"Chorava um bandoneon

Num canto de bar.

Meu vestido vermelho

O cabelo preso numa flor,

E o tango falando de amor,

Contrastavam com a luz neon.

Nossos corpos em uníssono,

Um balë tão sensual...

Movimentos em compasso,

Acompanhavam cada passo

Deste tango figurado,

Como um estranho ritual.

Batia o coração descompassado!

Teus lábios sensuais me enfetiçavam,

Tuas mãos macias brincavam em mim

Como o vento brinca, namorando

As flores de um jardim.

Teus olhos escuros, meio ciganos,

Insinuavam promessas,

Dessas, que misturam

Amor, desejo, paixão e mais, muito mais...

Um perfume no ar

E abraçado ao violino

Solitário bailarino,

O bandoneon a chorar

Um velho tango de amor,

Naquele canto de bar!"

(C. Almeida Stella)

Capítulo 2 - Solo por hoy

– Senhor Albiore, por favor me desculpe a grosseria mais cedo, mas gostaria de saber se ainda esta de pé a proposta de algumas aulas de tango?

O homem riu e balançou a cabeça em sinal afirmativo. Continuaram assistindo ao show, Saga e Aiolos trocavam algumas palavras em baixo tom, o que fazia um falar bem próximo ao outro e se alguém estivesse reparando poderia ver que um repousava a mão na perna do outro. Ao lado, Albiore prestava atenção em cada movimento no palco, observando os erros, novos movimentos e adornos, ficava feliz em ver como sua filha e Camus melhoravam a cada dia, mas naquela noite era a expressão de fascínio que brotara no rosto de Milo que o divertia, o garoto que tanto criticava aquilo tudo estava agora encantado e com um brilho nos olhos. Mu também observava o estado do amigo mas nada comentava, deixaria esse assunto para depois. Aiolia também assistia o espetáculo concentrado, apesar de já estar acostumado com aquilo sempre apreciava aquela dança.

No palco, os movimentos ficavam cada vez mais belos. June deslizava os pés pelo chão com leveza, Camus com delicadeza e agilidade, os narizes se tocavam e qualquer um podia perceber um quê de tristeza em seus olhos. Ela jogava a perna para o alto quando ele erguia seu corpo, ele chutava por dentro das pernas dela enquanto ela entrelaçava-se nas dele, ele prendia, ela seduzia, ele conquistava, ela fugia. As expressões marcavam toda paixão e conflito do tango, era como se aqueles sentissem o amor e o ódio ao mesmo tempo envolvidos pela melancolia da música, como se sofressem de amor um pelo outro, como se vivessem um pelo outro, como se dessem a vida um pelo outro e como se por puro prazer matassem um ao outro. Seguiram assim até fazer muitos perderem a respiração com a cena final, onde June após um giro solto caia mas poucos centímetros antes de suas costas tocarem o chão, ela equilibrava-se em uma perna dobrada, segurando Camus por trás do ombro com apenas uma das mãos enquanto ele se curvava e a segurava pela nuca selando os lábios dela com os seus.

As luzes foram acesas e os dançarinos agradeceram ao público que aplaudia de pé, "Bravo!". Deixaram o palco e a música ambiente tomou conta do local enquanto a platéia voltava a conversar nas mesas. Albiore pediu licença para levantar e saiu alegando que iria buscar sua filha para apresentar aos novos amigos, Milo remexeu-se na cadeira ao pensar que provavelmente seria apresentado ao ruivo também, Mu riu, Aiolia não percebia nada. Dito e feito, alguns minutos depois o argentino voltava seguido por sua filha e o parceiro.

- Companheiros, esta é minha querida filha June como podem ver e meu amigo Camus!

Levantaram-se para cumprimentar o casal, "meu amigo... Pelo menos ele não disse meu cunhado". Quando Milo foi cumprimentar o francês, o fez com um sorriso maldoso que sempre usava quando queria conquistar alguém ao mesmo tempo que esfregava o polegar em sua mão quando a apertou, gesto que foi claramente recusado por Camus que rapidamente soltou a mão do grego e lançou um olhar de reprovação, Milo sorriu por dentro "quanto mais difícil, mais gostoso fica. Muito bem ruivinho!"

-oOo-

- E agora, o que podemos fazer de bom por aqui já que nos livramos deles, Aiolia?

- Depende do seu conceito de bom Milo! Mas tem algumas boates legais por aqui!

- Ahhh não! É muito barulhento!

- Mu, meu querido do coração, meu amado, é o seguinte... Você vai com a gente e acabou! Relaxa... quem sabe você não encontra seu grande amor por lá e deixa de ser virgem logo!

- Você é virgem? - Aiolia ria, mas estava surpreso.

- Porque não coloca logo no jornal Milo?

- Acho que seria uma boa, poderia achar várias candidatas bonitinhas pra você! Ou candidatos, quem sabe! - Brincou o escorpiano.

- É Mu e pensa que alguém por aqui você nunca mais vai precisar ver na sua vida!

- Como vocês são banais! Vou pegar um táxi e voltar para o hotel!

- Não vai não senhor! O ruivinho já recusou sair com a gente falando que trabalhava amanhã, meu irmãozinho também não pode me abandonar hoje!

- Também, depois que você disse "Você tem lindas pernas, quer sair com a gente?" na frente de todos, queria o quê? - Aiolia não parava de rir lembrando a cena de poucos minutos antes.

- Não tenho culpa por ser direto... e por ele ser gostoso muito menos! Mas ele ainda deve estar achando que foi pelo meu péssimo espanhol (1)!

- Você não deveria agir assim com ele Milo, parecia ser uma boa pessoa!

- E põe "boa pessoa" nisso – Bateu com o cotovelo no leonino e riam juntos.

- Definitivamente, não é mesmo! Já te falei, o cara é insuportável, acho que só a June mesmo consegue ser amiga daquele ali!

- Como tem tanta certeza?

- Já encontrei com ele algumas vezes, meu irmão é amigo do Albiore, esqueceu? Mas isso não importa agora! Para onde vamos?

Milo convenceu os dois e acabaram indo para uma boate gay em Palermo, um tradicional bairro da cidade. Mu era arrastado pelo amigo para o táxi, Aiolia não se importava, preferia mulheres mas estava acostumado com aqueles ambientes, ele mesmo quem sugeriu o lugar para o novo amigo, já que Milo deixara claro sua preferência ao falar de Camus.

O lugar era muito bonito e bem freqüentado, com uma grande variedade de drinks, o que agradou bastante o escorpiano, que logo tratou de ficar "alegre" e sumir da vista dos dois. De vez em quando era visto encostado em alguma parede com alguma mão em seus cabelos ou alguns fios de cabelo em suas mãos (para não citar outras partes do corpo que as mãos acidentalmente encontravam), mas Mu poderia jurar, a não ser que seu refrigerante estivesse "batizado", que pelo menos uma das dez vezes que viu Milo, ele nunca estava com o mesmo rapaz da vez anterior. Por outro lado Aiolia e Mu aproveitaram para conversar mais em uma sala de jogos no primeiro andar com mesas de sinuca, por estar somente os dois raramente algum homem abordava um deles, quando acontecia o leonino abraçava o ariano e diziam estar juntos, Mu ficou assustado na primeira vez mas gostou da atitude do outro, que depois, quando se separaram disse: "Desculpe, mas se não fizesse isso ele não iria embora". Quando finalmente encontraram Milo por volta de quatro horas da manhã, sozinho e muito bêbado, passando mal no banheiro, conseguiram convence-lo a voltar para o hotel com a desculpa que um ruivo esperava por ele em seu quarto.

Deixaram primeiro Aiolia em sua casa e seguiram no táxi para o hotel, Mu pagou a corrida deixando uma gorjeta para o motorista, afinal não fora fácil agüentar as cantorias de um Milo embriagado por todo caminho. Arrastou o amigo apoiado em seu ombro até o seu quarto, onde com muito esforço o fez subir as escadas e tirar as roupas enquanto enchia a banheira com água um pouco fria. A parte mais difícil nisso tudo foi conseguir por o escorpião no banho, depois de muita briga e de encharcar toda a roupa, Mu conseguiu. Cuidava do amigo com atenção, lavando seus cabelos com cheiro de fumo, bebida e suor daquele ambiente, enquanto ele fechava os olhos em um semi-sono, que trazia de volta algumas lembranças.

- Por que escolheu estar aqui?

- Porque quero estar entre os melhores, acho que ainda tenho muito para aprender com você

- Você não imagina o quanto...

Sentia o coração bater mais forte, os lábios umedecerem e um calor tomar conta do seu corpo.

- Saga... Chama o Saga, Mu!

- O que quer com o Saga essa hora, Milo? - Continuava enxaguando os cabelos loiros, tentando contornar a situação, sabia muito bem o que ele queria, "sempre assim".

- Você sabe o que quero, chama o Saga agora, agora!

- Vou chamar, mas só se você tomar banho direito!

- Saga...

Já estava quase dormindo quando Mu conseguiu tira-lo da banheira, não era fácil, era mais baixo e mais magro que Milo, mas já estava acostumado, ele sempre aprontava e sempre era o ariano quem cuidava de tudo. Enrolou-o em uma toalha e depois na cama vestiu o pijama no loiro que pelo jeito havia perdido as forças e adormecera. Deitou-se no lado oposto da cama e dormiu rapidamente, estava cansado e sabia que não teria muito tempo de sono, afinal, já estava quase amanhecendo.

-oOo-

O despertador tocava no quarto mas ele já estava de pé na cozinha preparando um café forte, ainda pensava como sua paixão pela dança era grande ao ponto de agüentar cada coisa que lhe aparecia. A ultima foi após o seu show na noite anterior, quando um dos gregos que seu patrão apresentara e se dizia "seu mais novo aluno de tango" conseguiu fazer com que perdesse a paciência.

Depois do desjejum tomou um banho frio e se preparava pra sair, mas não conseguia entender porque aquele maldito grego irritante não saia de sua cabeça, pensou que talvez não o visse novamente, pelo que havia entendido só ficaria alguns dias na cidade e com certeza a idéia de fazer aulas de tango não passava de provocação gratuita. Pegou sua mochila com algumas coisas que precisaria naquele dia e seguiu para o ponto do ônibus que o levaria para a Andrômeda.

-oOo-

Mu estava no andar de baixo do quarto assistindo televisão enquanto tomava seu café da manhã que fora entregue pelo serviço de quarto, estava rindo dos pequenos duendes azuis quando ouviu Milo chegar descendo as escadas com uma aparência de quem ainda não havia acordado.

- Finalmente acordou! Bom dia Mi!

- Bom dia nada... dor de cabeça...

- Ficaria surpreso se não estivesse assim depois da noite passada!

- Noite passada... noite passada... O que eu fiz noite passada? Lembro que fomos naquela boate e...

- ...E você encheu a cara! Sem falar que te vi beijando vários garotos e depois eu e Aiolia tivemos que te carregar, também veio cantando músicas da Madonna no ouvido do taxista e chegando aqui tive que te arrastar até o quarto sozinho e te dar um banho...

- Hmm, até que não fui tão mal!

- ... e chamou pelo Saga a noite inteira!

-... - Milo ficou sério e seu rosto pálido, sentou em uma cadeira ao lado do amigo apoiando a testa nas mãos – Tem certeza? Não esta brincando?

- Você sabe que eu não brincaria com isso! - Falou baixo e apoiou uma das mãos nas costas do amigo – Continua gostando dele, não é?

- Sabe que nunca gostei e nunca vou gostar de alguém! Você não entende, é uma coisa de pele Mu, gostava de estar com ele, era tudo tão... tão...

- Eu sei como era Milo, mas você tem razão, não entendo mesmo como pode entregar-se à alguém que não goste, ainda mais para o Saga que nos trata como filhos!

- Talvez você ele veja mesmo dessa forma, mas quando meus pais... - Parou e respirou fundo, não queria mais continuar naquela conversa, não queria lembrar o seu passado – Esquece Mu, sabe que não gosto de falar sobre isso.

- Não precisa dizer nada, mas agora come alguma coisa, vou procurar algum analgésico para você em minha mala! Se quiser pode desligar a TV, mas acho que "Los Pitufos" (2) vão te fazer rir um pouco! - Sorriu para o escorpiano que retribuiu, apesar do seu olhar triste.

-oOo-

- Bom dia! - Sussurrou para o homem que beijava suas costas. - Hmm, que horas são?

- Quase meio dia!

- JÁ? - Levantou-se com um pulo escapando dos braços do outro.

- O que você queria? Já estava amanhecendo quando fomos dormir!

- Não mandei você ter tanto fogo!

- Eu? Acho que não fui o único e você bem que gostou!

- Estava com saudades!

- Eu também! Mas acho melhor eu ir para casa, Aiolia deve estar pensando que fui seqüestrado!

- Ele saiu com os garotos, deve estar dormindo também! Fica aqui, almoce conosco!

- Melhor deixar para outro dia, não quero causar problemas para você e seus pupilos!

- Não será problema nenhum!

- Mas mesmo assim preciso voltar, saímos para jantar, melhor assim?

- Já que insiste! Mas será que ainda tem tempo para me dar mais um beijo?

Deitou seu corpo ainda nu sobre o amante, não seria problema perder mais alguns minutos com algo mais que um simples beijo.

-oOo-

- SHUN, ISAAC, pela última vez, vocês podem ficar quietos? - Camus já havia perdido toda sua paciência, que não era muito ampla, naquele dia e aqueles dois pareciam querer irrita-lo ainda mais. Estavam no ensaio da companha de ballet da escola e Camus era o responsável pelas aulas – Qual o problema agora?

- Não é nada senhor Camus, só estamos negociando nossos papéis.

- Não tem negociação Shun, já esta decidido! O Hyoga esta mais preparado e será o Príncipe Siegfried, June será Odette e ...

- Como sempre é a protegida dele! - Uma das bailarinas falou baixo para a outra mas o francês não deixou de ouvir.

- Você Hilda, será a Feiticeira Odile que tenta roubar o amor de Siegfried, Marin será a rainha, as outras serão Cisnes Brancos, e durantes os ensaios decidirei entre Shun e Isaac para ser o Mago Rothbart!

Os dois se olharam com raiva mas já era bastante comum entre eles, parecia haver uma enorme disputa entre os garotos pela atenção do Hyoga, um garoto russo que era o grande destaque masculino na companhia. Estavam ensaiando "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky (3) que conta a história do jovem Príncipe Siegfried que se apaixona por Odette, uma rainha que foi transformada em um cisne por um feiticeiro malvado. Odette o explica que ela é destinada a permanecer como esta estranha criatura, até ser resgatada por um homem que a jure amor eterno.

A companhia era formada pelos melhores daquele lugar como Marin e June que também eram professoras de outras danças. Shun, Hyoga e Isaac eram os únicos garotos naquele grupo, o russo era um pouco quieto e bastante dedicado aos ensinamentos de Camus, mas os outros dois sempre tentavam desviar sua atenção com constantes brigas, o que muitas vezes aborrecia o professor francês.

- Camus, poderia vir aqui um minuto por favor? - Era Albiore que aparecia na porta chamando o ruivo.

- Claro – respondeu o outro e caminhava em direção à porta – Vocês continuem com os exercícios que passei, quando voltar não quero ninguém conversando, seja o que for! - Falou as últimas palavras olhando friamente para a dupla que sempre arranjava alguma confusão.

- Camus, o que vai fazer hoje a tarde?

- Pensei em ir trabalhar mais um pouco mas ainda não falei com June e...

- Ótimo! É bom que queira trabalhar, preciso de um favor seu esta semana – Viu que o rapaz olhava sem entender e resolveu ser direto no assunto – Lembra dos gregos que encontramos ontem a noite? Eles me ligaram agora e um deles quer aprender um pouco do tango durante os dias que irá passar de férias na cidade, gostaria que você assumisse as aulas particulares, June pode te ajudar.

- Mas eu... desculpe mas quem ensina tango aqui é o senhor.

- Você esta tão capacitado quanto eu, confio em você – botou a mão nos ombros do ruivo e sorriu, mas logo virou e saiu jogando mais algumas palavras – Hoje está marcado para às 15:30, depois vocês combinam os outros horários, aproveite, estão pagando muito bem!

Realmente era uma boa proposta, por ser uma aula particular ele ganharia setenta porcento do valor pago, mas não gostou da idéia ao pensar que provavelmente teria que aturar o loiro marrento que conhecera na noite anterior depois da sua apresentação, apesar disso, não poderia recusar, Albiore confiava nele e ele dependia disso, era por essa confiança que ele chegou onde estava e conseguia manter-se na cidade e além do mais, sempre desejou dar aulas de tango que eram religiosamente ministradas pelo argentino, exceto em raras ocasiões como algum compromisso, doença ou problemas mais sérios, onde Camus assumia.

-oOo-

- Tudo feito, liguei pra ele e podemos ir lá hoje, 15:30!

Milo já estava bem melhor depois do café da manhã, o seu mal humor e a dor de cabeça pareciam nem existir mais depois que voltou ao quarto e lembrou do cartão que Albiore lhe entregara com o telefone de sua escola.

- Você tá maluco Milo! Quer mesmo fazer isso?

- Gostei do ruivinho e você sabe que consigo tudo que eu quero, só uma aula e no final ele vai estar caindo aos meus pés. Falei com o amigo do Saga que queria algumas aulas, mas somente com o tal do Camus! não vou perder tempo, depois que conseguir eu procuro o próximo alvo da viagem!

- Alvo? Não falo mais nada! Quero ver o que o Saga vai falar dessas "aulinhas".

- Bem lembrado, estou com fome, já esta na hora do almoço! Vamos procurar ele, assim eu conto tudo e depois vou "bailar con el pelirrojo" (4) - Saiu da cama fingindo alguns passos de dança enquanto pegava uma roupa para trocar e sair a procura de Saga.

-oOo-

Aiolos havia saído à pouco tempo e saga ainda estava enrolado em uma toalha com os cabelos molhados quando Milo bateu na porta chamando seu nome.

- Bom que acordaram, já ia ligar para o quarto de vocês, alias, podiam ter feito o mesmo antes de ficar batendo aqui na porta!

- Ouvir um "Bom dia" primeiro não seria melhor, Saga?

-Ah, me desculpe, Mu! Boa tarde!

- Ihh, papai acordou mal-humorado hoje! - Dessa vez era Milo quem falava brincando com o geminiano, mas não conseguia parar de olhar para aquele homem que estava apenas com uma toalha em volta da cintura, ele observou o conhecido corpo dos pés à cabeça, até que reparou que havia um cheiro de cigarro no quarto e sabia que ele só fumava em duas ocasiões: Ou estava muito irritado, ou após o sexo, mas não podia ser aquilo, não era possível. Ficou um pouco sério e tentou continuar a conversa – O que fez ontem a noite? Você e seu amigo saíram?

- Voltei para o Hotel. Vou me vestir e vamos sair para almoçar logo – Saga estava frio em suas palavras, sabia que Milo estava desconfiando de algo pelo jeito irônico ao falar, mas não queria tocar no assunto agora, Mu já estava olhando desconfiado para os dois e preferiu cortar o assunto. Logo Saga vestiu-se e logo foram para um restaurante próximo enquanto Mu contava sobre a noite passada e como teve que levar o amigo de volta ao quarto, claro que omitindo o que aconteceu durante o banho.

-oOo-

Após o almoço Mu e Milo pegaram um táxi até a Andrômeda, Saga achou uma boa idéia Milo aprender a dançar mas não quis ir junto, combinaram de voltar logo após a aula pois no fim da tarde eles iriam juntos para a bienal.

- Ainda estou com fome!

- Também, quase não encostou na comida!

- Vocês sabem que não como carne e foram logo para uma churrascaria!

- Você tem que gostar mais de comida "normal", Muzito!

- Mas eu gosto, desde que não seja nenhum animal morto!

- Fresco!

Os dois discutiam, mas sempre brincando um pouco pelo caminho, até que o veículo parou, Milo pagou a corrida e entraram na escola de dança. O lugar era simples mas muito bonito. Era um casarão antigo, na entrada havia uma espécie de sala de espera bem decorada com móveis rústicos e um belo tapete, mais ao fundo na parede havia um grande armário com algumas mochilas em suas divisórias, que servia para os alunos guardarem seus pertences, uma escada mostrava que não acabava ali, havia mais coisas no segundo andar e ao lado era possível ver, através de uma parte de vidro, uma ampla sala com piso de madeira e um grande espelho na parede.

- Boa tarde! Em que posso ajudá-los? - Uma moça ruiva muito bonita apareceu e cumprimentou os jovens.

- Boa tarde senhorita! Sou Milo, falei com o Sr. Albiore hoje pela manhã e vim fazer uma aula de tango, ele esta?

- Ahh, então você é o garoto grego? Só um instante, o Albiore saiu mas vou chamar o Camus que será seu professor. Fique a vontade, sou Marin, também sou professora aqui!

"Perfeito" Milo pensou com um sorriso ao ouvir o nome do ruivo e Mu ainda se perguntava o que estava fazendo naquele lugar.

Instantes depois ela voltou acompanhada do ruivo, Milo ficou sem palavras. Ele não estava tão elegante como na noite anterior mas sem dúvidas estava muito bonito. Os longos cabelos estava soltos e davam uma aparência diferente ao seu rosto, usava uma camiseta sem mangas branca um pouco justa ao corpo, marcando alguns músculos em seu peito, a calça preta era um pouco larga, mas o tecido fino marcava bem suas pernas e outras coisas mais, que o grego fez questão de reparar, até mesmo o tênis preto que ele usava Milo observou.

- Boa tarde, então são os novos alunos?

- Na verdade só eu, o Mu veio apenas me acompanhar.

- Prazer em revê-lo, parabéns novamente pela apresentação de ontem! - Mu estendeu a mão, o francês retribuiu mas continuava a olhar de uma forma estranha para Milo, que estava sorrindo de lado, o ariano sabia como aquela expressão indicava perigo.

- Não vamos perder tempo, sigam-me por favor. O francês olhou para Milo dos pés à cabeça e foi para a escada em direção à uma sala no segundo andar, seguido pelos dois para dar início a aula, ainda estava contrariado, mas só poderia torcer para o grego não ser tão irritante como na noite anterior, "É só uma hora Camus, depois ele vai embora... Só por hoje, depois ele vai desistir de ter entrado em sua aula!".


(1) O idioma oficial é o espanhol (ou castelhano, como os argentinos preferem chamá-lo), língua materna da grande maioria dos argentinos.

(2) Os Smurfs. Sim, o programa ainda passa na Argentina!

(3)O Lago dos Cisnes é baseado em um conto de fadas alemão, é um ballet em quatro atos, com a música de Piotr Ilyich Tchaikovsky. Conta a história do jovem Príncipe Siegfried, que se apaixona por Odette, uma rainha que foi transformada em um cisne por um feiticeiro malvado. Odette o explica que ela é destinada a permanecer como esta estranha criatura, até ser resgatada por um homem que jure amor eterno a ela.

Encantado com a beleza dela, o Príncipe promete jurar amor eterno ao mundo. Mas logo em seguida, na festa em sua homenagem por seu 21º aniversário ele é enganado pelo feiticeiro, von Rothbart, declarando seu amor por Odile, uma gêmea malvada de Odette, o levando a jurar amor por ela. Quando ele se deu por si, correu de volta ao lago. Lá ele combate Von Rothbart e destrói seu poder e assim os apaixonados podem ficar juntos e felizes para sempre.

Normalmente a mesma bailarina faz os papéis principais de Odette/Odile, mas para encaixar melhor na história decidi diferenciar!

(4) "Dançar com o ruivo"

Curiosidades:

Existem diferentes estilos de tango. O tango-canção, tango canyengue, o tango milonga, tango romanzae, tango valsa, o tango jazz... Hoje em dia é possível até encontrar estilos como tango rock e eletrotango, ou tango eletrônico, foi principalmente neste último que me inspirei para esta fic, acho que combina com esses dois, é um estilo que mantém toda a sensualidade do tango e ao mesmo tempo é moderno. É o grande "culpado" pelos jovens argentinos adquirirem novamente o gosto por essa dança. Quem se interessar em conhecer, recomendo os trabalhos do Bajofondo, Carlos Libedinsky (Narcotango), Gotan Project (eles que popularizaram o estilo) e o Tanghetto.

N/A: Em primeiro lugar queria pedir mil desculpas por demorar tano com esse capítulo, mas com a correria de volta as aulas e procura de estágio tomava um pouco meu tempo, sem falar na falta de inspiração pra organizar as idéias por aqui! Juro que vou tentar não demorar tanto no próximo, onde o Miluxo vai finalmente investir no "alvo" dele e mais alguns personagens vão aparecer para aumentar as confusões e romances nas terras Porteñas! Nos próximos capítulos vou contar um pouco mais do passado de Milo e Mu e como conheceram Saga.

Como disse no capítulo anterior, a minha idéia é que o título de cada capítulo seja nome de uma música de tango. O deste capítulo, "Solo por hoy" foi bem difícil de escolher, mas acabei me decidindo por este por causa das últimas palavras do Camus, eu estava querendo usar mais a frente, mas vai ficar assim agora! A música é de Carlos Libedinsky no CD Narcotango 2, é muito bonita, eu recomendo pára quem desejar ouvir e conhecer!

Gostaria de agradeces os reviews: Theka Tsukishiro , Haina Aquarius-sama, Mussha, Paty, e gota gelada! Obrigada também para aqueles que leram e não deixaram review!

Espero que gostem e colaborem para deixar uma ariana carente feliz, deixando review neste novo capítulo!! Obrigada pela leitura.