Capítulo final...
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Abriu os olhos. A imagem estava turva, parecia um teto de hospital. Notou alguns aparelhos, notou-se estranho por dentro.
— Dean!
A voz não saiu. Estava rouco, praticamente mudo. Ficou desesperado, mas teve que se acalmar. Precisava pensar em um modo de chamar atenção. Não havia nada que pudesse derrubar, não havia aquela "coisinha inútil" para chamar alguém, não havia nada além de sua própria força de vontade. Tentou outra vez e conseguiu emitir um ruído pouco mais alto, algo que fez com que a enfermeira aparecesse. Precisava ver Dean, falar com Dean, abraçá-lo para ter certeza de que tudo estava bem. Tentou se levantar quando a enfermeira deixou a sala e sentiu algo balançar em sua mão. Olhou. Todas as cenas que não viu voltaram à sua mente. Sorriu. No fundo, sabia que agora ela estava bem...
— Sammy!
Dean apareceu na porta do quarto. Foi até o mais novo e o abraçou com força. Sam chorou. Sentiu-se confortado o suficiente nos braços de Dean para isso.
— Não Sammy... Eu estou aqui... Não chora...
Disse Dean. Depois de toda aquela tempestade, a bonança parecia finalmente estar dando as caras.
Ver toda aquela trajetória trágica de Sam, o fazia pensar no quão frágil a vida era. Mesmo depois de todas as experiências que mostravam isso, ainda insistia em ser o soldado perfeito, de modo que só notara este detalhe quando Sam foi ameaçado por seus próprios passos.
Agora, mais que nunca, entendia o que "cuidar" queria dizer. Não se cuida apenas com carinho. Vez ou outra é necessário um pulso firme para domar a selvageria do destino.
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Não demorou muitos dias e Sam estava fora do hospital, recuperado. Agora, não havia mais nada os prendendo naquela cidade. O caso já estava resolvido, os Malcov estavam a salvo como toda aquela região e não havia mais nenhum "deslize" entre eles. Frank continuava com seus "compostos" e Shane, a turma continuava bagunçada como sempre e a casa deles havia virado o novo ponto de encontro da galera.
Fazia sol, era um belo entardecer e Sam se despedia de Frank em frente ao Impala. Dean se despedia de Shane, enquanto recebia os devidos agradecimentos.
— Não posso dizer que te darei o mundo Dean, mas sempre que precisarem de qualquer coisa, podem se lembrar de nós em primeiro plano. Sempre estaremos aqui, e a casa agora é grande e segura o suficiente para abrigar visitas...
Shane sorriu. Dean sorriu.
— Sem problemas Shane... Sempre que passarmos por aqui faremos questão de vir ver como estão as coisas. Fiquem bem, e, qualquer coisa, podem contar com a gente. Já sabem o número...
— E sabemos também que o serviço é garantido...
Disse Frank, intrometendo-se na conversa e parando ao lado de Shane. Terminaram de se despedir e Dean foi em direção ao carro. Sam já o aguardava no banco do carona, rodando o colar que havia "aparecido misteriosamente" em seu dedo. Agora, iriam em busca de um novo caso, ou quem sabe, de alguns dias de férias...
Dean deu partida e deixaram para trás mais uma história, mais um desafio vencido, mais lembranças marcantes em suas trajetórias. A estrada parecia alegre com o céu laranja-tarde a contrastar com o asfalto cinza, que decerto os levaria para qualquer outro caso difícil, mas não impossível.
E, de algum lugar, dois anjos os observavam. Anjos especiais, anjos que descobriam sentimentos por mais estranhos que pudessem parecer. Anjos, que agora pecavam por gula, preguiça, luxúria, ciúmes... Oops! Quer dizer, Ira e tantos outros pecados, originais ou não. Mesmo assim, continuavam anjos, continuavam protegendo, predestinando e movendo os caminhos de vários "salvadores do mundo" por aí, inclusive o caminho de Sam e Dean Winchester, que, traçado em uma só linha, até o presente momento os levava para um lugar indefinido, mas nem por isso menos promissor e interessante...
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Alcançaram a highway e mais uma vez, Dean pôde sorrir e ver Sam fazer o mesmo. Não havia nada mais gratificante que a sensação de dever cumprido. Era isso o que tornava a vida interessante além dos perigos, de todas as situações marcantes e coisas que ficariam para sempre na memória...
Recostou sua cabeça contra o banco e disse:
— O que acha que faremos agora?
— Não sei... O que pretende fazer?
— Talvez ficar um tempo fora de ação... Sabe, descansar e colocar a cabeça em ordem.
— Quer ir para onde? Temos muitos cartões poupados, podemos curtir um pouco...
— Isso se a polícia não colocar as mãos na gente mais uma vez, não é?!
Sorriram.
— Eles podem nos pegar Sam, mas você sabe que só ficamos se queremos...
— Bom... Tem razão...
O mais novo pegou o mapa e começou a observar alguns possíveis destinos quando o celular tocou. Era o número de Bobby.
— Aposto que nos quer lá pra mais uma tarefa antes das férias...
Dean riu e atendeu como sempre, esperando mais trabalho de seu bom amigo, de seu quase pai, Bobby Singer.
— Venham para cá. Tenho algo importante para vocês. Espero que não demorem...
Foi a última coisa que disse antes de desligar. Dean manobrou o carro de modo selvagem na pista e, banhados pelo por do sol, retornaram na direção certa, definida quando mais precisavam.
E por mais que tudo parecesse exaustivo ou perigoso demais, aquela era a vida que tanto gostavam. Tinham um ao outro, tinham quem zelasse por eles, tinham olhos atentos sobre si por todo o tempo, tinham o pequeno segredo sujo, que tornava as coisas cada vez mais interessantes...
Aquele era o modo Winchester. Puro, e duro.
Fim!
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Mais um projeto finalizado!!!
XD
Agradeço a todos pelas reviews e pela presença, e peço desculpas pela demora. Crisis foi afetada por um período de transição, no qual deixei o Sudeste e vim parar no RN... Até que é legal.. O ruim, é estar presa entre a faculdade e coisas como a cultura local, que com tantas festas e tanta badalação (que decerto não tem à ver com a cultura), me tomam as madrugadas que usava para meus projetos... Mas essa é apenas uma fase de adaptação... Logo mais, passa!
Thanks for everybody!
See Ya!!
