Capítulo 011: Percepção.
Kim já estava de pé. Tanto ele quanto Sato estavam bastante feridos devido aos golpes que ambos levaram um do outro durante a luta.
- Ah! Não! Eu desisto! Estou completamente esgotado! – disse Kim. – Esse golpe doeu bastante, Sato!
Sato já estava de pé também.
- Puxa vida... eu acho que a gente acabou exagerando... se a gente vai precisar de combate pra essa prova classificatória, nós temos que nos recuperar bem rápido desses ferimentos... – disse Sato.
- É, eu acho que você tem razão, Sato... – disse Kim.
- Vamos logo embora... – disse Sato.
- Certo... – disse Kim. – Desculpe eu ser mal educado assim, mas será que eu poderia ir até a sua casa?
- Sim, claro... – disse Sato.
- É que... a minha casa é mais longe... então... eu estando nesse estado, sabe... – disse Kim.
- Sim, não tem problema nenhum, Kim. – disse Sato.
Ambos saíram do campo e foram saindo lentamente do Clube Marcial de Tóquio. Todos olhavam para os dois garotos, já que eles estavam se segurando um no outro e com vários ferimentos por todo o corpo.
- Ei, o que aconteceu com vocês dois? – disse um dos homens que trabalhavam lá no Clube.
- Não foi nada... nós só estávamos treinando... nada que um descanso não resolva... não precisa se preocupar... – disse Sato.
O homem deu passagem para que os dois garotos passassem. Eles foram andando lentamente pela rua até que depois de quase uma hora e meia, chegaram na casa de Sato. A Sra. Akira levou um susto ao ver os dois garotos com todos aqueles ferimentos.
- Meu Deus! O que aconteceu com vocês dois?! – disse a mãe de Sato.
- Nada... não se preocupe... a gente só estava treinando... – disse Sato.
- Mas que tipo de treinamento é esse?! Se eu soubesse que seria tão devastador assim, eu nunca deixaria que entrasse nisso, Sato Akira!!!! – disse a mãe.
- Ah, mãe... eu só me descuidei um pouco... isso não vai mais acontecer, prometo! – disse Sato.
- Eu espero que sim! Agora, os dois, venham comigo que eu vou fazer os curativos... – disse a mãe, parecendo zangada.
Os dois subiram até o quarto de Sato e a Sra. Akira fez os curativos dos dois.
- Muito bem, Kim... você pode ficar aqui com o Sato até a hora que quiser, está certo? – disse a Sra. Akira.
- Sim, muito obrigado... – disse Kim.
Então, a mãe de Sato saiu do quarto.
- Puxa! A sua mãe é bem maneira, Sato... – disse Kim. – Ta certo que ela te deu uma tremenda bronca... mas no fundo, ela é muito maneira!
- É, eu sei disso... – disse Sato.
- A propósito, Sato... – disse Kim. – Eu sei que já perguntei sobre isso... mas você nunca me explicou o que realmente aconteceu, afinal quando eu perguntava, era quando a gente estava na escola...
- Mas do que você está falando, Kim? – perguntou Sato.
- Do seu pai... eu sei que você falou que você nunca o viu, mas... – disse Kim.
- Ah, é isso... eu nem me incomodo mais... – disse Sato. – Eu não sei mais coisas do que eu já te contei, Kim... sabe, eu só sei o que minha mãe me contou... que ele me abandonou quando eu ainda era um bebê... e desde então a minha mãe nunca soube dele...
- Sei... mas você acha que ele volta um dia...? – disse Kim.
- Sei lá... e eu também não to nem aí pra isso agora, Kim... eu to mais preocupado é com essa prova classificatória... – disse Sato. – Tsukynare disse que vai me treinar amanhã... mas mesmo assim...
- Ah, qual é... eu sei que você vai se sair bem... – disse Kim.
Os dois garotos continuaram conversando pelo resto do dia e Kim só foi embora de noite.
No dia seguinte, logo quando a aula terminou e todos os alunos foram saindo, Sato ficou sentado na sua cadeira, já que o professor que estava dando a última aula era Tsukynare.
- Vejo você mais tarde, Sato... – disse Kim, ao sair.
- Até mais... – disse Sato.
Toda a sala ficou vazia exceto por Tsukynare e Sato.
- E então, Sato? Todos esses ferimentos foram por causa do "treinamento" que você deve ter feito ontem naquele campo aqui do Clube, não é? – disse Tsukynare, sorrindo.
- É, na verdade foi sim... por isso eu perguntei se podíamos usar aquele campo para treinarmos... eu e Kim lutamos um contra o outro para sabermos o quanto as nossas habilidades tinham crescido e também para adiantarmos o nosso treino para a prova classificatória e... bom... o resultado foi esse que você está vendo, Mestre... – disse Sato.
- Entendo... – disse Tsukynare. – Vamos lá então?
- Sim, vamos! – disse Sato, parecendo animado.
Os dois foram andando na direção do campo aberto.
"Esse garoto tem uma disposição realmente enorme... ele ainda ta bastante animado pra treinar mesmo com esse corpo ferido... não é só porque ele tem muita energia sobrenatural dentro do corpo... aquele Kim e também todos os outros alunos estão bastante empolgados... todos se inscreveram pro torneio... parece que essa nova geração de lutadores têm mais potencial... hehe!" pensou Tsukynare, observando Sato, que andava à sua frente.
Os dois, depois de alguns minutos, entraram no campo de treinamento.
- Muito bem, Sato! Vamos treinar, mas sm exageros... o seu corpo já está bastante ferido e a prova será amanhã... você precisa estar em suas melhores formas, está bem?
- Sim, senhor... – disse Sato.
- Bom... vamos lá, me mostra o que você sabe fazer sobre combates... – disse Tsukynare. – Tente me atacar com toda a força que você tiver! Ah... e eu vou tentar me defender, só pra deixar claro...
- Sim, tudo bem... – disse Sato.
Sato começou a correr na direção de Tsukynare e tentou desferir-lhe uma rasteira, mas habilmente o Mestre se esquivou com um salto para o alto e em grande velocidade atingiu Sato com uma voadora no rosto. O garoto caiu de cara no chão, mas rapidamente se levantou.
- Ah, droga! – disse Sato, correndo novamente contra Tsukynare.
- Você é muito lento... – disse Tsukynare, observando Sato correr contra ele.
Sato tentou desferir um soco no Mestre, mas Tsukynare deteve o golpe facilmente, agarrando o punho do garoto e então, desferiu-lhe um forte soco na cara, fazendo Sato cuspir bastante sangue, voar longe e cair de costas no chão.
- Você ainda é lento, Sato! – disse Tsukynare. – Naturalmente, possui uma razoável velocidade para as pessoas da sua idade... mas se tentar enfrentar alguém mais experiente, será brutalmente derrotado!
- E... – disse Sato, se levantando. – Bom... é que... tipo, se eu aumentar a minha energia sobrenatural, vai ajudar a aumentar velocidade, não é?
- De fato... mas a sua fadiga será maior também... – disse Tsukynare. – Acredito que na sua luta contra o Kim, você deva ter aumentado sua energia sobrenatural, não foi?
- Sim... eu aumentei e desferi o meu Punho Dourado... e pensando bem... o Punho Dourado que dei nele foi bem mais rápido do que o soco que tentei te dar agora... por isso eu acredito que devo aumentar bastante a energia sobrenatural, entende? – disse Sato.
- Escute, Sato... para aumentar a sua velocidade, você precisa desenvolver ainda mais a sua energia sobrenatural... vou te dar um pequeno exemplo... – disse Tsukynare. – Imagine se, o nível de energia sobrenatural que você alcançou para desferir o Punho Dourado em Kim, fosse o seu nível normal... então, aquela velocidade que você alcançou na luta, seria sua velocidade normal, entende...?
- Sim, eu saquei... – disse Sato. – Então eu preciso desenvolver a minha energia sobrenatural, certo?
- Exatamente... infelizmente você não conseguirá desenvolver muito até a prova classificatória já que o tempo é curto... mas, acredito que você vai conseguir sair dessa prova bem mais rápido e forte do que está agora... – disse Tsukynare.
- Certo, eu entendi... – disse Sato.
- Mas, eu quero lhe ensinar uma coisa antes dessa prova, Sato... – disse Tsukynare.
- E o que é? – perguntou o garoto.
- Vou tentar te ensinar como identificar a presença de uma energia... seja sobrenatural ou não... – disse Tsukynare.
- Identificar uma energia? Como assim? – disse Sato, parecendo não entender.
- É como se fosse um tipo de percepção... você sabe que alguém está chegando perto de você, mas você não está vendo essa pessoa, entendeu? – disse Tsukynare.
- Ah, sei... – disse Sato. – E como é que eu vou fazer isso?
- Simples... – disse Tsukynare. – Lembra que eu te falei logo no início do nosso treino para o segundo teste de admissão que, à medida que você desenvolve sua energia sobrenatural, ela começa a revestir a sua pele?
- Sim, eu me lembro disso... – disse Sato.
- Pois então... a única coisa que você deve fazer é elevar a sua energia para que então, forme-se uma camada maior que revista todo o seu corpo, desta forma, a sua sensibilidade irá aumentar. Assim, qualquer perturbação que esteja próxima a essa energia, você será capaz de percebê-la facilmente! Naturalmente, se a energia aumentar você pode perceber alguém se aproximando a uma distância maior... se por exemplo, eu estiver a cinco metros de você, você vai conseguir sentir a minha presença, entretanto, se eu estiver a uns cem metros, você não conseguirá sentir, mas, se você aumentar sua enegia, então conseguirá!
- Ah, sim, eu acho que entendi... – disse Sato.
- Vamos fazer um teste... – disse Tsukynare. – Eu vou me esconde entre as árvores e tentarei de atacar... posso vir de cima, de baixo ou dos lados... você terá que desviar do meu ataque... ah! Detalhe... você deve ficar de olhos fechados...
- O que?! – disse Sato.
- Isso mesmo! Para treinar a sua percepção, você deverá evitar o meu ataque com os olhos fechados... – disse Tsukynare. – Com a sua energia aumentada, você também irá adquirir mais velocidade, então, há muitas chances de você desviar... e então, está preparado?
- Sim! – disse Sato, parecendo determinado.
- Certo... – disse Tsukynare.
Rapidamente, Tsukynare se escondeu entre as árvores. Sato fechou os olhos. Ele percebeu sua energia e ela começou a se intensificar.
"Muito bem..." pensou Tsukynare, que estava por trás de uma árvore que estava a uns cinqüenta metros de Sato. "Vou agora!!!"
Tsukynare deu um grande salto e voou na direção de Sato numa posição de voadora. Sato sentiu que algo mudava na energia às suas costas.
"Atrás!!!" pensou Sato, se virando, mas ainda de olhos fechados.
Ao se virar, Tsukynare estava a quase um centímetro do rosto de Sato. O garoto rapidamente moveu parte de seu rosto para o lado, mas a voadora acabou atingindo a metade direita de seu rosto. Sato voou longe e caiu no chão, com a testa e a boca, sangrando.
- Boa, Sato! Pelo menos você sentiu que eu estava vindo por trás! – disse Tsukynare. – Escuta, eu não vou mais te atacar! Os seus ferimentos não podem piorar mais, senão o seu desempenho na prova não será tão bom!
- Sim, senhor... – disse Sato.
O dia foi passando e Sato percebia cada vez mais rápido de onde Tsukynare estava vindo. Estava começando a escurecer.
- Olha, Sato... vamos fazer só mais um teste, desta vez vai ser diferente... – disse Tsukynare.
- Como assim? – perguntou Sato.
- Eu ficarei parado entre as árvores e você deverá me achar de olhos fechados... – disse Tsukynare. – Desta vez não haverá perturbação alguma, então você deve aumentar ainda mais a sua energia sobrenatural para que ela consiga captar outra energia, que no caso será a minha, e assim você consiga sentir a presença... mas antes de fazermos isso, devo lhe dizer uma coisa...
- O que? – disse Tsukynare.
- Se você quiser ocultar a sua presença ou pelo menos diminuí-la, você deve sempre reduzir o nível de energia sobrenatural... – disse Tsukynare. – Você deve quebrar completamente a sua concentração e assim sua energia irá abaixar, assim será mais difícil que alguém te encontre... entendeu?
- Sim, eu entendi... diminuir é fácil, o difícil é aumentar... – disse Sato. – Mas, Mestre, isso quer dizer então, que, percebermos a presença de um ser humano comum ou até mesmo de um animal, é mais difícil do que perceber a presença de um ser com energia sobrenatural?
- Pode ser... – disse Tsukynare. – Normalmente as pessoas normais ou até mesmo os animais não ocultam o seu barulho ao se mexerem a ponto de enganar os ouvidos de alguém que tenha energia sobrenatural... afinal, alguém que consiga despertar sua energia sobrenatural, tem sentidos muito mais aguçados do que os de uma pessoa normal... mas, se por acaso um humano normal ou um animal conseguir ocultar o barulho, você deverá aumentar a sua energia para perceber a presença... entretanto, como eles não sabem como diminuir ou aumentar sua energia, a aura deles estará em seu estado normal e nós, que usamos poder sobrenatural, conseguiríamos facilmente perceber a presença deles...
- Entendo... – disse Sato.
- Muito bem! Chega de conversa! Você tem cinco minutos para me achar! – disse Tsukynare.
Então, o mestre se escondeu por trás das árvores. Sato fechou os olhos e aumentou sua energia sobrenatural. Começou a sentir várias perturbações.
"Ele está se movendo... preciso esperar ele para saber a localização exata..." pensou Sato.
A energia ia aumentando cada vez mais. As perturbações pararam e ele começou a sentir uma sensação estranha à sua direita. Ele foi correndo, de olhos fechados para a direita e ia conseguindo se desviar facilmente das árvores, já que sua energia estava bastante aumentada. A sensação estranha ia aumentado, agora, à sua frente. Ele foi andando por mais uns vinte metros até que sentiu uma sensação muito forte à sua frente. Ele abriu os olhos. Olhou a volta, mas não havia ninguém.
- Droga! Eu não consegui! – disse Sato.
- Não, você foi muito bem! – disse a voz de Tsukynare, que parecia vir de cima.
Sato olhou para cima e viu Tsukynare de pé num grosso galho de árvore.
- Você não achou exatamente a minha localização, mas é porque você já está cansado... se nesse estado você percebeu que eu estava nesta zona aqui, no seu estado normal você me acharia facilmente! – disse Tsukynare.
O Mestre desceu de volta.
- Mestre, eu ainda tenho outra dúvida... – disse Sato. – Se eu preciso aumentar minha energia para sentir a presença, no momento em que eu a aumento, se houver uma pessoas que esteja se aproximando, ela vai saber que eu estou por ali, não é?
- Heh! Você é bem esperto, Sato, é isso mesmo! – disse Tsukynare. – Mas... no momento em que você aumenta a energia e sente a presença, você deve examinar direitinho de que direção a pessoa está vindo, então, diminua a sua energia que aí, você vai poder pegá-la de surpresa... mas se ela reduzir a energia também... aí ambos vão ter que se arriscar... entendeu?
- Sim, eu acho que entendi... – disse Sato.
- Olha, Sato, vá pra casa, agora... você deve descansar...a prova é amanhã, às sete horas. Venha para o Clube Marcial normalmente, certo? – disse Tsukynare.
- Sim, tudo bem... até a manhã, Mestre... – disse Sato, saindo do campo. – E obrigado mais uma vez!
Sato saiu do campo e foi andando para fora do Clube Marcial de Tóquio.
