Floresta Encantada
Francis cavalgou o mais rápido que pode para o castelo. Quando adentrou os muros, pulou do cavalo e correu pelos corredores.
- Mary ! – Gritava.
Malévola apareceu em sua frente.
- Onde você estava? – Perguntou, seu rosto demonstrando uma falsa preocupação.
Francis estava impaciente. Queria passar por ela o mais depressa possível.
- Tenho que fazer uma coisa. Se me der licença..
Malévola se postou em sua frente.
- Está procurando sua Mary? Ou devo dizer a princesa?
Ah não... Francis pensou. Ela já sabia.
- Onde ela está? – Ele perguntou.
- Bash ! – Malévola gritou – Traga sua noiva até aqui.
- Mas... O QUE? – Francis disse transtornado.
Bash caminhou até os dois com Mary ao seu lado. A menina olhou para eles.
- Mary.. – Francis disse – O que aconteceu?
Seus olhos alcançaram os dela, mas não conseguiram ver nada.
- Desculpe - Ela disse, com a voz baixa e calma. - Como sabe meu nome?
- Como assim, como sei seu nome? – Francis perguntou – Você..
Ele parou. Ela olhava para ele com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse vendo-o pela primeira vez. Como se não lhe fosse familiar.
Ele olhou para Malévola.
- O que você fez? O QUE FEZ COM ELA?
- TIREI O AMOR DE SEU CORAÇÃO! – Ela gritou – Ela não sabe mais quem é você, não se lembra mais de que o amou!
- Não...
- Sim... – Ela continuou – Você e ela vão sofrer com isso e vou poder ver em seu olhar a sua dor por ter perdido o seu grande amor..
Mary tinha o olhar perdido, como se não ouvisse nada do que estavam falando. Estava claramente enfeitiçada.
Francis sentiu lágrimas queimarem seus olhos.
- Porque você quer isso? – Ele perguntou – Por que?
- Porque vou dar ao meu filho todo o poder que ele quiser! E você ficará sem nada!
Malévola se afastou, sendo seguida por Bash, com Mary ao seu lado.
Francis caiu de joelhos no meio do corredor. Podia sentir sua dor ecoar pelas paredes.
Estava sozinho.
Storybrooke
Emma tinha trabalhado o dia todo naquele caso, mas não tinha sido em vão. Henry e Francis tinham razão. Aquele homem não era o pai verdadeiro de Mary. Depois de pedir ajuda ao Senhor Gold, ela encontrou um nome: Jafar Sutan. Ela procurou, mas ele não ter registros em lugar nenhum. - Porque ele estava trás da garota? – Ela pensou alto. – Deve ter alguma coisa por trás disso.
Ela organizou os papeis inúteis e os numa gaveta, Emma saiu da delegacia com a intenção de ir a casa de Francis, para avisar que ele estava certo e que precisavam buscar Mary imediatamente.
Só esperava que ela já não estivesse longe demais naquele momento.
Depois do encontro com Emma e Henry, Francis foi direto para casa. Estava com vontade de chorar. Havia certos momentos em que dizíamos que estava tudo bem, mas não conseguimos fazer isso a vida toda. Uma hora tudo desaba e nos leva como uma enxurrada.
Ele abriu a porta e sentiu cheiro de comida. Sua madrasta deveria estar preparando o jantar.
- Você chegou! – Ela disse e passou a mão nos cabelos loiros do menino. – Estava preocupada! Soube da sua amiga e sei que deve estar triste.
Francis apenas afirmou com a cabeça e se sentou em uma das cadeiras.
- Fiz um lanche especial para você hoje. Para te animar um pouco.
Francis olhou para a madrasta que se ocupava em tirar um bolo do forno. Ela o colocou em um prato, partiu um pedaço e colocou na sua frente.
- Coma um pedaço. Tem gotas de chocolate e eu sei que adora.
Isso era estranho.. ela nunca tinha sido tão compreensiva com ele até aquele momento. Mas não ia julgá-la. Talvez Úrsula tivesse um pouco de compaixão escondida dentro dela.
Ele levou o garfo à boca. Estava um pouco quente, mas ele não se importava. Qualquer coisa que o levasse para longe da tristeza que estava sentindo já era um alívio. Ele sentia seu coração doer tanto que preferia queimar a língua para distrair a mente com uma dor que não fosse tão pesada.
- O que foi? – Perguntou Úrsula. Ela deixou o pano de prato na bancada da cozinha e olhou bem para ele.
O garoto deixou o garfo cair. Ele ouviu o objeto fazer um barulho agudo ao tocar o chão.
- Esta doendo.. – Ele disse tocando o peito.
- Eu sei, querido – Úrsula disse. – Mas logo vai passar.
Francis sentiu que estava escorregando da cadeira. Não podia ser possível que estivesse se sentindo tão mal, que a dor no peito se transformasse em física. Mal conseguia manter os olhos abertos.
- O que... – Tentou dizer. Mas já estava desacordado antes de cair no chão.
Úrsula suspirou, como se seu trabalho estivesse feito. Ela pegou sua bolsa e saiu da cozinha, deixando o menino desmaiado no mármore frio.
Mary estava no banco de trás do carro, pensando no que deixara para trás. Em tão pouco tempo, havia feito uma amiga e conhecido um amor. Estava começando a sentir que Storybrooke era seu lar. E agora ela ia deixar tudo para trás.
- Vai demorar muito? – Ela perguntou.
Seu pai olhou para ela pelo retrovisor.
- Já estamos chegando – Ele garantiu.
- Chegando? – Mary perguntou – Mas ainda nem saímos da cidade...
- Eu sei - Ele disse. E então parou o carro bruscamente.
Estavam perto de uma casa abandonada, no meio do bosque. Ele saiu e abriu a porta de trás.
- Saia! – Ordenou.
Mary olhou para ele sem entender.
- O que está acontecendo? – Perguntou horrorizada. – Pai?
Ele agarrou-a pelo braço e a tirou para fora do automóvel.
- Não sou seu pai! – Ele disse secamente. – Agora seja obediente e ande. Não tente nenhuma gracinha!
Mary saiu e caminhou rapidamente, não sem antes olhar para trás e ver que um cajado em forma de serpente havia se materializado por entre os dedos dele.
A serpente tinha olhos vermelhos e parecia ver através dela.
O homem abriu a porta da casa violentamente e a empurrou para dentro. Mary sentiu alguém segurar seu braço.
- Amarre-a, Úrsula.
Mary olhou para cima e reconheceu a madrasta de Francis.
- O que está fazendo aqui?! – Perguntou chocada.
- Fique quietinha, docinho. – Úrsula mandou. Ela passou uma corda pelas mãos e pés de Mary e a sentou em um canto da sala bagunçada. - O que vamos fazer com ela?
Jafar olhou para Úrsula.
- Você não irá fazer nada, querida – Ele disse – Já atrapalhou demais o meu caminho.
- Do que é que você está falando? – Úrsula disse.
- O reino será meu desta vez – Jafar falou, decidido. - Você me baniu do reino encantado para Agrabah. Foi um erro pensar que agora eu a ajudaria.
Antes que Úrsula pudesse fazer alguma coisa, ele atravessou seu bastão de serpente no corpo da mulher.
Mary gritou ao vê-la cair sem vida no chão. Ela começou a chorar.
- Não fique assim, pequena. – Jafar disse – Logo você irá me ver reinar. Talvez possa ser minha súdita e limpar meus sapatos. O que acha?
- VOCÊ É LOUCO! – Ela gritou – DO QUE ESTÁ FALANDO?
Jafar olhou para ela num misto de confusão.
- Você não sabe ? – Ele perguntou. – É claro. Malévola deve ter dado um jeito nisso.
- Quem é Malévola? – Mary perguntou chorando. Estava nas mãos de um psicopata maluco.
- Ninguém que nos interesse mais. – Ele respondeu, olhando onde a mulher estava caída.
- É uma questão de tempo até Francis morrer. E quando ele morrer, eu vou ser rei.
- Francis? – Mary se desesperou – O que fez com ele?
- Neste momento – Jafar disse – O coração dele está quase parando. É uma pena que você irá perder seu ultimo suspiro. E não irá poder fazer nada.
- Não... - Mary fechou os olhos.
- Sofra ao viver com isso. Pois irá perder o seu grande amor...
