Capítulo cinco

Jantar

Eu mal dormi aquela noite, com ódio, com raiva, revivendo aquela cena... Aquele momento, como eu o odeio, Sirius Black! No dia seguinte ele me enviou uma coruja. Ele me observava da mesa dele enquanto eu lia a carta.

Me perdoa. Eu estava bêbado.

Sirius B.

Eu amassei a carta, com nojo, observei os olhos dele de arrependimento. Eu o olhei com repugnância. E desviei o olhar. Os dias foram passando assim, eu evitava olhá-lo, e ele me olhava com pedido de desculpas, às vezes tentando falar comigo, mas eu o ignorava. Regulus se reaproximou de mim, e nós voltamos a nos falar e sermos amigos. Nas férias de natal, Regulus me contou que ele e Sirius brigaram e que mal estavam se falando, me senti culpada, porem ele tentou me confortar alegando que ele e Sirius nunca se deram bem mesmo.

Tentávamos evitar em falar sobre Voldemort, eu era completamente contra, mas ele se sentia animado com a possibilidade de se juntar a ele. No entanto ele me respeitava e não insistia em fazer minha cabeça.

-Reg... espera! –eu disse, correndo atrás do menino pelos jardins.

-Você não havia me contado... Por que? –ele se virou, me encarando.

-Ora... Não achei relevante...

-Relevante?! Lene, você não me contou que Sirius tinha te beijado, e agora me diz... Você sabe o que eu sinto!

-Sei? Você se afastou de mim do nada! Levou anos até voltar a falar comigo. –eu passei a mão nos cabelos e pus a mão na cintura.

-Me afastei... porque eu não sabia como lidar...

-Lidar com o que?

Ele pensou um instante, e respirou fundo.

-Isso.-ele pôs a mão no meu rosto e cobriu meus lábios com os deles, lentamente, ternamente, mordiscando meu lábio inferior, não como os beijos que trocamos quando criança. A principio fiquei confusa, mas não vou negar que não gostei do beijo.

Eu interrompi o beijo.

-Reg...

-Eu sei como você pensa, eu sei que você não quer se envolver, mas Lene, nós somos amigos, não acha que devemos, sei lá, tentar?

Ele me olhou esperançoso. Os olhos dele eram escuros, mas simples, não eram indecifráveis como os de Sirius. Regulus eu conhecia desde criança, ele era como eu, queria seguir um objetivo, era disciplinado, talvez pudesse dar certo... Pensar no beijo de Sirius ainda me arrepiava, sentia uma reviravolta na barriga, misturada com a raiva que eu sentia dele, por ter feito aquilo, para se divertir, nada mais do que um jogo!

-Eu vou pensar.

Ele sorriu um pouco mais confiante.

Pensei e no dia seguinte, eu resolvi aceitar. Pedi para ele para que não espalhasse, não queria que todos comentassem, ele concordou. Namorávamos escondidos pelos esconderijos nas masmorras, ninguém desconfiou de nada, porque logo entramos em férias de verão. O ano letivo acabara. Regulus me mandou algumas cartas e numa delas ele me convidava para ir a sua casa. Na mansão dos Black's. Relutei, mas após a insistência dele, eu acabei aceitando. Seria estranho? Talvez. Mas havia a possibilidade de ele nem estar lá. E se estiver? Ora, não importa.

Escolhi uma roupa um pouco mais sóbria, Regulus recomendou na carta que sua família era bastante tradicional. Minha mãe não gostou muito da idéia, afinal ela sabia que lado a família Black seguia, mas afinal, não estamos falando de casamento não é? Por Deus não! Então, na hora marcada usei a chave do portal e, rodopiando, eu avistei o rosto feliz de Regulus me esperando. Retribui o sorriso, meio vacilante, e demos as mãos. Adentramos o imenso casarão, confesso que me senti um tanto que intimidada naquela casa. A mãe dele, uma mulher séria e de olhar mesquinho, me avaliou de cima a baixo. "Uma McKinnon é? Bom, bom, sangue-puro, mas... pena que as idéias de sua família tendem pro lado errado... Uma pena". Evitei comentários.

O jantar correu bem, na medida do possível, a Sra. Black fazia-me perguntas sobre minha família, o que eu achava muito desconfortável, mas de certo modo ela ficou satisfeita em saber que eu era da Sonserina e monitora.

-Nem tudo está perdido!-disse ela, levando o cálice a boca. Eu virei o olho disfarçadamente, mas só Regulus percebeu, e não gostou muito. O Sr. Black praticamente não me dirigiu a palavra. Senti falta dos meus pais tagaleras. Então eu ouvi um baque, alguém chegara duas vozes rindo.

-Ah, ele trouxe o Potter... -murmurou a Sra. Black, com desgosto evidente. E gelei, estava de costas para porta, eu os ouvi chegando.

-Estamos jantando, espero que vocês já tenham jantado. -continuou ela. -ah, e essa é a namorada do seu irmão.

Eu tentei evitar virar, mas a minha falta de educação estavam incomodando evidentemente a Sra. Black, e todos na mesa me olhavam. Então, lentamente me virei. Acho que ele imaginou a possibilidade de ser eu a sua cunhada, mas a confirmação foi quase um choque. Ficamos nos olhando num silêncio constrangedor.

-Ora, cumprimente-a! Onde estão seus modos?-ralhou a Sra. Black.

Ele então levantou a cabeça, num gesto altivo de superioridade, e ficou com semblante indiferente.

-Como vai, srta. McKinnon?-e ele me estendeu a mão. Relutante, eu estendi a minha, e estremeci com o toque.

-Bem...-vacilei um instante, mas logo recuperei a compostura, elevando meu rosto como ele.-Obrigada.

Ele se virou e foi com James para o quarto. A trocou olhares com o Sr. Black. Regulus abaixou a cabeça, fitando o próprio prato. Não vi Sirius pelo resto do dia.