Capítulo 004: O controle de energia.

Todos aqueles que estavam no salão onde estava sendo realizado o primeiro teste de admissão ao Clube Marcial de Tóquio estavam de olhos arregalados com o número que apareceu na máquina após o soco de Sato.

- É isso aí, Sato! – disse Kim. – Ele é mesmo incrível! Marcou 35 Herzuz!!!

- Não... não é possível... – disse Hikoru.

- Parabéns, Sato Akira, você está classificado para o segundo teste... – disse o homem com a lista de papel, também tão assustado quanto os demais.

Sato foi se sentar com os outros classificados, perto de Kim.

- Isso foi incrível, Sato! – disse Kim. – Seu soco foi de três mil e quinhentos quilos!!!

Hikoru olhava de esguelha para Sato.

"Deve ser por isso que os socos dele doeram tanto naquela briga! Esse desgraçado... eu preciso superar esse cretino!" pensou Hikoru.

O primeiro teste seguiu por mais quase uma hora, e apenas um adulto de uns vinte e cinco anos marcou um número maior que o de Sato: 50 Herzuz. Todos os eliminados já haviam ido embora.

- Muito bem! – disse o homem que antes chamava os nomes. – Apenas trinta sobraram... um número que já era esperado! Como sabem, só existem vinte vagas atualmente para entrarem no Clube Marcial de Tóquio! Portanto mais dez devem ser eliminados. Portanto, haverá um segundo teste!

- Cara, agora eu to mais confiante nisso... sabendo que eu tenho energia sobrenatural! – disse Kim. – Isso é tão emocionante!

O homem continuava falando.

- O principal objetivo do primeiro teste foi eliminar aqueles que não têm nenhuma energia sobrenatural e também calcular a capacidade daqueles que têm, já que isso será fundamental para definirmos o nível para qual cada aprovado deverá ir! – disse o homem. – Bom, mas vamos logo ao que será o segundo teste! Também será um teste de força...

- Ai, ai, de novo? Com certeza a gente vai ter que socar mais forte do que hoje, não é? – disse Kim.

- Certamente... – disse Sato.

- Mas... – continuou o homem. – Esse teste naturalmente será mais difícil, como foi dito antes! Por isso, cada um de vocês deverá ter um instrutor... na verdade, um professor que irá treiná-los pelo período de uma semana, para que todos vocês fiquem aptos o suficiente para fazerem o segundo teste! .

- Mas, senhor... – disse Kim. – Do que se trata o segundo o teste? Quero dizer, o que nós deveremos fazer?

O homem hesitou um pouco.

- Não quero que fiquem assustados, já que terão um treinamento para isso, mas... – disse o homem. – Vocês terão que destruir uma montanha com suas próprias mãos!

Todos arregalaram os olhos.

- Destruir... uma montanha?! – disse Kim.

Até Hikoru parecia espantado.

- Bom, a gente se impressionou antes quando nos disseram que teríamos que socar numa pressão mínima equivalente a mil quilos, se lembra, Kim? – disse Sato.

- Sim... claro que eu me lembro... – disse Kim.

- Bom... – disse o homem. – Agora, eu quero que vocês todos façam uma fila na minha frente e tirem um papel desta urna.

O homem apontava para uma urna que havia em cima de uma mesa. Rapidamente, todos formaram uma fila que ia à direção do homem.

- Cara... tomara que esse treinamento não seja tão pesado... – disse Kim.

- Mas eu acho que vai ter que ser sim, né? Afinal, cara, a gente vai ter que derrubar uma montanha!!! – disse Sato, andando na fila logo à frente de Kim.

Chegou a vez de Sato e ele colocou a mão dentro da urna e retirou um pedaço de papel no qual estava escrito um nome.

- Tsukynare? – disse Sato, olhando para o homem.

- Deu sorte, Sato Akira... ele é um dos melhores professores que temos... espere ali, logo, logo vocês serão apresentados... – disse o homem.

Sato se juntou aos outros que já haviam pego os seus papeis. Kim também retirou o seu.

- Shinju... – disse Kim.

Sem dizer mais nada, Kim se juntou a Sato. Hikoru também pegou um papel no qual estava escrito "Kaikun". Sem falar nada, se juntou aos outros. A garota chamada Anika tirou o seu papel e viu "Kishui" escrito nele e depois, também se juntou aos outros.

Em poucos segundos, todos já sabiam o nome de seus professores.

- Muito bem! Agora que todos já sabem os nomes de seus respectivos professores, esses homens... – o cara apontava para alguns homens que estavam no outro canto do salão. – Os guiarão para conhecerem pessoalmente os seus professores. Vejo vocês aqui dentro de uma semana!

Os homens foram pegando as pessoas e as conduzindo para seus professores.

- Vejo você depois, Sato... – disse Kim, se distanciando.

- Certo... – disse Sato.

O homem foi conduzindo Sato para fora do salão e então, eles subiram uma escada e entraram na primeira porta à esquerda.

- Aí está ele... – disse o homem.

Um homem alto, de altos cabelos azuis estava sentado numa cadeira, típica de professor examinando alguns papeis e então parou para ver Sato. O homem que havia conduzido o garoto foi embora rapidamente e Tsukynare e Sato ficaram sozinhos na sala. O homem alto de cabelos azuis se levantou, foi até Sato e apertou sua mão.

- Muito prazer... meu nome é Tsukynare e serei o seu professor para o segundo teste! – disse o homem.

- Prazer em conhecê-lo também senhor, eu sou Sato Akira! – disse o garoto.

- Certo... – disse Tsukynare. – Olha, Sato, eu sei que uma semana parece ser um tempo bem curto, mas garanto que você conseguirá passar nesse teste! Mas... o seu treinamento não pode começar agora, eu cheio de trabalho pra fazer, sabe...

- Sim, tudo bem, não precisa se preocupar... – disse Sato.

- Escuta... – disse Tsukynare. – Venha até aqui no Clube Marcial de Tóquio amanhã de manhã às sete horas, está bem? Aí começaremos o seu treinamento...

- Certo... – disse Sato. – Bom, então eu vou indo... até mais.

- Até... – disse Tsukynare.

Sato saiu da sala, desceu as escadas e saiu do Clube Marcial de Tóquio. Olhou a sua volta e poucas pessoas estavam ali.

- Ah, cara, eu vou pra casa... O Kim deve demorar ainda... – disse Sato.

Então, andando rapidamente, Sato chegou em casa depois de alguns minutos. Ficou por quase meia hora explicando tudo para sua mãe (que por sinal ficou bastante surpresa em saber que seu filho tinha poderes) e depois, subiu para o seu quarto. O dia já estava anoitecendo e Sato estava bastante cansado, então, logo depois do jantar, foi dormir.

Às seis horas da manhã do dia seguinte, o despertador toca e Sato acorda bastante assustado. O garoto rapidamente desliga o despertador.

- Cara... com esse negócio do Clube Marcial de Tóquio eu nem vou poder dormir um pouco até mais tarde nas férias... – disse Sato.

Ele rapidamente se arrumou. Sua mãe ainda dormia quando ele saiu. Andou rapidamente até o Clube Marcial de Tóquio e viu Tsukynare logo na entrada.

- Você está atrasado cinco minutos, Sato! – disse Tsukynare.

- Me desculpe, senhor... é que eu dormi um pouco mais do que devia... – disse Sato.

- Esqueça! Mas tente não repetir isso de novo! – disse Tsukynare. – Se quer mesmo passar nesse teste, deve se dedicar de corpo e alma!

- Sim senhor... – disse Sato.

- Agora, me siga... – disse Tsukynare, entrando no Clube.

Sato foi seguindo-o.

"Ah... eu não acredito... esse cara parece ser um mala... ontem ele parecia um pouco mais legalzinho..." pensou Sato, enquanto adentrava o Clube, seguindo Tsukynare.

- Escuta senhor... – disse Sato. – Nós vamos treinar aqui dentro do Clube Marcial mesmo?

- Sim... – disse Tsukynare. – Há um campo aberto reservado apenas para treinamento.

Depois de quase cinco minutos andando, Tsukynare abriu uma porta que revelou um grande campo aberto, com algumas árvores apenas. Ele estava completamente vazio, a não ser por alguns pássaros que cantavam ao redor.

- Puxa vida! Esse lugar vai ser muito bom pra se treinar! – disse Sato. – É bem amplo... mas espera!

- O que foi? – disse Tsukynare.

- Por que só tem a gente aqui? – disse Sato. – Com certeza os outros também querem treinar num lugar como esse!

- Não... esse lugar está reservado apenas para o nosso treinamento, Sato. Mas não se preocupe... – disse Tsukynare. – Os outros professores conhecem outros lugares ótimos para treinamento...

- Sei... então, vamos começar? – disse Sato. – O que vamos fazer primeiro, luta, teoria, o que?

- Nenhum dos dois... – disse Tsukynare. – Antes eu quero ver do que você é capaz... primeiro... de um soco bem forte naquela árvore ali...

Tsukynare apontava para uma árvore bem grande.

- Caramba! – disse Sato. – Tem certeza de que eu não vou me machucar, Mestre?

- Só faça o que eu mandei! – disse Tsukynare.

- Ta, ta... – disse Sato, indo para a árvore.

Então, Sato fechou os olhos e ficou se concentrando por alguns segundos, mas não sentiu nada.

"O que está acontecendo...? Eu não sinto a minha energia como eu senti no primeiro teste..." pensou Sato.

Então, mesmo sem sentir nada, Sato, desferiu um forte soco na árvore, que ganhou uma rachadura de menos de um centímetro e a mão de Sato ficou toda esfolada.

- Ai, que droga!!! – disse Sato, segurando a mão.

Tsukynare foi se aproximando do garoto.

- Exatamente como eu pensei, Sato... – disse Tsukynare. – Você só conseguiu aquele desempenho brilhante no primeiro teste por causa do instrutor da prova que despertou a sua energia sobrenatural... e é exatamente esse o primeiro passo do seu treinamento... conseguir aquela mesma força que você obteve antes, mas desta vez, sem a ajuda de ninguém!

- Mas... como que eu vou fazer isso? – disse Sato.

Tsukynare andou por alguns segundos.

- Sente-se! – disse Tsukynare, rispidamente.

- Aonde? – disse Sato, olhando a volta.

- No chão! – disse Tsukynare, alterando a voz.

Sato se sentou.

"Que saco... parece que esse cara ta aqui de má vontade!" pensou Sato.

- O que o instrutor da prova fez foi simplesmente aumentar a sua capacidade de concentração... – disse Tsukynare. – Para que assim, a sua energia viesse à tona provocando o aumento da força... você tem uma grande quantidade de energia sobrenatural dentro de si, Sato, mas isso de nada adiantará se você não souber como controlá-la e manifestá-la!

- Entendo... então tudo se resume a concentração mental, é isso? – disse Sato.

- Praticamente... – disse Tsukynare. – É necessária força física também para que o seu corpo consiga resistir à energia sobrenatural... mas, por enquanto, você precisa se preocupar basicamente com a concentração já que sua energia sobrenatural não é desenvolvida o bastante para causar um ferimento no seu corpo... agora tente dar outro soco, desta vez, se concentrando mais... tente olhar em seu interior e deixar que tudo o que está dentro de você se libertar!

Sato se levantou e se posicionou à frente da árvore.

"Concentração... concentração..." pensou Sato, fechando os olhos.

Sato tentou parar de pensar em qualquer outra coisa e depois, nem mesmo o som dos pássaros ele ouvia. Ele sentiu uma sensação um pouco menor do que a do primeiro teste.

"Ainda não está bom..." pensou Sato.

A sensação diminuiu, então Sato parou de pensar. Então ele liberou completamente a sua mente. A sensação de chamas foi crescendo.

"Agora!!!" pensou Sato, abrindo os olhos.

Então, Sato desferiu um poderoso soco na árvore, que se rachou ao meio e então, a parte de cima despencou ao chão.

- ISSO! CONSEGUI!!! – gritou Sato.

Então, ele começou a sentir uma forte dor no punho.

- Cara... dou... – disse Sato.

- Foi bem, Sato... – disse Tsukynare. – Mas ainda não foi a mesma força que você manifestou antes... se fosse, até a raiz da árvore teria se desmanchado com o impacto do golpe. Mas para o começo... está muito bom!

- Obrigado, Mesre Tsukynare... – disse Sato.

Tsukynare examinava atentamente o garoto.

"Cara..." pensou Sato. "Finalmente ele deixou de falar com arrogância comigo..."

"Heh! Parece que é isso mesmo!" pensou Tsukynare examinando Sato. "Esse garoto tem um grande potencial..."