Amor beija-me...
toca-me ...
Vem meu desejo
queimando estou...
Nos afoguemos nesta paixão
Nos afoguemos neste mar de amor.
quero ouvir teus lábios
sussurrarem ao meu ouvido ,
que me queres...
Sinto teu desejo que
queima como o meu...
Sinto tua ansiedade
se misturar á minha.
Nessa dança sensual
meu corpo teu corpo ...
Cheiro, desejo, paixão ...sedução.
Corpos enlaçados num só coração.
Um tango ,um homem, uma mulher...
Vem chega mais perto,
abraça-me, enlouquece-me, enlaça-me.
Vem dançar comigo
o nosso tango meu amor...
(Autoria desconhecida)
Capítulo 9 – Sin Palabras
Milo e Aiolia seguiam caminho no carro, haviam acabado de levar Marin de volta à escola de danças.
– Agora podemos ligar para o Mu e avisar que estamos chegando.
– Ainda não. Te pedi aquele favor mais cedo e não esqueci... Vamos lá agora!
- Tem certeza? Não quero nem ver a cara do Mu depois, você tem cada idéia!
- Mas é pelo bem dele! Sorte ter um amigo como eu para fazer essas coisas por ele, não é qualquer um que faria!
- Não sei, mas do jeito que demoramos hoje pode ser um pouco tarde para essas suas idéias!
- Acho que não, eu o conheço bem e sei que não rolou nada ainda, no máximo alguns amassos... Ele já conseguiu namorar uma garota por muitos meses e mesmo assim continuou virgem, disse que não era a pessoa certa.
- Mas talvez porque não sentisse tesão por mulheres.
– Pode ser, mas nem com algum outro homem que ele ficou. Além do mais o tal do Shaka é cego, deve ser um tapado para essas coisas e duvido que o Mu tome alguma atitude, não sei onde ele estava com a cabeça para se interessar por alguém que nem pode ver a cara dele!
- Algo de especial ele tem, isso é o que importa para Mu pelo jeito. Mas vamos logo, precisamos resolver isso antes que feche!
-oOo-
Todos já haviam saído de sua casa, até mesmo June que resolvera ficar um pouco mais até preparar um lanche saudável e reforçado além de certificar-se que havia comido tudo.
Já estava se preparando para descansar um pouco quando teve uma idéia: Pegou o telefone discando um número já conhecido.
– Posso saber quais são seus planos para esta noite?
Iria sim naquele famigerado jantar, mas se Milo estava pensando que só porque era um bom ator e tentava se passar pelo mocinho naquela história iria conseguir algo com ele, estava bastante enganado!
-oOo-
Mu estava totalmente entregue naquele quarto fechado. Shaka deitado sobre si, os dois despidos das camisas, mãos que não paravam de explorar o corpo alheio. O loiro brincava com a língua em seu mamilo quando foram interrompidos pelo toque do celular, mas ao contrário do que esperava Shaka não parou com aquilo e riu debochado, Mu atendeu enquanto tentava afastar o rosto do outro a fim de conseguir falar.
– Pode começar a vestir a roupa que estamos chegando! – Brincou já esperando uma resposta mal-educada do amigo.
- Ta... Bom... – As palavras saíram quase como um gemido, fazendo Milo ficar surpreso.
– EII! O que vocês estão fazendo???
- Nad...da! Já vou... Aii... Descer!
Desligou o aparelho, só então Shaka parou com aquela tortura, ainda sorrindo.
– Não quero imaginar o que ele pensou com você gemendo assim!
- Isso não vale! Agora o Milo vai pensar que estávamos transando aqui! – Falou um pouco emburrado, mas surpreendeu-se com a naturalidade que aquelas palavras saíram de sua boca.
Shaka apertou-o em um abraço, beijando seu pescoço até chegar à orelha, mordendo o lóbulo e depois sussurrando em seu ouvido.
– Se não estivesse esperando ele ligar pode ter certeza que isso teria acontecido, nem imagina o quanto estou me controlando para não tirar toda nossa roupa e fazer amor com você.
Não sabia se foram aquelas palavras em seu ouvido, os beijos no pescoço ou aquela mão sobre seu sexo, mas por algum motivo, Mu nunca desejou nada maior que fazer Milo esperar algumas horas por ele, ou melhor, Mu nunca desejou tanto a inexistência de Milo!
Infelizmente tiveram que se despedir, após vestir a blusa, calçar as meias e o tênis. Beijaram-se mais um pouco na porta do quarto e prometeram que logo encontrariam se novamente. Mu pensava nas piores coisas do mundo na tentativa de disfarçar seu estado, além de amarrar seu casaco na cintura enquanto andava pelos corredores.
Logo Milo chegou e como esperado foi bombardeado de perguntas que ficaram sem resposta, já que Aiolia para ajudar um pouco disse que eles deixassem para conversar sobre aquilo depois, pois não era um assunto que o interessava. Milo explicou melhor o que havia acontecido com Camus, também avisou que mais tarde iriam todos jantar juntos e que ele poderia convidar Shaka, fazendo Mu imediatamente ligar para o seu loiro e comunicar sobre a saída, além de dizer que já estava com saudades.
Quando chegaram ao hotel, o ariano ficou curioso ao ver Aiolia subir junto com eles segurando uma sacola de compras escura, mas nada comentou. Milo insistiu para que Mu fosse logo tomar banho, com a desculpa que sairiam logo e ele ainda precisava conversar algumas coisas com o "Gatinho".
– Pronto, vamos aproveitar que ele agora está no banho e preparar nossa surpresinha...
– Ele vai te matar!
- Eu sei, mas vai valer a pena... Depois ele vai me agradecer! Agora me dá logo essa sacola!
Algum tempo depois, Mu saiu do banho com uma toalha enrolada em sua cintura. Tinha o corpo um pouco molhado, aquilo era um hábito e, por mais que o banheiro fosse espaçoso, preferia trocar-se no quarto.. Já se preparava para pegar suas roupas no armário quando percebeu que Milo e Aiolia estavam deitados na cama e o encaravam rindo, entre vários objetos estranhos. - Alguém pode me dizer o que é isso?
- Isso aqui são alguns presentinhos que compramos para você, Muzito!
- Pois é, o Milo achou que você estava precisando e resolvemos te ajudar!
- ...
– Ahhh, não faz essa cara feia, sei que você vai gostar!
- ...
– Vem cá vem! – Milo levantou-se e puxou o amigo – Senta aqui um pouco e vamos te dar algumas dicas...
– VOCÊS PODEM ME EXPLICAR O QUE É ISSO?
- Claro, claro! Vamos começar do básico. – Pegou uma pequena caixa e mostrou ao amigo, parecendo um vendedor ao mostrar todas as mil quatrocentas e vinte e sete funções de seu mais novo canivete suíço. – Isso aqui são camisinhas, nunca se esqueça delas, são muito importantes para...
– EU SEI O QUE SÃO CAMISINHAS, MILO! Quer me explicar que palhaçada é essa?
- Relaxa, Mu! O Milo só quer te ajudar, é melhor sentar e ver o que ele trouxe!
Mu deu-se por vencido. Respirou fundo e acomodou-se na cama com os braços cruzados, sem importar-se com o fato de estar molhado e seminu. Conhecia Milo o bastante para saber que se fugisse seria pior. Ouviria o amigo, mas logo se vingaria.
– Pois é, continuando... Tem um monte de camisinhas aqui, essas são com sabor de frutas, essas de chocolate, essas aqui esquentam, essas deixam tudo gelado, essas são mais lubrificadas, essas são texturizadas para dar mais prazer... Eu ia trazer a que brilha no escuro, mas no seu caso acho que não seria uma boa idéia! Mas aqui tem bastante, acho que dá para aproveitar até o fim da viagem. – Milo falou enquanto passava as caixas pelas mãos e mostrava uma a uma.
– Este é um lubrificante, no início não vai ser muito fácil, mas é só passar um pouco e ajuda bastante! – Desta vez era Aiolia que também botava lenha naquela fogueira.
– É, mas eu recomendo vocês usarem isso também, é uma pomada anestésica, passa um pouco dela e a penetração não será tão dolorida, use antes do lubrificante!
- ...
- Essas algemas são para dar um clima a mais... Você pode prender seu namorado na cama, ou onde quiser, pode até pedir que ele te prenda! Mas não se preocupa que como ela é forrada com pelúcia não vai machucar e o lilás é para combinar com seu cabelo, eu sei que você gosta dessa cor!
- Esse chicote também pode ser interessante, pode pedir o que quiser e castigá-lo se ele não realizar seus desejos!
- E esse gel aqui é de morango... Primeiro você faz uma massagem nele e depois que espalhar bem é só assoprar que fica quentinho! Tem esse de menta também, funciona do mesmo jeito, mas tem um efeito contrário, deixa gelado!
Milo e Aiolia ficaram por mais alguns longos minutos apresentando Mu aos seus novos "presentinhos" e para o desespero do ariano, o estoque parecia não acabar e as coisas mais bizarras apareciam. Com um tempo Mu começou a entrar na brincadeira e até pensou que algumas coisas ali poderiam ser bem úteis, mas guardaria o que precisava quando estivesse sozinho.
Aiolia percebeu que era hora de voltar para casa, ainda precisava se arrumar antes do jantar. Milo também decidiu por tomar seu banho, deixando Mu sozinho no quarto. Já estava trocado e jogava em seu laptop quando o telefone do quarto tocou, era Saga. Por sorte não fez nenhuma pergunta sobre o que fizera durante o dia, parecia ocupado demais e só havia ligado para pedir que saíssem para jantar sem ele, pois passaria a noite com Aiolos.
Sorriu. Pelo menos por aquela noite não teria que dar satisfações a ele, ou inventar uma nova desculpa ou mentira para estar com o namorado, sabia que uma hora teria que abrir o jogo e correr atrás do que realmente queria, mas por hora poderia esperar mais um pouco.
-oOo-
Shura parou o carro a frente da casa de Camus, que já o esperava do lado de fora encostado na parede. O ruivo tomou seu lugar no banco do carona mudando a estação do rádio. Shura já não discutia mais, sabia o quanto o ruivo podia ser folgado quando se sentia a vontade em uma situação, o que lhe alegrava, visto que isso era raro se tratando daquele ao seu lado.
- Vamos buscar a June, prometi que passaria na casa dela.
- Então ela também vai? É hoje que ganho uns besitos da minha chiquita! Não vou nem perguntar se achas que tenho cara de chofer!
- Não inventa que ela não é pro teu bico, é quase uma criança!
- Acho que você não lembrou bem disso, esqueceu que já agarrou a mocinha?
- Mas acontece que minhas intenções com ela são totalmente diferentes das suas! E ela já tem um amor...
- Que pena... Mas me conta melhor tudo, então o grego bonitão te chamou para jantar? Ainda mais depois de você ter desmaiado nos braços dele?
- Você sabe as intenções dele tão bem quanto eu, mas não sei o que ele realmente quer com isso. O Milo é um louco, mas não é uma má pessoa, o grande defeito dele é achar que pode tudo.
- Ora, ora, temos uma evolução aqui? Então o ser detestável não é mais tão intragável assim?
- Não foi o que quis dizer, mas também não adianta explicar. Você vai conhecê-lo e tirar suas próprias conclusões.
- Já disse que parece ser legal, pelo menos bom gosto eu já sei que tem!
- Cala a boca e dirige, Shura!
-oOo-
Quinze minutos depois da hora marcada todos estavam em frente ao restaurante combinado. Era uma pizzaria indicada por Aiolia. Milo demorou um pouco para aceitar a sugestão, dizia que Camus não estava muito bem para esse tipo de alimentação, mas acabou concordando, já que havia outras opções no local e seria mais fácil agradar a todos.
- Desculpem a demora, tivemos alguns imprevistos pelo caminho...
Milo fez questão de sair na frente, segurando a mão de June e depositando um beijo nela. Foi na direção de Camus, mas antes mesmo de falar com ele perdeu a voz, ele estava ao lado de outro homem e para piorar a situação, estavam rindo e a conversa parecia bastante interessante.
- Ahh, oi Milo! Esse é o Shura, tomei a liberdade de convidá-lo, algum problema?
- Ham... Er... Não, não... Claro que não. - Respondeu com a voz falha, perguntava-se quem seria aquele e por que raios Camus o convidara, mas iria descobrir cedo ou tarde. - Está melhor, Camus?
- Sim, não precisa se preocupar.
- Pois é, quando cheguei na casa dele já estava muito bem! - Shura fazia questão de falar de forma provocativa, omitindo o fato que só encontrou o francês ao buscá-lo para sair. Queria testar as reações de Milo e ver o quanto ele estava interessado no amigo.
- Eu acho que fiz a pergunta ao Camus!
- Mas não tem nada do Camus que eu não saiba... Alias, prazer Milo!
O espanhol estendeu a mão, mas foi totalmente ignorado, já esperando aquela reação, Shura riu debochado enquanto Milo o encarava com um olhar assassino. O ruivo já começava a ficar constrangido naquela confusão toda, mas por sua sorte, Aiolia percebeu o clima nada amistoso e sugeriu que todos entrassem logo e continuassem aquela conversa no interior do restaurante.
O lugar não estava cheio, então logo conseguiram uma mesa de oito lugares. Shaka, Mu, Aiolia e Marin sentaram de um lado, Milo ficou em frente ao virginiano que ainda não tivera tempo para conversar (e provocar), Camus sentou ao seu lado quase que obrigado pelo espanhol – gesto que o grego não percebeu – que sentou no seu lado oposto, seguido por June.
- Então é uma noite para os casais?
- Já disse que ela não é pro teu bico...
Camus falou baixo, próximo ao ouvido de Shura, gesto imediatamente mal interpretado por Milo, que mordeu os lábios e fechou os olhos, buscando o que restava do seu autocontrole. Era só o que faltava, além de trazer um cara irritante que acabara de informar que eram mesmo um casal, ainda pensavam em jogá-lo para cima de June. Já o ruivo respirou fundo, pelo jeito ainda teria muito que aguentar naquela noite.
Por medidas de segurança, Mu sugeriu que fizessem logo os pedidos e todos concordaram, alguns minutos depois esperavam na mesa entre conversas. Mu e Shaka falavam maior parte do tempo entre si, já que o loiro não dominava o espanhol como os outros. Para a sorte do casal, Milo parecia entretido demais em trocar alfinetadas com Shura que nem fez uma única gracinha sequer com eles. Camus tentava não enlouquecer enquanto os dois o cercavam de forma constrangedora. June, Aiolia e Marin apenas se divertiam com a cena enquanto conversavam banalidades.
Jantar servido, ou melhor, pizzas servidas. Camus foi o único que escolheu uma salada leve, mais adequada ao seu paladar.
- Camus, você costumava comer melhor. Se quiser posso fazer um daqueles pratos espanhóis que você tanto gosta. – Shura falou com um tom pseudo casual.
- Estou comendo muito bem, não precisa se preocupar.
Milo queria pular no pescoço daquele homem intrometido e arrogante, mas enfiou um grande pedaço de pizza na boca, acabando por engasgar-se. Camus deu alguns tapas nas costas do loiro que ficou ainda mais amuado.
- Milo, não precisa afobar-se, a pizza não vai fugir.
- Shura... – Camus falou preocupado, o amigo estava testando o grego e não sabia exatamente como aquilo terminaria.
Aquilo não estava dando certo, mas precisava se conformar com a situação. Ele provocara Camus e agora pagava pelos seus pecados. Jamais imaginou que o ruivo tivesse coragem de fazer aquilo, quando pensava que as coisas começavam a entrar no eixo para os dois. Não estava afim de discutir com o outro, pois sabia que deixaria Camus irritado, então fez o que julgou melhor naquela situação e mudou o foco naquela mesa ao olhar para a cena a sua frente.
Mu tentava a todo custo cortar pedaços da pizza de Shaka e levar em sua boca como "aviãozinho", os dois sorriam de uma forma quase infantil, alheios ao que se passava ao redor.
- Que bonitinhos! - Milo comentou em inglês, para que o loiro também entendesse.
Os dois pararam com aquela brincadeira, ainda rindo.
- O que foi, Milo?
- Nada, nada... Estou apenas admirando o novo casal e, além disso, eu mal falei com o Shaka, não posso atrapalhar um pouco?
- Mais do que já atrapalhou hoje? - Shaka comentou com um ar debochado, o que fez Milo ficar indignado e Mu cair em uma gostosa gargalhada.
- EI! Mas eu não atrapalhei nada! Pelo contrário, se não fosse por mim o Mu não teria te visitado hoje!
- É, eu acho que o Milo tem lá seus créditos, Shaka... - Falou baixo, mas de forma que o escorpiano o ouvisse, segurando o queixo do namorado e lambendo-lhe os lábios, enquanto olhava de forma provocativa para o amigo.
- MU! Você não era assim, o que esse cara tá fazendo com você?
- Comportem-se crianças, estão em um lugar público!
Dessa vez foi Aiolia quem brincou, eram o centro das atenções na mesa mesmo que alguns não entendessem o que falavam, mas nem perceberam isso.
Conseguiram terminar a refeição sem maiores problemas e apreciavam as sobremesas, alfajor com sorvete de doce de leite fora a escolha da maioria. Shura que preferiu não comer doces pediu licença para ir ao toalete. Milo pensou que foi a melhor coisa que poderia acontecer naquele jantar, já não suportava a presença dele. Sentiu-se mais confortável para falar com o ruivo, mesmo sem saber o que dizer (e isso era algo que nunca acontecia à Milo).
- Camus você... Está melhor mesmo? Digo, você comeu pouco, tem certeza que se sente bem? - Milo martelava sua cabeça por dentro, com tanta coisa melhor para falar tinha que fazer aquela pergunta estúpida que já fizera quando chegou?
- Estou sim, Milo. Não costumo comer muito durante a noite.
- Então podemos sair para almoçar juntos amanhã, o que acha?
Um sorriso de orelha a orelha se formou no rosto grego, Camus ficou um pouco sem jeito, não sabia como recusar o convite, mas seu maior problema foi perceber que já não achava Milo um ser detestável, pelo contrário, e precisaria de um bom motivo para se convencer de não aceitar o convite.
- Eu... Não sei Milo, tenho algumas coisas para resolver na Andrômeda e... - Sabia que a desculpa não iria colar e também não estava mais aguentando aquela proximidade toda, precisava sair um pouco dali – Preciso ir ao toalete, já volto!
Milo apenas observou Camus sair apressado e tentou retornar a conversa com os amigos na mesa, poderia conversar melhor com o ruivo quando ele voltasse...
-oOo-
- Eu gostei dele, é esquentado, mas acho que está mesmo afim de você... E você dele!
Shura mexia nos cabelos em frente ao espelho enquanto Camus esperava por ele, encostado em uma parede, com os braços cruzados.
- Já disse, ele só quer se divertir e não estou afim coisa nenhuma!
- Então por que não se diverte também? Vamos ser sinceros, Camus, quando ficamos juntos ninguém estava apaixonado, você não se importa com isso e sei que não se importa, arruma outra desculpa... E outra, se ele não estivesse afim mesmo, não ficaria tão irritado com o jeito que o provoquei e você nem ao menos se importou quando eu disse que eram um casal, defendeu a June e não a si.
- Eu...
O espanhol caminhou até a parede, ficando cara a cara com ele, a distância entre eles era curta.
- Você nada, Camus! Vai lá e agarra logo o homem! Ninguém aqui falou em compromisso sério pra se preocupar demais, já disse que é só manter a boca dele ocupada e não vai precisar ouvir as bobagens que você disse que ele fala. Em alguns dias ele vai embora, aproveita enquanto pode. O cara tá caidinho por você, eu no seu lugar não perderia tempo!
- Acho que tem razão – Camus rendeu-se e sorriu de forma boba – Quem sabe na próxima oportunidade!
- Ahá! Eu sabia, você não me engana! Acha que não percebi? Além disso, sei muito bem porque se arrumou tanto hoje, e digamos que fez um bom trabalho, você está lindo, Camus, desse jeito não tem coração que resista!
Camus riu, dessa vez de forma mais divertida, só mesmo Shura para falar coisas daquele tipo. Recebeu um abraço e um beijo no rosto do amigo.
- A noite é uma criança ainda, algo me diz que muita coisa vai acontecer hoje!
O francês retribuiu o abraço, mas logo afastou-se dele ao ver a figura parada com um olhar incrédulo na porta do banheiro.
- Eu... Só vim ver se estava tudo bem, não quis atrapalhar... Espero lá fora...
- Milo....
- Viu? Eu disse que ele tá caidinho em você! A cara que ele fez merecia uma foto e... Ei, o que foi?
Camus continuava parado olhando para porta por onde Milo saiu como se tivesse visto algum fantasma. Definitivamente não era aquela reação que esperava ver no grego, talvez mais uma das suas piadas maldosas, mais jamais uma expressão de mágoa e tristeza no olhar.
- O que será que ele ouviu?
- Não sei... Mas tenho uma idéia do que você pode fazer...
-oOo-
- Eles estão demorando muito, melhor ir ver se esta tudo bem, o Camus pode ter desmaiado outra vez!
- Espera um pouco, Milo! - Mu tentava fazê-lo desistir da idéia de procurar Camus. Era bem verdade que estavam demorando muito, mas imaginava qual seria o motivo.
- Já esperei demais! Vou só ver se está tudo bem e volto.
- Mas, Milo...
June ainda tentou chamar sua atenção, mas já era tarde. Em movimentos rápidos, levantou-se da mesa e caminhou até o toalete, a porta estava aberta, permitindo que ouvisse uma conversa antes mesmo de passar por uma parede divisória e ver o que acontecia ali.
- … Sei muito bem porque se arrumou tanto hoje, e digamos que fez um bom trabalho, você está lindo, Camus, desse jeito não tem coração que resista!
Milo entrou no banheiro e tudo que viu foi aquele ser irritante abraçar o seu ruivo e beijá-lo, no rosto, mas ainda assim um beijo. E o jeito que Camus sorria... Ele parecia realmente estar feliz, era um sorriso único, porque ele não fazia aquilo mais vezes?
- A noite é uma criança ainda, algo me diz que muita coisa vai acontecer hoje!
Como se já não bastasse, o francês ainda o abraçou de forma calorosa antes de perceber sua presença ali. Milo ficou sem reação, queria ir embora logo daquele lugar, pelo jeito eram mesmo namorados, mas por que aquilo o irritava tanto? Que sentimento estranho era aquele em seu peito?
- Eu... Só vim ver se estava tudo bem, não quis atrapalhar... Espero lá fora...
Milo ainda ouviu seu nome ser chamado, mas tratou de acelerar os passos e sair logo dali. Sentia-se deveras estranho naquela noite, estava sentindo ciúmes? Não, ele era Milo, jamais sentiria ciúmes de alguém, aquilo era apenas o ego ferido pelo francês ter escolhido Shura e não ele. Mas por que não tomou nenhuma atitude? Em uma situação normal entraria no clima e convidaria os dois para um ménage à trois, mas não, ele só sentia... Raiva?
Voltou à mesa, perguntou aos amigos se alguém iria pedir mais alguma coisa e fechou a conta, pagando a mesma. Shura e Camus voltaram enquanto discutiam com Milo que aquilo não era necessário, mas ele simplesmente disse que havia convidado e pagaria tudo. Os recém chegados optaram por não discutir e apenas agradeceram, mas o grego não fez muita questão de ouvir.
- Estava pensando em caminhar um pouco nessa área antes de ir embora, o que acham?
- Melhor voltar para o hotel, está frio pra ficar andando na rua!
- Que nada Milo, é uma boa idéia, se não gostar seu hotel fica aqui perto e podemos ir com você até lá e depois voltamos pra pegar o carro. - Aiolia tentou convencer.
- Eu também acho legal e não tá tão frio assim, Milo! - Mu realmente gostara da idéia, era mais um tempo que poderia passar com Shaka.
- Eu também não vejo problemas, sei que já conhecem Puerto Madero, mas é sempre bom andar por aqui. - June se animou.
- Então eu sou o único do contra? - Olhou para os lados e viu que nem mesmo Camus reclamara, "Também, ele está bem acompanhado", aquela não era sua vontade no momento, mas iria para não fazer desfeita com os amigos - Tudo bem, vamos, vocês venceram!
-oOo-
Caminhavam através da Puente de la Mujer (1), que cruzava o dique 3 em Puerto Madero, era uma estrutura muito bonita e moderna, que servia como passagem apenas para pedestres, o piso em madeira, a iluminação e toda armação de aço eram muito bem aplicadas naquele local. Aquela era uma área revitalizada, e a ponte era um dos símbolos da inovação naquela região, mesmo que não fosse reconhecida pelos portenhos quando construída, já que chegou em meio a crise econômica do país.
Mu estava de braços dados com Shaka e conversavam com Aiolia e Marin, que caminhavam abraçados, enquanto os outros quatro seguiam atrás. Milo conversava com June quando sentiu uma mão segurar seu braço, virou-se para o outro lado e viu o olhar de Camus sobre si. O espanhol imediatamente abraçou a loira e continuaram andando, em passos rápidos, deixando os dois pelo caminho, ainda parados.
– Quero falar com você...
– Pode falar, mas é melhor ser rápido, seu namorado pode não gostar... – Continuou a andar, quase ignorando o francês.
- Ele não é meu namorado, aquilo que você viu foi apenas...
- Não precisa me dar satisfações, tudo bem? Você poderia ter dito antes que...
– Milo... – Respirou fundo, apoiando as mãos no ombro dele, fazendo-o parar e diminuindo a distância entre os corpos - Cala a boca e faz logo o que tanto quer!
Sem falar nada, o ruivo passou uma das mãos do ombro para a nuca de Milo e o beijou. Forte, intenso, profundo? Não saberiam descrever, apenas deixavam-se levar pela dança que as línguas conduziam, pelos braços e abraços que em um compasso único seduziam, pelos passos desequilibrados que os pés seguiam. Até sentirem os corpos chocarem-se contra o metal frio do guarda-corpo. Pararam, olharam-se, sorriam.
(1) A Puente de la Mujer (Ponte da mulher), é uma obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Essa ponte tornou-se um cartao postal da cidade por sua beleza (principalmente a noite) e modernidade. Quando necessário, ela gira em cima de um de seus apoios para que possam passar grandes objetos ou barcos pelo porto histórico. Um fato curioso é que Calatrava desenhou a ponte e quis dar a idéia de... um casal dançando tango, mas, bem... Se alguém conseguir visualizar isso por favor me avisem! É bem facil encontrar fotos pela net.
Curiosidades:
La Boca
Como a Haina fez um comentário sobre isso no review do outro capítulo, achei melhor explicar um pouquinho aqui sobre o lugar onde o Camus mora...
O bairro La Boca é o mais pitoresco e colorido da cidade. Fica na região próxima ao antigo porto, na margem esquerda da desembocadura do rio Riachuelo. Um dos lugares mais famosos por lá é o El Caminito, uma rua repleta de casas de chapa de zinco pintadas de várias cores fortes: verde, vermelho, azul, laranja e amarelo. Hoje, o El Caminito se transformou em um museu ao ar livre que conta com a presença de pintores, fotógrafos e escultores expondo seus trabalhados.
Apesar de algumas atrações turísticas no bairro, é aconselhável recorrer "La Boca" de dia, quando toma vida própria, ou aos domingos, quando existe uma grande variedade de opções para os turistas. É muito fácil de perder-se no bairro, o que pode ser um pouco perigoso, já que nas redondezas do local existem vilas com moradores de baixa renda que oferecem certo risco ao visitante.
N/A: Errr... Será que posso pedir desculpas pela demora? Tá, eu sei, não tem perdão... Mas o capítulo não saia de jeito nenhum,a verdade é que andei bem desmotivada com a fic, mas acho que passou (espero!)! Boa parte disso estava escrita desde setembro mas algumas cenas me fizeram travas e não saíram como eu queria, acabei mudando algumas coisas para não deixar essa fic mofando! Me perdoem, o capítulo não ficou tão bom no fim das coisas, mas pelo menos tá ai o tão esperado beijo (por vontade dos dois)!
Milo: Finalmente! E o safado ainda me agarrou!
Shura: Ele ficou com pena já que você tomou fora até do Shaka dessa vez...
Milo: Ei, o que esse cara tá fazendo aqui?
Err... calma calma... depois resolvemos isso, voltando ao assunto, obrigada mesmo a todos que incentivaram e que de algum jeito cobraram e puxaram minha orelha para continuar com a fic! Thekinha por betar mais um capítulo e dar uns pitacos, Athenas de Aries por me dar inspiração (ui!) e desempancar a cena do jantar, Nath-Xuxu que também sempre me dá pitacos quando peço e é minha tradutora oficial agora (Foi promovida =P). Agradeço também aos reviews do capítulo anterior: Thekinha-doida-Tsukshiro, Seto Scorpyos, Lysley Almada, Nath-Xuxu-Dragonessa, Julia, Lyta-querida-Moonshadow, Dark Wolf 03, Ylamci, Mussha, grazielle, mushakista forever 2008, Condessa Oluha (com seu review e pm...tãoo fofos *-*), Haina-fofa-Aquarius-sama, Athenas-amore-de-Aries, Leo no Nina, Luannafianna e Kakoi-chan! Também aqueles que comentaram no msn ou orkut... Obrigada mesmo, do fundo do coração... Se não fosse por vocês a fic ainda estaria beeeem empancada!
A música do título não tenho certeza da autoria, encontrei Susana Rinaldi mas acho que é apenas intérprete... É um pouco antiga e sinceramente não gosto muito, mas achei que o título caia bem neste capítulo!
Quem puder deixar review com a opinião sobre o capítulo, fico muito feliz, mas mesmo quem não deixar obrigada por ler mesmo assim! Ahh, quem não é registrado, não esquece de preencher o e-mail também, assim eu posso responder ^^
Beijos e até o próximo capítulo!
Lhu Chan
Janeiro de 2009
