CAPITULO 3

—Vamos ver esses quadros — disse Edward baixinho. Não estava acostumado a que uma mulher se afastasse de seus braços para pensar em outro homem mas, dadas as circunstâncias, sabia que seu enfado era pouco razoável.

—Por favor, não mencBellas a meu pai o que disse — pediu Isabella tremendo.

—Por certo que não - Edward a olhou com assombro e apertou os dentes.

Isabella, ainda nervosa, conduziu-o para a moderna sala de exposições. Jacob havia sido seu primeiro e único amor, uma relação doce, inocente e inofensiva; até o dia que os seguiram e os guarda-costas de seu pai a obrigaram a olhar enquanto davam a Jacob uma surra monumental.

Pouco depois, a família abandonou a ilha. Nunca esqueceria o dano que lhe haviam feito.

Havia sido uma estupidez admitir para seu noivo que não era o primeiro homem em sua vida. Agora devia estar pensando que talvez não fosse virgem. Observou o a contemplar os magníficos quadros que, em sua opinião deveriam estar num museu para que a gente pudesse apreciá-los como algo mais do que uma mera invenção, e percebeu a rigidez de seus traços.

Igual a seu pai, era o equivalente contemporâneo de um carniceiro, que queria uma esposa que ninguém se tivesse atrevido a tocar, ainda que ele se permitia multidão de aventuras. Não entendia que tivesse pretendido casar-se com uma mulher como Tânia Denali, cuja reputação destoava de ser moderna.

Mas Isabella tinha que admitir que Tânia era impressionante.

Uma mulher agraciada com tais atributos, conseguia muito mais que qualquer outra. Pensou, que devia ser maravilhoso exercer esse tipo de poder sobre um homem.

—Lamento ter te interrogado assim lá em baixo — comentou Edward baixinho, voltando-se para ela. — Não tenho nenhum direito a perguntar do teu passado.

A desculpa a surpreendia, mas supôs que queria saber mas sobre Jacob, que a estava pedindo que lhe desse mais detalhes. Se revoltou de ira e lhe custou resistir a tentação de perguntar-lhe se ele queria falar de seu amor perdido.

Limitou-se a assentir com a cabeça.

Ainda que frustrado, Edward sentiu uma verdadeira admiração. Sua boca, larga e sensual, esboçou um sorriso tão poderosamente viril que ela não pôde evitar sorri-lhe.

—Te trouxe isto... —sacou um anel do bolso da jaqueta—É o anel de noivado dos

Christoulakis, mas se não te agrada não importa. Podes escolher o anel que queiras. Tenho que admitir que para minha mãe lhe pareceu muito antiquado para seu gosto.

Isabella, incomodada, estudou os diamantes que destacavam sob as luzes. Um anel que era uma relíquia familiar. Sentiu uma punhalada de culpa já que, fossem quais fossem seus motivos, ele achava que o compromisso era sério e ela não.

—É lindo... —murmurou, e se obrigou a estender a mão para aceitá-lo. Edward lhe pôs o anel.

—Ainda que não te ame, farei de tudo para ser um bom marido — afirmou ele.

Isabella apertou os dentes ao ouvi-lo. Alegrou-se de que não estaria com ele para comprovar essa improvável promessa.

Como qualquer mulher, mereciam que a amassem e contava com que isso ocorresse no futuro.

Até então, pensava desfrutar com montões de garotos diferentes. Isso, se soubesse como fazê-lo, pois não tinha nem idéia de se resultaria atrativa para os homens.

Reconhecia que não lhe importaria começar com um noivo que beijasse tão bem como Edward. Não havia dúvida de que sua experiência sexual era o que havia suscitado nela uma resposta tão entusiasta. Em qualquer caso, tivesse sido um erro negar-lhe esse pequeno capricho.

Consolou-se pensando que eram seus hormônios as que a haviam traído; era lógico que ao ter sido privada das experiências de relacionamento com os homens que haviam sido naturais a sua idade, estivesse sedenta de sexo. Não devia envergonhar-se da excitação que havia sentido sob sua boca dura e apaixonada. A resposta havia sido física, em absoluto nada pessoal.

—Isabella... —expressou Edward, estudando a perfeita suavidade de seu rosto e seu olhar perdido, perguntando-se o que era o que havia voltado a roubar-lhe sua atenção.

Isabella deveria ter-se traído imediatamente.

— Edward... como estás? Isabella exclamou uma coquete voz feminina.

Isabella saiu de sua introspecção quando Kalliope se dirigiu a Edward com um sorriso super feliz. Respirou fundo. Já não tinha que entreter a Edward; sua tia, que adorava aos homens jovens e fortes, se ocuparia disso.

Durante a seguinte hora, Edward demonstrou a melhor educação, paciência e cortesia enquanto contestava às perguntas de Kalliope sobre sua família.

—Não merece um marido de uma boa família — Kalliope dirigiu um olhar ressentido a sua sobrinha, quando voltava a suas habitações para vestir-se para o jantar. —Se Edward Christoulakis conhecesse teus antecedentes, nada o convenceria de que se casasse com uma garota sem graça!

Pela primeira vez, Isabella só sentiu compaixão ao ouvir o comentário envenenado da tia. Sua mãe lhe havia contado que, vinte anos antes, Kalliope se havia apaixonado por um dos executivos que trabalhava para seu irmão, mas Charlie Swan, furioso, lhe havia proibido casar-se com ele.

Kalliope havia aceitado sua decisão e agora tinha mais de cinqüenta anos, e seguia solteira e amargurada pelo que lhe havia deparado a vida.

Ao menos, seu tia seguia viva, pensou Isabella enquanto selecionava outro aborrecedor vestido do armário. Eric não havia tido tanta sorte. A noite que seu avião se despedaçou, estava terrivelmente nervoso e sua incapacidade de concentrar-se o havia levado à morte. Eric tinha ainda mais medo de seu pai que ela mesma. Seu irmão havia tido a cabeça dos Swan para os negócios e a sensibilidade de sua mãe. Isabella, pensou quanto sentia falta, e prometeu a si mesma que, fosse como fosse, teria o que Eric não havia tido coragem para fazer: escaparia, seria livre antes de que achatassem sua vontade por completo.

Depois que servissem o primeiro prato do luxuoso jantar, Charlie Swan anunciou que o casamento se celebraria 2 semanas depois, dado que ele estaria ausente à negócios no mês posterior. Isabella olhou para Edward, que parecia absorver a notícia com menos surpresa do que ela, seu rosto forte e delgado nem sequer estava tenso. Ele lhe lançou um olhar longo e acariciador com os olhos cerrados; Isabella se ruborizou e abaixou a vista.

—A cerimônia, por certo, celebrasse-se ia na ilha — decretou Charlie, olhando para Edward com um meio sorriso — Não vejo nenhuma razão para que vocês não morem aqui. Disse ele: Isabella, aterrorizada, deixou cair o garfo—Em sua própria casa, minha filha teria a companhia de sua tia enquanto tu viajas, e seguiria desfrutando da proteção de minha equipe de guarda-costas.

—Não... não! —Falou Isabella horrorizada, convicta de que seu pai havia planejado assim desde o princípio. Sua odiosa tia lhe fincou as unhas na coxa sob a mesa. Seu pai, com o rosto vermelho, saltou da cadeira como uma mola e apertou-lhe o punho.

—Que me disseste? —rugiu ameaçador. Isabella, imóvel e branca como o leite, esperou que o golpe caísse sobre ela enquanto, do outro lado da mesa, a cadeira de seu pai se despedaçava contra o solo.

—Se puser a mão em cima dela, juro que te matarei! — gritou Edward com uma agressividade equiparável com a de seu anfitrião. Se fez um silêncio mortal. Ninguém havia ameaçado assim a Charlie Swan em toda sua vida.

A incredulidade paralisou o rosto do ancião, que voltou lentamente a cabeça para seu desafiante. Isabella desejou atirar-se para Edward e meter-lhe a toalha de mesa na boca antes de que lhe dessem uma surra. Perguntou-se que loucura o havia dominado e onde havia deixado sua suposta inteligência quando mais precisava. Seu pai havia confessado que precisava de Edward, mas, mesmo assim, não duvidaria em jogá-lo da ilha e destruí-lo antes de engolir esse insulto.

—Você agora a consideras que é propriedade tua, não? —exclamou Charlie, com olhos escuros e irados.

—Sim — replicou Edward cuja rosto rígido indicava que sua fúria ia aumentando.

Abruptamente, Charlie Swan jogou a cabeça para atrás e soltou uma gargalhada desdenhosa que Isabella sentiu um bolo no estômago. Estava disposta a chamar à policia. Fossem quais fossem as conseqüências para si mesma, se seu pai permitissem que seus guarda-costas atacassem Edward, desta vez o denunciaria. Mas, um segundo depois, contemplou boquiaberta como seu pai olhava a

Edward com ironia e aprovação.

—Não és um homem muito diferente de mim. Possessivo e protetor do que é teu. – De acordo, —disse, olhando a Isabella, —mas tu, mantém a boca fechada a partir de agora!

Isabella cerrou os olhos, sentindo-se enferma pela violência que havia estado a ponto de explodir e enferma de humilhação. Os homens voltaram a sentar-se. Edward deu uma olhada em Isabella, perguntando-se se havia reagido de forma exagerada, já que ela não parecia agradecida por sua interferência. Havia acreditado que seu pai ia bater-lhe mas, ele se limitava a agitar o punho no ar. Afinal de contas, Isabella havia ficado imóvel, e não o teria ficado se esperasse um golpe. Não tinha motivos para suspeitar que Charlie fosse um maltratador Edward se recordou que seu comportamento devia ser porque lutava contra uma doença terminal e a morte o rondava.

—Encontro-me mau. Por favor, desculpa-me — murmurou Isabella com voz afogada.

—Sim, vá — rosnou seu pai com desgosto—Já fizeste o possível para estragar nossa comida!

Isabella se pôs em pé, e com as pernas trêmulas, abandonou a casa. Tinha a cabeça a ponto de estourar e estava perdendo a coragem. Edward aceitaria que vivessem na ilha. Porque não ia fazê-lo?

Seria muito conveniente para ele. Lhe daria completa liberdade e não teria que se sentir culpado por deixá-la só durante longos períodos de tempo. Pergunto-se se sequer haveria lua de mel. Edward não havia querido ir a Paris em primeiro lugar, e Charlie o convenceria de que uma lua de mel era uma perda de tempo e de energia. Com o rosto empapado de lágrimas, Isabella foi ao quarto balnear e

se olhou no espelho. Havia sido uma estúpida ao crer que poderia escapar do controle de seu pai. Ele se havia antecipado a seus planos em todos os sentidos. Desde que havia recebido a carta de sua irmã gêmea, pouco depois de completar os dezoito anos, seu correio havia sido registrado e censurado.

Sua irmã, Misty, queria pôr-se em contato com ela e ao pai de Isabella o havia enfurecido que os serviços sociais tivessem revelado o registro de adoção para ajudá-la, sem pedir seu consentimento.

A Isabella não lhe haviam permitido responder à carta e só sabia que sua irmã era, ou havia sido, a amante de um magnata siciliano, informação que seu pai havia lido num periódico. Ela não havia visto o artigo, mas Charlie lhe havia comunicado que a irmã com que desejava reunir-se não era mais que uma prostituta.

Desde então, longe de reagir com a rejeição que seu pai havia pretendido provocar, desejava desesperadamente encontrar a sua gêmea e ajudá-la. Para Isabella não era fácil imaginar-se uma vida diferente à que sempre havia levado, mas Misty se havia convertido em sua meta, em seu único objetivo. Sua ilusão parecia afastar-me mais e mais e não sabia o que fazer. Esgotada, depois do

longo e tenso dia, Isabella se banhou e se encostou na cama.

Já dormindo, se remexia inquieta na cama. Tinha sonhos confusos e agitados, nos que as recordações se mesclavam com acontecimentos do dia.

Quanto seu anfitrião se retirou, Edward foi procurar a Isabella. Já não lhe assombrava a oferta de sua futura esposa de que seria o que desejasse. Vinte anos sobre o domínio de um pai assim derrotariam ao espírito mas forte. Era lógico que a idéia de viver em Lexos a horrorizara. O natural era que Isabella desejasse seu próprio lar, e mais ainda, que desejasse ver uma das cidades mais românticas do mundo e desfrutar da liberdade que lhe havia sido negada até então. Mas Isabella tinha que compreender uma coisa; ele não era um empregado de seu pai, e não permitiria que o intimidassem.

Perguntou-se se devia advertir-lhe de que Charlie seguia sendo um homem muito enfermo que, longe de estar se recuperando. Tinha escassas possibilidades de sobreviver. Charlie não queria que sua irmã e sua filha soubessem a verdade e ele não se atrevia a interferir nesse sentido. Mas também não lhe parecia correto guardar silêncio.

Uma serviçal o conduziu à porta da suíte de Isabella. Chamou, esperou uns segundos e entrou na espaçosa sala de estar. Durante um instante, teve a sensação de estar numa loja de brinquedos, pois havia exposição de boneco de pelúcia em todos os lugares. Em estantes, cadeiras, agrupados ao redor de mesas... Ursos gigantescos, médios e pequenos alguns peludos e esponjosos, mas a maioria despeluçados e velhos. Ficando no lugar, sentindo o olhar de centenas de olhos de plástico. Suprimiu um rosnado, com a esperança de que os

ursos não estivessem inclusos no pacto.

A porta do dormitório estava aberta e as lâmpadas acendidas, mas o que captou sua atenção foi um gemido. Acercou-se ao umbral. Não eram mais de onze horas, mas Isabella estava dormindo.

Pensou que devia tê-lo suposto, as mulheres nunca faziam o que se esperava delas. Esperava encontrá-la derramada em lágrimas, mas ela havia ido para cama calmamente, como se ver o seu pai e o seu noivo a ponto de matar-se não a afetasse o mínimo!

Isabella se remexia e uma cascata de cabelos sedosos e castanhos se esparramou sobre a almofada.

Tinha um cabelo precioso e muito mais longo do que o havia acreditado. E, ainda que de dia sua horrorosa forma de vestir se remontava à moda de trinta anos antes de ter nascido, dormia com uma pequena camisola cor melocoton, que se colava a cada deliciosa curva de seu corpo. Isabella arqueou as costas para dar-se a volta e, fitando a redondez pontiaguda de seus pequenos seios, decidiu que jamais aceitaria viver com "um" desses ursos.

Quando voltou o rosto para ele, viu as impressões das lágrimas e a tensão ainda manifesta em seu delicado rosto. Movia a cabeça inquieta, agarrou com força o lençol e seus lábios se entreabriram com um longo gemido de medo.

Em seu sonho, Isabella estava na praia, uns fortes braços a agarravam e a obrigavam a olhar cada golpe que Jacob recebia, ambos estavam maltrapilhos, mas a responsabilidade era unicamente dela. Só seu pai podia decretar um castigo tão brutal. Só seu pai podia obrigá-la a ser testemunha do fruto de sua rebelião.

Impotente, desejando que Jacob caísse e não voltasse a tentar levantar-se para receber outro terrível murro dos dois homens que o castigavam, jogou a cabeça para atrás e gritou. Gritou uma e outra vez, sabendo que antes ou depois, viria alguém do povo, e que era seu única esperança de pôr fim à bruta surra. Sentou-se inesperadamente na cama, abriu os olhos de par em par e olhou com terror ao homem alto que estava junto a sua cama.

—Só foi um pesadelo — Edward se sentou à beira da cama com um movimento fluído e a rodeou com um braço. Tremendo, Isabella se afastou dele. —Isabella, já desperta, conteve um soluço, enquanto se perguntava que fazia Edward em seu dormitório e tentava recuperar o controle. Havia muito tempo que não tinha esse pesadelo. Desde pequena, se havia acostumado a enterrar em sua mente os fatos desagradáveis O que não podia mudar, tinha que o tolerar.

Voltou a deixar-se cair sobre o travesseiro e se tombou de costas.

—Que aconteceu? —perguntou Edward, pouco acostumado a que o rechaçassem.

—Ocorreu... bateram em Jacob até deixarem quase morto!

Ao ouvir o nome de outro homem, se havia posto rígido e havia franzido o cenho.

Isabella, já acordada, conteve um soluço, enquanto se perguntava que fazia Edward em seu dormitório e tentava recuperar o controle. Fazia muito tempo que não tinha esse pesadelo. Desde pequena, se havia acostumado a enterrar em sua mente os sonhos desagradáveis. O que não podia trocar, tinha que tolerá-lo. Voltou a deixar-se cair sobre o travesseiro e se tombo de lado.

—Que aconteceu? — repetiu Edward, apoiando uma mão suavemente em suas costas quando ela voltou a estremecer-se com um soluço.

—Me encontrei com Jacob as escondidas e papai fez que lhe dessem uma surra enquanto eu olhava —contou trêmula— Riam as gargalhadas enquanto lhe batiam.

Edward, desconcertado, tragou uma baforada de ar. Isabella moveu a cabeça, pegou seu rosto triangular e belo e olhou nos olhos verdes e tormentosos.

—Ele me amava, e quase o mataram por isso.

A Edward não lhe agradava nada o que estava ouvindo, mas outras respostas mais primárias lhe impediam reagir. Isabella, com o cabelo revoltos, os lábios inchados e rosados e os olhos brilhantes era pura sensualidade. Umas finas tiras sujeitavam o mínimo pedaço de seda sobre seus delicados e brancos ombros, que deixava entrever a provocante curva de seus seios. A resposta viril de Edward foi instantânea e um forte desejo sexual o percorreu como uma descarga de adrenalina.

—Não vais dizer-me que todos os pais gregos devem salva-guardar a virtude de suas filhas? —pressionou Isabella.

—Não! muito menos dessa maneira. Mas, que futuro poderia ter uma Swan com o filho de um pescador? —inquiriu Edward com frieza.

— Jacob estudava o último ano de Medicina eu o conhecia de toda a vida — se defendeu Isabella.

Ainda que a inteligência de Edward lhe advertia que as más notícias sobre o filho do pescador estavam atingindo dimensões intoleráveis, lutava com o desejo de achatá-la em seus braços, como um homem das cavernas, até apagar de sua mente qualquer pensamento que não se centrasse única e exclusivamente nele.

No pesado silêncio que seguiu, os olhos de Isabella se encontraram com os dele, verde brilhante emoldurado por pestanas claras. Seu olhar ardente fez que lhe secasse a boca e o coração disparasse. Sentiu como seu corpo a traía; seus seios se endureceram, e notou um calor abrasador e desconcertante entre as pernas.

Ele se inclinou para ela e enroscou os dedos, longos e brancos, em sua cabeleira, para depois acariciar-lhe a bochecha. Isabella levantou os olhos para ele, sem alento, examinando suas belas feições: nariz afiado, olhos cintilantes, rosto marcado e forte e uma boca ampla e sensual. Sentiu que se derretia por dentro como um sorvete ao sol, e sua excitação se disparou

—Nem sequer me perguntaste que faço aqui — recriminou Edward com voz rouca. Queria falar contigo. Não esperava que já estivesse na cama.

Isabella levantou a mão e passou os dedos delicadamente pelo espesso cabelo bronze que caía sobre sua frente. Seu desejo a eletrificava e aterrorizava a um tempo, mas desejava enterrar os dedos ali e atraí-lo para voltar a sentir sua boca. Ele agarrou sua mão trêmula.

—Se te tocar, ficarei, mas creio que deveríamos esperar até nossa noite de casamento — disse, com um sorriso carinhoso que iluminava suas feições.

Isabella ruborizou violentamente. Falava como se "ela" o tivesse convidado a compartilhar sua cama e seu orgulho se ressentiu ao mesmo tempo em que sua mente divagava confusa.

—Shh —silêncio Edward pondo um dedo sobre seus lábios entreabertos. A estudou com olhos brilhantes de satisfação masculina, como se ela fizesse parte de seu coração e sua alma— Alegra-me que estejas tão desejosa como eu, mas esperar aumentará o prazer.

Quando Edward saiu do dormitório, Isabella sentiu um espasmo de ira que a deixou sem alento e sem consciência durante uns segundos. Como se atrevia a pensar que se havia oferecido a ele como se fosse uma desavergonhada precisada de amor? Como se atrevia a supor que o desejo momentâneo de querer ser beijada comparava-se a uma oferecida e zombaste dela?

Edward regressou a sua suíte sorridente, pensando que seu casamento não ia ser tão mau.

Isabella não havia tido nenhuma liberdade com seu pai, e viver com um marido tolerante e generoso só podia parecer-lhe melhor. Não lhe custaria muito mantê-la contente. Ademais, a não ser que se equivocasse, tinha a impressão de que havia sido agraciado com uma mulher tão apaixonada como ele mesmo. Ainda que lhe doía ter tido que controlar o impulso sexual, estava convencido de que a noite do casamento compensaria esse sacrifício.