Storybrooke

Emma correu até a casa do amigo de seu filho e achou a porta aberta. Ela entrou e ouviu um barulho vindo da cozinha. Quando chegou até lá, encontrou Bash chorando ao lado do irmão caído.

- O que aconteceu? – Ela se abaixou ao lado do menino.

- Eu não sei ! – Bash respondeu – Quando cheguei em casa, ele estava assim! Não consigo acordá-lo!

- Tudo bem, temos que ter calma! – Emma disse – Estou pedindo uma ambulância.

Ela discou rapidamente para o hospital. Depois fez uma segunda ligação.

- Ok, eu vou acompanhar o seu irmão até a emergência. E você vai com a Ruby atrás da Mary.

- Mary? – Bash perguntou, confuso.

- Não sei quem a levou, mas não era o pai dela. Ela está em perigo!

- Mas o que eu posso fazer?

Emma segurou Bash pelos ombros.

- Prove que existe bondade dentro de você. Salve-a e ela poderá salvar o seu irmão.

Bash olhou nos olhos de Emma. Ele viu que ela falava sério.

- Certo. – Ele disse.

- Ótimo! – Emma respondeu – Vá, Bash e seja um herói.


Floresta Encantada

No castelo, os preparativos para o casamento estavam deixando a tristeza de Francis ainda mais profunda. Aquilo era simplesmente uma tortura sem fim.

Não aguentaria ver Mary se casando com seu primo. E não iria deixar.

A cerimônia aconteceria à meia noite e ele iria aparecer, mesmo que Malévola tentasse impedi-lo. Faltavam apenas alguns minutos.

Bash já estava lá, de pé, perto do altar montado na sala do trono. Ele viu quando Francis entrou e seus olhos brilharam de satisfação ao ver a raiva estampada em seus olhos.

Francis desembainhou a espada que estava nas mãos da armadura na parede. Bash riu.

- Você vai me matar?

As mãos de Francis tremiam. Ele respirava rápido. Não conseguiria fazer isso.

- Você é fraco. – Bash disse – Não seria um bom governante. Já eu, sou ambicioso sei como usar o poder. E ao contrário de você, não tenho compaixão. Se tem uma coisa que aprendi com o meu pai, é que para se conseguir o que quer, não pode se importar com ninguém. Amor...traz fraqueza!

Francis não percebeu o rápido movimento de Bash até agonizar de dor e sentiu seu peito doer quando ele arrancou seu coração. Ele o viu brilhar em vermelho até começar a se desfazer aos poucos.

Ele olhou Francis cair no chão a sua frente.

- NÃO !

Bash olhou para a porta. Mary estava lá, olhando para tudo com uma expressão de terror no rosto.

Ela se lembrou de tudo.

Se lembrou no momento em que ele havia sido atingido, porque sentiu uma dor tão imensa em seu coração, que não podia suportar.

Seu Francis estava morrendo.

Ela correu até ele, chorando e se ajoelhou ao seu lado.

- Saia ! – Ela ordenou a Bash – Saia daqui !

Bash se afastou dos dois e saiu pela porta, para dar a noticia à sua mãe.

Mary chorava no peito de Francis.

- Por favor, por favor, não me deixe...

Ele levantou a mão e acariciou os cabelos dela.

- Me desculpe por não ter chegado a tempo. – Ele disse – Eu poderia ter te dado um final feliz...

- Não diga nada – Ela dizia em meio às lagrimas. – Só fique comigo, por favor..

Ela sabia que seria em vão. Não lhe restavam mais do que alguns minutos de vida.

Ela fechou os olhos e pediu desesperadamente que não o deixassem morrer.

Foi quando percebeu uma luz brilhante entrar pela janela.

- Eu ouvi o seu pedido. – Alguém lhe disse.

Mary olhou na direção da luz. A fada Azul a olhava com tristeza.

- Por favor, se puder fazer alguma coisa que o salve... – A menina pediu.

- Receio que não há muito a ser feito...- A fada disse – Não podemos trazer ninguém de volta. Mas...

- O QUE? – Mary disse em desespero. Aceitaria qualquer coisa para salvá-lo.

- Posso fazê-lo renascer. Vou mandá-los para outro mundo. Um mundo sem magia. Vocês vão viver outra vez, mas não se lembrarão de quem são.

- Como vou encontrá-lo sem me lembrar de quem sou?

- Minha querida, Mary – A Fada Azul disse – Vocês são almas destinadas. Não importa o que aconteça, vocês sempre irão voltar um para o outro. Nesta vida ou em qualquer outra.

Mary assentiu compreendendo. Ela olhou para Francis. Ele já estava desacordado.

- Você aceita as condições? – A fada perguntou – Nós não temos muito tempo.

- Sim ! – Mary disse – Apenas o salve, por favor!

A fada balançou a varinha.

- Como desejar.


Storybrooke

Bash e Ruby corriam pela floresta. Ele tentava acompanhar a garota, que matinha um ritmo muito rápido entre as árvores.

- Por aqui ! – Ela dizia.

Eles pararam em frente a uma casa abandonada. Ruby olhou para ele.

- Esteja preparado. Tem mais gente lá dentro.

Bash pegou um pedaço de cano enferrujado que estava caído na varanda e empurrou a porta com o pé.

Ele parou de andar imediatamente quando viu quem estava dentro da casa.

- Pai?


Emma corria desesperada pelo hospital. A vida daquele garoto estava em suas mãos.

O doutor Whale já tinha organizado uma equipe de paramédicos para atenderem Francis. A situação não era nada animadora.

- Mãe! – Henry entrou na recepção, com a mochila nas costas. – O que aconteceu com Francis?

- Não sei! – Emma disse – Bash o achou caído no chão da cozinha. Os médicos não sabem o que ele tem.

- Mas não é óbvio? – Henry falou – Ele foi envenenado pela madrasta dele! Mais um com a maldição do sono,isso é terrível! Onde está Mary? Ela tem que salvá-lo!

- Bash foi encontrá-la, garoto – Emma tentou tranquilizá-lo – Tenha fé. Francis vai sobreviver.


Bash encarava seu pai completamente atordoado.

- Você sequestrou uma garota? – Ele perguntou.

- Posso explicar tudo. – Jafar disse – Porque não vem me dar um abraço ao invés de falar assim comigo?

Ruby observava os dois chocada.

- Sinto cheiro de sangue. – Ela dizia, assustada.

Bash olhou para o pai.

- O que você fez?

- Bash, acalme-se ! – Jafar tinha as mãos levantadas.

Ruby correu casa e Bash a ouviu gritar. Ele seguiu o som da voz dela.

Ela estava parada olhando para o chão. Bash arfou. Tudo que via era o rosto sem vida de sua mãe. Ele estava quase se contorcendo de ódio.

- VOCÊ A MATOU ! – Ele gritou na direção de Jafar. – COMO PODE?

- FIZ O QUE ERA MELHOR PARA NÓS! – Jafar gritou de volta. – Não entende ? Você e eu seremos reis, seremos poderosos! Sua mãe nunca lhe daria essa oportunidade ! Estou te dando poder !

- Você é completamente desequilibrado! – Bash disse – Ela era minha mãe!

- Você não entende! – Jafar disse – Eu fui desprezado por meu pai, o sultão, por ser um bastardo. Ele já tinha um filho legitimo, Mirza. O perfeito que seguiria a linhagem real. Nunca me senti tão humilhado em minha vida quanto no dia em que ele, meu próprio pai, tentou me matar e me enxotou para fora do palácio com o lixo! Como se não significasse nada para ele!

Ruby desamarrou Mary enquanto os dois se distraiam gritando.

- Você sabe essa história, Bash. – Jafar dizia, enquanto o filho o olhava em estado de negação. Eu a contei para você e te ensinei há muito tempo, a não ser guiado pelo amor. Você matou Francis, assim como eu tirei a vida de Mirza.

- Não...- Bash disse, sem entender nada. - Eu não faria isso. É loucura!

- Sim, você fez! – Jafar respondeu. - Mas uma fada imbecil o fez renascer nesse mundo. E agora eu vou acabar com isso de uma vez por nós dois.

- Corra ! – Bash disse para Mary, que acabava de tirar as cordas dos pés com a ajuda de Ruby. – Francis precisa de você! Corra, agora!

Mary obedeceu. Assim que se viu livre das cordas, ela correu desesperadamente até a porta.

- Ela está escapando! – Jafar disse, deixando Bash para trás. Ele agarrou a perna de Mary que caiu no chão. Ela gritou e Bash foi até os dois. Ele pegou o cano enferrujado e deu um golpe na cabeça de Jafar, que desmaiou.

- Não serei mais como você. – Bash disse. Ele olhou para a Mary. – Vai!

Mary se esgueirou pelo bosque o mais rápido que pode. Ruby e Bash ficaram para trás. Ela tinha de chegar ao hospital o quanto antes.


Henry andava de um lado para o outro. Emma perguntava aos médicos se havia tido alguma mudança.

- Ele está piorando. – Whale disse em voz baixa para que Henry não ouvisse. – Não acho que lhe resta muito tempo.

Emma fechou os olhos com raiva. O mal não podia ganhar.

- Doutor ! – A enfermeira gritou – As frequências cardíacas do garoto estão caindo!

Whale correu até a emergência. Henry e Emma foram até a janela. Podiam ver os médicos amontoados em volta do menino, tentando reanimá-lo. Nesse momento, Mary entrou pela recepção e correu até onde eles estavam. Ela viu Emma e seu filho parados com lágrimas nos olhos. Então empurrou a porta e entrou no quarto.

- Você não pode ficar aqui ! – Whale disse.

- Que se dane ! – Mary gritou.

- Não adianta fazer mais nada! – O doutor tentou explicar. – Ele está morrendo.

Mary ficou paralisada.

- Sinto muito. – Whale disse. Os médicos olhavam com pena para a menina. Ela viu Emma a olhar de um jeito compreensivo. Baixou os olhos para Henry. O menino fez um gesto com os lábios.

"Ainda não acabou" ele disse. Seus olhos diziam tudo.

Mary se aproximou da cama. Tudo que precisava era de fé.

- Não me deixe. – Ela sussurrou no ouvido de Francis. E então o beijou.

Foi como se uma onda mágica invadisse seu corpo. Tudo, a primeira vez que o viu na floresta, seus beijos no castelo, o rosto de seus pais, a última vez que o viu em seus braços, estava claro em sua mente. Ela abriu os olhos e piscou, como se estivesse vendo tudo pela primeira vez.

- Não vou. – Mary ouviu. E pode ver seu reflexo naqueles olhos azuis outra vez.

Mary riu de felicidade e o abraçou.

- Você voltou ! – Ela dizia. – Você voltou para mim !

Francis sorriu para ela. Ele tocou seu rosto e depois respondeu:

- Eu sempre vou voltar pra você.


N/A: Quem quiser ver essa história do Jafar que eu contei aqui, é só assistir "Once Upon a Time in Wonderland" que dá pra saber direitinho. Mas antes, pulem para a próxima página que ainda tem o epilogo ! =)