Storybrooke

- Achei! – Henry disse. – Ele estava olhando seu livro na mesa de jantar, enquanto sua mãe preparava algo para comerem.

- Achou o que? – Emma perguntou.

- A história da menina do hospital! Ela é filha da rainha Aurora e ia se casar com o príncipe Francis. É por isso que eles se sentem ligados, porque eram noivos na floresta encantada!

Emma rolou os olhos.

- E como é que você vai contar isso pra eles? Henry, eles devem ter uns quinze anos. Ninguém se casa com quinze anos na vida real!

- Mas eles não vão se importar quando conseguirem se lembrar! Já está tudo escrito, bem aqui!

Emma resolveu não discutir.

- Tudo bem, garoto, como quiser.

Henry comeu seu jantar inquieto, folheando as paginas do livro. Na história, uma bruxa má, havia amaldiçoado Mary quando ela ainda era um bebê, assim como havia feito com a mãe dela anos antes. Quando ela chegasse aos dezesseis anos, uma coisa muito ruim iria acontecer. Ele continuou lendo a história enquanto Emma tirava a mesa. Talvez ali ele encontrasse uma explicação para tudo que estava acontecendo com aqueles dois.


Floresta Encantada

- Espero que tenha um bom motivo para ter me chamado. – Disse a rainha, entrando no escritório de Nostradamus.

Ele estava de braços cruzados, com um olhar preocupado no rosto.

- Infelizmente, tenho más noticias, Malévola. – Disse ele.

- Não me chame de Malévola! – Disse a rainha. – Não uso mais esse nome. Todos pensam que sou Úrsula, uma parente distante da Ariel. Pobres coitados. Não sabem que ela está em um mundo miserável e que todo o reino dela agora é meu!

- Sim, majestade – Nostradamus abaixou a cabeça. Embora a mulher fosse muito menor do que ele, seu poder o diminuía.

- O que tem para me contar? – Ela disse. – Vamos, não tenho o dia todo!

- Lembra-se da profecia? De que um dia uma garota iria destroná-la?

Úrsula ficou tensa.

- Claro que me lembro. Todos os dias, aliás. Porque você acha que não deixarei que Francis se case? Ele é o herdeiro legítimo. Sou apenas uma regente, e assim que ele se casar com aquela princesinha, meu reino estará no chão. A boa noticia é que ela está morta. Sabia que viria para cá e mandei a Escuridão para matá-la.

Nostradamus suspirou tenso.

- Temo que isso não seja verdade – Disse.

- Como não? – Úrsula disse, exasperada. – O que você vê?

- Ela não está morta. – O homem disse, balançando a cabeça negativamente. – E está mais próxima do que nunca.

A rainha estalou os dedos. Nostradamus podia ouvir o barulho e sentir o ódio exalar pela sala.

- Nesse caso – Ela disse – Terei de dar um jeito nisso.


Floresta Encantada

- Abaixe mais o ombro. – Francis disse. Sua mão tocou o braço de Mary enquanto a outra a abraçava pela cintura. – Agora solte.

Mary sentiu a flecha passar zunindo por sua orelha e acertar quase no alvo. Ela deu um gritinho de empolgação.

- Isso foi muito bom ! – Francis disse, satisfeito. Ele deu um sorriso para Mary. – Você aprende rápido!

- Eu tenho um professor muito dedicado. – Ela disse, abaixando o arco no chão para tocar o rosto dele. – Tem certeza de que não estou diante do deus Apolo?

Ele deu uma gargalhada alta, se inclinando levemente para trás. Mary observava seus cabelos tão dourados e brilhantes quanto o sol que refletia em seus corpos e depois olhou dentro de seus olhos muito azuis.

E ele a beijou novamente. Ultimamente, essa era uma das únicas coisas que andavam fazendo.

Francis viajaria para resolver seu noivado dali há pouco tempo e quando voltasse, ele esperava que fosse para um novo casamento. Já tinha certeza de que era ela quem ele queria, não importava quem fosse.

Sabia que Mary tinha alguns problemas com seus pais, pois até hoje não havia comentado quem eram, mas para ele isso não importava. Não era como se seus próprios familiares fossem a definição de amáveis. Se pudesse, fugiria naquela hora mesmo e a levaria para bem longe dali. Mas não podia abandonar seu povo nas mãos de Úrsula.

Tinha um dever a cumprir. E esperava que Mary o ajudasse a ser feliz com isso.


Storybrooke

- Não é o fim do mundo tirar uma nota ruim na prova, Francis – Bash disse, enquanto saiam da sala.

- Fale por você. – Francis respondeu - A sua mãe vai me matar!

Ele abriu a mochila para guardar a prova com um ar irritado.

- É só estudar mais da próxima vez. – Bash deu de ombros. Ele olhou para frente. – Hey, aquela não é a sua namoradinha do hospital?

Francis olhou na direção em que seu irmão apontava.

Mary estava parada no corredor, com alguns livros na mão. Ele foi até ela,apressado.

- Oi – Ele a cumprimentou - O que faz aqui?

Ela olhou para os lados sem graça e deu um sorriso tímido.

- A avó da Ruby acabou de me matricular – Ela disse – Mas estou atrasada, pois as aulas já começaram. Queria conversar com você e ver se podia me ajudar. Você pode?

O garoto abriu um sorriso.

- Claro que sim! – Ele disse.

Mary suspirou aliviada.

- Muito obrigada ! – Ela disse – Tirando você e a Ruby, eu não conheço mais ninguém. E ela trabalha na lanchonete, não queria atrapalhar.

- Sem problemas. Pode passar na minha casa depois da aula e de lá a gente vai para a biblioteca. Está bom pra você ?

Mary demorou alguns segundos para responder. Ela se xingou internamente por ficar olhando para a boca dele. Porque estava fazendo isso?

- Está perfeito. – Ela procurou dizer rapidamente e fez um olhar estranho, piscando várias vezes como se tentasse sair de um encanto.

- Está tudo bem? – Francis disse, preocupado.

- Eu não sei.. – Ela olhou para baixo e ajeitou os livros embaixo do braço. – Te vejo depois.

Mary saiu andando rápido trombando em vários alunos.

- Espera aí! – Francis disse. Mas ela não olhou para trás.

- Que garota estranha você foi arrumar. – Bash disse atrás dele.

Francis se assustou.

- Há quanto você está aí?

- Há alguns segundos. Estava conversando com aquele seu amiguinho, filho da xerife. Ele é um garoto engraçado. Disse que precisava falar com você.

- Henry ? – Ele perguntou. – O que é que ele queria?

- Não sei. – Bash respondeu. – Não me disse.


- Você saiu correndo? – Ruby disse caindo na gargalhada. – Ai, Mary você é tão desajeitada!

Mary sentiu seu rosto esquentar de vergonha.

As duas estavam sentadas na cama, comendo rosquinhas da vovó, com café. Estavam deliciosas por sinal.

- Eu sei, sou uma idiota! – Ela disse, enterrando o rosto nas mãos.

Ruby tocou seus ombros.

- Pelo menos você foi até ele. – Ela disse – Isso foi muito corajoso.

Mary olhou para a amiga mais velha.

- Não, não foi. – Ela disse – Você é a corajosa. E sedutora! Os caras babam em você! Já vi isso na lanchonete.

Ruby sorriu convencida, destacando os dentes brancos nos lábios vermelho-sangue e jogou os cabelos para trás.

- Isso pode até ser verdade. – Ela disse. – Mas é o meu jeito. E você não precisa mudar o seu para um cara te notar. Aliás, nem precisa. Ele parece ter se apaixonado por você antes mesmo de ouvir a sua voz! Isso é tão lindo...

Mary não sabia se aquilo era verdade.

- Você já se apaixonou por alguém? – Ela perguntou baixinho.

O sorriso de Ruby desapareceu de seu rosto lentamente e seu olhar se tornou sombrio.

- Sim – Ela disse – Mas já faz tempo.

Mary franziu as sobrancelhas diante da resposta e do rosto de Ruby ao se lembrar daquilo. Era óbvio que não havia sido bom.

Ela ficou com medo de perguntar. Mas Ruby viu a curiosidade em seus olhos.

- Não acabou bem. – Disse por fim.

Ela viu que Mary ficou assustada. Uma expressão de angústia tomava seu rosto. Ruby imediatamente segurou em sua mão.

– Mas não quer dizer que o mesmo irá acontecer com você. – Se apressou em dizer. - Há muitas pessoas que conseguiram seus finais felizes aqui em nessa cidade e você também vai ter. Confie em mim.

Mary esperava que aquilo fosse mesmo verdade.


N/A: Pra quem já viu OUAT ,ja sabe da história da Ruby com o antigo amor dela, Peter. Quem ainda não viu, não posso contar aqui porque seria um big spoiler..mas fica a dica pra quem ainda não conhece a série =D