Dançar o tango...
Como te queria sentir,
Abandonada, nos meus braços.
Sentir o teu corpo, quente
Junto do meu.
Hoje, queria sentir-te
Junto de mim.
Perdida no meu abraço,
Sentir-te num descontrolo,
Controlado de sentimentos,
De movimentos compassados,
No êxtase de pensamentos,
Só meus.
Queria, dançar
Um tango, contigo
Perdido no espaço
Do tempo, num rodopiar
Constante,
Dum sentimento de movimentos,
Como no auge de um momento...
Ah! Eu hoje queria...
Passar a minha mão,
Numa festa brejeira, na tua face
Sentir o teu coração,
Unido ao meu
E sentir, a tua cadência
De desejo.
Eu hoje, numa dança
De sonho, solitário
Sonhei que dançava
Contigo,
Mas era apenas,
Comigo...
(Augusto P.Gil)
Capítulo 8 – Un paso más allá
June já havia percebido a troca de olhares entre Camus e Milo, precisava mesmo descobrir o que acontecera no Pub na noite de sábado, embora já tivesse uma leve desconfiança. Decidiu que seria melhor deixar os dois alguns instantes sozinhos, quem sabe assim não poderiam conversar e melhorar um pouco aquela situação.
Aproveitou que encontrou Aiolia e Marin conversando abraçados, juntou-se a eles, sentou no colo da ruiva, brincando um pouco com o casal sobre o pseudo-namoro. Gostou bastante de Aiolia, pelo que conheceu dele quando saíram parecia ser um cara legal e Marin também falou muito bem dele, se a amiga estava feliz, ela também estava!
- Ju, é impressão minha ou você deveria estar ajudando o Camus na aula dele?
- Ahh, tá na cara que aqueles dois precisam conversar e se não for aqui não o farão em lugar nenhum, eu já volto lá...
– Do jeito que o Milo está é capaz de encontrar os dois aos beijos – Aiolia ria.
– Eu tenho quase certeza que já fizeram isso no sábado, o Milo está afim mesmo e já me disse, mas o Camus disse que não vai com a cara dele... Que bobagem, se fosse eu no lugar dele não iria só com a cara, mas com aquele corpo todo! – O casal riu do jeito que a loira brincava.
– Pena que ele não joga no seu time, amiga!
- Pois é Marin, mas já estou acostumada, os bons homens hoje em dia ou são gays ou já estão comprometidos, agarra logo esse antes que escape! – Olhou para a divisória em vidro de uma das salas no térreo e pôde ver Shun que sorria para Hyoga enquanto conversavam em um pequeno grupo, e entristeceu-se um pouco por saber que jamais seria correspondida por ele, mas disfarçou rindo com os amigos das próprias brincadeiras.
- Mas o Milo me disse que levou um fora do Camus, então não fizeram nada ainda... Mas também não entendi o que aconteceu com os dois!
- Sério? Conta tudo a-g-o-r-a, Aiolia!
Ele explicou sobre a conversa com o amigo e falaram mais algumas bobagens até que algo desviou a atenção deles, ouviam sons no segundo andar, logo perceberam que era Milo quem gritava, chamava por June e pedia socorro, pensaram na possibilidade de ser alguma brincadeira do grego, mas Camus não permitiria aquela situação ali, talvez estivesse mesmo com problemas! Os três se olharam e correram pelas escadas até a sala, a cena que viram ao chegar era diferente de tudo que pensavam. Imaginaram Milo brincando com Camus, ou até mesmo com o pé machucado após tentar alguma estripulia enquanto dançava, mas não encontrar o ruivo desmaiado, com a cabeça apoiada no colo de Milo, que chorava enquanto tentava acordá-lo.
-oOo-
Shaka e Mu saíam abraçados do café, o loiro havia sugerido uma torta de chocolate e doce de leite, mas Mu não se deu por satisfeito com uma fatia e havia provado mais algumas de diferentes sabores, tinha uma verdadeira queda por doces, o virginiano havia descoberto no jantar da noite anterior, quando o outro confessara sua paixão pelas sobremesas.
– Quatro fatias enormes de torta e um chocolate frappé? Agora eu entendo porque seus beijos são tão doces! – O loiro brincou.
– Olha quem fala... Até parece que os seus não são!
- Gosto dos doces, confesso, mas não conseguiria comer tanto quanto você...
– O Milo sempre fala que não entende como sou tão magro comendo desse jeito!
Shaka sentiu uma pontada de inveja, Milo podia observar todo aquele corpo que ele só poderia sentir, sua mente havia criado uma imagem de Mu, mas como não conhecia nada do mundo através dos seus olhos não teria idéia do quanto aquilo poderia se aproximar da realidade.
- Você e o Milo... Tem certeza que nunca tiveram nada?
- Não mentiria para você, ele é meu amigo e só... Falando nele... Ele disse que também quer te conhecer, você se importa?
- Claro que não – voltou a abrir um sorriso – Pelo contrário, ficaria feliz em conhecer seus amigos!
- E ele deve voltar daqui à meia hora... O tempo voa quando estou com você!
- Não pensa nisso, vamos voltar para o meu quarto, podemos ficar algum tempo ainda antes dele voltar.
– Acho uma boa idéia!
Beijaram-se e voltaram ao hotel, aos poucos Mu perdia sua timidez para com Shaka, sentia-se mais seguro com ele ao seu lado, quando davam as mãos e caminhavam juntos ele se preocupava com qualquer obstáculo pelo caminho e se mantinham sempre juntos, sentia-se como se fosse os olhos dele.
-oOo-
Camus havia desmaiado, mas como? Por quê? Aproximou-se e chamava o nome dele devagar, lembrou-se como ele estava suando frio e pálido quando estavam abraçados, mas não imaginava que ele estivesse mal.
- Camus? Camus? Acorda...
Ajoelhou-se e pôs a mão na testa dele, a pele mais clara que o normal e a testa gelada, Milo não entendia nada, aquilo não deveria estar acontecendo, ele estava bem minutos atrás. Sentou e apoiou a cabeça dele no colo, chamava seu nome, mas ele não respondia, prometeu que não faria mais nenhuma brincadeira se ele também parasse de brincar, mas sabia que ele não estava brincando. Começou a se desesperar com aquilo, gritou o nome do francês, mas mesmo assim ele não o ouvia. Gritou por June, pedia socorro, mas parecia que ninguém iria ouvi-lo naquele lugar.
Só algum tempo depois June, Aiolia e Marin apareceram na porta. Ele chorava, não sabia como agir, sentia-se inútil, não pôde ajudar seus pais, agora não poderia ajudar Camus. Não o conhecia muito, mas não queria pensar em ver o ruivo falecer em seus braços, aquilo só poderia ser algum castigo dos Deuses por ter irritado tanto o francês. Seria uma vingança, mas porque ali? Porque Camus? Aquilo não poderia acontecer, ele era jovem, bonito, saudável, tudo bem que um pouco frio, mas Milo nem havia se dado à chance de conhecê-lo. Pensara apenas em sair, uma noite de sexo e nada mais, mas agora o vendo naquela situação começava a repensar em seus atos, talvez fosse mesmo um aviso divino para que percebesse que não deveria brincar com o coração daquele alí.
– MILO? O QUE ACONTECEU? – June gritou sentando-se ao lado deles.
– Eu... Não... Sei... Ele caiu... Eu dançava e... – Milo tentava falar entre as lágrimas, estava confuso demais, imaginava seus pais, haviam desmaiado naquele acidente e nada pôde fazer para ajudá-los por estar na mesma situação, mas não queria ver alguém passar por aquilo.
– Ju, vou ligar para o seu pai! – Marin falava e quase saia da sala quando Aiolia se manifestou.
– Vamos levá-lo para um hospital, eu levo, meu carro está aqui em frente.
– Acho que é o melhor a fazer, vamos e no caminho eu ligo para meu pai.
– Para qual podemos levá-lo?
- Tem um hospital público aqui perto, dizem que tem um bom atendimento de emergência.
Enquanto decidiam o melhor a fazer, Milo ainda chamava por ele, as palavras saiam baixas, mas com preocupação e até mesmo carinho. Passava a mão pela testa de Camus, sentindo que seu estado não mudara muito.
– Milo, vamos! – Aiolia o chamava pela segunda vez, estava tão perdido em pensamentos que nem havia percebido – Me ajude a descer com ele até o carro, a June foi buscar as coisas dele e a Marin já foi avisar para os outros alunos, elas também foram mudar a roupa para sairmos logo.
– Deixa que eu levo, ele não parece ser muito pesado. – Passou um dos braços de Camus por seus ombros e abraçou-lhe a cintura, com ajuda de Aiolia ficaram de pé. Logo Milo passava os braços por trás dos joelhos do francês, o levando no colo como se fosse uma criança, não se importou com o peso dele, apenas queria vê-lo acordado e assim foi carregando-o até o carro de Aiolia.
Milo sentou no banco traseiro e acomodou a cabeça de Camus em seu colo, June logo sentou-se e segurou as pernas dobradas dele, Marin foi na frente com Aiolia. A loira ligou para seu pai e explicou o ocorrido, ele ficou preocupado, pediu para que ligasse quando tivessem qualquer notícia sobre o estado dele. Milo agora segurava uma das mãos frias dele, não sabia por que fazia aquilo, não pensava, algo em seu corpo simplesmente respondia daquela forma e ele nem ao menos era o tipo que costumava se importar com os outros. Não chorava mais, mas estava visivelmente preocupado.
Estavam quase chegando ao hospital quando os olhos de Camus se abriram, Milo estava com a mão sobre o rosto dele, que o olhou surpreso.
– Mi...lo...?
- Camus! Que bom você não morreu, fica calmo, estamos te levando para um hospital...
– O que acon... – Fechou os olhos novamente, não desmaiara, apenas estava um pouco tonto e confuso. Não falou mais, até o hospital.
Em frente ao setor de emergência, Milo segurava Camus que ainda estava muito lento, tendo June ao seu lado, enquanto Aioria e Marin procuravam uma vaga no estacionamento. Logo providenciaram uma cadeira de rodas e após alguns minutos foram atendidos.
Camus já estava melhorando e já se dava conta do ocorrido, Milo narrou como aquilo aconteceu ao médico, o que não passou despercebido por um certo ruivo, e depois ele foi encaminhado para alguns exames, mas somente June o acompanhou. O grego ficou inquieto na sala de espera com Aiolia e Marin, como precisava da calma de Mu essas horas...
– O Mu! Aiolia, esquecemos dele!
- Verdade, com essa confusão toda nem percebemos, quer que eu vá buscá-lo?
- Melhor não, vai ficar tumultuado por aqui e infelizmente ele também não vai poder ajudar, vou avisar o que aconteceu e pedir que espere um pouco, ele não vai reclamar..
– Pode deixar que eu aviso, quando resolver tudo buscamos ele. – Deu um selinho em Marin e saiu da sala de espera para telefonar, havia percebido o quanto Milo estava estranho e se falasse com Mu daquela forma o rapaz poderia pensar que estava com problemas graves.
Marin que havia ficado também percebera o estado dele, sabia que ele estava interessado em Camus mas não imaginou que se preocupasse tanto, mas também, deveria ser muito difícil ver alguém desmaiado em seus braços e não conseguir fazer nada.
– Calma, Milo, ele vai ficar bem, já estava acordado...
– Não é só isso, é esse lugar, esse cheiro, não suporto hospitais...
– Ahh, não acredito que um cara como você tem medo de agulhas e remédios!
- Não tenho medo, tenho trauma, Marin.
- Trauma? Já passou por experiências ruins com alguma enfermeira?
Não gostava de falar disso, mas realmente estava ficando incomodado naquele local, tudo ali lembrava acontecimentos em seu passado, era doloroso estar ali, por sorte não precisou responder, pois June estava saindo da área dos pacientes.
– O que aconteceu? Onde ele está?
- Calma, Milo! Ele está no soro agora, a pressão estava baixa, fizeram um exame de sangue, mas é provável que Camus só estivesse fraco por não se alimentar bem nos últimos dias. Enquanto esperamos o resultado ele vai ficar na hidratação, vou voltar para fazer companhia à ele, só vim avisar que está tudo bem, ele até já conversou um pouco comigo!
- Vamos ficar aqui até ele melhorar, depois o deixamos em casa.
– Não se preocupa, Mi. Você está aqui de férias, vai aproveitar e se divertir com seus amigos quando terminar eu o levo para casa, meu pai pode nos buscar ou pegamos um táxi.
– É Milo, você não está se sentindo bem aqui, melhor ir, não sabemos se vai demorar.
– O que ele tem, Marin?
- Não é nada, estou bem e quero esperar, meninas... O Aiolia já foi ligar para o Mu e avisou que vamos demorar mesmo, não tem problema algum ficar um pouco aqui!
- Se você insiste... Agora vou voltar para o Cam, qualquer coisa volto para avisar.
Assim que a garota saiu Aiolia voltou, Milo estava mesmo desconfortável naquele lugar, e embora tivesse muitos defeitos, era generoso, jamais deixaria alguém na mão quando poderia fazer algo para ajudá-lo, então ficou ali conversando com o casal, pelo menos naquele hospital teria companhia e o tempo passaria rápido.
-oOo-
Mal haviam entrado no quarto e já começavam a trocar alguns beijos quando repararam a presença de mais alguém naquele local. Afrodite estava sentado em uma das poltronas que ali havia e assistia na televisão um programa sobre jardinagem enquanto discutia com a apresentadora do mesmo que estava fazendo tudo errado.
– Mas não é assim sua lesma, essas flores não devem ficar ai... Oi queridinhos ... Precisa ser plantada em um bom solo com adubo orgânico, não nesse vazinho minúsculo... Onde estavam? ... E essas samambaias horrorosas? Tá na cara que são de plástico!
Os dois abraçados se divertiam com a cena, Mu apesar de não o conhecer bem achou aquilo divertido, mas pensou se realmente estavam no quarto certo e após constatar que sim, perguntou o que raios ele fazia no quarto de Shaka.
– Fomos ao café que me levou ontem pela manhã, mas poderia explicar o que está fazendo aqui, Dite? – Por sorte parecia que ele conseguia entender tudo que Mu pensava.
– Não posso mais ficar aqui um pouco? O Mask está dormindo e eu queria ver televisão, não quis atrapalhar e vim aqui, já que sabia que não estavam, aliás, não vai me apresentar ao namorado?
Não é necessário dizer que Mu ficou novamente vermelho. Namorado? Não eram namorados, pelo menos não que ele soubesse, o que Shaka iria falar?
- Ahh, Mu, este é Afrodite, meu primo. Dite, este é o Mu, meu namorado.
– Ahh, vocês são tão parecidos, formam um casal tão lindo – Levantou-se indo em direção aos dois – E que bonitinho... Ele está vermelho!
Pronto. Agora não sabia mais onde enfiar a cabeça, ouviu Shaka falar que eram namorados e ainda por cima o maldito primo dele fazia questão de anunciar que estava envergonhado! Mas... namorado? Shaka disse mesmo aquilo? Ele só então realmente percebera e já estava rindo a toa com aquilo, mas depois perguntaria ao loiro se era sério ou foi apenas questão de educação.
– Prazer – Falaram juntos.
– Dite pode mudar esse canal? Não agüento mais ouvir você discutindo com essas apresentadoras de televisão!
- Ahh, que pena, estava tão bom! – E voltou até a poltrona, pegando o controle remoto e procurando algum canal de música clássica, como Shaka gostava.
– Não se preocupa, ele é um pouco maluco, mas é legal quando não está com o namorado. – Falou baixo no ouvido de Mu - Vem, vamos ficar um pouco na cama.
Após retirar os calçados, os dois logo estavam deitados na cama, Mu estava de lado, olhando na direção de Afrodite que havia sentado na outra ponta da cama e Shaka o abraçava por trás, passando a mão pela sua cintura. Afrodite era mesmo divertido, brincou bastante com os dois e conversaram até banalidades, como qual tinta e tonalidade Mu aplicava nos cabelos que eram M-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o-s, segundo Afrodite, até que foram interrompidos pelo celular do ariano.
– É o Aiolia... Eles já devem estar voltando! – Pegou o pequeno aparelho e atendeu – Alô?
- Mu, é o Aiolia, seguinte, vamos demorar um pouco porque estou com o Milo no hospital...
– HOSPITAL? O que aconteceu com ele?
- Calma, não foi ele, é que o Camus...
– Então... O que o Milo fez dessa vez?
- Nada, Mu, fica quieto, ele passou mal e estamos ajudando ele aqui, não sei se vamos demorar, tem algum problema você ficar um pouco mais ai?
- Não, não... Mas peça para o Milo avisar ao Saga também, ele deve estar nos esperando no hotel para sair...
– Vamos avisar, te ligamos quando tudo acabar por aqui, se for sair me avisa.
– Ok, mas ele está bem?
- Pelo que parece sim, mas ainda estamos esperando resultados. O Milo pediu para que eu ligasse, ele está lá dentro e um pouco nervoso, o cara passou mal quando estavam sozinhos.
– Aiolia cuida dele... O Milo não suporta hospital, faz com que ele lembre coisas ruins, tenta fazer ele não ficar muito tempo ai!
- Mas que coisas?
- Depois explico, só cuida dele!
- Tá bom, mais tarde ligo novamente, tchau!
- Tchau... – Desligou o aparelho, Afrodite o encarava com olhos esbugalhados e Shaka também estava atento ao que falavam.
– Seu amigo está no hospital? – Perguntou Afrodite curioso.
– Estão, o Camus, que estava dando aulas de tango para o Milo, passou mal e estão com ele no hospital, mas parece que já está bem... Vão demorar um pouco.
– Então quer dizer que vai ficar mais um tempo comigo? – Beijou-lhe o pescoço.
– É... – Mudou a posição, ficando com a barriga para cima e beijando os lábios do loiro.
– Calma crianças! Olha essa agarração, eu não posso ver essas coisas!
- Mas foi só um beijo!
- Eu sei Shaka, mas é por ai que tudo começa!
Mu sorriu, já não ficava tão envergonhado com aqueles comentários e todos voltaram a conversar de forma animada.
– Afrodite, de onde conhece o Saga?
- Ahh querido, é uma looonga história! Mas para resumir fiz alguns trabalhos para a Santuário tempos atrás, ajudei o Kanon com alguns projetos e acabamos namorando, mas eu não morava na Grécia como vocês e um desses intervalos fora conheci o Máscara... e bom, aconteceram coisas, me apaixonei e fui forçado pelo meu coração a deixar o Kanon, ele ficou muito mal com isso e o Saga tomou as dores dele... É difícil explicar tudo que aconteceu naquela época, mas os dois cortaram relações comigo, eu entendo, não fui sincero e tive o que mereci!
- Acho que entendi, mas é difícil imaginar o Kanon namorando alguém, ele vive falando que não se deve confiar nas pessoas e que namorar não vale a pena, só pensa nele mesmo...
– Isso deve ser algum trauma deixado pelo meu querido primo!
- Aquele homem era mesmo louco por mim, era um namorado perfeito, pena que nunca o amei como ele merecia, mas ainda tenho um carinho guardado por ele, mesmo que ele não queira me ver mais nem mesmo com vestes de ouro!
Entre conversas e risos os três passaram mais alguns momentos agradáveis naquela tarde, Mu realmente apreciava a companhia de Shaka, começava a entender a implicância de Saga já que Afrodite magoara seu irmão, mas também não precisava daquele exagero todo... O sueco também estava bastante feliz por ver como o primo sorria, aqueles dois formavam um casal tão delicado, mas ao mesmo tempo era possível perceber que o sentimento que nascia ali era de uma força fora do comum, ele já conhecia a personalidade forte de Shaka mas desconfiava que Mu também poderia explodir a qualquer momento caso necessário, se aquele namoro realmente continuasse prometia ser intenso e marcado por fortes emoções.
-oOo-
- E então, se sente melhor?
- Sim, só estou um pouco fraco ainda...
- E depois reclama quando brigo para você se alimentar melhor, saco vazio não pára em pé, o meu pai vive falando isso.
– Eu até tentei comer pela manhã, mas estava enjoado.
– E também não almoçou quando te chamamos, precisa melhorar seus hábitos, Cam! Todos ficamos preocupados, até o Milo e o Aiolia estão esperando você sair.
- Mande-os embora, eles não precisam estar aqui e peça desculpas ao Milo por mim, avise que a aula será reposta depois.
– Eu já avisei que não precisam ficar aqui, mas eles insistiram e só vão sair quando você estiver melhor.
- ... – Respirou fundo e olhou para o lado oposto, observando as gotículas do soro caírem lentamente – Desse jeito não vai terminar nunca...
– Cam, eu sei que você implica com ele, mas acho que por trás das brincadeiras ele se preocupa com você, precisava ver quando você desmaiou, ele estava chorando quando cheguei na sala e depois te carregou nos braços sozinho, o tempo todo.
– Encenação. Ele só quer que eu caia na dele, não passa de um inescrupuloso, não tenho tempo a perder com pessoas como ele, Ju...
– Não fala assim dele, o Milo não te fez nada de mal, ele só tentou ser divertido, se você não sabe brincar pelo menos não o culpe pelo seu mau-humor!
- Você não entende os homens...
– Não mesmo, e às vezes não sei se quero entender... Mas você deveria dar uma chance a ele, ele esta se esforçando e eu percebi hoje.
– Não vale à pena, ele pode até estar sendo sincero, é bonito, mas não combinamos, não adianta insistir e acho melhor mudar logo esse assunto!
- Tá bom, tá bom, não está mais aqui quem falou, mas eu no seu lugar... Já estaria na cama com ele há muito tempo!
- Você já foi mais comportada!
- As pessoas mudam, não é?
Era engraçado ouvir a garota fazer certos comentários. Quando a conheceu era apenas uma menina que o cativara com seu jeito doce e hoje em dia era uma linda moça bastante madura para sua idade. Já haviam trocado alguns beijos, até porque a dança criava uma esfera apaixonante em torno deles e muitas vezes encenavam o amor, mas sempre como amigos e em algum momento de carência dos dois. Infelizmente não eram as mulheres por quem se sentia atraído, mas com certeza, fosse hetero, a pediria em namoro e talvez até casassem.
-oOo-
Era verdade que amava o primo e conversar com ele era sempre divertido, mas naquele momento queria de todas as formas matar Afrodite! Quando finalmente achou que poderia ficar algum tempo sozinho com Mu em seu quarto ele do nada aparecia e o pior é que parecia não se tocar que queria privacidade!
Já não tinham mais o que conversar, ele simplesmente falava para Mu milhares de coisas fúteis, tudo bem, adorava ver o novo namorando rindo como estava acontecendo, mas já era demais! Resolveu que se não tomasse uma atitude logo aquilo continuaria até a hora que voltassem para buscá-lo e não iriam aproveitar nada juntos, era a hora de agir.
Aproveitou que Mu estava deitado com a barriga para cima e saiu do seu lado, deitando-se sobre ele e o beijando de forma quase cinematográfica, já que de técnico aquele beijo não tinha nada! O gesto arrancou alguns comentários do primo, que mandava acabar com aquela pornografia, que eles eram crianças e não deveriam fazer aquilo e finalmente, que esperassem ele sair para fazer coisas daquele tipo!
- Dite, já esperamos demais por isso!
Foi só durante o tempo de falar que se afastou dos lábios desejados, Mu estava surpreso e sem reação após aquele ataque, mas havia adorado e mesmo sem perceber já abria um pouco as pernas para que o outro se encaixasse melhor entre elas.
– Tá bom, tá bom! Não está mais aqui quem falou, era só pedir que eu deixava os pombinhos sozinhos... E com quem estou falando, vocês não devem nem estar me ouvido mesmo... Vejam lá o que vão fazer, heim... Mu, foi um prazer lindinho, em breve nos encontramos novamente... Droga, ninguém me responde mesmo, nem sei por que ainda estou falando...
E finalmente o ouviram sair do quarto, afastaram os lábios e riram juntos, Shaka passava a mão pelos cabelos de Mu, que acariciava seu rosto.
– Pensei que ele não iria sair mais e você iria embora sem que eu aproveitasse...
– Eu também, mas é seu primo, não iria me meter...
Os beijos se intensificavam, era tão diferente de quando estavam na praça, agora eram só os dois, Mu imediatamente lembrou-se do sonho e começava a ficar excitado ao sentir beijos afoitos em seu pescoço. Constrangido, tentou afastar-se um pouco para que Shaka não percebesse, mas foi em vão, já que o loiro estava sobre ele e só fez piorar sua situação com aquele movimento.
– Onde pensa que vai?
- É que... eu...
Shaka já havia percebido tudo e só perguntou para provocar, gostava de ver como Mu ficava sem jeito.
– Relaxa, Mu... Não é só você... – O beijou na orelha enquanto roçava seu corpo nele, fazendo-o ver que começava a ficar no mesmo estado.
– Shaka... eu nunca...
– Eu imaginei, mas não se preocupa, não faremos nada que não queira – Deixava a mão passear por dentro da camisa do ariano, sobre seu abdômen.
– Eu quero, mas não ainda...
– Não faremos nada demais agora, Mu, podem chegar para te buscar a qualquer momento e não quero que seja algo corrido, mas eu quero te ter, te quero muito. – Shaka sussurrava enquanto tirava a camisa do namorado e beijava seu tórax – Mas por enquanto vamos aproveitar esse pouco tempo que temos!
Palavras não foram mais necessárias naquela tarde. Shaka explorava todo corpo do outro, Mu se deliciava com aquelas novas sensações e aos poucos aprendia como lidar com elas e dar prazer ao seu loiro também, pensava no meio daquilo tudo como estava feliz, Shaka era o trevo de quatro folhas que ele encontrara em um campo verde.
-oOo-
Após uma longa espera Camus foi liberado, saiu da ala destinada aos pacientes com June e foi logo abordado por Milo com os olhos brilhantes.
– Camus! Que bom você acordou! Está bem? O que você teve? Tomou remédios? O que os médicos falaram? É grave? Vai ficar bom logo, né? Quanto...
– Calma Milo, uma pergunta de cada vez e ele te responde – June se divertia.
– Estou bem sim e... Obrigado, desculpe o transtorno que causei.
– Você tá brincando, né? Não tem o que agradecer e muito menos se desculpar... Ficamos preocupados, cara!
- Novamente peço desculpas e agradeço a atenção, mas não era necessário.
– Claro que era, não poderia deixar você morrer!
- Mas eu apenas desmaiei, não iria morrer.
Os outros apenas riam da conversa entre Milo e Camus, mas logo trataram de interferir e Aiolia disse que o levaria em casa, o francês tentou recusar a oferta mas foi ignorado, a única coisa que conseguiu foi escapar de Milo que insistia em carregá-lo nos braços novamente para que ele não se esforçasse mais.
Durante o percurso, Marin que conhecia a casa do francês foi guiando Aiolia no banco dianteiro enquanto os outros conversavam atrás. A loira que ia entre os dois contava o que havia conversado com o médico, as suspeitas foram confirmadas, Camus havia desmaiado, pois estava com a pressão baixa e não estava se alimentando muito bem, também apresentava uma leve anemia. Recomendaram um pouco de descanso e cuidados alimentares, além de alguns exames complementares para verificar se não havia nada mais sério.
Milo observava pela janela do carro onde estavam, era bem diferente da área luxuosa onde estava hospedado ou onde Aiolia morava, as casas eram pequenas e coladas uma nas outras, parecia não haver muita preocupação do governo com aquela área. O bairro de La Boca era conhecido por abrigar o estádio do maior time de futebol do país. Também era uma zona com algumas casas de tango onde os turistas visitavam, mas a parte residencial não era uma das melhores da cidade, principalmente nas áreas mais afastadas desses pontos, onde se encontravam agora e onde também era a casa do francês.
Aiolia parou o carro em frente à casa de paredes brancas, o Audi fazia contraste com a paisagem e simplicidade do lugar, a casa era antiga, porém bem preservada, o francês perguntou se gostariam de descer e entrar um pouco, mais por educação que qualquer outra coisa. Arrependeu-se quando Milo disse que sim e já saia do carro, mas o que ele poderia esperar? E além do que durante o trajeto até sua casa, o pouco que conversaram não foi de todo mal. Ainda repensava no que June havia conversado, será que deveria mesmo dar uma chance ao grego e até mesmo aproveitar-se dele também como Shura aconselhara?
Todos entraram e acomodaram-se na sala, Milo observava aquilo atentamente, o mais perto que estivera de um lugar daqueles foi através de uma tela de televisão. O piso de madeira antigo estalava quando passavam, as paredes definitivamente precisavam ser pintadas e o ambiente era bem pequeno, parecia que a casa inteira de Camus não chegava ao tamanho da sala no apartamento que dividia com Mu.
Os móveis eram simples e estavam gastos, só havia um sofá de três lugares, uma mesinha de centro e um aparelho de TV antigo que ficava em um armário junto com alguns livros e CD's que ele gostava de ouvir nas horas vagas, em um canto próximo a entrada da cozinha havia uma mesinha de quatro lugares. Era tudo tão simples e perfeitamente organizado. Camus havia reparado como Milo olhava tudo aquilo com atenção e foi até onde ele estava e começou a observar a própria casa também.
– Não é grande coisa, mas foi o que consegui pagar quando aluguei. – Disse chamando a atenção do grego.
– Eu gostei... De verdade, nunca entrei em uma casa assim!
Camus pensou em que tipo de mundo Milo vivia, tudo bem que ele não tinha muito dinheiro mas também não era ninguém à beira da miséria.
- Deve ser bom viver montado no dinheiro como vocês...
Milo não respondeu, mas pensou na pergunta na verdade nunca se questionara sobre isso, nasceu em um bom berço e sempre foi bem relacionado, os amigos sempre foram do meio que freqüentava, exceto por Mu, sabia que o garoto tinha outras raízes, mas quando o conheceu ele já estava em uma boa situação. Milo não ligava para o dinheiro, apenas não sabia o valor real que ele tinha e como desde criança era acostumado a ter tudo do bom e do melhor, assim vivia. Mas seria realmente tão bom assim? Era uma grande vantagem em certas situações, mas também foi por dinheiro que havia perdido os país e a confiança nas pessoas.
– Não sei... – Respondeu após um tempo, mas Camus percebeu uma certa tristeza em seus olhos, algo diferente de tudo que já vira em Milo. – Mas então, já está bem mesmo?
- Sim, obrigado mais uma vez por tudo.
– Já disse para esquecer isso e... Bom, queria te perguntar uma coisa.
– Sim?
- Quer sair para jantar essa noite? Quer dizer... Quero tirar a péssima imagem que tem de mim então peço como uma segunda chance, vou chamar a June, o Aiolia com a Marin e o Mu deve ir também, gostaria muito que você fosse!
- Milo eu...
– Não procure desculpas, assim podemos ver se está se alimentando bem e, é só um jantar, depois te trago em casa, vamos tentar nos conhecer um pouco melhor, combinado?
- Tudo bem, mas após o jantar eu volto, não se preocupe em me trazer aqui.
– Já são quase cinco horas, descansa um pouco e nove e meia passo para te buscar.
– Não precisa, eu encontro com vocês no local...
– Nove e meia passo aqui e não se discute! – Piscou um olho e sorriu, mas para sua surpresa viu Camus retribuir o gesto e balançar a cabeça afirmativamente.
June voltava da cozinha com algumas xícaras e uma garrafa com água quente, açúcar e um vidro de café instantâneo, chamando a atenção deles para as outras pessoas presentes
- Vocês vão querer um pouco de café?
Milo olhou para as coisas que ela trouxera e pegou um vidro a mesa.
– Café instantâneo? Daqueles que só precisa misturar com a água? – Os olhos dele brilhavam e estava com um sorriso semelhante ao de uma criança ao ganhar um brinquedo novo.
– É, qual o problema, Milo? Não gosta? Posso fazer um chá se preferir...
- Que legal! Eu já ouvi falar deles, mas nunca vi um assim, de verdade! Em casa sempre moemos os grãos antes de fazer um café! – Pegou uma xícara e encheu de água, em seguida adicionando colheres com o pó da bebida e vendo-o dissolver – Que legal! Olha Aiolia, parece até café de verdade!
E brincando com outras xícaras enquanto servia os amigos, Milo se divertia. Camus não acreditava como alguém poderia achar algo tão simples como aquilo divertido, mas pelo jeito eram de dois mundos opostos e agora já pensava em conhecer um pouco melhor o mundo de Milo e talvez até mostrar um pouco do seu, valia a pena só para ver aquele sorriso inocente e divertido nos lábios do grego. (1)
(1) Qualquer semelhança entre essa cena do café instantâneo e Ouran High School Host Club NÃO é apenas coincidência... Adoro este anime também e não resisti a participação especial do "Café de Plebeu" (Quem não conhece eu recomendo, para os amantes de yaoi... É um prato cheio)... É uma escola onde os estudantes são absurdamente ricos e coisas comuns são vistas como "coisa de plebeu", rende boas risadas! Foi uma ceninha boba só para descontrair. xD
N/A: Demorou mais que eu esperava, mas tá aqui! Já estava pronto desde que postei o anterios, mas como a beta anda enrrolada e eu também estou viajando…
Quero agradecer primeiro a Thekinha, que mais uma vez aturou tudo e betou mais este capítulo… Nath, xuxuzinha querida que também aturou meus surtos e me ajudou em algumas coisitas! Agradecendo também as reviews do capítulo anterior… Theka Tsukishiro, Dark Wolf 03, Lysley Almada2, graziele, Lyta Moonshadow, Ivana das brumas, Julia, Leo no Nina, Mussha, Haina Aquarius-sama, Athenas de Aries, Seto Scorpion, Ray Shirou Loveless, Naya Yukida, Karol Uchiha, mushakista forever e Sa-chan (Como não deixou o e-mail não te respondi, sorry…)! Obrigada mesmo, não sabem o quanto me ajudam a continuar… Também agradeço quem comenta comigo pelo MSN ou orkut!
A música título deste capítulo é do Narcotango.
Milo: Camus…
Camus: Hm?
Milo: Não acha que deve congelar a Lhu e escrever isso no lugar dela? Além de estar enrrolando só nos maltrata!
Camus: Concordo!
Lhu: Calma… calma… calma… Prometo que no próximo a coisa anda!
Milo: Sem chance! Não duvido que piore a situação…
Mu: Nãooo! Deixa ela continuar…
Camus: Para sofrer mais torturas?
Mu: Não… quero saber o que acontece entre eu e o Shaka!
Milo, Camus, Shaka e Lhu: u.u´
Milo: Tá bom, tá bom, mas é a última chance, mas enquanto não faço nada… fico de voyeur!
Camus: Acho que já sei quem e o quê devo congelar… u.u´
Lhu, fechando as cortinas: Errr, desculpem a pequena confusão dos bastidores… Ficamos por aqui, ansiosos por reviews, sugestões e críticas!
Beijos e até o próximo capítulo!
Lhu Chan
Setembro de 2008
