Capítulo 22 – Encontro Inesperado
Harry chegou pra tomar café-da-manhã no Salão Principal, onde encontrou Rony, Hermione e Gina, que já estavam lá há algum tempo. O garoto parecia bastante pálido e não disse nem uma palavra ao se sentar ao lado de Gina e de frente para os outros dois. Hermione trocou um rápido olhar com Rony, antes de falar com o recém chegado.
- Aconteceu alguma coisa, Harry? – ela perguntou, parecendo bastante preocupada – Rony nos disse que você não dormiu bem essa noite.
Harry fuzilou Rony com o olhar. Este encarou a própria comida, além de ter ficado com as orelhas vermelhas.
- Não foi nada, apenas um pesadelo...
- Você não sonhou com Vol...
- Você sabe quem, Mione... – pediu Rony.
- Que seja. Você não sonhou com...
- Não – Harry respondeu antes que a menina pudesse terminar a frase – Quer dizer, ele estava no sonho. Mas não era algo com ele exatamente – ele acrescentou ao ver a expressão no rosto de Hermione – e sim com a Perla.
- Será que aconteceu alguma coisa com ela? – Gina falou pela primeira vez, desde que Harry chegara. A menina estava muito chateada com o garoto, mas realmente estava preocupada.
- Não. Eu só estou preocupado com ela. Por essa falta de notícia – ele respondeu se servindo de suco de abóbora, para em seguida encarar a namorada – e eu lhe devo um pedido de desculpas, Gina. Tenho sido um perfeito idiota com você esses dias. Mas é que essas confusões envolvendo meus padrinhos estão acabando comigo.
- Tudo bem – a garota sorriu e deu um selinho nele, deixando Rony sem graça – Eu entendo o que você está passando. E a propósito, você esqueceu seu livro de poções outro dia.
Ela tirou o livro de poções da mochila e entregou para o garoto. Harry ficou olhando para ele alguns segundos, antes de colocar na própria mochila.
- Falando nisso, você descobriu alguma coisa com Sirius?
Harry balançou a cabeça negativamente e ia falar algo quando Sarah apareceu, sentando entre Rony e Hermione, com a face pálida e uma expressão de grande preocupação.
- Algum problema, Sarah? – Harry perguntou bastante preocupado. Gina, porém, não gostou nada da nova presença.
- Nada. Eu só tive um sonho ruim essa noite. Queria ficar perto de amigos pra ver se eu me sentia melhor.
- Você sempre fica assim quando tem um sonho ruim? – Gina provocou, deixando Sarah irritada.
- Você também ficaria assim se sonhasse com coisas ruins acontecendo com a sua mãe – a loira respondeu com rispidez.
- Você sonhou com a Perla? – perguntou Harry. Sarah confirmou – Em Azkaban?
- Um ataque?
- Comensais?
- Dementadores?
- Voldemort – disseram os dois juntos, assustando Rony.
- Eu sabia que não tinha sido um sonho – Sarah disse, se levantando da mesa e saído correndo em direção ao jardim.
- Sarah – Harry se levantou e correu atrás dela, deixando Gina morrendo de raiva.
Ele conseguiu alcança-la quando ela já estava bem perto dos portões da escola. Tentou segura-la, mas não conseguiu. Sarah parecia decidida a fazer algo que ele não tinha a menor idéia do que era.
- Onde você vai? O que você vai fazer?
- Harry, eu não sei quanto a você, mas eu não vou ficar aqui esperando sem saber de nada da minha mãe. Eu vou atrás dela.
- Mas Sarah, você nem sabe onde ela está...
Sarah parou de andar e encarou Harry com lágrimas nos olhos.
- Eu não posso ficar aqui sem fazer nada.
- Então nós vamos juntos – Harry respondeu decidido.
- Vão juntos pra onde? – Sirius perguntou, chegando naquele instante com Lily no colo. A menina no mesmo instante que viu Sarah, pediu colo pra irmã.
- Nós vamos até Azkaban. Saber notícias da Perla.
- E eu posso saber como vão fazer isso? – Sirius perguntou rindo, achando que os meninos tinham perdido a noção do que estavam dizendo, deixando os dois ainda mais nervosos e irritados – Eu posso saber o que está acontecendo aqui?
- Sarah e eu tivemos um sonho... o mesmo sonho...
- Não foi um sonho. Eu acredito que o que vimos realmente aconteceu.
- E o que foi que vocês viram? – Sirius perguntou ainda achando graça de tudo.
- Um ataque em Azkaban. Voldemort... ele cercava a Perla.
Sirius ficou em silêncio olhando de Sarah pra Harry e de Harry pra Sarah esperando que algum deles dissesse que estava brincando.
- Olha, eu tenho certeza de que vocês estão imaginando coisas... – ele parou de repente e olhou pra filha que estava no colo de Sarah.
- O que foi, Sirius? – Sarah perguntou, estranhando ele ter parado de falar.
- Lily acordou de madrugada chorando... e não parou desde então.
Foi então que Sarah percebeu que os olhos da irmã estavam molhados e que lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto dela. Nesse exato instante, Hermione chegou correndo com Rony e Gina atrás. Ela trazia a edição do dia do Profeta Diário, que entregou para Harry. Esse leu e passou para Sirius.
- O que diz? – Sarah perguntou, deixando as primeiras lágrimas escorrerem pelo rosto.
- Ataque em Azkaban essa madrugada. Sem sobreviventes.
"I heard there was a secret chord
that David played and it pleased the lord
but you don't really care for music do ya
Well it goes like this the fourth the fifth
the minor fall and the major lift
the baffled king composing hallelujah"
Sarah quase deixou Lily cair, no que foi amparada por Gina e Hermione. Sirius deixou o jornal cair no chão. E sem conseguir olhar para ninguém, ele caminhou lentamente em direção ao portão.
- Sirius – Remo gritou o amigo, correndo em sua direção. Thais vinha com ele, mas parou junto com Sarah e os outros. Remo o alcançou quando ele estava em frente ao portão – Sirius...
- Ela está viva, Remo. Ela tem que estar viva. Eu preciso encontrá-la.
- Não diga besteiras. Você sabe que não tem nada que possa fazer. Além disso, Dumbledore quer falar com você.
- Eu não vou perder Perla de novo... eu não posso – ele disse, perdendo as forças e quase caindo, no que foi amparado por Remo.
Sirius se deixou ser levado por Remo. E os outros os seguiram.
"Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah"
-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
Dumbledore só quis receber Sirius, Sarah e Harry e pediu que os outros esperassem do lado de fora. Era difícil dizer qual deles estava pior. Os três choravam e tinham em seus rostos a mesma expressão: esperança de que não fosse verdade.
- Eu receio ter que dizer que os fatos que saíram no profeta são verdadeiros. Nessa madrugada houve um ataque em Azkaban. Somente aqueles prisioneiros que eram comensais foram libertados. Todos os outros foram mortos. E isso inclui aqueles que estavam de guardas lá.
Sarah aumentou o choro.
"Well your faith was strong but you needed proof
you saw her bathing on the roof
her beauty and the moonlight overthrew you"
- Porém, eu tenho duas notícias a dar que talvez amenizem um pouco as coisas – os outros três olharam pra ele ao mesmo tempo – Eu recebi uma carta de Amélia essa manhã. A ministra me informou que eles vasculharam todo o prédio. Mas não encontraram o corpo de Perla.
- Isso quer dizer que ela está viva! – disse Sarah, se enchendo de esperanças.
- Eu realmente não sei – continuou Dumbledore – Isso pode ter duas explicações. E nenhuma delas é favorável a Perla.
- E que explicações são essas, diretor? – Sirius perguntou, também se enchendo de esperanças.
- A primeira de que ela está morta e eles ou levaram o corpo ou o desintegraram.
- E a segunda? – foi a vez de Harry perguntar.
- A segunda talvez não seja muito melhor que a primeira – o diretor suspirou antes de continuar – Se eles não a mataram, então eles a levaram.
- Mas isso significaria que ela está viva.
- Mas não por muito tempo, Sarah. Se Voldemort a levou, ele provavelmente a manterá viva até a razão que o fez leva-la desaparecer.
- Ele a usará contra nós – falou Sirius, dando um soco na mesa.
- Ou então ele a usará para obter informações sobre algo que ele procura – continuou Dumbledore, olhando para Sarah e Harry que entenderam o que ele queria dizer com aquilo.
- Ou seja, mesmo que ela esteja viva, ainda estará correndo risco de vida – continuou Sirius – Nesse caso, temos que encontra-la o mais rápido possível.
- Isso não será tão fácil. Eles não deixaram pistas em Azkaban para onde iam. E não temos nem por onde começar uma busca. Mas sim, Sirius. Estamos numa corrida contra o tempo. Isso significa que teremos que dar início a missão de vocês dois o mais rápido possível – o diretor disse encarando Harry e Sarah.
- Eu sabia! – Sirius gritou – Sabia que Perla tinha deixado uma missão pra vocês dois.
- Mas você negou isso várias vezes quando o Lupin perguntava, então como tinha certeza? – estranhou Harry. Sirius riu.
- Eu conheço a Perla. Ela não treinou a Sarah pra trancá-la em Hogwarts com a desculpa de queria protegê-la. Eu sabia que só poderia ter outro motivo pra ela estar aqui.
Sarah sorriu. Um sorriso fraco, mas ainda assim um sorriso. Ela sentiu uma ponta de felicidade ao se dar conta do quanto Sirius conhecia Perla.
- Sarah? Perla lhe disse onde estavam as anotações dela, não foi?
- Sim Dumbledore. Estão no diário. Ela sempre escrevia tudo nele.
- Vejo que ela não perdeu essa mania – Sirius riu novamente – Você está com ele?
- Não. Mamãe disse que o escondeu na antiga casa. Ela tinha medo de deixá-lo a vista, então achou melhor esconder pra não cair em mãos erradas.
- Então temos que procura-lo. Ele é nosso ponto de partida.
- Mas para isso teremos que ir até a antiga casa dela, Harry – continuou Sarah – E acho que não vai ser fácil sair do castelo e ir até lá sem chamar muito a atenção.
- Sarah tem razão. Mas eu posso ir pra vocês e procurar!
- Na verdade Sirius, eu ia pedir que você acompanhasse os dois. Receio que sozinho você não consiguirá encontrar. Perla teve ter feito algum tipo de feitiço para que somente Sarah ou Harry pudessem encontrar o diário, do contrário não daria essa missão aos dois. Mas eu também acho arriscado eles irem sozinhos.
- Mas, como iremos sair do castelo sem que chame muito a atenção? – Harry perguntou, achando que isso seria totalmente impossível.
- O Dia das bruxas! – disse Sarah, que começou a andar de um lado ao outro da sala – Claro, sempre tem as visitas a Hogsmeade e depois o banquete. Duvido que alguém vá sentir a nossa falta.
- Sarah tem razão. O dia das bruxas é o melhor dia pra sair do castelo – completou Sirius, se lembrando de algumas coisas de seu passado, quando ele e Tiago sempre davam um jeito de escapar da escola. Harry, porém, sentiu que pra ele as coisas não seriam tão fácil – Mas ainda faltam algumas semanas até lá. Nesse tempo Perla pode...
- Só nos resta esperar, Sirius. Não temos alternativa – respondeu Dumbledore, pegando um pedaço de pergaminho que estava em cima da sua mesa – A propósito, antes que eu me esqueça. Eu recebi isso da Perla. Ela escreveu e me mandou durante o ataque.
she tied you to a kitchen chair
she broke your throne and she cut your hair
and from your lips she drew the hallelujah
Ele mostrou a carta para eles. Harry e Sarah trocaram olhares e em seguida encararam Sirius. Este pegou a carta e leu em voz alta para eles.
Dumbledore,
Provavelmente quando você receber está carta, o pior já tenha acontecido comigo. Voldemort e os comensais conseguiram desfazer os feitiços que protegiam Azkaban. Eles estão atacando todos que vêem pela frente, tentando libertar os comensais que estão presos. Lutei contra dois deles e consegui escapar do terceiro. Porém, minhas forças se esvaíram. Consegui me esconder numa sala no último andar. Fiz alguns feitiços na porta, mas ela não vai resistir muito até que eles me encontrem. Minhas chances de escapar daqui com vida são inexistentes. Mas, eu já aceitei esse fato. E sei o quanto ele será doloroso para meus entes queridos. Então, por favor, eu lhe peço que não deixe nenhum deles fazer nenhuma besteira. Proteja-os por mim.
- Tem um grande borrão aqui – disse Sirius, parando de ler – Provavelmente ela se assustou com algo.
Os comensais me encontraram. A porta não vai resistir por muito mais tempo. Não deixe Sarah e Harry se esquecerem da missão deles. Diga a todos que os amo. E sempre estarei olhando por eles. Diga a Sirius que eu sempre estarei com ele. E que aqueles que amamos não nos deixam com a morte. Eles continuam vivos em nossos corações. Ele vai entender o que isso significa. E obrigada Dumbledore, por tudo que sempre fez por mim e por eles.
Perla
- A carta está toda marcada por lágrimas – completou Sirius, deixando o pergaminho em cima da mesa do diretor.
Nenhum deles conseguiu se encarar. Cada um tinha um jeito diferente de enfrentar a mesma tristeza. E Sirius foi o primeiro que não agüentou e saiu da sala sem dizer mais nem uma palavra.
Hallelujah,hallelujah, hallelujah, hallelujah
-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
Após sair da sala do diretor, Sirius pegou a filha, que estava com Thais, e foi para o quarto que Perla ocupara quando era professora na escola. Ele sabia que todas as coisas de sua mulher tinham permanecido lá desde que ela fora presa pela ministra.
Ele entrou no quarto e trancou a porta, colocando a filha no chão. Observou cada canto do aposento, fechando os olhos em seguida para tentar sentir a presença dela naquele lugar.
- Por que é tão difícil ficar sem você? – ele resmungou fazendo Lily o encarar. Sirius apenas sorriu pra filha e deitou na cama.
Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew you
O perfume de Perla ainda estava ali, em tudo que via e tocava. O único porta-retratos que estava na mesa de cabeceira tinha uma foto dela com Sarah. E mesmo sendo Elizabeth quem estava na foto, isso não fazia diferença pra ele. Era a mulher por quem ele era apaixonado. E nem mesmo sua aparência mudaria isso.
- Mama – Lily chamou e quando ele olhou pra filha, viu que ela estava encostada em frente a cama, com duas bonecas na mão.
- Deve ser muito difícil pra você ficar sem ela, não é? – ele perguntou, pegando a pequena garota no colo e se sentando na cama – Por que pra mim é simplesmente insuportável.
- Mama – ela falou de novo, mostrando uma das bonecas que estava em sua mão, que tinha os cabelos platinados.
- Essa é a mamãe? – Sirius perguntou e Lily fez que sim com a cabeça. Sirius riu – E essa outra, quem é?
- Bebe.
- Ah, é o bebê? O bebê da mamãe? – Lily confirmou, passando a mão no cabelo da segunda boneca, que era um pouco menor que a primeira e tinha cabelos escuros – E quem é o bebê da mamãe?
A garotinha riu e apontou pra ela. Sirius sorriu, um sorriso que não aparecia em seu rosto a muito tempo.
- E cadê o papai? – ela apontou pra ele – Sabia que você é o melhor presente que a vida me deu? Você e a mamãe. Eu não sei o que seria de mim se eu não tivesse você agora aqui comigo.
Lily ficou em pé no colo de Sirius e se esticou ao máximo, dando um beijo no rosto dele.
- Pra uma menina que mal fez um ano de idade, você é muito espertinha. Só podia ser minha filha mesmo.
Lily sentou no colo dele e ficou arrumando as duas bonecas. Sirius colocou a mão na cabeça dela e ficou fazendo carinho no pouco cabelo que ela tinha.
- Eu conheço a sua mãe a muito, mas muito tempo. Uns trinta anos, eu diria. E a gente já ta junto a quase uns 25 anos, sabia? E de casado são quase 16 anos. Engraçado é que a gente nunca teve uma lua de mel. Na verdade a gente sequer ficou um dia inteiro juntos desde que a gente casou. O máximo que conseguimos foi uma noite. E é graças a ela que você existe.
Ele colocou o dedo no nariz dela, que riu. Em seguida ela pegou a boneca loira e entregou pra ele.
- Eu vou ficar coma mamãe é? – ela entregou a outra boneca pra ele – E com o bebê da mamãe? – Lily riu. Sirius aproveitou e deu um beijo na testa dela – Um dia nós todos vamos ficar juntos. Eu, você, a mamãe, a Sarah e o Harry.
And I've seen your flag on the marble arch
and love is not a victory march
it's a cold and it's a broken hallelujah
Sirius deixou uma lágrima escorrer pelo rosto. Ele ficou surpreso de ainda ter lágrimas, já tinha chorado tanto aquela manhã, que achava praticamente impossível que conseguisse fazer isso novamente.
- Não, papa – Lily disse ficando de pé novamente.
Sirius estranhou a resposta dela. Pensou por um instante que aquilo não era o que a filha desejava. Mas então ele compreendeu o que ela queria dizer, quando ela passou a pequena mão pelo rosto dele, enxugando a lágrima que escorrera.
- Você não quer que o papai chore mais, não é? Eu não vou. E sabe por que? Ele deitou na cama e a deitou ao seu lado – Por que a mamãe está bem. E logo ela vai vir ficar com a gente. Perla sempre escapou. Não vai ser dessa vez que ela não vai conseguir.
Lily fechou os olhos e abraçou as duas bonecas. Sirius fez o mesmo, só que abraçou a filha.
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
Sarah andou durante horas sem destino por todo o castelo. Deixou que as suas pernas a guiassem pra qualquer lugar. Tinha chorado tanto, sentia-se tão fraca, que tudo que queria era não ter que pensar em nada, fazer nada e falar com ninguém.
No meio do caminho, ela cruzou com Draco Malfoy. O loiro ao reconhecer quem era, não perdeu a oportunidade de perturbá-la. Mas Sarah estava tão "perdida" que não deu a menor atenção para o que o loiro tinha falado. Este, contudo, não se deu por satisfeito e foi atrás dela, parando em frente a garota.
- O que é isso? Nova tática de agir contra mim? Isso não vai me afetar, Montanes. Eu vou continuar no seu pé, mesmo que você me ignore.
- Não enche o saco, Malfoy – ela respondeu, empurrando o garoto para o lado e continuando a andar.
- Está assim por causa de sua mãezinha? – provocou o loiro. Sarah parou de andar – Eu esqueci, devia ter dar os meus pêsames.
Sarah virou na mesma hora apontando a varinha para Draco, que apenas riu, sacando a varinha dele.
- Quer mesmo me enfrentar? – perguntou rindo, mas Crabbe o chamou – Que é?
- Temos aula do Snape agora.
- É verdade – respondeu o loiro, guardando a varinha, apesar de Sarah continuar com a dela apontada pra ele – Nós não podemos chegar atrasados na aula dele. Você não vai? – ele perguntou pra garota, já que Corvinal e Sonserina estavam fazendo aula de Defesa Contra a Arte das Trevas juntas, enquanto Grifinória fazia com Lufa-Lufa, já que Snape não aceitou o antigo esquema de Perla.
- Não... me... enche... Malfoy.
- Que seja. Problema seu – o garoto saiu rindo. Sarah encostou-se à parede e guardou a varinha.
Sentiu que precisava colocar os pensamentos em ordem. Dumbledore tinha sido claro quando disse que deviam apressar logo o início da missão. E ela precisava ser bem sucedida. A vida de sua mãe dependia disso.
Well there was a time when you let me know
what's really going on below
but now you never show that to me do you
Ela decidiu ir pra biblioteca. Assim poderia começar pesquisando sobre os fundadores de Hogwarts. Não sabia o que sua mãe já tinha descoberto sobre eles. Mas não podia ficar de braços abertos até colocar as mãos no diário dele para ter alguma informação.
- Madame Pince... onde eu posso encontrar livros sobre os fundadores da escola? – ela perguntou a bibliotecária, que a olhou com desconfiança.
- Você não deveria estar na aula?
- Eu não tenho aula agora – Sarah mentiu com uma expressão bem convincente, pois Madame Pince acreditou que a menina estava falando a verdade, sem contestar.
- Na última prateleira. Perto da Sessão Reservada. Mas se você que conhecer a história da escola pode ler "Hogwarts, uma História". Eu tenho um exemplar dele bem aqui...
- Eu já li esse livro. E na verdade, queria algo mais específico. Mas obrigada – ela respondeu, caminhando na direção que a bibliotecária tinha lhe indicado.
Sarah pegou todos os livros que ela achou que poderiam ter alguma informação importante. Começou a folhear um por um, anotando todos os dados que pareciam importantes.
Nem mesmo ela se deu conta de quanto tempo ficou ali. De quantos livros olhara. De quantas coisas anotara. Só se deu conta de que estava a horas na biblioteca, sem comer e que á anoitecera, quando Severo Snape apareceu e a acordou.
- O que? – ela semi abriu os olhos pra querer quem atrapalhava o seu sono – que foi que eu fiz?
- Sarah, já é tarde – Severo sentou ao lado dela, empurrando alguns livros pro lado – Você não foi a minha aula, não apareceu na hora do almoço e muito menos na do jantar. Madame Pince veio me avisar que você estava aqui e que por sua causa ela não podia fechar a biblioteca.
- Por Merlin, eu perdi a hora – ela passou a mão várias vezes pelo rosto, numa tentativa de ficar com os olhos abertos.
- O que tanto você estudava? – ele perguntou, pegando um pedaço de pergaminho com as anotações da menina. Sarah tomou o papel antes que ele tivesse tempo de ler alguma coisa.
- Coisa minha – ela juntou todas as suas coisas e empurrou os livros para um canto da mesa.
- Se você diz... contudo, devo avisa-la que deverá cumprir detenção comigo no final de semana – ele disse, levantando e dando as costas para Sarah, que se assustou.
- Detenção?
- É a punição que dou aos meus alunos que faltam a minha aula sem uma justificativa plausível.
- Você sabe muito bem que eu não preciso assistir suas aulas... que só estou aqui por que... – ela se calou ao se dar conta de que ia falar da mãe. Lágrimas se formaram novamente em seu rosto.
- Eu fiquei sabendo o que aconteceu com ela – Severo se aproximou dela, ficando frente a frente com ela – Tenho certeza de que tudo ficará bem.
Sarah não disse nada. Apenas abraçou o homem a sua frente. Tudo que ela precisou o dia todo foi de palavras que a confortassem. E ela encontrara o conforto que precisara naquele momento.
- Snape? – ela ficou o rosto a centímetros do dele – Você sabe que ela está viva, não sabe?
- Por que acha isso?
- Por que eu sempre escutei dizerem por aí que minha mãe foi a única mulher que você amou. Você não ficaria frio e calmo desse jeito se algo de muito ruim tivesse acontecido com ela.
but remember when I moved in you
and the holy dove was moving too
and every breath we drew was hallelujah
Severo não disse nada. Simplesmente não conseguiu mentir para a garota que estava tão próxima dele. Sarah entendeu que o silêncio dele realmente significava que sua mãe estava viva. E isso pra ela era o suficiente.
Sem dizer mais nada, ela tocou os lábios de Severo. Ele recebeu aquele gesto com surpresa, não esperava aquela atitude da menina, mas também não recuou. O toque demorou alguns segundos e quando Sarah o finalizou, ela não deu tempo para que ele dissesse nada, pois saiu correndo.
Ele levou o dedo aos lábios e se lembrou da mesma atitude, que outra pessoa a muito tempo atrás , tomara com ele.
− Eu posso te ajudar a descobrir, Perla. - respondeu Severo parando em frente a garota e enxugando suas lágrimas. Era a primeira vez que o garoto a chamava pelo primeiro nome.
Perla estava tão atordoada, quem nem seu deu conta do que estava fazendo. Quando percebeu, ela já tinha puxando Severo, selando seus lábios nos dele.
Demorou algum tempo para Perla perceber o que estava fazendo. Quando se deu conta, terminou com o beijo no mesmo instante. Severo a olhava com uma expressão de quem não tinha entendido nada do que tinha acontecido. Em seguida, ela saiu correndo.
- Perla…
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-
Perla sentiu a cabeça pesar e uma dor muito grande se apoderar de todo o seu corpo. Tentou prestar atenção no ambiente ao redor, antes de abrir os olhos, tentando identificar onde estaria, mas tudo estava quieto e ela apenas sentiu uma leve brisa passando pelo seu rosto.
Abriu os olhos lentamente e sentiu uma dor ainda maior. Observou tudo ao redor e a única conclusão que poder chegar é de que estava em uma floresta. Não tinha a menor idéia de onde ela ficava, mas algo nela a fez parecer estranhamente familiar.
Seus braços e pernas estavam amarrados. Seu corpo estava encostado no tronco de uma árvore. Não fazia a menor idéia de onde estava a sua varinha. E tudo que se lembrava, antes de abrir os olhos e se encontrar naquele lugar, era de Voldemort aparecendo em Azkaban. Todo o resto, era uma grande lacuna em branco.
- Finalmente você acordou – ele escutou uma voz um pouco distante, mas logo pode descobrir de quem era, pois a pessoa falara havia parado em frente a ela.
- Preferia não ter que acordar, a fazê-lo e descobrir que ainda estou no mesmo pesadelo, Voldemort.
Voldemort riu. Uma risada cruel, que fez um calafrio percorrer o corpo de Perla.
- Logo você vai descobrir que está num belo sonho – ele falou, ficando bem perto da mulher – E vai desejar estar nele.
Perla não disse nada. Apenas encarou o chão tentando organizar seus pensamentos. Ela não tinha como avisar a ninguém sobre seu paradeiro, por que ela mesma não sabia onde estava. Não podia tentar escapar. Alem de ser praticamente impossível, ela estava sem a varinha.
Voldemort, percebendo o conflito dela, se afastou um pouco e chamou um de seus comensais que estava por perto. Este ao se aproximar, tirou o capuz, revelando ser uma mulher de meia idade, os cabelos eram grisalhos, ela era muito magra e sua face ainda conservara os horrores de Azkaban.
- Eu queria lhe apresentar a sua avó, Perla – ele disse, apontando para a velha, que encarava Perla com um sorriso no rosto.
Well maybe there's a god above
but all I've ever learned from love
was how to shoot somebody who outdrew you
- Por favor, não suje meu nome, milord. Eu jamais teria parentesco com uma sangue-ruim com essa – ela ficou bem perto de Perla, analisando-a de cima a baixo – Bem se vê que ela é a cara daquela vadia que enganou o meu filho.
- Percebeu quem é ela, Perla? – continuou Voldemort, rindo novamente – Emilie Dinckley. Condenada a prisão perpétua em Azkaban por matar o próprio filho. Seu pai.
- Aquele verme teve o que mereceu por sujar o nome da família – Ela colocou a mão na testa de Perla, que sentiu uma forte dor e gritou.
Várias cenas passavam na mente de Emilie. Ela viu Perla com os pais adotivos, se divertindo com Lílian, rindo com os marotos, se casando com Sirius. Viu Perla reencontrando a afilhada logo após a morte dos Bones, Sirius escapando de Azkaban, Sirius e ela se reencontrando... ela viu um filme da vida de Perla em câmera rápida. Todos os momentos em que ela foi feliz. Todos os momentos que marcaram a sua vida.
- Ela tem uma filha, milorde. Tem pouco mais de um ano - Emilie disse depois de um tempo, tirando a mão da testa de Perla, que respirava com dificuldade, como se tivesse acabado de sair de uma corrida.
And it's not a cry that you hear at night
it's not somebody who's seen the light
it's a cold and it's a broken hallelujah
- Tem certeza disso? – Voldemort perguntou, ligeiramente desconfiado.
- Você sabe que eu não me engano. E além do mais, foi como se eu tivesse vendo novamente. A mesma sensação de felicidade ao ver a criança. Até nisso ela e aquela maldita da Helena se parecem.
- E então, Montanes – Voldemort ficou novamente perto de Perla, colocando uma de suas mãos no pescoço dela – Vai me dizer agora onde está o amuleto.
- Eu... não sei... do que... você está... falando... – Perla respondeu com dificuldade.
- O cordão sua idiota. O maldito cordão que aquele infeliz do meu filho deu pra desgraçada da sua mãe – Emilie avançou em Perla, a varinha em punho.
- Não – Voldemort disse sem nem encarar a outra mulher.
- Você me disse que quando tivesse o que quer, me daria o prazer de matar essa bastarda!
- Lord Voldemort sempre cumpre o que promete. Mas eu ainda não tenho o que eu preciso – ele colocou o rosto bem perto do de Perla, falando em seu ouvido – mas talvez uma pobre criança indefesa saiba me dizer onde ele está.
- Não chegue perto dela! – Perla gritou com todas as forças que ainda possuía.
- Você me fará chegar até ela... Perla – ele disse, se afastando – Você pode brincar um pouco com ela, Emilie.
- Com prazer – respondeu a velha senhora, ficando de frente pra loira – Crucio.
Perla sentiu uma dor lasciva em seu corpo. Ela fechou e abriu os olhos várias vezes, tentando suportar a dor. E foi numa dessas vezes que ela viu. Debaixo de um capuz, de um dos comensais. Ela viu aqueles olhos que ela tanto conhecia. E sabia exatamente a quem pertenciam.
Foi naquele instante que sua esperança se esvaiu. E ela gritou. Gritou muito alto quando recebeu novamente a maldição Cruciatus.
Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah
N/A: Eu disse que os capítulos não iam demorar a sair. E olha que esse ainda demorou um dia a mais do que eu tava esperando, tudo graças a uma forte enxaqueca que começou ontem e não terminou até hoje. Sobre o capítulo, devo dizer que foi um dos mais tristes e melancólicos que eu já escrevi até hoje. Algumas partes não ficaram como eu tinha imaginado, mas, eu espero que estejam boas. Quando eu tava escrevendo o capítulo, tocou uma música da minha playlist que eu simplesmente não consegui tirar dela enquanto eu não terminei de escrever. E apesar da letra não ter a ver com o capítulo, eu acho que a melodia dessa música, principalmente a versão que eu tenho, passa toda a melancolia que eu quero nesse capítulo. A música se chama "Hallelujah" e a versão que eu tenho é da Kate Voegele (pra quem assiste One Tree Hill, ela é a Mia e canta essa música num dos últimos episódios). Mas a versão do Jason Castro do American Idol também é linda.
Obrigada a Tha e Gabi pelos comentários. E a todos que eu sei que estão lendo a fic, mesmo que não comentem (as estatísticas do ffnet não me deixam mentir). Obrigada por vocês ainda lerem, mesmo depois de tanto tempo sem atualizações. Vou continuar não pedido comentários. Quem achar que a fic merece, sinta-se a vontade. Do contrário, obrigada pela visita e não percam os próximos capítulos!!
Tha: Por que será que você gostou da cena? Hehehe. Prometo que vou tentar colocar mais cenas dos dois. Mas eu não quero matar ninguém de susto não, só deixar o povo curioso pra ver se eles voltam a ler a fic. E sim, você vai voltar a escrever e nós vamos terminar nossas fics. E vamos escrever muito mais. Espero eu tenha gostado da cena da Lily que você tinha me pedido. E obrigada por toda a força, apoio e incentivo. Beijos
Gabi: Você ta recebendo outro email de alert do fanfiction e julho nem acabou. Tava vendo como eu sou boazinha e quando posso cumpro com as minhas promessas? Fico feliz que você ainda leia a fic. Sua opinião pra mim é master importante. E não fique brava comigo, mas eu ainda vou dar uns sustos de vez em quando... hehehehe. Beijos.
