Floresta Encantada
Enquanto Mary estava sob os cuidados de Nostradamus, Francis foi até o corredor encontrar sua tia, a rainha Úrsula, que havia pedido a ele que a encontrasse imediatamente.
- Estou aqui – Francis disse, caminhando rapidamente até ela. Ele ficou com uma cara preocupada quando viu a expressão da tia.
- Trago más noticias, querido.. – Ela disse, falsamente triste.
- O que aconteceu?
- A viagem da sua noiva irá atrasar. Acabei de receber esta carta dos pais dela. – Disse, mostrando o papel em suas mãos.
Francis havia se esquecido disso. Seus pais tinham feito um acordo com um reino próximo quando ele nasceu, para que se casasse com a filha deles quando chegasse a idade de ser rei.
- Eles disseram o motivo do atraso?
- Parece que ela se perdeu pela caminho – Ela disse. – Acham que pode ter sido raptada por inimigos da oposição e a qualquer momento ela pode ou já deve estar..bem..em uma situação não muito boa.
Francis não tinha certeza de que aquilo era verdade. Úrsula estava na regência há tempos e não escondia seu desprezo em saber que perderia seu trono para seu sobrinho e não para seu filho, Bash. Ou ela estava mentindo ou era a responsável pelo desaparecimento da princesa.
- Bem, avise a eles que mandarei alguém para procurá-la – Francis disse.
- Querido, isso não será necessário – Úrsula disse – Mandei seu irmão agora a pouco. Sabe que ele é muito mais competente nesse quesito. Sem ofensas.
- Tudo bem – Francis disse, sem muita convicção. – Mais alguma coisa?
- Não, era só. - Ela fez um sinal com as mãos, como se o quisesse fora dali. A rainha parecia entediada.
Francis estava torcendo para que Bash não encontrasse a princesa. Se ele a trouxesse para Úrsula, ela estaria em maus lençóis.
Storybrooke
A menina que estava parada na porta era Ruby. Francis a conhecia da lanchonete onde costumava ir várias vezes depois da aula.
- Posso entrar? – Ela disse.
Ruby invadiu o quarto sem esperar resposta. Trazia um cestinho na mão e um sorriso radiante no rosto.
- Eu trouxe pra você – Ela disse, estendendo o cesto para Mary. - Minha vó que mandou.
Então baixou a voz e sussurrou:
- Todos sabem que comida de hospital não é lá essas coisas...
Mary e Francis riram ao ouvir aquilo.
- Mas o que eu vim mesmo fazer aqui, é oferecer um quarto pra você. Minha avó é dona de uma pensão e disse que você pode ficar lá o tempo que quiser. Sabe, eu também não tenho pais, sei como é se sentir sozinha.
Francis encolheu os ombros. Ele também sabia.
Mary percebeu que ele havia ficado desconcertado.
- Ele pode ir me ver? - Ela perguntou.
Ruby olhou para ele, parecendo perceber só naquele momento a presença do garoto.
- Oh! – Ela piscou surpresa - Bem.. por mim tudo bem. Só não deixem a vovó saber, é proibido namorar nos quartos! - Disse, entre risos. - Mas você tem cara de ser bonzinho!
Mary ficou vermelha. Francis deu uma risada baixa.
- Eu disse alguma coisa errada? – Ruby disse alto.
Francis estava sorrindo. Ela sorriu de volta.
- Parece que não! – Ruby disse feliz.
Depois que Ruby saiu com Mary, Francis foi para a recepção e viu sua madrasta gritando com Archie, o psicólogo que vinha perguntar por pacientes que talvez pudesse vir ajudar.
- Eu não quero meu enteado neste lugar! – Ela dizia, impaciente.
- O que está acontecendo? – Francis disse, se aproximando.
- Ah, aí está você ! – Ela disse brava. – O que está fazendo aqui? Era para estar em casa há horas!
- Ele só estava ajudando uma paciente. – Archie disse tranqüilo.
- Me desculpe, mas eu me dirigi a você? – Ela cortou.
- Não, senhora. – Ele baixou a cabeça.
- Eu já estava saindo, Úrsula – Disse Francis – Não precisa se alterar.
Ela agarrou a manga de seu casaco e o arrastou para fora.
- Desde quando você é voluntário? Pelo visto não estou te dando trabalho suficiente em casa. – Ela dizia, batendo os saltos no chão enquanto caminhava. – Além de me dar despesas, passa a tarde vadiando.
Eles saíram pela porta do hospital passando por Henry que estava sentado em um dos bancos esperando que Francis saísse. Quando viu que ele estava com a madrasta, ficou com medo de falar alguma coisa e deixou que os dois passassem pela porta sem interromper.
Francis estava cansado de Úrsula. Ele sabia que havia uma menina na cidade que também havia sofrido um bom tempo com a madrasta até se casar e conseguir se mudar. Mas ele era menor de idade, o que significava sem liberdade por algum tempo.
Úrsula abriu a porta de casa e o empurrou para dentro. Francis subiu as escadas para o quarto sem falar nada.
Ele olhou pela a janela em direção a rua. De lá, ele podia ver a 'Pensão Da Vovó'. Ficou imaginando o que Mary estaria fazendo agora. Com certeza estaria bem melhor do que ele.
Floresta Encantada
- Então, o que achou? – Francis disse.
Mary olhou para suas roupas. Estava com um vestido de camponesa simples e bonito.
- Esta perfeito. – Ela disse, passando a mão na saia para ajeitá-la.
- Não é muito mas, é bom para passar despercebida. Sei que é isso que quer.
- Obrigada, Francis – Mary disse. Ela se sentou ao seu lado. – Você acolheu uma estranha em sua casa de bom grado.
- Não precisa me agradecer. – Ele disse. E então olhou para cima. – Esse é o meu lugar favorito de todo o castelo.
Mary acompanhou seu olhar. Eles estavam no terraço e já estava bastante escuro e silencioso. Ela conseguia ver as estrelas fazerem um caminho de prata pelo céu.
- Sabe por que? – Francis continuou – Porque quando venho aqui, fico imaginando que vida eu teria se não fosse quem eu sou.
- Não é único que não gosta de ser quem você é. – Mary disse.
- Foi por isso que fugiu? – Ele perguntou.
Ela sorriu, ainda olhando para cima.
- Foi... – Respondeu sonhadora. – Aqui é mesmo bonito..
Uma lágrima escorreu pelos seus olhos.
- Sinto falta dos meus pais... – Mary disse. – Mas não posso voltar. E a floresta com aquelas criaturas, eu..
Francis tocou seu rosto de leve, pegando uma lágrima com a ponta dos dedos.
- Você sabe que minha promessa ainda está de pé. Esta segura comigo. Sempre honro minhas palavras.
Mary soluçou e deitou a cabeça nos ombros dele e seus dedos se entrelaçaram. Ela levantou a cabeça e se aproximou dele.
- Mary.. - Francis disse. – Eu não posso.
Ela se afastou devagar.
- Porque não? – Ela estava desapontada.
Francis respondeu:
- Porque eu estou noivo.
Pareceu doloroso para ele dizer aquilo.
- Oh ! – Foi tudo que Mary disse. Ela tirou sua mão da dele e se abraçou.
- Me desculpe, eu não queria te deixar sem jeito. – Ela respondeu.
Francis riu baixinho.
- Entendeu o que eu quis dizer? Está tudo planejado para nós. Mas não é por isso que devemos nos conformar. Resolverei isso o mais breve possível porque não posso fazer isso. Não posso me casar com alguém que não amo.
- Você tem um coração bom para pensar assim. – Mary disse.
- Quando se convive com pessoas que deixaram sua humanidade de lado para ficarem cada vez mais poderosas, você aprende que amar te trará muito mais felicidade.
Eles trocaram um olhar cúmplice. E como se fossem donos do destino, apenas por um momento, eles se beijaram.
Mal sabiam eles, que tudo estava acontecendo exatamente do jeito que deveria.
