativa.
Ao ouvir a "palavra mágica" os olhos do barqueiro brilharam estranhamente. Perla deixou-se sorrir pelo canto dos lábios. Se Sirius havia conseguido passar pelo velhote, por que ela não conseguiria?
− O que você teria para mim?
− Você gosta de ouro? – ela sorriu tristemente e retirou a aliança que trazia no anelar esquerdo, escondida por um anel que não havia valor nenhum. Ela mordeu o lábio inferior, um pouco receosa de entregar... Mas, por fim, não voltou atrás. Era por uma boa causa e ele certamente entenderia.
O barqueiro examinou a aliança de Perla com um exímio cuidado e suspirando aliviada, ela então soube que ele havia permitido sua passagem ao guardar o anel no bolso.
Perla sorriu cinicamente quando subiu no barco. Ao pensar em o quão paradoxo esse homem se mostrava ser. Para quer aspirar tanta riqueza se não tinha como gasta-la?
Riu do seu próprio pensamento e sua risada fria e sem vida ecoou pelo lugar, fazendo seu próprio corpo gelar... como se aquela risada não fosse dela. Caronte apenas conduzia o barco silenciosamente.
A mulher decidiu ignorar os lamentos daqueles que se encontravam dentro do rio e suspirou profundamente, aguardando silenciosamente a chegada à outra margem.
Perla gelou mais uma vez ao se deparar com a silhueta de Cérbero, o cão de três cabeças. Sorriu amarelo, perguntando-se onde estaria Hércules quando se precisava dele...
Caronte percebeu o medo que Perla deixava transpassar, pois olhou para ela atentamente e sorriu maquiavelicamente.
− Lamento, mas minha função aqui é somente fazer a travessia do barco de uma margem à outra. Se a Senhorita desejar voltar para a margem de onde veio, terá que pagar mais por isso.
Perla praguejou baixinho e assentiu levemente com a cabeça. Talvez, ela pudesse pagar a ele com um murro no meio daquela cara irritante que ele tinha. Mas, ela primeiro teria que pensar em como sobreviver dois segundos naquela margem, sem que fosse devorada por uma daquelas três cabeças "amigáveis".
O barco atracou na margem oposta e Perla levantou-se vagarosamente. Pisou em terra firme de forma cautelosa, mas ficou parada em frente à entrada do Inferno, onde fitou um majestoso, porém assustador umbral, onde no alto via-se os dizeres em Grego: "Aquele que aqui entrar perde toda a esperança ".
Sentiu um arrepio percorrer o seu corpo e ofegou de temor... o que aesperava atrás daquele portal?
O enorme cão continuava a devorar suas vítimas, em meio a gritos e lamúrias ouvidas...
Perla sentiu o corpo tremer. E se ela não fosse bem-vinda? Ser devorada seria uma morte rápida e indolor? Aliás, ela não já estava quase morta? Ainda teria sentidos para sentir dor?
Foi com esse pensamento que ela se arriscou a dar o primeiro passo. Aparentemente, Cérbero estava preocupado – ou deliciado – demais devorando suas vítimas que não a enxergou... ou ela pensara que não havia enxergado... As três cabeças automaticamente viraram para a direção dela.
No exato momento em que rosnados foram ouvidos, uma raposa com excêntricos pêlos de uma cor meio bege ocupa o lugar em que deveria estar Perla e desata a correr, desviando agilmente das três cabeças, que mordiam o ar na inútil tentativa de abocanhá-la.
A raposa ofega, deixando-se cair sobre a terra fria e cinzenta de uma região coberta por um denso nevoeiro e cercada de árvores de aparência sombria e quase que entristecedora... Ela se encontrava no campo dos Narcisos.
Perla soltou um fraco gemido, deixando-se voltar a forma original. Suas costas ardiam como se estivessem em brasas e ela sentia o corpo quente... como se estivesse febril. Fizera de tudo para desviar das cabeças, mas uma não a atingiu em cheio por muito pouco, o que não impediu dela sair machucada daquela façanha.
Levantou-se do chão frio, um pouco relutante. Soltou um fraco gemido de dor e os seus primeiros passos foram levemente cambaleantes. Podia ouvir gemidos baixos e o vento frio. Seus olhos podiam ver sombras indo e vindo, ora resmungando, ora lamentando a morte. Penosas e tristes... tristes como o ramo daquelas árvores, triste como lágrimas.
Perla suspirou, sentindo esvair toda a sua alegria... Mordeu o lábio inferior, lembrando-se das palavras lidas no portal... "Aquele que aqui entrar perde toda a esperança ". Ela sabia que o pior ainda estava por vir.
Aparentemente, aquelas pessoas, enfurnadas nas suas próprias tristezas e lamentações, não perceberam a mulher transitar por entre eles, o que Perla agradeceu profundamente.
Aquele campo não parecia ter fim e ela suspirou resignadamente, sentindo-se cada vez mais deprimida, como todos que ali se encontravam.
Um pouco aliviada, viu um novo umbral, separando a primeira da segunda prisão. Ultrapassou o umbral, sem ao menos ter hesitado.
Arregalou os olhos ao se deparar com apenas uma faixa estreita que a levava para o portal que levava para a terceira prisão... era mais precisamente uma ponte.
A ponte era de uma aparência velha, as madeiras davam a impressão de que iriam cair a qualquer momento e as cordas cobertas de limo, lhe causavam asco e ao mesmo tempo dúvidas. Será que aquela ponte a agüentaria.
Sentiu-se tesa no lugar e, só então, percebera que havia perdido mais uma de suas virtudes... a coragem.
Ela deu os primeiros passos em direção da ponte. Mordeu o lábio inferior ao começar a ouvir os lamentos das outras sombras. Uma luz avermelhada iluminou fortemente o local e Perla se sentiu como se estivesse atravessando a cratera de um vulcão.
Seus pés alcançaram a primeira tabua da ponte e ela rangeu levemente. Fechou os olhos, sentindo a mão pegajosa por causa do limo que havia nas cordas.
Caminhou a passos lentos a calculados, dando o máximo de si para fazer com que as pernas continuassem a andar, já que as mesmas pareciam ser feitas de chumbo. Sentindo o coração palpitar dentro do peito ela mordeu os lábios com mais intensidade, sentindo-o doer um pouco ao mesmo tempo em que tentava ignorar o ardor em suas costas.
Os gritos e lamentos se tornaram mais fortes, agora ela poderia ouvi-los nitidamente. Eles gritavam, berravam e clamavam por misericórdia, alegando serem inocentes, mas, Perla sabia perfeitamente onde se encontrava: o vale dos assassinos.
Tentando ignorar as vozes que agora apagaram de vez a voz de Harry, que ainda lhe chamava ao longe, ela continuou seu trajeto, e daria tudo certo se ela não ouvisse a ponte ranger furiosamente e o som de algo se partindo.
O chão sumiu sob um dos seus pés e ela pode sentir milhares de mãos agarrarem sua perna que ficara presa entre a tábua, tentando puxa-la para baixo.
A ponte balançava violentamente e Perla crispou as mãos entre as cordas. As mãos que seguravam sua perna queimavam a sua pele como brasa e ela gritou de dor, sentindo as lágrimas começarem a brotar pelo seu rosto.
As lamúrias se tornaram mais altas, os gritos cada vez mais incapazes de se suportar. Perla sentia sua sanidade ao extremo, mas sabia que não podia desistir. Como se protestasse com a dor que agora sentia, as suas costas latejaram fortemente.
Ela balançou a perna violentamente, não se importando com o fato da ponte balançar perigosamente. Podia ter perdido a sua coragem, mas ainda assim, sua determinação prevalecia.
Perla ergueu o corpo lentamente e inspirou profundamente. Agarrou as mãos à corda e tentou se levantar, mas o limo fazia com que sua mão escorregasse por entre ela e ela tornava a voltar.
Mordeu o lábio inferior com mais intensidade e sentiu um gosto amargo em seus lábios... sangue. Inspirando profundamente tornou a forçar sua saída. Um novo grito de dor escapou dos seus lábios a medida em que ela conseguia levantar a perna e as mãos ficavam totalmente cobertas de limo e vermelhas, devido ao atrito da sua pele com a corda.
Deixou-se cair sob as tábuas da ponte, soltando um fraco gemido ao perceber que conseguira escapar. A queimação na perna diminuiu um pouco, mas suas mãos ainda ardiam e o lábio latejava, assim como as costas.
Num pensamento irônico, ela prometera a si mesma que, se sobrevivesse a isso, mataria Sirius na melhor das oportunidades.
Sem ter forças para se levantar, ela arrastou o corpo penosamente até o final da ponte. Recostou a face no chão de pedra, que se encontrava um pouco quente, a procura de forças para continuar.
Fechou os olhos por breves segundos... Iria desistir agora? Sentia-se cansada, indisposta e tudo o que desejava agora era ter um merecido descanso... um descanso eterno.
Sem ter forças para se levantar, ela arrastou o corpo penosamente até o final da ponte. Recostou a face no chão de pedra, que se encontrava um pouco quente.
Percebeu então que se encontrava à beira da terceira prisão. Levantou meio corpo, mostrando o rosto pálido já manchado pelas lágrimas que constantemente caiam pelo seu rosto.
Com um novo gemido de dor, ela engatinhou lentamente, atravessando o umbral. Sentiu o corpo estremecer e gritou de dor novamente ao sentir a pele extremamente quente sobre o gelo.
Umedeceu os lábios, e sentiu-os extremamente gelados. Se ela se olhasse no espelho, poderia ver os seus lábios ficarem arroxeados e olheiras fundas e nítidas ao redor dos seus olhos.
O sangue superficial dos cortes congelaram, formando uma leve película de gelo sobre os mesmo. A cada movimento, Perla sentia a ponta dos gelos entrarem na sua carne. Sua face estava pálida e gélida como uma porcelana.
Não chegou a andar muito, quando deixou-se cair novamente no chão, sem forças para continuar. Não estava mais disposta a continuar... não tinha determinação suficiente para isso.
Por breves segundos, sua mente deixou-se ser povoada por Sirius. Iria desistir estando tão perto do seu objetivo? Ainda havia chances de encontra-lo – em condições muito melhores do que a que ela estava até – e leva-lo de volta com ela. Iria desistir agora estando tão perto? Onde estava tudo o que ela dizia sentir por ele que arriscara até a morrer por causa de um plano que tinha tudo para dar certo ou errado? Ela então, iria desistir agora estando tão perto?
Mas uma parte dela desejava estar ali, suplicando para que a neve cobrisse todo o seu corpo e que, assim, levasse com a sua vida todas as dores que sentia. Por Merlim, ela não mais agüentava tudo aquilo.
Novas lágrimas rolaram pelo seu rosto e congelaram na sua face... Por que mais ela teria que passar? E se nada disso adiantasse?
Enterrou as mãos na neve e fechou-as com força, ao mesmo tempo em que um soluço escapava dos seus lábios. Desejava ardentemente que ele estivesse ao seu lado naquele momento e que a ajudasse a continuar...
Mas, sabia que, talvez, jamais o veria novamente... não por não encontra-lo, mas por ter sido fraca o suficiente para continuar...
Suas mãos soltaram a neve que estava entre elas e ela enterrou-as no chão... Arregalou os olhos um pouco assustada ao se deparar com o que parecia ser uma mexa de cabelos.
Meio relutante, ela ergueu um pouco o corpo e arrastou um pouco da neve que tinha embaixo de si. Sentiu um arrepio percorrer o seu corpo ao se deparar com uma face humana, enterrada no gelo. Afastou-a dela lentamente, e deixou escapar um grito ao ver que a criatura havia aberto os olhos.
Seu coração palpitava, ao mesmo tempo em que ela ouvia o seu grito ecoar pela prisão. Suspirou aliviada quando viu que ele havia fechado os olhos novamente e que, talvez, tudo não passasse de uma ilusão sua.
Ela gostaria então, de ficar igual aquela mulher? Abdicaria assim, do amor de Sirius? De todos que lhe amavam? E, foi com esse pensamento que ela ergueu o corpo lentamente e passou a andar a passos cambaleantes, ignorando toda a dor que sentia.
Uma neve começou a cair, fazendo-a tremer de frio, dificultando assim, sua passagem para a próxima prisão. Sentiu o chão tremer sobre os seus pés e uma mão surgir do solo e fechar sobre o seu tornozelo.
Perla tremeu de desespero, sentindo o corpo cada vez mais frio. Sem pensar duas vezes, abaixou-se e cravou as unhas na mão que a segurava, até que, derrotada, a mesma a soltasse.
Decidira, então, que o melhor a fazer era sair dali o mais rápido possível. Ela apressou o passo o máximo que seu corpo já machucado permitia-lhe fazer, ao mesmo tempo em que podia sentir o chão tremendo levemente e o som de gelo se partindo, não ousou a olhar para trás e, foi com um suspiro aliviado, que ela atravessara o portal... estando então na quarta prisão.
Sentiu o corpo protestar devido a tantos choques térmicos que sofria já que, agora, se encontrava num deserto. O vento uivava levemente, levantando uma espessa poeira, mas não havia sinal de sombra alguma.
Perla sentiu um vazio dentro de si, um aperto no peito que não soube explicar. Era como se tivesse uma mão esmagando o seu coração sem piedade...
Deixou-se cair de joelhos na areia quente e, novamente, sentiu a sua pele sendo queimada pela temperatura... Ela achava que não mais se daria ao luxo de chorar naquele inferno, mas sentiu as lágrimas geladas rolarem pelo seu rosto extremamente quente.
"−E por que você não foi ficar com o Remo?
−Por que eu queria ficar com você..."
A dor em seu peito piorou e ela começou a ofegar... O rosto que agora a beijava em seus pensamentos, não passava de uma sombra disforme de intensos olhos azuis. As lágrimas começaram a rolar com mais intensidade pelo seu rosto...
"Os beijos eram cada vez mais intensos. Ela já tinha perdido há muito tempo consciência do que estava fazendo..."
Brilhantes olhos azuis...
"Tudo o que conseguia, era segurar Sirius com a maior força possível..."
Lisos e negros cabelos...
"Ela tremia a cada toque. Seu coração batia descompassadamente..."
Um sorriso maroto no rosto...
"− Eu não vou fazer nada que você não queira...
− Mas eu quero... Só tenho medo.
− Não vou te machucar, Pequena. Jamais deixaria que algo de ruim te acontecesse... você gosta de mim, Perla?"
− Sirius... – ela sussurrou um nome, que, em sua mente estava cada vez mais vago, para, logo depois reprimir um soluço.
"− Não... Eu te amo. Eu sempre te amei."
Se tornando cada vez mais vago...
− Sirius...
Ela lutava para não esquecer.
"Seria dele."
− Sirius...
Ela não mais via o seu rosto.
"Do garoto que amava."
− Sirius...
Muito menos os seus olhos...
"Do garoto que sempre amou."
− SIRIUS!
O grito de Perla ecoou pelo deserto, enquanto ela escondia o rosto entre as mãos. O vento uivou levemente, como se estivesse disposto a acabar com aquele eco.
Passado alguns minutos, ela retira as mãos do rosto, ainda manchado pelas lágrimas que insistiam em cair do seu rosto.
− Por... – ela sussurra, vendo a mão banhada pelas lágrimas. – Por que eu estou chorando...?
Ficou fitando as próprias mãos por alguns instantes para, logo depois, se levantar calmamente. Sentiu o corpo protestar de dor, mas não se importou, o que mais desejava era sair dali o mais rápido possível. Para quê, ela não sabia. Mas ainda tinha algo a procurar...
Lembrou-se de Hades e seus lábios se abriram num riso cínico. Sim, ela tinha que voltar para o seu corpo, e o deus do Inferno era o único capaz de fazer isso por ela. Desejava ardentemente voltar para o seu corpo e ninguém iria impedi-la de conseguir alcançar o seu objetivo.
A travessia pelo deserto fora tranqüila. Podia divisar alguns vultos chorando pelos cantos, lamentando amores não-vividos, amores insatisfeitos... E ela deixou-se rir debochadamente. Porque aqueles mortos não se davam ao trabalho de esquecer aquele sentimento a ter que passar o resto da eternidade lamentando por não te-lo?
E, foi ainda sentindo uma saudade de algo que não sabia explicar, que ela adentrou o portal que dava acesso a quinta e última prisão.
Estava num pântano. Ela podia sentir o cheiro fétido de putrefação e as águas negras que se espalhavam por todo lugar. Uma leve neblina o encobria, dando um ar mais assustador àquele lugar.
Só havia uma faixa estreita de terra que dava acesso ao outro lado, e esta estava cercada de água negra pelos lados. Perla soltou um longo suspiro e caminhou lentamente, ignorando os resquícios de dor que insistiam em atacar o seu corpo.
Percorrera aproximadamente três quartos do caminho, quando sentiu algo molhado e gélido puxa-la para dentro da água.
A mesma aparência pálida, os mesmo olhos sem vida. Mãos e corpos que se agarravam a ela, dispostos a impedi-la de voltar a superfície. Perla lutou contra todas as almas que insistiam em carrega-la para baixo, já começando a sentir o ar faltar...
Tudo ao seu redor ficara ligeiramente silencioso. Ela não mais sentia dores, não mais sentia as mãos que a seguravam firmemente e desciam-na cada vez mais para aquele breu que era aquelas águas que não tinham fim...
(Continua...)
Em primeiro lugar queria pedir mil desculpas pela demora desse capítulo. Confesso que as últimas semanas foram meio conturbadas pra mim, por isso demorei como nunca havia feito antes. Tentarei não deixar isso acontecer novamente. Mas pelo menos vocês foram recompensados com um mega capítulo. Tão grande que teve que ser cortado, afinal, acho que vocês me mandariam pro Mundo de Hades se ele demorasse mais um pouco (risos). Esse capítulo teve muitas revelações, muitas coisas pra deixarem vocês curiosos.O que acharam? Não hesitem em deixar opiniões.
Em segundo lugar, queria dedicar esse capítulo primeiramente como presente de aniversário para a minha grande amiga Ninha , que foi a minha primeira review na minha primeira fic e sem ela, esta saga não teria chegado aonde chegou. Também quero dedicar pra super Lisa Black, que além de ser minha grande amiga, conselheira sentimental, espiritual, sobrinha-mãe, é também a minha mais nova beta. Também foi a pessoa que mais me ajudou com esse capítulo, seja dando idéias, seja escrevendo algumas partes ( Créditos da parte do Mundo de Hades são todos pra ela ). E por fim, e não menos importante, as pessoas que me alegram quando apertam aquele botão roxo no final da página, que participam cada dia mais da minha vida e que se tornaram pessoas mais do que especiais para mim:
Krol (quem disse que suas idéias são viajadas? Não é q a Perla "aproveitou" sua "morte"), Friendship Black (Eu não gosto de fazer cenas de duelos, por isso tentei se rápida. Sim a review foi grande e eu amei), Srta. Wheezy (vc tb sempre pode contar comigo viu? É mais do que ESPECIAL), Anninha (FELIZ ANIVERSÁRIO!), Anaisa (A Perla não morreu, não exatamente!), Brunah (Desculpe pela demora! Quanto a Sarah, vc sabera no proximo capitulo), Lele Potter Black (Fico feliz que tenha gostado do capítulo. A resposta sobre a Sarah vem no proximo capitulo), Tha (Não tem mais duelo, mas espero que tb ache esse capitulo perfeito), Gabi (Nha, kd vc sumida? Saudades), Bruna Lupin Black (Amei sua big Review. Desculpa pela demora do capítulo!), Lele (fico feliz q tenha gostado do Capítulo. Espero q goste desse tb) e Sandra Potter (Desculpas pela demora. E como disse, a esperança é a última q morre!)
Beijos para todas vocês e me desculpem não responder direito os comentários... o tempo está curto!
