CAPITULO 4

Onze dias depois. No dia do casamento. Isabella recebia uma misteriosa caixa envolta em papel dourado.

—O presente de casamentos de Edward. —Kalliope olhou a sua sobrinha com impaciência. —Vamos, abra!

Isabella olhou a caixa com medo supersticioso. Não queria receber um presente de um homem ao que pensava abandonaria horas depois do casamento.

Não tinha nada para ele, nem sequer havia pensado em trocar presentes. O casamento só era um frio trato de negócios que finalizaria na igreja. Perguntou-se porque Edward tentava personalizar sua relação.

Exasperada, sua tia abriu a caixa e tirou um joalheiro ovalado de couro. Isabella esticou o braço e o recuperou. Abriu a tampa e descobriu um delicado colar de esmeraldas enfeitadas com diminutos diamantes em forma de gota. Era extraordinário, mas se disse que não significava nada.

Edward simplesmente cumpria com o que se esperava dele.

—Porque uma caixa tão grande para algo tão pequeno? —Kalliope enrugou o cenho.

Isabella viu algo assomar entre o papel de seda. O coração lhe deu um tombo ao ver o segundo presente. Tirou um urso de pelúcia que ainda levava a etiqueta de uma famosa casa de leilões. Era excepcional, de quase cem anos de antigüidade, e um rosto muito expressivo. Seus olhos se encheram de lágrimas

—Como se precisasses outro mais! —exclamou Kalliope decepcionada — Talvez teu futuro esposo crê que ainda és uma menina?

O irmão de Isabella lhe havia trazido um ursinho de cada um de suas viagens. Quando ele morreu, foi incapaz de desfazer-se de um só da coleção, pois todos lhe recordavam ao irmão maior que havia adorado.

A Edward lhe seria bem empregado que esta noite tu fosses à cama com o urso, em vez de com ele! —exclamou Kalliope divertida—Mas é muito pronto, e encantador. Sabe como chegar ao coração de uma mulher. Quem poderia crer que este casamento nada mais é do que uma aliança de negócios acertado por teu pai?

Com a cara ardendo, tinha tentando recobrar a compostura, Isabella deixou o urso em um lado. O ácido comentário de sua tia a ajudou bastante.

Olhou-se no espelho e colocou bem o curto véu de renda. Havia pensado deixar a

Kalliope que escolhesse seu traje de noiva, mas quando sua tia lhe mostrou que pretendia mandá-la ao altar carregada de enfeites, volantes e laços, mudou de idéia. Afinal de contas, não tinha porque aparecer feita um enfeite decorativo diante centenas de pessoas.

O vestido era uma elegante túnica com pescoço de barco e mangas curtas, e a simplicidade do desenho realçava sua escassa estatura. O casamento era uma farsa, se recordou, levantando o queixo, e o urso só era uma prova mais de que Edward era merecedor de sua má reputação. Todos os mulherengos baseavam seu sucesso no encanto.

Uma hora depois, quando a limusine chegou à porta da igreja construída por seu pai para celebrar o nascimento de seu filho, quase trinta anos antes, Isabella não se sentia tão decidida. As três damas de honra eram primas longínquas suas, umas desconhecidas. Quando as jovenzinhas expressaram sua surpresa porque não tivesse seguido os ritos habituais antes do casamento, Kalliope as havia silenciado com enfado. A verdade era que a semana prévia a um casamento grego podiam celebrar-se multidão de tradições e atos sociais divertidos para a noiva e suas damas de honra. Mas Charlie Swan se havia negado a permitir que sua irmã enchesse a casa de convidados. Isabella se havia sentido aliviada, mas sabia que para sua tia havia sido uma grande decepção.

Edward, com o cabelo bronze iluminado pelo sol, esperava-a na escada da igreja com um ramo de flores. A Isabella se acelerou o coração. Não esperava que ele fosse respeitar essa tradição e ainda mais, com um traje escuro perfeitamente cortado, estava impressionante. Quando saiu do carro ele a olhou de cima abaixo com franca admiração.

—Cinco minutos para voltara atrás — caçoou Edward baixinho, enquanto os moradores da ilha lhes gritavam boa sorte. Observou sua estrema palidez e se perguntou se era a perspectiva da igreja obstinada e a novidade de ser o centro de atenção o que a fazia tão nervosa.

O padrinho de Edward, seu amigo Emmett, realizou suas funções com toda propriedade. O serviço começou quando o padre abençoou o intercâmbio de alianças e reconheceu sua união. Tanto ele como ela levantaram uma vela acesa com a mão esquerda e se deram a direita. Isabella tremia.

Com toda solenidade, coroaram-nos com flores de laranjeiras e o sacerdote os abençoou. Ela se foi sentindo cada vez mais culpada e hipócrita.

Enquanto servia um, depois o outro o vinho que simbolizava que compartiriam tudo o que lhes deparasse a vida, Edward cobriu sua mão com a sua, para afirmá-la sobre o copo. Isabella estava branca como a cera, quando ela e seu noivo caminharam ao redor da mesa onde repousava a Bíblia e os convidados os cobriram com arroz e pétalas de rosa. Tiraram-lhes as coroas de flor de laranjeira e foram proclamados marido e mulher.

—Creio que estava a ponto de desmaiar — murmurou Edward preocupado, guiando-a entre a multidão que os esperava lá fora e levando-a à limusine. — Estás bem?

—Estou bem — gaguejou Isabella, tentando sobrepor-se à inquietude que a havia assaltado na igreja. Já estava feito e não podia voltar atrás. Agarrou-se as mãos com força e desejou que o motorista os levasse de volta a casa a toda velocidade. Quanto menos tempo passasse com Edward a sós, melhor seria.

—Está linda — comentou Edward.

—Obrigada — murmurou ela com dificuldade.

—É uma pena que não tenhas podido conhecer a minha família antes do casamento — disse Edward— Teu pai é sempre tão arredio às reuniões sociais?

—Isso me envergonha — Assentiu ela. Seu pai não tinha tempo para a cortesia e, como o único que lhe interessava da família Christoulakis era Edward, lhe seria indiferente ter ofendido aos parentes de seu genro. Esteve a ponto de desculpar-se no nome de seu pai, mas recordou que em pouco tempo, a família Christoulakis se enfrentaria a uma notícia ainda mais vergonhosa: que havia abandonado o seu filho. Isso lhe encolheu o estômago.

Os pais de Edward e suas irmãs foram os primeiros a saudá-la com sinceros sorrisos quando chegaram à casa, e Isabella foi incapaz de olhá-los nos olhos e não sabia nem que dizer. Seu pai lhe fez uma aceno de longe e ela, desculpando-se, correu para ele.

—Não sorriu nem uma vez na igreja — Charlie Swan a olhou com olhos gelados— Mais quero que o faças melhor aqui, antes de que perca a paciência contigo.

Isabella pensou que cedo não teria que voltar a encolher-se diante dessas ameaças veladas e isso lhe deu uma verdadeira força.

Um braço rodeio suas costas e uma voz, cálida e profunda ressoou em seu ouvido.

—Mas eu tenho muita paciência — murmurou Edward.

—Te fará falta — seu pai soltou uma gargalhada desdenhosa. — Podes Isabella te surpreender. Isabella se ruborizou, pensando que era um lembrete de que devia manter sua ilegitimidade em segredo.

—Porque estás teu pai sempre enfadado contigo? —perguntou Edward quando Charlie se foi. Que aconteceu para criar essa separação entre vocês?

—Nunca fomos muito unidos — explicou Isabella, tonta e envergonhada pela pergunta, já que o vínculo de carinho entre Edward e sua família havia ficado patente no breve intercâmbio que havia visto.

Observando sua cabeça baixa e sua atitude evasiva, Edward se perguntou porque Charlie havia dito que Isabella poderia surpreendê-lo. Sua esposa se comportava como se fosse culpada e supôs que devia ter relação com o filho do pescador. O mais provável era do que essa relação tivesse criado o abismo existente entre pai e filha. Porque seguia sonhando com esse homem mais de dois anos depois?

Edward começava a duvidar de sua tolerância e de sua afã de proteção. Era uma Swan, e qualquer mulher que tivesse a audácia de desafiar a audácia de a Charlie, não podia ser uma mosca morta.

No entanto, durante a cerimônia nupcial Isabella se havia comportado como se fosse uma mártir cristã vendo como acendiam a pira.

Durante a festa teve vários discursos, seguidos pela apresentação de uma cantora famosa, e não tiveram oportunidade de conversar. Mas Isabella captou a frieza que emanava de Edward e, ainda sabia que isso era o mais conveniente, porque limitava sua interação ao mínimo, não pôde reprimir a inexplicável necessidade de arrumar as coisas.

—Não te agradeci pelo colar... e o urso —falou com inquietude.

—A gratidão não é necessária — exclamou Edward.

—Eu não te dei nada... não o pensei —admitiu Isabella, sem entender porque havia iniciado esse inútil dialogo.

—Mas agora eu tenho a ti, não? —replicou Edward com secura.

Quando Isabella levantou seus enormes olhos castanhos para ele,

Edward estremeceu ao perceber a ansiedade que tensionava seus rasgos. Com uma fincada de arrependimento, recordou que ela lhe havia dito que seria o que ele quisesse. Não estava acostumada às multidões e, graças à férrea custódia de seu pai, mal conhecia a ninguém. No entanto, todos os que estavam ali a haviam examinado de cima abaixo simplesmente por ser quem era: A herdeira de Swan, que quase ninguém havia visto nunca. Não era estranho que tivesse estado enferma de nervos na igreja, precisava apoio, não censura.

—Este é um dia muito especial. Desfrutemos — retificou Edward, tomando sua mão e acariciando os tensos dedos. Seus olhos se encontraram e Isabella ficou sem respiração. Mal ouviu suas palavras, só era consciente da calidez de sua enorme mão e do alívio que supunha que tivesse abandonado sua frieza.

Edward, ao ver como se dilatavam suas pupilas, suas bochechas recuperavam a cor e sua boca esboçava um sorriso trêmulo, se sentiu como um mago poderoso. Por fim o olhava como uma recém casada deveria olhar a seu esposo.

Quase imperceptivelmente ela se acercou e entreabriu os lábios; ele soltou sua mão e tirou suavemente de uma mecha de cabelo solto que tinha na bochecha para devolvê-la à realidade que os rodeava.

—Depois, yineka mou — prometeu com voz rouca.

Um segundo depois interveio Emmett, o padrinho. Agarrou a mão de Isabella e a obrigou a segui-lo à pista de baile. Ela ficou ali, olhando a Edward enquanto Emmett organizava aos convidados para que formassem dois círculos a seu redor. Emmett fez um aceno aos músicos para que tocassem o início do baile tradicional.

Todos os que estavam no circulo apoiaram um joelho no solo e começaram a dar palmadas. Isabella, ainda hipnotizada pelos olhos de Edward, era mais consciente do golpeio rápido de seu coração e de uma sensação de ligeireza borbulhante desconhecida para ela do que do baile.

Edward se levantou agilmente, dando palmadas ao ritmo da musica. Era tão forte que a Isabella quase lhe doía olhá-lo. De fato, cada vez que o olhava lhe agradava mais, e havia sido muito generoso com ela, tendo em conta como se havia comportado na igreja. Mas ele não podia saber porque estava tão calada e nervosa. Voltou a remoer a consciência e decidiu que o melhor era não fazer caso e limitar-se a observar a Edward.

Quando o último dos convidados completou o círculo obrigatório ao redor da noiva, Edward a tomou em seus braços para dançar. Kalliope despedaçou um prato contra o solo e animou a todos os da cabeceira a fazer o mesmo. Edward fez uma careta ao ouvir o estrepito. De resvalo, viu a sua refinada mãe fazer um esforço para seguir o exemplo de Kalliope e se pôs a rir. — Muito tradicional —disse.

Isabella escondeu a cara ardente em seu ombro, porque romper pratos era um desejo de boa sorte, felicidade e duração do casamento.

—Enquanto todos estavam ocupados... — Edward pôs uma mão por trás de sua nuca e lhe jogou a cabeça para trás.

—Sim? —Isabella enfrentou ao escrutínio de seus olhos verdes. Pôs-se tensa e deixou de ouvir os gritos e o ruído dos pratos ao romper-se, só escutava os batimentos de seu próprio coração.

—Quero beijar minha esposa... —informou Edward, afastando-a para trás de uma das colunas com um movimento fluído.

Isabella se deixou levar pela excitação inclusive antes de que a tocasse. Ele era todo poder e virilidade, e seus olhos destoavam de paixão. Instintivamente, arqueou as costas e jogou a cabeça para trás.

—...E minha esposa quer beijar-me — concluiu Edward com satisfação, reclamando seus lábios entreabertos com um ardor que a Isabella lhe tirou o alento.

Ao sentir sua língua no interior da boca, se apertou a ele e, trêmula, pregou os dedos em seus largos ombros. Todo seu corpo parecia arder. Lhe parecia que uma chama se havia acendido em seu ventre e deixou escapar um gemido afogado. Se abraçou a ele procurando um contato mais próximo com seu forte corpo. Subitamente, ele pôs uma mão em seus quadris e a pôs em contato

com sua potente ereção, enquanto seguia beijando-a e achatando sua cabeça contra a coluna. Ela se deixou levar por seus sentidos, jubilosa ao sentir sua força e masculinidade, o ardor explosivo com o que a correspondia.

Quando Edward se afastou dela exclamando uma maldição entre dentes, tinha os pômulos escuros e seus olhos só a olharam um instante. Isabella estava pálida, obviamente emocionada e seus enormes olhos se velaram, evitando os dele. Edward, furioso consigo mesmo, esteve a ponto de dar um murro frustrado à parede. Fincar a sua pequena e virginal esposa contra uma coluna e jogar-se sobre ela como se desejara tomá-la ali mesmo era uma grosseria imperdoável. Mas quando sua suave e apetitosa boca se tinha aberto correspondendo timidamente, se havia deixado levar pela paixão.

—Desculpe —disse pausadamente— Te fiz mal?

Isabella estava tão envergonhada de si mesma que não se atreveu a olhá-lo à cara. Negou com a cabeça, desejando que o solo se abrisse sob seus pés. Ele se tinha afastado dela, provavelmente surpreso por sua descarada maneira de incitá-lo num lugar público. Não era culpa dele. Os homens eram incapazes de resistir-se à tentação, por isso se supunha que as mulheres deviam manter o controle, pensou Isabella. A luxúria se havia apoderado dela e a havia vencido.

—Perdoa... —murmurou envergonhada, e escapou.

Edward, um homem que se apreciava de ser perfeito em seu trato com as mulheres, se rendeu a sua irritação e deu um murro na parede. Depois, flexionou os músculos doloridos e levantou a cabeça; seu pai estava a só uns passos.

—Sei que não deveria interferir... — Carlisle Christuolakis fez um expressivo gesto com as mãos. Edward apertou os dentes e pensou: "Pois não o faças" — Mas Isabella é uma jovenzinha tímida, não o tipo de mulher a que estás acostumado —seguiu com tom de reprovação. — Trate-a com respeito.

Isabella se dirigiu para a biblioteca, um de seus lugares favoritos, mas a porta estava aberta, então ao ouvir vozes lá dentro, deteve-se.

—Isabella é tão zonza... pobre Edward! —lamentou-se uma jovem voz feminina—Este casamento é uma tragédia. Aposto que meu irmão crê que não voltarás a apaixonar-se depois de Tânia, mas se aborrecerá com Isabella e terminará procurando uma amante.

—Conhecendo a teu irmão, provavelmente será mais de uma — riu a colega—Sabes que aqui há ao menos quatro mulheres que são ex amantes suas?

A primeira era Alice, a irmã pequena de Edward, e a segunda provavelmente uma amiga sua. Isabella recordou que sua tia perguntou a Edward pela menor. Tinha quinze anos e havia nascido quando ele e sua outra irmã já eram adolescentes. Edward havia sorrido e havia confessado que Alice era uma menina mimada e consentida por todos. Isabella se havia perguntado como seria sentir-se consentida.

Zonza? Isabella pensou que num dia no que se jogava tanto, tinha boas razões para manter sua aparência habitual. Mas essa noite, pela primeira vez, saía com roupas modernas e estava segura, que inclusive sua melhor amiga, se lhe tivessem permitido ter uma, não a reconheceria como Isabella Swan.

Quanto à descrição de Alice, Isabella pesou com cinismo que só os meninos diziam a verdade. Se ficasse com Edward, antes ou depois, inevitavelmente, ele buscaria conquistas mais excitantes e ela teria que ignorar sua infidelidade e agradecê-la a pouca atenção que lhe prestasse.

Enquanto o fora discreto, enquanto não se divorciasse dela, poucos criticariam que a traísse.

Conhecia as regras da sociedade na que vivia e seguia sendo um mundo básica-mente de crescido vendo a sua mãe simular que desconhecia as aventuras e escapadas de seu marido.

De repente, perguntou-se que lhe havia ocorrido durante a última hora. Recordou com horror sua debilidade e sua estupidez. Edward não tinha mais do que agarrar sua mão e ficava boba, brincou com suas palavras e olhando como se acabasse de baixar do céu para honrá-la com sua presença. Inclusive havia sido tão tonta como para se excitar sexualmente quando a havia achatado contra a coluna como se fosse uma vulgar mulherzinha. - Fustigou-se com a recordação dessa imagem.

Não posso evitar perguntar-se como haveria sido seu casamento se ele a amasse. Não podia livrar-se dessa idéia, ainda que lutava contra ela. Perguntou-se que sabia Edward Christoulakis sobre o amor? Afinal de contas, as mulheres sempre se haviam rendido a seus pés.

Tânia Denali havia sido um representante, sexy, provocante e coquete, que lhe havia ganhado em seu próprio jogo, até que ele acabou colocando um anel de compromisso no dedo. Mas, se Tânia tivesse sobrevivido, ele haveria casado com ela? Edward era um grego tradicional e no fundo desejava casar-se com uma virgem. Em poucas horas, também esperaria que sua esposa se tombasse alegremente na cama e se abrisse a ele, apesar de que mal o conhecia. Isso demonstrava tanta sensibilidade como uma parede de cimento.

Ainda que a festa duraria até altas horas da madrugada, Isabella subiu para mudar-se. Sua criada havia deixado um vestido verde e uma jaqueta sobre a cama, o traje básico eleito por Kalliope, e Isabella o pôs. Com o coração num punho, foi ao quarto e tirou a mala que havia no fundo de um dos dormitórios.

Quando saía do dormitório, deteve-se e olhou ao solitário urso abandonado sobre a cama. O presente de Edward. Segundo a etiqueta se chamava Edmund, assim que decidiu que tinha direito a voltar para casa com ela. Se mordeu o lábio, estudou o resto de sua coleção de ursos e, impulsivamente, correu para a cama e meteu a Edmund dentro da mala.

Edward viu sua esposa descer pela escada principal.

O vestido tinha um desenho do século anterior, mas o tom realçava sua delicada tez e nada podia ocultar a graça de sua esbelta figura. Todo seu corpo se tensionou de excitação e desejo, e isso o exasperou. Não sabia se era ela em si mesma ou o saber que era "sua", o que o afetava tanto. Mas por muito tempo nenhuma mulher conseguia excitá-lo assim. Estava desejando levá-la às compras em Paris.

Seus lábios se curvaram levemente. Já se imaginava o inocente prazer que lhe proporcionaria um montão de coisas que ele e todas as mulheres que havia conhecido davam por feitas. Deu um passo para diante para recebê-la, mas sua tia, seu pai e um ruidoso grupo de convidados a rodeou.

Vinte minutos depois subiam ao helicóptero que os levariam ao aeroporto. De repente, Isabella se voltou para Edward.

—Poderias dizer-lhe ao piloto que sobrevoasse a ilha?

—Claro, se é o que quer — assentiu ele surpreso. Havia visto o suficiente ao longo do dia para confirmar suas suspeitas de que Isabella, aos olhos de seu pai e sua tia, não recebia mas considerações que o pessoal doméstico, e havia suposto que deixaria a ilha sem voltar a vista atrás. Disse-se que era demasiado cínico, que era natural que se sentisse unida a sua família.

Enquanto o piloto sobrevoava Lexos, Isabella contemplou o que havia sido seu lar. Agora talvez não fosse sua prisão, podia rememorar as coisas agradáveis e tempos atrás que quase havia esquecido. Deixava ali tudo o que havia sido seu, e sabia que não voltaria a vê-lo. Seu pai nunca a perdoaria. Tendo a Edward como genro, ela não lhe fazia falta.

—Espero que te agrade minha casa de Paris — comentou Edward depois, quando iam subir em seu avião privado. — É...pouco usual.

—Uma vez vi um artigo sobre ela numa revista, — se Isabella não tivesse tido os nervos a flor de pele, haveria sorrido ao ouvir sua descrição. Na revista, Tânia Denali estava sentada num sofá que tinha forma de dois gigantescos lábios vermelhos. O papel da parede de atrás era roxo, a seus pés uma pele de animal e de ambos lados enormes candelabros dourados. Edward havia permitido que sua noiva convertesse uma elegante casa do Sc. XVII no equivalente de um luxuoso bordel de péssimo gosto.

—Sempre é tão calada? —perguntou Edward.

—Sinto muito... tenho sono —suspirou Isabella, simulando um bocejo.

Quando parecia ficar adormecida minutos depois, Edward teve que resistir o impulso de sacudi-la para que acordasse. Havia sido um dia muito longo para ela. As coisas só podiam ficar melhor, era impossível que piorassem. Quase havia esquecido o som de sua voz. Se estremecia ao menor contato com ele e seus belos olhos evadiam os seus. Possivelmente se ele merecesse, mas tinha a impressão de que a jovenzinha que o havia emocionado ao confessar que desejava casar-se com ele mas que nada no mundo, havia mudado de opinião. E

Edward, que nunca em seus trinta anos de vida havia tido que se esforçar para manter a atenção de uma mulher, não sabia como reagir a isso.

Edward, quando viu Bella baixar da limusine diante da casa tão tensa e pálida, temeu que um movimento súbito fizesse que se rompesse em pedaços como o cristal.

—Te encontras bem? —perguntou Edward, assombrado por seu desejo de ouvir que se encontrava fatal. Podia enfrentar-se a que estivesse enferma, isso o explicaria tudo.

—Muito bem... —gaguejou Isabella como uma colegial, agarrando sua mala com força. Edward a levantou em seus braços. Ela deixou escapar um grito, como se a tivessem atacado, e seus tensos olhos castanhos ao fim se encontraram com os dele.

—Que estás fazendo? —perguntou.

—Cruzar o umbral levando-te nos braços.

—Porque... porque faz isto? —gemeu Isabella, agarrando a mala. Edward viu que um laço de quadros sobressaia por debaixo da tampa. Era o lado de Edmund. De todos os ursos, havia eleito o que ele lhe havia presenteado.

Como precisado de apoio que se sentia, essa revelação iluminou seu rosto.

—É um costume inglês. Tua mãe era inglesa — murmurou Edward com gentileza.

A mera menção da Inglaterra fez que Isabella ficasse paralisada. Tanto sua mãe natural como a adotiva eram inglesas, mas Isabella só pôde pensar em que ela mesma planejava escapar para Londres essa mesma noite. Edward, intrigado, notou que mudava de cor e seus olhos se velavam. Colocou-a no amplo vestíbulo, em cujo centro havia uma magnífica mesa Art Decó, decorada com um precioso arranjo de lírios brancos.

—Creio que todo está disposto para que jantemos — Edward abriu a porta de um refeitório decorado seguindo o mesmo estilo. Ao pensar em comer, Isabella lhe revirou o estômago.

Tinha pouco mais de duas horas e meia para voltar ao aeroporto.

—Gostaria de refrescar-me — disse, incapaz de olhá-lo.

Edward a levou acima e lhe mostrou o dormitório principal. Decorado em verde e ouro velho, com móveis tradicional, reafirmava o estilo decorativo que Isabella havia visto até o momento. Compreendeu que havia voltado a decorar a casa depois da morte de Tânia.

—Te deixarei... —disse Edward mas sem prévio aviso.

Agarrou-lhe as mãos e fez que soltasse a mala.

— Olha-me... — ordenou.

Isabella olhou seus brilhantes olhos e tremeu. —Assim está melhor —disse ele, lhe soltou uma mão e afastou uma fina mecha de cabelo de sua frente com seus dedos longos e surpreendentemente suaves. A Isabella lhe tremeram as pernas. Inalou seu aroma masculino: especial e cálido, com um leve toque de loção oriental. Nesse momento soube que o desejava como nunca havia imaginado que desejaria a um homem. Queria Edward acima da razão, a sensatez e o instinto de sobrevivência. Seus mamilos se arrepiaram tão sensíveis que doíam e sentiu que se derretia em seu interior. Se envergonhou que tivesse tanto poder sobre ela.

Edward a beijou longa e lentamente, e para Isabella foi como um banquete de sensações doces e sensuais. A carícia de sua língua era excitante; o fato de que o resto de seus corpos não estivessem em contato só fez que almejasse sentir a dureza de seus músculos. Ouviu um gemido rouco no fundo de sua garganta, cada sutil movimento de seus lábios acrescentava seu desejo.

—Te vejo lá embaixo — disse Edward, liberando-a. Seus olhos ardentes percorreram seu rosto triangular e assustado com óbvia satisfação masculina.

Ela deu um passo para atrás e suas costas se encostou contra a parede. Não queria que se fosse. Queria que ficasse ali com ela. O assombro e o medo à pessoa desconhecida que começava a aflorar nela a tinham paralisado. Olhou cativada suas esculpidas feições; o jogo de luzes e sombras em seus incrédulos olhos e seus pômulos, a força e a dureza que emanava cada angulo de seu rosto.

Deixar de olhá-lo lhe custou um esforço quase doloroso. Frenética e febril, se recordou que se merecia algo melhor do que esse casamento. Se merecia mais do que ser parte de um frio trato de negócios. Se ficava, rendendo aos desejos de seu débil coração, se apaixonaria de Edward Christoulakis e perderia toda esperança de viver sua própria vida e encontrar a felicidade.

Para um homem tão sofisticado e intensamente sexual como Edward era uma presa fácil e ingênua, porque não havia tido experiências com nenhum outro homem. Seu leve namoro com Jacob não podia ter-se em conta. Supôs que em realidade o que lhe ocorria não era mais do que uma intoxicação de curiosidade física, unida a um excesso de hormônios. Não podia permitir-se esquecer que classe de homem era Edward. Um poderoso magnata grego ao que esse casamento conferia ainda mais poder.

Sua fama de implacável já havia impressionado a seu pai, e não o seria menos quanto a sua vida privada. Ela cedo deixaria de ser uma novidade; não tinha o necessário para reter um homem assim. Nem a beleza deslumbrante, nem a personalidade aventureira, nem sequer a experiência sexual para captar sua atenção muito tempo. Se ficava, Edward a destruiria como seu pai havia

destruído a sua mãe.

Isabella, recuperando a confiança em seu propósito, saiu da habitação para procurar a saída mais adequada. Depois de explorar as duas plantas superiores voltou ao dormitório desesperada.

Então descobriu que havia uma saída de incêndios que baixava desde a janela do banheiro a um jardim escuro. Passou o trinco e pôs a roupa que levava na valise. Sua transformação foi muito rápida, sabia que tinha pouco tempo antes de que Edward ou algum membro do pessoal fosse avisá-la para que baixasse ao jantar. Deixou a nota que havia escrito e, com o coração na boca, abriu a janela e, sem olhar para abaixo, começou a descida aterrorizada. Agarrou-se com as mãos úmidas à balaustrada e, rígida de medo, foi escalando. Quando chegou em terra firme, ainda lhe tremiam as pernas e se sentia enferma, obrigou-se a correr.

Edward estava a ponto de subir quando Mike, o gigantesco chefe da equipe de proteção de Isabella, apareceu no vestíbulo e correu a porta por adiante dele.

Charlie havia feito questão de que Bella precisava proteção às 24 horas do dia. A Edward lhe havia parecido que quatro guardas de segurança eram excessivos até que seu sogro admitiu que havia recebido ameaças recentemente. Consciente dos numerosos inimigos que tinha o ancião, Edward compreendeu que sua esposa podia estar em perigo. Enquanto estavam de lua de mel, Isabella seria muito mas acessível que seu pai, que estava na ilha.

—Onde vai? —inquiriu Edward, zangado porque o guarda-costas tivesse desobedecido sua ordem de permanecer invisível. Que podia acontecer a Isabella em sua casa, estando ele presente?

—Disparou o alarme de uma janela, lá em cima! —disse o homem, já falando pelo

Inter-comunicador com o resto de sua equipe.

Edward, com o rosto contraído, chegou acima em três tempos e correu ao dormitório, onde esperava encontrar Isabella dormindo sobre a cama. Quando viu a porta do banheiro fechada, chamou suavemente, indignado diante a invasão de sua vida privada. Esse homem poderia ter entrado ao dormitório enquanto Isabella se despia!

—Atirarei a porta abaixo — ofereceu Mike.

—Isabella? —ignorando ao guarda-costas, Edward chamou à porta uma segunda vez e depois, preocupado de que sua esposa se tivesse dormido na banheira, apoiou o ombro contra a porta e fez saltar a fechadura.

—Escapou-se — disse Mike olhando a janela aberta e a roupa atirada no solo.

—O que? —exclamou Edward.

—Estará no aeroporto. A traremos de volta — informou o homem, saindo.

Durante um minuto, Edward, incrédulo, percorreu o dormitório chamando Isabella. Negava-se a acreditar que tivesse desaparecido. Era impossível. Mas alguém podia ter subido pela escada de incêndio e tê-la raptado! Pressionado pelas imagens que o assaltavam, voltou ao banheiro do dormitório principal. Então viu a folha de papel que havia numa esquina, embaixo do espelho.

Pôde lê-la desde a porta:

"Eu sinto muito, mas não posso ficar, Isabella".

Não era uma nota de resgate, era uma nota de Isabella. Edward a olhou fixamente, tentando descobrir algo nessa frase que fizesse sentido. Em cinco segundos chegou ao vestíbulo.

Mike já saia pela porta.

—Que diabos ocorreu? —exigiu Edward.

—Confie em nós. O senhor Swan quer que o chame.

Ao ouvir essa sugestão, Edward tivesse feito um comentário curto e direto, mas não tinha tempo a perder. Sua esposa o havia abandonado... por que? Rememorou a imagem de sua cara pálida e assustada. Isabella havia sido um manojo de nervos todo o dia, era evidente que se encontrava pior do que o havia imaginado.

—O senhor Swan quer que levemos sua filha à ilha, onde possa cuidá-la —disse Mike, depois de pigarrear.

—Minha esposa é uma Christoulakis, eu vou cuidar dela! —gritou Edward, tenso de cólera.

Três minutos depois, Edward subia a seu carro esportivo. Disposto a chegar ao aeroporto antes que Mike e seus valentões, utilizou todos os atalhos que conhecia. Não era capaz de aceitar que Isabella tivesse feito algo tão indignante como abandoná-lo antes que se secasse a tinta de sua licença matrimonial. Ela tinha medo, mais de que? dele? Um riso rouco e incrédulo se inicio em sua garganta, mas se deteve ao recordar como havia escapado dele na recepção.

Ainda que acreditasse que as virgens aterrorizadas haviam desaparecido junto com as saias longas e os pianos de cauda, tinha que reconhecer que Isabella havia recebido uma educação muito estranha.

De repente compreendeu que Isabella podia ter escapado porque não era tão inexperiente como lhe haviam feito supor, e temia que o descobrisse. Remoendo o que sabia sobre o filho do pescador, Edward franziu o cenho. Compreendia que a explicação mais plausível era de que não era virgem.

Seus olhos se escureceram. Ainda que se sentia decepcionado, consternava-o que o assunto tivesse adquirido tal proporção na mente de Isabella para fazê-la escapar. Recordou a desagradável cena de Isabella encolhendo-se diante o punho de seu pai e supôs que o medo à reação de seu esposo podia ser a causa de sua fuga. Como podia saber que o não era como seu pai?

Apesar de ter chegado ao aeroporto e ter comprado seu bilhete com sucesso, Isabella se sentia achatada por uma sensação de tristeza e incerteza.

O vôo para Londres estava atrasado e, ainda que pudesse ter entrado à zona de embarque para esperar com mais segurança, ainda não havia sido capaz de dar esse passo. Sempre havia suposto que os aeroportos eram lugares anônimos e a intimidava a forma em que as pessoas a olhava.

Talvez tivesse um aspecto estranho, talvez notassem que estava nervosa e triste e se perguntavam que havia acontecido. Disse-se que não tinha importância, que cedo estaria na Inglaterra, bem mais certa de encontrar a sua irmã, Misty. Por desgraça, essa reflexão não lhe provocava o consolo que esperava.

Se perguntou que ia pensar Edward dela. Isso era o único que na realidade a preocupava. Já haveria notado seu desaparecimento, e não o entenderia. Pensaria que estava louca e talvez lhe doesse sua fuga. Sem dúvida alguma, se sentiria ferido em seu amor próprio Amaldiçoaria o dia em que a havia conhecido, porque não se merecia em absoluto a vergonha que seu desaparecimento causaria à família Christoulakis.

Edward cruzou o aeroporto com decisão e foi conferir os horários. Havia um vôo a Grécia em duas horas. Mas não creia que Isabella fora a voltar a encontrar-se com seu irado pai. Refletiu sobre outro possível destino. Recordou seu incômodo quando mencionou que sua mãe havia sido inglesa.

Tinha que ser Inglaterra, seguramente tinha família ali. O vôo a Londres teria que ter saído uma hora antes, mas tinha atrasado. Respirou com mais tranqüilidade.

Viu ao urso Edmund antes de reconhecer a sua esposa. De costas a ele, uma jovenzinha com pinta de adolescente olhava uma vitrine com um urso, que parecia o dobro de Edmund, embaixo do braço. Edward ficou quieto, fincando os olhos na gloriosa cabeleira castanha platinada que lhe caia até a cintura.

Isabella? Não podia ser.

Usava uma mini saia de couro, tão pequena que deveriam prendê-la. Para não mencionar a camiseta rosa que deixava descoberto seu umbigo, nem os absurdos sapatos de saltos cravejados de pedras brilhantes.

Isabella? Edward, atônito e incrédulo, deu-se conta de que não havia um só homem no aeroporto que não a olhasse. Viu-a ir para um posto de revistas e sua forma de andar, fluída e puramente sensual, o convenceu. Viu seu rosto e soltou uma exclamação. O perfeito rosto de madona, realçado pela maquiagem, era espetacular. Edward sentiu uma punhalada de fúria. Sua esposa sacou um punhado de bilhetes estrangeiros para pagar uma simples revista. O atendente do quiosque estava tão encantado com a princesa de conto diante de si começou a lhe explicar o valor de cada bilhete.

"Uma jovenzinha tímida", havia dito Carlisle...

Isabella meteu todos os bilhetes numa bolsa pequena e levantou a vista. Quando viu a Edward, seu rosto se transformou com uma expressão incrédula, não se imaginava como havia podido encontrá-la. Estava só a uns metros, alto e forte, com o rosto fechado.

Inclusive antes de encontrar-se com seus olhos verdes, perdeu a coragem.

—Que... que faz aqui? —se ouviu perguntar.

—É minha esposa — exclamou Edward com voz brusca e pouco firme. Essas três palavras fizeram que Isabella se enfrentasse à realidade que havia tentado por todos os meios não assumir. Pela primeira vez, o subconsciente de Isabella deixou aflorar a compreensão do que havia feito: se havia casado com ele.

Sua consciência lhe disse que, de fato, era muito pior. Se havia esforçado para convencer a Edward de que almejava ser sua esposa. Havia respondido a sua sinceridade com enganos e a sua honradez com mentiras e evasivas. Isabella, que sempre se havia orgulhado de seus valores morais, baixou destroçada ao analisar seu comportamento.

—Não sei o que dizer...

Edward tinha muito que dizer, mas suficiente autocontrole para compreender que um aeroporto cheio de gente não era o melhor lugar para fazê-lo. Não tinha nem idéia do que sentia, a cólera dominava tudo o demais.

—Explica-te e depois decidirei que vou fazer — disse, agarrando sua boneca com força.

— Edward... eu...

—Nem uma palavra mais até do que estejamos a sós — replicou Edward com tom explosivo.

Percebeu a luxuriosa olhada que um executivo lhe dedicava ao corpo meio nu de sua esposa e o olhou com olhos gélidos. Sobrepondo-se ao impulso de tirar sua jaqueta e cobrir a Isabella, a guiou até a loja de roupas mais próxima.

Isabella, imóvel como um ícone, esperou enquanto Edward escolhia um casaco e o atirava sobre o balcão junto com um cartão de crédito. Perguntou-se que diabos e por que lhe estava permitindo que assumisse o controle. Sabia que era seu marido e que se merecia mais consideração da que lhe tinha demonstrado até o momento. Seu sentimento de culpa estava convertendo-se numa estranha sensação de alívio e aceitação.

Edward tirou a etiqueta e lhe entregou o casaco.

Envergonhada pela descarada curiosidade do empregado, Isabella meteu as mãos nas mangas.

Era demasiado longo e quase lhe chegava até os tornozelos. Mas Edward se inclinou e o abotoou até abaixo.

—Por que...? —falou ela totalmente assombrada.

—Enquanto levares meu nome não te exibirás em público vestida como uma qualquer! — declarou Edward em grego.

A vadia suspeitava de que sua reação estava sendo exagerada, se agarrou com a fera satisfação que obteve ao ocultar cada uma de suas esbeltas curvas aos olhos de outros homens.

Isabella se pôs vermelha como a rosa. Uma qualquer? Como se atrevia? Ela vestia à ultima moda, e ele só pretendia ser cruel. Mostrava a mesma fúria irracional que haveria mostrado seu pai se a tivesse visto assim vestida.

Descobriu que não era capaz de pensar em nada durante mais de dez segundos. O impacto de admitir finalmente que Edward Christoulakis era seu esposo parecia ter paralisado seus neurônios.

Edward decidiu que a levaria a um hotel próximo para falar. Fosse o que fosse que ocorresse, ou o que ela confessasse, não perderia o controle. Mas sua mente já percebia possibilidades que o enfureciam ainda mais. Se perguntou se havia sido um estúpido e se ela seguia apaixonada do filho do pescador. Que outra coisa podia pensar depois de encontrá-la no aeroporto vestida para matar, e sem parecer-se em nada à jovenzinha tímida e modesta com a que se havia casado? Quase havia escapado para encontrar-se com esse asqueroso Jacob em algum lugar. Proponho-se a possibilidade de que para ela, o casamento não tivesse sido mais do que um meio para escapar de um pai dominante que lhe impediu unir-se a um homem ao que desaprovava.