Capítulo Especial - Perla e Sirius


She (Ela)
May be the face I can't forget (Ela talvez seja o rosto que não consigo esquecer)

− Remo - gritou Sirius pulando da poltrona e quase sufocando o maroto - como ela está?

− Que preocupação Almofadinhas. Pra quem prega a três anos que não gosta dela.

− Não enche, Pontas. O assunto é sério. Então Remo?

− Ela tá bem, quer dizer, vai ficar bem! Eu conversei com ela e ela se animou um pouco.

− Mas, e que mais vocês conversaram?

− Eu a convenci a voltar pra Hogwarts depois da leitura do testamento, que vai ser em três dias.

− TRÊS DIAS? Você ta me dizendo que a Pê... digo a Perla só vai pra Hogwarts em três dias?

− É Sirius! Só depois de três dias! – respondeu Remo rindo da preocupação dele.

− Por que não confessa de uma vez por todas que é apaixonado pela Perla? – falou Tiago.

Sirius não respondeu. Pela primeira vez no dia Tiago tinha falado algo sensato. Ele não tirava a loirinha da sua cabeça há muito tempo

A trace of pleasure or regret (Um rastro de prazer ou de arrependimento)

− Eu te amo - repetiu ela pausadamente, sem tirar os olhos do maroto - Apesar de tudo, eu te amo.

Sirius não esperou mais nada. Ele havia escutado tudo o que precisava. Puxou a garota para mais perto de si e a beijou. Um beijo apaixonado, de quem espera muito tempo por isso.

Quando eles não tinham mais fôlego, Sirius a soltou e se ajoelhou diante dela.

− Perla, me perdoa por todas as besteiras que eu fiz, principalmente as que eu fiz com você. Eu fui um idiota, burro, infantil. Eu tive medo de assumir o que eu sentia. Por que o que eu sinto por você eu nunca senti por nenhuma garota - falou Sirius de uma vez, parando para ver a reação de Perla. Ela estava perplexa com a declaração dele - Eu te amo, Perla. Mais do que tudo. Mais do que qualquer outra pessoa. Te amo desde o momento em que você entrou na minha cabeça, quando me beijou pela primeira vez no segundo ano. Te amo desde o momento que eu percebi que a minha vida não teria sentido sem você. Que nenhuma garota poderia ser como você. EU-TE-AMO!

May be my treasure (Talvez seja meu tesouro)

− Eu não vou fazer nada que você não queira.

− Mas eu quero - respondeu Perla para espanto de Sirius - Só tenho medo.

− Não vou te machucar, Pequena. Jamais deixaria que algo de ruim te acontecesse - respondeu ele carinhosamente - você gosta de mim, Perla?

− Não - respondeu ela olhando nos olhos azuis de Sirius, que se espantou com a resposta - Eu te amo. Eu sempre te amei.

Sirius a beijou com delicadeza. Perla desceu a alça da camisola e deixou a mesma escorrer pelo seu corpo. Ele a pegou no colo e a levou para a cama.

or the price I have to pay (ou o preço que eu tenho que pagar)

- Pontas, eu não... - Mas que diabos é isso? - perguntou Sirius apontando para uma coisa que estava em cima do banco onde eles tinham deixado suas roupas - Nossas roupas sumiram.

− E só deixaram isso! - falou Tiago apontando para as duas minissaias que apareceram no lugar das roupas. Uma era rosa choque e a outra, roxo berrante.

− Isso é coisa daquela maluca - falou Sirius andando de um lado para o outro - Eu é que não vou sair daqui usando ISTO!

No mesmo instante, as toalhas dos dois começaram a encolher até sumirem por completo.

− A menos que você queira sair sem nenhuma roupa, não temos outra opção.

Os dois marotos já estavam quase chegando a entrada do castelo, quando pararam para verificarem se não havia ninguém por perto. Respiraram aliviados ao perceberem que nem um dos fantasmas estava por perto.

Porém, quando os dois tinham decidido entrar, algo de estranho aconteceu. Eles não conseguiam se mexer, como se algum feitiço os mantivessem presos.

Nisso, uma música começou a soar bem baixinho perto deles. Luzes fortes se acenderam, iluminando os garotos, semi-nus, parados na porta do castelo. Surgiram então garotas vindas de todos os lugares. Meninas da Grifinória, Corvinal, Lufa-Lufa e até algumas da Sonserina. Rodearam os garotos e começaram a bater palmas junto com a música, que agora estava bem mais alta.

A mini saia dos dois os obrigava a dançar conforme com a música.

She may be the song that summer sings (Ela talvez seja a música que o verão canta)

Sirius tocou de leve no ombro de Edgar, e este na mesma hora, entregou Perla para o maroto, não sem antes dizer:

− Faça a feliz. É a única coisa que te peço.

Ele sorriu em resposta e começou a dançar com Perla. Esta sorriu ainda mais com a chegada do maroto. Se aninhou em seu ombro e pôs-se a observar os casais que dançavam ao redor.

− Pê, será que podemos sentar?

− A música ainda não acabou! - falou Perla, encarando Sirius.

− Você sabe que eu não gosto muito de dançar.

− Sei disso - respondeu Perla sorrindo - Foi por isso que o Edgar me tirou pra dançar.

− Só pra eu vir atrás?

− Você é tão previsível! - brincou Perla. Sirius sorriu.

− Então você sabia que eu ia fazer isso - falou Sirius, dando um beijo na namorada.

− Isso pra mim é novidade - respondeu Perla, beijando-o novamente.

May be the chill that autumn brings (O arrepio que o outono traz)

- Perla, está tudo bem com você? – Sirius perguntou preocupado.

− Por um minuto eu achei que fosse morrer - Perla disse com lágrimas escorrendo pelo seu rosto.

− Está tudo bem agora. Eu estou aqui com você – respondeu Sirius, tentando acalmar a garota.

− Por um minuto eu pensei que jamais fosse vê-lo novamente, Sirius – ela disse, sem se dar conta das palavras que saiam de sua boca.

Sirius olhou para Perla com lágrimas nos olhos. Ele colocou a mão no pescoço da garota e a puxou para perto dele. Estavam a centímetros, milímetros de distância. Foi quando tudo aconteceu. Os lábios foram se aproximando, até se tocarem. Uma explosão de sentimentos passou pela cabeça dos dois e Perla sentiu como se estivesse levitando.

May be a hundred different things (Talvez seja cem coisas diferentes)
Within the measure of a day (No decorrer de um dia)

- Sabe Pê, eu posso te fazer muito feliz - disse Sirius encarando os olhos cor de mel da loirinha.

− E eu posso saber como?

Sirius não respondeu. Se aproximou ainda mais dela e lhe deu um beijo. Perla não recusou. Era o que ela mais queria.

− É um bom começo - falou Perla sorrindo - mas você ainda vai ter que fazer muito pra conseguir me fazer feliz.

Ela se levantou em seguida e começou a andar. Sirius ficou olhando pasmo para a menina. Simplesmente não conseguia acreditar que ela tinha tido uma reação daquelas. Sorriu por dentro ao pensar que ela realmente gostava dele.

She (Ela)
May be the beauty or the beast (Talvez seja a bela ou a fera)

- Pê, eu já pintei meu cabelo de rosa, já te pedi desculpas, já disse que te amo... o que mais você quer que eu faça pra você me desculpar?

− Quero que você aprenda a nunca mais me deixar esperando.

− Como eu vou aprender se você não me dá uma chance? – ele perguntou fazendo cara de "cachorro sem dono" – Pequena, você sabe que eu te adoro e que não vivo sem você – ele tentou beijar Perla, mas esta impediu.

− Ta legal. Se você não quer, tem quem queira – falou Sirius com raiva, provocando Perla.

Sirius foi para o outro lado da sala e começou a conversar animadamente com uma garota do quinto ano, além de colocar as mãos na cintura da garota.

− SEU CACHORRO, SAFADO, SEM VERGONHA – gritou Perla, avançando para cima dele, dando tapas em seu peito e o afastando da garota.

− Pê... – ele chamou, rindo da atitude da garota.

− Eu não sei como posso gostar de você, como posso namorar com você...

− Pê – ele chamou novamente, segurando os braços da namorada e forçando-a a encara-lo. Perla se acalmou um pouco e ele aproveitou para beija-la – Ta vendo como é melhor me beijar do que me bater?

− Você é um cachorro. Em todos os sentidos – ela falou, deixando que ele a beijasse novamente.

− Eu sou o seu cachorro – ele disse de modo carinhoso colocando as mãos na cintura de Perla – Um cachorro de Cabelo cor de rosa. Um cachorro só seu.

May be the famine or the feast (A fome ou o banquete)

Sirius fez questão de acabar com aquele espaço mínimo que os separava. Colocou a mão no pescoço de Perla, trazendo-a para junto de seu corpo. Os narizes se encostaram. Os lábios se entreabriram de modo a permitir o contato. Os lábios quentes e úmidos se tocaram, de modo calmo, para em seguida se transformar em um beijo voraz.

As mãos dele percorreram todo o corpo dela, tentando sentir que ela realmente estava ali. Ele tirou a capa de viagem que ela usava e continuou o seu passeio por cada região do corpo dela. Perla levantou a blusa dele, que a ajudou a se livrar da incomoda peça de roupa. Suas mãos percorreram o dorso nu dele, fazendo seus olhos brilharem como se estivessem em chamas. Chamas de Desejo. Chamas de Paixão.

Ele a levou em direção a cama, deitando-a em cima da mesma e deitando por cima dela. Se olharam sentindo toda emoção daquele momento. Sirius começou a desabotoar a blusa de Perla. Ela não o impediu.

May turn each day (Talvez transforme cada dia)

into a heaven (em um paraíso)

Sirius observou atentamente a garota. O pouco cabelo que ela tinha era bem escuro com um leve brilho azulado. Os olhos de um azul muito intenso. Era impossível não identificar quem era.

− Ela não é filha de Thais.

− Como não? – questionou Remo – Thais me disse isso um dia que fui a casa de Perla e a vi com a menina.

− Ela não pode ser filha da Thais – continuou Sirius, emocionado – Por que ela é minha filha.

or a hell (ou em um inferno)

− Remo, você tá perdendo uma super festa... - Sirius parou de falar ao ver Perla e Remo se beijando. Na mesma hora Perla se soltou de Remo e ficou olhando para Sirius - Desculpe. Não quis interromper.

− Black, não é nada disso que você tá pensando!

− Montanes, não me importa o que vocês dois fazem ou deixam de fazer! Vou sair para deixá-los à vontade - Sirius disse com rancor e saiu.

She may be the mirror of my dreams (Ela talvez seja o espelho de meus sonhos)

Ao entrar no aposento, encontrou Perla deitada, o rosto ainda marcado pelas lágrimas que tinham terminado de escorrer. Deitou ao lado dela e a abraçou.

Perla sentiu naquele abraço tudo que não precisava ser dito em palavras e o abraçou o mais forte que conseguiu. Sirius tirou uma mecha de cabelo que estava sobre seu rosto e ficou encarando seus olhos cor de mel. Os olhos que tanto o fascinavam, que o faziam amá-la a cada dia.

− Me dá um filho - pediu ele, com a voz mais doce e carinhosa que ela já tinha escutado.

− O que? - ela perguntou surpresa.

− Um filho, Perla. Eu quero ter um filho com você!

Perla sorriu e o beijou com a maior intensidade que conseguiu. E Sirius sentiu uma imensa felicidade dentro de si, por estar fazendo a pessoa que mais amava no mundo feliz.

A smile reflected in a stream (O sorriso refletido em um rio)

− Ei Perla... posso te fazer uma pergunta?

− Duas, você quer dizer, porque a primeira você acabou de fazer – Sirius sorriu desarmando Perla.

− Porque você só chama o Remo pelo primeiro nome? – ele perguntou, ainda sorrindo.

− Bom Black, é que eu tenho um bloqueio muito grande com o nome Lupin. Por isso eu prefiro chamá-lo de Remo. Como ele não se queixou até agora acho que então não tem problema! – respondeu Perla, como se a explicação fosse a coisa mais óbvia do mundo. Ela se virou e ia subir as escadas, quando Sirius a chamou novamente.

- Acha que consegue me chamar pelo primeiro nome também? – Ele perguntou. Perla sorriu.

− Quem sabe um dia, Black! Quem sabe um dia!

She may not be what she may seem (Ela talvez não seja o que parece)
Inside her shell (Dentro de sua concha)

− Digamos que eu sou um homem apaixonado pelas estrelas - Sirius disse fazendo Perla rir.

− Eu li num livro de Astronomia que Sirius é a maior estrela do céu e também a mais brilhante por estar mais próxima do sol - disse virando-se para ele - Acho que sua mãe sabia que você seria grande e iluminado quando te deu esse nome.

− Não acho que tenha sido essa a intenção da minha mãe, mas digamos que eu estou honrando o nome que tenho - Perla riu novamente - E o seu nome Pê, qual o significado?

− O meu vem do espanhol, que quer dizer "Pérola". Meu pai era descendente de espanhóis e segundo a minha mãe, quando eu nasci tinha os olhos muito brilhantes, que pareciam pérolas, por isso ele me colocou esse nome. Eu nunca acreditei muito nessa história.

− Deixa eu ver - disse Sirius se aproximando da menina, olhando dentro dos olhos cor de mel dela, que tremeu ao senti-lo mais perto - É, realmente seus olhos são brilhantes, mas acho que seu pai não te deu esse nome só por causa deles. Você tem a beleza das pérolas - Perla corou com o comentário.

Sirius colocou suas mãos na cintura de Perla e a puxou para um beijo. Ele ficou com medo que Perla não o aceitasse, mas, para seu espanto, ela retribuiu.

She who always seems so happy in a crowd (Ela que sempre parece tão feliz na multidão)

Assim que ela entrou no quarto, sentiu-se petrificada, como se tivesse acabado de ser atingida por um feitiço de pernas presas. Dentro do minúsculo quarto, estavam todos os seus amigos. Lílian, Tiago, Remo, Edgar, Kelly, Alice, Frank e Pedro. Ao seu lado, Sirius. E no alto uma faixa com os dizeres FELIZ ANIVERSÁRIO, PERLA. No fundo do quarto, havia uma mesa, com uma grande diversidade de comida e um belo bolo no meio.

− Eu não acredito nisso – Perla falou emocionada, deixando lágrimas escorrerem pelo seu rosto, quando os amigos, um a um, foram lhe dar os parabéns.

− Feliz Aniversário, Pequena – Sirius foi o último a lhe desejar felicidades.

− Obrigada por tudo! – ela respondeu, puxando o maroto e colando seus lábios em um beijo calmo, que se intensificou de modo sedutor, deixando muitos com inveja.

− Vem, nos temos que cantar o parabéns – Alice a puxou, assim que ela terminou de beijar Sirius - Faz um pedido antes – disse Alice, assim que terminaram de cantar o parabéns e Perla mencionou apagar a vela.

− Eu não sei o que pedir – Perla disse sem jeito.

− Como não? Todo mundo quer alguma coisa! – disse Tiago.

− Você pode pedir pra se livrar do Sirius – sugeriu Edgar, fazendo Perla rir e Kelly lhe dar um tapa de leva no ombro – Eu só estava brincando.

− A única coisa que eu queria, infelizmente eu não posso ter – a loirinha disse, encarando a vela do bolo que marcava dezessete anos. Todos entenderam que ela estava se referindo aos pais – Eu tenho tudo que preciso. Grandes amigos... O melhor namorado.

− Agora eu entendo por que a cada dia que passa o Almofadinhas fica ainda mais convencido – brincou Tiago.

− Tudo que eu queria era ter esse momento pra sempre – Continuou Perla. Alice e Lílian sorriram para ela, que entendeu o que elas queriam dizer. Em seguida, ela respirou fundo e apagou a vela.

Todos se fartaram comendo e bebendo. Perla sentia-se tão feliz que considerou aquele o melhor de todos os seus aniversários.

Whose eyes can be so private and so proud (Cujos olhos podem ser tão discretos e orgulhosos)

− Pensei que nós podíamos aproveitar esse tempo juntos - Sirius disse enquanto colocava as mãos na cintura de Perla, o que provocou um calafrio na menina - Sabe Pê, tenho pensado em você desde aquele beijo!

− Ah sei - disse Perla se livrando do garoto - Você fez isso quando? Enquanto estava com a Amélia?

− Com ciúmes Perlinha?

− O dia que eu tiver ciúmes de você, estarei ferrada, Black! Imagina, ter ciúmes de todas as garotas de Hogwarts!

− Bom, ninguém manda eu ser tão bonito não é mesmo? Mas tem Sirius para todas!

− Pois eu não quero estar entre essas "todas" - Perla virou as costas e começou a andar, mas Sirius correu para alcançá-la e parou na sua frente.

− Vai dizer que eu não mexo com você? Que você não sentiu nada com aquele beijo?

− Não - Mentiu Perla.

− Então acho que está na hora de te fazer sentir!

Perla não teve tempo para entender o que Sirius quis dizer com essas palavras. Na mesma hora ele passou sua mão pelo pescoço dela e colou seus lábios nos dela, provocando um caloroso beijo.

No one's allowed to see them when they cry (Ninguém pode vê-los quando choram)

Sirius parou em frente a porta do quarto onde Perla estava dormindo e a abriu bem devagar. Assim que ele entrou no aposento, viu que a namorada estava sentada na cama, olhando um livro que estava aberto em seu colo, e aparentemente não tinha percebido a entrada dele.

Assim que se aproximou da garota, Perla tomou um susto e fechou o livro bruscamente. Sirius pode observar que ela tinha os olhos vermelhos e inchados.

− Você estava chorando? - perguntou ele, sentando ao lado dela na cama.

− Não - mentiu Perla, sem olhar pra ele. Sirius abriu o livro que estava na mão dela e viu que era um álbum de fotografias.

− Tem saudades deles, não é?

− Pode parecer estranho, mas sabe, agora que ela também se foi, a saudade que eu sinto dos dois é bem maior - respondeu Perla, se aninhando no colo de Sirius.

− Vai passar, Pê. Tudo é muito recente. Você vai conseguir superar isso.

− Me sinto tão sozinha...

− Eu estou junto com você - respondeu ele, fazendo a menina o encarar - Eu sempre vou estar junto com você!

She may be the love that cannot hope to last (Ela talvez seja o amor que pode não ter esperança de durar)

Perla sentou ao lado de Sirius no sofá. Ele a puxou e a deitou no seu colo e ficou passando a mão em seus cabelos. Ela fechou os olhos e ficou sentindo o toque dele.

− Você fica linda assim! - falou Sirius olhando para o rosto da menina, que abriu os olhos e encarou os olhos que a fitavam.

− E você continua o mesmo galanteador de sempre, Sirius.

Sirius ficou exaltado ao vê-la chamando-o pelo primeiro nome. Perla só fazia isso em ocasiões muito especiais. Ela se sentou e continuou a admirar aquele belo par de olhos azuis que a fascinavam. Ele colocou sua mão em volta do pescoço dela, e a puxou para mais perto dele. Eles ficaram se olhando por um tempo, enquanto suas bocas se aproximavam, ficando a centímetros, milímetros de distância. Mas na hora que suas bocas estavam se tocando, Perla virou o rosto.

− Eu não posso! – ela falou sem olhar para Sirius. Ele abraçou a menina que recomeçou a chorar. Sirius sentiu um grande vazio dentro de si. Estava perdendo a garota que amava. E ele não estava se dando conta disso.

May come to me from shadows of the past (Talvez venha a mim das sombras do passado)

Perla sufocou uma exclamação de dor e susto quando o homem segurou-a firmemente pelo braço e a puxou para perto de si. Os olhos do homem estavam completamente estreitados e a face mais pálida do que o normal. O rosto de ambos estavam muito próximos e ela achou por um segundo que aquele homem desconhecido reagia de outra forma quando estavam assim... tão próximos. Em resposta a fúria vista no olhar dele, Perla exibiu um ar desafiador e ergueu a sobrancelha, ao mesmo tempo em que tentava esconder a dor que aquela mão sobre seu antebraço estava lhe causando

− Ah, mas você não apenas deve, você tem de retribuir o meu pequenino favor. Ou eu te jogo de volta nessas malditas águas, para você festejar o seu grandioso orgulho com seus amiguinhos... – ele sorriu cinicamente e olhou na direção do pântano. – Eles estão ansiosos para que você se junte a eles novamente. Você deseja isso, Perla Montanes?

Ela apenas o encarou, assustada tanto pelo fato da ameaça dele, quanto pelo fato dele saber o nome dela. Seu braço já estava dormente devido à pressão que ele exercia sobre ele.

− Surpresa? – ele sorriu cinicamente. – Você não devia se surpreender. Andam falando muito sobre você ultimamente por trás daquela porta.

That I'll remember till the day I die (Das quais me lembrarei até o dia em que eu morrer)

Com um sorriso, Sirius tornou a desviar do mais novo feitiço que Perla lhe lançara mais, antes mesmo que pudesse lançar o seu, viu um jato vermelho vir em sua direção e, não dando tempo de desviar, arregalou os olhos quando ele o atingiu em cheio no peito.

− Per... la... – ele sussurrou, a voz não mais tendo o tom frio de antes.

Assim como foi antes de atravessar o véu, o corpo do homem descreveu um arco suntuoso antes de cair de costas no chão.

Os olhos da loira marejaram e seu rosto perdeu mais a cor. Num gesto rápido e quase desesperado, ela largou a varinha no chão, como se segurar a mesma a fizesse sentir dor, e correu de encontrou ao corpo de Sirius, que agora praticamente inerte.

− Sirius... – ela o chamou baixinho, enquanto colocava a cabeça dele em seu colo cautelosamente. – Me perdoa, Sirius, eu estava fora de mim... Eu... Me perdoa... por favor... eu não queria... – ela reprimiu um soluço. – Eu não sei... – ela passou a mão de leve pelo rosto dele, mirando firmemente aqueles olhos completamente fechados – Por favor...

Com um leve gemido, Sirius abre os olhos vagarosamente e sorri radiante quando o rosto da loira entra em foco.

− Eu estou bem, Pequena... – ele murmura baixinho – É tão bom ver você novamente...

Foi exibindo um fraco sorriso que Perla viu Sirius puxa-la para um beijo, com uma força maior do que uma pessoa normalmente teria por ter sido atingido por uma azaração como aquela.

Aprofundando o beijo com ardor, sentindo o gosto das lágrimas que caiam dos seus olhos, Perla descansou a mão no ombro de Sirius, como quem desejasse enlaça-lo, prendendo junto a si para que nunca mais desaparecesse.

She may be the reason I survive (Ela talvez seja a razão pela qual eu sobrevivo)

− Black – Perla falou sem jeito, tentando reunir coragem para continuar – "eu-queria-te, é, agradecer, por ter me sal-va-do ontem. F-foi muito corajo-so.

− Não precisa agradecer, Perla – respondeu Sirius, que ficou satisfeito em ver a menina lhe agradecendo - Qualquer um faria o mesmo.

− Ahn - Perla disse com tristeza. Sirius percebeu a alteração no semblante da menina e resolveu completar sua frase.

− Mas... - ele continuou – eu não teria feito o mesmo por outra garota.

The why and wherefore I'm alive (O porquê de eu estar vivo)

Sirius tentou pensar em alguma coisa que o fizesse esquecer os gritos que vinham das celas vizinhas. Mas a única coisa que vinha em sua mente era Perla. Ele sentia que ela estava viva, apesar de tê-la visto sem vida em seus braços.

Apertou com força o cordão dela que ainda estava em seu pescoço. Se Perla não estivesse com ele, talvez teria sobrevivido e ele estaria morto. "Seria melhor assim", pensou ele. Mas sem saber o por quê, ele sentia que ela não havia morrido. E era capaz de ver o seu rosto nitidamente a sua frente.

Então ele começou a sentir frio e percebeu que os dementadores estavam se aproximando de sua cela.

− Eles não vão tirar todos os momentos felizes que vivemos juntos, Perla – falou Sirius – Você está morta. Nossa vida acabou – disse, antes de se transformar num belo cão negro.

The one I'll care for through the rough and ready years (Aquela que eu protegerei nos anos bons e ruins)

− O que ele queria com vocês?

− Queria que chamássemos algumas pessoas pra compor a Ordem. Mas nem pensar, porque a senhorita não vai participar - falou ele ao ver a cara animada que Perla fez.

− Por que não?

− Você se lembra daquele ataque que você sofreu em Hogwarts?

− O que tem isso...

− O bruxo que te machucou daquela vez é que esta liderando essas matanças. Eu não vou permitir que ele te machuque de novo. Por isso a senhorita vai ficar de fora dessa.

− Isso é injusto! - falou Perla revoltada.

− Pequena , é para o seu próprio bem. Eu não vou me perdoar se alguém te fizer algum mal.

Me I'll take her laughter and her tears (Eu, eu pegarei seu riso e suas lágrimas)

Sirius tateou na cama, buscando o corpo de Perla, mas não encontrou nada além do lençol. Ele abriu os olhos lentamente e teve a certeza de que a namorada não estava mesmo deitada na cama.

Levantou, vestiu o roupão que estava ao lado da cama e caminhou em direção a varanda que tinha a porta aberta.

E lá estava ela. Vestindo apenas uma camisola de seda branca. Os cabelos loiros soltos, balançando lentamente.

Ele a abraçou por trás e deu um beijo em seu pescoço, sentindo a garota se arrepiar com aquele simples toque. Mas quando ela se virou, ele pode perceber que ela estava chorando.

− O que foi, pequena?

− Não é nada – respondeu Perla, encarando o chão.

− Se não fosse nada, você não estaria chorando.

− Eu estou feliz, apenas isso – ela respondeu, mas não o convenceu – Choro de felicidade por saber que te tenho aqui comigo. Por saber que eu não estou sozinha.

− Você nunca estará sozinha – respondeu Sirius, dando um beijo de leve em seus lábios – Nunca.

And make them all my souvenirs (E farei deles minhas recordações)

Ele escutou Remo o chamando, mas simplesmente não conseguia desviar sua atenção daquele quarto. O quarto onde ele crescera, onde se escondia pra não ter que encarar seus parentes que tanto odiava. E ele estava de volta aquela casa. De volta ao lugar que queria mais do que tudo, esquecer que existia.

− Sirius – insistiu Remo.

− O que?

− Eu te trouxe isso... achei que fosse lhe interessar.

− Sirius olhou o objeto que Remo lhe entregara. A pequena caixa de marfim que Perla lhe dera para que ele guardassem tudo aquilo que achasse importante.

Ele tateou no pescoço em busca de um cordão. E junto dele havia uma chave.

Sorriu ao abrir a caixa. Tantas fotos, tantas recordações... do tempo em que viviam juntos. Do tempo que eram felizes.

Todas as lembranças dela estavam naquela pequena caixa.

For where she goes I've got to be (Aonde ela for eu tenho de estar)

- Quer casar comigo? - Perla tomou um grande susto com o pedido.

− Eu não entendi. - Sirius tirou uma caixinha de veludo vermelho de dentro do bolso. A abriu e dentro tinha um bonito anel de brilhante - Quer casar comigo?

− Por que você está me perguntando isso? - Perla perguntou bastante surpresa.

− Não era o que você sempre quis?

− Sim, mas você sempre disse...

− Perla, eu não sei o que vai acontecer no dia de amanhã. Mas de uma coisa eu tenho certeza. Eu te amo. Mais do que tudo. E eu quero muito que você seja a futura Sra Black.

− Sim - respondeu ela - É claro que a minha resposta é sim - Sirius a abraçou e a beijou.

The meaning of my life is… She (O sentido da minha vida é… ela)

- Você foi a única.

− A única?

− A única por quem me apaixonei e...

− E...

− A única com quem...

− Fala Sirius. Tá me deixando curiosa.

− Perla, eu nunca tinha... assim como foi com você... você foi a única.

− Continuo sem entender!

− Eu nunca tinha "passado a noite" com nenhuma garota. Você foi a única - falou Sirius, tudo de uma vez. Perla o encarou achando que era uma brincadeira.

− Você está brincando?

− Acha que eu brincaria com isso? - falou Sirius sério - Pê, eu posso ter sido o maior conquistador que Hogwarts já teve. Mas eu já te disse. Eu nunca me apaixonei por nenhuma garota. Com umas eu fiquei um tempo maior, mas nunca senti por nenhuma o que eu sinto por você.

− Você não tem idéia do quanto é importante pra mim escutar isso - disse Perla, acariciando o rosto de Sirius - Eu te amo, mais do que tudo.

− Eu também te amo, Pê. Mais do que tudo!

She (Ela)


N/A: Ok, dessa vez eu não demorei tanto assim pra atualizar, não é mesmo? Afinal, esse capítulo especial já estava quase pronto há mais de 4 meses. Hehehehe. Nesse capítulo, vocês entraram na mente do Sirius e leram tudo o que ele lembrou. As cenas que eu coloquei são cenas de O Diário de Perla, Perla e os Marotos, Lembranças de um Passado Esquecido, mais duas cenas inéditas

Mas enfim, queria agradecer pelo super apoio que eu recebi das pessoas que leem a fic, que continuaram lendo apesar do meu sumiço. Agradeço muito esse apoio e carinho que vocês demonstraram. E esse capítulo vai dedicado pra vocês: simplesmente Gabi das Fadas, tally, Sandra Potter, Lele Potter Black, Srta. Wheezy, Anaisa, bib's, Gabi e krol

Bom, esse Capítulo encerra a primeira fase da fic. A Partir daqui as coisas vão mudar um pouco de rumo e finalmente os últimos segredos serão revelados. E podem ter certeza de que eu só abandono essa fic agora quando ela chegar ao fim. Podem apostar que no máximo em 15 dias, eu posto capítulo novo (eu espero que seja antes)!

Espero que gostem do capítulo e aqueles que quiserem ser bonzinhos e comentarem, eu juro que não vou me importar!