Capítulo 019: A viagem da Sra. Akira.

Os dez classificados que passaram na prova continuavam ouvindo o homem que falava à frente de todos.

- Gostaria de lhes dar os parabéns pela classificação! – disse o homem. – Eu sei muito bem que todos vocês estão muito cansados, afinal, acabaram de concluir uma prova bastante exaustiva...

- Nem me fale... – cochichou Sato para Kim.

- Entretanto, eu devo lhes dizer mais algumas coisas... – disse o homem.

- Ah, cara, eu não agüento mais ficar aqui... eu quero ir para casa... – disse Kim. – Eu to muito cansado...

- Todos nós estamos... – disse Daiken, que estava próximo dos dois garotos.

O homem percebeu o pequeno murmúrio.

- Silêncio, por favor... – disse o homem. – Quanto mais rápido eu disser o que eu tenho para dizer, mais rápido, vocês estarão dispensados...

Os classificados se calaram.

- Bom... – continuou o homem. – Vocês estão classificados para a competição que acontecerá no Clube Marcial de Tóquio. Apenas cinco de vocês estarão hábeis a irem para o torneio regional, como já foi dito pelos seus respectivos professores. Logo, essa competição do Clube Marcial de Tóquio se baseia no seguinte.

- Bah, tomara que não seja nada tão difícil, né...? – cochichou Kim.

- Será uma competição de lutas! – disse o homem. – Haverá apenas cinco lutas, um contra um. Os cinco que vencerem estarão classificados para o torneio regional!

Um pequeno murmúrio tomou conta dos dez classificados.

- É, eu acho que era mais ou menos isso o que eu estava esperando mesmo... –disse Sato.

- Cara, quem pegar o Zabou é melhor nem aparecer pra luta... – cochichou Kim.

"Essa pode ser a minha chance de acabar com o Hikoru..." pensou Daiken.

- Silêncio!!! Por favor, façam silêncio!!! – disse o homem.

Aos poucos, o murmúrio foi cessando.

- Devo lhes avisar que, a partir de agora, não haverá mais nenhum tipo de prova como a que aconteceu aqui... – disse o homem. –Agora, a qualidade principal que vocês devem despertar cada vez mais fortemente, são suas respectivas habilidades de combate. Há mais um pequeno Clube Marcial aqui em Tóquio, que se chama Clube Marcial Makuma... o nome foi em homenagem ao chefe Makuma, um grande lutador que lidera esse Clube Marcial... portanto, o torneio regional será um torneio entre os lutadores do Clube Marcial de Tóquio e o Clube Marcial Makuma. Pelo fato de que esse Clube Makuma é menor do que o Clube Marcial de Tóquio, ele terá menos candidatos no torneio regional, apenas três, enquanto nós, teremos cinco, totalizando um número de oito participantes do torneio regional. Alguém tem alguma dúvida?

Todos os classificados ficaram calados.

- Muito bem, mas antes de se preocuparem com o torneio regional... – disse o homem. – Primeiramente, vocês devem se preocupar com a competição do Clube Marcial de Tóquio. Essa competição será realizada daqui a exatamente três semanas. No próprio dia da competição, será realizado um sorteio que definirá quem enfrentará quem. Naturalmente, é absolutamente aceitável que um participante desista, portanto, aquele que não estiver se sentindo pronto o suficiente no dia da competição, é só pedir desistência.

Todos ficaram calados.

- Bom, eu acho que é só! – disse o homem. – Parabéns mais uma vez e boa sorte!

O homem foi saindo lentamente.

- Ufa, finalmente eu posso voltar para casa! – disse Kim.

- Ah, Kim, eu normalmente não costumo pedir isso, mas... – disse Sato. – Será que eu posso ir para sua casa?

- Ah, sim claro, mas tem algum motivo especial? – disse Kim.

- Sim, na verdade, é a minha mãe, sabe... você não lembra da bronca que ela me deu depois que eu voltei todo esfolado do treinamento? – disse Sato.

- Hehe, ah, ta, saquei... – disse Kim. – Tudo bem...

Os dois garotos iam começar a andar de volta para casa, mas Anika se aproximou deles dois.

- Ah, gente... – disse Anika.

- Oi, Anika... – disse Kim.

- Eu gostaria de agradecer a vocês dois por terem me ajudado lá dentro da caverna... provavelmente, sem vocês dois, eu nunca teria conseguido passar nessa prova... – disse Anika.

- Ah, não precisa agradecer, Anika... – disse Kim. – A gente fez de coração, verdade sabe...

- Mas mesmo assim... – disse Anika. – Muito obrigada! Bom, eu vou pra minha casa... a gente se vê...

- Sim, até mais! – disse Kim.

A garota foi se distanciando dos dois. Kim e Sato forma andando de volta para casa. - Rapaz, eu to com medo... – disse Kim. – Essa competição... dependendo do oponente que a gente pegar...

- É realmente... mas isso é só o começo, cara... esse torneio todo vai ser páreo duro! – disse Sato. – Se a gente conseguir passar, nós vamos pro torneio regional, depois pro nacional, internacional...

- É, mas em compensação a gente vai ficar mais forte um pouco né? – disse KIim.

- Com certeza... – disse Sato.

- Mas o que realmente mais me preocupa é a força desses caras... – disse Kim.

- É, eu acho que só a Anika é do nível 3, o resto é tudo de nível 4 e 5... – disse Sato. – Vamos analisar... Eu, você, Hikoru e o Daiken somos do nível 4... a Anika do nível 3 e o Haiki, Zabou, Shukan, Kiwa e Wagaky são do nível 5... é, parece mesmo que a maioria é nível 5... então... a probabilidade de a gente pegar um adversário mais forte e experiente do que a gente é maior, não é?

- Pois é... ah... eu to muito preocupado! – disse Kim. – A gente já sabe da força de todos os classificados... do nível 4, o único que a gente não sabe muito bem é o Daiken, mas acredito que com esforço, possamos derrotá-lo... o Haiki e o Zabou são fortes pra caramba... e a gente não sabe o quanto aqueles outros três, Shukan, Kiwa e Wagaky são fortes... Ai, que droga! Que droga!!!

- Calma, cara, nada de pânico... eu consegui vencer o Zabou e no entanto, ele é nível 5... – disse Sato. – Ta certo que se não fosse a água... mas mesmo assim a gente pode vencer... olha, ainda temos três semanas, certo? A gente tem que usar esse tempo para treinarmos o mais duro possível!

- É isso mesmo o que eu vou fazer! – disse Kim. –Eu vou tentar falar com o Shinju...

- Eu também vou tentar falar com o Tsukynare... – disse Sato. – Eu nem falei com ele hoje porque eu to muito cansado... mas vou ver se falo com ele na próxima aula daqui a dois dias... se bem que eu duvido que ele vá me treinar, até porque, se ele quase não me treinou antes da prova, agora que ficou tudo uma bagunça no Clube por causa dessa prova... mas de qualquer forma, não custa nada tentar...

- Cara... eu nem quero mais pensar em nada... já estamos fora de casa há vinte e quatro horas eu só quero tomar um banho, curar essas feridas todas e cair direto na cama... – disse Kim.

- Cara, eu também... logo que eu chegar lá na sua casa vou dar um toque lá na minha mãe... – disse Sato.

Os dois foram andando por mais um tempo até que chegaram na entrada da casa de Kim.

Enquanto isso, os professores foram lentamente regressando para o Clube Marcial de Tóquio. Tsukynare foi entrando em sua sala e se sentou em sua cadeira. Então, ele começou a arrumar alguns papéis. Neste momento, alguém entrou na sala.

- Com licença, Tsukynare... – disse um homem de cabelos curtos e castanhos.

- Olá, Kaikun, pode entrar... – disse Tsukynare. – O que foi?

- Não é nada... – disse Kaikun se aproximando de Tsukynare. – Eu quero falar uma coisinha com você...

- Ah, sim, muito bem, diga... – disse Tsukynare.

- É o Sato... – disse Kaikun.

Tsukynare fez cara séria.

- O que aconteceu? – disse Tsukynare.

- Não, nada... ainda... – disse Kaikun.

- O que quer dizer com "ainda"? – perguntou Tsukynare.

- Acho que sabe o que quero dizer... – disse Kaikun.

- Ah... é, sei... – disse Tsukynare.

- Escute, Tsukynare... – disse Kaikun. – Isso é coisa séria! O Sato pode acabar nas mãos daquele cara... e aí, meu amigo...

- Sim, eu sei muito bem das conseqüências que podem acontecer caso o Sato seja capturado por aquele... – disse Tsukynare. – Aquele verme desprezível... mas talvez ele não apareça mais...

- Não acredito que ele esteja morto... talvez ferido ou escondido apenas, Tsukynare... – disse Kaikun. – A minha preocupação é que esse torneio acabe expondo muito o Sato...

- É, eu sei... – disse Tsukynare. – O Sato corre riscos de ser exposto através desse torneio, mas... acredito que, de qualquer maneira, o poder sobrenatural dele irá aumentar muito e será exatamente isso o que vai atrair aquele cretino! Em resumo: o que aquele cara quer é escravizar o Sato por causa de seu poder e se esse cara estiver vivo, ele certamente tentará fazer isso, cedo ou tarde, entende? Pelo menos, com este torneio, Kaikun... ele vai se empenhar e vai se desenvolver e quem sabe... ele consiga se defender...

- Tem razão, Tsukynare... – disse Kaikun. – Mas mesmo assim... toda a atenção do Clube Marcial de Tóquio tem que ficar redobrada... o poder do Sato é gigante e por isso que aquele canalha provavelmente vai querer o Sato e se ele cair nas mãos daquele imbecil... eu não gosto nem de pensar...

- Sim, eu já sei disso, Kaikun! – disse Tsukynare. – Escuta... eu não quero ser indelicado com você, mas é que... sabe... o dia foi pesado e... eu preciso ir descansar...

- Ah, claro, eu sei... – disse Kaikun. – Eu também vou pra casa... mas... lembre-se bem deste assunto, Tsukynare.

- Não se preocupe... – disse Tsukynare. – Eu não o tiro da cabeça desde que vi Sato pela primeira vez...

Enquanto isso, Sato acabava de tomar banho e o relógio já marcava oito horas da manhã. Os pais de Kim ainda dormiam e Sato começava a fazer seus curativos, tentando secar o que restava do seu próprio sangue que ainda saía um pouco. Então, Kim foi tomar seu banho. Depois que Sato acabou de fazer os curativos, foi ao telefone.

- Alô, mãe? – disse Sato. – A prova demorou... eu estou aqui na casa do Kim, está bem?

- Sim, eu fiquei preocupada... liguei pro Clube Marcial, mas eles disseram que a prova ainda estava acontecendo... mas... – disse a Sra. Akira.

- O que foi mãe? A senhora está estranha, aconteceu alguma coisa? – perguntou Sato.

- Não... é que... eu quero que você venha pra casa... eu preciso falar com você... – disse a Sra. Akira.

- Ta, tudo bem... eu... eu to indo... – disse Sato.

Então ele desligou o telefone. Esperou Kim sair do banho e fazer seus curativos e depois disse que deveria ir para casa.

- Puxa, não será que ela ta te aguardando com um chicote na mão ou algo parecido pra acabar com você, Sato? Hahaha! – disse Kim.

- Não, eu conheço a minha mãe... – disse Sato. – Ela está falando sério... ela estava com uma voz triste...

- Entendo... – disse Kim. – Olha, me desculpa, mas eu não posso ir com você agora, sabe... eu tenho que me explicar pro meus pais... se eles acordam e não me vêem em casa...

- Ta tudo bem, não se preocupe... – disse Sato. – Eu já vou...

- Certo... – disse Kim. – Até mais!

- Até... – disse Sato.

Então, Sato foi rapidamente para casa. Ao chegar, sua mãe estava sentada no sofá da sala, com uma expressão meio triste.

- O que aconteceu, mãe? – perguntou Sato.

- Eu vou ter que sair por uns dias... – disse a Sra. Akira. – Não é nada com que você tenha que se preocupar... é que... minha prima está muito doente, sabe... você não conhece... talvez... ela não passe dessa semana, sabe...?

- Ah, então era isso... mas eu nunca ouvi falar dessa sua prima... – disse Sato. – Mas tudo bem... você vai ficar fora por quantos dias mais ou menos?

- Não sei filho... eu vou ficar até ela ficar melhor... ou... até ela... – disse a Sra. Akira.

- Ah, ta, já saquei... – disse Sato. – E você vai quando?

- Eu vou daqui a umas horas... – disse a Sra. Akira. – Não se preocupe que eu vou ligar pra você todos os dias, ta bem, meu filho?

- Tudo bem... – disse Sato.

As horas foram se passando até que chegou a hora em que a Sra. Akira deveria partir.

- Tchau, meu filho, te vejo daqui a alguns dias... – disse a Sra. Akira, terminando de colocar as malas num táxi. – E olha, nem pense que eu não percebi que você está todo ferido... quando eu voltar, a gente vai conversar sobre isso, está bem?

- Ah... sim... me desculpa de novo por eu não poder ir ao aeroporto com você, mãe, mas... você entende, né...? Eu to cansado e tal...

- Não se preocupe... – disse a Sra. Akira. – To indo, tchau...

- Tchau e me manda notícias, ta? – disse Sato.

- Tudo bem... – disse a Sra. Akira.

Então, a mãe de Sato entrou no táxi, que foi se distanciando.

- Isso é muito estranho... – disse Sato. – Tenho quase certeza que é mentira... Uma prima que ela gosta tanto, teria ao menos mencionado o nome dela... ah, mas eu não posso ficar pensando nisso... preciso descansar e pensar no meu próximo treinamento pra competição do Clube Marcial de Tóquio...

Então, Sato entrou rapidamente em casa, subiu ao seu quarto e deitou em sua cama.

"Caramba... eu não consigo tirar essa história da prima da minha mãe da minha cabeça... mas eu vou descobrir o que é realmente quando ela voltar..."

Rapidamente, Sato caiu no sono e começou a dormir profundamente.