Capítulo 005: Uma poderosa técnica.

Sato e Tsukynare continuavam no grande campo aberto onde estavam realizando o treinamento, dentro do Clube Marcial de Tóquio.

- É isso aí! Viu, Mestre Tsukynare... – disse Sato, ainda segurando o punho com o qual partiu a árvore.

- De fato foi bom, Sato... – disse Tsukynare. – Agora nós precisamos fazer com que você consiga manifestar sozinho a força que manifestou no primeiro teste! Para isso é necessário que você aumente muito a sua concentração... acredito que você ainda não conseguirá fazer isso hoje... mas nós precisamos fazer isso o quanto antes, portanto, de um outro soco naquela árvore ali!

Tsukynare apontava para uma outra árvore, tão grande quanto a anterior.

- Certo... – disse Sato, andando para frente da árvore.

Então, ele se posicionou na frente da árvore, fechou os olhos e começou a se concentrar, mas então, sentiu uma pequena dor no punho e então, abriu os olhos.

- Ah, me desculpe, Mestre Tsukynare, mas eu não to conseguindo... – disse Sato. – Essa dor no punho está me incomodando...

- Ah, sim... tudo bem então, vamos dar uma parada... – disse Tsukynare.

- Sim... – respondeu Sato. – Mas escuta, Mestre...

- O que foi? – perguntou Tsukynare.

- Do que adianta eu ter energia sobrenatural se sempre que eu for atingir algo duro, mesmo que o quebre, eu vou me esfolar todo? – disse Sato.

- Sato... – disse Tsukynare. – Não se esqueça de que seu corpo é o de um ser humano comum... se você socar fortemente uma árvore, como fez agora a pouco, sua pele ficará ferida... a energia que você manifestou foi suficiente para quebrar a árvore, mas não para preservar a pele de seu punho... mas não se preocupe quanto a isso, Sato... com árduo treinamento, a sua energia sobrenatural vai aumentar e vai chegar um momento em que, inconscientemente, a energia sobrenatural irá proteger a camada superficial de sua pele e ela só poderá ser ferida por um outro ataque que supere o revestimento da energia sobrenatural... deu pra entender?

- Mais ou menos... – disse Sato.

- Certo, então eu vou dar um exemplo... – disse Tsukynare. – Me de um soco, não precisa se concentrar não... só me de um soco... aqui, na minha cara.

- Sim... – disse Sato.

Então, Sato correu e atingiu Tsukynare diretamente no rosto, entretanto o Mestre não sentiu absolutamente nada.

- Está vendo, Sato? – disse Tsukynare. – Não houve nenhuma ferida no meu rosto... a minha energia sobrenatural já reveste a minha pele naturalmente... obviamente essa energia é imperceptível a olho nu, é apenas uma pequenina parcela do total de energia que há dentro de mim, e esse pequenina parcela é liberada através dos poros... mas não só apenas golpes de energia sobrenatural podem ultrapassar esse revestimento... por exemplo, uma facada, dada com bastante força, pode me ferir, mas isso nunca acontecerá se ela for dada por uma pessoa normal, já que a velocidade será muito lenta e então, elevarei a minha energia para deter essa facada, entendeu?

- Sim... um pouco... – disse Sato.

- Você entenderá perfeitamente o que eu quero dizer com o passar do tempo... – disse Tsukynare. – O que você tem que ter em mente é que você precisa de concentração, Sato...

- Sim, acho que saquei, mas... – disse Sato. – Acho que não vai dar pra eu continuar hoje, Mestre Tsukynare...

- Sim, tudo bem... – disse Tsukynare.

Enquanto isso, Kim também treinava em uma região montanhosa e arenosa, que era bem longe do Clube Marcial de Tóquio. Shinju era um homem de tamanho médio de longos cabelos e olhos pretos. Kim parecia estar bastante cansado.

- Isso é muito difícil, Mestre Shinju... – disse Kim, com a mão bastante ferida.

- Você precisa conseguir destruir isso, Kim... – disse Shinju, apontando para uma rocha de tamanho médio. – Garanto que a montanha que fará parte do segundo teste superará em vários metros o tamanho dessa rocha! Para que você consiga passar no segundo teste você antes deve destruir esta rocha com bastante facilidade...

Kaikun, o mestre de Hikoru, treinava fortemente o garoto numa floresta.

- Qual o problema, Hikoru? Você não sairá daqui até que consiga arrancar pelo menos uma gota de sangue de mim! – disse Kaikun.

Kaikun era mais alto que Hikoru, tinha cabelos curtos e castanhos e olhos verdes.

"Esse Kaikun... tá me debochando, desgraçado!!!" pensou Hikoru, correndo contra o Mestre.

Hikoru começou a atingir vários golpes por todo o corpo de Kaikun, mas o Mestre não sentia absolutamente nada. Então, Kaikun pegou o braço do garoto, fazendo com que ele parasse de atacar.

- Ainda está muito fraco, Hikoru! – disse Kaikun.

Anika Brux treinava com sua Mestra Kishui em uma ilha próxima de Tóquio. Kishui era uma mulher alta de longos cabelos ruivos e olhos pretos.

- Vamos, Anika... concentre-se e desperte a sua energia sobrenatural! – disse a Mestra.

Anika se concentrou e desferiu um forte chute num coqueiro, mas ele apenas se balançou, fazendo com que alguns cocos caíssem no chão.

O dia foi se passando e Sato voltara para casa depois de se despedir de seu Mestre Tsukynare. Contou para sua mãe tudo o que havia acontecido e ela lhe fez um curativo na mão machucada. Então, o garoto passou o resto do dia em seu quarto, treinando a sua concentração.

"Veja o seu interior..." pensava Sato de olhos fechados, deitado em sua cama. "Libere sua mente e deixe tudo que esteja dentro de si fluir naturalmente..."

Sato começou a não ouvir e nem pensar em mais nada e então, começou a sentir novamente como se o seu corpo pegasse chamas. Essa sensação foi aumentando e por quase meio minuto, ele sentiu como se o seu corpo estivesse se tostando, mas sem sentir dor. Depois disso, abriu os olhos e se sentou rapidamente em sua cama.

- Beleza! Eu consegui uma sensação mais forte do que antes! To conseguindo... to conseguindo... – disse Sato, parecendo bastante contente.

O resto do dia se passou rapidamente e Sato continuava treinando sua concentração, até que caiu no sono pouco depois de escurecer.

Às sete horas da manhã do dia seguinte, Sato estava chegando na porta de entrada do Clube Marcial de Tóquio, onde o Mestre Tsukynare já o estava esperando.

- Bom dia, Sato... melhorou a mão? – disse Tsukynare, bastante ríspido.

- Sim, senhor, Mestre Tsukynare... – disse Sato. – Acho que hoje vou ter um desempenho melhor do que ontem, pode ter certeza disso!

- É, eu espero que sim... – disse Tsukynare.

Então, em questão de poucos minutos, eles entraram novamente no campo aberto.

- Ei... – Sato olhava para uma árvore. – Mestre, aquela não foi a árvore que eu destruí ontem?

- Sim, por que? – disse Tsukynare.

- Como assim, por que? Ela está inteira! – disse Sato.

- Ah, sim... eu pensei que você já soubesse... – disse Tsukynare. – Como esse espaço é reservado para treinamento é natural que sempre haja destruições aqui, então, logo que ela foi criada pelo Mestre Herzuz, ela já foi programada para se reconstruir automaticamente após cada treino...

- Cara... que incrível esse Clube Marcial de Tóquio! É impressionante! – disse Sato.

- É, é mesmo... agora chega de conversa e vamos ao treinamento! – disse Tsukynare.

- Ah... sim, tudo bem... – disse Sato.

"Puxa vida... ele deve acordar mais tarde naturalmente, ele fica toda hora de mau humor no início do treinamento..." pensou Sato, se preparando para o treino.

"Ah, Sato Akira... me desculpe por eu estar sendo rígido, mas você precisa disso..." pensou Tsukynare.

Um tipo de flashback começou a passar na cabeça de Tsukynare. Ele relembrou uma conversa que teve com o instrutor do primeiro teste, logo depois que conheceu Sato.

- Esse é um garoto fenomenal, senhor Tsukynare... – disse o instrutor. – Provavelmente, se ele realmente conseguir passar... vai cair nas mãos dele, sem sombras de dúvidas... não seria melhor tirarmos o garoto desses testes e eliminá-lo da admissão?

- Não... cedo ou tarde ele irá despertar os poderes dele... e assim, o garoto certamente começará a ser perseguido por aquele cara... – disse Tsukynare. – Os poderes sobrenaturai dele vão vir à tona de qualquer maneira, então, é melhor que ele venha à tona através de nós, assim, pelo menos ele terá instrução e proteção também...

- Entendo... – disse o instrutor. – Mas, senhor Tsukynare... você deve pegar bem pesado com ele! Esse garoto precisa encarar o perigo logo de frente...

- Concordo... mas é melhor não contarmos nada a ele... – disse Tsukynare. – Pelo menos, não por enquanto... vamos esperar que ele se desenvolva mais e quando a ameaça daquele cara se aproximar... isso é, se essa ameaça se aproximar... aí sim, contaremos tudo a ele...

- Certo... – disse o instrutor.

A mente de Tsukynare voltou ao tempo real e viu Sato, já pronto para começar o treinamento.

- Muito bem, Sato... – disse Tsukyanre, se aproximando do garoto. – Acho que já podemos começar, certo?

- Sim, senhor... – disse Sato.

- Vamos lá... você disse que o seu desempenho será melhor hoje... então quero que comece me provando o que você falou... – disse Tsukyanre. – De o soco mais forte que você puder naquela árvore ali...

Tsukynare apontava para a mesma árvore que Sato havia partido no dia anterior.

- Certo... dessa vez eu vou fazer ela desmoronar toda, Mestre Tsukynare... – disse Sato.

Então, Sato se posicionou na frente da árvore e se sentou no chão.

"Ah... parece que ele percebeu mais ou menos como o processo da concentração funciona..." pensou Tsukynare.

Sato, de olhos fechados, começou a sentir novamente a sensação de chamas correndo por todo o seu corpo. Ela foi aumentando cada vez mais até que sentiu seu corpo tostar.

"Agora!!!" pensou Sato, se levantando rapidamente.

Então, Sato correu contra a árvore e desferiu um soco bastante poderoso fazendo todo o campo aberto tremer. A árvore começou a ter várias rachaduras e, em poucos segundos ela desmoronou com uma grande força e afundou todas as suas raízes, fazendo com que elas fossem completamente pulverizadas.

- E aí, Mestre? – disse Sato.

- Parabéns, Sato! Brilhante! – disse Tsukynare. – Você é bem esperto... agora entende o truque da concentração, certo?

- Sim, eu descobri enquanto eu consegui fazer isso quando eu estava deitado na cama... o truque é ter um bom relaxamento corporal, certo? – disse Sato.

- Exatamente... eu te dei só o primeiro passo e você descobriu o resto... – disse Tsukynare. – Meus parabéns, a força desse soco foi a mesma que você manifestou no primeiro teste.

- É, eu sei... - disse Sato. – Mas além disso, eu quase não senti dor nesse soco... isso significa que a minha energia aumentou e ela revestiu um pouco a minha pele, não é?

- Isso mesmo... – disse Tsukynare.

- Certo... agora qual vai ser o nosso próximo passo no treinamento? – disse Sato.

- Bom, eu acho que você não tem a concentração adequada para conseguir passar no segundo teste ainda, mas como você está se desenvolvendo bem rápido, acho que vou lhe ensinar uma técnica que envolva energia sobrenatural... – disse Tsukynare.

- Técnica de energia sobrenatural...? – disse Sato.

- Exatamente... – disse Tsukynare. – É uma técnica simples para um lutador experiente e avançado, mas vai ser difícil pra você... a concentração deve ser incomparavelmente maior do que aquela que você desenvolveu agora a pouco...

- E qual é o nome dessa técnica, Mestre? – disse Sato.

- O Punho Dourado... – disse Tsukynare.

- Punho Dourado? – perguntou Sato. – É, eu gostei do nome...

- Acredito que até o segundo teste você vai conseguir dominar esta técnica com bastante perfeição... – disse Tsukynare. – Ela será mais do que suficiente para destruir uma montanha gigante.

- E como ela funciona? – disse Sato.

- Você deve direcionar grande parte da energia que você despertar direto para o punho... – disse Tsukynare. – Naturalmente, para o punho com o qual você soca melhor... qual é ele?

- O punho direito... – disse Sato.

- Certo... – disse Tsukynare. – Direcionar energia sobrenatural para uma parte que contem pouca área é mais fácil do que direcionar para uma parte que contem maior área, ou seja, é mais fácil direcionar energia para um punho do que para uma perna, por exemplo, entendeu?

- Sim, eu já sabia disso... – disse Sato. – Mas como eu faço pra locomover a energia dentro do meu corpo?

- Concentração mental... – disse Tsukynare. – No momento em que você conseguir despertar sua energia, como você fez agora a pouco, você deve aumentar ainda mais a concentração e, através do poder mental, direcionar a energia para o seu punho direito. Entende?

- Sim... – disse Sato.

- Mas antes de tentarmos essa técnica, você precisa primeiro aumentar sua concentração... melhor dizendo, manifestar a força com a qual você desmoronou essa árvore num período mais rápido... – disse Tsukynare. – Primeiro, continue tentando fazer o mais rápido possível sentado e depois, de pé... e aí, quando você conseguir levar pelo menos um segundo para concentrar a mesma força de antes, se mantendo de pé e não sentado... aí vamos tentar a técnica do Punho Dourado... está bem?

- Sim, eu acho que entendi... – disse Sato. – Pode deixar, eu não vou decepcionar você, Mestre Tsukynare!