CAPITULO 5

Quinze minutos depois, Isabella se encontrava no centro de uma luxuosa suíte de hotel, com Edmund sob um braço e a mala e sua bolsa na outra.

—Só quero a verdade — disse Edward, esforçando-se por utilizar um tom de voz normal, ainda que estava rígido de tensão.

Isabella o observava com o coração acelerado, fixando-se nas tensas rugas que ensombreciam seu rosto e sentindo-se muito culpada. A consciência a martirizava. Como podia contar-lhe a terrível verdade? Se se inteirasse da egoísta e falsa que havia sido, nunca a perdoaria. A desprezaria por devolver-lhe sua integridade e confiança com um montão de mentiras e enganos. Então, quando levantou a cabeça e se encontrou de novo com seus abrasadores olhos verdes, compreendeu que não podia suportar a idéia de que Edward a recusasse. Essa revelação a incomodou.

—Por que não tira o casaco? —disse Edward, rompendo o silêncio.

—Eu...

—Sou teu marido — ronronou Edward, acercando-se. Tirou-lhe o urso e as bolsas e as deixou a um lado. —Se não tivestes um ataque de modéstia em público, por que ia envergonhar exibir-te para mim?

Isabella ficou paralisada enquanto ele desabotoava os botões. Sua mente se havia bloqueado ao compreender que seu maior medo era do que Edward se marchasse. O que Edward se tivesse convertido em algo mais importante do que a busca de sua irmã e sua própria liberdade a havia deixado surpresa e atordoada.

—Disseste que parecia uma qualquer...

—Fui muito amável — Edward lhe tirou o casaco e deu um passo atrás para olhá-la de cima abaixo.

Ao descobrir, que quando Edward a olhava dessa maneira, se sentia meio nua e muito vulnerável, Isabella se pôs ainda mais tensa. Quando seu insolente olho se deteve em seu peito, lhe incharam os mamilos e o coração disparou. Olhou para seu umbigo e para apertada mini saia que acentuava esbeltez de suas pernas. Voltou a olhar seu esquisito rosto, sentindo que seu corpo se tensionava e tava com um súbito desejo sexual.

Incomodada com esse íntimo analise de seu corpo, Isabella se sentiu como uma escrava num leilão. Custava-lhe respirar e o coração estava a ponto de saltar do peito. Mas era incapaz de afastar suas pupilas dilatadas dele e de controlar o calor que a invadia, subindo desde sua pélvis.

—O silêncio não encaixa com esse modelito — disse Edward com voz candorosa—Assim que, supondo que não ias a procura de um ilícito encontro sexual com um desconhecido em nossa noite de núpcias... - Onde ia e por que?

—Não sei... —Isabella estava sem palavras, pois havia compreendido que a verdade era imperdoável.

—Não sabe? —repetiu Edward, andando pela casa como um leão pronto para atacar. Jogou a cabeça para atrás e a olhou com olhos duros como o granito. —Que classe de resposta é essa? —Esta manhã nos casamos... esta tarde tu escapas por uma saída de incêndios, vestida como uma prostituta e corres ao aeroporto? Ou precisas de terapia urgentemente, ou deves ter uma boa razão para ter feito isso.

—Ia para Londres...

Edward ficou sorvente ao ouvir a confirmação de suas suspeitas, maravilhado enquanto lhe custava aceitar o fato. Apertou a mandíbula.

—Como sabia que Mike estaria no aeroporto? —exigiu.

—Mike está aqui... em Paris? —Isabella o olhou trêmula. Edward a viu empalidecer. Estava claro que o nome lhe provocava pânico, mas lhe enfureceu ainda mais do que isso lhe preocupasse.

—Pensei que estávamos sós aqui! Isabella soltou uma risada débil, e se lhe revirou o estômago ao imaginar o trato que haveria recebido se os guarda-costas de seu pai a tivessem encontrado antes.

—Antes disse que era minha esposa, mas uma mulher que se marcha uma hora depois de ter feito seus votos matrimoniais não é esposa minha — declarou Edward. —No entanto, tenho direito de saber com quem pensava encontrar-te!

—Encontrar-me? —Isabella o olhou cegamente, tentando enfrentar-se a sua primeira afirmação. Por suposto que o não queria uma esposa assim, nenhum homem a queria. Uma mulher sem lealdade, decência ou honradez. Era compreensível; soube que havia queimado suas naves. A invadiu uma terrível sensação de vazio. Tentava consolar-se pensando que seguia sendo livre. Já não era tão ingênua como quando tinha dezoito anos e sabia que os guarda-costas não podiam obrigá-la a ir com eles e estava disposta a fazer um escândalo público que chegasse aos jornais, mas isso não a consolou.

—A verdade! —gritou Edward com frustração. —Quero a verdade. Quem te espera em Londres?

—Ninguém... ninguém sabe que ia ali —falou Isabella, sem entender o fio da conversa.

—Nem sequer Jacob...? —apontou Edward com uma voz profunda e irada, tingida de ameaça.

—Jacob? —repetiu Isabella confusa. —Por que ia encontrar-me com Jacob depois de tanto tempo? Nem sequer sei onde vive.

O silêncio ficou no ar, como um frágil cristal a ponto de cair ao solo. Edward, inflamado pelas suspeitas, estudou seu rosto. Já não confiava nela. Não a havia crido capaz de fazer o que havia feito. Cada vez que via seu rosto provocante, se acendia mais. "Pode Isabella te surpreender", havia dito Charlie com ironia. E o havia feito. Mas Edward não pensava permitir que nenhuma mulher se burlasse dele.

—Se não há outro homem, por que ia a Londres? —insistiu Edward, pensando que parecia uma boneca de carne e osso: cabelo fabuloso, rosto perfeito, delicadas mas sensuais curvas e pernas esbeltas. Era o sonho de qualquer homem, incluída a inocente mirada de seus enormes olhos castanhos.

Mas uma esposa que fugia antes da noite de casamentos, não era seu sonho.

—Claro que não há outro homem! —Isabella a assombrou que pudesse suspeitar isso dela, mas atônita ao pensar que ela havia pensado em encontrar um noivo que beijasse como ele. Como se os homens fossem intercambiar, como se seu casamento e seu voto de fidelidade não significassem nada para ela. Demasiado tarde, Isabella começava a descobrir que não era tão convencional nem tão resolvida como havia crido; ao menos não quanto a dizer adeus para sempre a Edward Christoulakis.

—Não há mais do que dizer — Edward com o rosto tenso e severo, pregou seus olhos verdes nela. Estava disposto a admitir que não havia um terceiro, mas não podia deixar de analisar o que havia fato. —Estava claro que te arrependeste do casamento inclusive antes de chegar à igreja. Nos haveríamos poupado muita vergonha e complicações se tivesse tido o valor de admiti-lo.

Os olhos de Isabella se encheram de amargas lágrimas de arrependimento, e engoliu saliva. Tinha sido tão egoísta, estava tão empenhada em proteger-se e em pensar o pior dele, que se tinha enganado até o ultimo momento. Não tinha entrado à zona de embarque porque teria sido muito difícil sacá-la de ali sem montar um escândalo. Tinha-se dedicado a passear, nervosa e indecisa, lutando e negando-se a admitir que não queria Edward. Se havia comportado como uma menina estúpida e agora estava recebendo seu merecido, porque ele não era um menino, era um adulto.

—Creio que queria ser livre... —explicou Isabella baixinho. —Nunca fui livre. Até esta noite, quando saía de casa, não tinha estado só em minha vida —piscou com tristeza.

Edward tenso, contemplava em silêncio seus preciosos olhos castanhos.

—Pensei o pior de ti... tive um ataque de pânico —confessou Isabella sem alento. —Mas não pensei bem no que fazia.

Nesse momento, Edward estava bastante longe de pensar, mas a palavra "pânico" encaixava perfeitamente com sua anterior suspeita de que sua esposa havia escapado porque era mais delicada do que ele havia suspeitado. Sua ira começou a dissolver-se e sua atenção se concentrou nessa boca, úmida e sensual, enquanto tentava convencer-se de que não se deixaria enganar por uma mulher de olhos como chocolates que lhe falava com voz suave e persuasiva.

—Crês que poderias... dar-me outra oportunidade? —sussurrou Isabella, envergonhada de ter que suplicar, mas sabendo que não tinha outra opção. Ele era grego e tinha ferido seu orgulho. Se se marchava, nunca voltaria.

Edward pensou que talvez poderia fazê-lo se contratasse a outros dez guardas de segurança.

Ela era um monte de nervos, isso era induvidável. Uma mulher que tinha que baixar por uma escada de incêndios e chegar ao aeroporto antes de compreender que queria seguir casada com ele... Era sensível, frágil e havia que a tratar com cuidado. Teria que lhe dizer que não seria má cria deixar de passear com Edmund em público. Para não falar do perigo que suporia esses surpreendentes sapatos com incrustações , muito se temia, diamantes autênticos e sacar somas astronômicas de dinheiro num quiosque de impressa.

—Edward...?

—Pensarei — falou Edward com superioridade. O rosto de Isabella brilhou ao ouvir sua resposta. —É mais do que você merece, yineka mou —continuo Edward, olhando com olhos desafiantes. — Ainda tem que amadurecer muito. Tens que me convencer para que o reconsidere.

Ela apertou os dentes e seus olhos lacrimaram um instante, indignada por sua resposta, mas mordeu a língua. Não podia entender seu desejo de brigar com ele; ela nunca brigava. Suas batalhas sempre haviam sido, por necessidade, muito mais silenciosas.

—Não me agrada o silêncio... não me agrada o mal humor — Edward estendeu as mãos. — Venha aqui...

A Isabella também não lhe agradou isso. De fato, o que mais odiava era que lhe dessem ordens, mas quando Edward a olhou com esses olhos verdes e expectantes, seu orgulho se diluiu no esquecimento. Ainda não entendia como havia conseguido roubar-lhe o alma e deixa com a sensação de que nenhum homem poderia substituí-lo. Odiava-se por pensar assim, mas seus pés se moveram a seu pesar, e voltou a sentir-se impotente contra a onda de desejo que a recorria de cima abaixo.

—Como é natural... quero fazer amor com você —confessou Edward com voz grave. —Se não quer isso, diga agora, porque não posso viver com um mulher que se acovarde ante mim.

—Não vou me acovardar! —Isabella falou.

—Também não preciso de uma esposa virgem — Edward lhe dedicou um sorriso capaz de desfalecê-la. —Pode ser que me tenha agradado a experiência uma vez, que homem diria o contrário? Mas posso viver sem isso sem pensar de ti pior do que de mim mesmo. O casamento dura bem mais do que a noite de núpcias, yineka mou.

Isabella não podia acreditar que estivesse sugerindo a sério que ela havia tido outros amantes.

Mas era demasiada cautelosa para aclará-lo, por se acabava caindo numa armadilha verbal das que eram tão usuais em seu pai. Em qualquer caso, estava consciente do calor de seu próprio corpo, demasiado certa de Edward, como para pensar em outra coisa. Ele sorriu e ela pensou que seus ossos se derretiam como o gelo.

—A primeira vez que te vi... a primeira para valer, vieste a meu dormitório para mudar o lençol —disse Edward, tomando-a entre seus braços e mirando-a com apreço. Fiquei louco de desejo. Parecia tão saudável que era a tentação em pessoa. Imagine-me sacando-te desse relatório vestido escuro que confundi com um uniforme e jogando-te sobre a cama.

—Não... mal me olhaste... disse Isabella, com as bochechas ardentes e os olhos muito abertos, olhava-o incrédula.

—Estava demasiado ocupada tentando que a cama ficasse perfeita para dar-te conta. —Que fazia uma Swan mudando as lençóis? — Swan se inclinou e a tomou nos braços pela segunda vez no dia.

—Não sei — Isabella, com os nervos a ponto de estourar, começou a falar a toda velocidade. — Deveria ter chamado às serventes, mas não o fiz. Sabia que não te tinha dado conta de quem era...

—Me dei conta quando vi tua fotografia e me enfadei muito contigo, mas também me intrigaste — Edward inclinou a cabeça e bordeou a curva de seu lábio inferior com a ponta da língua.

Ela ficou sem alento.

DEIXOU-A sobre a cama, inclinou-se para tirar-lhe um sapato e se encontrou com ele na mão enquanto Isabella retrocedia para o banheiro.

—Espero que me entenda se te peço que não feche o trinco, pule da janela ou procure uma escada de incêndios —enumerou Edward, e não o dizia em brincadeira. Estudou as pedras que decoravam o salto do sapato e que destacavam à luz da lâmpada— Quem te deu estes sapatos?

— Eric — disse ela e seu rosto se ensombreceu ao falar de seu irmão.

—São diamantes? —inquiriu Edward.

—Provavelmente — Isabella se encolheu de ombros, com a indiferença de uma Swan cuja riqueza era tal que não se preocupava com essas coisas.

—É perigoso exibir esse tipo de riquezas em público. Também é de mau gosto — disse Edward exasperado.

—És um esnobe, tal e como disse papai — Isabella tirou o outro sapato e entrou no banheiro.

—Isabella...? — Edward deixou o sapato no solo, sentindo-se como um homem que tentasse alcançar mercúrio com os dedos.

—Desprezas-nos porque meus avôs não eram gente rica e importante. Se quero pôr-me sapatos de mau gosto, eu os ponho! —gritou ela dentro do banheiro. Edward recordou as palavras de seu pai, "Pode Bella te surpreender" e conteve um rosnado.

Isabella, com os olhos cheios de lágrimas, estudou-se no espelho. Se considerava a sua família adotiva vulgar e de mau gosto, o horrorizaria conhecer seus verdadeiros antecedentes.

Uma mãe que se havia ficado gestante de Isabella e de sua gêmea enquanto mantinha uma aventura, um pai que era um político vindo nada menos devido a sua própria corrupção, uma irmã que se relacionava com estrelas do pop e magnatas sicilianos... Perguntou-se se seguir casada com Edward implicava esquecer a busca de sua irmã.

—Isabella...?

—Não deveria ter gritado — Isabella apareceu no umbral. Ainda que nesse momento parecia uma miniatura da rainha do gelo, Edward teve que admitir que sua esposa era uma beleza. — Quer que eu tire a roupa agora? —perguntou friamente, tentando dar a impressão de que sua oferta não a incomodava.

Edward entreabriu os lábios mas, mas se tragou a vontade de soltar uma gargalhada.

—Não, certamente que não, creio que será melhor nós irmos à cama e atuemos como se fossemos casados há quarenta anos e já encerramos essas coisas.

Isabella o olhou claramente confusa, se ruborizou e com um gemido, voltou ao banheiro. A Edward não lhe surpreendeu ouvir quando fechava o trinco.

Desejou fechar as janelas. Era tão assustada como um gatinho. Era culpa dele ou dela?

Pergunto-se por que tudo era tão complicado e como ia conseguir que saísse do banheiro.

Sentindo-se recusada e doida, Isabella se preparou um banho, para fazer algo. As lágrimas molhavam seu rosto. Não sabia por que se havia acreditado nessa asneira de que o havia atraído no momento em que a viu; se era assim, por que não havia feito algo a respeito? Os homens não diziam essas coisas a sério. Devia considerá-la uma tonta para crer nessa história. Louco de desejo? Nem sequer havia falado com ela naquela noite, exceto para dizer-lhe que se negava a dormir em lençóis de cetim!

Havia sido um grande erro oferecer-se a ele para demonstrar-lhe que não se acovardava Pergunto-se quem tinha a culpa de que se sentisse tão nervosa. ela mesma por aceitar uma noite de casamentos diferente do que havia contado? Ou ele por empenhar-se em pegá-la nos braços como se fosse uma boneca? Não tinha nenhum direito de supor que não era virgem; isso era um terrível insulto à honra de sua família. Era ele que dormia por aí... não ela.

Para desgraça, essa reflexão só conseguiu acrescentar a desolação de Isabella. Era seu marido e não sabia o que fazer com ele, nem sequer sabia o que pensar. Não podia estar apaixonando-se de um homem que havia tido que conter o riso quando lhe ofereceu tirar-se a roupa.

Envolvida numa toalha gigante, Isabella destravou o ferrolho e abriu a porta lentamente. O dormitório estava vazio. Sentiu pânico. Perguntou-se se

Edward desistiu, se havia saído deixando–a ali. Cruzou o quarto correndo para olhar na sala.

Edward, que acabava de realizar todos os telefonemas pertinentes, deixou o aparelho e sorriu. O alívio de Isabella foi tal que lhe dobraram os joelhos. Apoiou-se na porta para recuperar o equilíbrio.

—Eu... vou para à cama —anunciou ruborizando-se e com voz entrecortada.

—Boa idéia — aceitou Edward, mostrando uma careta irônica.

Pela primeira vez, esse belo rosto havia desvendado claramente seu pensamento. Sua esposa podia não parecer grega, mas pensava como se o fosse. Quanto havia notado sua ausência, havia suspeitado de uma vingança. Não confiava nele o mais mínimo. Franziu o cenho ao dar-se conta de que provavelmente nunca havia confiado num homem.

Isabella tirou a toalha e se meteu na cama, encolhendo-se para não tremer. Diziam-se que a prática fazia o maestro, ele devia ser muito bom. Beijava muito bem, mas havia muitas mais coisas do que beijar. Supôs que teria que simular que lhe agradava, ainda que não fosse assim. Perguntou-se se ele notaria a diferença.

Inquieta, conferiu o relógio. Haviam passado dez minutos. Não parecia que tivesse muita pressa. Apertou os lábios com força.

Por maior que fosse não era mais do que um porco desconsiderado e insensível. Devia ter-se negado desde o princípio. Fosse ou não sua noite de casamento, deveria ter-lhe dito que era medieval pretender que dormisse com ele tão cedo. Supôs que muitas mulheres haviam dormido com ele em seu primeiro encontro e desejou ter tido a oportunidade de ter saído com ele antes. Lhe haveria feito esperar mais de seis meses!

Edward entrou no dormitório. Se sentia satisfeito da decisão que havia tomado. Acabava de compreender que quisera controlar-se um pouco no dormitório poderia dar-lhe bons dividendos quanto à confiança e apreço que sua esposa se referia. Seu pai havia tido razão numa coisa; Edward não estava acostumado a que as mulheres corressem em direção oposta. De fato, todavia não havia conseguido assimilá-lo. Mais ainda, lhe estranhava que, sofrendo de vertigem, tivesse-se atrevido a descer pela escada de incêndios.

Isabella se estremeceu de apreensão ao ver o atrativo e sério rosto de Edward. Seus olhos se cruzaram e o coração disparou.

—Vim desejar-te boa noite — disse Edward.

—Como? —gaguejou ela.

—Dormirei no outro quarto. É muito tarde e deve estar esgotada — declarou ele, com voz clara como cristal.

—Mas... mas é nossa noite de núpcias... —Isabella agarrando o lençol com firmeza e o olhou com olhos enormes e desconcertados.

—Temos o resto da vida para estar juntos — fez um expressivo gesto com a mão. — Compartilhar a cama é só uma pequena parte do casamento...

Uma pequena parte?

Era sua noite de núpcias e nem sequer ia molestar-se em fazer-lhe amor! Essa indiferença de um homem com sua reputação, foi para Isabella como uma bofetada. Totalmente humilhada, mas se deixou cair sobre o travesseiro, cerrou os olhos com força e tragou uma baforada de ar. Não a desejava. Nem sequer pensava compartilhar o dormitório com ela.

—Estou disposto a esperar — concluiu Edward.

—Pelo que me diz respeito, pode esperar eternamente! — exclamou Isabella sentando-se inesperadamente na cama. Acabava de enterrar qualquer esperança de ser uma mulher atraente. — Não me insultaram assim em toda minha vida!

—Insultado? Como te insultei? —exigiu Edward, aumentando o volume de sua voz. Isabella, cega pelas lágrimas, engoliu saliva para poder falar.

—Primeiro me acusa de vestir-me como uma prostituta. Depois me acusa de não ser virgem e finalmente...

—Talvez não devesse ter descido por essa escada de incêndios — interrompeu Edward com tom letal.

—E, finalmente —seguiu Isabella com um soluço, —me diz que nem sequer me deseja!

—Que estupidez é essa? —Essa é a recompensa que recebo por tentar ser considerado e generoso! —exclamou Edward, deixando-se levar pela ira ao ver como lhe jogavam à cara o que ele considerava um enorme sacrifício. —Se tivesse seguido meus instintos, haveria atirado abaixo a porta do banheiro, te haveria tirado da banheira, e te haveria achatado sobre essa cama há mais de uma hora.

Isabella o olhou desconcertada. Compreendendo, algo tarde, que essa confissão não ia incrementar a confiança de sua esposa, Edward passou os dedos pelo cabelo com desespero.

—Mas isso só foi uma fantasia passageira, provocada pela frustração, obviamente não haveria feito algo assim.

Isabella processou a nova informação e ficou boquiaberta.

Considerado e generoso? Essas não eram palavras ou virtudes que tivesse associado nunca com os homens. Os homens sempre se punham por diante. Inclusive o irmão ao que havia adorado, que tão bom tinha sido com ela, nunca se havia sacrificado por ela. Quando compreendeu, por fim, que Edward se havia oferecido a dormir em outro lugar porque acreditava que era o que ela desejava, ainda que não era o que ele queria.

Nesse instante, sua auto-estima se multiplicou por cem. De fato, subiu tão alto que em sua imaginação um par de asas e um halo não tivessem desentoando.

—Claro que quero que fique — Isabella lhe ofereceu um sorriso que cresceu e cresceu até iluminar toda seu rosto. —É meu marido — lhe recordou.

Atraído por esse glorioso sorriso, Edward a olhou com olhos resplandecentes e, sem pensar, pôs-se de joelhos sobre a cama, inclinando-se para ela.

Suas bocas se uniram inesperadamente, num ataque de paixão, ele tomou seu rosto entre as mãos, com os olhos ardentes de desejo, tomou ar e voltou à sua boca. Capturou seus lábios uma e outra vez, sensualmente e com tanta intensidade que ela tremeu entre seus braços. Isabella entrelaçou as mãos atrás de sua nuca e embaraçou os dedos em seu cabelo bronze, atraindo-o para si. Se sentia como se um fogo ardesse em cada uma de seus células, e cada carícia de sua língua, acrescentava as chamas. Deixou escapar um gemido quando ele a jogou contra o travesseiro, apertando-a com seu peso. Arqueou as costas, consciente só do doloroso bater de seus mamilos e da necessidade de apoiar seu peito sobre a tecido de sua jaqueta.

—Estou com muita roupa - grunhiu Edward, afastando-se dela para tirar a jaqueta, mas ficando-se ensimesmado com a visão de seus pequenos e perfeitamente formados seios, coroados por delicados botões de cor rosada.

Nesse momento, Isabella se deu conta de que o lençol que os separava tinham deslizado para baixo, ruborizada, tentou pegá-lo, mas Edward o segurou com a perna.

—Não...! é perfeita - ofegou Edward, com os olhos fincados em seus peitos, e inclinou a cabeça para lamber uma dessas pérolas rosadas. Ela deixou escapar um longo gemido, e a excitação a atravessou como um punhal. Levantou os olhos e, ao ver seu olhar ardente sentiu que estourava em chamas. Todo seu corpo estava inquieto e quente, desejoso por mais. Sentia-se incapaz de afastar-se nem um milímetro dele, e a intensidade de sua reação a aterrorizou.

—Irei devagar, ágape mou - jurou ele, sensualmente, acariciando a frágil curva de sua mandíbula. Farei com que goste.

Com um salto ágil, Edward se levantou e começou a despir-se. Isabella observou como se desabotoava a camisa, deixando à vista um torso um pouco musculoso e branco, salpicado de pelos.

Tirou ele as calças e as deixou cair ao solo. Ela o olhou fascinada. Desde os ombros até suas poderosos, longas e fortes coxas, tudo nele era ângulo e músculo, espetacularmente varonil. A cueca caíra ao solo.

Ele fez uma careta travessa ao notar seu olhar consternada e o rubor que tingia suas bochechas.

Agora não pode ter dúvida de que te desejo – exclamou Edward, jogando-se na cama e acariciando-lhe o rosto com sua mão, antes de deslizar a língua entre seus lábios entreabertos.

—Sim - Isabella jogou a cabeça para trás com um suspiro quando ele passou a palma da mão por seus mamilos.

—Tens essa zona muito sensível, yineka mou – grunhiu com satisfação e acariciou seus seios inchados e continuou o tormento provocando-a com sua boca ardente.

Isabella estremeceu e gemeu em voz alta, acercando-se mais a ele e, finalmente, atirando de sua cabeça para fazer que esses lábios voltassem a sua boca. Se lhe ia a cabeça com a força de sua explosiva resposta. Cada carícia de sua língua fazia que a tensão e o anseio que sentia entre as pernas se fizesse mais e mais excitante.

—Deixa que te dê prazer - pediu Edward com voz rouca, deslizando a mão por sua esbelta coxa, percorrendo os suaves e castanhos cachos até chegar ao centro, úmido e ardente de seu ser.

—Oh... - sem prévio aviso, Isabella perdeu o último vislumbre de controle. Girou os quadris e apertou as mãos, incapaz de suportar a excitação que crescia irreparável, gemendo e torcendo se febrilmente, para tentar satisfazer a dor que a torturava.

Ele se colocou sobre ela, fincando os olhos verdes em sua cara arrebatada de paixão. Enquanto alçava suas coxas lhe deu um suave beijo na boca.

—Serei cuidadoso... não quero fazer-te dano - sussurrou.

Ela ficou imóvel ao notar o calor e a pressão que centímetro a centímetro, penetrava-a.

Depois ficou tensa de apreensão, mas a assombrava o prazer que resultava essa invasão, Sentiu uma apunhalada de dor e deixou escapar um gemido afogado, mas ele se introduziu profundamente nela e a excitação voltou a dominá-la, como uma descarga elétrica. Deixou-se levar, rendendo-se a esse prazer profundo e escuro, até que ele a conduziu a uma ponto incrível que só dominavam as sensações. Sentiu um doce êxtase que, um segundo depois, converteu-se numa cascata de prazer que explodiu em mil gotas.

Quando ele estremeceu sobre ela, Isabella sentiu um instante de ternura e o abraçou com força, com os olhos úmidos de surpresa e felicidade.

—Foi extraordinário... - Edward levantou a cabeça, olhou-a com olhos verdes como esmeraldas e percebeu as profundas olheiras que delatavam seu cansaço. Com um sorriso resplandecente, acomodou-a entre seus braços e a beijou na testa. —Dorme, ágape mou. Quase está amanhecendo.

Mas foi ele quem dormiu enquanto ela o observava, fascinada com a desconhecida sensação de júbilo que a consumia. Edward dormia descontraído, com o lençol sobre os quadris, e ocupava muita mais parte da cama da que lhe correspondia. Soube que estava apaixonada e que não tinha modo de evitá-lo.

A liberdade que almejava tinha sido superada por um anseio infinitamente maior de estar junto a ele.

O único que se exigia era ter fé e estar disposta a crê que Edward nunca a trataria com a crueldade insensível que seu pai tinha demonstrado a sua mãe...