Passando pra deixar mais um capítulo de Crisis... Desculpem pela demora, mas acho que devem saber o quão ruim é a fase de adaptação num lugar totalmente novo...

Espero que gostem e obrigada pelas reviews...

XXX

Como se nada houvesse acontecido, Dean adentrou a casa procurando por Sam. Subiu as escadas em passos rápidos, abrindo a porta do quarto bruscamente assim que a alcançou.

— Sam?

Perguntou assim que percebeu o corpo maior estirado sobre a cama. Fechou a porta e aproximou-se.

— Sammy...

Chamou. Sem resposta. O mais novo estava desacordado. Largou os papéis que trouxera sobre a mesa de cabeceira e tocou o rosto do mais novo. Sam estava gelado. Dean sentiu seu coração disparar. Checou a respiração do mais novo. Estava fraca. Pulsação ainda mais. Parecia apenas um corpo que mal emitia um ronronar mórbido, aquele que diz em alto e bom tom que as coisas não estão bem.

Dean estava apavorando-se. Queria gritar por ajuda, mas sua voz protestava. Insistia em não sair.

De repente, percebeu mais de uma presença às suas costas. Voltou-se e notou Castiel ao lado de Raphael.

— Cas... Por favor...

— Ele está quase tendo uma overdose...

Disse o anjo moreno.

— Está por um fio.

Completou o loiro. Dean sentiu os olhos marejarem. Por que estava acontecendo isso?? Ele tentou tanto!

— Castiel! Por favor! Faça alguma coisa!!!

Pediu Dean chorando feito criança, com Sam em seus braços.

— Eu não posso... Não consigo fazer nada em relação a isso...

Raphael tocou o ombro do anjo moreno, pedindo a atenção do mesmo. Castiel voltou-se a ele.

— Só há uma coisa... Hospital. E quanto às perguntas, eu os livro delas...

Dito isso, pouco tempo depois estavam no hospital local. Sam estava sendo atendido, Dean preocupado e os anjos dando um jeito na situação. Castiel consolando Dean e Raphael dominando as mentes de quem quer que fosse para que não se lembrassem mais tarde.

— Por que, Cas?

Sussurrou Dean, com a cabeça apoiada no ombro do anjo enquanto seu olhar vago passeava pelo quadro de avisos na parede à sua frente.

— Predestinação, Dean... Não quero parecer estranho, muito menos maluco ou injusto, mas isso teria que acontecer cedo ou tarde.

— Eu entendo Cas, mas eu juro, eu tentei fazê-lo parar, eu pensei que ele não mexesse mais!

— Eu sei Dean, eu sei... Eu quem o diga...

Permaneceram ali por mais algum tempo até o médico finalmente aparecer e conseguir tranqüilizar Dean com boas notícias do estado de Sam.

O Winchester mais velho se deitou no colo de Castiel e permitiu-se fechar os olhos por um momento, sentindo-se protegido e confortado na presença de seu anjo pessoal.

Castiel o abraçou e sussurrou em seu ouvido algo como "durma, tudo ficará bem." E então, depois de muito sem descansar, Dean permitiu-se fechar os olhos para dormir sem preocupação, sabendo que Sam estava sob olhos atentos e protetores...

Castiel suspirou aliviado. Já sabiam como resolver o caso, agora era apenas uma questão de tempo até Sam ser liberado de seu rehab para o fazerem. Ou até mesmo, se não fosse muito difícil para Dean deixar Sam sozinho, ele mesmo poderia entregar o diário da garota à Melanie.

Sam, em seu "sono induzido" teria tempo o suficiente para recuperar-se e colocar a cabeça no lugar mesmo adormecido. De todo modo, agora estava longe do que lhe havia trazido ao hospital.

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Alguns dias angustiantes se passaram e Dean, junto de Castiel, resolveu o caso.

Sentado no hospital, se lembrou de todo o desespero e arrependimento refletidos nos olhos da garota má. Lembrou-se de seu olhar de "justiça seja feita" enquanto se entregava à polícia, lembrou-se dos familiares de Gina, agora felizes e realizados, lembrou-se do sorriso que pôde ver no rosto daquela garota do lago, que agora tinha um nome, uma história e uma passagem de ida para longe da fúria, do ódio e da injustiça. Uma alma pura, subindo direto para o céu.

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"Me senti flutuar. Não por vontade própria, não desta vez. Ainda não podia partir. Tinha algumas coisas à fazer.

Por favor, deixe-me cumprir meus últimos desejos...

Ela me sorriu e soltou-me a mão, que só agora percebi que segurara. Voltei para baixo e a ouvi dizer que não demorasse.

A primeira coisa que fiz, foi tocar o solo e deixar que uma gota de toda a minha felicidade caísse e se transformasse em flores roxas, espalhando-se por toda a região.

Pus-me a correr. Adentrei a casa que tanto observava. Frank e o mais velho, Shane, pareciam discutir. Sem deixar-me ser vista, deixei-lhes cair gotas de felicidade, abençoando-os para sempre.

Fui para fora, segurei a barra de meu vestido e permiti-me navegar por entre as nuvens como se fossem ondas, indo até meus salvadores. Castiel, Raphael, Dean e Sam. Quanto aos anjos, apenas lhes sorri, garantindo que estaria sempre com eles lá em cima.

Aproximei-me de Dean e me fiz visível aos seus olhos quando meus pés tocaram o chão.

Ele se assustou. Toquei seu rosto triste e o fiz alegrar-se com apenas algumas palavras que, eu sei: Lhe valeram justo o que sempre precisou: Estar certo do amor incondicional de Sam e saber que não, ele não era o vilão, o fraco, e sim, era o herói tocado por Deus, tocado pelo destino.

Deixei-me desaparecer pelos corredores do hospital caminhando, encontrando meu penúltimo destino: Sam, aquele quem mais sofrera nos últimos dias; Grande parte, por causa dos mais nobres sentimentos, como amor, compaixão, carinho...

Estava ali, inconsciente. O toquei a face e sussurrei em seu ouvido:

Espero que não volte a cometer os mesmos erros... Ou pode ser pior. Sei que quando acordar vai pensar que foi um sonho, mas com isso... — depositei meu pingente em sua mão — saberá que não foi... Dean te ama, sei que já sabe. E não preciso nem dizer que é para sempre... Você verá com o passar do tempo. Não precisa duvidar, apenas confie em seus sentimentos. Garanto que esclarecem quaisquer dúvidas... Adeus Sam, e muito obrigada por tudo. Sempre olharei por vocês.

Beijei-lhe a testa e afastei-me. Agora iria em busca de meu último afazer. Iria em busca dela... Mel...

Precisei deixar-me guiar pelo vento até onde todos estavam: julgando-a. Era perigoso aparecer ali, mas não podia partir novamente sem despedir-me de minha melhor amiga acima de tudo e de minha família..."

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See ya!