Capítulo 002: A inscrição.
Sato Akira conseguiu dormir profundamente no dia em que havia acontecido a sua briga contra Hikoru, no último dia de aula da escola Hyumann. No dia seguinte, o despertador de seu quarto tocou às sete e meia da manhã. Sato acordou rapidamente e desligou o despertador.
- Beleza! – disse Sato. – É hoje! Preciso ligar para o Kim para a gente ir se inscrever no Clube Marcial de Tóquio!
Sato se levantou da cama, foi até o telefone e discou rapidamente o número da casa de Kim.
- Kim? – disse Sato.
- E aí, Sato... melhorou? - perguntou Kim, do outro lado da linha.
- Sim... meu rosto não ta mais doendo não... – disse Sato. – Mas Kim...
- O que foi? – perguntou Kim.
- Eu decidi ir fazer a inscrição no Clube Marcial de Tóquio... você vai querer fazer também? – disse Sato.
- Heh... sim... vou sim... – disse Kim.
- Certo... – disse Sato. – Você sabe que as inscrições começam ao meio-dia, né? Você pode passar aqui umas onze horas, se der...
- Ta... combinado. – disse Kim. – Valeu...
Ambos desligaram o telefone.
Sato foi se arrumando e, quando o relógio marcava dez e meia da manhã, estava almoçando na cozinha.
- Sato... – disse sua mãe. – Você não decidiu fazer a inscrição no Clube Marcial de Tóquio só por causa daquela briga de ontem não, né?
- Não... – disse Sato, meio duvidoso. – Bom... na verdade eu estava em dúvida e com aquela briga de ontem... vamos dizer que essa dúvida acabou.
- Entendo... – disse a mãe. – Puxa, eu só espero que o treinamento não seja muito rígido...
- Certamente será, mãe... – disse Sato, acabando de comer. – Mas se acalma... eu nem sei se eu vou conseguir passar pra lá... os testes costumam ser muito difíceis.
Sato acabou de almoçar e olhou para o relógio, que marcava onze horas. Depois de uns poucos minutos, Kim tocou a campainha da casa de Sato.
- Deve ser o Kim... tô indo, mãe... – disse Sato.
- Vai com Deus, filho... – disse a mãe.
Sato saiu de casa e fechou a porta.
- Tudo bem, Kim? – disse Sato.
- Tudo... – disse Kim. – E então? Vamos indo?
- Claro... – disse Sato.
Os dois garotos começaram a andar, indo para o Clube Marcial de Tóquio.
- Kim, por acaso você sabe que tipo de testes vão dar pra gente lá? – perguntou Sato.
- Heh! Eu não faço idéia, Sato... – respondeu Kim. – Só espero que eles não sejam tão rigorosos como os dos últimos anos... já escutei tanta coisa...
- Que tipo de coisa? – perguntou Sato.
- Todo tipo... – disse Kim. – Há testes de inteligência, força, resistência, sobrevivência... não lembro de um teste específico, exceto um no qual alguns instrutores espancavam os candidatos e o último que ficasse, seria o aprovado.
- Caramba! – disse Sato.
- E se esse tipo de teste é só para entrar pra lá, imagina como deve ser o treinamento depois que você está lá dentro... – disse Kim.
- Sim, realmente... – disse Sato. – Mas eu não vou voltar atrás agora!
- Nem eu! – disse Kim.
Sato e Kim continuaram andando e, quando eram onze e quarenta, eles entraram na rua onde se localizava o Clube Marcial de Tóquio. A rua estava tomada por uma longa fila, de quase duzentos metros, que dava na entrada do clube marcial, onde seriam feitas as inscrições.
- Puxa vida! Eu não acredito nisso! – disse Kim. – Olha só que fila!
- É... a gente já devia esperar por isso, né? – disse Sato.
Então, os dois garotos se posicionaram no fim da fila e, em poucos segundos, eles já não eram mais os últimos. Ela crescia a cada segundo. A fila, por sua vez, não era feita apenas de jovens, mas também de diversos adultos. Então, o relógio marcou meio-dia.
- Atenção, todos! – disse uma voz que falava em microfone.
Kim e Sato tentaram ficar na ponta de seus pés para tentarem enxergar quem estava falando. Um homem alto, careca e moreno, posicionado na entrada do clube, segurava um microfone.
- Silêncio, por favor. – disse o homem com microfone. – Vamos começar as inscrições em breve, mas antes, eu gostaria de lhes dizer umas coisas que são de fundamental importância...
- O que será, hein? – cochichou Kim, para Sato.
- Eu que vou saber? – disse Sato, sem tirar seus olhos do homem que falava.
- Primeiramente... – começou o homem com microfone. – Devo lhes avisar que existem dez níveis de lutadores em todo o mundo. Entretanto, os testes que vocês farão serão apenas para os cinco primeiros níveis. Uma pessoa só poderá alcançar um nível superior ao quinto depois de estar dentro da escola, não importa quanta força a pessoa tenha, será necessário um ensino mais complexo para alcançar o nível seis em diante e esse é um ensino que só será dado aqui dentro. E devo dizer que... para entrarem, não só no Clube Marcial de Tóquio, mas em qualquer outro Clube Marcial, é necessário ter um poder sobrenatural, não importa em que nível ele esteja.
- Poder sobrenatural?! – disse Kim e Sato, parecendo não entenderem nada.
- Bom... – disse o homem. – Existem apenas vinte vagas para esses cinco níveis. Para o nível 1, existem sete vagas. No nível 2, cinco vagas, nível 3, quatro vagas, nível 4, três vagas e nível 5, uma vaga, totalizando o número de vinte vagas. Entretanto, não serão vocês que escolherão os níveis para qual irão, mas nós escolheremos. Através dos testes, veremos o nível do poder sobrenatural de cada um e então, e, de acordo com o nível do poder, a pessoa será designada para um dos cinco níveis. Se uma pessoa não tiver nenhuma energia sobrenatural, não passará! Entretanto, isso não significa que todos os que tiverem poder sobrenatural passarão, apenas os vinte melhores ganharão o direito de entrarem para o Clube Marcial de Tóquio. Todos vocês deverão comparecer aqui amanhã, no mesmo horário, e então, será dito tudo sobre o primeiro teste ao qual vocês serão designados a fazer.
Toda a rua estava em silêncio, exceto pela voz do homem que falava ao microfone.
- Puxa vida! Poder sobrenatural?! – disse Kim. – Eu acho que foi uma péssima idéia nós termos vindo aqui, sabia?
- Poder sobrenatural... que tipo de pessoa teria isso dentro de si? Esses caras só podem estar viajando... – disse Sato.
- Muito bem! – disse o homem. – Seguindo a ordem da fila, podem começar a fazer suas inscrições.
Então, os primeiros da fila foram fazendo suas inscrições. A fila foi diminuindo e, depois de quase cinco minutos, Sato, que estava quase no meio da fila, reconheceu um garoto que estava vindo da entrada do Clube Marcial, com o papel da inscrição nas mãos.
- Ei, Kim! – disse Sato.
- O que foi? – perguntou Kim.
- Aquele é quem eu estou pensando? – disse Sato, apontando para o garoto.
- Ah! Não pode ser... – disse Kim.
- É o Hikoru! – disse Sato.
Hikoru passou pelos dois, mas nem os viu. Sato reparou que seu rosto estava cheio de curativos.
- Caramba! Esse desgraçado também vai fazer o teste! – disse Sato.
- Eu não acredito nisso! Será que ele ficou sabendo que você faria também, Sato? – disse Kim.
- Não... ele teria ao menos procurado por mim aqui na fila... ele passou pela gente e nem nos viu! – disse Sato. – Mas isso não importa! Esse cara... que droga!
- Ah, não fique tão bolado assim, Sato... – disse Kim. – Olha, a fila já está andando de novo...
A fila foi andando e, depois de meia hora, Sato colocou o seu nome no papel da inscrição.
- Muito obrigado. – disse o homem que estava recebendo os candidatos.
Sato acenou com a cabeça. Logo depois, Kim colocou o seu nome também e os dois foram andando.
- Puxa vida... amanhã ao meio-dia... a gente vai ficar sabendo qual vai ser o primeiro teste. – disse Kim. – Você está animado, Sato?
- Não sei não... não gostei nada de saber que o Hikoru vai tentar fazer o teste também! – disse Sato. – Ele pode armar algum trambique...
- Ah, não esquenta! Você acha que os caras daqui vão ser enganados por alguma armação de um simples adolescente? – disse Kim.
- Não, não se trata disso, Kim. Não é armação para que ele consiga passar, mas alguma armação para fazer com que eu não entre, entende?
- Saquei... – disse Kim. – É... conhecendo a personalidade arrogante e vingativa dele... ele é bem capaz de fazer isso mesmo.
- Bom... mas eu não posso fazer nada a não ser esperar até amanhã... – disse Sato. – E aí, eu vou pra casa. Quer vir também?
- Não, valeu. Eu vou dar uma pesquisada em casa pra saber mais sobre os testes do Clube Marcial... – disse Kim. – Eu passo lá na sua casa na mesma hora de hoje, beleza?
- Certo! – disse Sato. – Até amanhã.
- Até. – respondeu Kim.
Sato voltou para casa, foi logo para o seu quarto e se sentou em sua cama.
"Droga! Droga! Esse Hikoru... como eu pensei, ele não vai me deixar em paz nem nas férias! Talvez o Kim tenha razão... talvez o Hikoru tenha se inscrito porque ele pode ter ficado sabendo que eu também me inscreveria... mas como ele poderia saber? Talvez ele só quisesse simplesmente entrar no Clube Marcial de Tóquio, assim como eu... ah, eu sei lá! Não vou ficar pensando nesse cara, não!" pensou Sato.
O garoto se levantou e ligou o seu computador.
"O Kim disse que ia pesquisar sobre os testes, acho melhor eu fazer isso também..." pensou Sato, sentando na cadeira.
Então, ele rapidamente entrou no site do Clube Marcial de Tóquio e clicou na parte dos testes. Uma outra página se abriu, mostrando os testes do ano anterior.
"Primeiro Teste: cada candidato deverá ficar sem comer e sem beber durante três meses. Todos aqueles que desejarem desistir, deverão comunicar ao instrutor do teste. O objetivo é calcular por quanto tempo sua energia sobrenatural pode suprir uma necessidade humana."
- Ah, eu não acredito! Ficar sem comer por três meses seguidos! – disse Sato. – Só se a pessoa estivesse em coma ou algo do tipo..., bom, vamos ao segundo teste.
"Segundo Teste: cada candidato deverá levantar o máximo de peso que conseguir com os seus dois braços. O peso mínimo é de duas toneladas, se o candidato não conseguir levantar as duas toneladas, será eliminado automaticamente. O objetivo é calcular quanto a energia sobrenatural pode aumentar a capacidade muscular humana."
- Puxa vida! Duas toneladas!!! – disse Sato. – Bom, pelo menos não foi nenhum tipo de violência como o teste que o Kim me contou.
Sato continuou mexendo em seu computador por mais um tempo e depois ficou jogando vídeo-game, mas sem esquecer que Hikoru também participaria dos testes. A noite chegou e Sato rapidamente caiu no sono.
O garoto acordou cedo na manhã seguinte. Tomou banho, almoçou e, às onze horas e cinco minutos, Kim tocou a campainha da casa de Sato, e então, os dois garotos foram andando para o Clube Marcial de Tóquio.
- E aí, Sato, ta preparado? – disse Kim.
- Não sei... com certeza nenhum de nós dois vamos passar, cara. – disse Sato. – Os testes são simplesmente sobre-humanos!
- Heh! Eu avisei... dei uma pesquisada ontem no site... – disse Kim.
- Eu também! Levantar duas toneladas! Ninguém consegue isso! – disse Sato.
- É... eu também acho... – disse Kim.
Depois de um tempo, Sato e Kim adentraram a rua do Clube Marcial, faltando apenas dez minutos para meio-dia. A rua estava tomada de gente, mas dessa vez, elas estavam dispersadas e não em fila.
- Cara, que bagunça! – disse Kim.
Sato olhava de um lado para o outro.
- Deixa disso, Sato! Para de ficar procurando o Hikoru, esquece ele! – disse Kim.
- É, eu acho que você tem razão... – disse Sato.
Então, o mesmo homem de antes pegou o microfone.
- Atenção, silêncio, por favor! – disse o homem. – Organizadamente, um por um, vocês deverão entrar no Clube Marcial e virar na primeira porta à direita de vocês, onde haverá um grande salão onde será explicado tudo sobre o primeiro teste, desde o horário e a data, até o que ele realmente será! Podem ir entrando...
Então, um por um, o pessoal foi entrando no Clube Marcial de Tóquio. O coração de Sato palpitava cada vez mais rápido, preocupado não só com o teste, mas também com Hikoru.
