Capítulo 15 – Laços de Família (Parte II)


Perla abriu os olhos de forma relutante e soltou um fraco gemido, sentindo o corpo todo latejar. Sentia o corpo tremer de frio e a água gélida pingar dos seus cabelos e escorrer pelo seu rosto lentamente.

Deixando escapar outro gemido de dor, ela ergue o rosto do chão, sentindo a terra grudada em sua face úmida. Levantou-se um pouco com dificuldade e sentou-se, respirando de forma arfante, devido a dor sentida.

− Você está bem? – ela ouviu alguém indagar roucamente.

Sentindo-se um pouco zonza, ela ergueu um pouco o olhar que até o momento se encontravam em suas mãos extremamente vermelha e ferida e se deparou com um conjunto de roupas escuras e um tanto quanto desgastadas pelo tempo. Continuou a sua observação com o olhar e se deparou com um homem de longos cabelos negros, meio grudados sobre o rosto por onde desciam pingos escuros meio timidamente, enquanto os olhos extremamente azuis se enevoavam levemente. A loira sentiu o corpo tremer levemente e suspirou.

− Aparentemente sim. – ela continuou a encará-lo firmemente. – Você... você não está morto, está?

O homem franziu o cenho confuso e fez uma careta com a boca.

− Para falar a verdade, eu não faço a mínima idéia de como cheguei aqui. Mas, aparentemente, sinto que tenho uma consciência mais concreta do que os loucos que vivem nesse lugar. – ele tirou os longos cabelos que estavam grudados no rosto com certa arrogância e olhou-a com um sorriso no canto dos lábios. – As vezes acho que seria mais divertido imitar os que vagam para lá e para cá, mas acho essas atitudes um tanto quanto idiotas.

Ela apenas meneou a cabeça, exibindo um sorriso meio frio.

− Você está em dívida comigo, não se esqueça. – ele completou rudemente. – E não pense que vou deixar de cobrá-la quando tiver a devida oportunidade.

A raiva fervilhou dentro do peito de Perla e ela ergueu-se do chão tentando não demonstrar a dor que sentia ao realizar esse movimento e estreitou os olhos para o homem à sua frente.

− Eu não lhe devo nada. Eu não pedir para ser salva por você e portanto não devo me sentir obrigada a retribuir esse favor seu.

Perla sufocou uma exclamação de dor e susto quando o homem segurou-a firmemente pelo braço e a puxou para perto de si. Os olhos do homem estavam completamente estreitados e a face mais pálida do que o normal. O rosto de ambos estava muito próximos e ela achou por um segundo que aquele homem desconhecido reagia de outra forma quando estavam assim... tão próximos. Em resposta a fúria vista no olhar dele, Perla exibiu um ar desafiador e ergueu a sobrancelha, ao mesmo tempo em que tentava esconder a dor que aquela mão sobre seu antebraço estava lhe causando.

− Ah, mas você não apenas deve, você tem de retribuir o meu pequenino favor. Ou eu te jogo de volta nessas malditas águas, para você festejar o seu grandioso orgulho com seus amiguinhos... – ele sorriu cinicamente e olhou na direção do pântano. – Eles estão ansiosos para que você se junte a eles novamente. Você deseja isso, Perla Montanes?

Ela apenas o encarou, assustada tanto pelo fato da ameaça dele, quanto pelo fato dele saber o nome dela. Seu braço já estava dormente devido à pressão que ele exercia sobre ele.

− Surpresa? – ele sorriu cinicamente. – Você não devia se surpreender. Andam falando muito sobre você ultimamente por trás daquela porta.

− Hades?

Ele riu friamente.

− Não, não. Você não é tão importante assim para ele falar sobre você. Quem fala é uma que se diz minha prima: Bellatrix Lestrange.

Os olhos de Perla faiscaram e Sirius alargou o sorriso.

− Agora. Como uma grande agradecida que você deverá se mostrar ser ante mim e ante a Hades... Você derrotará Belatriz num duelo... – ele agarrou o pescoço dela de modo um tanto quanto gentil, mas começou a aperta-lo de forma lenta e calculada, como se estivesse deliciado por ver o sofrimento da mulher a sua frente. – E cederá seu lugar gentilmente à mim.

− E se eu me recusar... – ela falou com certa dificuldade.

− Se recusar... – ele sorriu de forma quase maquiavélica e passou os lábios levemente pelo rosto dela no que ela se arrepiou. – Você saberá o verdadeiro sentido da palavra: Inferno. – ele sussurrou calmamente no ouvido dela. – Não pense que não irei cobrar a sua dívida perante a Hades quando a hora chegar.

− Veremos. – ela falou de uma forma desafiadora, no que Sirius a largou com um certo desprezo, no que a loira automaticamente levou as mãos ao pescoço.

− Assim espero, Perla. Siga-me.

Perla exibiu um ar superior e o encarou com puro asco.

− E o que te faz achar que eu vou seguir você? - ela sibilou irritada.

− Você não tem escolha. – ele sorriu de forma quase sinistra. – Ou você vem comigo ou te mandarei de volta para o lugar de onde eu te salvei.

Sirius a puxou pelo braço com uma das mãos e se dirigiu ao imenso portão negro que tinha à sua frente. Pouco depois, o homem empurrou o mesmo com a outra mão, no que ele rangeu ameaçadoramente.

Alguns segundos depois, Perla sentiu-se ser jogada portão adentro e gemeu de dor quando caiu aos pés de uma escadaria.

− Suba. – Sirius ordenou ameaçadoramente.

− Você não manda em mim. – ela retrucou desafiadora, enquanto se levantava lentamente. – Eu já disse.

O portão negro atrás de si se fechara com um estrondo, enquanto Sirius encarava Perla com os olhos estreitados.

− E eu já disse que você não tem escolha... Não me faça perder a paciência com você, Perla – ele disse num sibilo ameaçador, puxando-a para perto de si pelo braço – Suba.

Sirius novamente empurrou Perla bruscamente para a frente, no que a loira caiu ajoelhada nos primeiros degraus da escada, tendo que amparar parte da queda com as mãos, impedindo assim que batesse o rosto contra os degraus de mármore negro e brilhante.

Perla lançou um olhar mortífero e meio de lado para Sirius e, num impulso leve, levantou-se de forma orgulhosa.

− Maldito. – ela resmungou, no que Sirius exibiu um sorriso de canto de lábios.

− Vejo que finalmente aprendeu a lição, Perla. – ele alargou o sorriso de uma forma quase maníaca. – Agora, suba... e faça tudo da forma como eu lhe falei.

Perla não assentiu nem negou, apenas preocupou-se em fitar a escadaria que, aparentemente, era infindável e soltou um longo suspiro antes de começar a subir os degraus calmamente.

Os passos de Sirius ecoavam um pouco atrás dela e Perla mordeu o lábio inferior. Por que, apesar de tudo o que ele lhe fizera, ela sentia algo estranho quando o tinha ao seu lado? Mesmo odiando aquele homem... algo lhe dizia que aquela jamais era a verdadeira natureza dele... Balançou a cabeça a fim de espantar aqueles pensamentos e respirou profundamente. Talvez, estivesse um tanto quanto cansada de tudo aquilo...

Perla subiu aquelas escadas pelo que lhe pareceu serem dias, e sentiu-se aliviada por finalmente ter chegado ao topo. Deixou-se cair de joelhos no topo da escada e respirou de forma custosa e acelerada, enquanto apoiava as mãos no chão frio de pedra. Sirius, ao seu lado, apenas gargalhou friamente e a ergueu por um dos braços.

− Vamos, não temos tempo a perder. – ele falou seriamente.

− Eu estou... cansada. – ela retrucou com uma certa dificuldade. – Não está vendo?

− Pouco me importa. – ele disse com os olhos estreitados. – Se você estiver apta a vencer a Lestrange no futuro duelo que terão, para mim já basta.

Perla fechou os olhos e suspirou, deixando-se ser guiada por Sirius. Ainda podia sentir as dores no corpo e pôde jurar que uma voz longínqua a chamara de forma desesperada.

Ouviu o novo ranger de uma porta, mas sequer se atreveu a abrir os olhos. Sentiu-se novamente jogada ao chão e bufou de raiva.

− Faça sua parte... – ela ouviu Sirius sussurrar ao pé do seu ouvido e soltar um fraco risinho antes de se afastar.

Respirando com certa dificuldade, ela abriu os olhos lentamente e ergueu a cabeça para fitar tudo ao seu redor. Pelo ver de Perla, eles se encontravam num grande salão envolto numa penumbra peculiar e amedrontadora. Tudo ao seu redor era negro, a não ser pelas tochas azuis que iluminavam sinistramente o recinto.

Correu o olhar por uma escada negra à sua frente e, no topo dela, se deparou com um véu negro e quase turvo, mas que a permitia divisar uma figura meio disforme no centro. Sentiu um arrepio estranho percorrer sua espinha. Estava diante de Hades, o senhor do mundo dos mortos.

− Aqui está ela, Lorde Hades – Bella sibilou de forma quase excitada.

Perla automaticamente se levantou e voltou o olhar para a direção da voz da Comensal da Morte e estreitou os olhos, exibindo um ar de desprezo quando os olhares de ambas se chocaram.

− O Senhor conhece as regras desse feitiço – ela continuou com uma breve reverência. – Longe de mim aborrece-lo com explicações... Peço-lhe então... Oh, senhor supremo do submundo, que me devolva a vida, em troca da alma dela – ela apontou significativamente para Perla, cuja face se contorcera de profundo ódio – Nada mais justo, milorde, visto que eu quem conjurei o feitiço.

− Ela está morta, Hades – falou Perla num sussurro. – Ela já lhe pertence. Não havia razões para me mandar aqui. Meu corpo clama pela volta do meu espírito, e, quanto ao dela, já se encontra aqui. Eu é quem devo voltar. Bellatrix Lestrange agira como uma covarde. – ela sorriu cinicamente – Não merece a sua misericórdia, muito menos que um deus se rebaixe a tal ponto de atender a um pedido feito por essa mortal tão insignificante quanto ela.

− Prometo-lhe ser uma serva fiel a ti se me permitir voltar a terra – insistiu Bella, fazendo uma breve reverência. – Mandarei muitas almas para ti. Assim como fiz com o humano que agora se encontra entre nós.

Sirius, que àquele ponto estava recostado à parede, estrategicamente escondido entre as sombras, olhou perigosamente para Bellatrix e exibiu um ar de profundo ódio.

− Silêncio – uma voz grave e etérea ecoou por entre as paredes do recinto e Perla sentiu o corpo estremecer tamanha a frieza e imponência que havia naquela voz. Era Hades – Não há uma escolha e sim um vencedor... Duelem e a vencedora terá o direito de voltar ao mundo dos vivos, assim ordena Hades e assim será.

− Duelar? – a voz de Bellatrix soou meio receosa – De que forma, Milorde?

A gargalhada fria e cortante de Hades ecoou pelo recinto e Perla sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

− Com medo, mortal? Eu achava que você tinha mais coragem...

A loira percebeu Bellatrix crispar as mãos num sinal de ódio reprimido e sorriu de forma triunfante. Hades, entretanto, tornou a rir, fazendo com que Perla apagasse o sorriso imediatamente.

− Você está em os meus domínios agora mortal. Não queira fazer nada contra mim, sei cada um dos seus pensamentos e sinto cada uma das suas emoções.

Bella exibiu um ar surpreso, no que Perla se segurou para não gargalhar.

− Duelem da forma que mais são experientes.

Perla automaticamente levou as mãos ao bolso direito e encontrou o punho da varinha. Há poucos metros de distância, Bella fazia a mesma coisa, na forma mais discreta possível.

Crucio – Bella murmurou, voltando-se para Perla, agindo de forma desleal.

Com uma agilidade que não sabia que tinha, Perla desviou do feitiço da morena e estreitou os olhos, executando um não-verbal.

Bella fez o mesmo, invocando um feitiço de proteção, para logo depois lançar novamente a maldição Cruciatus, que foi facilmente repelido pela loira.

− Você está muito lenta ou é só impressão minha, Bellinha? – Perla murmurou em tom de deboche, após ter se desviado de mais um feitiço. – Isso só facilita as coisas... Expelliarmus.

Bella riu desdenhosamente quando desviou do feitiço da loira com exatidão.

− Impressão sua, Perla Montanes. Avada...

Impedimenta – gritou Perla, impedindo que o feitiço de Bella se concretizasse.

O duelo decorreu com uma fúria imensa. Sirius Black apenas assistia a tudo aquilo com um sorriso debochado em seus lábios e a mão direita a brincar com algo dentro do bolso da capa.

− Eu venci, Hades. – Perla disse em tom de triunfo, enquanto Bellatrix arquejava no chão após ter recebido um Avada em cheio no peito (como ela já estava morta, não podia morrer novamente.) e a encarava com um profundo ódio – Exijo então que... – mas a voz da loira pareceu morrer de imediato, sendo seguida de balbucios ininteligíveis, como se ela estivesse sendo forçada a falar, mas não conseguia... ou não queria.

− Sua perspicácia muito me admira, Black. – a voz de Hades ecoou forte pelo recinto – Enfeitiçar a mortal deslealmente para garantir sua volta ao mundo dos homens novamente... muito esperteza da sua parte.

Os lábios de Sirius se abriram num sorriso cínico e ele retirou o feitiço de Perla, que pareceu acordar de um transe.

− É uma pena que tenha descoberto... – ele disse calmamente.

A figura de Hades pareceu aumentar e foi com um ar surpreso que Perla ouviu os passos imponentes do deus ecoarem pelo salão. Alguns segundos depois, a cortina é levemente afastada e o senhor dos mortos se faz visível.

Perla prendeu a respiração. Não podia negar que o deus era, de certa forma, muito atraente. Ele utilizava um manto negro sobre o corpo e tinha longos cabelos meio esverdeados e os olhos negros, profundos... hipnotizantes. Olhos que pareciam guardar o universo inteiro dentro de si. A face era de uma palidez peculiar e seus lábios se abriam em um meio sorriso cínico.

− Não teme agir dessa forma na frente de um deus, Black? – Hades falou calmamente, no que Sirius exibiu o mesmo sorriso cínico que o deus exibia.

− Estou aqui há tanto tempo que... hum... posso considera-lo como um "amigo". Mas, se o senhor não deseja que eu continue a atormenta-lo por toda a eternidade, sugiro que me conceda a benção que será dada a Perla Montanes... – ele fez uma breve reverência. – Lorde Hades – ele completou num leve tom de ironia.

− Você possui uma certa presença de espírito, Black – comentou Hades. – O que muito me admira, por se tratar apenas de um reles mortal.

Sirius alargou o sorriso.

− Mas, ainda assim, o direito à volta ao mundo dos homens, é da mulher.

Perla exibiu um ar triunfante, no que Sirius apenas silenciou por alguns minutos, exibindo um ar estranhamente pensativo

− Eu estou vivo, Hades. Fui jogado aqui com o meu corpo, como a Lestrange mencionou... Isso me deixa num patamar acima de Perla Montanes. E, pelo que me recordo vagamente, quem passa por aquele portal, jamais volta, a não ser com o consentimento do próprio Senhor dos Mortos. A mulher está mais morta do que viva, do que adianta dar a vida para ela novamente?

Perla voltou-se para a Sirius com os olhos estreitados.

− Ah,como se fosse algo extremamente normal alguém morto voltar à vida, assim, sem mais nem menos. – ela disse irônica.

− Você acha que, a esse ponto, os outros humanos devem achar que o seu corpo ainda está vivo? Se duvidar, seu corpo, frio como agora se encontra a sua alma, deve estar a caminho do crematório! – disse Sirius antes de gargalhar.

− Você está blefando, seu maldito! – disse Perla com fúria.

− Montanes, Montanes, eu nunca blefo... – ele disse com um meio sorriso, aproximando-se da garota a passos lentos e calculados, como um predador que ronda a sua presa. – Mas... – ele passou a mão de leve pelo rosto dela, no que a loira sentiu um estremecimento estranho assolar o seu corpo inteiro. – É realmente uma pena guardar tamanha beleza nesse inferno... – ele soltou um fraco riso e continuou, aproximando-se levemente do rosto dela. – Prometo lembrar-me sempre de você, quando estiver de volta à vida... – ele sussurrou, no que Perla sentiu um hálito estranhamente quente sobre os seus lábios.

A gargalhada fria de Sirius ecoou pelo recinto, no que Perla abriu os olhos e, num gesto irritado, empurrou a mão de Sirius para longe do seu rosto, encarando-o com fúria.

− Tire suas mãos imundas de cima de mim, seu maldito! – ela bradou, erguendo a varinha e apontando para Sirius, que riu mais um pouco.

− Ora, ora... Devo informar a você, cara Perla, que você não é a única a estar armada aqui. – disse ele, tirando a varinha do bolso.

Um sorriso satisfeito brotou no rosto de Hades quando os primeiros feitiços escaparam das varinhas do casal.

Um novo feitiço ricocheteou nos ares, atingindo uma parede e explodindo seus blocos em vários pedaços. Hades gargalhou friamente e, calmamente, se dirigiu ao seu trono, sentando-se nele de forma majestosa, enquanto o véu tornava a cobrir o seu rosto.

Discórdia, Ódio e Egoísmo se misturavam aos ataques quase furiosos que Sirius e Perla lançavam um para o outro.

Passado algum tempo, sem que um dos lados cedesse vitória ao outro, ambos pararam, completamente ofegantes.

Sirius exibiu um sorriso fraco, enquanto Perla ainda o encarava com os olhos estreitados.

− Uma oponente a minha altura, Montanes – desdenhou Sirius, entre ofegos.

− Veremos quanto tempo você ainda vai durar em pé, Black... – ela inspirou profundamente – Estupefaça! – ela gritou, no que Sirius desviou agilmente.

Sirius atacou de volta, no que Perla desviou de um novo feitiço, que ricocheteou a parede e sumiu na parede.

Sectusempra! – disse Perla num murmúrio.

Com um sorriso, Sirius tornou a desviar do mais novo feitiço que Perla lhe lançara mais, antes mesmo que pudesse lançar o seu, viu um jato vermelho vir em sua direção e, não dando tempo de desviar, arregalou os olhos quando ele o atingiu em cheio no peito.

-Per... la... – ele sussurrou, a voz não mais tendo o tom frio de antes.

Assim como foi antes de atravessar o véu, o corpo do homem descreveu um arco suntuoso antes de cair de costas no chão.

Os olhos da loira marejaram e seu rosto perdeu mais a cor. Num gesto rápido e quase desesperado, ela largou a varinha no chão, como se segurar a mesma a fizesse sentir dor, e correu de encontrou ao corpo de Sirius, que agora praticamente inerte.

− Sirius... – ela o chamou baixinho, enquanto colocava a cabeça dele em seu colo cautelosamente. – Me perdoa, Sirius, eu estava fora de mim... Eu... Me perdoa... por favor... eu não queria... – ela reprimiu um soluço. – Eu não sei... – ela passou a mão de leve pelo rosto dele, mirando firmemente aqueles olhos completamente fechados – Por favor...

Com um leve gemido, Sirius abre os olhos vagarosamente e sorri radiante quando o rosto da loira entra em foco.

− Eu estou bem, Pequena... – ele murmura baixinho – É tão bom ver você novamente...

Foi exibindo um fraco sorriso que Perla viu Sirius puxa-la para um beijo, com uma força maior do que uma pessoa normalmente teria por ter sido atingido por uma azaração como aquela.

Aprofundando o beijo com ardor, sentindo o gosto das lágrimas que caiam dos seus olhos, Perla descansou a mão no ombro de Sirius, como quem desejasse enlaça-lo, prendendo junto a si para que nunca mais desaparecesse.

− Desculpa... por ter te atacado assim... Eu... – ela murmurou, rouca, logo após Sirius ter rompido o contato entre seus lábios, um tanto quanto relutantes.

− Shiii... – ele disse baixinho, acariciando os loiros cabelos da mulher. – Você não tinha consciência de quem eu era, tão pouco eu tinha consciência de você também... O mundo de Hades é assim... Todos nós, por mais fortes que somos, sucumbimos ao poder que paira nesse lugar, e somos sucumbidos ao esquecimento...

Hades, que a tudo observava com um ar de surpresa e um pouco de asco, sentiu uma mão delicada pousar em seus ombros e voltou o olhar para sua esposa, Perséfone.

− Não acho justo só um deles ser levado de volta... – ela sussurrou com uma voz doce que ao mesmo tempo denotava um certo ar de mistério e temor. – Veja, Hades, o amor que um sente pelo outro é completamente claro... – ela esboçou um tênue sorriso quando o casal trocou um novo beijo, alheio a tudo a seu redor. – A mortal certamente só veio até aqui com o intuito de salva-lo. Mas, assim como todos que atravessam as prisões, foram fadados a dor do esquecimento...

− Mas... – Hades tentou contestar, mas se calou perante ao novo sorriso que Perséfone esboçou. Suspirou resignado. Não se podia negar que a sua Rainha exercia um poder muito grande sobre ele. E, de Senhor dos Mortos, Hades passava a ser um simples servo, disposto a atender aos pedidos da sua amante e senhora.

− Hades... Por que não considerar? A alma da mortal não mais lhe pertence, pois ela vencera a outra no duelo. E, quanto ao mortal... ele ainda esta vivo. Ainda há muito o que viver... Por que não?

Hades tornou a suspirar.

− Se continuar assim, meu mundo vai acabar ficando vazio, Perséfone.

Perséfone soltou um risinho e meneou a cabeça.

− Levantem-se – ele bradou para o casal, que ainda conversavam baixinho um com o outro.

Perla e Sirius tiveram um leve sobressalto e voltaram o olhar para a direção do trono de Hades.

O moreno gemeu de dor quando ergueu o tronco para se levanta no que Perla, gentilmente, ajudou-o a se levantar e o sustentou – com um pouco de dificuldade – em um dos ombros.

− Hades... – disse Perla baixinho. – Eu só desejo voltar se o Sirius for comigo...

− Perla... – o moreno sussurrou para ela, apertando levemente a região atingida pelo feitiço da loira, que ainda doía um pouco – Você vai...

− Eu não vim aqui para ir embora sem você, Sirius... – ela respondeu para ele no mesmo tom e depois voltou para Hades – Por favor, Hades, eu sei que o senhor...

− Eu concedo a volta dos dois mortais...

− Eu... – Perla exibiu um radiante sorriso e encarou Sirius de soslaio, mas, antes que ela continuasse a dizer qualquer coisa, Hades começou a murmurar algo em uma língua desconhecida para ela e, o mesmo véu que constava presença no departamento de mistérios do Ministério da Magia, apareceu no meio do salão do Senhor dos Mortos.

Atravessem e voltarão a vida...

Ainda surpresa, Perla lanço um novo olhar para Hades, e viu um novo vulto, situado ao lado do trono.

− Perséfone... – ela disse num sussurro rouco – Obrigada.

Se não estivesse um véu cobrindo Perséfone, Perla poderia vê-la sorrir e apertar o ombro de Hades levemente.

− Ele me lembra um pouco a ti, Hades... – foi a última coisa que Sirius e Perla ouviram, antes de atravessarem, juntos, o véu que os levaria de volta a vida

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− Uau – Exclamou Rony, após Perla terminar o seu relato sobre o mundo dos mortos – Vocês realmente estiveram no inferno?

− Pode-se dizer que sim – respondeu Perla sorrindo. A loira andou até ficar frente a frente com Sirius. O moreno a abraçou, deixando uma lágrima solitária escapar por seu rosto.

− Uau – repetiu Rony.

− Você foi muito corajosa, Perla – disse Dumbledore, novamente juntando as mãos – Provou que seu amor por Sirius era mais forte e mais importante que sua própria vida. Perséfone não interveria a favor de vocês se não percebesse a grandeza desse sentimento.

− Não acredito que você também seja uma animaga ilegal? – comentou Remo, surpreso com a descoberta.

− Ilegal? Quem disse que eu sou ilegal? – respondeu Perla, fingindo ter se ofendido – Pode consultar no Ministério da Magia. Estou devidamente registrada. Mesmo que seja como Elizabeth Stoller – Sirius olhou para ela, com muito espanto – O que? Se até o Pettigrew conseguiu, por que eu não conseguiria?

− Eu não disse nada – defendeu-se Sirius, sorrindo marotamente, abraçando-a novamente.

− Você passou pela mesma coisa que ela? – perguntou Harry para o padrinho, muito chocado com o relato de Perla sobre tudo que ela passara no mundo de Hades.

− Acredito que sim – ele respondeu, pegando a mão de Perla, encostando-a na sua – Eu não me lembro de quase nada que aconteceu comigo, antes de abrir os olhos e ver Perla na minha frente no Salão do Castelo – a loira encostou a cabeça no ombro dele, as mãos ainda juntas – Mas como não vejo minha aliança desde aquele dia no Ministério, acredito que tenhamos passado pelas mesmas situações.

− Aliança? – estranhou Hermione – Vocês dois...

− É a sua vez de contar – falou Perla para Sirius, que apenas sorriu e concordou.

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(Dia das Bruxas – Morte de Lílian e Tiago Potter)

Sirius esperava pacientemente pela namorada no saguão de entrada do Ministério da Magia. Os dois tinham combinado de almoçar juntos, mas a loira parecia ter se esquecido disso, pois ainda não tinha aparecido.

Depois de trinta minutos de espera, ela apareceu levemente irritada com alguma coisa. Deu um beijo rápido no namorado e o puxou para a saída do Ministério.

− Algum problema? – perguntou o moreno, quando já estavam do lado de fora.

− Está tudo uma confusão daquelas lá no departamento – ela respondeu mal humorada – Detesto dia das Bruxas.

− É sempre assim nesse dia. Você já devia estar acostumada – disse Sirius a abraçando por trás e lhe dando um beijo em seu pescoço, fazendo-a se arrepiar da cabeça aos pés.

− Aonde vamos?

− Surpresa – ele respondeu, sorrindo marotamente.

Os dois subiram na moto e saíram pelas ruas de Londres. Sirius tinha todo o esquema preparado e sabia que Perla não só ia gostar, como também ficaria muito surpresa.

Naqueles dias, tudo que ele queria era poder fazer todas as coisas que deixavam Perla feliz. Lílian e Tiago já estavam escondidos em Godric's Hollow, Pedro também estava escondido, só que no apartamento de Perla e ele estava tomando todo o cuidado possível para não ser abordado pelos comensais da morte, que suspeitavam que ele fosse o fiel do segredo dos Potter.

Ele parou a moto em frente a um prédio trouxa, no coração de Londres, onde funcionava o fórum principal. Perla desceu da moto sem entender o que estavam fazendo ali, já que não havia nenhum restaurante pela redondeza.

− Sirius, o que...

− Lílian me pediu pra pegar um documento pra ela aqui – ele respondeu antes que a namorada pudesse terminar a pergunta – Não tem problema, não é?

− Não... eu só estranhei.

Os dois subiram as escadas de entrada do prédio rapidamente. Ao entrarem no local, Sirius foi até a recepção enquanto Perla sentou numa cadeira que havia no saguão de entrada, após sentir uma leve tontura.

− Vamos – disse Sirius, a ajudando a se levantar.

− Vamos aonde? – ela perguntou, começando a se sentir enjoada.

− Terceiro andar – ele respondeu, puxando-a em direção ao elevador – Está se sentindo bem?

− Tontura...

− Será que...?

− Eu não sei. Ainda não peguei o resultado daquele exame – ela respondeu, enquanto eles entravam no elevador e apertavam o botão do terceiro andar.

− Você devia ir pegá-lo hoje – disse Sirius, passando a mão levemente pela barriga dela – Pode ser que já tenha um Sirius ai!

− Eu pensei que você queria uma menina! – falou Perla, saindo do elevador.

− Tanto faz. Um filho meu e seu será perfeito seja menino ou menina – respondeu Sirius, fazendo Perla rir.

− Posso ajudá-los? – perguntou um rapaz que deveria ser apenas alguns anos mais novo que eles.

− Sr. e Sra. Black – disse Sirius para o garoto, que consultou uma lista.

− Ah sim. Vocês estão sendo aguardados. Podem entrar – disse o menino, apontando uma porta logo a frente deles.

Perla seguiu Sirius sem saber o que ele estava aprontando. Tinha certeza que aquilo não tinha nada a ver com o tal documento que Lílian havia pedido. Só não conseguia entender o que ela estava fazendo ali.

Ao abrir a porta, eles deram de cara com uma sala pequena, onde havia uma mesa no meio. Havia um homem de terno em pé atrás da mesa, que sorriu ao ver os recém chegados. Perla ficou ainda mais assustada ao ver que Amélia Bones e Dumbledore também estavam lá dentro.

− Podemos começar? – perguntou o homem, olhando um pouco assustado para Dumbledore, que tentara se vestir de trouxa, mas mesmo assim, chamava atenção pela sua longa barba e pelo chapéu que usava.

− Começar o que? – perguntou Perla, sem entender nada.

− Me dá um minuto? – perguntou Sirius para o homem que concordou. Ele se afastou um pouco levando Perla

− Sirius, o que está acontecendo?

− Pê, lembra quando eu te pedi em casamento na semana passada?

− Sim, eu lembro. E me lembro perfeitamente de você dizer que faríamos isso assim que tudo terminasse.

− Eu não posso esperar mais – ele respondeu, tentando não parecer aflito – Eu te amo mais do que tudo nessa vida e não quero te perder.

− Está com medo de acontecer alguma coisa, não é?

− Não me importa se vai acontecer alguma coisa comigo. Mas eu não ficarei em paz enquanto não puder realizar todos os seus sonhos – Sirius respondeu, olhando Perla nos olhos – Sei que esse não é o casamento que você merece. Mesmo assim, é o que posso te dar nesse momento. E te prometo que, quando toda essa guerra acabar, você terá o maior casamento que já se viu em toda a história do mundo bruxo.

− Está me dizendo que me trouxe até aqui para...

− Perla Montanes, você ainda aceita ser a minha esposa? – ele perguntou, ficando de joelhos. Perla sorriu.

− Mais do que tudo no mundo.

− Será que agora podemos começar? – perguntou o juiz, que esperava impacientemente.

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− Então foi você! – disse Rony, apontando para Perla que ficou assustada com o tom de acusação do ruivo – Monstro e os quadros daquela velha maluca.

− Rony tem razão – apoiou Harry – Somente um Black poderia ter feito aquilo. E você é uma Black.

− O que foi que você fez com aquele elfo desgraçado? – perguntou Sirius curioso, um sorriso nascendo em seus lábios.

Hermione abriu a boca para retrucar sobre o comentário de Sirius, mas Rony murmurou um "não fale nada" que a fez fecha-la sem dizer nenhuma palavra. Porém, ela ficou olhando para o casal com uma expressão de profundo desagrado.

− Eu só realizei o grande desejo dele de ter sua cabeça exposta junto com o restante de sua família – defendeu-se Perla. Sirius ficou surpreso com a atitude da esposa – Meu senso de justiça fica muito alto quando estou como Elizabeth. Ele ficou rindo pra mim, dizendo que eu deveria ficar feliz por estar viúva. Não tive como ficar sem fazer nada – ela completou, no que Sirius riu.

− Só não entendo como conseguiu realizar essa "façanha" sem ninguém ver – falou Remo, bastante curioso – E também como fez para se livrar dos quadros da mãe de Sirius. Nós tentamos inúmeros feitiços e nunca conseguimos.

− Não se esqueça que eu também faço parte da Ordem de Fênix. Com a "morte" de Sirius, a Ordem ficava constantemente vazia e não era difícil pra mim saber quais eram esses momentos – respondeu Perla com naturalidade, sentando na cadeira – E quanto aos quadros... eles foram colocados lá com magia avançada. E somente usando Arte das Trevas foi possível remove-los.

− E como minha querida e adorada esposa mencionou, ela se tornou uma grande especialista nesse ramo – completou Sirius, massageando os ombros de Perla.

− Então você e Sirius eram casados? Não acredito que nunca tenha me contado isso – disse Thais bastante ofendida.

− Fico feliz em saber que não sou o único que não sabia disso - falou Remo, olhando de Perla para Sirius.

− Você também nunca me disse nada – falou Harry, parando em frente ao padrinho, num gesto de quem exigia uma explicação para toda aquela situação.

Sirius tirou a mão do ombro da esposa e se ajoelhou em frente ao afilhado, segurando suas mãos.

− Quando nos reencontramos, eu ainda acreditava que Perla estava morta. Já era por demais doloroso ver seu sofrimento pela morte dos seus pais. Eu não queria aumenta-lo lhe dizendo que você tinha uma madrinha que também morrera naquela época.

− Mas você a viu depois. No Largo Grimmauld... pouco antes de irmos pra lá quando o senhor Weasley foi atacado – Sirius ficou surpreso e intrigado ao saber que Harry tinha conhecimento sobre esse fato – Perla me contou que esteve na Sede da Ordem.

O moreno olhou rapidamente para a esposa e tornou a encarar Harry.

− Então ela também deve ter mencionado como esse nosso "encontro" terminou de forma não muito agradável.

− Mas por que não me contou que a tinha visto? Que havia descoberto que ela estava viva? – insistiu Harry.

− Porque se você se lembra, Harry, você já tinha preocupações demais naquela época com toda aquela confusão com Umbridge e o medo de que eu fosse apanhado. Você quase foi expulso várias vezes naquele ano, principalmente quando tentava entrar em contato comigo – explicou Sirius, tentando ser racional - Acha mesmo que não faria nada "irresponsável" se soubesse que sua madrinha, aparentemente morta, estava viva, trabalhando no Ministério da Magia como chefe dos aurores e com uma nova identidade?

− Quem o vê falando assim, até acredita que ele não é aquele Almofadinhas de antigamente – provocou Remo, no que Perla concordou.

− É a idade pesando nos ombros.

Harry abraçou Sirius com força, feliz ao ter a certeza de que ele estava mesmo ali, de volta. E junto com sua madrinha.

Seu olhar recaiu sobre ela, fazendo-o se lembrar de um detalhe que ele havia esquecido até o momento.

− Então eu estava certo em pensar que Sarah era filha de Sirius – ele disse, seu olhar fixo na loira, que se inquietou com a pergunta.

− Sarah? – estranhou Sirius.

− A garota que você viu na Ala Hospitalar, Sirius – respondeu Remo – Ela se diz filha da Perla. Ou de Elizabeth, tanto faz. Portanto, ela só pode ser sua filha também.

− Isso é impossível – disse o moreno, passando a mão várias vezes pelo cabelo – Eu e Perla não chegamos a ter filhos. Você sabe disso, Remo.

Perla e Thais trocaram um rápido olhar, que fez com que uma luz se acendesse na cabeça de Remo. Ele sempre soubera a verdade dos fatos. Apenas não tinha se dado conta disso.

− Perla estava grávida quando você foi preso.

− O que? Não... isso é impossível. Não tem como ser verdade – respondeu Sirius, sem saber se olhava pra Perla ou Remo.

− Eu não tinha me dado conta antes – continuou Remo – Mas, logo depois da sua prisão, Thais deixou escapar que Perla estava esperando um filho seu.

− Pequena... isso é verdade? – perguntou Sirius, se ajoelhando em frente a Perla, que confirmou – Por que nunca me disse nada?

− Eu descobri naquele dia... o dia em que Tiago e Lillian... eu já desconfiava, lembra? Mas só tive a certeza depois de pegar o exame... e então tudo aconteceu e eu só encontrei com você, quando você e Pettigrew...

− Isso que dizer que... essa Sarah... ela é minha filha?

− Não - respondeu Perla, fechando os olhos. Sirius levantou.

− Mas você acabou de dizer que esperava um filho meu...

− Que ela perdeu ao ser atingida pelo feitiço de Pettiggrew – completou Thais, para a surpresa de todos.

Sirius parecia não conseguir acreditar que fosse verdade.

− Eu estive no hospital várias vezes depois do ocorrido – falou Dumbledore, atraindo a atenção do moreno - Antes mesmo que Perla retomasse a consciência, eu já tinha sido alertado pelos curandeiros que ela perdera o filho que esperava por causa do impacto do feitiço.

− Então... – Sirius não sabia o que dizer – Se ela não é minha filha... se você perdeu o bebê que esperava... ela tem o mesmo nome que sua mãe. Então o pai...

− Sarah não é minha filha. Não biologicamente falando – respondeu Perla, se controlando a todo custo para não assumir a aparência de Elizabeth – Mas eu a criei desde pequena como minha filha.

− Ela não poderia mesmo ser filha dela – completou Harry para Sirius - Até mesmo porque Sarah é mais velha que eu. Se ela não é sua filha, não poderia ser de Perla também, afinal vocês estavam juntos quando eu nasci.

Sirius se jogou na cadeira. A emoção que sentira segundos antes ao descobrir que seria pai se esvaíra por completo. Um grande buraco se formara em seu coração ao se dar conta de que perdera um filho. Por sua causa. Mais uma perda que ele carregaria em sua vida.

Thais saíra da sala após uma nova troca de olhares com Perla. A morena sabia qual era a sua missão naquele momento. Fora por isso que permanecera tanto tempo na Inglaterra ao lado da amiga.

− Desde quando ela é sua filha? – perguntou Sirius, encarando o chão. Perla levantou novamente, sem responder a pergunta.

− Acho que já está na hora de revelar mais esse segredo, Perla – disse Dumbledore, sentando em sua cadeira e olhando fixamente para a loira através de seus óculos de meia lua.

− Isso implicaria em questões nas quais eu não gostaria de falar.

− Que questões? – perguntou Harry.

Porém, o retorno de Thais a sala deixou a pergunta do garoto sem resposta. A morena voltara e não estava sozinha. Em seu colo, estava uma pequena garota, que não aparentava ter mais que um ano de idade.

− Quem é ela? – perguntou Sirius, sem entender o motivo que levara Thais a trazer a garota.

− É filha da Thais – respondeu Remo fechando a cara, ao se lembrar do encontro que tivera meses antes com a ex-namorada, que resultara na descoberta de que ela tinha uma filha.

Sirius observou atentamente a garota. O pouco cabelo que ela tinha era bem escuro com um leve brilho azulado. Os olhos de um azul muito intenso. Era impossível não identificar quem era.

− Ela não é filha de Thais.

− Como não? – questionou Remo – Thais me disse isso um dia que fui a casa de Perla e a vi com a menina.

− Ela não pode ser filha da Thais – continuou Sirius – Por que ela é minha filha.

− Sua filha? – estranhou Harry, colocando a mão no ombro do padrinho – Mas você acabou de dizer que não teve filhos.

− Aquele dia? – Sirius perguntou para Perla que confirmou. O moreno sorriu – Por que não me disse nada?

− Por que eu tive medo que você saísse da sede da ordem pra vir atrás de mim. O que você faria se soubesse que eu estava grávida?

− Teria te levado a força comigo.

− Foi o que eu imaginei – respondeu Perla.

− Isso comprometeria toda a nossa missão – falou Dumbledore calmamente, que sabia de toda a verdade – Passamos meses tentando te proteger, mantendo-o dentro da sede, Sirius. Se você tivesse ido atrás de Perla, que era muito bem vigiada, teria feito o que Fudge há anos esperava. E certamente você não estaria aqui agora, pois certamente teria sido capturada e recebido o "beijo" dos dementadores.

Sirius suspirou profundamente. Ele não concordava com todas as atitudes que os outros tomaram para sua proteção. Mas tinha que concordar que eles só queriam mantê-lo vivo a todo custo.

Mas não era isso que importava naquele momento. Ele era pai. Apesar de tudo que passara todos aqueles anos, ele havia sido recompensado com uma filha. Sentiu novamente seu corpo ser inundado por uma grande felicidade, ao pegar a filha no colo de Thais. A pequena olhou para o pai e sorriu, como se o reconhecesse.

− Qual o nome dela? – perguntou, colocando seu dedo na pequena mão da filha, que o agarrou com força.

− Lily – respondeu Perla, olhando para o afilhado.

Harry sentiu as lágrimas invadirem seus olhos e teve que fazer força para não deixa-las caírem. Era mais que uma homenagem Perla ter colocado o nome de sua mãe na filha dela e de Sirius. Por um breve momento, ele sentiu como se estivesse tendo novamente sua mãe.

− Como você conseguiu esconder a gravidez, Perla? – perguntou Remo, que estava bastante irritado por ter sido enganado – Você era a chefe dos aurores. Eu mesmo a vi naquele dia no Ministério. E não me lembro de você grávida.

− Existem coisas que são muito fáceis... principalmente quando se é uma bruxa – respondeu Perla naturalmente.

- Perla fez agiu da mesma maneira que sua mãe fez – disse Dumbledore.

− Que a mãe dela fez? O que a mãe dela fez? – questionou Harry.

− É uma longa história, Harry. Mas resumindo, pode se dizer que existe um feitiço capaz de esconder todos os sintomas de uma gravidez – disse Dumbledore novamente. Perla concordou.

− Remo... sinto muito por não ter lhe falado nada – disse Perla, segurando a mão do amigo – Quando você foi a minha casa naquele dia, Thais não teve outra alternativa a não ser mentir pra você pra me proteger.

− Acho que estou me acostumando a ser enganado – respondeu Remo, bastante ressentido – E quanto a Sarah? Você ainda não nos contou como ela passou a ser sua filha.

Sirius, que até então estava emocionado demais com a idéia de ser pai, voltou sua atenção para a esposa, que ficou muito nervosa. Mais uma vez, os olhares de todos os presentes se voltaram para ela. O momento que ela tanto temia havia chegado. Não teria mais como esconder aquele segredo, principalmente de Sirius. Aquela seria a hora da grande revelação.

− Eu não...

− Não há outro jeito – respondeu Dumbledore, mas Perla nada falou.

O diretor pousou seu olhar sobre Thais, que sabia perfeitamente o seu significado. Era o momento de revelar o segredo que ela e Perla tanto esconderam.

− Sarah é Helena... – a morena disse baixo, sem encarar ninguém.

− Helena? Mas quem é Helena? – questionou Harry, bastante confuso.

− Helena Bones – disse Dumbledore – Filha mais velha de Edgar e Kelly Bones. Afilhada de Sirius e Perla.

− Isso é impossível – disse Sirius, entregando Lily para Thais e parando ao lado de Perla – Todos sabem muito bem que Helena está morta. As meninas morreram no mesmo dia que os pais.

− Nunca encontraram o corpo das meninas, Sirius – disse Remo, lembrando do que acontecera na época.

− Mesmo que elas tenham sobrevivido, o que é a coisa mais improvável do mundo – continuou Sirius – Quem as teria tirado da casa? Quem as teria escondido? Como ela de repente passou a ser filha da Perla?

Perla não respondeu. Sabia que no momento em que Sirius soubesse a verdade, não a perdoaria.

− Perla... – fisse Thais, ficando próxima a amiga- Você nunca me disse quem tirou Helena e Melissa da casa...

− As meninas estão mortas – insistiu Sirius, se irritando – Eu estive na casa. Não encontramos os corpos delas, apesar dos de Edgar e Kelly estarem lá. Mas os comensais as levaram e as mataram.

− Perla – insistiu Thais, mas a loira meneou a cabeça.

− Eu não posso...

− Está querendo me dizer que toda essa loucura é verdade? – perguntou Sirius, segurando os pulsos da esposa com força – Está dizendo que alguém tirou a minha afilhada da casa antes que os comensais a matassem? – ele aumentou a força que exercia nos pulsos de Perla, fazendo-a se lembrar do Sirius que vira no Mundo de Hades – Diga quem foi!

Perla meneou a cabeça novamente. Sirius largou seus pulsos com força, o que fez com que ela assumisse a aparência de Elizabeth.

− É claro. Como não pensei nisso antes – disse Thais, deixando todos ainda mais curiosos.

− Nisso o que, Thais? – perguntou Remo, confuso.

− Quem é a única pessoa que Perla sempre protegeu a identidade? – Sirius e Remo trocaram olhares sem entender de quem ela estava falando. Até que Sirius se lembrou do motivo de ter feito Pedro ser o fiel e não Remo.

− O espião - respondeu Sirius, encarando Thais – Está querendo dizer que a pessoa que tirou as meninas da casa dos Bones é a mesma que salvou Perla quando Emma tentou mata-la?

− Emma? – perguntou Harry, sem entender nada.

− Foi uma namoradinha do Remo que virou comensal – respondeu Thais ironicamente.

− Perla, isso que a Thais está dizendo é verdade? A mesma pessoa que matou a Emma é a que salvou Helena e Melissa da morte?

− Eu não posso dizer – respondeu Perla como Elizabeth, sua voz saindo o mais seca possível.

− Por que você defende tanto essa pessoa? – gritou Sirius, assustando Lily, que começou a chorar – Quem você protege tanto?

− Ela está me protegendo – disse alguém que acabara de entrar na sala.


Nossa, que vergonha! Dois meses sem atualização. Nunca pensei que fosse ficar tanto tempo assim. Espero que me desculpem, mas garanto que foi por uma boa causa. Meu tempo está muito escasso e não está dando para escrever quase nada. É provável que o próximo capítulo não vá demorar tanto como esse, pois eu já o tenho mais da metade pronto. Mas, nada posso afirmar sobre os capítulos seguintes.

Algumas coisas nesse capítulo foram esclarecidas, não? Afinal, Sarah não é filha de Sirius e muito menos de Perla. Mas quem podia imaginar a verdadeira identidade dela? Alguns outros mistérios surgiram, afinal, de onde a Perla tirou o Sectusempra? Isso é uma coisa que vocês só saberão mais pra frente. Mas posso adiantar que estou fazendo de tudo pra fic ficar parecida em alguns aspectos com o sexto livro.

Mais uma vez, agradecimentos especiais pra minha super querida amiga, Lisa Black, que deixou essa fic melhor com suas palavrinhas (ou melhor, grandes parágrafos) essenciais! E agradecimentos também as pessoas super queridas que lêem essa fic (e que eu espero que não tenham desistido): Miss Leandra Friendship Black, Srta Wheezy, Krol, Lisa Black, Sandra Potter, Ninha, Lele, Luci E. Potter, Camilla Gurjao e Gabi Perversa Wood Pevensie Potter. Obrigada pelos comentários e mil desculpas pela demora!