Capítulo 20 - Voltando para Hogwarts


A estação de trem estava lotada naquele dia. E não era para menos, já que o dia primeiro de setembro era o dia em que os alunos de Hogwarts voltavam para mais um ano letivo.

Mesmo com todos os ataques, que havia se tornado normal naqueles dias, poucos eram os alunos que não voltavam para a escola. Apesar de tudo, Hogwarts ainda era considerada um dos lugares mais seguros.

− Você entendeu tudo, Sarah? - perguntou Sirius novamente para a loira ao seu lado, que apenas bufou em resposta - Escuta, só estamos fazendo isso para o seu próprio bem.

− Sirius, eu já entendi que estão me mandando para Hogwarts por que lá é um lugar seguro, mas você não precisa me dizer isso a cada minuto - respondeu Sarah, bastante irritada - Eu só não entendi ainda por que eu não posso ficar com vocês. Sei me defender muito bem pra precisar ficar trancada entre as paredes daquele castelo.

− Ordens de Perla - falou Thais, antes que Sirius retrucasse - Ela é sua mãe e se ela ordenou isso, nós apenas cumprimos. Se não está satisfeita, reclame diretamente com ela - ela sorriu, deixando Sarah ainda mais irritada.

Harry, que estava ao lado de Sarah, também começou a rir ao ver a garota discutir com Thaís.

− Esse é o maravilhoso mundo das mulheres, Harry - disse Sirius, passando o braço em volta do ombro do afilhado - Um mundo totalmente... incompreenssível!

Ele riu ainda mais, no que foi acompanhado pelo padrinho. No entanto, Remo que estava ao lado deles, mantinha uma expressão muito séria no rosto.

− Dessamarra essa cara, Remo - disse Sirius ao reparar no amigo - Se você tá com medo de que alguém nos ataque agora, pode ficar tranquilo. Tem aurores espalhados por toda a estação.

− Não é com isso que estou preocupado - ele respondeu - Apenas... Harry, você tem certeza de que Perla não falou mais nada naquele dia?

− Caramba, Remo, você parece disco arranhado sabia? O Harry não disse inúmeras vezes que ela não falou nada demais?

Sirius continuava rindo, porém Harry teve que fazer força para não ficar sério. Remo o encarava do mesmo jeito que Snape fazia quando desconfiava de que ele estava escondendo alguma coisa. "Será que assim como Snape, ele também consegue ler pensamentos?" pensou Harry, olhando para o chão.

− Não, ela não disse. Apenas disse que Sarah ia pra Hogwarts. E que éramos pra ficarmos de olho um no outro. E que nos amava muito. Foi só isso - Harry disse, tentando a todo custo não olhar para Remo, que continuava encarando-o.

− Eu entendo. Apenas pensei que ela pudesse dar alguma pista sobre o trabalho secreto que ela fazia pra Ordem.

− Aposto como era apenas espiar as trapalhadas do Fudge - respondeu Sirius, rindo novamente.

− No que vocês dois estão pensando? - Thais quase gritou, mas controlou seu tom de voz no último segundo ao se lembrar que estavam numa estação trouxa - Já está quase na hora do trem partir!

Os cinco se apressaram e atravessaram a barreira para chegarem a plataforma 9 e 3/4, onde os meninos pegariam o trem que os levaria a Hogwarts.

Harry e Sarah se despediram rapidamente de Sirius, Remo e Thais e subiram correndo no trem, que já estava de partida. Eles procuraram por Rony e Hermione e os encontraram numa das últimas cabines junto com Gina.

− Estávamos esperando vocês chegarem, antes de irmos para a cabine dos monitores - disse Hermione assim que eles entraram, apontando para o seu distintivo de monitora-chefe e para o de monitor de Rony - Por que demoraram tanto?

− Sarah estava tentando convencer Sirius a não ir pra Hogwarts - Harry respondeu se largando em cima da poltrona.

− Então você vai mesmo pra Hogwarts, Sarah?

− É o que parece, Gina. Não que eu esteja muito feliz com isso.

− É, mas ela vai assim mesmo - continuou Harry - E para todos efeitos, ela está sendo transferida de uma escola de magia dos Estados Unidos. Vai cursar o sétimo ano.

− Pelo menos é um motivo mais aceitável do que estar sendo mandada pra lá por segurança - falou Sarah dando um longo suspiro.

− Mas sua mãe é auror. Você sabe de coisas que muitos alunos que já terminaram o sétimo ano nem sonham em saber - insistiu Gina, que parecia muito aborrecida.

− Mais um motivo pra ser uma tortura frequentar a escola novamente. Como se tivesse alguma coisa que eles pudessem me ensinar que eu não sei.

Logo em seguida, a porta da cabine se abriu novamente dando passagem as pessoas que eles menos queriam ver: Draco Malfoy, acompanhado como sempre de Crabbe e Goyle.

− Vejam só quem achamos. Potter e sua turminha de bajuladores. Vejamos, dois pobretões, uma sangue ruim e... peraí, quem é você?

− A pergunta certa não é quem sou eu, Malfoy. E sim o que eu posso fazer com você! - respondeu Sarah, sacando a varinha e apontando para o peito do loiro.

− Como se eu fosse ter medo de uma garota - ele respondeu num tom de quem não estava preocupado.

− Se eu fosse você, começaria a ter! - Sarah disse, olhando fixamente nos olhos do garoto.

− Vamos - Draco fez sinal para Crabbe e Goyle e os três sairam da cabine sem dizer mais nenhuma palavra.

− Uau, como foi que você fez isso? - perguntou Rony, que estava com a boca aberta ao ver como a menina espantara os sonserinos - Foi incrível!

− Não foi nada demais. Se quer fazer seu inimigo sentir medo de você, o encare nos olhos. Os covardes sempre fogem.

− Você já conhecia o Malfoy?

− Infelizmente sim, Harry. Já o vi algumas vezes no Ministério com o pai dele - respondeu Sarah, parecendo preocupada por um breve instante - Mas não acho que ele tenha se lembrado de mim.

− Sabe, eu quero que você me ensine coisas assim. Foi realmente incrível, não foi Harry? - disse Rony e Harry concordou. Hermione retrucou.

− Ela não fez nada demais. Aposto como qualquer um poderia fazer isso.

− Eu também acho que sim - respondeu Sarah, pra surpresa de Hermione.

− Quando você pode começar a me dar aulas? Ei Harry, ela podia te ajudar no nosso grupo, não acha?

− É, seria bem legal - respondeu Harry sorrindo. Os três começaram a conversar sobre várias técnicas de defesa. Hermione e Gina apenas suspiraram "garotos" e começaram a conversar sobre outras coisas.

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Remo, Sirius e Thaís pararam em frente ao portão de entrada dos terrenos de Hogwarts. Sabiam que pra entrar na escola tinham que passar por alguns testes, além de precisarem saber uma senha que somente os professores e membros da Ordem conheciam. Tudo fazia parte do sistema de segurança montado por Dumbledore para proteger o castelo dos ataques de Voldemort.

− Podem me dizer por que não podemos entrar por Hogsmeade? Seria tão mais fácil e não teríamos que fazer tantas coisas. Me sinto ridícula fazendo feitiços pro nada - disse Thais, depois de conjurar um patrono, uma bela águia, que saiu voando em direção ao castelo.

− É meio óbvio, não? As entradas para Hogwarts em Hogsmeade também receberam medidas de segurança. Senão não adiantaria nada toda essa proteção - respondeu Remo, deixando a mulher irritada.

− Escuta aqui, Remo. Se você é um intragável sabe-tudo, eu não...

− Crianças - disse Sirius, passando o braço em volta do ombro de cada um - Desse jeito as coisas não vão dar muito certo. Sejam bonzinhos, por que ainda temos que fazer algumas coisinhas pra conseguirmos entrar nos terrenos da escola.

Os dois concordaram, mas se fuzilaram com o olhar.

Depois de muitos feitiços e todo tipo de teste, os portões finalmente se abriram dando passagem aos três, se fechando assim que passaram por eles.

− E agora, grande gênio? - perguntou Thais, encarando Remo. Este deu um sorriso irônico.

− Que tal mandarmos ela pro salgueiro lutador pra ver se ela encontra a entrada pra casa dos gritos, já que é tão esperta.

− Ok, vocês dois fiquem aqui bem comportados, que eu vou resolver isso. Ah, e por favor, não se matem até eu voltar - disse Sirius, se transfomando num belo cão negro e saindo em direção ao Salgueiro Lutador.

− Você sempre encontra um jeito de me irritar. Faz isso por diversão ou é apenas pra satisfazer seu ego? - perguntou Thais, sem encarar o outro.

− Talvez seja por que eu não aguento você me tratando tão mal sendo que eu nunca fiz nada do gênero com você!

− Não? Acho que você anda com problemas de memória então. Será que dormir com outra quando eu era sua namorada é pouco pra você?

− Eu não... quer saber? Acredita no que você quiser, ok? Hestia nem está mais nesse mundo pra confirmar que eu estou falando a verdade.

− Sabe, acho que você deve ter algum tipo de maldição. Por que todas as suas namoradas simplesmente morrem. Primeiro foi a Emma, agora a Hestia...

Remo a encarou com raiva. Até mesmo Thais sentiu que tinha falado demais. Mas ele simplesmente não disse nada. Apenas a segurou pelo braço e a arrastou em direção ao Salgueiro, cujos galhos estavam todos parados. Sirius apertara o nó da árvore e esperava por eles na entrada.

Thais sentiu um calafrio percorrer o seu corpo, enquanto Remo a segurava pelo braço. Se xingou mentalmente por ter dito aquilo pra ele. Sabia que ele sofrera demais com medo de ser rejeitado devido a sua condição lupina e ela ainda tinha que jogar na cara dele que ele não tivera sorte em seus únicos dois relacionamentos.

Ele a soltou assim que entraram no túnel. Os três caminharam em silêncio até chegarem a casa dos gritos. Sirius deu uma olhada, checando se tudo estava em ordem.

− O que aconteceu com vocês dois? - ele perguntou ao ver que ambos olhavam em direções contrárias.

− Nada - eles responderam ao mesmo tempo.

− Nesse caso, eu não vejo problema em deixar os dois pombinhos sozinhos.

− Como assim? - perguntou Thais, deixando transparecer seu nervosismo.

− Eu quero ir buscar a minha filha. Ela já ficou tempo demais com a Tonks e se querem saber, eu tenho medo do que pode ter acontecido.

− Sirius, fica calmo. A Nymphadora deve estar cuidando bem da Lily - disse Remo, que também ficara nervoso só de pensar na possibilidade de ficar a sós com Thais.

− Ela vai adorar saber que você a chamou assim. Mas na verdade, eu tô preocupado é com o que a Lily pode fazer com a Tonks. Não se esqueça de quem ela é filha - Sirius riu e caminhou até a porta - E quanto a vocês crianças, se comportem. Depois eu volto pra recolher os pedacinhos de vocês.

Sirius saiu cantarolando do quarto. Remo e Thais evitavam se encaram.

− Remo, me desculpa - ela disse, olhando pro chão - eu não queria ter dito aquilo.

− Tudo bem

− Não, olha, eu realmente não queria dizer aquilo. Foi estúpido e grosseiro - lágrimas começaram a escorrer do rosto dela - eu fui idiota de dizer aquilo. Estava com raiva, mas isso não me dá o direito de ser cruel.

− Não precisa ficar assim também - ele foi até ela ao perceber que ela estava chorando - Digamos que eu também não facilitei muito, não é?

− Não importa. Já passou. - ela limpou os olhos e voltou a encará-lo.

− Como assim já passou? - ele deu um passo na direção dela, que tremeu com aquilo.

− Passando - ela tentava manter os olhos fixos nos dele, mas a cada passo dele, Thaís se sentia mais encurralada.

− Por que você tem que ser tão complexa? - Remo falou.

E fechando a distância entre os dois com um último passo, Remo envolveu-a em seus braços e cubriu a boca dela com a sua.

Mais tarde, Thaís ainda estava acordada, deitada num colchão que Remo conjurara magicamente. Suas roupas se amontoavam num montinho ao lado dos dois e seu corpo estava coberto por apenas um cobertor. Remo dormia ao seu lado, com o que parecia ser um pequeno sorriso estampado em seus lábios. A morena sentia-se confusa, aquele beijo, mesmo tantos anos depois, havia despertado os mesmos sentimentos e os dois haviam acabado daquele jeito, deitados num colchão na Casa dos Gritos.

Ela se afastou um pouco, numa tentativa de compreender que loucura havia sido aquela. Não podia negar que havia adorado, seu corpo todo parecia pedir por Remo e mesmo depois de tanto tempo, ambos sabiam exatamente o que fazer. Mesmo assim houve uma redescoberta, risadas trocadas com a falta de jeito que eles apresentaram durante o ato realizado. E no final, quando ele a abraçou, Thaís sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e afundou a cabeça no peito dele. Ele mexeu no cabelo dela, até que sentindo sono, beijou-lhe a testa e puxou para si, finalmente adormecendo.

Thaís não sabia se iria adormecer tão cedo, sentia-se desprotegida naquele lugar, havia passado muito tempo e Sirius não voltara. A presença de Remo parecia reconfortá-la levemente, mas sentia-se só.

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− Vamos logo, eu estou faminto - falou Rony, subindo apressadamente as escadas na frente de todos.

− Você sempre está com fome, Ronald - gritou Hermione, mas o garoto já tinha sumido.

Harry, Hermione, Sarah e Gina continuaram caminhando até chegarem ao saguão de entrada do castelo, quando a professora McGonagall apareceu e parou na frente deles.

− Senhorita Montanes, você vem comigo.

− Montanes? - estranhou Gina, olhando pra garota, que sorriu pra ela e em seguida olhou de cara fechada para a professora.

− E eu posso saber pra onde?

− Apenas venha comigo - Minerva respondeu e saiu andando. Sarah bufou e a seguiu. Os outros três seguiram em frente.

O início do banquete foi exatamente o mesmo de todos os anos. Os alunos mais antigos entravam no castelo e esperavam os alunos do primeiro ano serem selecionados para suas respectivas casas.

− Eu espero que Dumbledore seja breve, estou morto de fome - resmungou Rony olhando ansioso para o diretor que havia se levantado e fazia sinal para que todos fizessem silêncio.

− Finalmente o início de mais um ano letivo. Eu fico feliz em ver que quase todos estão de volta - disse - Porém, antes que vocês se fartem com o delicioso banquete de sempre, receio que teremos mais uma seleção a ser feita.

O Salão se encheu de cochichos por todas as mesas. Todos os alunos do primeiro ano já haviam sido selecionados, logo não poderia ter mais ninguém. Dumbledore fez sinal para que todos fizessem silêncio novamente.

− Este ano, teremos o prazer de receber uma aluna transferida de uma escola de Magia dos Estados Unidos. Ela irá cursar o sétimo ano e peço a todos que estiverem na casa para a qual ela for selecionada, que a tratem muito bem. Por favor, pode entrar, senhorita Sarah Montanes.

Sarah sentiu-se incomodada com todos os olhares que a seguiram em sua entrada no salão principal. Ela caminhou por entre as mesas sem olhar para ninguém, nem mesmo Harry na mesa da Grifinória. Xingava mentalmente Perla por fazê-la passar por tudo aquilo.

Quando estava quase chegando ao banquinho, que estava em frente a mesa dos professores, sentiu algo dentro de si que a fez olhar para a mesa dos professores. Seu olhar cruzou então com o de Snape, que parecia simplesmente perplexo em vê-la.

Ela desviou o olhar e se sentou no banco. Logo em seguida, sentiu o chapéu seletor ser colocado em sua cabeça. Tentou não pensar em nada, mas achava aquilo tudo tão idiota que só conseguia pensar no como queria que aquilo acabasse logo.

− Muito interessante - disse o chapeu. Sarah apenas suspirou - Você nem mesmo devia estar aqui. Mas tem uma missão. Acho que você estará muito bem na... CORVINAL!

− Corvinal? - Harry quase gritou de espanto, sendo censurado por Gina - Ela devia ter sido selecionada pra Grifinória.

− Era de se esperar, Harry - foi Hermione quem respondeu - Afinal, ela é muito inteligente. Sabe de muitas coisas. Eu acho que o chapéu a selecionou muito bem.

Harry olhou para Sarah que estava indo para a mesa da Corvinal. Esta também olhou para o garoto e fez uma cara de "o que eu posso fazer?" antes de se sentar.

Ele sentiu que aquilo complicaria as coisas. Como ele e Sarah poderiam fazer as "tais investigações" que Perla pedira se eles além de não estudarem juntos, não estavam nem ao menos na mesma casa. Seria quase impossível encontrar com ela.

Após todos se fartarem no banquete, Dumbledore deu todos os avisos para o novo ano letivo, incluindo as novas medidas de segurança e controle que seria realizado nos dias de visitas a Hogsmeade. Enquanto ele dava os avisos, Thais entrou pelo salão sem que ninguém a notasse e caminhava em direção a mesa dos professores.

− E para finalizar, eu gostaria de apresentar pra vocês sua nova professora de Poções, a senhorita Thaís Roberts - disse o diretor apontando para ela e todos se viraram para encarar a mulher que estava quase chegando a mesa dos professores. Ela sorriu sem graça e acenou com a cabeça.

Uma nova onda de cochichos surgiu por todo o salão. Se aquela seria a nova professora de Poções, então, que aula Snape daria? Foi quando o pior temor de Harry se concretizou.

− E devo anunciar que o professor Snape gentilmente aceitou ser o novo professor de Defesa Contra a Arte das Trevas.

Snape deu um sorriso irônico. Harry sabia que ele estava feliz. Depois de anos, ele finalmente conseguira o que tanto queria.

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− Essa foi a pior aula de Defesa Contra a Arte das Trevas de toda a minha vida!

− Nem foi tão ruim assim, Rony - respondeu Hermione, que parecia enjoada - Só foi um pouco, pesada demais.

− Na verdade, as aulas de Lockhart conseguiam ser piores - lembrou Rony - mas depois delas, essa foi a pior. Não acha, Harry?

− Pra mim qualquer aula com Snape é insuportável.

Hermione e Rony continuaram discutindo sobre a aula. Mas Harry tinha outras coisas com que se preocupar naquele momento. Ele tinha que dar mais importancias a outras coisas do que as tentativas de Snape de sempre humilhá-lo em suas aulas.

− Harry, o que você tem? - Rony perguntou ao ver que o amigo não prestava atenção na sua discussão com Hermione.

− Não é nada - o garoto sorriu, tentando disfarçar.

− Você anda muito estranho nos últimos dias. Tá acontecendo alguma coisa que nós não sabemos? - perguntou Hermione, mas Harry negou.

− Eu apenas estou preocupado com Perla. È só isso.

− Ah, mas aposto como ela sabe se defender bem, você não tem que se preocupar com isso, cara.

Harry sorriu em resposta. Detestava fazer aquilo com seus melhores amigos, mas ele nao tinha outra alternativa. Ia perguntar qual era a próxima aula que eles teriam quando Sarah os abordou.

− Ainda bem que o encontrei, Harry. Já estava ficando nervosa. Ah, oi pra vocês.

Os três responderam "oi", mas Harry ficou ainda mais preocupado com a expressão no rosto de Sarah.

− Aconteceu alguma coisa?

− Ah não, nada. Eu só queria falar com você - ela respondeu. Parecia ter muita urgência em falar com o garoto.

− Então fala - Harry respondeu e Sarah o fuzilou com o olhar e em seguida olhou pra Rony e Hermione. Mas o garoto não entendeu o que ela queria dizer com aquilo - Fala logo, tá me deixando nervoso.

− Sabe o que é? - Ela puxou um pedaço dobrado de pergaminho de dentro do bolso e ficou segurando-o perto do rosto de modo que Harry pudesse ver - É um assunto um tanto delicado.

Harry olhou do pedaço de pergaminho pro rosto da garota e então entendeu sobre o que ela queria falar.

− Eu já volto - disse pra Hermione e Rony e saiu andando, sendo seguido por Sarah.

− Ele está escondendo alguma coisa.

− Harry não esconderia "alguma coisa" da gente, Mione - respondeu Rony - Somos seus melhores amigos.

− Eu sei que somos os melhores amigos dele. Mas tem alguma coisa acontecendo e ele não quer nos falar. E envolve a Sarah. Por que ela viria pra Hogwarts?

− Ela disse. A mãe dela acha que ela estará protegida. E eu concordo com ela. O castelo atualmente é um dos lugares mais seguros.

− Perla é auror, Rony. Ela criou a Sarah ensinando-o a se defender de qualquer coisa. Sarah sabe mais coisas que muitos bruxos adultos. Não creio que ela não confiaria tanto assim na filha.

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Harry e Sarah caminharam lado a lado em silêncio até uma sala de aula vazia, que eles verificaram muito bem para terem certeza de que estava realmente vazia.

− Então você também recebeu - o garoto quebrou o silêncio.

− Hoje de manhã. E você?

− Também. Edwiges trouxe pra mim. O que diz o seu? - a garota estendeu o bilhete pra ele, que o pegou e leu - O meu diz exatamente a mesma coisa.

− Isso significa então que temos um encontro amanhã a noite com o professor Dumbledore - disse Sarah, pegando o bilhete da mão de Harry e o guardando - O que será que ele quer conosco?

− Provalmente é aquele tal assunto que Perla quer que investiguemos. Ele deve nos dizer o que é.

− Assim eu espero. Já estou cansada dessa escola. Preciso mesmo de algo pra me divertir.

− Não acho que será algo divertido.

− Você me entendeu, Harry. Você é como eu. Não consegue ficar parado enquanto sabe que tem coisas acontecendo do lado de fora dos terrenos da escola.

− Você tem razão - o garoto sorriu - Bom, então eu te espero amanhã a noite, após o jantar no saguão principal.

− Ótimo. Tenho que ir agora. Vou chegar atrasada pra minha primeira aula de Defesa Contra a Arte das Trevas.

− Não vai perder muita coisa.

− O pior é que eu sei disso - respondeu Sarah, abrindo a porta e saindo. Harry esperou uns segundos, antes de sair também. No corredor, deu de cara com Gina.

− Harry? O que você tá fazendo aqui? Você não devia estar na aula? - ele ficou sem graça ao dar de cara com a ruiva.

− E você não?

− Eu estava justamente indo pra aula de Feitiços! - Gina encarou Harry com um olhar desconfiado.

− E eu estou atrasado pra aula de Poções. A gente se fala depois - ele deu um selinho nela e saiu correndo.

Gina olhou dentro da sala e viu um livro de Poções em cima de uma carteira. Concluiu que devia ser de Harry e o pegou pra entregar ao garoto, mas ele já tinha sumido.

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− Cinco pontos a menos pra Grifinória pelo seu atraso, Potter - disse Thais, assim que o garoto entrou na masmorra onde acontecia a aula de Poções em conjunto com Sonserina. Draco deu um sorriu ao ver Harry perder os pontos.

− Me desculpe, professora. Não vai mais acontecer - ele sentou na mesma bancada que Rony e Hermione estavam.

− Pegue seu livro e comece a preparar a poção. Todos estão trabalhando na Poção Felix Felicis. Você vai encontrá-la na página dez do seu livro.

− Ah, professora - Harry estendeu a mão - Eu acho que esqueci meu livro. Será que eu poderia buscá-lo?

− Você chega atrasado e ainda esquece o livro? Serão menos cinco pontos pra Grifinória - respondeu Thais, fazendo Draco sorrir novamente - E não, você não pode ir buscar seu livro. Acho que o professor Snape deixou um no armário. Eu vou pegar pra você.

Harry ficou se perguntando se Thais seria uma nova versão de Snape. A professora era bastante exigente. Mas pelo menos ela não o odiava e não defendia os alunos da Sonserina. Pelo menos era o que ele esperava.

A professora voltou com o livro e entregou ao garoto. Este o abriu na pagina pedida e começou a preparar os ingredientes para preparar a poção. Foi quando seu olhar bateu em algo que estava escrito no alto da página. Uma caligrafia fina que dizia apenas "Sectusempra"

Sua mente começou a dar voltas e mais voltas. Sabia que já tinha escutado aquela palavra em algum lugar. Sabia que se tratava de um feitiço. Mas não se lembrava onde o tinha escutado.

Foi quando tudo clareou. E ele escutou aquelas palavras como se estivessem sendo pronunciadas naquele instante.

− Veremos quanto tempo você ainda vai durar em pé, Black... – ela inspirou profundamente – Estupefaça! – ela gritou, no que Sirius desviou agilmente.

Sirius atacou de volta, no que Perla desviou de um novo feitiço, que ricocheteou a parede e sumiu na parede.

− Sectusempra! – disse Perla num murmúrio.

Com um sorriso, Sirius tornou a desviar do mais novo feitiço que Perla lhe lançara mais, antes mesmo que pudesse lançar o seu, viu um jato vermelho vir em sua direção e, não dando tempo de desviar, arregalou os olhos quando ele o atingiu em cheio no peito.

− Per... la... – ele sussurrou, a voz não mais tendo o tom frio de antes

Perla. Ela conhecia aquele feitiço. Ela o tinha executado contra Sirius no mundo de Hades. Somente ela teria as respostas para as perguntas que martelaram em sua cabeça.


N/A: Uau. Dessa vez eu mereço um prêmio. Menos de uma semana e eu tô atualizando de novo? Bem, eu disse que dessa vez eu faria de tudo pra isso acontecer... e eu não estava mentindo. Eu vou tentar continuar atualizando toda semana. Afinal, ainda tá gente lendo isso aqui e vcs merecem que eu corra contra o tempo perdido.

Vejamos. Uma coisa que eu não faço a muito tempo. Agradecimentos especiais a: Lele Potter Black (ow, me diz como vc conseguiu fazer isso? To tentando a meses e até agora não consegui terminar de ler nem a primeira parte! ri), Marcy Black (A Perla foi condenada, mas logo ela vai aparecer de novo, então fique tranquila), Anaisa (Já disse q vc eh um amor? Não esqueci das suas fics não, vou voltar a ler fics agora e pode ter certeza de que vou ler as suas), Ninha (saudades de vc, migah. Fico feliz em saber que ainda ta lendo a fic), Ahavene (vou desistir da fic não, pode ter certeza. Eu não sou doida de jogar 3 anos de trabalho fora. Portanto, continue lendo), Deby Evans (fico feliz que tenha gostado do reencontro. Continue lendo que ainda vai ter outro ri), Marcy Black (sim, sou fã de McFly, quer dizer, era. Agora gosto só das músicas!), Lele (fico feliz que tenha gostado de tudo e espero que ainda esteja lendo a fic), July Evans ( brigada por toda a força que vc vem me dando nos últimos tempos) e Krol (saudades de vc!) e a todos os outros que comentaram durante todo esse tempo e que eu nunca respondi. Obrigada por tudo. Vcs me deram a força pra continuar.

Dynha Black