Storybrooke

- Então, quando é que você vai acordar? – Disse Francis, olhando para a menina. Era o segundo dia dele ali e já se sentia intrigado com a historia da garota estranha. Não conseguia deixar de olhar para ela. – Eu quero ver se a sua voz é tão bonita quanto você.

Nenhuma resposta.

Francis suspirou.

- O que é que eu estou fazendo.. – Sussurrou para si mesmo. – Conversando sozinho. Se continuar assim, serei eu o próximo internado. E na ala psiquiátrica.

Ele ouviu a porta se abrir atrás dele. Alguém havia entrado no quarto.

- Como está indo? – Disse a Madre Superiora, diretora do colégio onde ele estudava.

- Ah, legal, eu acho. – Ele disse, voltando a olhar para o leito.

A Madre Superiora olhou para ele com atenção.

- Parece que você já se apegou bastante a ela, não é?

Ele franziu as sobrancelhas.

- É como se eu precisasse tomar conta dela – Ele disse – Isso é possível? Quer dizer, eu não posso ter uma queda por alguém com quem eu nunca conversei, posso?

A Madre sorriu.

- Porque não? Nem sempre as coisas devem ser explicadas por simples ciência ou razão.

- Isso não faz sentido.

- Amor faz sentido?

Francis desistiu de discutir e apenas suspirou cansado, quando a porta se abriu pela segunda vez.

- E aí? – Henry se aproximou, jogando a mochila no chão. – Já sentiu alguma coisa?

Francis ficou vermelho. Como ele sabia?

- Ela já se mexeu ou algo assim?

"Ah" pensou. "Então era dela que ele estava falando".

- Não. Tudo na mesma. Porque você não conversa com ela?

Henry fez que não com a cabeça.

- Não ia adiantar. Você vai entender.

- Não, eu não estou entendendo nada. – Francis passou as mãos nos cabelos loiros, impaciente – Porque eu tenho que ficar aqui?

- Ainda está de castigo? – Henry perguntou.

- Bem, não..

- Então porque ainda está aqui?

Boa pergunta. O trabalho voluntário era só durante algumas horas do dia anterior. Mas ele tinha decidido voltar lá por vontade própria. Francis ficou calado. Ele abriu a boca para tentar falar alguma coisa, mas não conseguiu.

- É como... – Ele suspirou – Se alguma coisa me puxasse pra ela.

- Bem, espero que consiga descobrir – Henry disse – Se você sente que isso é certo, então não desista.


Floresta Encantada

- Socorro ! – Mary gritava. Ela não conseguia ver quem estava a carregando. Era alguém muito grande, de capa negra e capuz que cobria o rosto e a impedia de vê-lo.

Ele ou aquilo, a jogou no chão.

Mary não teve coragem de olhar para cima. A criatura se aproximou e mordeu seu braço ensanguentado. Ela gritou.

Então era isso. Aquilo havia sentido o cheiro do seu sangue e agora ia matá-la. Como podia ter sido tão estúpida? Fugir do castelo por infantilidade e achar que seria fácil andar em um lugar totalmente desconhecido? Tinha sido ingênua e agora o preço a pagar seria a morte. Não ia aguentar por mais um minuto. Já estava sentindo que ia desmaiar..

Ela se assustou quando a criatura gritou. Era um grito agonizante de dor. Mary abriu os olhos e viu uma flecha cravada na coisa que cambaleava para o chão. Um garoto saltou entre eles e girou a espada tão rápido quanto os olhos dela podiam acompanhar. Em um golpe certeiro, ele cortou a cabeça do monstro.

O garoto respirava com dificuldade, cansado. Seu cabelo loiro estava despenteado e desarrumado, assim como suas roupas. Ele parecia ainda mais perdido do que ela.

- Você está bem? – Ele disse, estendendo a mão para ela. Mary percebeu que seus olhos eram muito azuis.

Ela aceitou a ajuda e ficou de pé.

- Você tem um machucado bem feio aí – Ele disse, olhando para o estrago feito no braço dela. – É melhor eu cuidar disso antes que infeccione. A propósito, o que esta fazendo aqui sozinha?

Mary olhou para ele, enquanto ajeitava suas roupas.

- Primeiramente obrigada e depois estou fugindo.

- De quem?

- Não te interessa! – Ela disse. Em seguida saiu andando.

- É isso o que eu ganho por ter salvo a sua vida? Esperava que fosse mais agradecida. Pelas suas roupas você é alguém da nobreza. Faltou à todas as suas aulas de etiqueta?

Mary corou envergonhada e parou. Ele correu até ela.

- Me desculpe. É que depois disso, vou ter que começar a desconfiar de estranhos andando pela floresta.

Ele sorriu.

- Tem razão. Meu nome é Francis.

- Mary – Ela estendeu a mão. Francis a levou aos lábios e a beijou.

- Muito prazer, Mary. Viu? Agora não somos mais estranhos.

Ela riu da brincadeira. Eles começaram a caminhar lado a lado.

- O que você está fazendo aqui? – Ela perguntou.

- Fugindo um pouco da minha vida no castelo. Minha tia e meu primo não são as pessoas mais agradáveis de se conviver.

- Odeia seu próprios parentes?

Francis sorriu amargo.

- Meus pais desapareceram há algum tempo e ninguém nunca os achou. Desde então, minha tia acabou se tornando minha tutora. Ela é como se fosse minha madrasta porque já vivemos juntos faz tempo.

- E porque não fica com eles?

- Ela é muito egocêntrica. E o filho dela, Bash? Digamos que ele herdou muito os traços da mãe. E você? – Perguntou - Por que está aqui?

- Bem, eu.. ai! – Mary reclamou. – Meu braço!

- Está começando a inchar – Francis observou. – Melhor tratar disso rápido.

Mary observou ele tirar um remédio de dentro de uma sacola. Ele pegou seu cantil e despejou água por cima de braço dela.

- Ok, isso vai arder um pouco. Mas vai melhorar, prometo.

Mary segurou um grito quando ele passou a pomada esverdeada em cima do machucado e amarrou com uma tira de pano. Francis delicadamente apoiou o braço dela em cima do joelho e observou o que havia feito.

- Acho que ficou bom.

- Também.. acho – Ela concordou. Parecia bem menos assustador agora. – O que era aquilo?

Uma sombra passou pelos olhos de Francis.

- Aquilo era a Escuridão. São monstros que habitam a floresta alimentados pelo medo. Viajantes solitários são suas maiores vitimas. Essa floresta pode ser mais perigosa do que você imagina. – Ele disse triste.

- Eu deveria ter medo de você? – Mary disse em voz baixa.

- Porque deveria? – Ele disse, unindo as sobrancelhas, confuso. - Se eu fosse te machucar, já teria feito isso em seu momento mais frágil. No entanto, aqui estou eu cuidando de sua segurança.

- E aprecio muito sua gentileza.

- É o que os cavalheiros fazem. Agora – Ele disse ficando de pé. – Vamos até a minha casa. Tenho um médico lá. Ele vai poder te dar alguma coisa para a dor.

Mary olhou para ele de soslaio. Será que ele era mesmo confiável? Esperaria que ela baixasse a guarda para atacá-la? Ela não tinha outra opção, era ir com ele ou morrer sozinha. Se acontecesse depois, não faria diferença.

- Ainda está decidindo se vai ou não confiar em mim? – Ele perguntou.

- Claro que não. – Ela disse.

Ele riu ironicamente.

- Precisa aprender a esconder melhor os seus medos se não quiser que criaturas te farejem.

Mary encolheu os ombros.

- Não sei como fazer isso.

Francis olhou para ela. Era uma garota assustada.

- Te dou a minha palavra de que tentarei de deixar segura. Se sente melhor assim?

Mary olhou em seus olhos. Pareciam totalmente sinceros. Sentiu seus ombros relaxarem.

- Sim, Francis. – Ela disse, antes de segurar na mão dele. – Estou melhor agora.


Storybrooke

- Como foi com o seu amigo hoje? – Emma perguntou, enquanto tomava uma taça de milkshake de chocolate.

- Bem, eu acho – Henry disse – Ele está começando a sentir a ligação.

- Como é que essas coisas acontecem? – Ela olhou para o nada e suspirou. – Quer dizer, como as pessoas encontram o amor verdadeiro do nada?

- Você já deveria ter aprendido com David e Margareth – Henry disse – Eles sempre se encontram, lembra?

- Sim, mas o que isso tem a ver?

- Magia, mãe – O pequeno disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

- Certo. – Emma disse. – Você é esperto, garoto.

- Aprendi com a melhor. – Ele disse, maroto.

Emma deu risada. Ele era mesmo muito inteligente.

Ela ficou olhando o filho terminar de tomar o sorvete, quando as portas da lanchonete se abriram. Henry olhou para cima e viu Francis com uma mulher mais velha e um rapaz ao seu lado.

"A madrasta e o irmão" pensou.

Ele levantou da mesa de um salto.

- Hey, garoto, onde você vai? – Emma disse, olhando ele fazer a curva entre as mesas e caminhar até o outro lado do estabelecimento.

- Oi Henry – Francis disse, bagunçando o cabelo do menor. – Como é que vai?

- Tudo bem – Ele deu de ombros. – Só passando um tempo com a minha mãe.

Ele olhou para o lado e viu que o outro menino estava encarando.

- Esse é o seu irmão?

Francis olhou para onde ele observava.

- Ah sim. Esse é Bash – Ele disse. – Meu irmão mais velho.

Bash olhou Henry de cima a baixo.

- Desde quando você fala com crianças? – Ele disse.

- Desde.. - Ele parou. Não sabia porque, mas achou que não deveria contar sobre o lance do hospital.

- Bash, o que você vai querer? – A mãe perguntou. Ela tinha os mesmos olhos verdes dele.

- Um hambúrguer, mãe.

Henry se aproximou de Francis e sussurrou:

- E como é que vai..ela?

Francis se remexeu desconfortável.

- Ainda não fui lá hoje.

- Porque não? O tempo esta passando!

- Que tempo?

- O dela!

- Dela quem? – Bash perguntou, voltando para perto dos dois. – Estão de segredinhos sobre garotas? Você não parece ter uma garota, baixinho. – Ele disse, olhando Henry. – Então o Francis tem. Desembucha, quem é ela?

- Não é nada – Ele disse – É só alguém que eu estou ajudando.

Bash não pareceu acreditar naquilo, mas não fez mais perguntas. Ele correu até o balcão para pegar seu hambúrguer.

- Não vai pedir nada, Francis? – Sua madrasta perguntou.

Ele pensou por um momento.

- Quer saber – Ele disse – Estou sem fome. Valeu, Henry!

E saiu correndo para fora.


Quando chegou no hospital, ela ainda estava lá.

Ela.

Ainda não sabia como chamá-la. Mas lembrava de uma historia sobre uma princesa que dormia, então seria princesa até que houvesse algo mais apropriado.

A enfermeira deixou que ele entrasse no quarto. Já o tinha visto lá tantas vezes, que nem precisava mais de identificação. Mas o hospital já ia fechar o horário para visitantes e naquele dia ele não teria tempo para conversas.

- Só vim te trazer um presente – Ele disse.

Francis colocou uma rosa vermelha em cima da mesinha ao lado da cama. Ele tinha comprado do senhor que vendia flores na rua, pai de uma moça simpática que trabalhava na biblioteca onde ele fazia as tarefas escolares.

A princesa ainda respirava silenciosamente, pedindo para que ele chegasse mais perto.

Francis andou até a beira da cama.

- Eu não sei se isso é certo – Ele disse – Mas me desculpe por tentar.

Ele aproximou o rosto do dela. Ela tinha cheiro de jardim. Uma combinação perfeita da melhor fragrância que ele já tinha sentido na vida.

- Durma bem, princesa – Francis disse, antes de beijá-la.


N/A: Surpresa! Capitulo no domingo ! Bom fim de semana pra todos e assistam Maleficent, é incrivel =)

xoxo,

Cami.