CAPÍTULO 1
Antes ou depois terás que te casar com "alguém" —falou Carlisle Cullen Christuolakis —Porque não Isabella Swan?
Edward não contestou. Em outro momento de sua vida se teria rido a gargalhadas se seu pai lhe tivesse sugerido um casamento de conveniência. Mas levava quase dois anos consumido num inferno de dor, do que só escapava entregando se no trabalho.
Numa tentativa desesperada para encher o vazio que o assolava, tinha tido múltiplas aventuras, mas essas relações sexuais tão só lhe tinham deixado um gosto amargo.
—É uma honra que Charlie Swan tenha pensado em nossa família para sua filha — continuou Carlisle com persistência, observando o seu imprevisível filho. —Tem muito boa opinião de tua visão para os negócios e lhe preocupa sua saúde.
— "Precisa" de um genro em quem confiar.
Edward, escutou com ceticismo o astuto discurso de seu pai, que parecia sugerir que um casamento arranjado pela família, em vez de pelos interessados, fosse habitual na Grécia, ainda que já não o era em absoluto. Ademais, assombrava-lhe do que o interesse demonstrado por um dos homens mais ricos do mundo tivesse chegado a seu pai, fazendo-lhe esquecer outras coisas muito menos agradáveis.
—Charlie Swan é um malvado e um monstro. Tu o sabes e eu também.
—Mesmo assim sua filha Bella é uma jovem decente e bem educada, —seguiu Carlisle com determinação, convicto de que só um casamento como esse poderia afastar o seu filho da vida de festas e escândalos contínuos que estava destroçando o coração de sua mãe. — Não vejo razão que impeça que, com o tempo, sejas feliz com ela.
O rosto delgado e poderoso de Edward se contraiu com um traço de amargura. Desde que Tanya, a quem tinha amado acima de tudo, tinha se ido para sempre, não seria capaz de ser feliz com mulher alguma. Decidiu não mencionar esse tema, porque seu pai não era hipócrita e não se calaria.
Os pais de Edward, gregos e muito conservadores, tinham odiado a Tanya e tinham negado a aceitá-la como esposa de seu único filho. Sua reputação de mulher atarantada e seu turvo passado ofendia sua sensibilidade. Quando se comprometeu com ela a reação de seu pai foi a ira e a de sua mãe o pranto e Edward cortou todo vinculo com eles.
O confronto tinha começado a suavizar-se depois da morte de Tanya, mas só porque Edward estava tão desesperado que era incapaz de fazer o esforço de recusar a sua família.
No entanto, desde então, cada negócio que fazia era uma mina de ouro. Já era muito mais rico que seu pai porque, enquanto Carlisle tinha herdado uma fortuna e se tinha limitado a conservá-la, Edward se tinha dedicado ao capital do risco e ao desenvolvimento de programas informáticos, esquecendo a cautela.
Era muito irônico que seus incríveis ganhos dos últimos meses tivessem feito que
Charlie Swan, o magnata multimilionário, considerasse-o como um possível genro.
—Nem sequer vi à filha de Swan –disse Edward secamente.
—Claro que a viu —contradisse Carlisle— Segundo Charlie, a vistes quando passaste a noite em Lexos.
Edward franziu o semblante. Por dois meses seu iate tinha tido problemas numa tormenta. Perto da costa de Lexos e tinha chamado pelo rádio para que lhe permitissem saltar.
Swan tinha a fama de evitar da pior maneira a visita de intrusos em sua ilha. Ainda que Edward tenha sido bem recebido e agraciado com todo tipo de luxo, tinha sido uma noite horrível.
A casa parecia um palácio, e ainda tinha Swan que tinha mais de sessenta anos. Charlie Swan tinha um pequeno harém de belíssimas jovens. Pediu a seu convidado que escolhesse uma para completar a diversão da noite. Edward sentiu repulsão ao ver quão dispostas estavam as bajuladoras jovenzinhas a satisfazer os desejos do velho.
Mas Edward não tinha cometido o erro de comentar os excessos sexuais de Charlie com ninguém. Charlie Swan era um inimigo implacável e cruel e só um estúpido se atreveria a provocar sua ira.
Edward Christoulakis não queria que nada ameaçasse seu recém criado império empresarial...
—Não creio que nenhuma das jovenzinhas que tenha visto fosse Isabella Swan. Edward soltou uma gargalhada seca; Swan estava longe de ser uma pessoa agradável, mas não estava louco. Por mais que pensasse, não recordava ter visto a nenhuma outra mulher essa noite, exceto a governanta, que o tinha levado a sua suíte. Ardendo de ira e frustração pois tinha burlado Swan quando se negou a dormir com uma de suas prostitutas.
—Deixe que refresque tua memória, disse Carlisle Christoulakis incomodado, já que tinha contado com que seu filho recordasse à jovem sem ter que ver uma foto.
Edward olhou a foto com incredulidade e a reconheceu de imediato. Soltou uma maldição. Ainda que estivesse de perfil, recordou a inclinação submissa da cabeça, o cabelo castanho recolhido num laço severo e os traços frágeis e delicados do rosto.
—Acreditei que era uma empregada! —exclamou Edward indignado. A recordava
demasiadamente bem: traços finos e delicados, olhos castanhos como chocolate, surpreendentes e inesperados numa mulher grega. Uma beleza natural a antítese total das garotas voluptuosas e artificiais que tinham desfilado diante dele por ordem de seu anfitrião. Nunca se tinha insinuado a uma servente, mas essa noite só o tinham detido o silêncio e formalidade dela e seu inato sentido de justiça.
—Tenho entendido que Isabella mal saiu da ilha. Seu pai opina que as mulheres devem ficar em casa, comentou Carlisle Christoulakis, com certa fascinação; ele tinha uma esposa e duas filhas que não pensavam duas vezes antes de voar a qualquer lugar da Europa para visitar as suas amigas ou ir as compras.
—Pode ser que no futuro considere a possibilidade de um casamento de conveniência — concedeu Edward, pensando que Isabella deveria ter-se apresentado de imediato.
—Mas não tenho nenhum interesse de casar-me com a excêntrica filha de Swan. Ao menos, me agradaria uma esposa com personalidade.
—Um mínimo de personalidade dá muito de si —argumentou Carlisle com veemência, fazendo questão de dizer que considerava uma grande oportunidade para seu filho. E antes de criticar as carências de Isabella Swan, deverias perguntar-te o que tens "tu" que oferecer a uma mulher.
—Em que sentido? –inquiriu Edward com voz seca.
—Se não tens coração que oferecer, só se casasse contigo uma caça-fortunas —advertiu Carlisle com frustração. —Tua reputação de mulherengo é tal que a maioria de nossos amigos não querem que suas filhas se relacionem contigo.
—Não me interessam as virgens fervorosas nem as arribistas ambiciosas, assim que fazem muito bem —Exclamou Edward com desprezo.
Carlisle Christoulakis conteve um suspiro. Tinha feito o possível para convencer o seu filho, com a esperança de que participar da ampla rede de Sociedades Swan o tentasse. Tinha pensado que poderia atraí-lo ao aspecto prático de um acordo matrimonial que mal lhe exigiria esforço pessoal. Sabia que comentar o beneficio que seria casar-se com a futura herdeira de uma fortuna, não teria servido de nada.
—A Charlie lhe ofenderá que te negues sua filha—apontou Carlisle atribulado —Quer que te reúnas com ele para discutir a proposta. Que mal pode fazer isso?
—Vou pensar, disse Edward, olhando para seu pai com olhos escuros e frios, que seus competidores tinham aprendido a respeitar. Não estava disposto a demonstrá-lo, mas a recordação dessa noite em Lexos o intrigava.
Isabella se olhou no espelho cuidadosamente, os olhos castanhos cheios de tensão; que seu pai a convocasse formalmente era estranho e amedrontador.
Levava o cabelo castanho recolhido. O vestido azul escuro mal deixava que se insinuassem as curvas de seu esbelto corpo, e lhe chegava até embaixo dos joelhos. Numa multidão, teria passado despercebida; essa era a imagem que seu pai lhe exigia: modesta, discreta e assexuada. Não lhe importava que o mínimo de que suas idéia pertencessem a outros tempos e estivessem fora de lugar numa família rica e educada; orgulhava-se de suas raízes camponesas e não via razão para permitir ao mundo exterior invadisse o reino feudal de sua ilha.
Charlie Swan era um homem dominante e controlador com um caráter explosivo que podia converter-se em violência em segundos. E que considerava à mulher um ser inferior e uma posse.
Já desde menina, Isabella tinha aprendido o código de comportamento que devia manter diante seu pai, e sabia controlar a língua e manter a cabeça baixa. Em mais de uma ocasião o tinha visto golpear a sua mãe, já falecida. Quando cresceu, por mais que Renne Swan tentasse protegê-la, ela também tinha sofrido os mesmos maus tratos.
A porta do dormitório se abriu bruscamente. Isabella deu um suspiro e se voltou para o rosto delgado e azedo de Kalliope, a irmã de seu pai.
—Por que estás sempre olhando-te ao espelho? —replicou Kalliope com desprezo. —É uma tolice sendo tão feia. Se tivesses nascido Swan, serias uma beleza.
Isabella, acostumado às críticas da mulher, resistiu-se à tentação de dizer lhe que tinha falhado se for o caso, pois seria difícil encontrar algo atraente em seus rasgos afiados. Quanto ao de não ter nascido Swan, Isabella sabia perfeitamente que era adotada, e evitava os confrontos com Kalliope, para que não se queixasse a seu irmão de que tinha sido grosseira.
Sua tia cumpria com fervor religioso as normas de Charlie e a satisfazia denunciar para ele a qualquer apreendo que não o fizesse. Kalliope não tinha tido problemas para dominar à gentil inglesa que seu irmão tinha tomado como esposa, mas sua filha adotiva era um osso mas duro de roer. Isabella não contestava mau e demonstrava um respeito superficial, mas desde que, quatro anos antes, tinham-na trazido gritando e esperneando de volta do aeroporto de Atenas, tinha em sua mirada uma determinação estóica, e Kalliope se sentia frustrada como um mosquito que sugava a uma vítima insensível.
—Teu pai tem notícias interessantes para ti —informou Kalliope secamente.
—Encantaria-me escutá-las —disse Isabella cruzando a ante sala ao dormitório lentamente, com apreensão.
—Foste uma filha muito mal agradecida —reprovou duramente Kalliope—Não te mereces o que vais ter!
Que podia ser? O óbvio ressentimento de sua tia exacerbou a curiosidade de Isabella, mas o nó de ansiedade que sentia no estômago se acrescentou. Era incapaz de estar diante seu pai sem sentir medo, o que não era um homem que fizesse presentes. De fato, Isabella se perguntava com freqüência se seu pai sentia prazer ao negar-lhe tudo o que desejava. Nunca a tinha querido e, quando sua mãe adotiva morreu, desfrutou contando-lhe porque a tinham adotado.
Amanda Swan tinha tido um menino, Eric, no ano que casou-se, mas nos sete anos seguintes não voltou a conceber. Charlie Swan, desesperado por não ter um segundo filho, ouviu dizer que algumas mulheres ficavam gestantes depois de adotar um.
Se pensava que, ao satisfazer seu desejo de ter outro filho, a mulher se relaxava e era mas fácil que voltasse a conceber. Por desgraça, a chegada de Isabella não tinha cumprido essas expectativas.
Como Charlie só a considerava um meio para um fim, nunca tinha contado com seu afeto paterno.
Sua tia a deixou no vestíbulo, ante o despacho de seu pai.
Ambas sabiam que a faria esperar.
Rígida, Isabella olhou pela janela sem perceber a maravilhosa vista da baía.
A dourada luz do sol e o intenso azul do céu se refletiam sobre o mar Egeu. Lexos era uma ilha preciosa, e a enorme casa contava com todas as comodidades que se podiam comprar com dinheiro. No entanto, nada podia compensar a Isabella por saber-se tão prisioneira na casa de seu pai como um criminoso numa cela de castigo.
A liberdade que ansiava continuava fora de seu alcance. Levava quatro intermináveis anos sem sair da ilha, pois Charlie já não confiava nela. Tinha calculado mal a escapada, tinha desperdiçado sua oportunidade e tinha posto o seu pai de sobre aviso.
A liberdade que ansiava seguia estando fora de seu alcance. Levava quatro intermináveis anos sem sair da ilha, pois Charlie já não confiava nela. Tinha planejado mal a escapada, tinha esbanjado sua oportunidade e tinha posto a seu pai sobreaviso.
Naquela época seguia um tratamento de ortodontia em Atenas, e tinha sido fácil sair da clínica dental sem que a vissem os guarda-costas, meter-se em um táxi e ir ao aeroporto. Mas não tinha consultado os horários de antemão, e não teve a sensatez suficiente de comprar um bilhete para o primeiro vôo internacional que saísse. Queria ir a Londres e se sentou a esperar como uma tola, até que seus guarda-costas a tiraram arrastada do aeroporto. Estremecia ao recordar o recebimento de seu zangado e incrédulo pai, que nunca tinha sonhado que se atrevesse a tentar escapar de sua tirania.
Sua mãe nunca havia o jogo. Mas isso era porque o espírito de Amanda Swan tinha sucumbido aos ataques verbais e físicos de seu marido.
—Onde iria? —tinha-lhe perguntado sua mãe com assombro quando Isabella, então uma adolescente, sugeriu-lhe que escapasse desse homem abusivo. —Como viveria? Fosse onde fosse, teu pai me encontraria. Não me deixaria sair... ele me quer demais!
Isabella, com um cinismo que não correspondia a seus anos, tinha pensado que o amor tinha convertido em vítima à bela mãe que ela adorava. O amor era uma das desculpas favoritas de Amanda para justificar a violência que tinha aceitado como parte de sua vida, outra era o vício ao trabalho de seu marido, que o deixava agressivo, e outra, sua própria e inescusável estupidez.
Culpava a si mesma. Inclusive enquanto morria lentamente de uma doença terminal, tinha-se culpado por causar dor e inconvenientes a seu marido e a seu filho.
Os olhos se encheram de lágrimas ao compreender quanto sentia falta dessa mulher cujo amor a tinha protegido dos piores momentos de seu pai.
—Senhorita Swan... entre —disse o secretário pessoal de seu pai, com um sorriso bajulador.
Charlie Swan estava de pé sob seu próprio e favorecedor retrato. Era um homem forte e de presença imponente, mas ainda não tinha recuperado o peso perdido enquanto seguia um tratamento contra o câncer. Ainda que o tratamento tinha tido sucesso, tinha o rosto acinzentado e estava mais magro do que meses antes. Pela primeira vez Isabella pensou que, por ser um homem tão forte e vigoroso, estava demorando muito em recuperar-se
—Estás bem, papai? —ouviu-se dizer instintivamente.
—Vejo que jogaremos muito, ao menos a minha carinhosa e compassiva filha —replicou Charlie com ironia.
A palidez de Isabella se tingiu de rubor mas, um segundo depois, perguntou se porque iam sentir sua falta?
A esperança a assaltou com tanta força que lhe tremeram os joelhos. A teria perdoado por tentar escapar? Ia permitir-lhe levar uma vida mais normal?
—Depois de todos estes anos, vais ser-me útil —informou o homem com satisfação. Isabella compreendeu a estupidez de sua esperança. Seu pai nunca tinha feito nada para comprazê-la.
Tinha-se derrubado ante a tumba de sua mãe, mas esse reflexo de humanidade ficava eclipsado pelas recordações do dano físico e mental que tinha infligido a uma mulher incapaz de fazer dano a ninguém.
- Te encontrei um marido! —anunciou Charlie.
A surpresa quase fez que Isabella cambaleasse, e ainda se esforçou para não mostrar nenhuma reação, não pôde evitar um leve gemido estrangulado. Porque lhe tinha procurado um marido?
Tinha que ser algo benéfico para ele.
Mordeu a língua, uma só pergunta ou exclamação o fariam reagir como se tivesse sido uma impertinente.
—Fala quando lhe falarem —era uma lição que Isabella tinha aprendido bem em sua infância
— Uma filha respeitosa não questiona as decisões de seu pai.
O silêncio, como uma lousa, fez que se pusesse ainda mais rígida, enquanto esperava que ele falasse de novo. A idéia de um marido a deixava enjoada, nunca se o tinham proposto; sobretudo porque era consciente de seu pai desfrutava tendo a sua família a sua disposição, dependendo dele de corpo e alma.
—Se Eric não tivesse morto —disse o ancião referindo se a seu filho, que se tinha despedaçado com seu avião no ano anterior. Nunca teria tivesse me passado pela cabeça um casamento assim para ti. Mas és o único que tenho e algum dia herdarás a Sociedades Swan.
—Eu... vou ser sua herdeira? sussurrou, ainda mais assombrada por esta segunda notícia.
—Quem mais há? —soltou um riso sardônico. Legalmente, és minha filha, ainda que não tenhas uma só gota de meu sangue.
Ela estava orgulhosa de não ser uma Swan, sabendo que não levava a marca de seus genes, e ficou paralisada, perdida em pensamentos frenéticos. Não queria herdar a Sociedades Swan. Seu gigantesco império de negócios era o monstro que lhe tinha dado seu poder inquestionável. A riqueza o tinha julgado intocável. Sem dúvida, destruiria a todos o que se opunham e sua esfera de influência era quase infinita. Uma e outra vez, a avaricia dos demais o protegia, pois subornava a qualquer que pudesse sacar à luz seus corruptos negócios... ou inclusive o que ocorria em sua própria casa.
O lábio superior de Isabella se encheu de suor. Seu pai acabava de dizer que lhe tinha encontrado um esposo, desejaria estar pensando nisso e não em outras coisas. Se sentia mareada, e escutava os latidos de seu próprio coração como um martelo na cabeça.
De repente, compreendeu porque não pensava em que iam casá-la como se fosse uma noiva medieval, sem direito a opinar. Não servia para nada dar lhe voltas a algo que não podia mudar. Se o desafiasse ele lhe faria mau, não tinha nenhum escrúpulo e começaria a intimidá-la quanto dissesse uma só palavra de objeção.
Tinha-a convertido numa covarde, um despojo sem forças para iniciar uma luta que sabia que não podia ganhar.
—Estou impressionado: comentou Charlie Swan com um tom calmo que a ela lhe provocou um arrepio. Agora sabes o lugar que te corresponde na vida. Isso é bom, porque não vou aceitar nenhuma tolice neste caso. Como teu pai, sei o que te convém.
—Sim, papai —falou ela debilmente.
—Nem sequer desejas saber quem será teu marido? —Falou ele, encantado com sua submissão.
—Se tu queres dizer-me —murmurou ela.
—Edward Cullen Christoulakis.
—Edward... Christoulakis? Trêmula, levantou os olhos e se encontrou na imagem divertida de seu pai.
Seu rosto triangular perdeu todo vestígio de cor ao recordar, com demasiada clareza, a noite que tinha conhecido Edward Christoulakis. Deixou que suas pestanas longas e escuras caíssem sobre seus olhos para ocultar sua imagem. Edward Christoulakis, o mulherengo nº 1, que parecia adepto a ocupar os manchetes das páginas de negócios e as de sociedade. O tipo de homem que não lhe agradavam os lençóis de cetim e que tinha feito questão de que os mudassem, ainda que fosse já de madrugada. O homem cuja noiva tinha se afogado nadando bêbada ao luar. O que a tinha tratado como a uma criada, sem dar-se conta de que era um ser humano. Esse homem tão incrivelmente forte que não tinha podido evitar olhá-lo apesar sua timidez...
—Não me estranha que te assombres de tua boa sorte —Murmurou Charlie Swan com voz desagradável. — Mas suponho que não preciso dizer que não deves esperar fidelidade. Isto é um acordo de negócios. Ocupasse o lugar que ocupava teu irmão e, como marido teu, passasse a ser parte da família.
Para Isabella, cada uma de suas palavras foi como um jarro de água gelada que se filtrasse em suas veias. Estava brutalmente claro. Era só o meio para conseguir situar a Edward Christoulakis num posto de confiança como genro.
—É brilhante, decidido, forte. Me custou muito conseguir que aceitasse esta aliança. Mas é preciso. Quando ele chegar amanhã, fará tudo que for necessário para mantê-lo contente. – Está claro? pressionou seu pai.
—Sim, papai —assentiu ela, com os lábios brancos.
—Inclusive quando fores a sua mulher, tua lealdade estará antes de mais nada comigo. Não lhe dirá que é adotada. Os Christoulakis estão muito orgulhosos de sua árvore genealógica. Não lhes envergonhará nem ofenderá dizendo-lhes que é ilegítima, nem que tem a uma irmã gêmea que nada mais é do que uma vulgar prostituta. Nem tentará pôr-te em contato com ela. Você entendeu?
O frágil corpo de Isabella se estremeceu um segundo. Sentiu uma onda de ira e de amarga repulsão, mas ela dominava o desespero.
Compreendia que o futuro que seu pai tinha desenhado para ela seria tão vazio e limitado como o presente.
Queria casá-la com um desconhecido para que o espionasse. A obrigava seguir-lhe vivendo uma mentira e não queria que se soubesse que era adotada. Ademais, xingava à irmã gêmea que ela nunca tinha conhecido. O ódio lhe abrasou os pulmões e olhou para o outro lado.
—Entendeu-me, Isabella —rosnou ele.
—Sim, papai. Entendo-o —replicou como um robô.
Quanto acabou a entrevista, foi diretamente ao ginásio. Mudou de roupa e iniciou uma rigorosa seção de treinamento para eliminar as tensões de seu corpo. Se excedeu e acabou caindo num colchonete, ensopada e trêmula. Foi nesse momento que compreendeu porque a notícia de seu casamento deveria enchê-la de alegria e alívio.
No minuto em que abandonasse a ilha com seu marido, seria o inicio de sua liberdade. Se jogou para atrás e seu riso ressoou no ginásio. Edward Christoulakis seria seu passaporte para a liberdade, não seu futuro guardião, não um novo senhor e dono de sua vida.
Depois de ter convivido com um macho dominante e agressivo, não pensava aceitar a um segundo. Era essencial que Edward se casasse com ela para libertá-la de Lexos. Nem sequer seu pai suspeitaria que era capaz de abandonar o seu marido depois do casamento.
Sobretudo quando se tratava de um homem tão solicitado e atraente, cuja foto se dizia era a mais popular nas bilheterias e dormitórios dos colégios femininos do mundo.
Isabella esboçou um sorriso e se atirou de costas no colchonete para fazer planos. Quando chegasse a Inglaterra buscaria a sua irmã, Misty. Tinham passado quatro anos desde que recebera uma carta dela, mas ainda recordava cada palavra e o endereço. A casa de acolhida de sua irmã se chamava Fossetts, e estava segura de que chegando ali poderia localizá-la, ainda que tivesse mudado de residência.
Em mudança, sua irmã não sabia nada dela, nem sequer como se chamava. Seu verdadeiro nome de batismo era Shannon, mas Amanda Swan o havia mudado. Em todo caso, quando se encontrasse com sua irmã gêmea, teria que a convencer, com tato e amabilidade, de que não tinha porque ser vítima de homens ricos e abusivos.
Enquanto o helicóptero aterrizava em Lexos, Edward pensava na desconcertante reunião que havia mantido com Charlie Swan 48 horas antes, e no compromisso que havia assumido de casar-se com Isabella.
Depois de oferecer-lhe uma sociedade de negócios extremamente vantajosa, que havia pego Edward de surpresa, Swan havia posto todas as cartas sobre a mesa. Ao contar-lhe a verdade sobre seu estado de saúde, o magnata se havia posto, em grande parte em suas mãos. A notícia de que ao multimilionário tinha só uns meses de vida, poderia desencadear uma queda em massa no valor das ações da Sociedades Swan, acabaria vulnerável a uma oferta pública de compra.
O império Swan só tinha a Charlie Swan ao time. Seus diretores executivos não haviam sido eleitos por sua capacidade de pensar por si mesmos, senão pela sua eficiência ao seguir ordens sem fazer perguntas. Charlie precisava de um braço direito, um genro atado à empresa por vínculos familiares, que ficasse no cargo enquanto recebia outro tratamento no hospital. Se não se recuperasse, que lhe aconteceria a uma filha educada como uma noviça de convento, numa ilha, que não tinha a mínima idéia de como era o mundo real? Uma jovenzinha que herdaria bilhões e se converteria na meta de todos os caçadores de fortuna do mundo.
Sem dúvida, Swan não só estava enfermo fisicamente, era um pai demasiado zeloso dos afetos de sua menina, porque então a havia educado num isolamento tão pouco natural?
Tinha quase vinte e três anos e nunca havia tido namorado. Perguntou-se se Charlie Swan estava louco; talvez não sabia que sua filha se enamoraria loucamente do primeiro homem que lhe prestasse atenção?
Edward raciocinou que ele mesmo poderia ser esse homem e, ainda que as mulheres que o perseguiam e o olhavam com adoração não o atraiam em absoluto, seus lábios se curvaram num sorriso. Isabella seria sua esposa, e não dava a impressão de ser muito exigente. Se ela o quisesse, esse casamento de conveniência teria mais possibilidades. Mas, que classe de mulher permitia que a vendessem como se não fosse mais do que uma mercadoria?
A "mercadoria" em questão, estava igual de pensativa. Isabella estava decidindo como tratar Edward e fazer que se sentisse seguro. Não queria que desse para trás e estragasse seus planos; também não esquecia que seu pai havia dito que lhe havia custado muito convencê-lo. Tivesse desejado poder demonstrar-lhe que tinha melhor aspecto que o que lhe permitiam as circunstâncias.
Mas era impossível, seu pai se enfadaria se aparecesse maquilada e com um modelito dos que usavam as mulheres para animar-se na intimidade de seu dormitório.
Por desgraça, a última coisa que pensaria Edward Christoulakis ao olhá-la seria… sexo.
Enrugou o nariz. Se perguntaria como seria ela na cama. Era grego, e uma obsessão sexual. E havia ficado como um imbecil dois anos antes, enamorando-se de uma avantajosa mulher cujo único dom era sua capacidade de mostrar os peitos e o traseiro em público, com uma regularidade monótona.
Isabella se fez à idéia de que se enfrentava a um macho básico, carregado de testosterona, que deixava seu pretensamente brilhante cérebro à porta do dormitório.
Ela, ao contrário, tinha um aspecto singelo e assexuado, e o poderia assustar-se. Tinha que o atrair... de algum modo convencer-lhe de que, ainda que não parecesse atrativa inicialmente, a noite de casamento seria espetacular. Isabella não tinha a intenção de assumir essa noite de casamento, mas ele não suspeitaria. Lhe daria seu merecido tratamento. Que classe de homem aceitava casar-se como parte de um frio e interessado trato de negócios? Só podia ser um porco sexista, dominante e ansioso de poder!
Quando Edward Christoulakis desceu do helicóptero, Isabella, rígida como uma estátua e diminuta ao lado de seu pai, se recordou que esse era o porco egoísta e caprichoso que lhe havia obrigado a mudar-lhe os lençóis às duas da manhã.
Mas não recordava o impacto que provocava Edward em pessoa, e quanto mas se acercava, mas lhe custava respirar, era incrivelmente atraente. A dourada luz do sol resplandecia em seu cabelo bronze, acentuando a definida estrutura óssea de seu rosto, os impressionantes olhos verdes, sua mandíbula agressiva e sua carismática boca. Usava um traje cinza pérola que acentuava seus largos ombros, quadris estreitos e pernas longas e poderosas. Caminhou para eles sem titubear, como se não lhe impressionasse uma situação que haveria incomodado a noventa e nove homens de cada cem.
O coração de Isabella batia acelerado e havia tremido, de não ter tantos anos de autodisciplina.
Enojava-a sua vibrante segurança em si mesmo, mas a impressionava sua demonstração de poder, tranqüilidade e dureza. Se desse um passo em falso ou dizia uma palavra a mais, seu pai o arruinaria. Não sabia que entrava na boca do lobo? Não entendia que se unisse à família Swan estaria vendendo sua alma ao diabo?
—Isabella... Edward olhou os olhos castanhos como chocolate, os olhos femininos mais impenetráveis que havia visto em sua vida, limpos de expressão alguma, e ficou sem palavras. Tinha o rosto pálido de uma madona, com uma simetria pura e perfeita... intocável. A distância parecia uma boneca, mas de perto era mais uma estátua de gelo: frígida da cabeça aos pés. A noite do casamento ia ser uma autêntica representação.
—Edward... —Isabella falou seu nome, ainda que mal tinha oxigênio para fazê-lo.
Edward observou o rubor que tingia suas bochechas, o bater trêmulo de suas pestanas escuras e a leve reação de seus lábios, que adquiriram suavidade e sensualidade ao falar. Percebeu a batida acelerado de uma veia junto a sua clavícula e compreendeu que não era questão de frialdade ou de indiferença, Isabella estava muito nervosa e lutava em ocultar.
Sentiu uma apunhalada de satisfação e um sorriso lento e perigoso curvou sua atraente boca.
