Capítulo 8.

Edward saltou do helicóptero furioso. Quando essa tarde tinha entrado ao escritório contíguo ao seu e o tinha encontrado vazio tinha sentido como se lhe tivessem dado uma punhalada nas costas. Para ele, se Isabella tivesse aceitado esperar e não tivesse cumprido sua palavra era uma traição imperdoável. Até esse momento, tinha estado reflexionando sobre o fato de que era filha de um pai que tinha tido mais aventuras casado do que as que tinham a maioria dos homens solteiros.

Inclusive tinha reconhecido que sua própria reputação de mulherengo, contribuiu. Mas, não podia aceitar que Isabella não tivesse aceitado imediatamente sua explicação com respeito de Pascale.

No entanto, o giro que tinha dado a situação o preocupava bem mais. A equipe de segurança lhe disse que tinha despedido aos guarda-costas e lhe horrorizou imaginar-se a Isabella com essa ridícula valise cheia de dinheiro e de jóias só e sem proteção. Isabella tinha tanta capacidade de cuidar de si mesma no mundo real como um personagem de desenhos animados.

Arrependeu-se de não ter mencionado o conteúdo dessa valise quando estavam em Paris.

Mas não tinha querido envergonhá-la nem fazer-lhe dano. Supunha que tinha direito a suas pequenas manias. Que não pudesse suportar a idéia de separar-se das jóias herdadas de sua mãe e não se sentisse segura sem uma enorme quantidade de dinheiro não era problema, desde que estivesse protegida em todo momento.

Estava a ponto de chamar à polícia quando um dos guarda-costas admitiu que na realidade a estavam seguindo dois homens, mas que não o haviam dito se por acaso lhe incomodava que a tivessem desobedecido. O imenso alívio do Edward se converteu pouco a pouco na ira mais intensa que tinha sentido em sua vida.

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Ela pensava que a tivessem obedecido. O imenso alívio de Edward se converteu pouco a pouco na ira mais intensa que tinha sentido em sua vida.

Isabella, rígida e com a cabeça alta, esperava o telefonema na porta. Tinha que ser Edward! Não podia acreditar em coincidência de que outro executivo de sua empresa tivesse decidido alojar-se no mesmo hotel que ela. Recordou-se que não lhe dava medo nada de que pudesse dizer-lhe Edward, mas seu pânico se misturava com uma intensa excitação.

De repente, sem chamada prévia, ouviu-se o clique do cartão que fazia de chave e a porta se abriu de par em par. Edward entrou de uma pernada e fechou a porta. Seus olhos flamejavam de fúria e tinha o rosto desencaixado.

—Como te atreves registrar-te como uma Swan? lhe lançou Edward sem preâmbulos. - Como te atreves a negar meu nome?

Isabella não esperava algo assim, entreabriu os lábios e, sem saber que dizer, fechou-os de novo para, ao menos, salvar sua dignidade.

—Não deveria me surpreender de sua arrogância! -continuou Edward. —É uma Swan de pés a cabeça!

—Isso não é verdade... -disse ela abrindo os olhos castanhos com assombro.

—Não? Que direito tinha de me dizer que nosso matrimônio tinha acabado? Acaso é a única pessoa envolvida? É que não te equivoca alguma vez? Sempre julga os outros sem ter provas? Ao primeiro problema foge como se lhe perseguissem os demônios.

Isabella apertou os dentes e se negou a reagir em modo algum.

—Mas claro, é uma Swan... como poderia te equivocar? - arrebitou Edwarf com ironia. Tirou uma pequena gravadora e a pôs sobre a mesa. - Só que esta vez, como vais comprovar, fez o ridículo!

—Sério? - Isabella tinha a cara vermelha como carmim. Que vai fazer essa máquina? Paralisar-me?

—Em meu escritório gravam todas as minhas conversas - Edward apertou o botão com força.

O aparelho se pôs em ação. Isabella, tensa, escutou a Edward atender o telefonema de Pascale.

Ela reconheceu a voz profunda da mulher de imediato. A surpreendeu que Pascale falasse a Edward em grego. Ela lhe dizia que ia passar a noite em Londres e que, como sabia que Edward também estava ali, esperava que pudessem encontrá-la. Imóvel como uma estátua Isabella escutou o resto da conversa. A voz de Edward soou fria e distante quando compreendeu que Pascale tinha se instalado no apartamento, mas ela fez questão de que jantassem juntos.

—Deixa-me em paz! - se ouviu a voz seca de Edward - Use o apartamento esta noite se queres, mas quando saíres deixa ali a chave. — Não irei visitar-te.

—Mas sabes onde encontrar-me se mudares de opinião - ronroneou Pascale provocante antes de desligar.

Seguiu um silêncio. Bella, inquieta, brincava com os extremos do cinto da bata. Por dentro, estourava de júbilo e alívio. Tinha-se equivocado por completo isso a fazia imensamente feliz saber que tinha julgado mal a seu marido. Todo o peso da dor com o que levava lutando todo o dia, desapareceu num instante.

— Edward... - fixou os olhos brilhantes nele e seguiu com tom rouco de emoção. —Eu...

—Não - Edward levantou a mão com desprezo - Não te atrevas a pensar nem um segundo que se pedir perdão vais solucionar algo desta vez!

—Mais sinto tanto... - falou Isabella com surpresa.

—Dissestes que esperarias no escritório, mentistes. - Nunca fiquei com uma mulher em quem não confiasse. —Espero de minha esposa um alto grau de lealdade e honradez. - E tu precisa dessas duas qualidades!

—Mas, eu... - Em Isabella se fechou a garganta, sua condenação a tinha devastado.

—Não há desculpas que valham - Edward a olhou de acima abaixo com desdém. – Deixaste-me plantado quando ao menos o que me devias era escutar-me. Ao primeiro problema, destrói o que temos e vais embora!

—Que tu acha que tinha que pensar quando me encontrei com Pascale em teu apartamento? - exigiu Bella emotivamente, tentando defender-se.

—Se supunha que devia acreditar em mim. –Supunha-se que devias valorizar nosso casamento o suficiente para ficar-te e discutir a situação como uma pessoa adulta. Mas só fortes capaz de acusar e fugir. - acusou Edward. - Não te importou nada mais. Não escutaste nada do que disse...

—Pascale me disse que eram amantes...

—Éramos...disse ele. É a única palavra verdadeira. Faz mais de dois meses que não a vejo, e nossa relação acabou muito antes do casamento.

—De acordo, tive uma reação exagerada - Isabella começava a ficar desesperada. —Deveria ter-te dado a oportunidade de explicar-te...

—Mas não teria sido suficiente, não é verdade? – Edward a olhou com dureza. - Se Pascale me tivesse chamado ao celular, não teria podido provar que não íamos nos ver. Onde estaríamos agora se não tivesse uma gravação desse telefonema no escritório? - Disse ele com tom amargo.

Isabella se pôs branca como a neve. - Creio que sem essa gravação, para ti estaria morto e enterrado. Se não tens fé em mim, não há casamento para nós.

A dureza de sua voz fez que Isabella lhe encolhesse o coração. Tinha passado de um estado defensivo a um de júbilo, e agora ele a recusava. Tinha acusado de algo que não tinha feito e se tinha negado a acreditar em sua palavra. Perguntou-se, assolada pelo arrependimento, por que tinha estado tão disposta a julgá-lo culpado. Recordou as maravilhosas semanas que tinham compartilhado em Paris e sua felicidade quando chegou a Londres essa mesma manhã. De repente, compreendeu tudo.

—Veja... - falou debilmente Isabella com voz tensa . —Nunca tinha sido tão feliz como agora e, talvez, não podia ter acreditado. Quando Pascale disse isso, foi como se o tempo todo tivesse estado esperando que me traísses. Simplesmente o aceitei. Pareceu-me mais realista e natural que toda essa felicidade.

Edward a olhava com os olhos cerrados e o cenho franzido, prestando muito atenção a suas palavras.

—Creio que sou muito cínica, mas não arrogante. Creio que tentava proteger-me porque me já fizeram muito mau - admitiu Isabella tensamente. - Cresci num lar em que minha única força era meu orgulho, mas tinha que o sacrificar para manter-me a salvo. Não estou acostumada a poder apoiar-me nem confiar em ninguém mas... mas posso aprender.

Edward fez um esforço por ocultar o efeito que lhe causava esse explicação, sentia-se como se lhe tivessem dado um murro na boca do estômago. Compreendia até que ponto sua própria infância, feliz e sem complicações, tinha marcado suas expectativas com respeito à vida e à gente.

Sempre tinha dado por certo o que Isabella nunca tinha tido segurança, confiança de que todas suas necessidades seriam satisfeitas e, por seus amigos, carinho. Entendê-lo, ao fim, o desolou. Cruzou a distância que os separava com uma arrancada a tomou entre seus braços. Ela se tensionou, mas lhe acelerou o coração.

—Não quero tua compaixão... - recusou.

—Te vale minha luxúria? - interrompeu ele rapidamente.

Isabella deixou escapar um riso rompido. Como uma boneca de trapo, deixou que a achatasse contra seu peito forte e varonil e afundou a cara em seu ombro. Ele acariciou seu cabelo com uma mão trêmula, emocionado.

—Sinto ter-te feito passar por isto - murmurou ela.

—Esqueça! Acabo de compreender que venho de um lugar ao que tu nem sequer chegaste - assegurou Edward, ainda que lsabella não entendeu que queria dizer. —Mas não me casei contigo para envolver-me com outras mulheres. Tive muitos anos de liberdade para fazer o que quisesse, e fiz, agora estou preparado para algo diferente. Tens que aceitar isso.

—Sim... -nesse momento bateram na porta.

—Quem demônios será? -grunhiu Edward.

—Certamente é o jantar que pedi.

Edward a soltou e abriu a porta. Um garçom entrou com um carrinho, serve a mesa e partiu rapidamente, com uma generosa gorjeta na mão, Isabella olhou ao Edward deslumbrada por seus olhos, a vitalidade e força de seu corpo, e, sobre tudo, por esse autocontrole que lhe permitia manifestar tanto sua ira como sua ternura. Era um homem maravilhoso e não o merecia, não se atrevia a lhe perguntar se estava disposto a perdoá-la.

—Quanta fome tem? - perguntou Edward roucamente.

—Não... - No instante em que Isabella percebeu o reflexo de desejo sexual que iluminava seus olhos, lhe fechou a garganta.

—Te desejo, yineka mou - admitiu Edward, guiando-a passo a passo para o dormitório. – Não tens idéia de até que ponto.

—Ainda? - Isabella sentiu uma intensa onda de alívio.

—É uma obsessão contínua - confirmou Edward, inclinando a cabeça e beijando-a com paixão.

Isabella se derreteu em seus braços. Gemeu com desejo e, depois, pendurou-se em seus ombros.

Edward, com um suspiro de frustração, levantou-a em seus braços e a colocou no divã do dormitório.

—Deveria seguir enfadado contigo – grunhiu. Não costumo perseguir às mulheres por todo o país. Eu não faço esse tipo de coisas...

—Não terás que voltar a fazê-lo - jurou Isabella.

—Poderias escrevê-lo e assiná-lo por triplicado? - se burlou Edward, capturando seus lábios com ardor enquanto lhe tirava a bata. Afastou-se dela para despir-se e contemplou seu corpo nu com admiração. —É belíssima - sussurrou, voltando a seu lado.

Voltou a sugar sua boca com paixão. Ela soube que nunca se cansaria dessa sensação maravilhosa, desse desejo que a consumia. Tinha pensado que nunca voltariam a estar juntos e, percorrendo seus musculosos braços com as mãos, se arqueou para ele, abrindo as coxas instintivamente.

—Não esperes - incitou, mordendo seu ombro suavemente. Edward levantou a cabeça com satisfação.

—Tanto me desejas?

—Sempre... - gemeu ela ao notar sua pressão.

Ele a penetrou com lentidão e segurança, e a sensação foi tão extraordinária que se lhe encheram os olhos de lágrimas. Se arqueou para ele, obrigando-o a acelerar o ritmo para que se acoplasse ao seu. Quando atingiu a cume cega de prazer, teve a sensação de que estourava em ondas de espuma cálida e sedosa.

—Suponho que agora deveria deixar-te comer - suspirou Edward com inapetência, roubando-lhe um último beijo. Colocando-a em cima dele e a abraçou possessivamente, estreitando-a contra seu corpo grande e úmido.

—Sim...

—Sei que não comeste desde que saíste do avião esta manhã, ágape mou.

—Como sabe? - Isabella emergiu suavemente de seu sonho satisfeito e levantou a cabeça.

—Te seguiram desde o escritório. Como acha que te encontrei tão cedo? —A chama zombadora de seus olhos se apagou. —Não voltes a despedir os teus guarda-costas.

Se me seguiram, não obedeceram minhas ordens - replicou Isabella desafiadora. Edward entrelaçou os dedos em seu alvoroçado cabelo.

Lhes agradeci muito que não o fizessem. - Em Paris, uma noite deixaste essa valise que levas a toda parte aberta sobre o toucador e vi o que há dentro.

Isabella ficou gelada e pálida. Tinha visto o dinheiro que tinha pensado utilizar como fundo para fugir de seu casamento? Não tinha sabido como desfazer-se do dinheiro sem alertar a Edward de que tinha preparado a escapada do dia de seu casamento com muita antecedência.

—Esse dinheiro deveria estar no banco, e os diamantes numa caixa de segurança – sugeriu ele.

Isabella, com a boca seca, assentiu de imediato, esperando a pergunta óbvia: porque arcava uma valise cheia de dinheiro e jóias? Mas Edward se limitou a esboçar esse sorriso que a paralisava o coração. Apoiou a cabeça em seu ombro, aliviada porque não a interrogasse. Mas com um grande peso na consciência.

Nunca se atreveria a confessar a verdade; se, se inteirasse da egoísta e estúpida que tinha sido antes do casamento, nunca a perdoaria.

—Bem... - disse Edward com estudada indiferença. —Fostes a uma casa antes de vir aqui. - Para que?

—Era a casa da família que acolheu a minha irmã gêmea - Isabella sorriu, esquecendo seus arrependimentos ao pensar em sua irmã. — Expliquei quem era e agora... Tenho o telefone de Misty!

—O que disse tua irmã quando ligaste? - Edward se incorporou inesperadamente,

sobressaltando-a.

—Ainda não liguei... pareceu-me que era demasiado tarde... - explicou. Edward soltou um suspiro exasperado e fez que lhe contasse exatamente o que tinha dito e a quem em Fossets.

—Não te dá conta de que tua gêmea deve estar colada ao telefone, esperando teu

telefonema? As pessoas não se calam nesse tipo de informação. —Estou certo que já sabe que foste a sua antiga casa e tens seu telefone.

—Ligarei amanhã - disse Isabella enrijecendo.

Edward saltou da cama, foi ao salão e recolheu o papel que tinha visto antes na mesinha de café. E riu de si mesmo. Tinha pensado que podia ser o telefone de Jacob. Mas o filho do pescador era história passada.

Minutos depois, Isabella se encontrou com o fone na mão enquanto seu marido, de cueca, observava-a com os braços cruzados.

—É mais de meia-noite – protestou. - Não está certo chamar a estas horas.

—Está assustada e provavelmente ela também. —Liga ordenou Edward.

—Sou Bella Christoulakis - balbuciou quando uma agitada voz feminina respondeu ao telefone imediatamente. - É Misty?

—Sim. - É minha gêmea? - perguntou a voz.

—Sim. Não sei o que dizer... agora que te encontrei...

—Eu também estou confusa, mas super feliz. Aterrorizava-me que não chamasse e não me podia acreditar que a prima de Birdie deixasse que te fosse sem pedir teu nome e teu endereço. A voz de Misty começou a soar brilhante e ansiosa. - Se te organizamos um vôo especial, poderias vir esta noite?

Isabella abriu os olhos com surpresa e se voltou para Edward para comentar em grego.

—Não - recusou ele imediatamente. - Já está esgotada. Diga que iremos amanhã na primeira hora.

—Com quem estás? - perguntou Misty com curiosidade. - Em que idioma estás falando?

Desde esse momento, perderam a noção do tempo. Edward pediu comida recém feita para os dois, Isabella se encostou no sofá e começou a responder as perguntas de sua gêmea; quando adquiriu confiança, ela também começou a perguntar. Edward foi banhar-se. Chegou o jantar, mas Isabella se limitou a mordiscar com uma mão, incapaz de deixar de falar. Finalmente, atendeu a separar-se de sua irmã durante umas horas quando se deu conta de que tinha que disfarçar um bocejo entre frase e frase. Desmoronou-se no sofá com um sorriso feliz.,

—Minha irmã vive em um castelo - Disse a Edward.

Edward levantou a sua esposa nos braços, levou-a ao dormitório e a encostou. Foi ao salão para recuperar os anéis que tinha visto na mesinha de café e, quando regressou, estava profundamente adormecida. Voltou a pôr-lhe a aliança, perguntando-se por que lhe parecia tão importante fazê-lo.

Isabella efervescia de expectativa e nervos quando o helicóptero posou na pista de aterrissagem privada do Castello Eyre.

—Misty vai adorar-te - disse Edward, agarrando-lhe a mão para ajudá-la a descer.

Todo o atendimento de Isabella se concentrou na mulher que se aproximava com um cálido sorriso de boas vindas. Correu para eles com pernas longas e ágeis e o cabelo avermelhado revolto pela brisa.

—Deixa que te olhe... - uns olhos de cor cinza azulado examinaram fascinados a sua gêmea, menor e nervosa. —Oh, Deus meu, é pequenina... é muito, muito linda - exclamou, movendo a cabeça de lado a lado. - É a viva imagem de nossa avó paterna. Nosso pai tem um retrato dela. Foi uma beleza lendária dos anos trinta.

Isabella, ao ver os olhos de sua irmã, cheios de lágrimas como os seus e ouvir essas palavras que, pela primeira vez, contatavam-na com outra família, sentiu uma grande emoção. Sem saber como, abraçaram-se, rindo e chorando ao mesmo tempo. Depois, Misty a rodeou com um braço, guiou-a para um carro desportivo e, sem deixar de tagarelar, empreendeu o regresso ao castelo.

Enquanto, Leone e Edward se tinham apresentado, ficando aparte para não interferir nesse reencontro que tinha lugar depois de vinte anos.

—Será possível! - exclamou Leone ao ver ao carro afastar-se. Misty nos deixou aqui!

Em silêncio, os dois esperaram que o carro diminuísse a velocidade e voltasse para eles. Uns segundos depois Edward e Leone trocaram um olhar de incredulidade masculina. Mas não lhes pareceu necessário comentar que lhes tinham esquecido como se fossem um par de malas supérfluas.

Voltaram ao castelo passeando e Leone explicou que tinha outra irmã mais, chamava Ângela. Tinha nascido do primeiro casamento da mãe de lsabella e Misty, e estava casada com o príncipe herdeiro de Quamar.

—Também fala muito - comentou Leone. - Misty a chamou por telefone esta madrugada, assim suspeito que não demorarás em conhecer a Angela.

—Quanto mais cedo, melhor - riu Edward. - Não tem muita família, que digamos.

— Charlie Swan? - depois de admitir que era consciente de quem era Isabella exatamente, Leone observou a alegre expressão que cruzou o rosto de Edward e relaxou de tudo.

—Sugiro que vamos comer... Que as deixemos desfrutar de sua reunião e demoremos em voltar - Edward esboçou um sorriso de cumplicidade. Quanto tempo crês que demorarão nossas esposas em sentir nossa falta?

Aterradas nos dois extremos do mesmo sofá enquanto tomavam café, Misty e Isabella só recordaram seus esposos quando Taylor, o mordomo, entrou para anunciar o almoço e a perguntar se os senhores voltariam a tempo para comer. Misty e Isabella se olharam consternadas e depois estouraram em risadas culpadas ao compreender o que tinham feito.

—Você tinha esquecido de Leone alguma vez? -perguntou Isabella.

—Não, e suponho que está furioso - regozijou Misty - Que me dizes de Edward?

—Não creio que lhe tenha agradado muito - confiou lsabella. Mas quando Taylor lhes disse que seus maridos tinham regressado ao castelo e depois se tinham marchado no terreno de Leone, ambas relaxaram. Misty falou a Isabella de sua mãe, Renne Garitón, já falecida, e de sua relação com o pai de ambas, Phil Sargent. A Isabella lhe encantou saber que tinha outra irmã mais, Ângela, maior

do que elas. O resto da tarde decorreu placidamente, com seu sobrinho Connor, sentado em seu regaço, batendo um papo e conhecendo-se.

Ao entardecer, lsabella contemplando o pôr-do-sol sobre o lago desde a janela gótica de seu dormitório lançou uma suspiro de alegria. Edward, que tinha regressado com Leone justo a tempo para o jantar, rodeou-a com seus braços e a girou para si.

—Foi um bom dia?

—Maravilhoso - replicou ela.

—Deveríamos comprar uma casa aqui - sugeriu ele. Isabella se pôs tensa e, compreendendo que já era hora de que fosse mais sincera com Edward. Inalou profundamente.

—Não precisa. Herdei a casa de Londres de Eric e minha mãe adotiva me deixou

Caradore Park, o sítio de sua família. Não visitei nenhuma das duas propriedades, mas meu pai as utiliza quando vem a Inglaterra.

—E não se te tinha ocorrido mencionar esses detalhes até agora? - perguntou Edward com voz tensa.

—Não me pareceu importante - Isabella se encolheu de ombros e evitou seu olhar incrédulo. - Creio que vou banhar-me - murmurou, dirigindo-se para o banheiro na velocidade supersônica.

Edward agarrou a porta antes de que se fechasse.

—Há mais, não é verdade? - inquiriu com firmeza.

—Mamãe e Eric me deixaram tudo - confessou Isabella, engolindo saliva. Uma olhadela ao rosto de seu marido lhe confirmou que ele tinha bastante claro o que esse "tudo" implicava.

—Já vejo... -afirmou Edward vocalizando lentamente. - Colocará tudo num documento para nossos filhos.

—Não... - exclamou Isabella, depois de um breve silêncio.

—Já te expliquei o que opinava a esse respeito - declarou Edward com toda a força de sua personalidade, lsabella empalideceu e inclinou a cabeça. - Um marido grego considera que tem o direito de manter a sua mulher - declarou com convicção e firmeza.

Isabella apertou os dentes; o orgulho de Edward interferia com sua inteligência. Ela não confiava em que a associação com seu pai durasse muito, e tentava protegê-los a ambos. Antes ou depois, Charlie Swan faria algum negócio sujo que o indignaria, e se Edward tentava dissolver a sociedade, Charlie faria o possível por arruiná-lo. Era muito possível que chegasse o momento no que Edward se alegrasse de ter uma esposa economicamente independente cujos bens não estivessem atados num fiel compromisso.

—Não aceitarei nenhum compromisso nesse sentido - advertiu Edward com um tom letal que fez que ela sentisse um arrepio. - É uma questão do que é "correto" - concluiu, fechando a porta inesperadamente.

Quando Isabella saiu do banho, Edward já estava na cama, apoiado num montão de travesseiros que tinha empilhado. Seus olhos se encontraram e Isabella estremeceu. Vê-lo sempre lhe provocava um impacto que a deixava sem alento.

—A meu ver, ágape mou - declarou Edward com voz calma, - isto também é uma questão de confiança. Tens ou não tens confiança em minha capacidade de cuidar de ti?

Imediatamente, Isabella viu as desvantagens de ter-lhe dado tempo a reflexionar até encontrar o argumento mais perigoso para ambos.

Isabella, compreendendo que uma negativa feriria profundamente seu orgulho e abalaria seu casamento, fez algo que nunca antes tinha feito: com um movimento sensual e insinuante, desfez-se da camisola. Sentiu o súbito ardor de olhar de Edward, fixo em seus peitos e seus estreitos quadris. A atmosfera mudou por completo. Sem mal respirar, acercou-se à cama e se acomodou a seu lado, agitando sua longa cabeleira.

—Sim... claro que sim - sussurrou docemente.

—É uma bruxa - grunhiu Edward, enredando os dedos em seu cabelo. Agarrou-a com força e a pôs sobre si, reclamando sua boca com um beijo ardente e apaixonado.

—Como pode ser tão rasteira para perguntar-me isso? Que posso contestar ante algo assim?

—Sim... ou não... - Edward se negou a dar passo atrás.

Durante o fim de semana, Isabella falou longamente por telefone com sua irmã, Ângela, e lembrou encontrar-se com seu pai natural, Phil, em sua próxima visita a Londres. Edward tinha que regressar a Grécia e, ainda que lhe doía deixar a sua gêmea, não queria separar-se dele. Estavam recém casados e ela demasiado apaixonada, como podia aceitar o convite de Misty, que queria que passasse uns dias mais no castelo.

Minutos antes de embarcar em seu vôo a Atenas, Edward recebeu um telefonema urgente que atendeu em privado. Depois de atender Isabella notou as rugas de tensão que sulcavam seu rosto e seu olhar sombrio.

—Que aconteceu? - perguntou.

Edward deixou escapar um longo suspiro. Seguia atordoado pela notícia que acabava de receber. Seu sogro tinha piorado notavelmente, os médicos tinham decidido que já não era viável outra operação e que não podiam fazer mais por ele. Desolado ao ver a olhada interrogante e inocente de Isabella, amaldiçoou-se por não ter-lhe contado desobedecendo as ordens de Charlie.

—Isabella... teu pai está muito doente –disse.

—Desde... desde quando? –pergunto Isabella pálida.

Edward tomou suas mãos entre as suas e lhe contou o que Charlie lhe tinha confessado seis semanas antes.