Capítulo quatro
raiva e beijos
O domingo passou arrastando, uma vez que passei o dia todo na biblioteca, com a desculpa de estar estudando. Não queria pensar, não queria ter que me encontrar com ele. Ele dissera que ia me deixar em paz. Será? Só sei que fiquei assim, ansiosa. Não o encontrei nem ele nem os amigos na hora das refeições, provavelmente estavam em Hogsmeade. Alivio.
No dia seguinte, eu teria aula de Defesa-contra-as-Artes-das-Trevas na mesma turma dele. Duas meninas da Sonserina me acompanhavam, elas falavam de coisas aleatórias, que eu às vezes concordava com 'hum'. Chegando no corredor, eu estaquei. Dois corpos agarrados, uma mão dele nos cabelos loiros e outra na cintura da garota, pressionando-a contra a parede, a menina quase desfalecia nos braços dele, segurando-o firmemente nas vestes. Ouvi as meninas da Sonserina murmurarem "que pouca vergonha".
-Marlene, vem. –disse uma delas. Então ao ouvir meu nome, Sirius Black interrompeu o beijo e virou-se para mim, ele parecia surpreso, e eu, ridícula, parada com a boca aberta. A menina loira da Lufa-Lufa tinha os lábios vermelhos e molhados, o rosto corado, estava quase que sem ar, enquanto olhava para minha incredulidade. Ela o empurrou de leve, com vergonha, e ele a soltou, pensando no que falar. Eu mordi o lábio e desviei o olhar, erguendo a cabeça e seguindo as duas garotas nervosas que me esperavam. Não ousei olhar para trás.
Sentei em minha carteira, um pouco tonta, olhei para trás e vi que estavam os três amigos dele, menos ele e a garota. O professor já começara a falar, quando a menina entrara pela porta, ruborizada e ia se sentar com sua colega da Lufa-Lufa, Sirius veio logo atrás, e eu não o olhei. A turma inteira murmurava e fofocava. Eu olhei para os meus livros fixamente.
Quando a aula acabou, eu já estava com tudo arrumado e me levantei rapidamente, não esperando ninguém.
-Lene. –a última voz que eu queria ouvir. Pisquei os olhos, fingindo ignorar. –Lene!
As pessoas já estavam olhando. Eu passei a mão nos cabelos e virei. Fazendo cara de entediada.
-Você esta bem? –ele me perguntou, de um jeito preocupado.
-Estou.-respondi rapidamente.-é só isso?
-Não te vi ontem.
-Estava estudando.
-O dia todo?
-O dia todo.
Ele fez um muxoxo. Eu olhei para trás dele.
-Sua namorada vem ai, ela ta me olhando feio.
-Ela não é minha namorada, estávamos só...
-Se pegando? –eu completei.-viu, previsível de mais.
Eu sorri com desdém, ele ficou emburrado. Dei um ultimo olhar na garota loira que estava parada atrás dele e fui embora.
Me sentia triunfante. Por essa ele não esperava. E por que ele se preocupava? Os dias passaram, e eu evitava ele de todas as maneiras possíveis, e achei que ele tivesse desistido. Estava chegando o inverno e teríamos um baile. Bah, eu não ligava para isso. Regulus me chamou para ir com ele, e eu aceitei. Talvez fosse divertido. Decidi por um vestido vermelho, ficava bem em mim, nas raras ocasiões em que me olhava no espelho e de fato me achava atraente. Dei um jeito no meu cabelo, num penteado preso atrás, com meus cachinhos agora direitos com magia, soltos.
O Salão principal estava todo ornamentado, tudo estava lindo e sofisticado. Até os fantasmas pareciam ter entrado no clima do baile. A cúpula do teto tinha flocos de neve caindo, embora eles não chegassem até nós. Entrei de braços dados com Regulus, na espaçosa pista de dança. Sirius estava lá, com a loira. Ele parecia entediado, enquanto ela tagalerava.
-A McKinnon caprichou, cara.-comentou James, e instantaneamente Sirius me olhou. Ele olhou para mim, deslumbrado, ele não tinha mais aquele sorriso debochado enquanto olhava o meu corpo colado no de Regulus enquanto dançávamos. Que Deus me perdoe, mas me senti satisfeita com a cena. Vi que ele estava bebendo um copo atrás do outro de uísque de fogo, a menina loira miava, querendo dançar, ele se levantou, meio que cambaleando e a levou para a pista de dança, se apertou nela e a beijou ali mesmo, de qualquer jeito.
-Está tudo bem?-perguntou-me Regulus, percebendo minha constante falta de atenção nele.
-Na verdade... Estou tonta. –menti. –eu vou ao banheiro, ta?
Ele balançou a cabeça, dando-me um beijo no rosto, forcei um sorriso e me encaminhei para a saída. Que loucura! O que eu estava fazendo? Usando Regulus para causar ciúmes no Sirius? Eu andei pelos corredores vazios, estava determinada em ir ao dormitório e me trancar lá. Até que senti alguém agarrando meu braço.
-Sirius?-como ele havia me encontrado, e como ele havia chegado ali tão rápido?
Ele segurou meu braço e me encostou na parede. Estava bêbado.
-Me solta!
Ele me olhava intensamente.
-Por que não consigo?-ele murmurou com voz rouca.
-Consegue o que?
-Te decifrar.-então era isso, eu era uma conquista difícil.
-Será que é difícil entender o fato que nem todas as garotas morrem por você? E você achou que seria interessante conquistar eu, uma garota resignada e sem amigos, uma garota da Sonserina, antagonista a seus amigos e seus princípios?
Ele não disse nada, continuou me olhando, e me segurando contra a parede.
-É ruim pro seu ego aceitar a verdade? Que eu. Não. Quero. Nada. Com. Você! Que eu não sinto absolutamente nada!
Ele apertou meu braço com mais força e quando eu tentei sair pelo o outro lado, ele pôs a outra mão na parede me encurralando. Meu coração batia forte, ele se aproximou, pude sentir o hálito quente e o cheiro de uísque de fogo, misturando-se com o perfume dele, um perfume que eu gostava.
-Não sente? Tem certeza?-perguntou com a voz rouca, próxima ao meu ouvido.
Ele soltou a mão que prendia a minha junto à parede, e pressionou mais seu corpo junto ao meu, eu podia sentir, cada parte, colada em mim, era quente, eu fiquei arrepiada, o nervosismo e a excitação tomavam conta do meu corpo. Eu queria fugir, aquilo era perigoso.
-Não sinto...Me deixe ir... –eu murmurei.
Mas ele pôs a mão no meu rosto, senti minha nuca se arrepiar, enquanto ele mexia com os dedos em volta do meu lábio entreaberto.
-Me deixe ir, Sirius, por favor...-murmurei suplicante. Porém ele me ignorou, e com os lábios quentes dele, ele cobriu os meus. Eu gemi de nervoso, quase que um soluço de choro. Mas ele não parou, abriu meus lábios com os dele, adentrando sua língua na minha boca, era quente e desesperado, ele mexia o corpo enquanto me beijava, colocando a perna entre as minhas, eu levantei um pouco e senti minhas pernas se abrirem. Passava a mão pelo meu corpo, me provando, me sentindo, eu tremia, tremia tanto... Então ele parou de repente, e se afastou. Eu fiquei ali, arfando, colada na parede, com o rosto corado, como a menina loira daquele dia, sem entender.
-Acho que sente né.-ele sorriu sem vontade, e se afastou dando passos para trás, saiu meio cambaleando, passando as mãos no cabelo, sumiu ao virar o corredor. Depois de tudo o que eu sentira, toda aquela emoção angustiante, o desejo, tudo agora virara ódio, e eu deslizei, jogando-me no chão, sentindo as lágrimas correrem pelo meu rosto, desejando as piores coisas do mundo para Sirius Black.
