Capítulo 17 – O Aviso de Helena
O céu negro e sem estrelas podia ser visto em alguns pontos onde a floresta não era tão densa. O silêncio reinava naquele ambiente deixando-o com um aspecto assustador. Não havia vento, nem mesmo uma brisa leve. Não havia nada que pudesse identificar a presença de alguém naquele local.
Mas ela estava lá.
Seus passos eram tão leves que seus pés descalços mal tocavam o solo. Seu olhar penetrante registrava cada centímetro por onde passava. Não fazia a menor idéia para onde estava indo. Mas sabia que devia continuar seguindo em frente. Era isso que seu coração dizia. Então, era o que devia ser feito.
Mais alguns passos e ela parou de andar. Não ouviu nada. Mas sentiu que não estava mais sozinha. Aquela presença era forte. E lhe causava um incômodo mal estar.
Sem pestanejar, ela se virou. E a viu.
Parada a sua frente, toda vestida de branco. Estava a mulher que sempre aparecia em seus sonhos. Em seus pesadelos. A mulher que sempre aparecia quando algo estava para acontecer.
As duas não trocaram nenhuma palavra. Mas se encaravam sem conseguirem desviar o olhar. Aquele encontro estava previsto. Era questão de tempo até acontecer.
Perla desviou o olhar, ao sentir algo gélido passando por seus pés. Quando olhou para baixo, sentiu um leve tremor percorrer o seu corpo ao se dar conta do que era.
Uma gigantesca cobra estava enroscada em seus pés. Mas não era uma cobra comum. Seu corpo era de um verde muito intenso, terminando em um rabo malhado de losangos. Os olhos amarelos vivos a encaravam, parecendo saber quem ela era.
Ela não conseguia piscar. Sentia-se hipnotizada por aquele olhar.
Em questão de segundos, a cobra desenroscou de seus pés. Perla acompanhou com o olhar os movimentos que ela fazia. Então percebeu onde seu coração queria levá-la.
Dando mais alguns passos, ela chegou a uma região da floresta onde não havia árvores, formando um grande buraco no meio da vegetação. Lá ela podia ver claramente o negrume do céu. Assim como podia ver o que se passava a sua frente.
Eles estavam lá. Muitos. Comendo, bebendo, rindo... se divertindo. Todos usando máscaras, escondidas sob os capuzes. E no centro de tudo, pairando no céu, estava ela...
A Marca Negra. A Marca da Morte. O Crânio com uma cobra saindo de sua boa.
E exatamente embaixo do local onde pairava a marca, estava ele.
Podia ter exatamente 17 anos que não o via. Mas jamais conseguira esquecer aquele rosto. Aqueles olhos vermelhos e o nariz de fendas. Jamais poderia esquecer alguém que a assombrava todas as noites. Fazendo-a sentir medo, sentir desespero.
"Ele matou meus pais".
"Matou Lily e Tiago".
"Quase me matou".
− Perla – chamou a mulher, que permanecia imóvel atrás dela.
Perla olhou para ele e seus olhares se cruzaram. O reencontro estava próximo.
− Que notícias ruins me trás dessa vez, Helena? – ela perguntou, se virando para encarar a mulher que a chamara.
− Por que acha que eu tenho algo ruim para lhe dizer?
− Por que é sempre assim. Detesto quando você aparece. Sempre acontece algo doloroso.
− Pensei que ficasse feliz em ver sua mãe.
− Ficaria se não fosse em um sonho – respondeu Perla, tentando evitar olhar a outra mulher. Tinha medo do que ela queria lhe dizer.
− Sabe muito bem que isso é mais do que um sonho.
− Claro. Se parece mais com um pesadelo.
Helena apenas sorriu com a resposta da filha e fez sinal para que a outra se aproximasse. Juntas, as duas começaram a andar para longe da festa que tinham acabado de presenciar.
− Estou feliz que tenha conseguido cumprir uma parte de sua missão – disse Helena, parando de andar depois de alguns minutos em silêncio – Mas a pior parte ainda está por vir.
− O que significa que eu ainda vou sofrer muito – respondeu Perla, olhando para o chão. Helena se aproximou da filha, tocando sua face com mão e forçando-a a encará-la.
− Isso significa que o fim está muito próximo. E que essa guerra não poupará vidas. Assim como foi na anterior.
− Eu não me importo com a minha vida – falou Perla, sentindo lágrimas brotando em seus olhos – Não me importo com nada que possa acontecer comigo desde que minhas filhas fiquem bem.
− E quanto a Sirius? – perguntou Helena.
Perla fechou os olhos deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto. Tinha sofrido por muito tempo longe dele. Sofreu quando ele a rejeitou. Sofreu para trazê-lo de volta a vida. E agora sofria por ter perdido o seu amor.
− Ele ficará bem – disse, sem ter certeza de suas palavras.
− Perla... o tempo está passando. E a medida que isso acontece, torna-se cada vez mais difícil fazer alguma coisa para parar esta guerra que está começando.
− O que você quer que eu faça? Acha que as coisas são fáceis? Não foi daquela vez e não vai ser dessa – disse Perla, aumentando seu tom de voz e se afastando de Helena – De que maneira eu posso acabar com esse maldito? Se nem com a minha melhor amiga morrendo, nem com meu afilhado quase morrendo... nem assim, conseguimos acabar com ele.
− Só tem um jeito de acabar com Voldemort, Perla – falou Helena, de forma calma, assustando Perla com a sua tranqüilidade.
− E que jeito é esse?
− A resposta está no início de tudo – respondeu Helena, deixando Perla ainda mais confusa.
− Eu detesto seus enigmas. Que resposta é essa? Que início é esse?
Mãe e filha se encaravam. Perla estava nervosa, irritada, confusa... sua cabeça latejava e ela desejava que todo aquele martírio acabasse logo. Já Helena a encarava com muita tranqüilidade, olhando para um único ponto, no pescoço de sua filha.
Perla percebeu para onde o olhar de sua mãe estava direcionado e olhou. Então as coisas começaram a se esclarecer em sua cabeça.
− Isso? – perguntou ela, puxando algo de dentro do vestido negro que usava. Helena confirmou – Afinal, qual o significado desse colar?
− O início de tudo, Perla. O início de tudo.
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Perla abriu os olhos, sentindo-se bastante assustada. Os raios de sol incidiam através da janela de seu quarto, batendo em seu rosto.
Sabia que tudo que vira tinha sido um sonho. Mas sabia também que aquele não tinha sido um sonho comum. Sempre quando algo estava para acontecer, ela sonhava com Helena, lhe dizendo alguma coisa, lhe dando algum conselho ou recomendação. Sentia que esse era o jeito de sua mãe se comunicar com ela, de lhe avisar dos perigos que corria. Por isso, sempre levava a sério cada um deles.
Esfregou os olhos, para ter a certeza de que estava acordada. Puxou o cordão que estava em seu pescoço. A única recordação que tinha de seus verdadeiros pais. Admirou-o por um tempo, pensando quais segredos aquele objeto tão pequeno deveria guardar.
Levantou e foi para o banheiro. Abriu a torneira e molhou as mãos, levando-as ao rosto. Em seguida se olhou no espelho do armário do banheiro. E sorriu ao perceber o que via.
Os cabelos agora eram loiros com mechas negras. Os olhos cor de mel com um intenso brilho esverdeado. Aquilo só podia significar uma única coisa.
Perla e Elizabeth eram agora somente uma única pessoa. Uma única personalidade.
Em um dos seus muitos sonhos, Helena lhe avisara que se conseguisse trazer Sirius de volta, sua vida mudaria em muitas coisas. Ela teria vencido a barreira que criara ao desenvolver a personalidade de Elizabeth. E o resultado seria que ambas, se tornariam uma só, fundidas em aparência e personalidade.
Mas ela não tinha medo disso. Sentia que aquilo seria a melhor coisa que poderia acontecer. Ter os dois lados em um só. O sentimentalismo de Perla. A dureza de Elizabeth.
Quando voltou para o quarto, percebeu que Thais continuava dormindo na cama ao lado. Mas não foi isso que a incomodou. Ela sentiu falta de algo que deveria estar ali. E que simplesmente, não estava.
Pegou sua varinha, que estava em cima da mesa de cabeceira e com um gesto, fez a camisola que usava ser substituída pelas habituais vestes negras que costumava usar para dar aulas. Abriu a porta do quarto, saindo apressada.
O castelo estava deserto. Ela não encontrou ninguém em seu caminho. A preocupação em seu rosto aumentava a medida que não encontrava o que procurava.
Abriu a porta do castelo que dava para o jardim. Tentava raciocinar, sentir onde poderia estar o que estava procurando. Mas sua preocupação não a deixava se concentrar.
Por sorte ouviu risos, vindo do campo de quadribol.
Caminhando a passos apressados, ela sentiu a aflição diminuir ao ver o que acontecia.
Sirius estava sentado na arquibancada ao lado de Remo com Lily nos braços. Os dois riam muito com Harry, Rony e Hermione, que estavam montados em vassouras e brincavam perto deles. Hermione fazia um grande esforço para se equilibrar na vassoura e Rony fazia piadas com ela por isso.
Ele parou de rir ao ver Perla. Os olhares se encontraram. Havia mágoa, ressentimento, dor... sentimentos confusos.
Perla abaixou os olhos ao sentir uma mão tocar em seu ombro.
− Está tudo bem? – perguntou Thais preocupada – Eu vi você sair nervosa do quarto.
− Estava preocupada com Lily. Mas vejo que ela está muito bem – respondeu Perla, olhando mais uma vez para Sirius, que brincava com a filha.
− O que vai acontecer agora? – Perla riu e olhou para a amiga.
− Se eu soubesse...
− Eu pensei que...
− Meu destino será cumprido, Thaís. Você ainda está livre para decidir o que quer fazer de sua vida.
Perla viu Thais abaixar os olhos e encarar o sapato. Colocou a mão no queixo dela, levantando seu rosto.
− Não cometa os mesmos erros que eu cometi. Ainda é tempo de consertar os erros do passado.
− Eu não sei se posso...
− Remo merece ser perdoado – respondeu Perla olhando de Thais para Remo, que as observava da arquibancada – Ele ainda ama você.
− Eu sei. Eu ainda amo ele também – falou Thais, sentindo lágrimas nos olhos.
− Você não vai embora, não é? – Thais não sabia o que responder. E Perla percebeu isso – Por favor. Preciso que fique. Preciso que olhe Sarah por mim.
− Eu não tenho mais ninguém a não ser vocês, Perla – ela respondeu, limpando uma lágrima que escorreu pelo rosto – Mas duvido que Sarah facilite as coisas pra mim.
As duas riram.
− Como você diz, tal mãe, tal filha... – falou Perla, olhando para o campo, seu olhar cruzando novamente com o de Sirius.
− Perla – chamou uma voz, atrás dela. Perla quebrou o contato visual com o marido para ver quem a chamava.
− Ministra – ela disse sorrindo ao ver Amélia Bones se aproximar juntamente com dois aurores – Não pensei que você seria tão rápida assim.
− Eu lhe avisei sobre as conseqüências de seus atos, Perla – respondeu Amélia, tentando parecer, ao mesmo tempo, rígida e amigável.
− Não precisava trazer ninguém com você. Eu lhe disse que quando o momento chegasse, eu não ofereceria resistência.
− Nesse caso, acho que podemos ir...
− O que está acontecendo? – perguntou Harry, que vinha correndo junto com Rony e Hermione. Sirius e Remo vinham atrás.
− Estamos prendendo a senhorita Montanes – disse um dos aurores, que estavam com Amélia. Perla riu ao ouvir o sobrenome.
− Não estamos prendendo. Estamos detendo ela.
− E por que razão? – perguntou Harry, sem entender.
− Deve ser por falsidade ideológica, Harry - respondeu Sirius com ironia – Afinal, ela já não é a senhorita Montanes há muito tempo.
− Perla matou uma pessoa – disse Amélia, ignorando o que Sirius tinha falado.
− Mas era um comensal da morte. Eu pensei que o Ministério tinha autorizado os aurores a usarem maldições imperdoáveis em comensais – argumentou Hermione.
− Fudge permitiu isso, mas eu proibi logo que assumi o Ministério. Claro, não deixei a imprensa saber dessa minha resolução – acrescentou Amélia ao ver a expressão no rosto de Hermione – Afinal, é melhor que os comensais pensem que eles podem fazer isso.
− Então você a está prendendo por ter matado Bellatrix Lestrange? – perguntou Sirius.
− Como eu disse, não estou prendendo. Perla ficará sob minha custódia até ser julgada – respondeu Amélia, se dando conta de quem tinha feito a pergunta – A propósito Black, sabia que você ainda é um procurado do Ministério?
− Eu tinha me esquecido desse pequeno "detalhe".
− Não se preocupe. Hoje só vou levar a Perla. Mas ainda teremos que ver como ficará a sua situação.
− Obrigada, Amelinha – disse Sirius, chamando a ministra do mesmo jeito que costumava chama-la quando namoraram, deixando a corada.
− Não me agradeça. Agradeça o fato de sua esposa ser a chefe do quartel de aurores. Ela fez um testemunho a seu favor dizendo que você era inocente de todas as acusações.
Sirius olhou pra Perla com surpresa. Esta apenas sorriu.
− Perla – Harry segurou no braço dela.
− Eu vou ficar bem, querido, não precisa se preocupar – ela disse abraçando o afilhado – Cuida dele pra mim ta?
Perla piscou para Harry que entendeu o que ela queria dizer com aquilo.
− Thaís, tranqüilize Sarah pra mim. Você sabe o quanto aquela menina é impulsiva.
A morena concordou.
Harry viu a madrinha se afastar com os dois comensais e a Ministra. Estava perdendo-a novamente. Justamente quando seu padrinho voltara.
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Naquele verão, Harry não foi para a casa dos tios. Como completaria a maioridade e como Sirius estava de volta, ele foi apenas a casa dos Dursley acompanhado do padrinho e lhe disse que sairia daquela casa pra sempre. Os tios suspiraram aliviados quando eles foram embora, principalmente por que Sirius os ameaçou o tempo em que Harry ficou juntando as suas coisas. E como ele já tinha sido acusado de assassinato, os Dursley não quiseram se arriscar.
À contragosto de Sirius, Harry foi para a casa dos Weasley, seguindo recomendações de Dumbledore. A Toca tinha recebido todo tipo de feitiço para proteger os seus moradores e membros da Ordem de Fênix e aurores se revezavam para fazer a segurança.
Sirius só apareceu no dia do aniversário de Harry. Ele argumentou ao afilhado que não teve tempo de visitá-lo por que estava cuidando da filha, já que ele e Remo estavam morando sozinhos na antiga casa de Perla. Thais e Sarah moravam no apartamento em que Sarah ficava.
Os gêmeos, Carlinhos, Harry, Rony, Hermione e Gina estavam rindo das histórias que Sirius contava da sua época em Hogwarts. A Sra Weasley conversava com Gui e Fleur sobre os detalhes do casamento deles que seria em breve. Já o Sr Weasley conversava com Remo, que estava bastante preocupado com o fato de sua namorada, Héstia Jones, não ter aparecido na casa até aquela hora.
− Eu atendo – gritou a Sra Weasley, quando a campainha tocou.
− Deve ser a Héstia – falou Remo, sentindo-se mais aliviado. Mas o alívio durou pouco ao ver que era Tonks junto com outra garota.
− Tonks, você me assustou. Não esperávamos você aqui hoje – disse Molly, conduzindo as duas mulheres até a sala.
− Eu não vinha, mas ela disse que precisava muito vir... – respondeu a metamorfomaga, apontando para a outra garota.
− Sirius – chamou a Sra Weasley, tentando atrair a atenção do maroto, que continuava rindo com os meninos.
− O que foi, Molly? – perguntou Sirius, se virando e dando de cara com Sarah – Você?
− Eu queria falar com você – pediu a garota, que estava bastante sem graça.
− Cama – gritou a Sra Weasley para todo mundo que estava na sala. Eles reclamaram, mas acabaram percebendo que Sarah queria falar com Sirius a sós.
− Harry – Sarah chamou, antes que o menino subisse as escadas – Minha mãe mandou isso pra você – ela entregou um pacote para ele – Feliz Aniversário.
Harry queria perguntar se ela tinha conseguido ver sua madrinha, mas achou melhor subir e perguntar depois. A garota e Sirius tinham muito o que conversar.
− Você a tem visto? – perguntou Sirius, quando eles finalmente ficaram sozinhos na sala.
− Bem que eu tentei, mas Amélia Bones não permitiu. Foi ela quem me entregou o presente que minha mãe mandou pro Harry – ela completou ao ver que Sirius estava se questionando como ela recebera o pacote.
− Então, o que você quer falar comigo? – ele perguntou, sentando no sofá e fazendo sinal para ela fazer o mesmo.
− É que... – Sarah estava sem jeito de falar com ele o que ensaiara a tarde toda pra perguntar.
− Pode falar – disse Sirius, tentando passar coragem para a menina.
− Como está a Lily?
− Bem... aprontando comigo e com o Aluado. Nunca pensei que fosse tão complicado cuidar de uma criança – Sarah riu – Mas não era isso que você queria me perguntar, não é mesmo?
− Não...
− Não precisa ter medo, Sarah – ele disse, passando a mão pelo cabelo da menina.
− Bom, Sirius... é que... durante todos esses anos da minha vida, eu sempre soube tudo sobre a vida da minha mãe... quer dizer, eu sabia dessa coisa toda de troca de identidade e tudo mais...e...
− E...?
− Eu sempre soube tudo sobre o homem que ela sempre amou... tudo sobre você.
− Perla falava sobre mim? – Sirius perguntou e Sarah confirmou.
− Ela sempre me disse que tinha amado você mais do que tudo na vida. E... quando ela engravidou da Lily, eu soube na hora que você era o pai e fiquei feliz por isso... sempre quis a felicidade da minha mãe... só eu sei o como ela sofreu esses anos...
− Eu imagino que tenha sido muito difícil pra você.
− É... mas...ela sempre fez as coisas de um jeito que me faziam muito feliz... eu sabia que era tudo o que ela tinha. Que fora minha tia Thais, ela não tinha mais ninguém... – ela colocou as mãos sobre o rosto e começou a chorar.
− Ei pequena, não fica assim – disse Sirius, abraçando a garota. Ele sabia que ela não era filha legítima de Perla. Mas via na garota exatamente a mesma Perla de quando eles começaram a namorar.
− Sirius – ela se soltou do abraço e encarou os orbes azuis a sua frente – O que eu to tentando dizer é que a minha vida toda eu sempre soube tudo sobre a minha mãe, com exceção de uma coisa...
− Que coisa?
− Meu pai... ela nunca me falou muita coisa sobre ele – Sirius ficou sem saber o que dizer – Então, eu fiquei pensando e pensando... se vocês namoraram, noivaram e até casaram, quando foi que ela ficou com meu pai e engravidou de mim? – Sirius abaixou a cabeça – Então eu pensei que talvez você...
− Eu não sou seu pai – ele respondeu, levantando a cabeça e olhando pra menina que chorou ainda mais – Eu juro que nada me daria mais orgulho nessa vida do que ser seu pai. Mas infelizmente eu não sou.
− Então...
− Sarah – ele segurou o queixo da menina, forçando-a a encará-lo – Isso é uma coisa que somente a sua mãe pode te responder.
Ela concordou e o abraçou novamente.
− Tenho que ir – disse algum tempo depois, enxugando as lágrimas.
− De jeito nenhum – ele falou, segurando a mão dela – As coisas hoje em dia estão muito perigosas e eu não vou deixar você sair daqui a essa hora.
− Mas minha tia deve estar preocupada. Ela não sabe que eu saí – Sirius riu.
− Eu dou um jeito de avisar Thais. Mas você fica aqui essa noite, ok? – ela concordou – Bom que assim você fica um pouco com Lily e me ajuda com as fraldas...
− Não é tão difícil... – ela riu e o encarou – Sirius?
− Hum?
− Minha mãe tem razão em amar você – ela disse, deixando Sirius surpreso com as palavras dela – Você é uma pessoa muito especial.
Ele sorriu e a abraçou.
Mais tarde, quando estava deitado em uma cama de montar no quarto dos gêmeos, Sirius sentiu uma profunda dor no peito ao se lembrar das palavras rudes que dissera a Perla quando soube toda a verdade. Sua cabeça estava uma confusão. Ele não sabia o que faria dali pra frente.
Adormeceu lembrando todos os momentos que passara junto com a sua pequena.
N/A: Okey, são exatamente 4 meses sem escrever nem uma linha. Nunca pensei que eu um dia demorasse tanto tempo pra atualizar essa fic. Não vou explicar muito, quem quizer mais detalhes sobre o por que eu fiquei esse tempo todo parada, é só olhar no meu profile. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que comentaram no último capítulo (Não vou colocar os nomes aqui, porque estou meio sem tempo). A única coisa que posso pedir é que me desculpem pela demora e se alguém ainda lê essa fic, por favor comente, antes que eu acabe deixando ela de lado de novo
O próximo capítulo não deve demorar. Ele será um capítulo Especial. Então, aguardem!
Pra quem Lia "Ela Disse Adeus", tentarei atualizá-la essa semana. E prometo que vou fazer de tudo pra não demorar tanto assim pra atualizar essa fic.
Espero que gostem!
Dynha Black - 27/06/06
