Percorro teu corpo
Que dispo lentamente
E as minhas mãos entrelaçadas
Nas tuas
Dissipam o palco…
Num tango…

Avanço...
Rodopio na pista
Num passo de dança,
Nossos corpos balançam
Bailemos agora…
Um tango…

Somos dois loucos

E nossos passos embriagados
Cadenciados
Compassados.
São longos…
Rasgados
Rasgo o teu decote
E olho os teus seios.
Não é passo, é dança.

Dancemos
Freneticamente sós
Unidos!
Entrelaçados!
(Afastados?)
(Nós?)
(Num tango?)

Dancemos agora os dois…
Um tango!

(Rogério Martins Simões)

Capítulo 5 – Mar Dulce

Estava deitado no banco traseiro do automóvel, já não agüentava mais aquela estrada. O Senhor Nikos Palaiopoulos, seu pai, dirigia o veículo com tranqüilidade enquanto conversava com sua esposa ao som de uma música clássica, que para o garoto era um convite ao sono.

Nikos era um homem muito bem sucedido, não apenas por possuir metade dos lucros de uma empresa, o que lhe rendia uma enorme fortuna, mas também por ser feliz em seu casamento com Athina, uma bela mulher, mãe do seu único filho. O casal comentava detalhes sobre a festa de aniversário de sua empresa que haviam acabado de sair, na casa de verão do primo e sócio de Nikos. O patriarca sempre fazia questão de estar com a família reunida embora o caçula não ligasse nem um pouco, pelo contrário, não se interessava pelos negócios da familiares e foi estudar arquitetura, mas apesar de tudo, em nenhum momento seu pai interferiu em sua decisão.

Com uma certa influência do seu pai, Milo conseguiu rapidamente um disputado estágio na maior empresa de construção civil do país, não era mal aluno, mas aquele não era um feito para qualquer estudante em seu primeiro período, como ele, ainda mais alguém que trocava qualquer aula por uma boa festa.

- Como vão as coisas no estágio filho?

- Normal, pai!

- Normal? Bom, só em você não falar mal então significa que esta tudo indo muito bem!

- Nem te conto...

Milo deu um sorriso travesso com os pensamentos que teve sobre o assunto. Realmente o casal Palaiopoulos não fazia a menor idéia do quão produtivas eram as tardes em que o garoto passava em seu "trabalho" com Saga. O engenheiro logo mostrou interesse, Milo era sensual e sempre soube usar isso ao seu favor, seduzir o chefe para se dar bem era apenas mais uma de suas táticas, mas neste caso, não teria menor problema em cumprir a tarefa, já que o alvo em questão não era apenas um "pedaço de mal caminho", mas sim, uma verdadeira freeway para a perdição!

Seus pensamentos foram interrompidos pela voz assustada do seu pai.

- Não quero preocupar vocês mas parece que já estão nos seguindo há algum tempo!

- COMO? - Levantou-se rapidamente do banco de couro onde estava deitado, olhando para trás.

- Este carro que está colado em nossa traseira, já facilitei a ultrapassagem mas ele não sai, nem mesmo quando reduzi a velocidade!

- Tenta acelerar mais um pouco, amor!

- Não posso ir mais rápido querida, a estrada é bastante sinuosa e posso perder a direção!

- Deve ser um assalto, pai! Tenta fugir até o próximo posto de gasolina!

- Estou tentando, fiquem calmos!

Milo abraçou sua mãe por trás do banco, passando seus braços pelo ombro dela e apoiando a cabeça no encosto próximo ao rosto da mulher, enquanto ela segurava forte suas mãos.

- Fica calma, mamãe! Não vai acontecer nada!

Um beijo no rosto materno. Foi a ultima coisa que Milo conseguiu fazer antes de sentir o choque contra o carro e tudo que veio depois passou em uma fração de segundos: Gritos, medo, pavor, uma nova colisão, barulho, gravidade, giros, agonia, estilhaços, dor, dor, dor, muita dor. Foi tudo o que sentiu antes de perder a consciência.

-oOo-

O quarto encontrava-se escuro devido às pesada cortinas. A confortável cama com os lençóis egípcios e o macio edredom sobre seu corpo ajudavam a manter o sono pesado, mas só até certo ponto. Não demorou muito para acordar com uma estranha agitação perturbando a manhã, piscou forte os olhos algumas vezes antes de dar-se conta de onde estava e acender o abajur ao lado da cama, a fim de enxergar o que estava acontecendo. Para sua surpresa, Milo se remexia bruscamente e apesar da baixa temperatura do cômodo, já havia fugido das cobertas e suava frio, com ma expressão de pânico em seu rosto.

- Mi? Milo.. Acorda! Acorda, acorda, Milo! - Mu passou a mão pelo rosto do amigo, sentindo a pele fria – Psiu, fica calmo, estou aqui, acorda, Milo!

- Ma... mãe – O loiro sussurrava em um tom quase mudo, segurou forte a mão que sentia tocar o seu rosto, cravando suas unhas no pulso do ariano. Estava no limite entre o sono e a lucidez.

Mu não sabia o que dizer, não era a primeira vez que aquilo acontecia e já conhecia bem aquela reação: Milo teve mais um pesadelo com seus país e o dia de um acidente fatal.

- Milo! Fica calmo, está tudo bem, sou eu!

Abriu os olhos e só assim teve a certeza que não passara de mais um sonho. Aquilo era sempre tão real que era capaz e sentir tudo que passou naquele fatídico dia, nervosismo, medo, angústia e até mesmo a dor. O loiro logo viu que apertava forte o braço de Mu, que estava sentado ao seu lado tentando acalmá-lo, imediatamente, puxou-o em um abraço, como uma criança que precisava de colo desesperadamente, logo estava chorando entre soluços enquanto seus cabelos eram acariciados em um pedido mudo para relaxar, pois estava protegido.

- A-aquele... aquele pesadelo... outra vez...

- Eu sei, mas já passou, estou com você agora, Mi!

Chorou por mais algum tempo, era difícil lembrar de tudo aquilo e as conseqüências daquela tragédia. Lembrou que as últimas palavras trocadas com seus pais não passaram de gritos, das mãos maternas apertando as suas até serem separados pela dor, as sirenes e os sons do hospital, traição, perdas. Era difícil alguém imaginar tudo que Milo já havia enfrentado, ninguém suspeitava que o jeito brincalhão e superior que ele sempre mantinha era apenas uma bela fachada para um coração em ruínas, talvez por isso, Mu o admirasse tanto e não ligava para as atitudes, na maioria das vezes imaturas, do grego. Mas aquele que estava ali agora era um outro Milo, aquele que ninguém mais conhecia, mas era verdadeiro, sensível, frágil, tudo que sempre tentava esconder com medo de sofrer novamente.

- Mu, desculpe, eu...

- Já disse que não tem porque pedir desculpas, você sabe disso, meu amigo!

- Alguns anos e ainda não aprendi a lidar com isso!

- Eu sei o quanto é difícil, Mi, mas não podemos mudar o passado, pelo menos nós dois temos sorte de ter alguém que se preocupa conosco!

- Mas não é a mesma coisa...

- Claro que não...

Mais alguns instantes calados, Mu já havia deitado ao lado de Milo e este ainda o abraçava, com a cabeça repousada sobre seu peito.

- Sabe, você ainda tem o seu irmão, mesmo longe sabe onde ele está, já eu... Não tenho mais ninguém!

- Não fale isso, você tem a mim! O Saga, O Kanon...

- Até quando, Mu? Até quando? Até ele cansar dessa brincadeira comigo?

- O Saga não é assim, você sabe disso!

- Como não é? Você mesmo fez questão de jogar isso na minha cara ontem!

Silêncio.

Milo apartou-se do abraço, virando-se para o lado contrário, enfiando-se debaixo do edredom e travesseiro. Acordaram tão confusos que nem haviam pensado na briga do dia anterior e que desde então não se falavam.

- Eu não queria ter dito aquilo, não mesmo, eu só... só...

- Esquece!

- É sério, é que eu... bem... eu...

- Relaxa!

- Éporqueeuestavacomciuumms...

- HÃ?? - Milo já estava quase rindo ao ver o amigo tentando um pedido de desculpas, no fundo não estava com raiva, até queria lhe agradecer depois pela sinceridade.

- Ciúmes! Você, Aiolia, pronto, falei!

Desta vez foi o ariano que virou para o lado oposto ao amigo, não estava confortável em dizer aquilo, mas para acabar com a "briga", precisava da verdade. O que não esperava era ver Milo em uma descontrolada gargalhada.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!

- O que foi agora?

- HAHAHAHA... cof cof... HAHAHAHAHAHAHAHAAHA!

- MILO!

- VOCÊ... HAHAHAHAHA... CÍUMES... HAHAHAHA... COF COF... HAHAHAA... AIOLIA!

- E onde está a graça?

- HAHAHAAHAHA... cof, cof, Você está brincando não é? - Tentava com todas as forças parar de rir, enquanto isso Mu já estava com uma cor de deixar qualquer tomate com inveja!

- Tá com ciúmes do gatinhoooo! Essa é boa, tenho que contar pro Aiolia! - Ficou por cima do amigo, sentado em sua barriga enquanto tinha as pernas pelo lado do seu corpo, assim fazia cócegas em Mu sem que ele fugisse – Muzinho e o gatinhooo! Sentados num banquinhooo! Dando beijinhooos, lalalala! - Cantarolava frases sem sentido e rimas bobas, junto com as cócegas, irritando mais ainda o outro.

- AIII... PARA COM ISSO, SEU... AIIII... PARA MILO!!

- Muzinho apaixonadoo... Moreno gostozassoo... O meu amiguinhoo... vai perder o caba...

- MILOO! PARA!! Aiii... Não é isso... AII PARA COM ISSO!! Ciúmes de VOCÊ com ele.. PARA!!

- HAHAHA! Tá, eu paro, mas só até você me contar direito!

- Humpf.. - Um resmungo foi tudo que respondeu.

- Ahh, se não contar vou fazer mais cócegas!

- Tá, para, é o seguinte... - respirou fundo – Eu só achei que você estava me trocando por ele, me ignorando, só isso!

- E precisava daquela cena toda? - Ainda falava rindo e sentado por cima de um Mu já rendido.

- Não! Desculpa! Mas você também não precisava ter me batido não é?

Milo ainda riu um pouco antes de ficar sério, realmente Mu tinha razão, agora olhava com atenção para umas marcas roxas em seu rosto, principalmente um grande hematoma logo abaixo do seu olho e um pequeno corte próximo à boca. Passou de leve a mão pela face do outro.

- É verdade, também lhe devo desculpas! Pela primeira vez perdemos o controle assim! - Ficou um tempo pensativo, mas logo voltou com seu jeito debochado - Mas pensando bem, esse roxinho ai até combinou com esse seu cabelo!

Mu protestou em vão. O novo ataque de cócegas só foi finalizado pelo som do telefone, quando Saga ligara para os dois avisando que iriam almoçar na casa do Aiolos e já deveriam se preparar.

-oOo-

- LEVANTA LOGO, PREGUIÇOSO! O SAGA JÁ ESTÁ SAINDO DO HOTEL!

- Mas Olos, só dez minutinhos!

- Você já esta falando isso há meia hora! Levanta logo e me ajuda um pouco! Pode pôr a mesa enquanto termino de preparar o almoço!

- Hmm, qual o rango?

- Você vai ver, mas primeiro me ajuda um pouco! E vai logo tomar um banho e escovar os dentes, parece mais um leão com esse bafo e essa juba despenteada!

- Ahh, vai te catar!

Após arrumar a mesa com tudo em seu devido lugar, Aiolia foi para um merecido banho (que não tomara desde que voltara do Pub na noite anterior), enquanto o irmão terminava de preparar o almoço para os convidados que logo estariam chegando.

-O-

A Plaza Chile é uma praça que, embora com excelente localização em uma movimentada área da cidade, é bastante tranqüila, freqüentada na maioria das vezes apenas pelos moradores do local. Por ser um pouco deserta, muitas pessoas evitam o lugar e casais aproveitam para momentos de "carinho", mas apesar disso, é um lugar belíssimo, que possui lindos monumentos, esculturas e um campinho de futebol. Poucos edifícios privilégiados estão inseridos junto à praça, eles possuem uma entrada para veículos por uma rua em sua fachada frontal, mas os apartamentos de fundo com uma entrada apenas para pedestres dentro da praça são os mais valorizados ali. Era por ali que Saga caminhava lentamente com Milo e Mu até a residência do amante.

Era tudo tão calmo que ouviam o canto dos pássaros e o som do balançar das folhas ao vento, o local arborizado era uma ilha de silêncio em uma das zonas mais agitadas da cidade, o verde tomava conta de tudo e já imaginavam que a vista pela sacada dos luxuosos apartamentos, de fato, deveria ser única! Saga poderia ter descido do taxi logo em frente ao prédio pela outra portaria, mas quis passear um pouco com os dois pelo local que tanto gostava. Em alguns minutos já haviam anunciado a chegada pelo interfone, tomado o elevador para a cobertura e esperavam a abertura da porta.

- Bem vindos! - Aiolia abriu a porta, não trajava nada mais que uma bermuda e estava com os cabelos molhados como quem acabara de sair do banho.

- Gatinho, gatinho! Não aparece assim na minha frente de novo se não eu te agarro! Aiii! - Milo tomou um cascudo na cabeça, merecidamente aplicado por Saga, fazendo todos os outros rirem!

- Mal chegou e já esta jogando cantadas baratas? Onde está tudo que te ensinei? Tem que cercar a área com calma para na hora do tiro não errar o alvo!

- Falou a voz da experiência! Mas duvido que alguém como você erra um alvo Saga, você paralisa qualquer um! - Aproximou-se e deu um leve beijo no amante – Vamos entrar ou preferem ficar de pé na porta mesmo?

Aiolia já percebendo o clima meloso tratou logo de levar os dois para seu quarto. O apartamento era muito bem decorado em um estilo Hy-Tech, sofás e poltronas em couro preto, eletrônicos de ultima geração e objetos de design arrojado, eram só alguns elementos na composição da área social. O quarto do leonino também não deixava nada a desejar, apesar da bagunça instalada ali, tudo no quarto mantinha o alto padrão do restante da casa. Uma porta com saída para a varanda estava aberta e podiam admirar a bela paisagem da praça que ficava ainda melhor ali do alto.

- Então, já discutiram a relação?

- Já! Conversamos e terminamos com um sexo selvagem, não é Mu?

- NÃO!

- Ahh, sem brigar novamente, moças! Não quero nada quebrado no meu quarto!

- Relaxa, gatinho! Não vamos quebrar nada – riu jogando-se na cama de casal – Gostei da sua cama, quando vai me chamar pra dormir aqui com você, heim?

- Mu, posso bater nele?

- À vontade!

Riram enquanto Aiolia mexia em seu armário procurando uma camisa e logo depois vestindo-a.

- Ahhh, tira! Tira! Tira! - Milo, quem mais protestaria zombeteiro quando Aiolia terminou de pôr a peça de roupa?

- Para de graça e me conta, qual foi aquela de ontem, heim?

- O que aconteceu? - Mu que estava ausente não entendeu a pergunta do leonino.

- Nada, o gatinho ta imaginando coisas! E ai, como tá a ruiva?

- Hã?

- Só conto se me contar!

- Alguém pode me explicar sobre o que estão falando?

- Não foi ontem, perdeu! Mas vou contar... O Milo ai fez alguma coisa que deixou o ruivo enfezado e pior que nem ouvi esse peste soltar uma única piadinha com ele! Muito, muito estranho, os dois sumiram e quando voltaram nem se olhavam mais e quando o Camus foi embora, falou com todo, menos com ele e para piorar o Milo nem protestou!

- Pra quem estava tentando agarrar a Marin até que você é bom observador!

- Quem é Marin? E o que você fez, Mi? Pela sua cara não foi boa coisa!

- Marin é uma amiga do Camus, e que amiga! Ruivinha, oriental e muito gata! Vamos sair mais tarde – Falava com um certo brilho no olhar e uma estúpida cara de bobo.

- Hmmm, então me conta, pra onde levou a moça ontem depois que fui largado no hotel, heim?

- Para a casa dela, onde mais? Ela não é do tipo que se deixa seduzir na primeira noite e além de tudo, ainda esperei o Olos descer quando você saiu, ele voltou comigo e levamos a Marin em casa!

- Milo o que você fez com o Camus? - Mu nunca esquecia uma pergunta sem resposta.

- É Milo, não muda o assunto, o que você fez?

- Se querem saber mesmo, não foi nada demais, só beijei o ruivo, satisfeitos?

- Hmmm e pela cara que vocês estavam depois no mínimo ele te empurrou longe?

- Claro que não! É que... - pensou um pouco antes de continuar, mas talvez fosse melhor não falar mais, já que nem ele mesmo saberia explicar sua reação – É, foi isso, ele ficou com raiva, me empurrou, tomei um toco, agora podem rir!

- Não vou rir, Mi, mas não vou tirar a razão do Camus, se você quer mesmo ficar com ele não vai ser assim que vai conseguir, ele é diferente dos tipos de caras que você costuma sair se não percebeu!

- Como assim, Mu?

- O Camus é sério, não é o tipo que liga pra baladas e acho que não iria pra cama com você só por pura diversão!

- Mu, você pode até gostar dessa vida de celibato, mas isso não quer dizer que os homens normais também gostem!

- Não quis dizer isso, só que o Camus não parece ser daqueles que caem nas garra do primeiro desesperado por sexo que tenta agarrá-lo!

- Me chamou de desesperado por sexo?

- Entenda como quiser! - Com um sorriso irônico fez Aiolia rir também, apenas Milo continuava emburrado.

- Ei! Isso já é complô! E Mu, você nem conhece o cara direito, você é designer, não tenta dar uma de psicólogo! Vai que ele é um desses ninfomaníacos enrustidos que deve estar só esperando eu ficar sozinho com ele e me atacar, você vai ver!

- Milo, Milo, você não muda nunca!

- E perder meu charme? Jamais! - Riu gabando-se, se havia algo que não faltava no escorpiano era a modéstia – Oba, você também tem um Playstation 3! Vamos jogar, Gatinho! Vamos? Vamos? - Nem esperou a resposta e já foi escolhendo um dos jogos, Heavenly Sword e foi ligando o aparelho.

Milo e Aiolia ficaram algum tempo entretidos com a jovem Nariko na TV de plasma com algumas muitas polegadas, jogados na cama em um intenso caso de amor com o joystick. Enquanto isso Mu apenas observava sentado em um puff ao lado, pensando como faria para sair de fininho daquele lugar algumas horas mais tarde, em sua cabeça logo veio a preciosa informação que encontrou no fôlder com a programação da bienal.

"16:00 Afrodite Vackerblommor, Suécia, Paisagismo."

-O-

- Agora podemos começar, estava muito seco!

- Um pouco, agora já posso mexer?

- Claro, quanto antes melhor! – Sorriu e beijou-lhe a boca.

- Hmm, isso está gostoso!

- Não viu nada ainda, não sabe o que vem depois!

- Ahh é? O que? - Sorriu enquanto era abraçado por trás e beijado na nuca.

- Arní psitó me patates (1)! E na sobremesa, kourabié (2)!

- O Mu que não vai gostar muito, é vegetariano.

- É verdade, ele comentou comigo ontem no hotel durante o jantar, mas também fiz uma Xoriátiki (3), está na geladeira. Vou levar o Melitzanosaláta (4) para a mesa com os pães, quando acabar de mexer o Tzatziki (5) terminamos!

Tempos depois ainda estavam comendo e apreciando bebidas gregas tradicionais como o ouzo e o mavrodafni (6). É parte da vida social dos gregos passarem horas em torno de uma mesa, mas com a rotina corrida que todos levavam, já não havia muito tempo para isso. Todos conversavam de forma divertida, Milo já não implicava mais com Aiolos e com um certo esforço até poderia admitir que era m cara legal. Conversavam sobre a cidade, projetos, Grécia, vagens e contavam piadas (Milo e Aiolia, claro), mas o assunto "relacionamentos" sempre era o único desviado quando ameaçava aparecer, cada um pelo seu devido motivo.

- É bom ter vocês conosco hoje, há muito tempo não tínhamos um verdadeiro almoço grego!

- O prazer é todo nosso e devo dizer que você continua muito bom como cozinheiro! Saiba que ainda vou explorar bastante os seus dotes antes de voltar para casa – Saga era irônico, Aiolos ficou levemente corado e Milo assobiava para irritar o casal.

- É uma pena você ainda ficar em hotel toda vez que vem à Buenos Aires, poderia ficar aqui em casa junto com os garotos, não teria o menor problema, o quarto de visitas é justamente para isso!

- Eu sei disso e agradeço, mas você sabe como gosto de um hotel, não desmerecendo a sua oferta, claro! - Sorriu e logo deu um selinho no sagitariano.

Mu olhava impaciente para o relógio, 15:09, logo teria que dar um jeito de sair dali, o problema seriam as perguntas que certamente Saga faria. Ao seu lado, Milo e Aiolia também conversavam.

- Ah Milo, se quiser posso falar com a Marin para ela convidar a Shina, a June e o Camus, só vamos ao cinema, não tem nenhum problema você, o Mu e eles irem também!

- Hmm, melhor não, aproveita com a garota que eu encontro o que fazer com o Mu! Qualquer coisa eu chamo a June e a Shina também, elas são legais!

- HÃ? - Mu e Aiolia perguntaram juntos, chamando até mesmo a atenção do casal que trocava beijos entre um gole e outro do Ouzo.

- O que foi?

- O toco que o Camus te deu foi tão grande assim que você não quer nem ver o cara?

- Ahh, não enche! Só não estou afim de ir ao cinema, Mu! E deixe-o ficar com saudade! - Milo tentou rir mas não foi nada convincente, mas os dois acharam melhor deixar aquilo como estava, por enquanto.

- O Milo tomou um toco? O que aconteceu com o todo poderoso "escorpião"?

- Ahh, até você, Saga? Não se pode mais nem tomar um mísero toco em paz!

Todos riram, até mesmo Milo. O almoço corria sem maiores problemas, exceto para Mu que via o relógio marcar 15:42. Havia pensado bastante sobre estar tão fascinado por aquele garoto loiro, mas era o tipo de coisa que preferia não entender e seguir seus instintos, mas se continuasse ali poderia perder aquela oportunidade.

- Aiolia, como faço para chegar na bienal daqui?

- Não é longe, mas por que?

- É que... Bem, eu queria ir lá agora!

- Agora?

- É Saga, sabe, tem uma palestra que eu queria assistir e também não vi quase nada ontem. - Mentira, mas era o único jeito, na verdade ele havia aproveitado bastante antes de voltar sozinho ao hotel, mas por sorte não havia encontrado mais Saga e os outros por lá.

- Mas não pode esperar um pouco? Ainda vou passar lá hoje à noite!

- Mas é que a palestra é às 16:00.

- Deixa o garoto, Sá! Ele já acabou a sobremesa, mais tarde encontramos ele por lá!

- Olos, o Mu não conhece a cidade, pode ficar perdido!

- Eu e o Milo podemos ir com ele!

- NÃO! Err... Digo... Não se preocupa Aiolia, é só me dar o endereço e pego um táxi!

- Saga e Milo trocaram um olhar, aquilo era mesmo estranho, mas Mu sempre fora um bom garoto e era muito responsável, então não conseguiram argumentar contra a teimosia do ariano em ir ao evento.

- Só uma pergunta Mu, qual palestra vai ver?

- Hmm, do Afrodite, um paisagista.

- Aquele sueco nojentinho que só sabe falar de flores, não sei como consegue ser convidado como palestrante, deve ser aquele namoradinho mafioso dele... Espera, desde quando gosta de paisagismo, Mu?

- Pois é, Saga, acho que preciso descobrir novas áreas! - Sorriu, pegou sua carteira e celular sobre um aparador na sala e logo foi até a porta. Desculpou-se com Aiolos por sair no meio do almoço (que se demorasse mais um pouco estaria na hora do jantar), e fugindo logo para evitar mais perguntas.

Mu desceu até a saída para a rua do prédio e tomou um táxi, deu o endereço desejado ao motorista e este seguiu com a corrida. Conferiu o relógio mais uma vez, 15:53, chegaria atrasado, mas esperava realmente encontrar Shaka por lá.

-oOo-

Entrou no prédio da bienal ansioso, a palestra do sueco já deveria ter começado à quase dez minutos. Andou um pouco até chegar ao auditório, não estava lotado mas havia um número considerável de presentes, logo de cara viu Afrodite com um visual bastante alternativo, porém belo, a justa calça de couro e a blusa eram negras, porém usava um cinto largo e prateado, blazer em um corte moderno ciano e uma echarpe listrada multicolorida, caída pelo pescoço.

Seu olhar abandonou o palestrante rapidamente e voltou a procurar quem tanto desejava e logo encontrou a cabeleira loira e lisa do outro. Shaka estava sentado com braços cruzados e o corpo semi-esticado, Mu via em seu roto que estava totalmente entediado com aquilo, ao lado dele estava o "Máscara", pelo menos era por aquele estranho nome que lembrava do homem rude no dia anterior. Foi lentamente até eles, com uma coragem que não sabia de onde havia tirado e sentou-se ao lado.

- Shaka?

- Pensei que você não viria! - Virou para onde sabia que Mu estava e sorriu de forma doce, Mu, que não esperava aquele gestou ficou desconcertado.

- É bem, estava por aqui e lembrei da palestra! - Seria torturado, mas jamais admitira que realmente fora até lá apenas para vê-lo.

- Quer dar uma volta?

- Mas e a palestra?

- Isso? Estou aqui por falta de opção, já ouvi isso infinitas vezes!

- Então quer dar uma volta comigo por falta de coisa melhor? - Mu brincou, em um tom divertido.

- Quem sabe!

- Quem é o moleque? - A voz grossa fez-se soar.

- Máscara, este é o Mu e vamos dar uma volta, então, até mais tarde!

- Não vai à lugar nenhum fedelho! Fiore só te trouxe até aqui para vê-lo, então não vai sair até que ele acabe!

- Depois eu me acerto com o Dite, o que faço não te deve respeito! - Levantou-se e tocou no braço de Mu, até encontrar sua mão e o puxou para segui-lo.

- Se fizer o favor de não voltar agradeço!

- Seria um prazer – Virou-se para dizer antes de afastar-se completamente do italiano.

- Desculpe eu... Não queria causar confusão, não precisa sair por minha causa.

- Fica quieto, Mu, agora se me ajudar a sair daqui mais rápido agradeço!

Saiam da fileira das cadeiras onde estava e Mu o conduziu até a saída do auditório, olhou para trás e viu Afrodite encarando os dois, mesmo sem interromper a palestra. Não fazia a menor idéia do que estava fazendo mas sentia-se feliz.

-O-

- Desculpe-me pelo jeito que te tratei ontem

- Já disse que estava tudo bem, Mu, sinto não poder ter conversado um pouco mais contigo naquela hora, se você conhecesse meu primo entenderia, ele e o Máscara não são nada pacientes.

- Vocês não se dão bem?

- Com o Dite sim, é meu primo mas o considero um irmão, mas o já o Máscara, não o suporto! É o namorado dele e já estão juntos há alguns anos mas nunca gostei disso! Só estou nessa viagem pelo meu primo.

- Máscara... Que nome estranho!

- É um apelido, mas ele me mataria, literalmente, se ouvisse eu o chamar pelo seu nome verdadeiro, faria isso sem pensar duas vezes!

Mu lembrou das palavras de Saga antes de sair, "aquele namoradinho mafioso dele", seria verdade? Pensou mais um pouco de como ele poderia saber daquilo tudo, quando voltasse ao hotel perguntaria.

- E de onde vocês são?

- Minha família é sueca, mas eu não nasci lá como o Dite e sim na Índia. Meus pais gerenciam negócios da família por lá, foi onde nasci e morei até meus quatro anos, mas depois fui viver com meus tios, os pais do Afrodite, em Estocolmo já que a educação por lá seria melhor, ainda mais para uma criança com problemas na visão...

- Então... você...

- Sim, desde que nasci sou cego, se é isso que queria perguntar, não se preocupa, não entendo porque as pessoas ficam constrangidas em falar sobre isso, posso ser diferente mas isso nunca me impediu nada, acho que até desenvolvi melhor os outros sentidos, por exemplo, hoje te conheci pela sua voz e seu perfume – Mu agradeceu em partes Shaka não poder enxergar, pois estava totalmente corado - Só preciso tomar certos cuidados e tenho um pouco mais de dificuldade em certas situações, mas estou acostumado!

- Era isso sim – riu de leve, Shaka era bastante adorável apesar da primeira impressão de um rapaz sério que tivera. - E você ainda mora com seus tios?

- Não mais, quando o Dite resolveu sair de casa pediu para que eu fosse junto, então ele comprou uma casa como sempre quis: Enorme, com um grande jardim e uma estufa para cultivar flores, nunca vi alguém gostar tanto de flores e rosas como ele! - Riu mas logo ficou bastante sério -Só que um tempo depois ele conheceu o Máscara e mudou muito, ele era doce, sensível, depois começou a ficar grosseiro como aquele italiano, as vezes acho que virou uma má pessoa mas quando aquele cara não esta por perto, tudo melhora. Acho bom que ele não more conosco, mas também não gosto de ver o Dite mal quando ele some, as vezes leva meses para aparecer novamente.

- E porque o Afrodite não o larga?

- Ele o ama, é a única razão que me faz aturar e não falar umas coisas para aquele carcamano!

Os dois riram caminhando entre a exposição dos trabalhos, Mu percebeu que ainda estavam de mãos dadas quando uma senhora olhou feio para os dois, mas não fez menção de solta, Shaka não mostrava nenhum desconforto também.

- E você, o que faz além de belos trabalhos manuais?

- Me formei em design ano passado, trabalho em uma empresa na Grécia.

- Hmm, por isso tem um sotaque engraçado!

- Na verdade não sou grego, fui morar lá aos doze anos mas essa é uma longa história! Sou tibetano e morei alguns anos na China (7). Aquela maquete é de um projeto que desenvolvi junto com o Milo, meu amigo.

- Trabalham juntos?

- Trabalhamos e moramos juntos, na verdade é meu único amigo. - Mu viu Shaka ficar um pouco sério e sentiu sua mão ser abandonada pela outra, mas logo entendeu o motivo.

- Moram juntos? Então deve ser seu namorado.

- Hahaha, jamais! Apenas grandes amigos, os país dele morreram e outras pessoas em sua família fizeram com que ele perdesse a herança, acabou sozinho. Foi então que o Saga, nosso chefe e meu tutor legal, resolveu ajudá-lo... É outra longa história mas se estiver preparado posso te contar!

- Creio que vou gostar de ouvir, mas não gostaria de dar uma volta ao ar livre? Sei que tem uma praça legal aqui perto, alias, nessa cidade só tem praças! (8)

- É claro, vamos lá! Mas como eu ia falando...

-o-

Chegaram a Plaza San Martin após caminharem um pouco, o lugar é uma das maiores e mais belas praças de Buenos Aires. Com seus desníveis e suas árvores frondosas, muita gente aproveita para tomar sol ou fazer um piquenique. Andavam pelo passeio em meio a um gramado, um mureta servia como divisa entre a parte alta e um vasto gramado em desnível onde muita gente encontrava-se deitada, principalmente jovens, mas Mu preferiu sentar na grama em uma área mais interna, próximo à uma árvore.

Haviam conversado bastante durante todo o trajeto, sobre Milo (a quem Shaka ficou bastante curioso por conhecer), sobre trabalhos (Mu ficou feliz em saber que ele era professor em uma escola de artes para crianças com problemas visuais), falavam sobre gostos, manias e tudo mais, a conversa entre eles fluía naturalmente, como o curso de um rio.

- Pena que não pode ver onde estamos agora, Shaka, é um lugar tão bonito!

- Eu sinto uma energia positiva por aqui, é bastante agradável para a meditação – O loiro já havia contado um pouco sobre seus hábitos e a paixão pela cultura indiana, o que deixou Mu bastante interessado – Mas porque não me descreve o lugar?

- Vou tentar... Estamos em uma área gramada e cheia de árvores em volta, várias pessoas estão andando em torno e outras estão como nós, sentadas e aproveitando o lugar, alguns estão fazendo um piquenique, tem algumas crianças brincando com bolas, outros jogando cartas e alguns casais estão namorando!

- É uma pena - Shaka sorriu, não posso vê-los, mas acho que pelo menos a você posso ver, alias, já estamos falando há tanto tempo e nem sei ainda como és!

- Bom, eu sou...

- Psssiu, existem outras formas de saber como as coisas ou pessoas são além dos olhos!

Shaka virou-se de frente para Mu, estendendo a mão, esse apenas a segurou enquanto o loiro começou a subir pelos seus braços, acariciando-os

- Seus braços não são fortes, mas sua musculatura é firme... - Foi subindo as mãos, sempre com carinho – Seus ombros também não são largos e você deve estar com frio para estar usando esse casaco!

- Sou friorento, e a maioria aqui esta assim e não com uma blusa de malha fina como você! -Mu ria, mas estava ficando bastante nervoso com aqueles toques.

- Gosto do frio e estou acostumado à temperaturas rigorosas... - Desceu um pouco as mãos pelo tórax do ariano – Sabia, não é muito forte, acho até que seu corpo é um pouco parecido com o meu! - Passou as mãos pelas costas dele, quase em um abraço, e logo sentiu os cabelos longos – Acho que não só o corpo é parecido! - Os dois riram juntos.

- Por enquanto esta acertando - "Só não sei por quanto tempo vou agüentar essa tortura..." pensou, sentindo as mãos alheias voltarem a tocar seu peito e subirem por seu pescoço. Estremeceu com o toque das mãos frias que subiam-lhe pelo rosto.

- Rosto fino, bochechas macias, mas está machucado – A mão espalmada em um toque delicado, e o polegar contornando as formas do rosto.

- Foi o pequeno incidente com o Milo ontem que te contei...

– Tem certeza que são mesmo amigos? - Sorriu e continuou - Seu nariz é afilado e pequeno... olhos levemente puxados... que engraçado, você quase não tem sobrancelhas!

- É verdade, são finas e fracas, e além disso por ser loiro também elas mal aparecem, Mas não pensa que estamos iguais nisso, meus cabelos estão tingidos de lilás e tenho a pele mais clara que a sua! - Já não sabia de onde tirava forças para falar, Shaka sentia muito bem o quanto ele estava nervoso com os toques, mas também tinha certeza que gostara.

- Sua boca também não é grande... Seus lábios são finos, porém macios... - Mu entreabriu a boca com o toque do polegar do outro, Shaka sentindo aquilo aproximou-se e beijou-lhe levemente, um roçar de lábios – E doces...

Ficaram com as testas coladas, a mão do loiro ainda estava perto da boca do outro, que respirava fundo. Shaka, vendo a falta de reação do ariano, puxou-o em um abraço e beijou-lhe novamente, no início apenas toques sutis, mas logo deixou sua língua invadir aquela boca, Mu começava a abraça-lo mais forte e entregando-se ao beijo. Era gostoso, suave, intenso. Diferente de qualquer outra pessoa que já havia beijado. O indiano levou a mão até a nuca do tibetano, acariciando-lhe ente os cabelos com as pontas dos dedos. Mu apertou o abraço e deitou-se na grama, fazendo o outro ficar por cima de si. Logo veio o pôr-do-sol, fazendo as pessoas começarem a deixar a praça enquanto o manto negro da noite cobria o céu, mas eles não viram isso, apenas ficaram afogados em um mar doce, repleto de carícias e sensações que jamais seriam esquecidas, apenas eles, apenas Mu e Shaka, em um novo universo formado entre a grama macia e o balançar de folhas das árvores.


(1) Arní psitó me patates – Pernil de Cordeiro com batatas assadas.

(2) Kourabié – Doce amanteigado com recheio de amêndoas.

(3) Xoriátiki – (Ou Horiatiki) Salada grega.

(4) Melitzanosaláta – Tipo de patê de berinjela.

(5) Tzatziki - Coalhada com pepino e alho.

(6) Ouzo e Mavrodafni – Bebidas típicas gregas. O Ouzo é um destilado de uva com essência de anis ou erva-doce, O nome é registrado pelos gregos, como a tequila é para os mexicanos, a cachaça para os brasileiros e o champanhe para os produtores da região de Champanhe, na França. O Mavrodafni é um vinho doce e licoroso da região do Peloponeso.

(7) O Tibete é hoje uma província incorporada à República Popular da China. Ainda hoje,

considerado pela China como uma região autônoma chinesa.

(8) Pequeno comentário: Em Buenos Aires, as "praças" em geral são grandes áreas gramadas e arborizadas. Não necessariamente a imagem que temos aqui de uma área com banquinhos, velhinhos jogando xadrez e playground, se alguém ficar curioso é só procurar nas imagens do google a Plaza Chile e a San Martin, são lugares lindos!

Palaiopoulos: Os sobrenomes gregos são patronímico e repletos de significados, sempre referem-se ao lugar de nascimento, profissão ou características da família, nesse caso, o "palaio" significa 'sábio" e o sufixo "poulos" é um dos mais comum na Grécia e é referente aos Peloponesos, queria um sufixo referente aos que nascem nas Ilhas Cíclades, que é onde fica a Ilha de Milos, mas como não encontrei ficou assim mesmo...!

Vackerblommor: Junção das palavras em sueco "vacker" (adjetivo de beleza: lindas, lindo) e "blommor" (flores).

Se alguém desejar utilizá-los, fique à vontade, mas seria bastante cortês dar os devidos créditos :)


N/A: Mais um! Um pouco mais longo desta vez mas espero que esteja agradando! Um pouco do passado do Milo foi revelado (ele já estava quase me batendo por ser tão odiado por aqui), Mu finalmente se deu bem, Saga e Aiolos... Hmm, devo admitir que estou amando esses dois, e pensar que não tinha nada planejado par o casal quando comecei (na verdade meus planos para o Saga estavam bem diferentes...) e...

Camus: E EU?? POR QUE NÃO APARECI NESTE CAPÍTULO?

Bom querido, prometo que você será bem compensado no próximo!

Milo: Com beijos da minha bela pessoa?

Veremos... Agora fiquem quietos, preciso terminar as notas!

Continuando... O Aiolos mandou avisar que se alguém quiser saber mais um pouco sobre o banquete que ele preparou, ele manda as receitas, é só pedir (se for colocar aqui vai ficar enooorme!)

Queria agradecer, do fundo do coração, primeiro a minha grande amiga Theka Tsukishiro que esta betando a fic, muito, muito obrigada, xuxu, não sei o que seria de mim sem você!! E depois, mas não menos importante, as reviews que tenho recebido, vocês são uns amores! Theka Tsukishiro, Dragonesa, P-Shurete, Mussha, graziele, Karol Uchiha, Yuki Tinuviel, Lyta Moonshadow, Haina Aquarius-sama, Naya Yukida e DW03, obrigada pelo imenso apoio! Quero mandar beijos em dobro para as gurias do Fórum New Sanctuary, que aturam minhas idéias e dão pitaco para a fic, vocês são umas fofas!

O título deste capítulo não é o nome de uma música, mas sim de m álbum do Bajofondo, mais um excelente projeto de tango eletrônico, acho que não preciso explicar por que, não?

Fico muito feliz em ver que tem bastante gente lendo a fic, adicionando em alertas e favoritos, agradeço muito!! Mas pessoas, podem deixar review, não mordo e adoro responder todas que recebo...não sejam tímidos! Sem falar que isso me ajuda a ter ânimo para continuar escrevendo!

Beijos e até o próximo capítulo!

N/B: Mais um caps perfeito Luzita e, eu estou adorando os betar. Continue assim amiga, e você sabe... Faça chuva, sol, tempestade ou o que for... Mesmo uma gripe do cão que me derrubou, eu vou sempre estar betando para você... Auauaua... Isso se quiser que continue... XD

Baixou o terrorismo aquariano... kkkk

Kamy: Oui, baixou mesmo... Como ousa dona Lucia em non me colocar nesse capítulo? Eu espero um retratamento para o próximo viu?

Kamus, deixa a Lu trabalhar em paz ou você vai ficar sem o bichinho do rabo torto...

Kamy: ...

Melhor assim... Lu, continua e não me deixa curiosa.

Bjs,

Theka Tsukishiro


Lhu Chan
Junho/2008