Passando pra deixar mais um capítulo de Crisis e agradecer a todos que têm deixado reviews...
Espero que gostem!

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Todos voltaram aos seus respectivos lugares. Sam e Shane trouxeram mais cerveja. Algum tempo depois, um carro diferente estacionou junto aos outros. Um Camaro™ 2009. Dele, desceu ninguém mais ninguém menos que Castiel, com um lindo homem ao seu lado. Era loiro, usava um jeans rasgado e tinha os cabelos quase alcançando a cintura, muito loiros, que contrastavam com a camisa hippie e feminina de mangas longas branca, com detalhes indianos.

Todos os olharam. Dean levantou de onde estava e foi em direção à eles estranhado.

— Cas?

— Oi... Surpreso em me ver?

— ...

O anjo sorriu. Estava tão diferente... Os cabelos bagunçados, uma bata preta semelhante a do outro cara e um jeans claro, que acompanhava as variações de seu all-star xadrez.

— Este é Raphael... — aproximou-se de Dean e sussurrou — Um dos meus superiores.

— Isto é um anjo?

— Não... É uma sereia. Claro que é um anjo Dean...

Se afastaram e Raphael cumprimentou Dean. Apertaram as mãos.

— Prazer. Sou Raphael, mas pode me chamar de Raph..

— Dean Winchester. Aquele é meu irmão, Samuel.

— Eu já sei. Viemos bem preparados...

O anjo sorriu cordialmente. Seus olhos eram de um azul gelado, raríssimo.

— Posso ver...

Disse o Winchester mais velho, cortejando os coturnos de Raphael, o traje de Castiel e o Camaro™ 2009.

Depois de apresentá-los devidamente (diga-se de passagem = dissimuladamente) à todos, a festa continuou. Castiel só havia descido por causa de Sam e Shane. Caso não houvesse algum modo de proteger o Winchester mais novo de si mesmo, aquele caso poderia sair de sobrenatural para algo como homicídio doloso. Sim, Dean seria capaz de matar por Sam. Só ele mesmo não sabia disso, ou fingia não saber.

A festa continuou. Sam não gostou muito de ver aquele cara ao lado de Castiel que o parecia estar vigiando. Que diabos estava acontecendo? Sam sabia que aqueles não eram olhares luxuriosos, muito menos convidativos. Tinha algo maior sobre ele, algo... Tenebroso.

— Dean... Posso falar com você?

Castiel sussurrou. Dean sorriu e saíram pra um canto.

Castiel encostou-se numa das paredes externas da casa e disse:

— Ah Dean... Não sabe o quanto está sendo difícil pra mim...

— O que Cas? O que tá sendo difícil pra você?

— Manter certas coisas presas dentro da minha boca quando, na verdade, minha vontade era de contá-las com cada mínimo detalhe permitido...

— O que tá rolando Cas? E por que eu tenho quase certeza que essas coisas tem à ver comigo?

Dean havia notado na entonação usada por Castiel que não era algo leve como um demônio a mais ou a menos.

— Por que tem, Dean... E eu juro, não queria ter descido aqui, mas foi a única forma de me certificar que você estava bem...

O tocou o rosto. Droga! Quando Castiel parecia expressar sentimentos é por que a coisa tava feia!

— Que passa Cas? O que é? Tem a ver com Sam, não tem?

— Sim. Tem. — abaixou o rosto depois de afastar sua mão de Dean — E vai te ferir Dean, mas preciso que entenda uma coisa antes... Ele não tem culpa. Isso é uma espécie de Karma...

— Cas, você tá me assustando...

O tom sempre calmo do anjo deixou Dean com o coração acelerado.

— Vou te dizer, mas se tentar qualquer coisa ou esboçar qualquer reação violenta, incompreensiva e impensada, te apago e só acorda amanhã de noite.

— Certo Cas... — Dean fervilhava por dentro — Crava mais essa estaca.

O anjo passou a mão pelos cabelos, bagunçando-os e começou:

— É o seguinte: Estava com Raphael por essas imediações conversando sobre vocês. Tanto o que andam cometendo, como o quão forte e importante você está se tornando e também o quão influenciável Sam está ficando por causa das coisas que anda ingerindo, quando por um motivo qualquer ele me arrastou para cá. Me pregou contra o corpo dele e sussurrou em meu ouvido algo do tipo "não reaja quando ver" e me virou de súbito. Estávamos dentro da garagem. Sam estava sendo... — corou — prensado.

— Como é que é?

— Esfria Dean! Se não eu me calo e te apago.

O Winchester mais velho esfregou o rosto. Já fazia uma leve idéia...

— Shane o estava atacando tão vorazmente... E não digo isso no sentido de briga... Por que eu te juro: Nenhum dos dois queria brigar ali...

Dean grunhiu e bateu um pé no chão.

— Eu vou matá-lo! Não só ele! Os dois!

— Calma Dean...

— Calma! Cas! Eu amo Sammy! E ele é capaz de fazer isso!

Dean fez menção de andar a passos largos em direção à festa e Castiel o tomou de um braço, o colando na parede e travando-o com o próprio corpo.

— Ahg!

Gemeu Dean tamanha a força do impacto.

— O que eu disse?

— Solta Cas!

O que eu disse, hein Dean?

— Solta Castiel! Eu preciso resolver isso!

O anjo o prensou ainda mais contra a parede e disse em um tom tenebroso:

— Você vai me escutar quieto, calado e sem sair daqui, porque eu te juro Dean... Se causar mais um problema, Raphael vai castigá-los. Ele quase caiu por ter se apaixonado pela irmã carnalmente... E não tolera relações desse tipo que fazem as pessoas brigarem ou sofrerem. Então, acho bom que fique claro: Abaixa sua moral e segue o que vou dizer...

Nesse momento, Sam apareceu e inquiriu:

— Que merda tá rolando aqui? Por que tá se pegando com...

Não terminou a frase. Caiu desacordado nos braços de Raphael.

— Não liguem... Ele não vai se lembrar de nada. Nada mesmo. Nem do que Castiel acabou de te dizer Dean... Vou levá-lo pra cima.

— É bom mesmo!

Exclamou Castiel com um sorriso amarelo ao seu superior. Quando os dois saíram de cena, Dean abaixou a cabeça.

— Sabe Cas... Eu queria esquecer isso que você me disse... Por que eu não tô com raiva. Na verdade, eu tô magoado, ferido com as atitudes de Sam..

Deixou sua cabeça pender sobre um ombro do anjo. Queria chorar. E com ele, Dean sabia que podia deixar a máscara de insensível de lado.

— Vamos subir... Vocês estão precisando dormir.

— Cas.. Não me apague... Eu prometo que não vou brigar...

— Eu sei que não vai Dean... E sei que agora está começando a entender que Sam só precisa de apoio, atenção...

Segurou o primogênito Winchester pelo braço e subiram pela porta de trás. Castiel o levou ao quarto e ao abrir a porta, encontrou Raphael acariciando o rosto de Sam, que jazia adormecido e encoberto por um edredom. Seus sapatos estavam no chão, junto a seu jeans e sua camisa. Dean se despiu, ficando apenas em boxers e deitou-se junto a Sam, encobrindo-se também. Raphael estava sentado ao lado de Sam. Castiel assentou-se ao lado de Dean e o acariciou também, até que dormisse como Sam. Agora, poderia partir com Raphael e só voltar quando fosse realmente preciso.

Depois de algum tempo, desceram. Despediram-se dos anfitriões e saíram de cena. Castiel cantou os pneus e pegou estrada.

Uns minutos depois, Raphael cansado de olhar praquele rosto de semblante triste, disse:

— Para o carro Castiel...

— Quê?

— Para o carro.

Castiel obedeceu e foi para o acostamento.

— Que foi?

— Tira essa expressão triste que eu te prometo: tudo vai ficar bem.

Castiel sorriu levemente e ficou estático ao sentir a mão do outro anjo em seu rosto. Sua expressão ficou indefinida. Era como se estivesse preso num bloco de gelo. Não podia se mexer, reagir.

Sentiu aqueles lábios contra os seus. Arregalou os olhos azuis. O selo se desfez e Raph disse baixinho:

— Easy, Cas... Close your eyes...

Castiel obedeceu. E obedeceu ao que o outro anjo fazia também. Obedeceu àqueles lábios que pediram aos seus um contato mais profundo, obedeceu àquelas mãos que procuraram as suas e obedeceu ao ritmo dos corações acelerados. Sabia que estava quase caindo. Mas não se importaria. Há muito vinha nutrindo esse sentimento. Sim. Tinha sentimentos. Ainda estava se adaptando à eles, mas já sabia defini-los.

— Don't worry Cas.. I have them too...

Sussurrou Raphael, colocando sua mão direita sobre o coração de Castiel e a do mesmo sobre o seu.

Aquilo era errado. Mas era sincero.

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