Anda
Dança comigo este tango

Cola o teu corpo juntinho ao meu
Num contacto intenso de posse mutua
Faz-me rodopiar incessantemente
Ao som melódico do ritmo apaixonante
Dos instrumentos orquestrais
Coloca a tua mão trémula
No meu desnudo dorso, a compasso
Num bailado pleno de fascinação
Rodopiamos mais e mais
Numa embriaguez insana

Já não sentimos o chão
Deslizamos….
Suspensos dos acordes nostálgicos

Teu rosto aproxima-se do meu
Ensandeces-me com o olhar
Nossos corpos continuam
Rodopiando em rituais de sedução
Alienados do que os rodeia
Unidos na mais forte tentação…

Anda
Dança comigo este tango

(Liliana Maciel)

Capítulo 3 – Tango Azul

O segundo andar seguia o mesmo estilo do primeiro, piso de madeira e um ambiente rústico, mas não havia muita decoração, apenas um corredor e quatro portas, entraram na primeira. Era uma sala de dança pequena, mas não faltava o espelho em uma das paredes, e em um canto um armário pequeno acomodava um aparelho de som e diversos CDs. Era usada para turmas pequenas e aulas particulares, não havia janelas, apenas dutos de ventilação e refrigeração.

- Antes de começar gostaria de trocar algumas palavras – Na verdade não tinha menor vontade de conversar com aquele garoto, mas era costume do lugar e precisava seguir a rotina de aulas - Como já deve saber, eu me chamo Camus e serei seu professor, junto com minha parceira June. Você é o Sr. Milo, estou certo?

- Pra você sou qualquer coisa, mas esquece o "senhor", Camus!

- Tudo bem, Milo. - Tentou esconder sua irritação com o jeito do grego falar e pior, sorrir – Gostaria de saber, por que decidiu fazer aulas de tango?

- Por causa de você é claro!

Mu que estava encostado na parede observando tudo, fechou os olhos e bateu com a mão na testa, não acreditava como a cara-de-pau do amigo aumentava a cada dia. Também viu que Camus não estava gostando nada daquilo e parecia prestes à explodir.

- Ele quis dizer que nós gostamos muito da sua apresentação ontem e por isso ele decidiu aprender a dançar também! Não é Mi?

- Não Mu, eu gostei do Camus mesmo! - Sorriu maliciosamente olhando para o professor que só ficava mais irritado.

- Fico grato que tenha apreciado Mu, é este mesmo seu nome? - O outro parecia ser mais sensato, aproveitou isso para fugir do assunto, agora estava desesperado para que a hora realmente voasse. - Milo, você tem alguma experiência anterior na dança?

- Eu não! Sou virgem, você vai ter que ir com bastante calma comigo para não machucar... vai que eu torço meu pé!

"Por mim eu torcia logo sua cabeça, grego!". Respirou fundo para não socar o loiro, como ele podia ser tão inconveniente em tão pouco tempo?

- Pelo que sei estão na cidade apenas de férias, quantos dias ainda pretendem ficar?

- Nove. - Desta vez Mu apressou-se em responder para evitar qualquer gracinha do amigo.

- É pouco tempo para aprender a dançar, mas farei o possível. Creio que você possa aprender alguns dos movimentos básicos do tango mas isso vai depender da sua dedicação.

A voz de Camus era robótica. Ele olhava para o relógio na parede a cada segundo, desejando que o tempo passasse o mais rápido possível, mas não adiantava, nem ele mesmo sabia explicar o que fazia ficar descontrolado.

- Não me importa o quanto vou aprender, desde que..

Milo interrompeu sua frase ao ver June abrindo a porta com um largo sorriso, que foi imediatamente retribuído por ele e também fez o francês respirar aliviado por não estar mais sozinho naquela situação constrangedora, não tão só na verdade pois Mu estava lá também, mas era tão calmo que não fazia diferença.

- Agora que você chegou podemos começar! Este é o Milo, deve lembrar dele, estava com seu pai na noite passada. Milo, como já sabe June é minha parceira e vai nos ajudar nas aulas.

- Encantado, señorita! - Milo fez uma divertida reverência e tomou a mão direita da loira beijando-a, arrancando mais um belo sorriso da garota e um olhar torto do francês.

- Milo, vou começar com o primeiro e mais simples movimento do tango, a camiñada, como o próprio nome diz, é o andar - puxou a parceira pela mão, ficando de frente para ela e segurando-a pelo antebraço - Observe bem como estou fazendo, quero que faça o mesmo.

Poucos instantes depois Milo já estava seguindo corretamente o que Camus ensinara, segurava June pelos braços e deslocavam-se juntos pela sala, para trás e para frente e alguns passos depois para os lados. June estava adorando o jeito divertido do escorpiano que fazia várias caras e bocas quando um pisava no pé do outro ou quando Camus reclamava que algo estava errado.

- Acho que você já entendeu este movimento, agora podemos inserir as características do tango nele - As palavras do professor pareciam ter sido retiradas de algum freezer naquele momento, até mesmo quando pegou de volta a garota para novas instruções - Primeiro, você não vai dançar segurando sua dama pelos braços e no tango a forma que você a abraça é fundamental para uma boa dança, deve-se manter firme e segura-la próximo à escápula (1) e ela vai te segurar próximo à nuca ou pelo braço, dependendo do movimento. Isso tudo é muito importante Milo, você não deve perder nunca o contato do seu tórax com o da dama, é aqui que a condução acontece - Milo prestava atenção em cada palavra de Camus, mas não conteve um sorriso maldoso ao ver a mão de Camus deslizando pelo peito enquanto falava as últimas palavras – E não esqueça, olho no olho! Não deve dançar olhando para o chão como esta fazendo, o contato visual é muito importante!

Voltou a praticar os passos com a loira mas dessa vez abraçados, tentando manter a postura que por sorte era bem mais fácil para os homens, já que para a dama, ela deveria estar sempre com o peso do corpo na ponta dos pés e ligeiramente inclinada, usando como apoio apenas o tórax do cavalheiro, um dos motivos deste contato entre ambos ser tão importante. Camus logo explicou como os pés deveriam estar posicionados e não demoraram muito para iniciar o passo básico, ele não queria admitir, mas Milo como aluno era muito bom, pegava tudo muito rápido e executava muito bem os movimentos ensinados, June não parava de soltar elogios, que eram agradecidos com beijos no rosto e frases como "só estou conseguindo porque tenho uma bela mulher me ajudando!". O francês não sabia dizer porque aquilo o aborrecia tanto.

- Milo, você esta ótimo, mas tenta deslizar mais pelo chão, entende? - Desta vez era June que tentava ensinar, já que percebeu o humor do parceiro bastante alterado - Tenta passar apenas o peito e a ponta dos pés pelo chão enquanto desloca, é como se estivesse fazendo carinho no chão sabe?

- Ahh sei! Mas nunca me importei em fazer carinho no chão, "Ju", tem tanta coisa melhor!

- Eu sei, mas você se acostuma! - ela ria pelas brincadeiras e pela intimidade que o outro já a tratava - Você vai ver, tangueiro é carente mesmo, você vai sempre "fazer carinho" no chão, no parceiro, seja onde for!

- Hmmm, bom saber! - Fuzilou o ruivo mais uma vez com o olhar, fazendo a garota rir mais ainda.

- É verdade, por ter esses movimentos sensuais que a dança por muito tempo era quase que proibida - Camus voltou a falar mas não demonstrava emoção nenhuma em sua voz, como sempre.

- Proibida?

- Sim, era considerada uma dança vulgar para nós mulheres, já que praticamente nasceu nos bordéis. Antigamente as mulheres que dançavam o tango eram na maioria as prostitutas, por isso era visto tão mal pela sociedade a mulher dançar, mas era bastante comum naquela época os homens dançarem entre si.

- Sério? - Camus já não agüentava as fuziladas que Milo lhe dava com os olhos, mas esta última pareceu a pior de todas, o brilho nos olhos e a maldade estampada em seus lábios nunca ficaram tão evidentes - Então por que não me ensina um pouquinho desse tango clássico Kamy?

- É CAMUS! E não tenho porque te ensinar isso Milo, os tempos já mudaram bastante e você já esta aprendendo a conduzir bem com a June, não precisa da minha ajuda para isso!

- Claro que tem porque me ensinar Kamy! Eu sou o aluno e eu escolho o que quero aprender, acho que a Ju não vai se importar, não é?

- Não tenho nada com isso!

- Milo as coisas não são assim, é melhor continuar com ela, June já dança a bastante tempo, nada melhor que aprender a conduzir com uma dama já experiente que pode te orientar melhor e falar em que precisa melhorar!

- Ahh, se esse era o problema esta resolvido, eu quero aprender a dançar Kamy, não ligo de ser a dama, pode ser o homem da relação se quiser, eu não me importo! - June não conseguia parar de rir e até mesmo Mu que estava quieto o tempo todo procurava desesperadamente um lugar para fugir daquela sala o mais rápido possível.

- Milo eu...

- Sem desculpa, vai, me ensina! - Chegou perto do professor e o abraçou como June fazia quando estava com ele, "quase pendurada pelo meu pescoço" o escorpiano dizia. - Agora sou sua dama, fica quieto, me ensina e aproveita! - Falou quase em um sussurro próximo ao ouvido do ruivo.

- Camus não custa nada, não me importo, se o Milo faz tanta questão ensina logo pra ele!

O aquariano sentia-se derrotado, não encontrava mais nenhuma desculpa para fugir daquela situação, não podia deixar de pensar em como sentia-se estranho ao ser abraçado daquela forma por Milo e pelas palavras dele, ou por como foram ditas, por sentir a textura macia da mão dele entre seus dedos finos, sentir como era bom abraçar o corpo dele, mesmo que por uma certa obrigação pela pose da dança, sentir o calor percorrer seu corpo pelo olhar e o sorriso dele... NテO! Em que estava pensando? Ele não suportava aquele grego irritante, queria distância, qualquer pensamento bom com ele ou sobre ele deveria ser cortado, mas não estava fácil!

Os vinte minutos restantes da aula foram um pouco calmos. Camus ensinou tudo novamente para Milo, que ficou estranhamente quieto, mas dessa vez como uma "dama" deveria fazer e apesar da dificuldade ser maior ele também aprendeu rápido e milagrosamente não fez nenhuma brincadeira com o francês que estava completamente tenso e sem graça por estar tão junto ao loiro.

- Nosso tempo acabou - Afastou-se o mais rápido possível assim que ouviu os últimos acordes da música que dançavam livre, "Tango Azul" do Gotan Project, era mais rápida que as anteriores, mas Milo gostou bastante do estilo tango eletrônico.

- Já? Foi tão rápido! Logo agora que eu estava aprendendo a ser uma dama - Brincou, rodopiando, passando uma mão pelos cabelos e jogando-a para o alto depois, tentando imitar uma mulher

- E que bela dama Mi! Vou ficar com inveja, assim você logo vai disputar comigo! - Todos riram, menos Camus é claro.

- June, pode leva-los até a saída por favor? Eu vou ficar por aqui pensando naquela coreografia que tenho que terminar!

- Ai! Não precisa me expulsar também tio Kamy, já estava de saída mesmo! Mas não precisa chorar, amanhã eu volto! - Deu uma piscadela e um sorriso para o aquariano e saiu seguido por Mu!

- Mas amanhã é domingo!

- É mesmo... Mas o Albiore é um cara legal, sei que ele não vai se importar em abrir a escola só para você me dar aula! Até amanhã Kamy!

- Pela última vez... É CAMUS!

Saíram da sala e as risadas de Milo e June só foram abafadas quando a porta fechou sozinha deixando o francês isolado na sala, estava mais que confuso com tudo, sentou-se encostado em uma parede e afundou a cabeça entre seus joelhos dobrados, seus cabelos caindo e cobrindo-lhe o rosto. Ficou alguns minutos refletindo ao som das músicas que tocavam ainda baixo no CD player e por mais que tentasse não parava de pensar em Milo com todo seu corpo, lindos olhos azuis, pele macia, sorriso e lábios que tiravam qualquer um do sério, o perfume cítrico em seu pescoço misturado ao aroma doce em seus cabelos deixado por algum shampoo... céus, não podia, definitivamente não podia pensar naquilo! Ouviu a porta abrir novamente de surpresa e viu June entrando, sempre sorrindo, como ela conseguia?

- Levanta logo daí! Pensei que tinha uma coreografia para criar!

- Tenho, mas vou deixar para depois, só estava descansando um pouco!

- Sei... Não me engana Camus Beauchamps! Sabe, estava pensando em sair e tomar um chocolate quente, vem comigo?

- Não acho uma boa idéia, você sabe, eu...

- Não sei, você acabou de dizer que vai trabalhar depois e não adianta dizer que esta sem dinheiro, hoje é por minha conta, nem adianta reclamar!

- Tudo bem, acho que não adianta discutir contigo falando que esse não é problema!

- Não mesmo!

-oOo-

Os dois amigos logo saíram da Andrômeda e pegaram um táxi para o hotel, teriam pouco tempo para tomar um banho e trocar de roupa antes de encontrar com Saga na hora marcada, sabiam que Aiolos havia combinado de buscá-los no hotel para irem juntos até à bienal.

- Ele já esta na minha mão, Mu! É hoje, você vai ver!

- Eu não acho, ele parecia muito irritado com você, isso sim!

- Você é ingênuo para essas coisas! Ele não estava irritado, só não queria assumir que me desejava, esta louquinho por mim!

- Mais convencido que você impossível, Mi! - O ariano tentava não rir do amigo, mas era impossível.

- Sou apenas realista... Você diz isso porque não sentiu como ele me abraçava, estava até tremendo de emoção!

- Ta bom, vou fingir que acredito!

- Você vai ver hoje a noite, a June garantiu que consegue convencer o ruivinho a sair com a gente hoje, já estou com o telefone dela e assim que sair daquela bienal vamos encontra-los!

- Ahh não! Boate de novo não!

- Relaxa, não vamos para nenhuma boate... não hoje!

Os dois discutiram mais alguns detalhes sobre o "plano de ataque" de Milo e logo chegaram ao hotel, Mu logo correu pelas escadas no quarto para ser o primeiro a tomar banho, sabia como o outro demorava para fazê-lo e sempre atrasavam, mas hoje ele não queria perder a hora, estava ansioso com o evento e sentia que teria alguma grande surpresa por lá.

-oOo-

Após trocar os trajes de dança por roupas comuns (Não que fosse tão comum usar camiseta sem manga em um tempo frio como Camus fazia), June finalmente conseguiu arrasta-lo para um Café próximo à escola. Caminharam em silêncio até o local, ele normalmente era de poucas palavras, não falava muito além do perguntado e ela procurava entender o que estava acontecendo ao amigo, embora já soubesse que era culpa de um certo loiro. Escolheram uma mesa reservada, o local era pequeno e acolhedor, não estava cheio naquele horário, mas mesmo assim Camus correu para uma mesa em um canto afastado das outras pessoas que ali estavam e pediram dois chocolates quentes com alfajor.

- Pode começar a me contar o motivo da sua cara mais emburrada que o normal Cam!

- Hm? - Estava distraído observando os quadros na parede que sua mente demorou para entender a pergunta – Ah sim, não estou emburrado June, apenas cansado, já é sábado e a semana foi bastante corrida.

- Sua voz não me engana, mas já entendi que, como sempre, você não quer me contar seus problemas!

- Mas já disse, não aconteceu nada! - Fingiu um sorriso.

- Eu já entendi – June sorriu de volta, mas ao contrário de Camus era sincera ao fazê-lo – Eu estava pensando como é engraçado... Você é o meu melhor amigo, meu confidente, desde que começamos a dançar e passar o dia quase todo juntos, eu tenho um carinho por você, ninguém mais sabe tanta coisa de mim ou me conhece tão bem como você... E até hoje eu quase nada sei da sua vida, você parece um iceberg, não só por ser frio, mas porque eu não conheço nem 10 porcento de você, tá tudo escondido Cam!

- Eu... Me desculpe, mas não tem nada interessante em minha vida!

- Com certeza tem! E teria muito mais se você não fugisse assim do mundo! Raramente sai quando te convido, pouco sorri, e se te vi sair com alguém mais de uma vez foi muito! - A loira segurou a mão dele e continuava com seu sorriso doce e sincero – Não estou brigando com você, mas abre os olhos, vai ser melhor!

Permaneceram alguns instantes em silêncio, Camus sabia que ela dizia a verdade embora ele jamais admitisse. Desde que largou a vida na França e encontrou seu refúgio em Buenos Aires vivia fechado em seu mundo, não queria magoar nem causar mágoas, já havia decepcionado bastante seus pais por seguir suas escolhas, depois de algum tempo convenceu-se de que era melhor viver isolado, assim não poderia ferir ninguém, nem a ele mesmo. Sabia muito bem do carinho que June tinha por ele mas por viver em seu casulo não demonstrava o quanto também gostava dela, sabia também que podia confiar na garota mas não conseguia. Seu mundo estava fechado.

- Estou bem, não fica preocupada! Mas me fala de você, já não ficamos conversando assim há algum tempo! - Fugiu do assunto rapidamente.

- Esta tudo ótimo, tranquei o Shun na sala e passamos uma noite inteira de amor!

- Sério?

- Claro que não Cam... Já desisti dele, não adianta, ele não demonstra nenhum interesse por mim! - Apesar do leve riso a voz não escondia sua mágoa – Parece só ter olhos para o Hyoga!

- Mas o Hyoga também não parece estar interessado nele, é sempre tão dedicado aos ensaios...

- Esta enganado! Ele te admira muito, me disse uma vez que queria ser como você, por isso é tão dedicado, mas já cansei de ver os dois muito próximos e em situações estranhas fora das aulas, não só com o Shun, mas com o Isaac também!

- Eu sempre achei que aquelas freqüentes brigas tinham uma razão maior!

- Só você não percebeu ainda! Mas apesar de tudo, nunca vimos o Hyoga de fato com nenhum dos dois mas eu acho que a relação dele é com o Shun, já a Marin, ela ainda não acredita que aquela semana que o Hyoga e o Isaac foram para Bariloche não foi apenas uma "viagem escolar"!

- Eu nunca havia percebido...

- Então, agora vê que quando falo para sair mais um pouco com a gente não estou exagerando? Todos já perceberam isso!

- Vamos lá! Aproveita que hoje é sábado, vou a um pub com as garotas, por que não vai com a gente? Vai ser divertido e não vamos trabalhar hoje à noite, vamos!

- Tudo bem, não resisto ao pedido de uma amiga, mas se não se importar prefiro voltar cedo para casa!

- Sem problemas! Só espero que não comece a nevar já que você vai sair de casa hoje!

Riram juntos e conversaram um pouco mais, ela sabia que mais tarde encontrariam o grego, mas nada comentou para não fazer o amigo mudar de idéia. June percebeu logo o interesse de Milo e achou que Camus devia mesmo sair com alguém, então por que não tentar?

-oOo-

Depois de vários minutos de atraso por parte de Milo, que já estava preparado para o "ataque ao ruivinho" após a bienal, ele e Mu foram até a entrada do Hotel onde Saga e os irmãos já esperavam conversando junto ao carro.

Estavam sim atrasados mas cada minuto que Milo gastou valeu a pena, ele estava realmente muito bonito em uma camisa preta com mangas, justa no corpo e uma calça xadrez clara que caia muito bem em suas pernas, um sapa-tênis, o casaco branco que carregava no ombro e os cabelos que já estavam secos e soltos, com as ondas bem modeladas, completavam o visual. Já Mu, usava uma calça preta camisa com alguns desenhos abstratos, um casaco aberto por cima da blusa e tênis, Milo era extremamente vaidoso e Mu era lindo em sua simplicidade.

O escorpiano olhou torto para Aiolos que estava muito próximo ao Saga, mas foi logo falar com Aiolia, havia gostado bastante do garoto na noite passada, mas infelizmente estivera bêbado maior parte do tempo e pouco conversaram. Mu também abraçou o leonino e logo entraram no carro onde foram conversando animadamente com destino ao evento.


(1) A escápula é um osso grande e chato, localizado na parte superior das costas, é um osso par, encontrado tanto no lado esquerdo quanto no direito. É na altura da escápula que o cavalheiro deve encaixar a mão ao abraçar a dama durante a dança.

Curiosidades:

Originariamente, o tango nasce no final do século XIX de uma mistura de vários ritmos provenientes dos subúrbios de Buenos Aires. Esteve associado desde o princípio com bordéis e cabarés, âmbito de contenção da população imigrante massivamente masculina. Devido a que só as prostitutas aceitariam esse baile, em seus começos era comum que o tango fosse dançado por um casal de homens.

Mas o tango como dança não se limitou às zonas baixas ou a seus ambientes próximos. Estendeu-se também aos bairros proletários e passou a ser aceito "nas melhores famílias", principalmente depois que a dança teve sucesso na Europa.

A melodia provinha de flauta, violino e violão, sendo que a flauta foi posteriormente substituída pelo "bandoneon" (espécie de sanfona). Os imigrantes acrescentaram ainda todo o seu ar nostálgico e melancólico e desse modo o tango foi se desenvolvendo e adquirindo um sabor único.

N/A:

Quero primeiro pedir desculpas pela demora mas acabei mais enrolada do que normalmente fio neste mês! Também sei que ficou um pouco menor que o outro e alguém vai querer brigar comigo já que não detalhei tanto a cena dos dois dançando, mas logo tem mais, bem mais!! No próximo novos personagens aparecem e ... Vocês vão descobrir! Muahuahaua!

Queria agradecer todos os reviews que recebi: Mussha, Haina Aquarius-sama, Prajna Alaya, gota gelada, Drika, Theka Tsukishiro, cle, Karol Uchiha (obrigada pelas mensagens cobrando atualização da fic também!), Athenas de Aries e graziele. Já respondi todas mas se por algum problema alguém não recebeu a resposta só avisar que mando novamente! Obrigada pelo apoio e espero que continuem gostando da fic!

Para os tímidos que não deixaram review mas estão acompanhando, obrigada também!

O título "Tango Azul" foi inspirado na música do Gotan Project, a música citada durante a aula deles. (O motivo é bobo, como "azul" normalmente é cor de meninos e nesse eles dançam... ;P)

Queria agradecer especialmente a Theka! Por me aturar nas idéias loucas pra essa fic no msn e betar este capítulo! Obrigada amiga!! (PS: Leiam as fics dela xD)

Até o próximo capítulo!!