Antes de tudo, agradeço a quem acompanha e as reviews que estou recebendo. Espero que estejam gostando da trama!

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Sam estava na cama, vestido apenas com uma regata azul-cinza e com uma bermuda preta, exalando o aroma do shampoo misturado ao do perfume caro. Sua visão estava tão lenta, que vez ou outra quando ela voltava ao normal, achava que estava rápida demais. Sorria diante disso. Estava se sentindo tão bem!

Frank entrou no quarto e observou Sam.

― Tudo bem bro?

― Leeento...

― Logo passa. Daí você vai ver como fica legal... Se dê quinze minutos. Tudo passa.

Tocou o rosto de Sam e foi até o guarda-roupa. Pegou uma regata branca e vestiu.

― Stay Ok, Winchie...

Sam sorriu. Frank sorriu e pôde ver Sam fechar os olhos. Saiu do quarto. Teria que aproveitar a ida à cidade para comprar qualquer porcaria doce pra comer mais tarde.

Algum tempo depois, Sam resolve por abrir os olhos. Sorriu. Tudo tinha se normalizado. Parecia estar em auto-mode mais uma vez em sua vida. Saiu do quarto e desceu as escadas. Estava completamente revigorado. Tudo dentro de si no mais perfeito desempenho.

Encontrou Shane na cozinha, tirando as coisas da geladeira e com o telefone na mão livre. Discava um número.

Foi se aproximando e observando como Shane tinha o corpo definido... Era um pouco mais alto. Tinha os ombros um pouco mais largos. Os cabelos presos naquele rabo-de-cavalo preguiçoso ameaçavam deixar mechas escaparem. Aquele tom dourado dentre os fios castanho-médios... Shane era até bem bonito...

Reparou que Sam estava debruçado na bancada o observando. Parou o que fazia por um momento e ficou o observando da mesma maneira que ele o observava. Reparou em cada detalhe de Sam e foi se aproximando devagar, como uma serpente próxima de dar o bote. Ah... Aquilo estava começando a seguir em "linha curva". Sam não sabia nem ao menos seu nome, enquanto Shane sabia demais. Sabia que o mais novo estava indefeso, sabia que ele não se lembraria de nada, como seu irmão Frank. Sabia que Sam era apenas um garoto indefeso, ao menos no momento.

Aproximou-se das costas do mais novo e sussurrou em seu ouvido:

― Você está bem, Sammy?

A voz de Shane pareceu mais rouca que o normal e Sam se arrepiou diante disso. Não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que algo estava empurrando-lhe contra o balcão e havia um braço passado ao redor de sua cintura. Sentiu lábios no seu pescoço e gemeu algo aparentemente desconexo. Aquela situação estava estranha demais. Eram dois opostos: A inocência e vulnerabilidade de Sam e o pecado e a insanidade de Shane. Ambos estavam sozinhos ali naquele ambiente, fechados, alterados. Sam estava ardendo. Shane estava ardendo. E como testemunha de toda aquela ação, de todo aquele pecado, estava Castiel encostado no início da escada, velando por eles, mais precisamente pela integridade de Sam Winchester, camuflando-se no que o momento não os permitia ver.

Sam girou dentro da prensa e ficou cara a cara com o Malcov mais velho. O olhar de Shane brilhava tanto, que parecia algo até um pouco insano. Sam sorriu diante disso enquanto puxava o elástico dos cabelos de Shane, soltando-os, deixando que eles caíssem sobre os ombros do mais velho.

Shane afundou as mãos nos cabelos de Sam, que fechou os olhos. Agora! Era agora que desfrutaria daqueles lábios finos e bem desenhados do garoto Sammy.

Porém, para o desgosto de Shane, não foi bem assim. Próximos, muito próximos, com menos de dez centímetros de distância para consumar o primeiro toque de lábios, a campainha tocou. Shane grunhiu qualquer coisa, sorriu para Sam e se afastou.

"Deus! O que estou fazendo!" Pensou Sam, "voltando a si" por um breve momento. Subiu as escadas com pressa e se trancou no quarto, deixando-se escorrer pela porta até o chão. Esfregou os olhos e suspirou. Suspirou mais uma vez e deixou seu coração se acalmar.

Concluída a árdua tarefa, Sam se deu ao luxo de abrir os olhos para deparar-se com dois sapatos italianos em tom Whiskey à sua frente, que subindo o olhar, combinavam perfeitamente com o jeans desbotado, a camisa social e o casaco marfim de...

― Castiel?!

Arregalou os olhos e se levantou. O outro permaneceu inexpressivo como sempre. Teria uma pequena conversa com Sam sobre sua conduta, e seria agora, mesmo com ele sob os efeitos daquela "coisinha do mal".

― Sim. Eu mesmo. E é bom não se fingir de surpreso nem fazer perguntas. Pode se assentar, porque eu garanto: Tenho tanto pra falar, que enquanto seu irmão não voltar, não sairei daqui.

Sam obedeceu calado, indo até a cama e convidando o anjo para sentar-se ao seu lado. Castiel o fez e começou:

― Em primeiro lugar: Sei que talvez nem se lembre desse nosso encontro quando o efeito do que está "vestindo" passar. Em segundo lugar: Não minta. Não vai adiantar. E em terceiro e não menos importante lugar: Tudo o que falarmos será repassado à Dean. Ele precisa saber o que está acontecendo.

― Mas...

O anjo o interrompeu fazendo um gesto até um pouco brusco com a mão.

― Não fale, enquanto eu não terminar ou até que eu solicite que o faça, certo? ― seus olhos pareceram adquirir um brilho divertido diante da expressão de criança repreendida de Sam ― O que diabos era aquilo acontecendo lá em baixo? Tem noção do estrago que isso faria nos sentimentos de Dean?

― O-o que? ― Sam não estava conseguindo organizar as coisas dentro de sua cabeça ― Como assim?

― Escute. Shane estava se "atracando" com você. Já pensou se Dean visse? Coloque-se no lugar dele. O que pensaria se o visse se atracando com Frank? Ou até mesmo com Shane? Agora pense: Você e Dean... Algo tão errado se tornar mais complexo ainda... Qual seria o fim de vocês? Deixariam de se proteger para ir cada um pro seu lado e deixar o outro à espera do apocalipse com seu poço de rancor e com a ira corroendo-lhe por dentro?

― M-mas..

― Cale-se! ― ordenou ― Não sabe o que está fazendo, eu sei! Mas isso também é culpa sua. Não devia se deixar levar por esses "compostos inofensivos". Isso ainda vai te trazer grandes problemas Samuel... E se eu fosse você, prestaria mais atenção antes de se desrespeitar de tal forma vulgar e suja como a qual você tem agido...

Respirou fundo. Não estava nem na metade da lição de Sam, mas precisava ser cauteloso quanto ao tamanho da bomba que estava largando sobre os ombros do Winchester mais novo. Aquela reprimenda já tinha sido quase o suficiente por hoje.

― Só espero que lembre-se e faça bom uso das minhas palavras Samuel. Não torne algo tão complexo e talvez tão errado em algo catastrófico. Preste atenção no terreno aonde pisa. Este pode ruir ante seus olhos e sob seus pés quando menos esperar.

E dito isso, Castiel se levantou, indo até a beira da janela e desaparecendo, deixando Sam sozinho no silêncio do quarto, que logo foi quebrado pelo barulho tão familiar de seu Impala chegando.

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E aí? Gostaram?