Storybrooke
- Como eram seus pais? – Mary perguntou. Ela e Francis estavam caminhando em volta do lago, depois de estudar com a ajuda da bibliotecária, Bela.
- Para dizer a verdade, eu não me lembro. – Francis disse. Apertando sua mão mais forte. – Queria poder te ajudar a se lembrar, mas eu também não consigo.
Mary suspirou.
- Não é estranho? – Ela disse. – Quer dizer, as coisas neste lugar não fazem sentido.
Francis sorriu tristemente.
- Acho que nada faz sentido. – Ele respondeu. – Mas estaria mentindo se dissesse que você não trouxe um pouco mais de direção para tudo que sinto.
Mary parou de caminhar.
- Não sou só eu que tenho a impressão de já te conhecer, não é? – Perguntou. – Porque não consigo me lembrar da minha família e nem encontrá-los, mas quando olho em seus olhos, porque eles me parecem tão familiares?
O garoto deu de ombros, se sentando na grama e olhando para frente. Mary se sentou ao seu lado.
- Acredita em vidas passadas? – Ele perguntou. – Li isso em um dos livros da biblioteca uma vez.
- Me conte. – Mary pediu.
- É como as almas se encontrassem toda vez que renascem. Como destino. É algo em que você acreditaria?
Foi a vez dela dar de ombros.
- Estou aberta a opções. Não acho que temos de usar a razão ou fatos comprovados para tudo. Sentimentos por exemplo. Não acho que dá para explicar e nem sequer devemos tentar conseguir uma explicação racional para eles. Devemos apenas...sentir.
Francis pensou um pouco sobre aquilo.
- Talvez faça sentido.
Ela suspirou enquanto olhava para o lago. Ele segurou sua mão outra vez.
- Você vai encontrar seus pais, Mary. Se for verdade, se nos conhecemos mesmo de um outro lugar e você voltou para mim, então não perca a esperança.
Ela procurou acreditar naquilo, enquanto olhava seus reflexos lado a lado na água. Pareciam bem juntos. Parecia certo.
Ele também olhou para a água e sorriu, dando um beijo na testa dela em seguida. Mary deitou a cabeça em seus ombros.
De alguma maneira, se sentia bem ali.
Floresta Encantada
- Mãe – Bash disse – Francis vai partir. Ele vai atrás da princesa agora mesmo.
- Atrás dela? – Úrsula perguntou, furiosa.
- Sim. Ele sente que é seu dever encontrá-la e entregá-la para os pais em segurança.
- Eles não podem se encontrar. – Úrsula disse – Ou vai tudo por água abaixo. Impeça-o!
- Sim, senhora!
Bash correu até o quarto de Francis. Talvez pudesse amordaçá-lo e prendê-lo. Se não conseguisse impedi-lo, as consequências acabariam sendo as piores.
Ele abriu a porta e se surpreendeu. Não era o dono do quarto quem estava lá.
Mary pulou de susto ao ver o estranho olhando para ela.
- Mas que surpresa... – Bash disse, entrando no aposento. – Olha só quem eu finalmente encontrei!
- Não se aproxime! – Mary falou.
- Há quanto tempo está aqui? – Bash perguntou.
- Há algum tempo. – Ela disse. – Ninguém aqui sabe quem eu sou. Nem mesmo Francis.
- É por isso que ele saiu atrás da princesa? Para desfazer o noivado? Mal sabe ele que está com a própria noiva bem embaixo do nariz! - Ele riu irônicamente.
A boca de Mary se abriu.
Esse tempo todo...Francis disse que estava noivo, mas não disse de quem. E ela foi idiota o bastante para não perceber que se ele era da realeza, poderia ter ligado os pontos.
Francis era dela e ela era dele desde o princípio. E nenhum dos dois sabia.
Bash se aproximou e agarrou seu braço.
- O que vai fazer comigo? – A princesa perguntou, assustada.
- Vamos fazer uma visita à minha mãe.
Storybrooke
Na manhã seguinte, quando Mary chegou na pensão depois da aula, ela encontrou a vovó conversando com a prefeita Regina e um homem estranho, que ela nunca havia visto antes.
- Aí está você ! – Ele disse, quando viu que ela estava parada na porta. Estava com um sorriso no rosto. – Minha menina !
Mary piscou várias vezes. Do que ele estava falando?
Regina se aproximou da garota confusa.
- Mary, este é o seu pai. Ele veio te buscar.
Mary arfou. Seu pai? Ele a tinha encontrado? Seus olhos se encheram de lágrimas. Ela nem teve tempo de pensar; correu e abraçou o estranho a sua frente. Ele passou as mãos pelos seus cabelos.
- Como você está? – Ele perguntou.
- Feliz! – Ela disse.
O homem sorriu para vovó e Regina. Ele tirou a carteira do bolso.
- Pela estadia da minha filha – Disse, oferecendo o dinheiro para a dona da pensão.
- Muito obrigada! – Vovó disse – Mas não foi incomodo nenhum. Mary é tão doce que parece uma princesa!
Os olhos do homem brilharam de satisfação quando ela disse isso.
- Mary – Falou, virando-se para ela. – Porque não vai fazer as suas malas? Temos de pegar o avião em uma hora.
Avião? Ela pensou, confusa. Ele ia levá-la embora?
Mary logo pensou em Francis. Não podia deixá-lo. Mas também não podia deixar seu pai.
Ela acenou com a cabeça concordando e subiu as escadas. Se arrumasse as suas coisas rápido, talvez pudesse encontrar um tempo para se despedir.
Ruby estava chorando.
- Vou sentir tanta saudade ! – Ela disse, enquanto ajudava a dobrar as roupas na mala.
Mary a abraçou.
- Eu também vou sentir sua falta, Ruby!
Ruby soluçou e enxugou os olhos.
- Mas e quanto a Francis? Vai mesmo deixá-lo?
Mary sentiu as lágrimas virem aos seus olhos.
- Eu sei ! – Ela respondeu – Mas talvez ele entenda. Ele também queria que eu encontrasse minha família...
- Mary...
Os ombros dela começaram a tremer.
- Não quero deixá-lo, Ruby ! – Ela chorou. Ruby a abraçou outra vez.
- Porque não vai até ele? Deixa que eu termino de arrumar as suas coisas.
- Faria isso? – Mary falou, passando as mãos no rosto vermelho.
- Claro! – Ruby disse, rolando os olhos. – Agora vai! Mas primeiro arrume essa cara!
Mary conseguiu dar uma risada. Ruby era mesmo uma figura.
Francis não entendeu quando Mary lhe disse que estava deixando a cidade.
- Isso é pra sempre? – Ele perguntou. – Quer dizer, eu nunca mais vou ver você?
Mary segurou sua mão.
- Posso vir te visitar, se quiser – Ela respondeu. É claro que ela viria.
- Não é a mesma coisa – Francis disse. – Por favor, peça ao seu pai para ficar!
Mary franziu as sobrancelhas, inconsolável.
- Não acho que isso será possível...ele tem uma vida lá.
- Mas.. isso não é justo! – Francis falou, tocando seu rosto com os dedos. Ele encostou a testa na dela. – Prometa que vai voltar pra mim um dia.
Mary sorriu tristemente.
- Eu vou.
