Capítulo 23 – Dia das Bruxas
Perla sentia que despertava, aos poucos, ainda que não desejasse. Cada parcela do seu corpo estava moída de dor e a posição desconfortável em que acabara por adormecer não contribuíra muito para atenuar a sensação de fadiga em seus músculos. Ela abriu os olhos com um breve gemido, piscando diversas vezes até sua visão entrar em foco.
À medida que tudo desanuviava e a mente se mantinha mais alerta, ela tomou exata consciência de onde realmente estava e de tudo o que havia acontecido até então. Num gesto involuntário, forçou-se a se libertar das cordas que a prendiam, mas isso só fez com que elas se apertassem ainda mais contra seu corpo. Trincou os lábios para reprimir um grito de dor e relanceou ao seu redor.
Faltava pouco para a alvorada e seus algozes ressonavam tranquilamente. Num pensamento irônico, ela jamais imaginaria que Voldemort tivesse hábitos tão normais como esse.
Ela forçou seus olhos a ficarem abertos. Sentia uma enorme vontade de fechar os olhos e voltar a dormir. E esquecer de tudo aquilo que estava passando. Queria sonhar. Sonhar que estava novamente nos braços de Sirius. Aos poucos ela foi fechando os olhos. E já estava quase perdendo a consciência novamente quando sentiu uma mão em seu rosto. Perla sorriu.
- Sirius... – mas quando ela abriu os olhos, não era o marido que estava a sua frente. Rapidamente seu sorriso se desfez – Severo.
Perla o encarou com desprezo e virou o rosto, mantendo seu olhar no chão. Mas Severo não se afastou dela, pelo contrário, ficou ainda mais próximo, fazendo com que seus rostos quase se tocassem.
- Perla, eu...
- Eu não quero ouvir nenhuma palavra, Severo. Eu acreditei em você, eu te defendi, eu fiz as pessoas que me amavam me odiarem por sua causa. Eu achei que você tinha mudado. Mas não. Você continua o mesmo. E até pior, por que eu não sou a única quem acreditou que você tinha mudado.
- Você não entende... talvez nunca vai entender – ele respondeu, acariciando levemente o rosto dela. Seu olhar demonstrava uma grande tristeza, algo que ela nunca tinha visto.
- Por que você não me faz entender?
- Por que não é a hora. E nem o lugar – o tom de voz dele deixou de ser calmo – Agora o que importa é que você saia viva daqui.
- Não perca seu tempo com isso. É totalmente impossível.
- Não é, Perla – ele segurou no rosto dela, forçando-a a encará-lo – Eu não posso te soltar ou tudo estaria perdido. Mas... – Severo diminuiu ainda mais seu tom de voz, não passando de um sussurro – Você pode conseguir isso sozinha.
- Eu que estou sendo torturada e você que enlouquece... – ele colocou o dedo sobre o lábio dela.
- Você se lembra do dia que enfrentou a Emma? O dia que ela morreu? – ela acenou afirmativamente com a cabeça – Você fez uma coisa. Algo que nem eu mesmo esperava que você fosse capaz. Consegue se lembrar?
- Foi a muito tempo...
- Perla, faça um esforço – o tom de voz dele havia aumentado. Severo olhou assustado ao redor, mas tudo continuava silencioso como antes – Lembre-se do que você fez aquele dia. Você estava sem varinha e Emma ainda tinha a dela.
Perla fechou os olhos tentando se lembrar daquele dia. Tinha sido uma data que ela fizera questão de não lembrar, pois desde aquele dia, as coisas entre ela e Sirius passaram a ser diferentes.
Aos poucos, porém, as imagens daquele dia começaram a voltar. Primeiro um pouco confusas. Mas depois ela conseguiu se lembrar de cada detalhe, cada gesto.
− E agora Perlinha? O que vai fazer sem sua varinha? Vai implorar pela vida, como fizeram seus tios? Ou melhor, como fizeram os Evans?
Perla foi tomada de um grande ódio que invadiu todo o seu corpo. Num minuto ela esqueceu de toda a dor que estava sentindo nos locais onde tinha sido atingida pelos feitiços de Emma. Uma grande aura dourada envolveu a garota, deixando Emma assustada. Perla fixou os olhos na varinha de Emma, que em segundos, saiu voando pelos ares.
− Agora Emma, a luta é só entre eu e você! - falou Perla, avançando pra cima de Emma e lhe dando um soco no rosto. Emma sorriu, apesar de estar com a boca sangrando e avançou para cima de Perla.
- Eu não sei como fiz aquilo – ela abriu os olhos – eu não faço a menor idéia de como fiz aquilo. Eu estava cansada, com raiva...
- Você estava com ódio.
- Que seja. A questão é... eu não consigo fazer isso. Eu não posso. Estou fraca, cansada, não vejo nem por onde tentar.
- Você ainda não entendeu, Perla – Severo sussurrou no ouvido dela – Se você não sair daqui com vida, eu não vejo como a sua filha também possa escapar. Ele irá atrás dela depois que te matar.
Ela sentiu o sangue ferver. Teve vontade de gritar, de dizer que ele estava errado. Mas sabia que não. Aquela mulher, aquela que Voldemort apresentou como sua avó não tinha procurado por suas lembranças a toa. Ele agora sabia que ela tinha uma filha. E sabia que seu desejo era matá-la.
Severo se afastou da mulher. Ele sabia que tinha feito tudo o que estava ao seu alcance. Agora só dependia dela. E de mais ninguém.
Perla fechou os olhos e ficou pensando em Lily. Ela precisava proteger a filha, mas não sabia como. Seus pensamentos vagaram para longe. Para o dia que ela descobrira que finalmente seria mãe.
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Perla abriu a porta da casa, sentindo um tremor percorrendo todo o seu corpo. Ela simplesmente não conseguia acreditar em tudo aquilo. Todo o seu destino, toda a sua vida iria mudar simplesmente por causa do que dizia aquele papel em sua mão.
Um sorriso nasceu em seus lábios. Um sorriso que há muito tempo não era visto em seu rosto.
- Perla? – Thais desceu as escadas, estranhando a presença da amiga na casa – Tão cedo aqui... aconteceu alguma coisa?
- A coisa mais perfeita que poderia acontecer, Thais – Perla sorria como uma criança que acabara de ganhar um presente de Natal, o que deixou a morena ainda mais intrigada.
- O que está acontecendo?
- Eu estou grávida, Thais.
Thais a olhou com surpresa. Perla simplesmente deveria estar perdendo o juízo. Talvez estivesse em uma de suas crises, quando ela afirmava que ainda estava vivendo no passado, quando nenhuma das mortes das pessoas que amava tinha acontecido. Talvez ela estivesse apenas pensando que estava no dia que descobrira que estava grávida. O dia da morte de Lily.
- Perla, isso já aconteceu a muito tempo atrás... - a morena segurou em suas mãos e falou com a maior paciência e tranqüilidade que conseguiu.
- Você não está entendendo, Thais. Está acontecendo – a loira entregou a Thais o papel que estava em suas mãos – Eu não estou louca, nem estou tendo qualquer surto. Eu apenas estou grávida.
A morena pegou o papel e logo concluiu que Perla realmente estava falando a verdade. Ela só não conseguia entender como isso era possível.
- Mas Perla, como isso... – foi então que uma luz se acendeu em sua cabeça – Aquele dia... o seu reencontro com Sirius?
Ela confirmou e sorriu ainda mais. A morena também deu um sorriso enorme, em tempo onde as más notícias caiam do céu e as boas pareciam trancadas dentro de cofres e protegidas a sete chaves, o que Perla havia lhe dito era certamente algo maravilhoso.
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Perla mal conseguia andar. Suas pernas pesavam e a escadaria que ela descia parecia interminável. Antes mesmo de chegar ao lugar onde aquele arco com véu ficava, ela já identificara quem era a pessoa parada em frente a ele. E isso só tornou os seus temores ainda maiores. Ela não queria que aquilo fosse verdade. Apesar de saber que não teria como ser mentira.
- Remo – ela chamou o homem que estava parado em frente ao véu, assim que terminou de descer as escadas. Sua voz transmitia grande sofrimento – Por favor, me diz que não é verdade.
- Perla?!? – Remo não conseguia acreditar que a sua grande amiga, aquela que há anos ele pensava que estava morta, estava parada a sua frente, perguntando por Sirius.
Ele não disse nada, apenas a abraçou com muita força. Perla levou a mão discretamente a barriga. Apesar de ter feito um feitiço pra esconder a barriga de gravidez, ela conseguia sentir tudo que o bebê fazia. E naquele momento, o bebê chutava com muita força, como se soubesse o que estava acontecendo.
Por um breve instante ela sorriu. Por que nem tudo estava perdido. Dentro dela crescia o melhor presente que a vida lhe dera. Um filho. Dela e de Sirius.
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Perla fazia muita força. A dor era muito grande, mas ela já tinha passado por coisas piores. Mas pelo menos aquela dor teria sua recompensa.
Ela quase desmaiou, quando ouviu um choro de bebê. Mas reuniu as ultimas forças que lhe restavam para segurar o pequeno embrulho que o médico lhe entregava.
- É uma menina – ela ouviu ele falar. Perla apenas sorriu. Durante toda a gravidez, ela não quis saber o sexo do bebê. E agora ele estava ali, em seus braços, sua filha, o motivo de maior alegria de sua vida.
Naquele instante, a porta da sala de parto foi aberta com violência e Sarah entrou quase derrubando todos que estavam a sua volta, tentando conseguir chegar até sua mãe. Algumas enfermeiras tentaram impedir que ela se aproximasse, mas Perla disse que estava tudo bem.
- É uma menina – ela disse olhando pra Sarah, quando esta parou em frente a Perla e olhou com lágrimas nos olhos o bebê que a mãe segurava.
Sarah passou um dedo pela testa do bebê, que foi abrindo os olhos lentamente, com muita dificuldade, até conseguir manter eles abertos.
- Ela tem os olhos azuis – Sarah disse, fazendo Perla sorrir ainda mais.
- Como os olhos do pai.
- E você já sabe o nome que vai dar pra ela?
Perla olhou de Sarah para o bebê, antes de responder.
- Lily. Lílian Alice Black.
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Perla abriu os olhos novamente. Ela não podia permitir que lhe tirassem a maior alegria de sua vida, aquela por quem ela tanto lutara pra ter. Tinha que ter algum jeito de sair dali. Estava sem varinha, mas como Severo mesmo havia lhe lembrado, ela já fizera magia antes sem varinha, numa época que seus conhecimentos em magia eram bem menores. Logo, precisava descobrir um meio de conseguir realizar novamente esse feito.
Ela reuniu todas as poucas forças ainda existentes em seu corpo em um único pensamento: se livrar das cordas que a prendiam e escapar daquele lugar. Ela poderia aparatar em qualquer outro lugar, desde que saísse do alcance dos comensais. E de Lorde Voldemort.
A princípio, nada aconteceu. Mas ela continuou tentando, forçou sua memória para que pudesse se lembrar de cada acontecimento ruim, de cada pessoa querida que tinha sido retirada de seu convívio por culpa daqueles assassinos que a mantinham prisioneira. Foi quando seu corpo começou a formigar e uma áurea dourada surgiu a sua volta. Ela sentiu o aperto em seu braços e pernas diminuir e quando se deu conta, as cordas que a prendiam estavam no chão.
A parte mais fácil ela tinha conseguido. Porém, vinha a mais difícil. Escapar com vida e principalmente, sem varinha.
A loira reuniu o resto de suas forças e levantou. Olhou ao redor e a primeira impressão que teve foi de que ainda não tinham reparado nela. Ela não viu sinal de nenhum comensal ao redor. Respirando fundo, ela começou a correr o mais rápido que pode, mas isso era muito pouco. Suas pernas estavam fracas. Não chegaria muito longe e não tinha forças suficientes para conseguir fazer uma aparatação bem sucedida.
Foi quando sentiu um feitiço passar de raspão pelo seu braço. Eles a haviam descoberto muito antes do que ela gostaria.
Perla se escondeu atrás de uma árvore para escapar de um segundo feitiço. Porém, não pode escapar de ouvir a gargalhada fria e cruel que fez com que todos os pêlos de seu corpo ficassem arrepiados.
- Acha mesmo que vai conseguir escapar de mim? – a voz fria foi ouvida pela mulher e quando a mesma se deu conta, estava cara a cara com seu agressor. Atrás deles, vários comensais apontavam as respectivas varinhas em sua direção.
- Vamos nos livrar dela de uma vez por todas, milorde! – disse um dos comensais, avançando. Porém, Voldemort o impediu.
- Já disse que ninguém toca nela. Quer dizer, até conseguirmos a sua garotinha. Depois ela não vai servir pra mais nada – sua voz não possuía nenhum tipo de emoção. Era como se fosse um cadáver falante.
Mas ela não podia deixar aquilo acontecer. Precisava escapar de qualquer jeito ou não teria como proteger Lily.
- Você se lembra do dia que enfrentou a Emma? O dia que ela morreu? – ela acenou afirmativamente com a cabeça – Você fez uma coisa. Algo que nem eu mesmo esperava que você fosse capaz. Consegue se lembrar?
Era o que precisava fazer novamente. Mesmo que seu corpo não agüentasse depois. Precisava reunir o resto de forças que ainda tinha.
Mais uma vez ela pensou na filha. E em Sarah. Em Sirius. Em Harry. Thais, Remo, Dumbledore... e Snape. Todos contavam com ela. Todos acreditavam nela. E ela simplesmente não podia decepcioná-los.
A aura dourada novamente cobriu seu corpo. Foi tão rápido que foi impossível para Voldemort detê-la. Assim que ele se deu conta do que Perla estava fazendo e se preparava para impedi-la, Perla aparatou.
Suas costas bateram em algo duro e áspero, o que a fez concluir que devia estar em cima de um terreno cheio de pedras. Um de seus braços pendeu para o lado e sua mão tocou em algo molhado. Água. Só poderia estar em uma cachoeira.
- Perla – uma voz a chamou, mas ela não conseguiu identificar a quem pertencia e tampouco tinha forças para abrir os olhos – Minha filha! Você está bem?
"Não, eu não estou" – ela pensou, mas não pode compartilhar seus pensamentos com o recém chegado, pois logo em seguida, perdeu os sentidos.
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Harry caminhava a passos apressados em direção ao campo de quadribol quando sentiu uma pontada em sua cicatriz. Ela começou a arder de um modo que ele nunca havia sentido antes, fazendo-o diminuir o passo, até parar completamente de andar.
Era uma ardência diferente de todas as que ele já tinha sentido antes. Porém, da mesma forma que ela apareceu, sumiu sem deixar vestígios, deixando Harry ainda mais cismado. O que significaria aquela dor?
- Harry? – Gina interrompeu seus pensamentos – Está tudo bem com você?
- Ahn? Ah, claro, Gina. Tudo bem. Só preocupado com a partida de quadribol – ele mentiu, o que não convenceu a ruiva.
- Preocupado com quadribol? Harry, é sonserina. Grifinória nunca perdeu uma partida desde que você entrou pro time.
- Eu sei... é só que...
- Ainda é aquela história da sua madrinha, não é? – Ela o abraçou e Harry agradeceu mentalmente por esse gesto da ruiva – Tudo vai ficar bem.
- Obrigado, Gina – Ele afastou a ruiva, sorrindo pra ela – Olha, eu tenho sido um péssimo namorado esses últimos tempos...
- Eu tenho escutado muito isso.
- Eu sei. Me desculpe. Eu realmente não quero te deixar mal com os meus problemas!
- Tudo bem, Harry – Gina sorriu – Nós nos vemos hoje depois do jogo pra irmos a Hogsmeade juntos, certo?
- Certo – ele sorriu e deu um selinho nela – Vai ser uma ótima tarde. Estamos mesmo precisando passar um tempo só nós dois.
- Ótimo. Vou avisar a Mione, assim ela vai só com o Rony. Quem sabe os dois não se entendem? – ela riu e deu outro selinho nele e continuou andando.
Harry continuou parado onde estava. Ele ainda estava preocupado com a ardência em sua cicatriz. Mas a idéia de curtir uma tarde sem preocupações ao lado de Gina era muito confortante.
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Como era esperado, Grifinoria derrotou Sonserina por um placar de 190 a 40. Após o jogo, todos correram para Hogsmeade, querendo aproveitar ao máximo o passeio no povoado. Harry, contudo, preferiu tomar um banho rápido no vestiário do campo de quadribol, trocando de roupa para encontrar com a namorada. Porém, ao sair do vestiário, ele deu de cara com outra garota.
- Ah, aí está você. Estamos atrasados!
- Do que você está falando, Sarah? – ele ficou assustado e tentou pensar rapidamente se tinha marcado algo com a garota, não se lembrando de absolutamente nada.
- Nós vamos procurar o diário hoje, esqueceu? – Sarah deu um tapa na testa dele e saiu arrastando o garoto.
- Mas... eu não posso. Vou a Hogsmeade com a Gina.
- Harry, isso pode esperar. Encontrar o diário da minha mãe não – ela continuou arrastando Harry em direção aos portões de entrada de Hogwarts – Além do mais, Sirius está nos esperando. A chave do portal será acionada em um minuto.
- Chave do portal? – Harry olhou para os lados com grande aflição, implorando para que Hermione ou Rony aparecessem para lhe ajudar – Mas eu tenho que falar com a Gina.
- Eu já te disse que isso pode esperar. A chave de portal não. Anda logo – ela saiu correndo e Harry não viu outra alternativa senão segui-la.
Ao chegarem em frente aos portões da escola, eles encontraram Sirius, que segurava uma bota velha. Este não disse nada aos recém chegados, apenas fez sinal para que eles encostassem na bota e cinco segundos depois, os três foram transportados para a antiga casa de Perla.
- Eu pensei que Dumbledore tinha bloqueado o uso de chaves de portais em Hogwarts – Harry perguntou, tentando inutilmente arrumar o cabelo.
- Ele bloqueou. Mas fez uma exceção para nós – Sirius respondeu, respirando fundo enquanto olhava tudo ao redor.
- Então, por onde começamos? – Sarah perguntou e na mesma hora recebeu olhares interrogativos de Sirius e Harry.
- Como assim, "por onde começamos", Sarah? Eu pensei que você soubesse onde a Perla escondeu o diário dela.
- Sirius, tudo que mamãe me disse foi que ele estava aqui, mas ela não me deu a localização exata, se é que você me entende.
- Vamos levar horas desse jeito – respondeu Harry, olhando inutilmente para o relógio – Gina vai me matar!
- Você parece disco arranhado! – Sarah respondeu andando de um lado ao outro da sala de estar – Vamos nos dividir, assim será mais rápido. Harry, você fica com o primeiro andar... eu e Sirius vamos olhar lá em cima.
- Ok – Harry respondeu e encarou o padrinho que olhava para um ponto da casa, onde não havia nada, com muita concentração – Algum problema, Sirius?
- Não... é que... essa casa... ela me traz recordações demais...
- Então é melhor não pensar nelas agora. Precisamos achar esse diário o mais rápido possível – disse Sarah, subindo as escadas em seguida.
Logo os três procuraram incansavelmente o diário por todos os lugares possíveis da casa, porém, nenhum deles conseguiu encontrar o menor sinal de onde Perla poderia ter escondido o objeto.
- Eu cansei – disse Sarah, se jogando em cima de um sofá, gesto que foi repetido por Harry. Sirius ficou olhando os porta-retratos que estavam em cima de uma mesinha.
- Sirius, você era a pessoa que ela mais confiava no mundo. Será possível que não existe um lugar secreto nessa casa onde esse diário possa estar?
- Se você esqueceu, eu e sua mãe ficamos alguns anos sem nos falarmos. E o pouco tempo que tivemos juntos não foi perdido em palavras – ele sorriu ao responder e em seguida, pegou um dos porta-retratos onde havia uma foto de Perla com Almofadinhas, o cachorro que ela tinha.
- Eu também tive tão poucos momentos com ela, que não tivemos absolutamente tempo nenhum pra ela me contar algo do tipo – Harry se justificou, encarando Sarah, que fechou os olhos e deu um grande suspiro.
- Precisamos descansar um pouco e colocar as idéias em ordem – ela abriu os olhos e encarou Sirius - enquanto fazemos isso, acha que tem alguma possibilidade de você nos contar alguma história de vocês dois?
- O que você quer saber? – Sirius respondeu, sentando entre a menina e o afilhado.
- Qualquer história. Algum evento, algo romântico, não sei... algo que vocês dois tenham passado nessa casa e que tenha sido muito marcante.
- Harry não vai querer ouvir nada disso.
- É claro que eu vou! Eu não conheço praticamente história alguma da minha madrinha. Por que não iria querer saber?
- Ok. Vocês venceram – ele respirou fundo e olhou pra foto do porta-retratos que ainda estava em suas mãos – Deixa eu pensar. Bom, teve uma vez, que a Perla cismou que eu estava traindo ela... idéias malucas da cabeça dela – ele completou ao ver a expressão no rosto de Sarah – ela vivia tendo essas idéias... sabem como é, eu não tinha boa fama na escola, ela bonito, chamava a atenção das garotas... e então nesse dia ela deu um ataque...
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Sirius abriu a porta da casa e deu de cara com Perla andando impacientemente de um lado para o outro. Esta, ao ver o namorado, o encarou com uma expressão séria e continuou seu ritual de andar.
- Ei pequena, o que aconteceu? – ele perguntou, um sorriso maroto estampado em seu rosto. A garota fechou ainda mais a cara.
- E não quero falar com você!
- Ótimo. Continue então o que você estava fazendo e quando abrir um buraco no chão me chame pra te resgatar.
- SIRIUS!
- O que? – ele continuou encarando a garota com uma expressão de divertimento no rosto. E como conseqüência, acabou levando uma almofada na cara.
- Você é um insensível.
- Pê... você diz que não quer falar comigo e eu sou o insensível? O que foi que eu fiz pra você ficar assim? – ele perguntou, se aproximando lentamente da namorada.
- Isso são horas de chegar? – Sirius riu.
- Perla, eu estava trabalhando!
- Até essa hora?
- Pequena... se você se esqueceu... eu estou na Academia dos Aurores... o lugar onde você começa e não tem hora pra sair.
- E quem me garante que você não estava com uma garota por la?
- É claro que eu estava com uma garota lá... uma não, várias – ele teve que desviar pra não ser acertado por uma segunda almofada – Eiii... desse jeito você vai acabar me machucando!
- Várias garotas, SIRIUS BLACK?
- É claro... Alice estava lá, Lily também...
- E a Danna Powell também estava lá?
- É claro que a Danna estava lá, ela também trabalha la... – ele parou pra pensar um pouco, intrigado com a pergunta de Perla – mas o que ela tem a ver com essa sua crise?
- Em primeiro lugar, eu não estou tendo uma crise – ela ficou frente a frente com ele – Em segundo, eu sei que você fica paquerando essa garota!
- Ei... eu não fico paquerando ela... admirando pode até ser... mas paquerando, aí já é demais – Perla se afastou dele, fazendo o rir – Perla, ela é bonita, todos os caras normais olham as garotas bonitas.
- Você não se enquadra na categoria "normais".
- É claro que não, eu sou um deus – ele riu ainda mais – Mas isso não me impede de admirar o que é belo.
- Ótimo. Volta pro ministério e vai ficar com a Ana – ela respondeu e saiu andando rápido em direção as escadas.
- É DANNA – ele gritou, fazendo Perla subir as escadas correndo.
Sirius contou até dez e subiu atrás da namorada. Procurou a em todos os lugares, mas não viu o menor sinal dela. Já estava começando a pensar que talvez ela tivesse aparatado, quando ouviu um barulho vindo do teto.
O maroto sorriu e logo concluiu que ela só podia estar no sótão. Ele foi até a parede onde ficava a porta que dava acesso ao andar superior, que era muito bem escondida e praticamente imperceptível. Abriu a porta o mais devagar possível e subiu as escadas.
Ao chegar no andar superior, deu de cara com Perla sentada em uma poltrona muito velha e gasta, com cara de criança que tinha acabado de perder o brinquedo favorito. Ele sorriu e foi na direção da garota, ajoelhando em frente a ela.
- Quantas vezes eu preciso te dizer que é a única pra mim? – Perla evitou olhar pra ele antes de responder.
- É que... é difícil competir com tanta garota bonita que fica perto de você.
- Pequena, você não tem que competir com ninguém. Não mais. Você já me tem, esqueceu? Eu não entendo de onde vem toda essa sua insegurança – Perla balançou os ombros. Sirius se levantou e levantou Perla, segurando seu rosto – Você não tem por que ficar assim. Podem existir um milhão de garotas maravilhosas lá fora. Mas é pra você que eu volto todas as noites.
Perla deu um sorriso fraco e Sirius aproveitou para beijá-la.
- Será que a Danna beija tão bem como você? – Perla começou a dar tapas no peito do maroto, mas ele logo a segurou e a beijou novamente.
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- O sótão! – Sirius deu um grito, pulando do sofá – É claro, só pode estar lá. Era onde Perla guardava todas as coisas antigas dela!
- Mas eu não vi nenhuma entrada pra sótão nesta casa!
- Por que ela é totalmente escondida, Sarah! – Sirius respondeu, subindo as escadas quase correndo, no que foi acompanhado por Harry e Sarah – Perla me disse uma vez que a entrada do sótão foi escondida pelos pais dela pro caso dos Stoller, os tios dela, aparecerem por aqui, nunca acharem nada de valor deles. E principalmente, não acharem as coisas de Hogwarts da Perla.
Sirius parou em frente a uma parede no final do corredor. Ele agachou em frente a parede e puxou uma tábua do chão. Após tirar essa tábua, ele puxou o que aparentemente era uma parede e na verdade era uma porta.
- Claro que tem um toque de magia nisso. Só não sei como Perla fez isso e não foi advertida pelo Ministério!
Os três subiram a escada que dava pro porão e deram de cara com um aposento grande, cheio de caixas empilhadas por todos os cantos, móveis de criança, uma bicicleta pequena e diversos outros objetos.
Os três se encararam e começaram a procurar em todos os cantos, em todas as caixas que encontraram. Até que em um determinado instante, Sarah foi puxar uma caixa de uma pilha e acabou derrubando uma caixa de outra pilha, que ao cair no chão, se abriu.
- Olha, acho que encontrei o material de Hogwarts da mamãe. Pode ser que esteja aqui.
Na mesma hora os outros dois pararam ao lado dela pra verem o conteúdo da caixa. A primeira coisa que encontraram foi um chapéu preto, que sempre era usado nas datas comemorativas da escola. Em seguida encontraram um casaco.
- Eu não sabia que mamãe tinha sido da Lufa-Lufa – Sarah disse ao reconhecer o emblema do casaco.
- Mas ela não foi – respondeu Sirius, pegando o casaco da mão da garota – Se tem uma coisa que eu tenho certeza na vida é que Perla foi da grifinória.
- Mas se ela era da grifinória e não tinha irmãos... então, de quem é esse uniforme? – Harry perguntou e saiu olhando os outros pertences da caixa. Ele encontrou mais vestes, todas da lufa-lufa.
- Isso é totalmente estranho – respondeu Sarah, quando avistou um porta-retrato. A menina o pegou, mas não reconheceu ninguém da foto, porém, reconheceu que um dos integrantes dela usava a veste da Lufa-lufa – Olhem, pelo visto essa é a dona das vestes.
Sirius pegou o porta retratos e olhou a garota da foto, no entanto, não a reconheceu.
- Não faço a menor idéia de quem seja – ele passou o porta-retrato para Harry, que também analisou atentamente.
- Ela eu não sei, mas tenho a impressão de ter visto esse cara em algum lugar.
Sirius pegou novamente o porta-retratos da mão do afilhado e observou mais atentamente. Três pessoas estavam na foto, que era uma foto trouxa. Uma delas era a garota com as vestes da Lufa-lufa. Havia também uma outra garota ao lado da primeira que ele tinha certeza de que nunca tinha visto na vida. No entanto, ao observar atentamente o homem que estava ao lado da primeira garota, uma luz se fez em sua cabeça.
- Não é possível...
- O que não é possível? – Sarah perguntou.
- Esse cara... esse da foto... ele é o pai da Perla... William Montanes.
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Perla forçou várias vezes até conseguir abrir lentamente os olhos. Suas pernas e braços estavam dormentes e ela não sentia absolutamente nenhuma parte de seu corpo do pescoço pra baixo. Também não fazia a menor idéia de como escapara de Voldemort e viera parar numa cama que ela também não fazia absolutamente a menor idéia de onde estava.
Quando finalmente conseguiu manter os olhos abertos, ela forçou inutilmente um movimento de seu corpo, o que a fez sentir uma dor enorme e a impediu de conter um grito baixo.
Logo, um senhor apareceu em seu campo de visão e colocou a mão repetidas vezes em sua testa, antes de sorrir e olhar com ternura pra ela.
- Finalmente você acordou.
- Acordei? – Perla sentiu uma enorme dificuldade de pensar e colocar as idéias em ordem – quanto tempo eu dormi?
- Quase duas semanas. É uma sorte você estar viva – O senhor respondeu, sentando na cama ao lado dela.
- Não sinto meu corpo – ela tentou mais uma vez movimentar seu corpo no que foi impedida por ele.
- Eu lhe dei uma poção anestésica. Seu corpo estava praticamente destruído. Por mais que seu cérebro ainda esteja funcionando, seu corpo precisa de muito descanso.
- Como eu vim parar aqui? Quem é você? – ela perguntou, forçando seus olhos a ficarem abertos.
- Uma pergunta de cada vez, Perla – ela ficou ainda mais assustada ao perceber que ele sabia seu nome – Quanto a primeira pergunta...você veio até mim. E quanto a segunda...eu... eu sou seu pai.
N/A: A long long time ago... in a far galaxy...
OPS... errei de filme... hahahaha
Enfim... adivinha quem resolveu tomar vergonha na cara e postar de novo? Pois é, euzinha mesmo.
Se alguém ainda lê isso aqui, tenham certeza de uma coisa... um dia essa fic termina!
Até lá então...!!!
Beijos
Dynha Black
