Floresta Encantada

- Acorde senhorita Mary ! É dia de viagem !

Mary abriu os olhos e os fechou de novo por causa da claridade que entrava em sua janela. Sofia, a mulher que limpava seu quarto, estava ao seu lado.

- Viagem para que?

- Para conhecer o seu noivo!

Argh. Ela tinha se esquecido disso. Seu compromisso real desconhecido.

- Quer que eu ajude a senhorita a se vestir?

- Não precisa Sofia. Eu mesma faço isso.

Mary colocou seu vestido novo e se sentou em frente a penteadeira, pensando em seu futuro. Ela nunca poderia fazer nada que quisesse. Nunca havia saído do reino, nem andado pela floresta. E hoje, quando ia pela primeira vez sentir o gosto da liberdade, ela a perderia quando se casasse com o tal príncipe do outro reino.

- Você está muito bonita – Aurora disse, entrando no quarto. Ela pegou a escova e começou a pentear os cabelos de Mary. – Tenho certeza de que o príncipe vai adorar te conhecer.

- E se ele não gostar?

- Hump – Aurora disse cética – Você é a menina mais linda que todo o reino já viu em muito tempo. Ele seria um tolo se não a achasse atraente.

- E se eu não gostar dele?

Aurora olhou para a filha através do espelho.

- E porque não gostaria?

- Porque eu não o conheço, mãe.

- Mary – Aurora disse – Você conhece bem seus deveres. Toda princesa deve saber..

- ..que tem em mãos a futura responsabilidade com o reino. – Mary completou – Eu sei, mãe.

- Que bom. Então não tem nenhuma desculpa para não se sentir disposta a viajar até o reino mais próximo. Termine de se arrumar. Tenho que terminar os preparativos com o seu pai.

Aurora saiu do quarto e Mary deixou a escova cair no chão. Ela não queria nada disso. Suas coisas já estavam arrumadas, mas ela não iria viajar. Não com seus pais. Infelizmente sua mãe teria que entender. Não se casaria com alguém que não amasse.


Storybrooke

Na segunda de manhã, Henry correu até o hospital para ver como estava a menina que haviam achado. Quando olhou pela janela , havia um garoto próximo ao leito.

- Oi! – Henry disse, olhando para ele.

- Oi – O garoto mais velho respondeu.

Henry ficou olhando para ele por alguns minutos, o analisando.

- Você é parente dela? – Perguntou, curioso.

- Não. Estou cumprindo detenção. O professor disse que eu teria que ajudar a organizar o hospital como castigo por eu ter arrumado briga.

- Entendi. – Henry se sentou em uma cadeira próxima. - Qual seu nome?

- Francis. – O outro respondeu.

- Porque você estava brigando, Francis?

- Coisa de família. Desde que meus pais desapareceram, ou morreram, nunca entendi bem o que aconteceu com eles, eu vivo com a minha madrasta e o filho dela. E bem, eles não gostam muito de mim. Acabei brigando com o meu irmão na escola hoje.

- Bem – Henry disse – Seu castigo não é tão ruim. Ficar aqui é legal e olha só, você tem uma bela paciente para cuidar.

Francis olhou para a garota desacordada.

- Quem é ela?

- Não sabemos – Henry disse – Encontraram ela ontem, perto da entrada da cidade.

- Ela é linda.. – Ele disse – Parece, não sei.. uma princesa dormindo.

Henry observou o jeito como o garoto mais velho olhava para a menina que dormia. Ele conhecia aquela expressão. Talvez... então teve uma ideia.

- Porque você não conversa com ela?

Francis franziu as sobrancelhas.

- Conversar com alguém em coma?

- Sim. Ela pode te achar bonito também.

- Mas ela não está me vendo..que ideia maluca é essa?

- Só..tente. Ta legal?

Francis franziu a sobrancelha.

- Tudo bem.. – "Menino pirado", completou em sua mente.

- Bem – Henry disse - Já que você vai ficar aqui hoje, eu vou pra casa. Minha mãe deve estar me esperando. Boa sorte, Francis.

- Obrigado. Hey, qual é o seu nome?

- Henry.

- Obrigado, Henry.

Henry saiu do hospital e remexeu em sua mochila para tirar seu livro do fundo. Se estivesse certo, talvez aquela menina fosse acordar mais rápido do que imaginava.


Floresta Encantada

Mary estava com sede e com fome. Maldita ideia fugir do castelo sem ter a mínima noção de como se virar sozinha na floresta. Será que deveria voltar ou seguir em frente?

Ela não ia desistir depois de chegar até ali.

- Argh, droga ! – Reclamou. Sua capa estava presa em um arbusto de espinhos. Ela pegou um impulso e deu um puxão com força o que fez apenas com que caísse para trás em cima de outro arbusto, machucando os braços.

- Ótimo ! – Disse.

Ela se levantou e passou as mãos na saia para tirar a terra do vestido. Seus braços estavam cheios de arranhões.

Mary caminhou até o riacho para encher a sua garrafa de água e limpar seus ferimentos que já estavam começando a sangrar. Talvez se rasgasse sua capa, ela pudesse enfaixa-los com as tiras.

Ela fechou os olhos sentada, e respirou fundo. Estava cansada de tanto caminhar para lugar nenhum. Grande fugitiva ela era.

O silêncio tomou conta de seus ouvidos. Silêncio demais.

Mary sentiu seus pelos ficarem arrepiados. Já estava escurecendo e estava muito, muito longe de casa.

Ela se levantou de um salto e ficou apreensiva. Mas quando tentou se mexer, duas mãos grandes e fortes a seguraram e cobriram sua boca.