Esclarecimentos: Carlo, Mozão e Mozinho são de propriedade da Pipe.


Engoliu em seco.

Naquela vida, havia sido não muita coisa. Não construiu nada. Apenas seguiu o fluxo da maré. Isso lhe incomodava. Uma vidinha medíocre era o inferno. Não precisava ser o bom sujeito, mas tinha que ter aquela depressão de perdedor?

Afrodite... será que a chave de tudo na sua vida estava naquele veado?

Não podia deixar de sentir-se estranho ao pensar nele. Sexualmente falando. Aliás, sexualidade era algo confuso em se tratando do canceriano. Admitia sentir-se perturbado com a situação, sobretudo quando pensava que Afrodite era um homem, por mais andrógino que às vezes parecesse. Não sentia-se excitado, aquilo não podia ser tesão!

E mesmo assim aquilo mexia com ele. Como?

Mas...

Houve um certo período da sua vida que procurou por "ele", sem pensar nisso. Houve um período que não ligou se "ele" era homem. Foi pouco depois do que viveram no limbo.

Quando estava sozinho e desesperado e "ele" falou: "eu estou aqui". Deram-se as mãos. E Câncer não se importou. Não era um homem. Não era uma mulher. Via somente uma pessoa ali, um ser humano que não iria lhe abandonar.

Mas foi covarde... covarde demais para aceitar a mão que se erguia ao encontro da sua.

_ Eu não acredito em nada disso. - falou encarando o pingente de cornucópia que ainda segurava nas mãos.

_ Só estou te mostrando as realidades.

_ Realidades, é? Que tipo de brincadeira de péssimo gosto é essa? E agora, se eu entrar na última porte, o que eu vou ver?

_ Só você pode saber. - Pluto garantiu.

_ Aham, sei. Aposto que eu vou ser um veado e vou estar com aquele lá.

_ Se é o que deseja ver... Mas eu entraria, sabe? Só para ter certeza. Ou você está com tanto medo assim a ponto de desprezar a possibilidade que se abre? - ele riu.

_ Você acha que estou com medo? Vou entrar nessa porra agora mesmo! Apenas para saber que não é a minha vida.

E assim sendo, abriu a última das três portas.


CAPÍTULO III – A PORTA VERDE

_ Ahnnnnn... Jag älskar när du gör mig cum detta sätt*... - ele gemeu.

Por cima daquele corpo branco, um moreno apenas beijou-lhe a nuca, desfrutando daquele momento relaxante e do calor do outro. Definitivamente não havia nada melhor para calar uma briga do que um sexo bem-feito.

_ Odeio quando você fala em sueco...

Afrodite riu da própria travessura. E o italiano apenas curvou os lábios fechados, por incrível que possa parecer, sem perder o humor, admirando as costas pálidas do outro, onde caiam os ondulados cabelos claros.

_ Arranje um dicionário! Não vou traduzir isso pro grego!

_ Olha... posso imaginar o que eu quiser então...

Virou-o de frente, ainda por cima do corpo de alabastro.

_ Eu disse que "adoro lírios do campo".

_ Por que eu acho que isso é mentira?

_ Hmmm... está chamando seu mozinho de mentiroso?

Carlo sorriu, procurando uma vingança à altura para o desaforo daquele metido à besta. Virou para o lado e foi alcançar os cigarros. Acendeu-os lentamente, o cheiro de cravo encobrindo a atmosfera do quarto na casa de Câncer. Tragou sem ansiedade e sem pressa, soltando a fumaça preguiçosamente. Sabia bem as reações que o simples ato de tragar um cigarro provocava num certo pisciano.

_ Hmmmm... fumar depois do sexo. Você sabe que eu acho isso extremamente sensual, não é? - ele disse, passando a mão pelos cabelos precocemente grisalhos da nuca do cavaleiro de Câncer.

_ Sì, lo so. - respondeu cinicamente, a boca escondida entre a mão que segurava o cigarro.

O celular de Afrodite tocou. Reclamando, ele levantou-se procurando entre as roupas jogadas do chão onde é que estaria tal objeto.

_ Alô?... Ah, oi, Aldebaran!... Não, você não atrapalhou nada, meu bem! Digamos que a gente já tinha terminado já... Sim, sim, eu to sabendo desssa festa há um tempão. Só não entendi o motivo dela até hoje... - ele riu gostosamente. - Eu sei, você vive inventando essas desculpas de confraternização, mas não perde a chance de dar festa, eihn, gato?... Sim, estou com uma lista enorme desse povo que não tem vergonha na cara e pede pros outros comprarem o presente de amigo oculto! Absurdo!... Tá, pode deixar, eu vou tentar não me atrasar. Muito. Tchau, beijo!

_ O que ele queria? - Carlo perguntou displicente.

_ Falou nada do que a gente já não sabia. Todo ano é a mesma coisa. Essa confraternização dele. Até parece que ia acontecer algo diferente hoje!

_ Da primeira vez aconteceu.

Afrodite olhou para o namorado.

_ Mais ou menos, né? Você ainda demorou uns bons meses pra dar o braço a torcer.

Carlo apagou o cigarro no cinzeiro de caveiras que conservava no criado mudo, expirando pela última vez a fumaça de cheiro exótico, e, inevitavelmente, fazendo os olhos do outro quase comê-lo de desejo.

_ Vem cá que eu te mostro como posso ser bem ágil. Agora!

Ele descobriu os lençois amassados, mostrando-se já pronto para uma nova partida daquele jogo amoroso.

_ Ágil não! Eu quero devagarzinho, mozão. - Afodite falou, engatinhando para a cama.

_ Você é um veado muito fresco, mozinho. Quer devagarzinho, é?

Carlo prendeu-o por baixo de seu corpo. Os olhos azuis bem escuros encarando os olhos cristalinos da cor do céu. Segurou-lhe os pulsos, lambendo bem de leve o seu pescoço, o que causou arrepios gostosos.

_ Uhum. - gemeu Afrodite.

_ E vai gemer bastante?

_ Uhum...

Se divertindo naquela provocação, o italiano se excitava com a ideia de fazer Dido implorar para que acabasse com as preliminares o mais rápido possível. Ele sempre fazia isso.

Desceu para os mamilos, dando atenção àquelas auréolas rosas e delicadas.

_ Eu duvido muito. Você vai implorar pra eu meter logo, como sempre.

_ Ai, mozão! Para de falar e continua! Eu vou ficar aqui toda entregue pra você.

Ele riu outra vez da reação do peixinho. Continuou a exploração sensual por aquele corpo esguio. Desceu pelos músculos, numa carícia bem suave, com a língua, que fez a pele de Afrodite arrepiar. Embaixo de si, ele se contorcia, chamando seu nome.

A ponta da língua foi parar nos desenhos das costelas. E depois naquele umbigo redondo e perfeito.

Sentiu roçando a sua garganta aqueles pêlos pubianos.

_ Ahn.. Vai, Mozão. Por favor...

Ele pedia aflito, os olhos abertos, apenas esperando pelos movimentos o italiano, rumo ao seu sexo. Carlo encarou bem o falo de Afrodite. Latejante, rijo. Pronto a ser abocanhado. Pedindo para ser abocanhado.

O sueco olhava com desejo. Mas não ousou empurrar-lhe a cabeça com a mão.

Internamente, Carlo agradeceu por aquilo. Não se sentia confortável com aquele tipo de prazer em específico. Tudo bem, não tinha problemas em olhar e masturbar o outro. Mas não... pensar na hipótese de sentir o gosto de Afrodite em sua boca já era exigir muito de si.

Desceu.

E parou nas coxas do sueco. Mordeu-as com vontade, lambendo por trás do joelho, ponto que sabia ser o auge do prazer para o outro. Aquilo fez o pisciano arquear-se num prazer incontrolável.

_ Mozão, por favor. Eu quero você dentro de mim. Esquece o que eu falei. Vem...

E assim foi.

O relógio já marcava mais de três da tarde quando os dois resolveram levantar da cama. Desceram pela casa que um dia foi a mais assombrosa do Santuário. Não havia mais cabeças. Tudo tinha ido embora. No lugar, uma decoração simples, sem grandes detalhes, como era de se esperar de um italiano como aquele, somente umas poucas plantas, presentes de Peixes e alguns quadros que o latino gostava de pintar.

Carlo vestiu-se como sempre, a camisa de malha preta acompanhando a calça jeans cinza e hiking boots, além, é claro, do colar dourado de cornucópia, que sempre lhe acompanhava.

Afrodite, por sua vez, era o exato oposto. Passeava por entre o guarda-roupas masculino e feminino com maestria, muitas vezes colocando em dúvida o gênero o qual pertencia (e como isso o divertia!). Não por acaso, hoje trajava oxford beges, calça jeans skinny bem clarinha, uma camiseta de malha com o rosto de Audrey Hepburn e um blazer preto, bem recortado e feminino, marcando a cintura. O indispensável rímel e um batom rosinha completavam o visual, além de discretas joias e uma presilha de cabelo.

Carlo olhou e torceu o nariz. Mas evitou comentar. Já tinham brigado aquele dia.

Desceram o Santuário. Em Touro, as coisas já estavam agitadas. O furacãozinho conhecido por Milo de Escorpião havia descido, ao que parece para ajudar na arrumação da festa. E arrastara um rabugento francês que tentava corrigi-lo a cada movimento.

_ Non, Milo, se colocar as cadeiras aqui vai atrapalhar a movimentação.

_ Ai, Ice man, você não sabe que seu namorado é um expert em dar festas?

_ Hn. Sei bem desse seu aprendizado...

Mas Carlo nem parou para falar com os dois. Riu junto com Afrodite e continuou seu caminho. Na casa de Aries, Mu e Shaka estavam meditando no jardim. Não podia imaginar como aqueles dois aguentavam com tanta movimentação manter a mente tão concentrada. Se bem que o italiano bem suspeitava que algo mais rolasse naquelas inocentes sessões de meditação. Alguma massagem erótica ou sexo tântrico...

Pegaram o Logus na garagem e foram os dois ao shopping.

Ao chegar no local, o pisciano puxou a mão de Carlo, mas o outro desviou a atenção:

_ Vou ao banheiro e te encontro no térreo.

_ Está bem, né...

O primeiro presente era um LP do Judas Priest, que Afrodite já tinha encomendado com a antecedência na loja de música no primeiro andar. Depois passaram pela livraria, ao que Carlo se surpreendeu com a falta de originalidade de seus companheiros: foram três livros, dois do mesmo título! Mas Afrodite soube trocar um deles por um bom livro de fotografias.

_ Que falta agora? - perguntou, com as mãos ocupadas de sacolas.

_ Tem um que quer dar uma miniatura de presente, mozão. É do Batman.

_ Quem tirou o Shura?

_ Nossa. - surpreendeu-se Dido rindo – tá tão na cara assim?

_ Ué, o único fissurado no Cavaleiro das Trevas que eu conheço... só pode ser quelo espanholo vagabundo.

_ Nossa, você fala assim do seu melhor amigo, imagina dos inimigos!

Nessa conversa, entraram na loja de brinquedos. Estava um grande movimento, mas rapidamente uma das vendedoras lhes atendeu e logo se viram no caixa, somente esperando pelo embrulho.

Afrodite via os meninos fascinados com bonequinhos novos, e as meninas querendo as mais diferentes Barbies (atriz, veterinária, cantora, médica...). Carlo percebeu o olhar de tristeza do outro ao contemplar os sorrisos ingênuos e os olhinhos encantados.

Nunca se imaginou sendo pai de algum serzinho barulhento e melequento desses. Eram uma tortura! Pediam mil coisas e no final sempre faziam escândalo, mesmo conseguindo o que queriam! Sequer achava que tivesse jeito para a coisa. Mas Dido... Crianças sempre mexiam com o sueco.

Especialmente porque não podia tê-las.

Chegou perto. Achou que não havia nada de mal em segurar por um momento a sua mão, mesmo num local público, onde teriam muitos a lhes julgar.

_ Mãe, te achei!

Um pequeno garotinho, devia ter não mais que quatro ou cinco anos agarrou a perna de Afrodite, obviamente acreditando que aquela era sua mãe. O sueco olhou para ele e abaixou-se.

_ Ah, desculpa, tia!

_ Você está perdido, meu amor?

_ É.

_ E como é a sua mamãe, eihn? Eu te ajudo a achar. - ele disse com sua voz fina e rouca, afagando os cabelos do pequeno.

Porém, não foi preciso muito trabalho para isso.

_ Nãão! - uma mulher, no alto de seus quarenta e tanto anos gritou. - Saiam de perto do filho, agora! Seus... pedófilos!

Bruscamente ela agarrou o braço da criança, que, assustando-se, começou a chorar. Foi o que bastou para todos os olhares voltarem-se com desprezo ao casal de cavaleiros dourados e o burburinho começar.

Sem falar uma palavra, Carlo retirou-se da loja, não esperando por Afrodite.

_ Ei! Você não me espera, não? - o outro disse, quando lhe alcançou.

_ Hn. Já pegou tudo, vamos embora. - o italiano respondeu secamente.

Seguiram em silêncio. No estacionamento do shopping, porém, o silêncio quebrou-se.

_ Vai ficar agindo assim comigo até quando? - foi Afrodite quem tomou a iniciativa.

Olhos questionavam mais que as palavras. O italiano sentiu-se numa inquisição, dado ao tom fuzilante que outro usava naquela pergunta.

_ Deixa de ser idiota. Só quero ir embora. Muita gente aqui. - entrou no carro, puxando logo do maço de cigarro um para aliviar a tensão.

Peixes também sentou-se. O rosto revelava exatamente o que pensava. E o Canceriano sabia, como Peixes também sabia, que aquele cigarro era, como sempre foi, uma tentativa de fuga. E os cigarros, bem, fumava-os com exagero ultimamente.

_ Ah. E isso é motivo pra você não me dar a mão, como sempre faz no Santuário?

Sem resposta. Câncer apenas dirigiu, entrando no intricado trânsito de Atenas e exalando sua fumaça tóxica para fora do carro. Sentia vontade de colocar Behemoth e algo do gênero para tocar, como se pudesse abafar esse tipo de questão com guturais nórdicos bizarros que o sueco tanto detestava.

_ Porra, Máscara da Morte, tô falando com você, caralho!

Nunca ia acabar se não falasse. Mas também não deixaria por menos. Era insuportável ficar se fingindo de morto e esse nunca foi o seu estilo.

_ E você precisava vir todo embonecado pra quê, einh? Esse olho pintado, esse batom, essas roupas! Pra chamar atenção? Pra eu ter que passar por aquilo tudo? Acharem que você é um pedófilo! Parece que você gosta disso! De ficarem olhando torto pra mim como se... como se...

_ Como se fosse veado, é, meu bem?

Parou num semáforo. De repente olhar o painel e o nível de óleo nunca pareceu tão interessante como naquela hora. De repente aquela conversa e aquela pessoa nunca pareceram tão insuportáveis como agora.

_ É isso? - Afrodite insistiu.

Novamente houve silêncio.

_ Oh baby, desculpa acabar com seus momentos edílicos mas é exatamente isso que você é. Tudo bem, bissexual, já você gosta de dar suas comidas nas mulheres-lanchinho por fora... Mas esse papinho de H.S.H.* não cola... Se vai ficar encucado com isso, depois de dois anos de namoro, é melhor parar por aqui. Porque é assim que vai ser. Eu sou assim, eu gosto de ser assim. Se você decidiu ficar comigo, vai ter que levar todo o pacote. O bom e o ruim.

_ Afrodite, chega, eu não vou falar disso.

_ Saco. Toda vez que a gente sai é essa frescura!

_ Olha pra você antes de falar quem é fresco.

_ Você tem vergonha de mim, não é? Não é? Ha! Eu sei, Carlo. Eu te conheço. Por isso não me deu a mão. Céus! Você nega a todo momento que está com um outro homem. Você não me aceita. Você não se aceita. Evita de todas as formas admitir para si mesmo. Mesmo depois desse tempo todo! Igual hoje, na cama...

Já chegavam ao Santuário.

O italiano fez uma manobra brusca, fazendo com que o motorista que vinha atrás buzinasse nervoso. Xingou-o no mais criativo verbete italiano. Parou no acostamento e abriu a porta para o sueco.

_ Que está fazendo?

_ Bom, você já tem todos os presentes e pode andar o resto do caminho.

_ Não acredito... Não acredito! Que saco...!

_ Vai, Afrodite. Sai logo!

_ Não vou sair coisa nenhuma! Que merda, Carlo! Porra! Será que você não pode resolver seus problemas igual homem? Será que eu vou ter que pedir quantas vezes até você se abrir comigo?

Sentia a cabeça zonza. Agora nem homem mais era.

Abriu o fecho do colar. Tirou-o do pescoço.

_ Toma.

Dite parou. O mundo inteiro parou.

_ Você tá me devolvendo um presente? Um presente que você nunca tirou do pescoço desde que a gente começou a namorar? Tem noção disso?

_ Qualquer hora eu passo na sua casa e pego com você. - ele disse, ainda segurando a joia. - Agora sai.

O outro não pegou. Com os olhos queimando de raiva, porém inevitavelmente úmidos como gelatina, em um movimento brusco desceu do carro, batendo forte a porta. Ela não quebrou por milagre. Talvez estivesse com um pingo de sanidade, ainda mais porque o carro era seu. Sim, estava sendo expulso do próprio carro. O italiano apertou forte o volante continuando o resto do caminho sozinho, ainda com o cordão entrelaçado aos dedos.

_ Que se foda você, Afrodite!

Tomou outro caminho que não o do Santuário. Dirigir sem rumo para aliviar a cabeça quente.

Com a mão direita, pegou um CD qualquer e colocou no aparelho. Logo os riffs do Slayer preencheram o ambiente, como se qualquer coisa fosse apagar da sua mente um conflito tão forte como aquele. Mas, até mesmo para alguém como ele, naquele momento os sons só pareciam terríveis barulhos dissonantes.

A verdade é que detestava brigar com Afrodite. Amava-o. De verdade. Por mais estranho que isso parecesse até mesmo para ele. E nem imaginava que isso era possível. Qual a maior prova de amor se não revelar um nome que ele mesmo até esquecera? Qual outra prova de amor se não renascer e superar todas as dores que causou?

Amava. Não podia deixar de fazê-lo. Era sua riqueza. Com toda a dor que isso viesse a trazer. E pensava nisso enquanto sentia o metal frio e dourado entrelaçado em seus dedos.

Porque, de fato, como três anos atrás, quando tudo eram apenas alguns meros encontros casuais, mantidos em máximo grau de sigilo, até o momento em que depois de uma briga séria na casa de Peixes, onde se viu cara a cara com seu medo, o medo de amar, ainda havia o amargo e o obscuro.

Ele, logo ele, que parecia não se importar com nenhuma opinião alheia, se mostrava tão ferido ante aos julgamentos do mundo exterior e até mesmo aos próprios julgamentos, aos quais ainda não havia se libertado. Ora, mas para quem ostentava cabeças na sua própria casa, apenas para mostrar seu poder e imponência, realmente lhe importavam as opiniões dos outros.

Estava tão absorto nos pensamentos, que mal viu um buraco enorme, fruto de uma obra emergencial na pista, na trajetória do carro.

O veículo derrapou com força na pista, parte pela areia que preenchia o trecho, parte pela própria distração do motorista, e a uma velocidade impressionante, o cavaleiro de ouro pisou com força no freio, tentando evitar danos grandes. O carro não escapou de bater a frente e a lateral em um caminhão. Porém Carlo evitou o que a qualquer homem normal ocorreria: seria lançado por sobre o painel da frente e morrer no mesmo momento.

Ainda tocava alguma coisa no carro. Não estava ouvindo. Mesmo o lugar começou a escurecer.

Sentia a cabeça molhada.

Foi pôr a mão, limpar o que estava lhe ensopando.

O mundo girava numa batida vermelha e vibrante.

Reconheceu o que era antes de aquele mundo ficar negro e silencioso.

Era sangue. Muito sangue.

Concussão.

Não havia evitado de bater com força na porta e sobre o vidro da janela do motorista, que se partiu em infinitos pedaços.

CONTINUA...


*Adoro quando você me faz gozar desse jeito (sueco).

*HSH (pejorativo): Homem que faz Sexo com outro Homem. É um rótulo para homens exclusivamente ativos que se dizem héteros, mas ocasionalmente transam com outros homens. Como Afrodite falou, um HSH não deixa de ser um bissexual ou homossexual, independente da periodicidade com que faz sexo, se tem envolvimento afetivo com outro homem ou se é ativo ou não, já que há sempre atração sexual.

N/A: E eu adoro escrever cenas de briga! Hahahahaha!