Capitulo 6
Edward contemplou Isabella ao sair do provador.
—Tudo bem?
Radiante, com um vestido marrom que complementava perfeitamente com seus olhos e seu cabelo castanhos, Isabella girou.
Edward procurou alguma falha, mas o vestido não era demasiado apertado nem demasiado curto, e só deixava descoberto seus torneados braços. Ainda lhe parecia demasiadamente atraente.
Paris era uma cidade cosmopolita, mas fossem onde fossem todos os olhavam. Isabella tinha a confiança e elegância natural que os parisianos admiravam mas, sobretudo, contava com uma excepcional beleza clássica, nada habitual.
—Este tem que te agradar - insistiu Isabella com um sorriso travesso. —Eu posso saber que se passa?
Edward não o sabia. Não entendia porque sempre queria vê-la coberta, não era um homem possessivo. Tânia sempre tinha usado roupa escandalosa e, aparte de que o irritasse sua ânsia constante de atendimento, isso nunca lhe tinha molestado. Mas Isabella só tinha que mostrar ao motorista um vislumbre de coxa quando baixava para entrar na limusine e se punha tenso. Ela não tinha consciência de sua beleza. Mas antes ou depois descobriria seu poder, e Edward não queria que ocorresse quando ele não estivesse presente.
—Está aborrecido?
—Não, encantam-me os desfiles... mas os prefiro em privado - confiou Edward, baixando o tom da voz seus olhos, enfeitiçada por seus atraentes traços. Ela se deleitou com esse aroma masculino que lhe parecia tão familiar. Três semanas junto a Edward mal tinham reparado o júbilo que sentia ao vê-lo, e não a tinham saciado em absoluto. A tinha encantado que enviasse a sua equipe de guarda-costas de volta a Grécia, substituindo-os por homens que a tratavam com respeito. De fato, quanto mais tempo passava com ele, mais se maravilhava quão perfeita que era sua união.
Mas todos esses dia e noites, Isabella tinha sentido cada vez mais o peso de sua consciência.
Perguntava-se como se sentiria Edward se alguma vez descobrisse porque ela tinha casado com ele.
Se, se inteirava de que tinha planejado fugir desde o princípio.
Isabella fez um molejo e se acercou.
Seria destruído toda a confiança, respeito e afeto que sentisse por ela. Nenhum homem merecia que uma mulher o utilizasse para escapar de um lar infeliz. Sentiu um arrepio de apreensão, ao imaginar-se o que ocorreria se Edward descobrisse seu segredo.
Esforçou-se por apagar essa idéia de sua mente e pensou na maravilhosa lua-de-mel que tinham compartilhado. Edward tinha estudado na Inglaterra, mas depois cursou estudos universitários na Sorbona. Falava francês perfeitamente e lhe tinha oferecido uma perspectiva muito real da cidade que amava. Tinha permitido que ela lhe arrastasse ao Museu Marmottan para ver as pinturas de Monet e, uma semana depois, tinha-a deleitado com uma viagem surpresa à casa de Monet, em Giverny. Tinha-lhe encantado a casa rosada com contraventanas verdes, e os fantásticos jardins e estanques que o artista tinha criado como inspiração para sua própria pintura.
Mas as imagens que recordaria sempre eram mais íntimas: molhando-se de cima abaixo pelos imprevisíveis jorros de água do Parque Citroen fez que Edward a beijasse apesar de que tinha aspecto de rata afogada; passear de mão dada pela orla do Sera enquanto Edward lhe explicava que nunca tinha sido romântico e, de repente, interrompia seu discurso para dizer-lhe que quando a brisa lhe alvoroçava o cabelo parecia uma donzela saída da lenda do rei Artur; olhar aos meninos brincar com seus barcos nos jardins Luxemburgo e que Edward a rodeasse com seu braços e dissera.
"Não sei o que está fazendo comigo, mas pela primeira vez em minha vida me vejo desejando ter um filho com uma mulher".
Essa última recordação, em especial, provocava em Isabella um profundo sentimento de felicidade. E, por último, estava o fabuloso bolo que tinha encarregado a noite anterior para celebrar que completava vinte e três anos. Acariciou o anel Victoriano que ele tinha presenteado. Tinha seis pedras diferentes e a tinha encantado que chegara o tempo de eleger algo tão especial para ela.
Saíram da boutique dos Campos Elíseos e voltaram a casa para jantar. Essa noite iam à ópera.
—Me dar pena sairmos de Paris ... disse Isabella quando subiam para mudar-se depois de jantar.
—Não temos que fazer isso ainda. Concede-me trinta e seis horas em Londres e voltarei para passarmos aqui um fim de semana a mais...
—Tens negócios em Londres? - Isabella o olhou com surpresa. - Poderia ir contigo?
—Te aborrecerias muito, ágape mou - suspirou Edward - Terei reuniões todo o dia, e o apartamento da empresa que utilizo ali não é nenhuma maravilha.
Isabella esteve a ponto de assegurar-lhe que não lhe importava o mínimo, que inclusive dormiria num banco do parque por estar junto a ele. Mas, felizmente, seu orgulho e seu sentido comum se o impediram. Depois de três semanas de atenção constante, não podia incomodá-la que passasse uma noite longe dela. Ele lhe molestaria se atuasse de forma possessiva e exigente.
Amava Edward com uma paixão que tinha acreditado impossível e era mais feliz do que nunca tinha imaginado. Ainda que ele não a amasse, parecia preocupar-se muito com ela e a tratava melhor do que a tinham tratado em toda sua vida. Era afetuoso, divertido, encantador e incrivelmente sexy a qualquer hora do dia; as vezes não podia crer que era seu marido.
—Imagina-te quão excitado que voltarei - grunhiu Edward, com voz sensual, abraçando-a.
—Sempre está excitado - exclamou ela, apertando-se contra ele.
—Deixa de fazer isso - protestou Edward quando ela arqueou os quadris e se esfregou insinuosamente contra ele.
Isabella enrijeceu, surpreendida por seu próprio comportamento, mas saber que só lhe restava uma noite de sua idílica lua-de-mel, induziu-a a tentá-lo.
—Obriga-me... - sussurrou.
—Não faz muito, tua idéia de tentação era olhar-me com desejo desde o outro lado da mesa. Era muito doce, mas isto é mais excitante - disse ele super feliz. Sem conter-se, capturou sua sensual boca com seus lábios.
A paixão que não tentou dissimular foi como uma corrente elétrica que percorreu cada fibra do corpo de Isabella. Gemeu suavemente e ele a tomou em seus braços, fechou a porta com o ombro e a tombou na cama.
—Dia ou noite, nunca me canso de ti... Edward a olhou com paixão e, por um instante, seus olhos refletiram a surpresa e incomodidade que lhe causava sua afirmação.
"Atraente", pensou Isabella. Controlou o rosto para ocultar o feliz que lhe fazia essa revelação. Era bem-vindo em qualquer momento do dia ou da noite. Sabia que o desejo não era mais do que um princípio, mas sem esse desejo não tinha esperança de que a amasse algum dia.
Para um homem tão apaixonado como Edward, fazia falta algo mais do que entendimento e metas comuns para construir um casamento estável e duradouro.
—Em que pensas? - exigiu Edward, tirando-lhe a roupa com impaciência - Tens essa expressão quando está tramando algo.
—Tramando? - Isabella o olhou sobressaltada. Ele esboçou esse sorriso voraz que a deixava louca de amor.
—Te conheço, ágape mou. Essa expressão calma e inescrutável sempre significa que pensa em algo profundo e intrigante - explicou.
Tinha razão, e isso emocionou Isabella.
—Suponho que ocultar tuas emoções é natural para ti. Assim atuas na presença de teu pai.
Isabella percebendo o tom sério de sua voz e o brilho escrutador de seus olhos, pálida ela voltou a cabeça.
— Charlie é um homem amedrontador. Até os homens mais forte tremem quando perde os estribos - comentou Edward com tom mais suave - Mas não precisa tomar essas precauções comigo. Posso até perder os estribos de vez em quando, mas nunca perco o controle de meus punhos.
—É bom saber... mas não entendo por que te molestas em dizer-me isso - replicou Isabella com certa tensão. Não era a primeira vez que Edward tirava esse tema nos últimos dias, e não estava disposta a fazer-lhe nenhuma confidência sobre como tinha sido sua vida em Lexos. Fazê-lo implicaria um risco para ele. A curiosidade era muito perigosa. Em Isabella, o hábito de silenciar os abusos de seu pai, estava gravado a fogo, igual que lhes tinha ocorrido a sua mãe e irmão. Mas a demonstração de violência que Edward tinha visto aquela noite no jantar o tinha inquietado e ela era consciente de que cada vez tinha mais suspeitas sobre o que tinha visto. Incomodava-a pensar do que ela tivesse podido acrescentar suas suspeitas sem pretendê-lo.
Edward teve um ataque de frustração ao ver como seu extraordinário rosto se voltava inescrutável. Para Isabella o passado era como um livro fechado. Era como se tivesse nascido no dia do casamento; nunca mencionava sua infância nem a seus parentes, vivos ou mortos.
—Bem, onde estávamos? - caçoou Edward, mudando o rumo de seus pensamentos. Deitou-se atrás dela para baixar-lhe a zíper do vestido. Com mãos firmes e seguras, tirou-lhe o vestido, soltou seu cabelo e deixou que sua experiente boca traçasse um excitante caminho por seu pescoço. Ela tremeu e, ansiosa dele, deu-se a volta e o beijou com paixão. Sentia-se segura com ele, mas também sabia que se falasse demais, ele não estaria a salvo da fúria de seu pai.
—Que te ocorre? - Edward a afastou um segundo e escrutinou seu olhar evasivo.
—Nada... - disse ela, perdendo-se em seus belos olhos. Doíam-lhe os peitos de excitação.
Ele entreabriu suas pernas para que estivessem aos lados das suas e lhe desabotoou o sutiã. Sem alento, ela jogou a cabeça para atrás e arqueou as costas para que sua delicada e sensível pele entrasse em contato com os cachos que salpicavam seu músculos peitoral.
—Vamos chegar tarde à ópera... - assegurou Edward e, agarrando seu cabelo com cuidado, girou-a até apoiá-la de costas no colchão e começou a atormentar seus mamilos eretos com a boca.
Isabella sentiu o fogo que se iniciava no úmido triângulo que coroava suas coxas e se deixou levar pela sensação como um nadador que se afogasse no mar. Enredou os dedos em seu cabelo bronze e desfrutou do prazer que lhe provocavam suas experientes mãos.
—É uma feiticeira... -grunhiu Edward, absorvendo sua expressão embelezada. —Quando você fica entre meus braços, custa-me muito manter o controle.
—Isso é uma queixa? – sussurrou Isabella enquanto ele apoiava seus sensuais lábios justo em cima de sua clavícula e deslizava as mãos por seu corpo. Pouco depois, ardia de desejo sob suas carícias, incapaz de resistir-se a tocá-lo. Explorou com os dedos a fileira de pêlo negro que cruzava seu estômago, mas uma mão deteve seu gesto com um gemido.
—Não posso esperar - Edward, com decisão, situou-se entre suas pernas abertas e a penetrou lenta e poderosamente, obrigando-a a gemer de prazer.
Tudo desapareceu exceto ele e a forma como a enlouquecia, possuía e ao mesmo tempo debilitava com seu amor. Sentiu-o estremecer de paixão e se moldou a ele com abandono, examinando seu atraente rosto. Com poderosas investidas, levou-a à culminação do prazer, deixando-a exausta e satisfeita.
—Chegaremos muito, muito tarde, ágape mou - advertiu Edward beijando seu ombro e lambendo sua pele. -Te importa?
—Importar-me? - a ela não importava nada enquanto a abraçava e a olhava com esses olhos que lhe derretiam o coração. — Não.
—É assombroso o bem que encaixamos - disse Edward com indolente satisfação masculina, e ela esteve a ponto de sorrir ante sua inocência.
Nessas três semanas, Isabella se tinha fixado cuidadosamente em suas preferências e se tinha adaptado a elas. A tinha mortificado compreender que seus gostos para a moda eram demasiado juvenis. Era compreensível, pois nunca tinha passado pela fase natural de definir sua própria identidade elegendo sua roupa na adolescência. Sem chegar a dizê-lo claramente, Edward lhe tinha
feito compreender que o modelito que se tinha posto para ir ao aeroporto só era popular entre adolescentes , uma fase que, com vinte e três anos, ela deveria ter não entendia muito bem como encaixava essa atitude com a roupa escandalosa que tinha usado sua noiva, Tânia, mas aceitava a realidade: Edward tinha amado a Tânia e o amor era cego. Ela não contava com essa segurança, assim que decidiu pôr sua aprovação acima de suas próprias preferências.
Assim que seus adorados sapatos com saltos de diamantes, que Edward tinha considerado o cúmulo da vulgaridade, não tinham saído do armário. Ademais, a ele lhe agradava levantar-se muito cedo, para não mencionar sua preferência pela comida grega, quando ela teria sido feliz provando todo tipo de cozinha internacional. Não era mais do que uma questão de acoplar-se a ele, pensou com amorosa indulgência.
—Não me agrada a ópera - confiou Edward com preguiça, Isabella conteve um suspiro. Edward se inclinou sobre ela com olhos brilhantes e zombadores. -Mas sei que estava desejando por toda a semana, então nós iremos.
—Então mais vale que corramos! - Isabella tirou o relógio, atirou-o sobre a mesinha de Edward e correu ao banheiro para dar-se o chuveiro mais rápido do século.
Trinta minutos depois. Com o cabelo recolhido e preso com uma magnifica tiara de
amantistas e diamantes, a jogo com o colar e os brincos, e vestida com uma ajustada túnica lilás que se abria acima do joelho, Isabella procurou o relógio que tinha atirado com descuido. Não estava entre os lençóis nem no tapete. Recordou que a gaveta da mesinha estava aberto quando foi banhar-se, assim que atirou dele. Sorriu ao ver o relógio, mas também viu uma foto.
Pôs-se o relógio, afastou com um dedo a caixa de preservativos e pegou a foto da sorridente loira de biquíni. Com um nó na garganta, sentou-se na cama para estudar Tânia Denali. A noiva de Edward tinha sido extremamente atraente e inclusive o olhar crítico de Isabella podia apreciar a voluptuosa figura, as perfeitas e longas pernas, o olhar provocante e o sorriso sensual. Soube imediatamente que Edward tinha tirado essa foto. Tânia posava para seu amante, confiante e
segura de sua admiração. Coberta de suor frio e com um nó no estômago, Isabella deixou a foto onde a tinha encontrado e fechou a gaveta. Sentia-se como se Edward lhe tivesse dado uma punhalada. Por que tinha uma foto de Tânia ao lado de sua cama matrimonial? Com que freqüência a olhava? Sem dúvida estava ali
para algo...
Notou um intenso vazio, mas também cólera e dor. Durante toda a lua-de-mel, tinha-se esforçado por não pensar em que Edward provavelmente tinha desfrutado apaixonadamente fazendo com Tânia o que fazia com ela. Não teria feito sentido arruinar seu próprio desfrute pensando nisso, mas a foto acabava de atirar por terra essa visão sensata e liberal de seu casamento.
Edward saiu do vestidor. Isabella lhe jogou uma olhadela para gravar sua imagem em sua mente, enquanto a dor e o ressentimento começavam a mexer em seu interior. Tinha renunciado a seu orgulho por ele, inclusive tinha deixado a busca de sua irmã gêmea, tinha se esforçado para ser a esposa que ele queria. Esse tinha sido seu grande erro, tinha esquecido o que ele queria dela.
—Dá uma volta – pediu Edward com voz grave e sensual – Está
fantástica com esse vestido.
—Vi a foto de Tânia Denali que há em tua mesinha de noite! - exclamou Isabella voltando-se para ele e olhando-o com olhos brilhantes.
—E? - inquiriu Edward levantando levemente as sobrancelhas com ar interrogante, tentando não reagir como costumava fazer diante esse tipo de cenas.
Essa palavra fez que a dor de Isabella se convertesse num ataque de ira cega e incontrolável. E?
Como senão importasse que seu marido adorasse a foto de outra mulher, como se ela não tivesse direito a comentá-lo, como se não fosse uma objeção razoável. Isabella leu nessa palavra significados que ele nunca teria imaginado.
—Se não te desfazer dessa foto, te abandonarei! - ela gritou, e seu assombro ao ouvir a melodramática ameaça foi ainda maior do que o dele. Edward a olhou com expressão incrédula e sardônica.
—Se não formos à ópera agora mesmo, não valerá a pena ir - disse.
Isabella, silenciada momentaneamente por essa forma de evitar o tema, olhou-o furiosa.
—Crês que penso ir ver uma estúpida ópera quando há uma foto de outra mulher em nosso quarto?
—Não grite comigo - replicou Edward com voz suave e baixa, mas com uma ameaça velada e tormentosa nos olhos.
A Isabella lhe encolheu o estômago, sentiu, pela primeira vez, o mesmo medo que a aterrorizava na presença de seu pai. Mas se desatou nela a mesma rebeldia que a enfrentava a Charlie Swan, quando sua mãe ainda vivia.
—Me insultaste - declarou com feroz convicção.
Edward, enquanto, amaldiçoava a ineficiência do serviço doméstico, pois tinha dado ordens de que fizessem desaparecer toda recordação desse tipo. Mas também pensou, com a irritação de um macho que odiava as complicações, que só a uma esposa lhe ocorreria examinar seus objetos pessoais.
—De que maneira te insultei? –disse ele tom de chatice que normalmente lhe tinha servido para baixar-lhes as fumaças à maioria das mulheres.
—Eu sou tua esposa. Ela era uma vadia - quanto o disse, Isabella se envergonhou de si mesma. Utilizar um termo tão cruel e denegrante com uma mulher à que ele tinha amado era imperdoável,
Edward ficou sorvente. Seus olhos relampejaram de ira e seu olhar de desprezo foi castigo mais do que suficiente para ela.
—Respeito sua memória, e o mesmo fará você, porque não estou disposto a tolerar teus ciúmes - disse com dureza.
—Não tenho ciúmes dela... - falou Isabella roucamente, com um nó na garganta.
Edward não contestou. Simplesmente, abandonou o quarto, Isabella, desconcertada, fechou os olhos desesperada por sua própria estupidez. Um minuto depois correu atrás dele, mas quando chegou à escada, a porta debaixo se fechava inesperadamente.
Ciúme, sim, admitiu Isabella com dor. Estava amargamente ciumenta da mulher que tinha tido em suas mãos o coração de Edward. Não importava que Tânia estivesse morta: sua recordação seguia viva. Ele nunca a mencionava, mas ela também não lhe tinha feito nenhuma pergunta.
Quanto mais importante se fazia Edward para ela, menos capaz de sentia de pensar em sua noiva.
Mas, na realidade, não tinha razão para que não conservasse uma foto de Tânia; nem sequer estava à vista. Isabella sabia que, ao meter-se no que não lhe importava, tinha arruinado a última noite de sua lua-de-mel.
Com a esperança de que regressasse e a determinação de pedir-lhe desculpas, Isabella desceu para esperá-lo no salão. Estava muito afetada e temia o mal que podia ter causado a sua relação.
Perguntou-se porque parecia condenada a ocupar sempre um segundo posto no coração de toda as pessoas que lhe importava. Era uma constante em sua vida. Eric sempre tinha sido o preferido de seus pais, Isabella só era um bebê que precisava um lar e que a compassiva e generosa Amanda tinha aceitado. E também ocupava o segundo posto para seu marido, porque Edward nunca
teria casado com ela se Tânia tivesse viva. Mas, ainda que o sabia, tinha-se apaixonado loucamente dele, deixando de lado sua maior ambição: reunir-se com sua irmã gêmea.
Tinha a intenção de desafiar a seu pai e contar para Edward a verdade sobre seus
antecedentes, com a esperança de que entendesse quando significava para ela encontrar a Misty.
Perguntou-se por que não o tinha feito ainda e a resposta fez que se envergonhasse de sua própria covardia. Tinha evitado contar para Edward que era adotada porque temia que pensasse pior dela ao saber que não era uma Swan. Inclusive Eric, que a amava, tinha-se compadecido por não ter nascido na família.
Muito pior do que tudo isso era saber que Edward tinha saído completamente aborrecido com ela.
Quando Edward entrou na sala, umas horas depois, encontrou Isabella profundamente adormecida no sofá.
Ela acordou quando ele a levantou em seus braços. Olhou seu rosto e o leve sorriso que curvava sua boca e piscou confusa, mas não pôde evitar dizer o último que tinha pensado antes de dormir-se.
—Que te pareceria se tivesse uma foto de Jacob em nosso dormitório? - lhe perguntou.
Edward ficou quieto, completamente desconcertado.
—Não o permitiria - grunhiu, sem pensá-lo sequer. Depois de um segundo de silêncio, compreendeu o que tinha dito e seus lábios mudaram de cor.
—Não deveria ter dito o que disse - se desculpou Isabella, aplacada por essa admissão.
Furioso por esse comentário sobre Jacob e porque o tivesse apanhado dessa maneira, Edward se encolheu de ombros e começou a despir-se. Nem um poço de tortura lhe teria feito confessar que tinha reservado outras entradas para a ópera para esse fim de semana.
— Edward, eu... - começou Isabella, sentindo-se culpada por ter evitado pedir-lhe uma autêntica desculpa.
—Tenho um vôo às seis da manhã - interrompeu ele friamente — Adiemos qualquer conversa séria até minha volta.
—Mas tenho que te dizer algo, e se esperar, posso perder a coragem - disse Isabella, metendo-se na cama.
Edward a olhou com o cenho franzido.
—É um segredo de família e meu pai me advertiu que não te dissesse porque não quer que se saiba, disse apressadamente. Não nasci da família Swan... sou adotada.
—Tens estado bebendo? - inquiriu Edward incrédulo, Bella saltou da cama, foi ao vestidor e voltou.
—Esta é minha irmã, minha gêmea... - lhe entregou a foto que tinha sacado da valise. - Chama-se Misty.
—O que diz é sério? - Edward olhou para Bella com expressão de assombro, depois de jogar uma olhadela à foto em preto e branco, em que aparecia um bebê.
—Uma enfermeira lhe tirou uma foto antes de que nos separassem - explicou Isabella empalidecendo ao ver sua expressão. Meteu-se na cama rapidamente.
—Adotada... – Edward se sentou no divã. —Quando te adotaram?
—Só tinha umas semanas - disse Isabella e depois lhe explicou que não nasceu com boa saúde e sua mãe tinha decidido que não podia fazer-se cargo de um bebê que precisava cuidados e tratamento médico.
—Que problema tinhas? - exigiu Edward.
—Não pesava o suficiente e tinha problemas de alimentação...e ademais nasci com os quadris abertos - Isabella fez uma careta. Meu pai queria que minha mãe adotasse um menino. Mas ela escolheu a mim. Ele tinha a esperança que, depois de adotar-me, ela voltasse a ficar gestante.
—Ouvi dizer que as vezes acontece. Edward observou seu rosto, compreendendo que entrava num terreno minado no que não sabia manejar-se. Quando te inteiraste de que eras adotada?
—Era tão pequena que nem sequer o sei.
—Onde nascestes?
—Em Londres.
—Te adotaram na Inglaterra? - Edward não pôde ocultar seu assombro.
—Por minhas veias não corre nem uma gota de sangue grego - admitiu Isabella, arrependendo-se demasiado tarde de sua confissão.
Edward estava obviamente consternado. E nem sequer tinha admitido sua pouco apresentável origem, para não mencionar à infortunada irmã que era amante de um magnata.
— Ser grega adotiva, é a seguinte melhor opção, assegurou Edward rapidamente, pondo uma mão sobre a sua com gesto compreensivo. Decidiu, fazendo graça de seu tato. Não lhe dizer que ter se livrado dos genes dos Swan podia considerar-se uma bênção.
Isabella não desejava sua compaixão e começava a atravessa-la a dor habitual, de sentir-se recusada. Importava-lhe demasiado o que Edward pensasse dela. Perguntou-se porque. Na realidade não tinha importância. Seguia sendo a herdeira dos Swan, seguia sendo sua esposa e ele seguia tendo uma foto de Tânia Denali em seu dormitório. Liberou sua mão de um puxão, deu a volta e fechou os olhos, ardentes de lágrimas.
—Creio que tinhas direito de saber - disse com voz inexpressiva. —Mas não quero falar mais disso. - Boa noite!
Quando lsabella acordou na manhã seguinte, entristeceu ao compreender que Edward já tinha ido. Mas uma hora depois recebeu uma enorme cesta de flores. Abriu o cartão que a acompanhava.
"Agora és uma Christoulakis", tinha escrito Edward, obviamente como se pensasse que a consolaria saber que não tinha honra maior para uma mulher. Os olhos de Isabella se encheram de lágrimas inclusive enquanto ela ria.
Perguntou-se se tinha mal interpretado sua reação a noite anterior, projetando nele sua própria insegurança. Tinha parecido muito desconcertado ao inteirar-se de que era adotada, mas não teria escrito essa mensagem se isso o preocupasse seriamente. Almejou poder estar com ele e a enfureceu ter-se deixado levar por seu caos emocional e não ter feito as pazes depois de sua primeira briga. Teria que esperar trinta e seis horas até que ele regressasse.
Então lhe ocorreu que podia ir a Londres e fazer-lhe uma surpresa. A idéia se apoderou de Isabella. Os empregados deviam conhecer a direção de seu apartamento, e quando ele finalizasse seu dia de trabalho, ela estaria esperando-o...
