Floresta Encantada
- Vamos andar devagar. – Francis disse – Não vai querer ver a minha tia reclamando.
Mary riu diante do comentário. Francis era espontâneo. E com certeza não havia mencionado que morava em um castelo.
- Você trabalha aqui? – Ela perguntou, olhando em volta.
Francis olhou para ela como se ela estivesse louca.
- Eu moro aqui – Ele disse – Minha tia é a rainha.
"Mas se ela é a rainha" Mary pensou "Isso significa que.."
- Chegamos – Francis interrompeu seus pensamentos, antes que pudesse chegar a qualquer conclusão. Ele abriu uma porta pesada de madeira que dava para um escritório cheio de quinquilharias espalhadas. Um homem grande e barbudo, estava sentado misturando poções em um pequeno caldeirão em cima da mesa.
Ele levantou os olhos para os dois adolescentes que estavam na sua frente.
- Posso ajudá-los ? – Perguntou.
- Sim – Francis disse – Mary, esse é Nostradamus, o melhor médico de toda província.
- Muito prazer – Ela disse.
- É muita honra conhecê-la, jovem. – Ele baixou os olhos e só então notou o braço enfaixado da menina. – Vejo que precisa de cuidados.
- Por favor – Francis disse – Ela foi atacada na floresta. Mais uma vítima da Escuridão.
- Entendo. – Nostradamus disse, coçando a barba negra. – Bem, deixe me ver o que posso fazer.
- Obrigado, Nostradamus – Francis disse – Sabia que podia contar com você.
Storybrooke
A enfermeira bateu na porta do quarto, lembrando Francis da realidade.
- O horário de visitas já acabou. – Ela disse gentilmente, vendo que ele parecia relutante em sair dali.
- Já estou indo.
Francis olhou a rosa solitária em cima da mesa antes de se afastar.
- Hey. – Ele ouviu e parou. Uma voz fraca vinha bem detrás dele.
O garoto se virou para trás e arregalou os olhos. A garota misteriosa havia acordado.
A enfermeira também parecia assustada.
- Vou chamar o médico – Ela disse, saindo apressada.
Francis voltou a se aproximar da cama.
- Está acordada! – Ele disse, animado.
A menina o olhava confusa.
- Eu conheço você?
Francis baixou os olhos e piscou algumas vezes.
- Não. – Disse, sem graça.
Ela segurou sua mão, instintivamente. Um aperto terno e quente. Francis fechou os olhos. Era bom.
Ela olhou em volta, investigando. E então parou no rosto dele.
- Onde eu estou?
- No hospital – Ele explicou. – Você esteve inconsciente há vários dias.
Ela pareceu absorver a informação, mas olhou para ele, confusa.
- Por que? – Perguntou.
- Ainda não sabemos.
O Doutor Whale entrou na sala.
- Desculpe garoto, mas você não pode ficar – Ele disse, tocando os ombros de Francis, como se sentisse muito.
Francis se levantou.
- Eu tenho que ir. – Ele disse.
A garota olhou para ele, assentindo de leve.
Antes que saísse, ele se lembrou de uma coisa.
- Hey, como você se chama?
Ela pareceu fazer um esforço para se lembrar. Mas seu rosto se iluminou de repente.
- Mary.
Ninguém sabia quem ela era. A única coisa de que a menina se lembrava, era do seu primeiro nome. Na segunda depois da aula, Henry passou na sala de Francis e avisou que o Doutor Whale queria que ele aparecesse por lá.
- Você vai? – Henry disse – Parece que Mary irá receber alta hoje.
Francis não sabia o que responder. Ele não conhecia aquela menina direito. E a tinha beijado sem permissão. Não que ela se lembrasse. Mas ele ficou com medo de que talvez ela tivesse sim, visto o que ele fez. E se lhe desse uma bronca?
- Porque eu devo ir lá? – Ele perguntou ao menino mais novo.
- Por que ? – Henry perguntou, franzindo as sobrancelhas. – Você não quer vê-la?
"Quero" Francis quase respondeu de imediato.
Henry podia ver a indecisão em seus olhos.
- Você não me contou como ela acordou.. - Henry disse.
- Como assim? Ela abriu os olhos e pronto! – Francis disse, sem entender.
Henry balançou a cabeça de um lado para o outro.
- Não foi isso que eu quis dizer. Quero saber se você fez algo diferente que a fez acordar.
Henry queria saber como a conexão entre eles havia acontecido. Assim como Margareth e David, quando ele ainda era um mero desconhecido no leito de um hospital.
Francis ficou vermelho.
- Não quero falar sobre isso.
Os olhos de Henry se iluminaram.
- VOCÊ A BEIJOU? – Ele gritou no meio do corredor.
- Heey! – Francis disse, tapando a boca de Henry – Fala baixo, moleque!
- Desculpa. – Ele disse dando risada, não contendo sua empolgação. Sua teoria estava certa. Francis e Mary tinham uma ligação. Só restava descobrir qual. – Nós temos que ir lá. Por favor!
Francis rolou os olhos.
- Tudo bem! – Ele disse – Mas só por alguns minutos.
Henry olhou para ele, descrente. Era óbvio que estava interessado, só não queria admitir. Ele não se lembrava de nada, então era mais do que claro que estivesse confuso.
Quando chegaram ao hospital, Whale chamou Francis no corredor.
- Precisam de mim ? – Ele disse.
Whale tocou seu ombro.
- Não sabíamos mais quem chamar. A garota não se lembra de quem ela é, nem quem são seus pais ou como chegou até aqui. E ninguém procurou por ela. – Ele suspirou tristemente antes de continuar. – Tudo que sei é que ela melhorou consideravelmente com suas visitas. Como ela esta sozinha, talvez...pudesse ajudá-la a se lembrar.
Francis considerou aquilo por um momento. Por mais que não tivessem chegado a ter um contato real e suas conversas se resumissem em monólogos até ali, sentia que era a coisa certa a se fazer. Porque não?
Quando entrou no quarto, Mary estava tomando café da manhã na cama, com sua camisola enorme e branca de hospital. Ela sorriu ao vê-lo.
- Hey, você! – Ela disse, alegremente. – O menino misterioso. Pensei que não fosse mais te ver.
- Como você está? – Francis perguntou. Ele puxou uma cadeira até a beira da cama e se sentou ali.
- Bem, eu acho. Me disseram que vou poder ir pra casa hoje. – Ela sorriu por um instante. Então ficou séria. – O problema é que não sei onde moro..me disseram que nunca me viram na cidade. É como se eu simplesmente tivesse surgido do nada. Não é estranho?
- Estranho é pouco pra definir este lugar – Ele respondeu. – Às vezes eu sinto como se não pertencesse a nenhum canto daqui.
Mary assentiu, entendendo.
- Então, me conte – Ela se ajeitou na cama – Porque você vinha me ver?
Francis foi pego de surpresa. Não iria saber explicar tudo sem se envergonhar.
- Bem – Ele disse. – Tudo começou com uma briga entre eu e o meu irmão no colégio...
- Ah, então você é um valentão?
- Não ! – Francis disse rápido – Nós costumamos nos desentender bastante. Ele não é meu irmão de verdade, sabe? É filho da minha madrasta. Meus pais..
Ele se calou e baixou os olhos, sem continuar.
- Sinto muito. – Mary disse. E segurou sua mão.
Francis teve de novo aquela sensação de conhecer aquele aperto.
- Tudo bem. – Ele disse. E então suspirou antes de continuar. – Bem, o meu professor de biologia me deu uma detenção e disse que eu teria de ser voluntário por um dia no hospital. Então, aqui estou eu.
Mary pareceu desapontada. Ela fez um muxoxo com os lábios.
- Então eu sou só um castigo?
- O que? Claro que não! – Francis disse – Continuei vindo aqui todos os dias para ver você.
- Porque?
Francis respirou fundo e piscou algumas vezes, nervoso.
- Porque...eu não sei.
Eles se olharam por um momento. Mary sentiu seus lábios se abrirem enquanto notava o quão azuis eram os olhos dele. Ela podia ver seu reflexo neles. Era engraçado, como se estivesse na beirada de uma riacho. Sentiu vontade de tocá-lo e sua mão se ergueu devagar sem que percebesse. Mas os dois ouviram batidas na porta e ela baixou a mão rapidamente.
Uma menina enfiou a cabeça pra dentro do quarto.
- Posso entrar?
