Capítulo 21 – A Missão de Harry e Sarah


Harry não conseguiu parar de pensar no que tinha lido no livro de Poções mesmo depois da aula acabar. Ele sabia que aquele livro pertencia a Snape. Mas ele nunca ouvira falar daquele feitiço até escutar o relato de Perla no mundo de Hades. E ficara extremamente curioso para saber como a madrinha o aprendera.

O garoto permaneceu calado nas aulas seguintes e durante o jantar. Rony e Hermione perceberam a mudança de atitude, mas nada comentaram com ele, esperando que o amigo tomasse a iniciativa de falar o que o estava incomodando. Mas Harry não o fez. E nem mesmo se preocupou em saber por que Gina estava tão irritada com ele.

Quando voltaram pra sala comunal e a ruiva disse que iria dormir, pois estava com dor de cabeça, Hermione não agüentou o silêncio de Harry e resolveu tomar a iniciativa.

- Harry, o que está acontecendo? – ela perguntou, mas o menino continuou em silêncio encarando os sapatos – Ei Harry! Eu to falando com você!

− Que foi, Hermione? – ele perguntou, saindo de seu transe.

− Eu é que pergunto. Você está calado desde a aula de poções. Não deu atenção pra mim, nem pro Rony... você nem deu atenção pra Gina! Só ficou quieto, pensando sabe se lá no que.

− Não é nada – Harry respondeu, tentando parecer que tudo estava normal. Porém Hermione e Rony não se convenceram.

− Olha só, se você não confia mais na gente... – Rony começou a dizer, mas Harry o cortou de imediato.

− Não é nada disso, Rony.

− Então por que não nos diz o que está acontecendo com você?

Harry se viu no meio de um conflito mental. Ele odiava ter que esconder as coisas dos amigos que sempre o apoiaram e sempre estiveram junto com ele nas mais variadas situações. Sentia sua cabeça fervilhando e nada o faria se sentir melhor do que contar aos seus amigos todas as suas preocupações. Mas ele se lembrou da promessa que tinha feito a Perla, de que não contaria nada a ninguém, pois a segurança dos próprios amigos estaria em jogo.

− Mione, é que... ok, eu vou contar pra vocês, mas por favor, não comentem nada com a Gina, eu não quero que ela se preocupe – Hermione e Rony trocaram olhares e concordaram. Harry sentiu que ficaria bem melhor nao só com os amigos, mas com ele mesmo, se pudesse compartilhar pelo menos uma parte das suas preocupações – Vocês se lembram do livro que a professora Thais me emprestou hoje não é? – eles concordaram – Pois então, eu achei uma coisa escrita em uma das páginas. Sectusempra.

Sectusempra? – estranhou Rony, tentando se lembrar o que significava a palavra - E o que isso quer dizer?

− É um feitiço – foi Hermione quem respondeu, deixando Harry intrigado.

− Você o conhece?

− É o feitiço que Perla usou contra Sirius no mundo de Hades.

− Eu sei disso, mas... eu queria saber se você já o conhecia antes? – ele perguntou esperançoso que ela soubesse mais sobre aquele feitiço.

− Não. E depois daquele dia eu procurei coisas sobre ele. Mas não encontrei. Não encontrei uma referência sequer sobre ele. É como se ele não existisse.

− Mas ele existe, Mione – respondeu Harry, se levantando e começando a andar em volta dos dois – E o que me intriga é esse feitiço não ser conhecido por ninguém. Mas Perla e Snape o conhecem. A pergunta é, "como"?

− Talvez ela tenha aprendido ele com Artes das Trevas. Não foi ela mesma quem disse que estudou Arte das Trevas? E nós sabemos bem que o Snape já foi comensal – disse Rony, mas para Harry não era só isso.

− Se fosse algo de Arte das Trevas, Hermione encontraria alguma referência sobre ele, não? – ele olhou para a menina, que confirmou.

− Eu não achei nada. Absolutamente nada.

− Eu vou perguntar para o Sirius. Talvez ele saiba de alguma coisa. Quer dizer, Perla o usou contra ele. Não é possível que ele também o desconheça.

− É uma idéia – respondeu Hermione, estudando bem a fisionomia de Harry – Mas... era só isso que estava te preocupando?

Harry desviou o olhar. Sabia que não poderia contar mais nada. E lutando contra toda a sua vontade de contar tudo que estava acontecendo com os amigos, ele confirmou.

− É sim – mentiu Harry, se xingando por dentro e tentando não encarar nenhum dos outros dois. Ele tinha prometido a madrinha que ninguém saberia nada sobre o que ele e Sarah iriam investigar. E ele tinha que cumprir essa promessa – Eu vou dormir. Vejo vocês amanhã.

Hermione observou Harry subir as escadas. Ela sabia que o amigo estava mentindo e que tinha mais coisas o preocupando. Só não conseguia entender o motivo dele estar escondendo isso deles, já que sempre contavam tudo um pro outro.

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Thaís fitava o teto, deitada em sua cama. Tudo estava tão confuso pra ela naquele momento. Agora que estava trabalhando em Hogwarts, era quase impossível não esbarrar com Remo pelo menos uma vez por dia, principalmente por que ele estava dando as aulas práticas de Defesa Contra Arte das Trevas juntamente com Harry e ela auxiliava os dois (Já que Snape não quis dar nenhuma aula prática para os alunos). E isso so dificultava a sua árdua tarefa de tentar esquece-lo.

Como se isso fosse possível. Nem durante todos os anos de afastamento ela o esquecera. Em momento algum deixara de pensar nele. E principalmente, se perguntava dia após dia se ele ainda pensava nela.

O reencontro tinha sido difícil. E os encontros posteriores também. Ela se lembrou com tristeza no olhar dele, quando ela havia dito que Lily era sua filha para encobrir Perla. Remo a olhara com uma expressão de profundo desprezo. Como se ela o tivesse traído.

Ela levantou e procurou por uma fotografia que estava em cima da mesa e que ela passara a tarde toda observando e se lembrando de todos os momentos felizes que passara ao lado de Remo e dos amigos. A foto mostrava Remo, Perla, Sirius e ela mais jovens, logo após terem se conhecido. Sentiu um aperto em seu coração e grossas lágrimas se formaram em seus olhos. Não fazia sentido que as coisas fossem tão difíceis.

"Remo ainda estaria na Casa dos Gritos?" Aquela dúvida espantava seu sono, mesmo enquanto seus olhos pesavam.

Havia deixado a capa preta estendida sobre a mesa e apanhou. Podia sair da escola a hora que quisesse e resolver aquela situação. E era exatamente isso que ia fazer.

Foi uma caminhada silenciosa até o Salgueiro Lutador, lá com ajuda de um graveto, apertou o nó correto e se viu mais uma vez naquela casa de memórias.

− Remo? - ela chamou ainda do andar inferior.

Ele surgiu logo, ao pé da escada, os cabelos desgrenhados e sorriu ao vê-la, fazendo-a sentir um aperto em seu coração.

− Você voltou - ele parecia incrédulo quanto a isso, mesmo vendo aquela mulher a sua frente, em carne e osso.

− Nós precisamos conversar – ela tentou evitar o olhar dele a todo custo, mas era simplesmente impossível.

− Eu também acho. Suba aqui.

Ela subiu e assim que colocou seu pé fora da escada, foi envolvida num abraço apertado. Afundou seu rosto no pescoço dele, não podia chorar, não naquele instante.

− Remo, o que aconteceu, foi ótimo.

− Eu sei. Esperei quinze anos por isso novamente.

− Nós dois.

− E agora, eu só quero estar com você.

− É muito cedo para falarmos disso.

− Não, não é.

− É sim.

− Por que você continua fugindo? É toda aquela história de Héstia? Eu posso lhe contar, posso lhe contar o que você quiser saber.

− Não, não quero saber nada.

− Mas então o que você quer? - havia uma leve entonação de raiva na voz dele.

− Sabe quando existe algo que você sinta tamanha vergonha que não saiba como lidar direito?

− Claro que sei, eu sou um lobisomem. Acho que você ainda se lembra disso - um pequeno risinho irônico.

Ela continuou séria, não se lembrava dele daquele jeito.

− Eu quero estar com você. - havia uma sinceridade na voz dela que o fez se arrepender de sua pequena ironia.

− Então esteja. Nós podemos resolver isso já, só pergunte o que você quer saber.

− Eu não minto quando digo que não quero saber nada. Eu quero amá-lo sem desconfianças, quero amá-lo de onde paramos. Não quero amá-lo por uma justificativa qualquer.

− Então me ame.

− Ah, eu amo. Amo com todas as minhas forças, amei por quinze anos a distância. Não deixei de amar em momento algum. É por isso que eu quero começar de novo.

− Então vamos começar. Por que você complica tudo?

− Por que eu estou com vergonha. De nunca ter acreditado, de ter te tratado como um lixo, de ter jogado quinze anos da nossa vida junto fora e não adianta, enquanto eu não conseguir lidar com isso, não vou conseguir me entregar completamente pra você.

− Eu posso te ajudar com isso.

− Pode... - ela fez uma pequena pausa - Então me dê um tempo.

− Não. Não precisamos de mais tempo, precisamos um do outro.

− Eu sei. Por isso minha porta vai estar sempre aberta pra você, mas do jeito que você quer. Sem exigências agora, sem necessidades. Apenas casualidade.

− E o amor?

− O amor ressurge com o tempo.

− É tudo sobre o tempo. Sempre.

− Sim. O tempo é nossa maior maldição.

− Deixe-me quebrá-la pra você.

− Eu deixo. Eu vou estar com você. Logo.

− Não. AGORA.

− Remo, eu só preciso entender, preciso lidar comigo mesma, preciso lembrar, recuperar para continuar.

− Não, você não precisa de nada disso.

− Preciso sim, não tente entender meu coração. Eu estou aqui me abrindo pra você, admitindo meus erros, pedindo um tempo para que você me perdoe, para que eu mesma me perdoe.

− PARE COM TODA ESSA BESTEIRA. - a voz dele levantou - NÓS ESTAMOS NO MEIO DE UMA GUERRA, NEM SABEMOS SE ESTAREMOS AQUI AMANHÃ. Então... - ele se acalmou - pare com essa bobagem e volte para o lugar de onde você nunca deveria ter saído.

Forçou seus lábios de encontro aos dela com violência, por instantes ela não reagiu. Surpresa demais para tentar qualquer coisa. Aos poucos amoleceu, entreabriu os lábios, e enlaçou seus braços em torno do pescoço dele.

Ele ergueu com uma força tirada de um lugar por ela desconhecido e levou-a até a cama que havia montado naquele dia, deitou-a com delicadeza e ocupou o espaço ao lado dela.

A blusa dela sumiu e ela parou tudo, para colocar a mão dele no lado esquerdo do peito, sobre seu coração.

− Só você, mais ninguém esteve aqui em todos esses anos. Só você.

Ele segurou o rosto dela entre as mãos, olhando fundo nos orbes cor de chocolate e disse:

− Eu te amo. - colando seus lábios em um beijo delicado.

Ela afundou seu rosto no pescoço dele, mordeu-o com gentileza e depois de tocar o lóbulo da orelha com os dentes, sussurrou baixinho:

− Eu também.

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Harry praticamente não agüentou esperar para falar com Sirius. Assim que ele viu os primeiros raios de sol passando pela janela, o garoto pulou da cama e trocou de roupa. Ele passara a noite toda em claro, pensando em todas as coisas que tinha que fazer, em tudo que tinha que descobrir, em todos os mistérios que encarava.

Ele passou pela sala comunal, que estava deserta aquela hora da manha e assim que passou pelo retrato da mulher gorda, ele se cobriu com a capa da invisibilidade. Sabia que seria muito difícil encontrar alguém, mas preferiu não correr o risco de esbarrar em um dos professores e estes lhe questionarem onde estava indo.

Ao chegar no jardim, Harry estava pensando em como apertaria o nó do Salgueiro Lutador para que conseguisse entrar na Casa dos Gritos quando se lembrou que Sirius sempre acordava cedo de manha e levava Lily pra brincar no campo de quadribol. Torcendo para que o padrinho estivesse lá, ele despiu a capa e praticamente correu na direção do campo, suspirando aliviado ao ver os dois no gramado.

− Sirius – Harry chamou o padrinho quando já estava bem perto dele. Este sorriu ao ver o afilhado.

− Eu estava contando para Lily da vez que seu pai pegou o pomo num jogo e quase matou a sua mãe sufocada – Sirius disse sorrindo, fazendo Harry sorrir por um instante. Lily apenas brincava com uma miniatura de jogador de quadribol que estava em sua mão.

− Como estão as coisas? – Harry perguntou sem jeito, sentando ao lado do padrinho. Este parou de sorrir no mesmo instante.

− Se você quer saber notícias da Perla, então eu receio que saiba o mesmo que você, ou seja, nada.

− Dumbledore não disse nada? Nem a ministra?

− Perla está incomunicável. Ninguém entra, ninguém sai de Azkaban. Nem mesmo sei se corujas estão podendo entrar lá. Colocaram tudo que é tipo de feitiço para que Voldemort não consiga libertar os poucos comensais que ainda estão presos.

− Mama – disse Lily, atraindo a atenção de Sirius, que a pegou no colo.

− Eu também sinto falta da "Mama" – ele abraçou a pequena garota, que encostou a cabeça no ombro dele. Harry sentiu a coragem de perguntar qualquer coisa a Sirius se esvair, mas o padrinho percebeu que ele queria algo – Mas você não veio atrás de mim pra saber notícias da Perla, não é?

− Na verdade, eu queria saber dela – respondeu Harry, tentando encontrar as palavras certas – Mas não como ela está. Tem algo que tem me incomodado e eu acho que você pode me ajudar a esclarecer.

− E o que seria?

Sectumsempra – disse Harry, encarando Sirius com firmeza. Este, porém, continuou olhando o afilhado sem entender o que ele tinha dito.

− Continuo na mesma, Harry.

− Perla quando te salvou de Hades... ela usou um feitiço contra você. Sectumsempra.

− Esse é o nome do feitiço que ela usou? – Harry confirmou – Sinceramente Harry, ela poderia ter usado esse, Avada ou qualquer outro, que eu não me lembraria. São coisas que eu simplesmente me propus a esquecer.

− Eu fiquei intrigado por que vi o nome desse feitiço em um livro...

− Aposto como foi num de Arte das Trevas – respondeu Sirius despreocupado, colocando Lily no chão e se levantando.

− Na verdade foi num de Poções.

− Poções? Mas você mesmo não disse que era um feitiço? – estranhou Sirius, que estava mais preocupado em admirar a filha que tentava andar no gramado, fazendo-o rir – Ela não é uma graça? Eu tinha esquecido como é difícil para os bebês andarem. Agora eu entendo por que sua mãe brigou tanto comigo quando eu te dei uma vassoura no seu aniversário de um ano.

Harry sorriu. Ele gostava de ouvir coisas sobre seus pais. Coisas sobre o tempo em que eles ainda conseguiam ser felizes. Mas logo se lembrou do motivo que o trouxera ali. Ficou pensando durante quase um minuto se devia insistir no assunto, já que Sirius parecia não dar muita importância. Mas acabou decidindo que agora que começara, iria até o final.

− O livro de Poções era do Snape.

A frase foi o suficiente para Sirius fechar a cara e parar de prestar atenção na filha, encarando Harry com uma expressão interrogativa.

− Eu tinha esquecido meu livro, então a professora Thais me emprestou um que estava guardado na sala. E foi quando eu abri na página da poção que eu tinha que preparar que eu vi escrito no alto da página: Sectumsempra.

− Como sabe que esse livro era do Snape?

− A professora Thais me disse... – Sirius abriu a boca pra falar alguma coisa, mas antes que ele pudesse dizer algo, Harry completou – Mas ela não me deixou ficar com ele. Disse que iria devolvê-lo. A essa hora, já deve estar com ele.

Sirius ficou em silêncio, o que irritou Harry. Ele esperava que o padrinho pudesse lhe dizer alguma coisa, mas logo percebeu que se não perguntasse, não teria nenhuma explicação.

− Hermione procurou sobre esse feitiço e não encontrou nada a respeito dele. Se Perla o conhecia e Snape também, eu pensei que talvez fosse uma coisa da época de escola de vocês, que talvez você...

− Eu não o conhecia.

− Então como Perla o conhecia? E Snape?

− Quanto ao Ranhoso eu não faço a menor idéia, provavelmente em algo de Arte das Trevas avançado, talvez o próprio Voldemort o tenha ensinado.

− E quanto a Perla?

− Provavelmente o próprio Snape a ensinou – respondeu Sirius, desviando o olhar de Harry para Lily, que continuava tentando andar, totalmente sem jeito.

− Como assim? Você está brincando, não é? – Harry simplesmente não conseguia admitir que aquilo fosse verdade. Mas ao ver que Sirius continuou sério e sem encará-lo, ele percebeu que só podia ser verdade – Mas como isso é possível?

− Tem muitas coisas sobre sua madrinha que você não sabe, Harry. E uma delas é o fato que Perla passou exatos três anos estudando pra muitas matérias com Snape... principalmente Defesa Contra a Arte das Trevas.

− Eu não posso acreditar. Com tantas pessoas com quem ela podia estudar, por que ela foi estudar junto com ele?

− Perla nega, mas eu acredito que no início foi pra me provocar. Eu e ela tínhamos brigado feio no terceiro ano e como sempre implicávamos com o Ranhoso, ela foi justamente pedir ajuda a ele. E acabou fazendo isso ate o sexto ano.

Harry ficou em choque. Mas depois de pensar um pouco, ele concluiu que não era pra tanto. Perla mentiu pra Sirius e todos os amigos para proteger Snape por que ele tinha salvado a vida dela. Estudar com ele não era nada demais perto disso. Mas uma coisa não fazia sentido.

− Até aí tudo tem sentido, Sirius. Mas se esse é um feitiço de Arte das Trevas, que provavelmente não é muito conhecido, então por que Snape confiaria tanto na Perla a ponto de ensinar ele pra ela?

− Você não prestou mesmo atenção naquela reunião que tivemos logo depois que eu voltei? – Sirius perguntou, voltando a encarar o afilhado.

− Eu entendi que Snape salvou a Perla e a sua afilhada. Por que ele gostava dela.

− Você não entendeu, Harry. Snape não gostava da Perla. Ela é simplesmente a única mulher que ele amou em toda a vida medíocre dele. Se ele viu nesse feitiço um meio de Perla se proteger, acredite, ele teria ensinado isso a ela.

Harry ficou sem resposta. Pra ele Snape não tinha a capacidade de amar nem mesmo uma mosca. Quanto mais alguém como Perla, que era tão diferente dele.

"Mas como Elizabeth você a achava parecida com ele" – disse uma vozinha na cabeça do garoto.

− Eu tenho que ir, Harry – disse Sirius, pegando novamente a filha no colo, que disse "papa" para ele – Logo os alunos começam a aparecer pra treinar quadribol e eu não quero que ninguém me veja. Dumbledore não quer que ninguém mais saiba que eu estou pelas redondezas. Se precisar de alguma coisa, você sabe como me achar.

Harry apenas acenou a cabeça afirmativamente. Ele observou o padrinho se afastar na direção do Salgueiro Lutador, se perguntando se tinha agido certo ao perguntar a Sirius sobre o feitiço.

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Harry e Sarah estavam parados em frente a gárgula que dava acesso a sala do diretor. Nenhum dos dois tinha a senha para entrar e estavam super impacientes, cada um com a sua teoria sobre o que Dumbledore queria com eles nessa reunião.

− Será que ele ainda vai demorar muito? Eu disse pra Rony e Mione que ia ter aula de Oclumência, mas se eu demorar demais, eles vão começar a achar que eu morri no meio da aula.

Sarah riu, mas foi uma risada de nervoso. Ela não estava nada bem com aquela reunião, principalmente por que ela tinha uma sensação ruim sobre ela. Sentia que algo muito ruim estava acontecendo com a sua mãe, mas ninguém queria lhe contar.

Quando eles menos esperavam, a gárgula se abriu, dando passagem pra eles. Ambos subiram a escada com o coração batendo aceleradamente. Finalmente eles iam descobrir o motivo de tanto mistério em torno do que Perla fazia.

Dumbledore os esperava em sua escrivaninha. Ele sorriu ao ver os dois garotos e fez sinal para que eles se aproximassem e sentassem nas duas cadeiras que estavam a frente de sua mesa. Sarah e Harry sentaram rapidamente, esperando com ansiedade o que o diretor iria lhes falar.

− Sei que estão muito curiosos para saberem o porquê de estarem aqui. Mas peço que tenham calma, senão não entenderão tudo que tenho a lhes dizer.

− Diretor, aproveitando que a gente está aqui, eu queria saber se...

− Não, senhorita Montanes, eu não tenho nenhuma notícia de sua mãe.

− Ahn – Sarah fechou a cara e encarou o chão.

− Mas tenho certeza de que ela está bem. Agora vamos aos fatos – os dois olharam pra ele com atenção – Eu tenho uma coisa pra mostrar pra vocês antes de explicar tudo.

Foi então que Harry reparou na penseira que estava em cima da mesa. E no frasco que estava ao lado dela.

− Isso é uma lembrança – mostrou Dumbledore, pegando o frasco – Tirada da memória de Bob Ogden.

− Quem é Bob Ogden? – perguntou Harry, que nunca tinha escutado esse nome antes. Porém, foi Sarah quem respondeu.

− É um funcionário do Ministério da Magia. Se eu não me engano do Departamente de Execução da Magia – ela respondeu, recebendo um olhar interrogativo de Harry – Mamãe me apresentou ele algum tempo atrás. E eu nunca esqueço um nome.

− Sarah está certa. Ele realmente era do Departamento de Execução da Magia. E foi Perla quem conseguiu extrair essa lembrança dele. Uma pena que ele tenha morrido a alguns meses atrás.

− Eu não sabia disso – disse Sarah, sem jeito.

− Isso não vem ao caso agora. Eu preciso que vocês vejam essa recordação para então explicar a missão de vocês.

Dumbledore abriu a garrafinha e despejou o conteúdo na penseira, que girou e refulgiu, nem líquido, nem gasoso.

− Sabe como funciona uma penseira, Sarah? – a garota confirmou – Então Harry, você vai primeiro, depois a senhorita.

Harry se inclinou, inspirou profundamente e mergulhou de cara na substancia prateada. Sentiu seus pés deixarem o escritório, foi caindo e então, inesperadamente, se viu piscando sob um sol ofuscante. Antes que seus olhos se acostumassem, Dumbledore e Sarah estavam ao seu lado.

(Cena Adaptada de Harry Potter e o Príncipe Mestiço - créditos para titia JK Rowling)

Eles estavam de pé em uma estrada rural limitada por cercas altas, sob um luminoso céu de verão, azul miosótis. Uns três metros a frente deles estava um homem baixo e gorducho que usava óculos de lentes grossas. Estava lendo um letreiro de madeira que se projetava do lado esquerdo da estrada. Harry sabia que aquele só podia ser o Ogden e quando perguntou a Sarah se era mesmo ele, esta confirmou. Em questão de segundos, o homem saiu andando com rapidez pela estrada.

Os três o seguiram. Quando eles passaram pelo letreiro de madeira que Ogden estava lendo, Harry olhou para as duas setas. Na que apontava para o lado de onde tinham vindo estava escrito "Great Hangleton – 8km". Na que apontava para onde Ogden tinha seguido dizia "Little Hangleton – 1,6km".

Depois de muito andarem, eles passaram por uma trilha estreita, limitada por cercas altas. O caminho era torto, rochoso e esburacado. Sarah quase caiu, mas foi amparada a tempo por Harry.

O caminho desembocou em um arvoredo, cujas arvores projetavam sombras profundas, escuras e frescas e no final, semi-oculta por elas, estava uma casa cuja parede era coberta de musgo e haviam caído tantas telhas que em alguns pontos a trave era visível. Cresciam urtigas a toda volta e as janelas eram pequenas e cobertas de sujeira.

− Alguém mora nesse lugar? – Sarah perguntou incrédula, ao ver o estado da casa.

Porém Dumbledore não respondeu. Ele continuou andando e Harry e Sarah o seguiram. Eles viram Ogden se aproximar cautelosamente da casa, a varinha em punho, parando em frente a porta, onde havia uma cobra morta pendurada.

Então eles ouviram um farfalhar e um estalo e um homem caiu de pé da árvore mais próxima em frente a Ogden, que pulou tão rápido para trás, que se atrapalhou nas pontas do casaco e tropeçou.

"Você não é bem-vindo".

O homem a frente deles tinha cabelo espesso tão coberto de sujeira que era impossível distinguir a cor. Faltavam-lhe vários dentes na boca. Seus olhos eram pequenos e escuros e olhavam em direções opostas. Ele poderia ter parecido cômico, mas não; e Harry não pôde culpar Ogden por recuar vários passos antes de falar.

− Er... bom dia. Eu sou do Ministério de Magia

"Você não é bem-vindo."

− Eu sinto muito... eu não estou entendendo - disse Ogden nervosamente.

Harry não compreendia o que Ogden não conseguia entender. Para ele era tudo tão claro.

- Estou certo em pensar que você o entende, não é mesmo, Harry? disse Dumbledore. Harry estranhou a pergunta.

- Claro que, sim - disse Harry como se fosse claro para todos o que o outro homem estava dizendo.

- Por que eu não entendo a língua que ele está falando? – Sarah perguntou, olhando de Dumbledore pra Harry.

Harry olhou novamente pra cobra pendurada na porta e então entendeu.

− Por que ele está falando a língua das cobras.

O homem em trapos estava avançando em Ogden quando uma voz lhe chamou.

"Morfin!"

Um homem mais velho saiu apressadamente da casa, batendo a porta atrás dele. Este homem era mais baixo que o primeiro, e tinha proporções esquisitas; os ombros eram muito largos e os braços muito longos, os olhos de um castanho vivo, cabelos espessos e curtos, e a face enrugada. Ele parou ao lado do homem que ele chamara de Morfin, que apontava sua varinha para Ogden.

− Ministério, é? - disse o homem mais velho, enquanto olhava para Ogden.

− Correto! - confirmou Ogden olhando o recém-chegado - E o senhor eu presumo que seja o Sr. Gaunt?

− Claro - disse Gaunt. Ele disse em língua de cobra para que Mofin entrasse na casa. Este olhou para o mais velho querendo discordar de sua ordem, mas acabou concordando. Depois que Morfin entrou, ele se voltou novamente para Ogden - O que você quer?

− Eu estou aqui para ver o seu filho, Sr. Gaunt. Era ele, não? Morfin?

− Sim, era Morfin - disse Sr. Gaunt indiferentemente - Você é puro-sangue? - ele perguntou, repentinamente agressivo.

− "Não interessa" - disse Ogden friamente, mas o velho homem não se alterou com a resposta – "Será que poderíamos conversar dentro de sua casa?"

− Dentro de minha casa? Eu não recebo ninguém que apareça sem avisar.

− Nós lhe enviamos uma coruja – Insistiu Ogden.

− Eu não uso corujas - disse Gaunt - Eu não abro cartas.

− Então, você não pode reclamar que não tenha recebido nenhuma advertência de visita - disse rapidamente Ogden - "Eu estou aqui por que aconteceu uma séria violação das leis da Magia nas primeiras horas desta manhã.

− Certo, certo, certo! - disse Gaunt - Entre logo.

A casa parecia conter três comodos minúsculos. Havia duas portas no cômodo principal que servia de sala e cozinha. Morfin estava sentado em uma poltrona imunda ao lado do fogão a lenha, enquanto enrolava uma cobra viva entre seus dedos finos. Em pé, ao lado de uma panela que fumegava no fogão estava uma garota cujo vestido cinzento e rasgado era da cor da parede de pedra encardida as suas costas. Seus cabelos eram escorridos e sem vida. O rosto pálido, comum e desprovido de beleza.

− Minha filha, Merope - disse Gaunt de má vontade, quando Ogden olhou com curiosidade para ela.

− Bom dia - disse Ogden, no que Merope não respondeu - Bem, Sr. Gaunt, Indo direto ao ponto, nós temos razão para acreditar que seu filho, Morfin, executou magia em frente a um trouxa ontem à noite.

Ouviu-se um estrondo ensurdecedor. Merope tinha derrubado uma das panelas.

− Pegue! - Gaunt berrou a ela - Isso, fica grudada no chão como se fosse uma desprezível trouxa, pra que serve sua varinha, seu saco de estrume?

− Sr. Gaunt, por favor! - disse Ogden em uma voz chocada, enquanto Merope que já tinha apanhado a panela, visivelmente corada, tornou a soltá-la, tirou a varinha do bolso, apontou à panela, e murmurou um feitiço apressado e inaudível que fez a panela voar para longe dela, bater na parede oposta, e rachar ao meio.

Morfin deixou sair uma risada. Gaunt gritou.

− Conserte isso, sua insensata, conserte!

− Sr. Gaunt - Ogden começou novamente - como eu disse, a razão para minha visita...

− Eu o ouvi na primeira vez! - gritou Gaunt - E o que tem demais?

− Morfin quebrou uma lei da magia - disse severamente Ogden.

− Morfin quebrou uma lei da magia - Gaunt imitou Ogden. Morfin riu novamente - Ele ensinou para um trouxa imundo uma lição. E daí, isso é ilegal?

− Sim - disse Ogden - Receio que sim.

Ele puxou de um bolso interior um rolo pequeno de pergaminho e entregou ao Sr. Gaunt.

− O que é isso então, a sentença dele? - disse Gaunt, aumentando sua voz furiosamente.

− É uma convocação para comparecer a uma audiência no Ministério.

− Convocação! Convocação? Quem você pensa que é, chamando meu filho para uma audiência?

− Eu sou chefe do Esquadrão de Execução das Leis da Magia - respondeu Ogden.

− E você pensa que nós somos ralé, pensa? - irritou-se Gaunt, avançando em Ogden, com um dedo amarelo sujo apontado ao tórax dele - Rale que irá correndo ao Ministério quando ele chama? Você sabe com quem você está falando, seu pequeno sangue ruim imundo, você sabe?

− Eu tinha a impressão que eu estava falando Sr. Gaunt - disse Ogden, parecendo cauteloso, mas mantendo sua postura.

Com um uivo de raiva, Gaunt correu para a filha dele. Durante um segundo, Harry pensou que ele ia estrangular ela, a mão dele voou à garganta dela; mas ele apenas arrastou-a até Ogden pela corrente de ouro que estava no pescoço dela.

− Veja isto! - ele berrou a Ogden, balançando o cordão de ouro pesado, enquanto Merope ofegava e tentava respirar.

− Eu estou vendo!- disse Ogden apressadamente.

− Slytherins! - gritou Gaunt - Salazar Slytherin! Eu, Servolo Gaunt e meus filhos, Merope e Morfin, somos os últimos descendentes vivos dele, o que me diz disso?

− Sr. Gaunt, sua filha! - disse Ogden em alarme, mas Servolo já tinha libertado Merope; ela cambaleou, massageando o pescoço.

(Fim dos Créditos)

− Acho que é o bastante – disse Dumbledore para Harry e Sarah e no instante seguinte, eles estavam de volta ao escritório do diretor – Então, prestaram atenção em tudo que viram? – Ambos confirmaram – O que acharam de importante nessa lembrança?

− Merope é a mãe de Voldemort – disse Harry, deixando Dumbledore intrigado – Ele me disse na câmara secreta que o Servolo do seu nome era por causa do seu avô. E depois de ver o senhor Gaunt quase estrangulando a própria filha pra mostrar que ele era o último descendente de Salazar Slytherin, não foi difícil concluir.

− Morfin e Servolo foram presos um tempo depois. Merope enganou Tom Riddle com uma poção do amor. Só que quando ela estava grávida dele, ela decidiu parar de usar a poção. Ele a abandonou. O resto da história, vocês conhecem – disse Dumbledore, seu olhar indo de Harry para Sarah – E você, Sarah? Alguma coisa que tenha percebido?

− Fora que esses Gaunt eram uns porcos miseráveis e que eu não me admiro deles serem os parentes de Voldemort? Só o cordão.

− O cordão? O cordão que Merope usava? – Harry perguntou e Sarah confirmou – O que tem ele?

− Minha mãe tem um igual.

− Perla tem um igual?

− Na verdade, Perla tem exatamente o mesmo cordão que Merope usava – tanto Harry, quanto Sarah se assustaram – Deixe me explicar. Quando Merope estava perto de dar a luz, ela vendeu esse cordão na Borgins & Burkes. Os avós de Perla o compraram e o deram de presente a seu filho, que por sua vez deu de presente a mãe verdadeira de Perla.

− Que deixou com ela assim que ela nasceu – completou Sarah e Dumbledore confirmou – Essa parte da história eu sabia, mas jamais poderia imaginar que se tratava de uma herança de Slytherin.

− Nem mesmo Perla sabia até pouco tempo atrás – continuou Dumbledore – Ela descobriu durante umas pesquisas, que após a Fundação de Hogwarts, os quatro maiores bruxos daquela época, Rowena, Helga, Godric e Salazar, criaram um amuleto, um cordão para onde eles canalizaram a maior parte de seus poderes. Eles queriam com isso, manter seus poderes eternos, mesmo depois de suas mortes, passando os de geração em geração.

− E o que aconteceu?

− Sua mãe lhe contou sobre a ambição de Salazar, a câmara secreta e todo o resto? – Sarah balançou a cabeça afirmativamente – Depois que Salazar rompeu com os outros três fundadores, ele tentou fazer o que Voldemort tentou fazer a alguns anos atrás e que tenta novamente agora.

− Um mundo somente de sangues-puros – disse Harry.

− Um mundo de maldade. Um mundo cheio de Arte das Trevas. E sim, um mundo só de sangues-puro – continuou Dumbledore – Os outros três fundadores se uniram para impedi-lo. E graças ao poder dos três unidos, juntamente com os amuletos, eles conseguiram derrotar Salazar.

− Isso quer dizer que... se tivermos esses amuletos, conseguiremos derrotar Voldemort? – perguntou Harry, se empolgando com a idéia.

− Perla acredita nessa teoria... mas – completou ele ao ver a expressão de alegria no rosto de Harry – É apenas uma teoria.

− Suponhamos que essa teoria seja verdade – disse Sarah, andando de um lado ao outro da sala – Isso quer dizer que se tivermos os cordões que pertenceram a Godric, Helga e Rowena, conseguiremos derrotar Voldemort?

− Correto.

− Ótimo. Então tudo que temos que fazer é encontrar esses cordões – Sarah disse como se fosse a coisa mais simples do mundo. Dumbledore sorriu com a ingenuidade da garota.

− Perla esteve nessa busca por dois anos. E ela não encontrou nenhum.

− Como assim, minha mãe não encontrou? Se eles eram dos fundadores, tudo que temos que fazer é encontrar seus descendentes. Provavelmente, eles ainda terão os cordões.

− Sarah – Dumledore falou calmamente, tentando acalmar o animo da garota – Você não entendeu uma coisa. Salazar foi derrotado, mas ele deixou o seu amuleto para seus descendentes. E com toda certeza ele alertou sobre os outros amuletos. Se qualquer um dos descendentes dele fossem atrás dos outros e os encontrassem, se tornariam o bruxo mais poderoso do mundo.

− E...?

− E Godric, Rowena e Helga também sabiam disso. Por isso que eles criaram meios para que esses cordões nunca estivessem ao alcance dos descendentes de Slytherin. Por isso que a linhagem deles simplesmente desapareceu.

− Como assim? Eles não deixaram descendentes?

− Eles deixaram, Harry. A linhagem deles prossegue por muito tempo. Mas em um determinado instante, ela simplesmente desaparece. Deixa de existir. Provavelmente, os decentes sabiam ou sentiam que algo de ruim estava para acontecer. Devem ter trocado de nome, sobrenome, aparência e sabe se lá mais o que.

− E quando essa linhagem desaparece? – perguntou Sarah, já imaginando qual seria a resposta.

− Justamente no ano de nascimento de Voldemort.

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Perla escrevia rapidamente, enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Ela sabia que seu tempo era curto, que suas chances de escapar eram mínimas, pra não dizer inexistentes, mas precisava avisar sobre o que estava acontecendo. O barulho ao redor era ensurdecedor. Gritos misturados com feitiços. Tudo estava um caos.

Ela tomou um susto ao ouvir a tentativa de abrir a porta da sala onde estava, rabiscando levemente o pergaminho onde escrevia. Sabia que os feitiços que lançara nela não iam duram muito. Seu tempo estava no fim.

Se apressou o máximo que pode para terminar de escrever o bilhete. Fechou e lacrou e em seguida o colocou preso na pata da Fênix que estava parada na janela.

− O mais rápido que você conseguir - ela disse com dificuldade em falar. Em seguida a fênix se afastou. Não demorou nem cinco segundos e a porta cedeu. E juntamente com ela, os joelhos de Perla cederam.

Ela esperava pela morte que era eminente. Segurou com força no cordão que estava em seu pescoço, rezando mentalmente pela proteção das filhas, de Sirius e Harry enquanto esperava pela maldição imperdoável.

Foi quando uma gargalhada cruel cortou suas orações. Ela evitou a todo custo olhar para o bruxo que estava parado a sua frente. Conhecia bem aquela risada. Sabia a quem pertencia.

− Então, nós encontramos de novo, Perla Montanes.

Perla olhou para frente e viu. Os olhos ainda eram de um vermelho intenso. As narinas pareciam ainda mais com as de uma cobra. E o rosto transparecia uma maldade maior do que ela tinha visto na última vez em que se encontraram.

Essa foi a última visão que ela teve, antes de sentir tudo escurecer e seu corpo cair no chão.


OBS: Tem um trecho de Harry Potter e o Príncipe Mestiço nesse capítulo, como vcs devem ter percebido. Eu fiz umas pequenas adaptações pra encaixar no contexto. Porém, a fic continua sendo pós quinto livro.

N/A: Caraça, quantos séculos que eu não posto um capítulo. Dessa vez eu simplesmente me superei. Mas tipo, desde o último capítulo que eu postei, aconteceram mtas mudanças em minha vida. Eu mudei de cidade, comecei a trabalhar e fiquei altamente sem animo pra voltar a escrever, pois tinha saído o último livro do HP. Muita coisa daria pra eu aproveitar, pois algumas coisas que aconteceram tanto no sexto e sétimo livro batiam com as idéias que eu tinha. Mas mesmo assim, o desanimo foi grande. Mas... sempre tem aquele incomodo ne... aquele q diz, você passou 4 anos desenvolvendo uma historia, tem mais de 500 paginas de historia escrita e agora vai simplesmente abandona-la? Então, eu aproveitei que estou de férias, li todas as 3 histórias e tomei coragem de terminar de escrever esse capítulo que eu comecei a mais de um ano atrás. E aqui está ele. Não vou colocar agradecimentos a quem ainda tem comentado, podem ter a certeza de que sou eternamente grata a vcs por isso. E também não vou pedir comentários, pois não acho justo. Se quem ler esse capitulo, achar q a fic merece um comentário, ele será mto bem vindo. Só quero que saibam q as atualizações não dependerão unicamente deles. Eu estou disposta a acabar com essa fic antes que julho acabe. E espero de coração que isso aconteça.

Agradecimento especial pra Thaisinha, que escreveu uma cena do capítulo e que tem sido a minha maior incentivadora pra continuar.

Obrigada a todos que ainda lêem essa história. Ela é pra vcs.

Bjs

Dynha Black